segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Resposta - Tobias Barreto

Fonte "Seguindo Juntos”
Tobias Barreto


Céus, quem vos desdobrou no tempo sem memória?
Flâmeas constelações, quem vos lança e aglutina?
Astros, quem vos dirige a excelsa disciplina?
Luzes, quem vos acende a beleza incorpórea?

Terra, quem vos gerou? Mares, quem vos domina?
Flores, quem vos estende a gentileza e a glória?
Aves, quem vos inspira a marcha migratória?
Fontes, quem vos impele a cantar em surdina?

Desertos, quem vos fez na imensidão de areia?
Vales, quem vos mantém'? Rochas, quem vos alteia?
Vermes, quem vos criou no abismo estranho e mudo?!...

De esfera a esfera, ser a ser e vida em vida,
Surge por toda a parte a resposta incontida:
- "Deus! ... Tudo vem de Deus na grandeza de tudo! ..."


Tempo Certo - Hammed

Obra: Renovando Atitudes
Hammed / Francisco do Espírito Santo Neto


“... Aquele que semeia saiu a semear; e, enquanto semeava, uma parte da semente caiu ao longo do caminho...”

“... Mas aquele que recebe a semente numa boa terra é aquele que escuta a palavra, que lhe presta atenção e que dá fruto, e rende cento, ou sessenta, ou trinta por um.”
(Capítulo 17, item 5.)


Na vida, não existe antecipação nem adiamento, somente o tempo propício de cada um.
A humanidade, em geral, recebe as sementes do cresci¬mento espiritual a todo o instante.
Constantemente, a “Organização Divina” emite idéias de progresso e desenvolvimento, devendo cada indivíduo absorver a sementeira de acordo com suas possibilidades e habilidades existenciais.
A Natureza nos presenteia com uma diversidade incontável de flores, que nos encantam e fascinam. Certamente, não as depreciaríamos apenas por achar que vários botões já deveriam ter desabrochado dentro de um prazo determinado por nós, nem as repreenderíamos por suas tonalidades não ser todas iguais conforme nossa maneira de ver.
Nem poderíamos sequer compará-las com outras flores de diferentes jardins, por estarem ou não mais viçosas. Deixemos que elas possam germinar, crescer e florir, segundo sua natureza e seu próprio ritmo espontâneo. Isso será sempre mais óbvio.
Parece racional que ofereçamos a quem amamos o mesmo consentimento, porque cada ser tem seu próprio “marco individual” nas estradas da vida, e não nos é permitido violentar sua maneira de entender, comparando-o com outros, ou forçando-o com nossa impaciência para que “cresçam” e “evoluam”, como nós acharíamos que deveria ser.
Cada um de nós possui diferenças exteriores, tanto no aspecto físico como na forma de se vestir, de sorrir, de falar, de olhar ou de se expressar. Por que então haveríamos de florescer “a toque de caixa”?
Nossa ansiedade não faz com que as árvores deem frutos instantâneos, nem faz com que as roseiras floresçam mais céleres. Respeitemos, pois, as possibilidades e as limitações de cada indivíduo.
Jesus, por compreender a imensa multiformidade evolucional dos homens, exemplificou nessa parábola a “dissemelhança” das criaturas, comparando-as aos diversos terrenos nos quais as sementes da Vida foram semeadas.
As que caíram ao longo do caminho, e os pássaros as comeram, representam as pessoas de mentalidade bloqueada e restringida, que recusam todas as possibilidades de conhecimento que as conteste, ou mesmo, qualquer forma que venha modificar sua vida ou interferir em seus horizontes existenciais. São seres de compreensão e aceitação diminuta ou quase nula. São comparáveis aos atalhos endurecidos e macerados pela ação do tempo.
Outras sementes caíram em lugares pedregosos, onde não havia muita terra, mas logo brotaram. Ao surgir o sol, queimaram-se porque a terra era escassa e suas raízes não eram suficientemente profundas.
Foram logo ressecadas porque não suportaram o “calor da prova”; e, por serem qualificadas como pessoas de convicção “flutuante”, torraram rapidamente seus projetos e intenções.
Nossas bases psicológicas foram recolhidas nas experiências do ontem. São raízes do passado que nos dão manutenção no presente para ir adiante, nos processos de iluminação interior.
Quando os “caules” não são suficientemente profundos e vetustos, há bloqueios tanto em nossa consciência intelectual como na emocional. Um mecanismo opera de forma a assimilar somente o que se pode digerir daquela informação ou ensinamento recebido.
Assim, a disponibilidade de perceber a realidade das coisas funciona nas bases do “potencial” e da “viabilidade evolutiva” e, portanto, impor às pessoas que “sejam sensíveis” ou que “progridam”, além de desrespeito à individualidade, é fator perigoso e destrutivo para exterminar qualquer tipo de relacionamento.
Os espinheiros que, ao crescer, abafaram as sementes representam as “idéias sociais” que impermeabilizam a mentalidade dos seres humanos, pois, no tempo do Mestre, as leis do “Torah” asfixiavam e regulamentavam não somente a vida privada, mas também a pública.
Os indivíduos que não pensam por si mesmos acabam caindo nos domínios das “normas e regras”, sem poder erguer em demasia a sua mente, restrita pelas idéias vigentes, o que os sentencia a viver numa “frustração grupal”, visto que seu grau de raciocínio não pode ultrapassar os níveis permitidos pela comunidade.
Jesus de Nazaré combateu sistematicamente os “espinhos da opressão” na pessoa daqueles que observavam com rigor rituais e determinações das leis, em detrimento da pureza interior. Dessa forma, Ele desqualificou todo espírito de casta entre as criaturas de sua época.
As demais sementes, no entanto, caíram em boa terra e deram frutos abundantes. O que é um “solo fértil”?
Nossos patrimônios de entendimento, de compreensão e de discernimento não ocorrem por acaso, porquanto nenhum aprendizado nos envolverá profundamente se não estivermos dotados de competência e habilidades propiciadoras.
A boa absorção ou abertura de consciência acontece somente no momento em que não nos prendemos na forma. Aprofundarmo-nos no conteúdo real quer dizer: “Quem não quebra a noz, só lhe vê a casca”. Mas para “quebrar a noz e preciso senso e noção, base e atributos que requerem tempo para se desenvolverem convenientemente. A consciência da criatura, para que seja receptiva, precisa estar munida de “despertamento natural” e “amadurecimento psicológico”.
Reforçando a ideia, examinemos o texto do apóstolo Marcos, onde encontramos: “porque a terra por si mesma frutifica, primeiro a erva, depois a espiga, e por último o grão cheio na espiga”. (1)
O Mestre aceitava plenamente a diversidade humana. Ele se opunha a todo e qualquer “nivelamento psicológico” e, portanto, lançou a Parábola do Semeador, a fim de que entendêssemos que o melhor apoio que prestaríamos a nossos companheiros de jornada seria simplesmente esperar em silêncio e com paciência.
Portanto, compreendamos que a nós, somente, compete “semear”; sem esquecer, porém, que o crescimento e a fartura na colheita dependem da “chuva da determinação humana” e do “solo generoso” da psique do ser, onde houve a semeadura.



Existência de Deus - Meimei

Livro: Ideias e Ilustrações.
Pelo Espírito Meimei
Psicografia de Francisco Cândido Xavier

Conta-se que um velho árabe analfabeto orava com tanto fervor e com tanto carinho, cada noite, que, certa vez, o rico chefe de grande caravana chamou-o à sua presença e lhe perguntou:
- Por que oras com tanta fé? Como sabes que Deus existe, quando nem ao menos sabes ler?
O crente fiel respondeu:
- Grande senhor, conheço a existência de Nosso Pai Celeste pelos sinais dele.
- Como assim? - indagou o chefe, admirado.
O servo humilde explicou-se:
- Quando o senhor recebe uma carta de pessoa ausente, como reconhece quem a escreveu?
- Pela letra.
- Quando o senhor recebe uma joia, como é que se informa quanto ao autor dela?
- Pela marca do ourives.
O empregado sorriu e acrescentou:
- Quando ouve passos de animais, ao redor da tenda, como sabes, depois, se foi um carneiro, um cavalo ou um boi?
- Pelos rastros - respondeu o chefe, surpreendido.
Então, o velho crente convidou-o para ir fora da barraca e, mostrando-lhe o céu, onde a Lua brilhava, cercada por multidões de estrelas, exclamou, respeitoso:
- Senhor, aqueles sinais, lá em cima, não podem ser dos homens!
Nesse momento, o orgulhoso caravaneiro, de olhos lacrimosos, ajoelhou-se na areia e começou a orar também.

Para Renovar-nos - André Luiz

Livro: Coragem
André Luiz
Psicografia de Francisco Cândido Xavier

Não espere viver sem problemas, de vez que problemas são ingredientes de evolução, necessários ao caminho de todos.
Ante os próprios erros, não descambe para o desculpismo e sim enfrente as consequências deles, a fim de retificar-se, como quem aproveita pedras para construção mais sólida.
Não perca tempo e serenidade, perante as prováveis decepções da estrada, porquanto aqueles que supõem decepcionar-nos estão decepcionando a si mesmos.
Reflita sempre antes de agir, a fim de que seus atos sejam conscientizados.
Não exija perfeição nos outros e nem mesmo em você, mas procure melhorar-se quanto possível.
Simplifique seus hábitos.
Experimente humildade e silêncio, toda vez que a violência ou a irritação apareçam em sua área.
Comunique seus obstáculos apenas aos corações amigos que se mostrem capazes de auxiliar em seu benefício com discrição e bondade.
Diante dos próprios conflitos, não tente beber ou dopar-se, buscando fugir da própria mente, porque de toda ausência indébita você voltará aos estragos ou necessidades que haja criado no mundo íntimo, a fim de saná-los.
Lembre-se de que você é um Espírito Eterno e se você dispõe da Paz na Consciência estará sempre inatingível a qualquer injúria ou perturbação.


Indicação Fraterna - Emmanuel

Livro: “Ceifa de Luz”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel

“Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu...” — Pedro. (I Pedro, 4:10)

Este o caminho para o necessário burilamento: trabalhar, aprender, sofrer, dar presença e colaboração na Causa do Bem.
O amor encerra em si as leis do Universo e tudo o que fizermos contra o amor é algo que criamos contra nós mesmos. Aceita, desse modo, no sacrifício a mais alta norma de ação.
Não fujas dos encargos que a Sabedoria da Vida te entregou. Acima de tudo, promove-te, servindo mais.
O suor do trabalho confere experiência.
A lágrima de aflição acende a luz espiritual.
Quando a dor te visite, reflete-lhe a mensagem. Não há sofrimento sem significação.
Não fosse a prova e ninguém conseguiria entesourar compreensão e discernimento.
Nos dias de desacerto, ainda quando te reconheças na sombra do fracasso, levanta-te, reinicia a tarefa e contempla, de novo, a bênção do Sol, na convicção de que o erro superado nos ensina indulgência, amolecendo-nos o coração, a fim de que venhamos a entender e desculpar as faltas possíveis dos semelhantes. Mesmo nas crises que te estrangulam a sensibilidade, sê fiel ao ideal de servir e não esmoreças.
Não esperes por descanso externo, quando não tiveres a paz dentro de ti.
Haja o que houver, não te interrompas, na tarefa em execução, para ouvir sarcasmo ou censura. Oferece o melhor de ti aos que te compartilham a estrada, e, conservando a consciência tranquila, trabalha sempre, lembrando, a cada momento, que, assim como o fruto fala da árvore, o serviço é a testemunha do servidor.


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Diante da Lei - Emmanuel

Emmanuel   /   Francisco Cândido Xavier


O espírito consciente, criado através dos milênios, nos domínios inferiores da natureza, chega à condição de
humanidade, depois de haver pago os tributos que a evolução lhe reclama.
À vista disso, é natural compreendas que o livre arbítrio estabelece determinada posição para cada alma, porquanto cada pessoa deve a si mesma a situação em que se coloca.
Possuis o que deste.
Granjearás o que vens dando.
Conheces o que aprendeste.
Saberás o que estudas.
Encontraste o que buscavas.
Acharás o que procuras.
Obtiveste o que pediste.
Alcançarás o que aspiras.
És hoje o que fizeste contigo ontem.
Serás amanhã o que fazes contigo hoje.
Chegamos no dia claro da razão, simples e ignorantes, diante do aprimoramento e do progresso, mas com liberdade interior de escolher o próprio caminho.
Todos temos, assim, na vontade a alavanca da vida, com infinitas possibilidades de mentalizar e realizar.
O governo do Universo é a justiça que define, em toda parte, a responsabilidade de cada um.
A glória do Universo é a sabedoria, expressando luz nas consciências.
O sustento do Universo é o trabalho que situa cada inteligência no lugar que lhe compete
A felicidade do Universo é o amor na forma do bem de todos.
O Criador concede às criaturas, no espaço e no tempo, as experiências que desejem, para que se ajustem, por fim, às leis de bondade e equilíbrio que O manifestam. Eis por que permanecer na sombra ou na luz, na dor ou na alegria, no mal ou no bem, é ação espiritual que depende de nós.

Respostas - Casimiro Cunha

Casimiro Cunha
Livro “Encontro de Paz”, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos Diversos

Nos problemas que carregas
Queres saber como agir...
Anelas libertação...
Que fazer? Torna a servir.

Sofreste... Anseias agora
Adivinhar o porvir...
Como achar felicidade?
Atende. Torna a servir.

Erraste... Lutas na sombra...
Desejas não mais cair...
Onde a escora que te guarde?
Trabalha. Torna a servir.

Estragaste os próprios sonhos
Que procuras corrigir...
Qual o caminho mais certo?
O melhor: torna a servir.

Excesso de ocupações...
Novo dever a cumprir...
Compromissos mais pesados,
Não fujas... Torna a servir.

Em qualquer dor, se indagasses
Do Senhor como sair
Jesus diria decerto:
Não temas, torna a servir.

Pensa um Pouco - Emmanuel

Livro: Pão Nosso
Emmanuel / Francisco Cândido Xavier

“As obras que eu faço em nome de meu Pai, essas testificam de mim.” Jesus (João, 10:25)

É vulgar a preocupação do homem comum, relativamente às tradições familiares e aos institutos terrestres a que se prende, nominalmente, exaltando-se nos títulos convencionais que lhe identificam a personalidade.
Entretanto, na vida verdadeira, criatura alguma é conhecida por semelhantes processos. Cada Espírito traz consigo a história viva dos próprios feitos e somente as obras efetuadas dão a conhecer o valor ou o demérito de cada um.
Com o enunciado, não desejamos afirmar que a palavra esteja desprovida de suas vantagens indiscutíveis; todavia, é necessário compreender¬se que o verbo é também profundo potencial recebido da Infinita Bondade, como recurso divino, tornando¬se indispensável saber o que estamos realizando com esse dom do Senhor Eterno.
A afirmativa de Jesus, nesse particular, reveste-se de imperecível beleza.
Que diríamos de um Salvador que estatuísse regras para a Humanidade, sem partilhar¬lhe as dificuldades e impedimentos?
O Cristo iniciou a missão divina entre homens do campo, viveu entre doutores irritados e pecadores rebeldes, uniu-se a doentes e aflitos, comeu o duro pão dos pescadores humildes e terminou a tarefa santa entre dois ladrões.
Que mais desejas? Se aguardas vida fácil e situações de evidência no mundo, lembra-te do Mestre e pensa um pouco.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Educa - Emmanuel


Livro: “Fonte Viva” 
Emmanuel 
Psicografia de Francisco Cândido Xavier

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” Paulo (I Coríntios, 3:16)


Na semente minúscula reside o germe do tronco benfeitor.
No coração da terra, há melodias da fonte.
No bloco de pedra, há obras-primas de estatuária. Entretanto, o pomar reclama esforço ativo.
A corrente cristalina pede aquedutos para transportar-se imaculada.
A joia de escultura pede milagres do buril.
Também o espírito traz consigo o gene da Divindade.
Deus está em nós, quanto estamos em Deus.
Mas, para que a luz divina se destaque da treva humana, é necessário que os processos educativos da vida nos trabalhem no empedrado caminho dos milênios.
Somente o coração enobrecido no grande entendimento pode vazar o heroísmo santificante.
Apenas o cérebro cultivado pode produzir iluminadas formas de pensamento.
Só a grandeza espiritual consegue gerar a palavra equilibrada, o verbo sublime e a voz consoladora.
Interpretemos a dor e o trabalho por artistas celestes de nosso aperfeiçoamento.
Educa e transformarás a irracional idade em inteligência, a inteligência em humanidade e a humanidade em angelitude.
Educa e edificarás o paraíso na Terra.
Se sabemos que o Senhor habita em nós, aperfeiçoemos a nossa vida, a fim de manifestá-lo.

O Talismã Divino - Neio Lúcio

Livro: Jesus no Lar
Neio Lúcio
Psicografia de: Francisco Cândido Xavier

Entabularam os familiares interessante palestra, acerca das faculdades sublimes de que o Mestre dava testemunho amplo, curando loucos e cegos, quando Isabel, a zelosa genitora de João e Tiago, indagou, sem preâmbulos:
— Senhor, terás contigo algum talismã de cuja virtude possamos desfrutar? algum objeto mágico que nos possa favorecer?
Jesus pousou na matrona os olhos penetrantes e falou, risonho:
— Realmente, conheço um talismã de maravilhoso poder. Usando-lhe os milagrosos recursos, é possível iniciar a aquisição de todos os dons de Nosso Pai. Oferece a descoberta dos tesouros do amor que resplandecem ao redor de nós, sem que lhes vejamos, de pronto, a grandeza. Descortina o entendimento, onde a desarmonia castiga os corações. Abre a porta às revelações da arte e da ciência. Estende possibilidades de luminosa comunhão com as fontes divinas da vida. Convida à bênção da meditação nas coisas sagradas. Reata relações de companheiros em discordância. Descerra passagens de luz aos espíritos que se demoram nas sombras. Permite abençoadas sementeiras de alegria. Reveste-se de mil oportunidades de paz com todos. Indica vasta rede de trilhos para o trabalho salutar. Revela mil modos de enriquecer a vida que vivemos. Facilita o acesso da alma ao pensamento dos grandes mestres. Dá comunicações com os mananciais celestes da intuição.
— Que mais? — disse o Senhor, imprimindo ênfase à pergunta.
E após sorrir, complacente, continuou:
— Sem esse divino talismã, é impossível começar qualquer obra de luz e paz na Terra.
Os olhos dos ouvintes permutavam expressões de assombro, quando a esposa de Zebedeu inquiriu, espantada:
— Mestre, onde poderemos adquirir semelhante bênção? Dize-nos. Precisamos desse acumulador de felicidade.
O Cristo, então, acrescentou, bem-humorado:
— Esse bendito talismã, Isabel, é propriedade comum a todos. É “a hora que estamos atravessando”... Cada minuto de nossa alma permanece revestido de prodigioso poder oculto, quando sabemos usá-lo no Infinito Bem, porque toda grandeza e toda decadência, toda vitória e toda ruína são iniciadas com a colaboração do dia.
E diante da perplexidade de todos, rematou:
— O tempo é o divino talismã que devemos aproveitar.


Ninguém é Inútil - Emmanuel

Livro: Livro da Esperança
Emmanuel
Médium Francisco Cândido Xavier

Não aguardes aparente grandeza para ser útil.
Missão quer dizer incumbência.
E ninguém existe aos ventos do acaso.
Para entender nossos mandatos de trabalho, atentemos em lições de coisas da natureza.
A usina poderosa ilumina qualquer lugar à distância, contudo, para isso, não age por si só.
Usa transformadores de um circuito a outro, alterando, em geral, a tensão e a intensidade da corrente.
Os transformadores exigem fios de condução e os fios recorrem à tomada de força.
Isso, porém, ainda não resolve.
Para que a luz se faça, é indispensável a lâmpada, que se forma de componentes diversos.
No dicionário das leis divinas, as nossas tarefas têm o sinônimo de dever.
Atendamos a obrigação para que fomos chamados no clima do bem.
Não te digas inútil nem incompetente.
Para cumprir a missão que nos cabe, não são necessários cargo diretivo, tribuna brilhante nem fortuna de milhões.
Basta que estimemos a disciplina no lugar que nos é próprio, e prazer de servir.


Caridade e Presença - Joanna de Ângelis

Livro: Celeiro de Bênçãos
Joanna de Angelis
Psicografia de:Divaldo Pereira Franco

Valioso o mister da caridade, quando encaminhas víveres e medicamentos aos padecentes
das aflições sem nome. Expressiva a solidariedade que doas, através da contribuição de
moedas que se convertem em aluguéis dignos, como alavancas impulsionantes, que erguem
da mendicância os que estão na inclinada da queda e permaneceriam no solo do desastre
moral e humano. Representativa a ajuda com pão e tecido que doas aos que se debatem na
fome e na nudez. Nobre a mensagem que endereças aos que choram e se rebolcam nos
pauis da desesperação.
Sanadores de males, as orações e os pensamentos salutares com que intercedes à
Divindade pelos caídos e desafortunados do caminho por onde segues. Muito mais
importante, no entanto, será o teu auxílio direto, representado pela tua presença no tugúrio
onde a dor permanece dominadora, ou junto ao grabato em que a enfermidade manieta
sofredores, ou por meio do verbo morno da amizade, com que expões a esperança aos
ouvidos da desdita, ou a moeda que convertes em salário honroso, de modo a libertá-los da
constrição da miséria econômica e social, na dinâmica da fraternidade legítima,
Entre ajudar por intermédio de alguém ou deixar de fazê-lo, por não poderes amparar
diretamente, sempre é melhor socorrer de qualquer modo... Todavia, considerando o valor do
bem, que é sempre melhor para quem o exercita, merece considerares a extensão do
esforço pessoal de que se enriquece o benfeitor.
Visitando o casebre em ruína onde um coração jaz, vencido, meditarás. Ombreando com o
aflito e o amparando, refletirás. Conhecendo a dificuldade de alguém e sanando-a, pensarás.
Urge, desse modo, participares dos problemas do próximo em agonia, a fim de aprofundares o
exame da situação em que estagiarás, valorizando melhor as concessões que usufruis.
Muitas pessoas generosas oferecem o que abunda em suas mãos, mas não doam o tempo,
a presença, o esforço, permanecendo solidárias, mas distantes; gentis, mas distantes;
fraternas, mas distantes, como receando o contágio dos que estacionam nas preciosas
provações redentoras. Não te negues, destarte, ao trabalho eficiente de conduzires o pão da
vida e a palavra de luz do Evangelho aos pardieiros sombrios e tristes onde se alojam os
irmãos da retaguarda espiritual. Unge-te de amor e faze-te médium da alegria como da
caridade superior, vivendo, por alguns momentos embora, as dificuldades dos que sofrem e
clareando-os com a dádiva da tua auto-oferta, para que te tenham verdadeiramente como
amigo e sejas realmente irmão de todos eles.

Preceitos de Toda Hora - André Luiz

Livro: Ideal Espírita
Espírito André Luiz
Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Caminhe com firmeza. Quem se acomoda com a precipitação tropeça a cada instante.
Examine a você mesmo. Na vigilância constante, educará você os próprios impulsos.
Higienize a própria mente, trabalhando no bem sem desânimo. O cérebro preguiçoso acumula resíduos indesejáveis.
Escute seu irmão sem reproches. A caridade real começa na atenção generosa e amiga.
Aperfeiçoe o procedimento. Hoje melhorado é amanhã mais feliz.
Ampare o coração combalido. Ninguém pode prever a saúde próxima do próprio coração.
Faça luz com a sua palavra. Se hoje pode você orientar é possível que amanhã esteja você rogando conselhos.
Sofra com paciência e serenidade. No braseiro da revolta, ninguém consegue aproveitar a dor.
Melhore o vocabulário. Há palavras que, excessivamente repetidas, perdem a significação que lhes é própria.
Cultive a simplicidade. Embora não pareça, o Universo é imponente conjunto de leis claras e coisas simples.
Sirva sempre. O tédio é o salário de quem vive reclamando o serviço dos outros.
Improvise o bem onde você estiver. A sombra do mal é assim como o detrito que invade tudo, quando a limpeza está ausente.


sábado, 18 de fevereiro de 2017

The Prayer

Andrea Bocelli, Celine Dion

Chamamentos - Emmanuel

Livro: Instrumentos do Tempo
Emmanuel   /   Francisco Cândido Xavier

Aguça os ouvidos e assinalarás os múltiplos chamados do Senhor ao testemunho de serviço, em teu próprio aperfeiçoamento, cada dia.
Os apelos do Céu ressoam por toda parte, sem palavras, sem abalo, sem ruído...
Repara: – é a dureza de coração que te convida ao exercício da piedade;
é a dor que te pede reconforto balsamizante;
é a calúnia que te reclama o esforço heroico do perdão com absoluto esquecimento do mal;
é a sombra que espera por tua lâmpada acesa na inspiração do bem;
é o cipoal da discórdia que te aguarda a bênção de harmonia...
Não olvides que o Senhor apeia para a tua bondade e para a tua compreensão, para a tua paciência e para a tua capacidade de servir, em todos os ângulos do caminho...
Aqui é uma esperança frustrada, ali é um desafio do sofrimento que, em nome d’Ele, te pedem confiança e conformação...
A voz do Mestre vibra no santuário doméstico, na oficina em que te confias à conquista do pão, no templo de tua fé religiosa, na via pública...
Fala-te de mil modos diferentes nos amigos, nos parentes, nos companheiros e nos desconhecidos que cruzam com teus passos pela primeira vez!
Levanta-te cada manhã e prepara a acústica da própria alma, a fim de lhe registrares as sugestões e não te esqueças de que se souberes escutar o Divino Mentor nos diversos chamamentos de cada hora – chamamentos à ação digna, à sublimação dos sentimentos, ao dever bem cumprido e à atitude da reta consciência – em breve, te elegerás escolhido para o concerto dos servidores divinos na Glória Superior.
Em verdade, o Dono da Vinha convida os operários da sementeira e da seara, indistintamente para o trabalho comum; entretanto, o esforço e o devotamento, a boa vontade e o sacrifício do cooperador são as forças que o destacam para a eleição a que deve e pode erguer-se.
Muitos chamados e poucos escolhidos! – proclamou o Divino Mestre. É que todas as criaturas estão na Terra, chamadas à construção da luz, mas só aquelas que se consagram às próprias obrigações, na execução dos divinos desígnios, podem atingir a vitória dos que persistem no bem até o fim.


Mecanismo da Evolução - Joanna de Ângelis

Livro: Desperte e Seja Feliz
Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis

As conjunturas difíceis que vives fazem parte do processo evolutivo de todas as criaturas. Enfermidades,
incompreensões, problemas do lar, limites orgânicos, dificuldades econômicas são os mecanismos de que
se utilizam as Leis soberanas para estimular-te ao avanço, à conquista de mais elevados pisos.
Mesmo os triunfos aparentes, a fama transitória, a saúde, a tranquilidade doméstica tornam-se, as vezes,
motivo de aflição.
Milton, o grande poeta inglês, afirmava que a Fama é a espora que eleva o espírito iluminado, a fim de que
ele mais se desdobre e mais trabalhe, e quando, finalmente, pense em gozá-la, as Fúrias cindem o seu êxito
e a vida fragilmente tecida.
O brilho da fama é visitado constantemente pela treva da inveja, que a tenta empanar ou mesmo apagá-la,
levando a calúnia a tiracolo para o empreendimento nefasto.
As pessoas que aparentam felicidade e transitam no carro do triunfo, também experimentam dores e
sofrem ansiedades, depressões.
Não te iludas com a vã esperança de lograres felicidade sem esforço e paz sem lágrimas.
A terra é a Escola dos aprendizes em fase de imperfeição e ignorância.
Alguns, bem intencionados, esforçando-se; outros, preguiçosos, criando embaraços para o próximo e para
eles mesmos; diversos, distraídos e atrasados; raros, com aproveitamento louvável, mesmo assim vivendo as
condições e peripécias da sua humanidade.
Também és estudante algo negligente, equivocando-te, envolvendo-te em pugnas mesquinhas, gerando
animosidade, perdendo tempo útil.
Ghandhi afirmava que se me não matarem, terei fracassado na campanha da não-violência.
Raros os apóstolos do bem que não sofreram a perseguição dos próprios correligionários, transformados
em competidores e difamadores cruéis.
Muitas vezes, o amigo solidário de agora se transmuda em adversário de mais tarde.
Não foram os inimigos que atraiçoaram e negaram Jesus; mas, Seus amigos invigilantes.
A ti cabe a honrosa tarefa de enfrentar os problemas e solucioná-los; de trabalhar a enfermidade e
recuperar a saúde; de lutar e adquirir a paz íntima em qualquer situação a que te vejas conduzido.
No desequilíbrio que predomina em toda parte, sê tu quem permanece com serenidade.
No vozerio das acusações, seja o teu silêncio a forma de defesa.
Na urdidura de qualquer mal, a tua se torne a presença do bem.
Nunca abandones a trilha da fé, nem te apartes dos deveres sacrificiais, porque sofres ou defrontas
dificuldades.
Facilidade, improvisação, sorte são expressões que não existem no dicionário dos códigos Divinos. Tudo
são conquistas arduamente conseguidas.
Fiel ao ideal que abraças e à vida que te exorna a marcha, não temas, não recues e não te desesperes
nunca.
A felicidade virá e permanecerá contigo a partir do momento próprio.

Calma - André Luiz

André Luiz
Livro: Ideal Espírita
Francisco Cândido Xavier – Diversos Espíritos

Se você está no ponto de estourar mentalmente, silencie alguns instantes para pensar.
Se o motivo é moléstia no próprio corpo, a intranquilidade traz o pior.
Se a razão é enfermidade em pessoa querida, o seu desajuste é fator agravante.
Se você sofreu prejuízos materiais, a reclamação é bomba atrasada, lançando caso
novo.
Se perder alguma afeição, a queixa tornará você uma pessoa menos simpática, junto
de outros amigos.
Deixou-se alguma oportunidade valiosa para trás, a inquietação é desperdício de
tempo.
Se contrariedades apareceram, o ato de esbravejar afastará de você o concurso
espontâneo.
Se você praticou um erro, o desespero é porta aberta a faltas maiores.
Se você não atingiu o que desejava, a impaciência fará mais larga distância entre você
e o objetivo a alcançar.
Seja qual for a dificuldade, conserva a calma, trabalhando, porque, em todo problema,
a serenidade é o teto da alma, pedindo o serviço por solução.



Convite à Harmonia - Joanna de Ângelis

Obra: Convites da Vida.
Divaldo Pereira Franco por Joanna de Ângelis

“Pois toda criatura de Deus é boa e nada deve ser rejeitado, se é recebido com gratidão.”
(1ª Epístola à Timóteo: capítulo 4º, versículo 4.)

Como hábito, uma que outra vez com regularidade, altera o ritmo das atividades do quotidiano, a fim de haurires na comunhão da Natureza a necessária harmonia para o prosseguimento dos labores abençoados.
Uma evasão da cidade agitada na direção do bosque;
Uma excursão a um local bucólico e ameno;
Uma jornada aos campos dos arredores;
Uma caminhada pela orla marinha;
Um convescote à montanha...
Paisagens novas, inabituais à contemplação, ao exercício, à reflexão.
Neste recanto uma delicada flor oscilando em haste tênue; do alto visão ampliada, superando detalhes e vencendo distâncias; em volta o ar rarefeito, dúlcido, respirável; pequenas boninas salpicando o verdor de todos os tons; o pulsar do corpo gigante do mar; búzios e algas variados pelas praias, despertando atenção; painéis coloridos, variados, o céu, o sol, a vida...
Detém-te um pouco a considerar a harmonia que palpita em toda parte, ausculta o coração da Natureza, deixa-te arrastar.
Refaze programações, renova o entusiasmo, desasfixiando-te, eliminando tóxicos, miasmas que te excitam no dia-a-dia ou te entorpecem na maior parte das horas...
Faze, porém, tua busca de harmonia com simplicidade.
Nada de complexas, exaustivas arrumações: barracas, farnéis, guloseimas, isto, aquilo..
Algumas horas nada são. Não devem ser complicadas, de modo a não se converterem em nova inquietação, diferente ansiedade.
Se, todavia, acreditares não dispor de tempo, de oportunidade, de meios — recurso nenhum, senão disposiçãO, — abre a janela, à noite e fala às estrelas, escuta os astros fulgurantes, harmoniza-te.
Harmonia é também pão e medicamento. Não prescindirás dela se pretendes lograr êxito.
Mesmo Jesus, após as atividades de cada dia, ao lado dos amigos, refugiava-se, longe das multidões, no contato com a Natureza, orando, para prosseguir em harmonia com o Pai. E como afirma Paulo que “toda criatura de Deus é boa”, mister se faz desdobrar essa natural bondade, a fim de que, em harmonia, tudo receba “com gratidão”.


Laço de Luz - Emmanuel

Livro: Buscas e Acharás -
Emmanuel / Francisco Cândido Xavier

As provas na Terra apresentam sempre o lado de luz de que são mensageiras.
Entretanto, para observá-lo, urge reconhecer os sinônimos espirituais de que
essas mesmas provas se revestem, como sejam:

encargo difícil - privilégio;
dever cumprido - senda libertadora;
rotina - conquista de competência;
solidão - tempo de pensar;
contratempo - aviso benéfico;
contrariedades no cotidiano - treino de paciência;
tribulação de improviso - socorro específico;
moléstia súbita - apoio de emergência;
lesão congênita - corrigenda no espírito;
adversários - fiscais proveitosos;
crítica - apelo a burilamento;
censura - convite a reajuste;
ofensa - invocação à tolerância;
menosprezo - teste de amor;
tentação - curso de resistência;
fracasso - necessidade de revisão;
lar em discórdia - área de resgate;
parente complexo - dívida em cobrança;
obstáculo social - ensino de humildade;
deserção de afetos - renovação compulsória;
golpes - aulas para discernimento;
desilusão - visita da verdade;
prejuízo - identificação de pessoas;
decepções - informes claros;
renúncia - rumo certo
crise - aferição de valor;
sacrifício - crescimento espiritual;

Meditemos na significação oculta dos problemas com que somos defrontados no
mundo e saibamos aproveitar, enquanto no Plano Físico, a nossa abençoada
escola de elevação.


Iluminação - Palavras de Emmanuel

Emmanuel  /  Francisco Cândido Xavier

O que crê, apenas admite: mas o que se ilumina vibra e sente. (Consolador)
*
A palavra do guia é agradável e amiga, mas o trabalho de iluminação pertence a cada um. (Consolador)
*
Toda reforma terá de nascer no interior. Da iluminação do coração vem a verdadeira cristianização do lar, e do aperfeiçoamento das coletividades surgirá o novo e glorioso dia da Humanidade. (Emmanuel)
*
A maioria dos católicos romanos pretende a isenção das dificuldades com as cerimônias exteriores; muitos protestantes acreditam na plena identificação com o céu tão-só pelo enunciação de alguns hinos; enquanto enorme percentagem de espiritistas se crê na intimidade de supremas revelações apenas pelo fato de haver frequentado algumas sessões.
Tudo isto constitui preparação valiosa, mas não é tudo.
Há um esforço iluminativo para o interior, sem o qual homem algum penetrará o santuário da Verdade Divina. (Pão Nosso).

Ensino da Luz - Hilário Silva


Livro: A Vida Escreve
Francisco Cândido Xavier / Hilário Silva

- Senhor - disse Tadeu a Jesus, após o dia de trabalho estafante -, qual é o nosso dever
maior, na execução do Evangelho para a redenção das criaturas?
O Mestre fitou o céu azul em que nuvens pequeninas semelhavam estrigas de linho alvo.
E falou em seguida:
- Em meio de grande tempestade, inúmeros viajantes se recolheram a enorme casarão que
se assemelhava a um labirinto. Porque sentissem medo uns dos outros, cada qual se
escondeu nos quartos mais internos e, vindo a noite, em vão procuraram o lugar de saída.
Começou, então, enorme conflito. Lamentos. Pragas. Assaltos. Correrias. Pancadas. Crimes
nas trevas. Um homem, que por ali passava, ouviu os rogos de socorro que partiam do
infortunado reduto e, longe de gritar ou discutir, acendeu a sua candeia e passou entre os
amotinados, em profundo silêncio. Bastou a luz dele para que todos percebessem os
disparates que vinham fazendo, ao mesmo tempo que encontravam, por si mesmos, a porta
libertadora.
O Mestre fez grande intervalo e voltou a dizer:
- Se a luz do bom exemplo estiver entre nós, os outros perceberão, com facilidade, o
caminho.
- E que fazer, Senhor, para semelhante conquista?
Jesus, continuando em sua contemplação do céu, como exilado buscando alguma visão da
pátria longínqua, aclarou docemente:
- Procuremos o Reino de Deus e a sua justiça, isto é, vivamos no amor puro e na
consciência tranquila...E tudo o mais ser-nos-á acrescentado.


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Abrigo Seguro - Emmanuel

Emmanuel
Psicografia de Francisco Cândido Xavier

Diante de quaisquer provações da vida;
quando tudo te pareça incompreensão, barrando-te os passos;
se as circunstâncias do mundo te arrebatar a presença de criaturas queridas;
no momento em que todos os recursos se te afigurem extintos;
perante os sofrimentos que te alcancem os seres amados;
ou à frente de inibições orgânicas que julguem irreversíveis, ilhando-te nos problemas da enfermidade; não desanimes.
Pensa em Deus, refugia-te em Deus, espera por Deus e confia em Deus, porquanto, ainda mesmo quando te suponhas a sós, em meio de tribulações incontáveis, Deus está conosco e com Deus venceremos.



O Amor Que Tenho é o Que Dou... - Hammed

Livro: Renovando Atitudes
Hammed  /  Francisco do Espírito Santo Neto

“... No seu início, o homem não tem senão instintos; mais avançado e corrompido, só tem sensações; mais instruído e purificado, tem sentimentos; e o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas este sol interior..." (Cap. XI item 8) - O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Somente se dá aquilo que se possui. Como, pois, exigir amor de alguém que ainda não sabe amar? Como requisitar respeito e consideração de criaturas que não atingiram o ponto delicado do sentimento que é o amor? Quem dá afeto recolhe a felicidade de ver multiplicado aquilo que deu, mas somente damos de conformidade com aquilo de que podemos dispor no ato da doação. Há diversidades de evolução no planeta. Homens mal saídos da primitividade campeiam na sociedade moderna, ensaiando os primeiros passos do instinto natural para a sensibilidade amorosa. Eis aqui uma breve relação de sintomas comportamentais que aparecem nas criaturas, confundindo o amor que liberta e deseja o bem da outra pessoa com a atração egoísta que toma posse e simplesmente deseja:
- Há indivíduos que, para conquistar os outros e convencê-los de suas habilidades e valores, contam vantagens, persuadindo também a si mesmo, pois acreditam que para amar é preciso apresentar credenciais e louros, satisfazendo assim as expectativas daqueles que podem aceitá-lo ou recusá-lo. - Há criaturas que tentam amar comprando pessoas, omitindo e negando suas necessidades e metas existenciais, abandonando tudo que lhes é mais caro e íntimo e depois, por terem aberto mão de todos os seus gostos e desejos, perdem o sentido de suas próprias vidas, terminando desastrosamente seus relacionamentos. - Alguns delegam o controle de si mesmos aos outros, cometendo assim, em "nome do amor", o desatino de renunciar ao próprio senso de dignidade, componente vital à felicidade. Não é de surpreender que vivam vazios e torturados, pois se tornaram "um nada" ao permitirem que isso acontecesse.- Outros tantos usam da mentira, encobrindo realidades e escondendo conflitos. Convictos de que têm de ser perfeitos para ser amados, temem a verdade pelas supostas fraquezas que ela possa lhes expor diante dos outros. Acabam fracassados afetivamente por falta de honestidade e sinceridade. - Certas criaturas afirmam categoricamente que amam, mas tratam o ser amado como propriedade particular. Por não confiarem em si mesmas, geram crenças cegas de que precisam cuidar e proteger, quando na realidade sufocam e manipulam criando um convívio insuportável e desgastante.
Uma das características mais tristes dos que dizem saber amarem é a atitude submissa dos que nunca dizem "não", convencidos de que, sempre sendo passivos em tudo, receberão carinho e estima. Esse tipo de comportamento leva as pessoas a concordar sempre com qualquer coisa e em qualquer momento, trazendo-lhes desconsideração e uma vida insatisfatória. Requisitar dos outros os que eles ainda não podem dar é desrespeitar suas limitações emocionais, mentais e espirituais, ou seja, sua idade evolutiva. Forçar pais, filhos, amigos e cônjuge a preencher o teu vazio interior com amor que não dás a ti mesmo, por esqueceres teus próprios recursos e possibilidades, é insensato de tua parte.
É dando que se recebe; portanto cabe a ti mesmo administrar tuas carências afetivas e fazer por ti o que gostarias que os outros te fizessem. Não peças amor e afeto; antes de tudo, dá a ti mesmo e em seguida aos outros, sem mesmo cobrar taxas de gratidão e reconhecimento. Importante é que sigas os passos de Jesus na doação do amor abundante, sem jamais exigi-lo de ninguém e sem jamais esquecer que és responsável pelos teus sentimentos. Quanto aos outros, sejam eles quem for, responderão por si mesmos conforme o seu livre arbítrio e amadurecimento espiritual.

Professores Diferentes - Meimei

Livro: Amizade
Meimei
Psicografia de Francisco Cândido Xavier

O orientador que explicava as lições de Jesus, falou, rematando: -
- Quando vi o homem que odiava atacado de loucura, descobri o caminho do
amor.
Observando as criaturas vingativas, carregando as pesadas cadeias do
ressentimento, achei a leveza do perdão.
Anotando os espíritos invejosos no suplício da insatisfação, alentado por
eles mesmos, aprendi a contentar-me com o que tenho para fazer o melhor de
mim. E quando analisei as tribulações que explodem na senda de quantos se
aliam à maldade, compreendi que devo procurar a paz e a felicidade na
estrada dos bons...
- Instrutor - aparteou um aprendiz, aproveitando a pausa mais longa do sábio
comentarista - quer dizer que Jesus...
E o orientador concluiu:
- Quando Jesus nos recomendou a oração por todos aqueles que nos perseguem e
caluniam, não apenas nos induzia à bondade, mas também nos convidava à
gratidão pelo amparo indireto desses professores diferentes aos quais nem
sempre sabemos agradecer.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Lucrará Fazendo Assim - André Luiz

Autor: André Luiz
Psicografia Francisco Cândido Xavier

Reconforte o desesperado.
Você não escapará às tentações do desânimo nos círculos de luta.

Levante o caído.
Você ignora onde seus pés tropeçarão.

Estenda a mão ao que necessita de apoio.
Chegará seu dia de receber cooperação.

Ampare o doente.
Sua alma não está usando um corpo invulnerável.

Esforce-se por entender o companheiro menos esclarecido.
Nem sempre você dispõe de recursos para compreender como é indispensável.

Acolha o infortunado.
Nem sempre o céu estará inteiramente azul para seus olhos.

Tolere o ignorante e ajude-o.
Lembre-se de que há Espíritos Sublimes que nos suportam e socorrem com heróica bondade.

Console o triste.
Você não pode relacionar as surpresas da própria sorte.

Auxilie o ofensor com os seus bons pensamentos.
Ele nos ensina quão agressivos e desagradáveis somos ao ferir alguém.

Seja benévolo para com os dependentes.
Não se esqueça de que o próprio Cristo foi compelido a obedecer.



Doença e Remédio - Emmanuel

Emmanuel
Psicografia Francisco Cândido Xavier

O trato com as chagas da ignorância, na esfera da Humanidade, quais sejam a incompreensão e a vingança, a crueldade e a rebeldia, anotemos a conduta da Misericórdia Divina, no quadro das doenças terrestres.
Porque alguém acusa os reflexos tóxicos dessa ou daquela enfermidade, não sofre condenação a permanente desajuste.
Recebe a atenção da Ciência, que lhe examinas as possibilidades de cura ou melhoria.
Porque o médico deve observar detritos corruptores, não lhe impele a saúde à perturbação e ao relaxamento.
Dá-lhes luvas protetoras.
Porque processos infecciosos alteram a constituição celular nessa ou naquela parte da província corpórea, não sentencia a zona atacada a simples extirpação.
Oferta-lhe o recurso adequado para que elimine a infestação virulenta.
Se grandes lesões comparecem na estrutura do carro físico, ameaçando-lhes a segurança, traça o plano necessário à intervenção cirúrgica, mas não deixa o doente a insular-se no desespero, estendendo-lhe à dor o amparo da anestesia.
Se moléstias epidêmicas surgem, insidiosas, distribui a vacinação que susta o contágio.
Vemos que a Lei de Deus não se conforma com o mal: ao contrário, opõe-lhe a cada instante o socorro do bem.
Dessa forma, se os agentes da lama se te infiltram no passo, exibindo-te aos olhos perigosas ações de discórdia e infortúnio naqueles que mais amas, não podes realmente acomodar-se aos golpes com que te impulsionam à imersão na maldade, mas podes esparzir a água viva do amor, auxiliando em silêncio as vítimas do desequilíbrio que tombam sem saber que se arrastam no lodo.
Usa, pois, cada hora, a compaixão sem termos e o perdão sem limites, porque o próprio Jesus, perante os nossos males, exclamou, complacente:
- "Em verdade, eu não vim para curar os sãos."


Compreendei e Perdoai - Bezerra de Menezes

Bezerra de Menezes 
Psicografia de: Carlos A. Baccelli 

Filhos, a compreensão é a virtude que vos predispõe naturalmente ao perdão.
Compreendei para perdoar.
Não conserveis ressentimentos no coração, sabendo que aquele que vos decepciona é um companheiro vencido pelos seus próprios conflitos.
Não exijais dos outros infalibilidade.
Os amigos que seguem ao vosso lado, qual vos acontece, são espíritos assinalados por muitas limitações, aparentando exteriormente o que ainda não são.
Compadecei-vos das mazelas alheias, não sobrecarregando os ombros daqueles que avançam, mal se agüentando ao peso da cruz.
Não condicioneis a vossa conduta no bem à conduta de quem quer que seja; que a vossa fé não dependa da demonstração de fé dos que vos inspiram na jornada...
Somente em Jesus Cristo devereis vos encorajar na luta.
Os irmãos de crença espírita, principalmente os que se encontram servindo na mediunidade e os que ocupam posições de liderança, são, afinal, espíritos comprometidos com o passado: nenhum deles se encontra imune ao assédio das trevas.
Não raro, o personalismo e a vaidade apenas ocultam nas almas uma estamenha de chagas...
Os que intentam brilhar para o mundo estão longe de possuir luz própria.
A rigor, muitos de nós outros não estamos ainda sequer preparados para uma maior proximidade com o Cristo - a possibilidade de semelhante convivência mais estreita nos levaria ao delírio.
Quem, há séculos, se habituou nas sombras, só gradativamente se acostuma à claridade.
O homem sem maior entendimento do Evangelho transfere a sua ambição concernente às coisas materiais para as coisas divinas.
Os apóstolos não chegaram a disputar entre si a primazia de estarem, no Reino Celeste, ao lado do Senhor?
Assim, tomai vós mesmos a iniciativa da exemplificação e da coragem de vivenciar, de forma irrepreensível, a crença que abraçastes.

Auto-iluminação - Joanna de Ângelis

Livro: Segue em Harmonia -  Joanna de Ângelis  /  Divaldo Pereira Franco  


Não duvides da excelência da jornada terrestre saudável.
A vida prossegue além da morte, creia-se ou não. Na dúvida, permite-te a
opção dos atos dignificantes que te farão bem em qualquer circunstância.
Quando alguém predispõe-se à auto-iluminação, a sombra atemoriza-o, as
condutas reprocháveis intentam manter-se e ele debate-se nas dificuldades
e nos desafios das novas tentativas.
Resiste às induções nefastas.
Observa quanto alegre e renovado permaneces, quando não te permites
necessidade de reparação, de arrependimento das ações praticadas.
Harmonias internas vibram no pensamento e somatizam-se no organismo.
A mente liberta-se das ideias turbulentas e alça-se a patamares mais
elevados, que proporcionam a visão gloriosa do existir, enquanto viceja o
bem-estar que se transforma em amor a tudo e a todos.
Talvez tropeces e tombes nos velhos hábitos durante o processo libertador.
É natural que assim aconteça. Logo após, recomeça, refaze a atitude e
não desanimes.
Fatores existenciais e espirituais conspirarão contra a tua decisão de
ascender aos páramos da luz.
Toda vez quando alguém se destaca no grupo social e torna-se visível,
chama a atenção, desperta reações diversas, nem sempre favoráveis
ao projeto de enobrecimento.
A tua é uma aquisição pessoal legítima que te premiará de ventura.
Jesus em vários momentos, ressalta o valor dos seres humanos,
prenunciando o futuro que a todos aguarda.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

A Receita da Felicidade - Neio Lúcio

Jesus no Lar
Espírito Neio Lúcio  /  Francisco Cândido Xavier 

Tadeu, que era dos comentaristas mais inflamados, no culto da Boa Nova, em casa de Pedro, entusiasmara-se na reunião, relacionando os imperativos da felicidade humana e clamando contra os dominadores de Roma e contra os rabinos do Sinédrio.
Tocado de indisfarçável revolta, dissertou largamente sobre a discórdia e o sofrimento reinantes no povo, situando-lhes a causa nas deficiências políticas da época, e, depois que expendeu várias considerações preciosas, em torno do assunto, Jesus perguntou-lhe:
— Tadeu, como interpreta você a felicidade?
— Senhor, a felicidade é a paz de todos.
O Cristo estampou significativa expressão fisionômica e ponderou:
— Sim, Tadeu, isto não desconheço; entretanto, estimaria saber como se sentiria você realmente feliz.
O discípulo, com algum acanhamento, enunciou:
— Mestre, suponho que atingiria a suprema tranqüilidade se pudesse alcançar a compreensão dos outros.
Desejo, para esse fim, que o próximo me não despreze as intenções nobres e puras.
Sei que erro, muitas vezes, porque sou humano; entretanto, ficaria ontente se aqueles que convivem comigo me reconhecessem o sincero propósito de acertar.
Respiraria abençoado júbilo se pudesse confiar em meus semelhantes, deles recebendo a justa consideração de que me sinta credor, em face da elevação de meu ideal.
Suspiro pelo respeito de todos, para que eu possa trabalhar sem impedimentos.
Regozijar-me-ia se a maledicência me esquecesse.
Vivo na expectativa da cordialidade alheia e julgo que o mundo seria um paraíso se as pessoas da estrada comum se tratassem de acordo com o meu anseio honesto de ser acatado pelos demais.
A indiferença e a calúnia doem-me no coração.
Creio que o sarcasmo e a suspeita foram organizados pelos Espíritos das trevas, para tormento das criaturas.
A impiedade é um fel quando dirigida contra mim, a maldade é um fantasma de dor quando se põe ao meu encontro.
Em razão de tudo isso, sentir-me-ia venturoso se os meus parentes, afeiçoados e conterrâneos me buscassem, não pelo que aparento ser nas imperfeições do corpo, mas pelo conteúdo de boa-vontade que presumo conservar em minh’alma.
Acima de tudo, Senhor, estaria sumamente satisfeito se quantos peregrinam comigo me concedessem direito de experimentar livremente o meu gênero de felicidade pessoal, desde que me sinta aprovado pelo código do bem, no campo de minha consciência, sem ironias e críticas descabidas.
Resumindo, Mestre, eu queria ser compreendido, respeitado e estimado por todos, embora não seja, ainda, o modelo de perfeição que o Céu espera de mim, com o abençoado concurso da dor e do tempo.
Calou-se o apóstolo e esboçou-se, na sala singela, incontido movimento de curiosidade ante a opinião que o Cristo adotaria.
Alguns dos companheiros esperavam que o Amigo Celeste usasse o verbo em comprida dissertação, mas o Mestre fixou os olhos muito límpidos no discípulo e falou com franqueza e doçura:
— Tadeu, se você procura, então, a alegria e a felicidade do mundo inteiro, proceda para com os outros, como deseja que os outros procedam para com você. E caminhando cada homem nessa mesma norma, muito breve estenderemos na Terra as glórias do Paraíso.

Justiça na Espiritualidade - André Luiz


Livro: Apostilas da Vida 
Francisco Cândido Xavier / André Luiz



-Como atua o mecanismo da Justiça no Plano Espiritual?
-No Mundo Espiritual, decerto, a autoridade da justiça funciona com maior segurança, embora saibamos que o mecanismo da regeneração vige, antes de tudo, na consciência do próprio indivíduo.
Ainda assim, existem aqui, como é natural, santuários e tribunais, em que magistrados dignos e imparciais examinam as responsabilidades humanas, sopesando-lhes os méritos e deméritos.
A organização do júri, em numerosos casos, é aqui observada, necessariamente, porém, constituída de espíritos integrados no conhecimento do Direito, com dilatadas noções de culpa e resgate, erro e corrigenda, psicologia humana e ciências sociais, a fim de que as sentenças ou informações proferidas se atenham a precisa harmonia, perante a Divina Providência, consubstanciada no amor que ilumina e na sabedoria que sustenta.
Há delinquentes tanto no Plano Terrestre quanto no Plano Espiritual, e, em razão disso, não apenas os homens recentemente desencarnados são entregues a julgamento específico, sempre que necessário, mas também as entidades desencarnadas que, no cumprimento de determinadas tarefas, se deixam, muitas vezes, arrastar por paixões e caprichos inconfessáveis.
È importante anotar que quanto mais inferior é o grau evolutivo dos culpados, mais sumário é o julgamento pelas autoridades cabíveis, e, quanto mais avançados os valores culturais e morais dos indivíduos, mais complexo é o exame dos processos de criminalidade em que se emaranham, não só pela influência com que atuaram nos destinos alheios, como porque o Espírito, quando ajustado à consciência dos próprios erros, ansioso de reabilitar-se perante a vida e diante daqueles que ama, suplica por si mesmo a sentença regenerativa que reconhece indispensável à própria restauração.

Cadinho - Emmanuel

Livro: “Religião dos Espíritos”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel
Questão Nº. 260 de “O Livro dos Espíritos”.

Muitas vezes, na Terra, na posição de cultores da delinquência, conseguimos escapar das sentinelas da punição.
Faltas não previstas na legislação terrestre, como sejam certos atos de crueldade e muitos crimes da ingratidão, muros a dentro de nossa vida particular, quase sempre acarretam a queda e a perturbação, a enfermidade e a morte de criaturas que a Divina Bondade nos põe no caminho.
De outra feita, quando positivamente enodoados com o ferrete da culpa, conseguimos aligeirar nossas penas ou delas nos exonerar, subornando consciências dolosas, no recinto dos tribunais.
Todavia, a reta justiça nos espera, infalível, e além da morte, ainda mesmo quando tenhamos legado ao mundo vastas parcelas de cultura e benemerência, eis que as marcas de ignomínia se nos destacam do ser, então expostas à Grande Luz.
Nessa crise inesperada, imploramos nós mesmo retorno e readmissão nos cursos de trabalho em que se nos desmandaram a deserção e a falência, a fim de ressarcirmos os débitos que os homens não conheceram, mas que vibram, obcecantes, no imo de nossas almas.
É assim que voltamos ao cadinho fervente da purgação, retomando nos fios da consanguinidade a presença daqueles que mais ferimos, para devolver-lhes em ternura e devotamento os patrimônios dilapidados, rearticulando os elos da harmonia que nos ligam a todos, na universalidade da vida, perante a Lei.
Reverenciemos, desse modo, no lar humano, não apenas o templo de carinho em que se nos reabastecem as forças, no exercício do bem eterno, mas igualmente a rude escola da regeneração, em que retomamos o convívio dos velhos adversários que nós mesmos criamos, a ressurgirem na forma de aversões instintivas e desafetos ocultos, que nos constrange cada hora à lição da renúncia e à mensagem do sacrifício.
E por ais inquietante se nos afigure a experiência no educandário doméstico, guardemos, dentro dele, extrema devoção ao dever, perdoando e ajudando, compreendendo e amparando sem descansar, pois somente aquele que se engrandeceu, entre as quatro paredes da própria casa, é que pode, em verdade, servir à obra de Deus no campo vasto do mundo.

Em Todos os Caminhos - Emmanuel

Emmanuel
Livro: “Caminho Espírita”, de Francisco Cândido Xavier
Autores diversos

Seja qual seja a experiência, convence-te de que Deus está conosco em todos os caminhos.
Isso não significa omisso de responsabilidade ou exoneração da incumbência de que o Senhor nos revestiu. Não há consciência sem compromisso, como não existe dignidade sem lei.
O peixe mora gratuitamente na água, mas deve nadar por si mesmo. A árvore, embora não pague imposto pelo solo a que se vincula, é chamada a produzir conforme a espécie.
Ninguém recebe talentos da vida para escondê-los em poeira ou ferrugem.
Nasceste para realizar o melhor. Para isso, é possível te defrontes com embaraços naturais ao próprio burilamento, qual a criança que se esfalfa compreensivelmente nos exercícios da escola. A criança atravessa as provas do aprendizado sob a cobertura da educação que transparece do professor. Desempenhamos as nossas funções com o apoio de Deus.
Se o conhecimento exato da Onipresença Divina ainda não te acode à mente necessitada de fé, pensa no infinito das bênçãos que te envolvem, sem que despendas mínimo esforço. Não contrataste engenheiros para a garantia do Sol que te sustenta e nem assalariaste empregados para a escavação de minas de oxigênio na atmosfera, a fim de que se renove o ar que respiras.
Reflete, por um momento só, nas riquezas ilimitadas ao teu dispor nos reservatórios da natureza e compreenderás que ninguém vive só.
Confia, segue, trabalha e constrói para o bem. E guarda a certeza de que, para alcançar a felicidade, se fazes teu dever, Deus faz o resto.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

A Voz do Evangelho - Hilário Silva

Livro: A Vida Escreve
Espírito Hilário Silva / Francisco Cândido Xavier

Esparramado na poltrona, João Lício pensava. Sem dúvida, fora feliz nos negócios.
Enriquecera. Seu nome nos bancos indicava créditos de milhões. Que aceitava o Espiritismo,
aceitava. Nenhuma Doutrina mais consoladora. Mas daí a espalhar o que havia juntado, isso
é que não. Meditava, assim, por haver recebido na véspera a solicitação de duzentos mil
cruzeiros, da parte de amigos, para salvar grande obra periclitante. Para o montante do que
possuía, a importância referida expressava migalha; entretanto, segundo refletia, já havia
feito o possível. Dera grandes somas. Custeara a compra de vasto material. Cumprira com
os preceitos da cooperação e da caridade.
Sentia-se exonerado de quaisquer compromissos.
Ainda assim, ouvira dizer que o Evangelho respondia a consultas e resolveu
experimentar.
Levantou-se. Procurou o Novo Testamento e, após recolhê-lo, tornou a sentar-se. Abriu
indiscriminadamente. E caiu-lhe aos olhos a sentença de Jesus, no versículo dezenove do
capítulo seis, das anotações do Apóstolo Mateus:
- “Não ajunteis tesouros da Terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem e onde os
ladrões minam e roubam ...”
Como de houvesse recebido um choque, ponderou que o trecho não apresentava
significação para ele, porque sempre dera muito a todas as instituições de caridade. Abrira
outra vez. O Livro Divino, decerto, lhe reservava alguma consolação.
Repetiu o movimento e as páginas lhe mostraram o versículo dez do capítulo
dezessete, doa apontamentos de Lucas, em que Jesus assim se expressa:
- “Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos
servos inúteis, porque fizemos somente o que deveria fazer.”
Surpreendeu-se mais ainda. O evangelho como que o chamava a brios. Nervoso,
inquieto, consultou pela terceira vez. E o Livro aberto exibiu o versículo vinte do capítulo
doze, igualmente das lições de Lucas, em que a voz do Senhor solta esta frase:
- “Louco, esta noite pedirão tua alma... E o que tens ajuntado para quem será?”
João Lício fechou o volume com mãos trêmulas. Espantado, tangido no íntimo,
encerrou a consulta. E, tomando o chapéu, saiu, procurando os amigos de modo a ver como
poderia ajudar.

Problema - André Luiz

Obra: Ação e Caminho

André Luiz / Francisco Cândido Xavier


Se traz consigo, algum problema,
peça a Deus coragem para suportá-lo,
evitando queixas e lutas que fariam
de você um problema difícil para os outros e,
trabalhando e servindo em selêncio,
com paciência e bondade, você observará que Deus
transformará os outros em canais de socorro espontâneo
a seu, pelos quais, sem alarme e sem perda de tempo,
encontrará você a necessária e a melhor solução.

Meimei


Meimei / Francisco Cândido Xavier 
Obra: Pai Nosso


Perdoa as Nossas Dívidas, Assim Como Perdoamos aos Nossos Devedores

Quando pronunciamos as palavras “perdoa as nossas dividas, assim como perdoamos aos nossos devedores”, não apenas estamos à espera do benefício para o nosso coração e para a nossa consciência, mas estamos igualmente assumindo o compromisso de desculpar os que nos ofendem.
Todos possuímos a tendência de observar com evasivas os grandes defeitos que existem em nós, reprovando, entretanto, sem exame, pequeninas faltas alheias.
Por isso mesmo Jesus, em nos ensinando a orar, recomendou-nos esquecer qualquer mágoa que alguém nos tenha causado.
Se não oferecermos repouso à mente do próximo, como poderemos aguardar o descanso para os nossos, pensamentos?
Será justo conservar todo o pão, em nossa casa, deixando a fome aniquilar a residência do vizinho?
A paz é também alimento da alma, e, se desejamos tranqüilidade para nós, não nos esqueçamos do entendimento e da harmonia que devemos aos demais.
Quando pedirmos a tolerância do Pai Celeste em nosso favor, lembremo-nos também de ajudar aos outros com a nossa tolerância.
Auxiliemos sempre.
Se o Senhor pode suportar-nos e perdoar-nos, concedendo-nos constantemente novas e abençoadas oportunidades de retificação, aprendamos, igualmente, a espalhar a compreensão e o amor, em benefício dos que nos cercam.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João (Jo 15, 12-17)


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos.
Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais fruto e o vosso fruto permaneça. O que, então, pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá. Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros".

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Ação da Amizade - Joanna de Ângelis

Livro: Momentos de Esperança 
Joanna de Ângelis / Divaldo Pereira Franco

A amizade é o sentimento que imanta as almas unas às outras, gerando alegria e bem-estar.
A amizade é suave expressão do ser humano que necessita intercambiar as forças da emoção sob os estímulos do entendimento fraternal.
Inspiradora de coragem e de abnegação. a amizade enfloresce as almas, abençoando-as com resistências para as lutas.
Há, no mundo moderno, muita falta de amizade!
O egoísmo afasta as pessoas e as isola.
A amizade as aproxima e irmana.
O medo agride as almas e infelicita.
A amizade apazigua e alegra os indivíduos.
A desconfiança desarmoniza as vidas e a amizade equilibra as mentes, dulcificando os corações.
Na área dos amores de profundidade, a presença da amizade é fundamental.
Ela nasce de uma expressão de simpatia, e firma-se com as raízes do afeto seguro, fincadas nas terras da alma.
Quando outras emoções se estiolam no vaivém dos choques, a amizade perdura, companheira devotada dos homens que se estimam.
Se a amizade fugisse da Terra, a vida espiritual dos seres se esfacelaria.
Ela é meiga e paciente, vigilante e ativa.
Discreta, apaga-se, para que brilhe aquele a quem se afeiçoa.
Sustenta na fraqueza e liberta nos momentos de dor.
A amizade é fácil de ser vitalizada.
Cultivá-la, constitui um dever de todo aquele que pensa e aspira, porquanto, ninguém logra êxito, se avança com aridez na alam ou indiferente ao elevo da sua fluidez.
Quando os impulsos sexuais do amor, nos nubentes, passam, a amizade fica.
Quando a desilusão apaga o fogo dos desejos nos grandes romances, se existe amizade, não se rompem os liames da união.
A amizade de Jesus pelos discípulos e pelas multidões dá-nos, até hoje, a dimensão do que é o amor na sua essência mais pura, demonstrando que ela é o passo inicial para essa conquista superior que é meta de todas as vidas e mandamento maior da Lei Divina.

Missões - Emmanuel

Livro: “Justiça Divina”
De Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito Emmanuel

1ª Parte, Cap. III, item 14 de O Céu e o Inferno, de Allan Kardec

Aspiras à posição dos grandes administradores; entretanto, não sopesas as responsabilidades que lhes requeimam a fronte, quais invisíveis anéis de fogo.
Anelas o renome dos grandes juízes, mas não sabes em quantas ocasiões padecem, agoniados, para não caírem nos erros de consciência.
Desejas a fama dos grandes cientistas; contudo, não indagas quanto ao preço que pagam à disciplina, para manterem fidelidade às suas obrigações.
Queres as vantagens dos grandes industriais; no entanto, desconheces a imensa luta em que se desgastam.
Abraça a atividade singela que o mundo te reservou, respeitando a importância da vida.
Se a experiência de sacrifício te chama a decifrar-lhe os segredos, lembra-te do alicerce que se esconde no solo, preservando a segurança da construção.
Se o apostolado familiar é a renúncia que te compete, recorda que não existem personalidades notáveis, entre os homens, sem o devotamento silencioso de mães e pais, professores e companheiros que se apagam, pouco a pouco, a fim de que elas se levantem na evidência terrestre, à feição das obras-primas de estatuária, em pedestais obscuros.
O arado que semeia é irmão da pena que escreve.
A cozinha dedicada à química do alimento é outra face do laboratório consagrado à química das aplicações científicas.
Diante da Lei, todas as tarefas do bem são missões de caráter divino.
Atende, pois, de coração alegre, ao dever que te cabe, e, se ninguém na Terra dá conta de teus passos, ignorando-te a presença, nem por isso abandones o trabalho humilde que a vida te confiou, na certeza de que Deus é também o Grande Anônimo, a ensinar-nos, na base de toda a sabedoria e de todo o amor, que o mais alto privilégio é servir e servir.

Com Ardente Amor - Emmanuel

Livro: Pão Nosso
Emmanuel
Psicografia de Francisco Cândido Xavier

“Mas, sobretudo, tende ardente caridade uns para com os outros.” – Pedro. (1ª Epístola de Pedro, 4:8.)

Não basta a virtude apregoada em favor do estabelecimento do Reino Divino entre as criaturas.
Problema excessivamente debatido – solução mais demorada...
Ouçamos, individualmente, o aviso apostólico e enchamo-nos de ardente caridade, uns para com os outros.
Bem falar, ensinar com acerto e crer sinceramente são fases primárias do serviço.
Imprescindível trabalhar, fazer e sentir com o Cristo.
Fraternidade simplesmente aconselhada a outrem constrói fachadas brilhantes que a experiência pode consumir num minuto.
Urge alcançarmos a substância, a essência...
Sejamos compreensivos para com os ignorantes, vigilantes para com os transviados na maldade e nas trevas, pacientes para com os enfermiços, serenos para com os irritados e, sobretudo, manifestemos a bondade para com todos aqueles que o Mestre nos confiou para os ensinamentos de cada dia.
Raciocínio pronto, habilitado a agir com desenvoltura na Terra, pode constituir patrimônio valioso; entretanto, se lhe falta coração para sentir os problemas, conduzi-los e resolvê-los, no bem comum, é suscetível de converter-se facilmente em máquina de calcular.
Não nos detenhamos na piedade teórica.
Busquemos o amor fraterno, espontâneo, ardente e puro.
A caridade celeste não somente espalha benefícios. Irradia também a divina luz.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Como ser Grato - Carlos

João Nunes Maia & Carlos
Livro:“Gotas do Bem”

Quanto aquele que paga o bem com o mal, não se apartará o mal da sua casa. Pv. 17:13

A gratidão é uma das marcas da grandeza da Alma, e ela nos ilumina, quando reconhecemos o benefício sem alarde.
Revidar ofensa é colocar em perigo o nosso equilíbrio, e pagar o bem com o mal é mostrar o desajuste em que se encontram os nossos sentimentos.
A ingratidão é visgo que assegura o ambiente indesejado em tua casa.
Sente-te feliz, com o bem que alguém te deseja e esquece a ofensa que se aproxime do teu caminho.
Cultiva a serenidade, mesmo diante do teu opressor; ele, algum dia, cansará da estrada larga do mal, e certamente vai copiar o teu exemplo no bem. Então, ser-te-á dada alegria pelo que fizeste para a paz do teu companheiro.
É bom que descubras os variados meios de ser reconhecido, porque essa ciência é divina, no divino esforço der quem quer melhorar.
Aparta o mal da tua casa, pelo bem que deves fazer aos outros. Nada te custa ser útil nos momentos oportunos.
Ajuda pelos meios possíveis, para que os outros entendam o valor da caridade. Ela é uma fonte de luz, donde provém todos os alimentos que nos sustentam a vida.
Quem perdoa as ofensas, dorme sem tormento de consciência e acorda sem depressão.
Se porventura encontrares dificuldades nas linhas da gratidão, usa a prece, que ela abrirá a tua mente para o conhecimento da verdade.

A Prova Última - Emmanuel


Livro: Agora é o Tempo
Francisco Cândido Xavier
Emmanuel


E porque o aprendiz indagasse sobre o currículo dos exames a respeito do aperfeiçoamento da alma, o mentor esclareceu, paciente:
- Na Espiritualidade Superior, as avaliações de aproveitamento são muitas. Temos as de paciência, de disciplina, de espírito de serviço
e de auxílio aos semelhantes, no entanto, ao que me parece, a última é a mais difícil de todas.
E qual é a última?
- Indagou o discípulo atento.
O mentor respondeu, em tom decisivo:
- A última prova, no aperfeiçoamento de cada um de nós é a humildade.



Tribulações - Emmanuel

Livro: “Rumo certo”
De Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito Emmanuel


Quando estiveres à bica de maldizer as provações que a Terra te ofereça por lições beneméritas, pensa na estagnação em que se nos erigiria o caminho, se não houvesse a mudança, que tantas vezes se nos expressa à custa de sofrimento.
-x-
Se a semente não aceitasse a solidão, no claustro da gleba, flor e fruto não surgiriam no enriquecimento da vida.
Se a fonte recusasse passar por sobre lodo e pedra, o campo estaria reduzido à esterilidade.
E a lâmpada se negasse a suportar a carga de força que gradativamente a consome, não se faria luz dissolvendo as trevas.
Se a criança não se desenvolvesse, transformando-se em adulto, a ingenuidade jamais daria lugar à experiência.
-x-
Assim, em todos os distritos da edificação e do sentimento.
Se a cultura não crescesse, não haveria progresso.
Se a teoria não avançasse para a realização, nunca passaria de um montão de palavras.
-x-
Transposição, atrito, provas e desafios são condições de melhoria e aperfeiçoamento, ajuste e elevação. À vista disso, aceitemos em paz as tribulações que a existência nos imponha.
Se lutas e empeços, conflitos e lágrimas não nos visitassem os corações, nosso espírito se deteria gradeado na ilusão e na insipiência, ensombrado de ignorância e primitivismo.
Agradeçamos os obstáculos que nos chegam em forma de alteração ou mudança, quebrando-nos a inércia e renovando-nos a vida.
-x-
Recordemos a águia nascitura.
Não fosse o rompimento do invólucro que a constringe, não desenvolverias as próprias asas para ganhar as alturas.
Não existisse o sofrimento que nos estilhaça a crosta da personalidade egoística, não encontraríamos caminho para elevar-nos à felicidade da vida eterna.



Com Amor - Emmanuel

Livro: Vinha de Luz
Francisco Cândido Xavier
Ditado pelo Espírito Emmanuel

“E, sobre tudo isto, revesti-vos de caridade, que é o vínculo da perfeição.” - Paulo. (Colossenses, 3:14.)

Todo discípulo do Evangelho precisará coragem para atacar os serviços da redenção de si mesmo.
Nenhum dispensará as armaduras da fé, a fim de marchar com desassombro sob tempestades.
O caminho de resgate e elevação permanece cheio de espinhos.
O trabalho constituir-se-á de lutas, de sofrimentos, de sacrifícios, de suor, de testemunhos.
Toda a preparação é necessária, no capítulo da resistência; entretanto, sobre tudo isto é indispensável revestir-se nossa alma de caridade, que é amor sublime.
A nobreza de caráter, a confiança, a benevolência, a fé, a ciência, a penetração, os dons e as possibilidades são fios preciosos, mas o amor é o tear divino que os entrelaçará, tecendo a túnica da perfeição espiritual.
A disciplina e a educação, a escola e a cultura, o esforço e a obra, são flores e frutos na árvore da vida, todavia, o amor é a raiz eterna.
Mas, como amaremos no serviço diário?
Renovemo-nos no espírito do Senhor e compreendamos os nossos semelhantes.
Auxiliemos em silêncio, entendendo a situação de cada um, temperando a bondade com a energia, e a fraternidade com a justiça.
Ouçamos a sugestão do amor, a cada passo, na senda evolutiva.
Quem ama, compreende; e quem compreende, trabalha pelo mundo melhor.


Afinidade - Emmanuel

Livro: Roteiro
Pelo Espírito Emmanuel.
Psicografia de Francisco Cândido Xavier.


O homem permanece envolto em largo oceano de pensamentos, nutrindo-se de substância mental, em grande proporção. Toda criatura absorve, sem perceber, a influência alheia nos recursos imponderáveis que lhe equilibram a existência.
Em forma de impulsos e estímulos, a alma recolhe, nos pensamentos que atrai, as forças de sustentação que lhe garantem as tarefas no lugar em que se coloca.
O homem poderá estender muito longe o raio de suas próprias realizações, na ordem material do mundo, mas, sem a energia mental na base de suas manifestações, efetivamente nada conseguirá. Sem os raios vivos e diferenciados dessa força, os valores evolutivos dormiriam latentes, em todas as direções.
A mente, em qualquer plano, emite e recebe, dá e recolhe, renovando-se constantemente para o alto destino que lhe compete atingir. Estamos assimilando correntes mentais, de maneira permanente.
De modo imperceptível, “ingerimos pensamentos”, a cada instante, projetando, em torno de nossa individualidade, as forças que acalentamos em nós mesmos.
Por isso, quem não se habilite a conhecimentos mais altos, quem não exercite a vontade para sobrepor-se às circunstâncias de ordem inferior, padecerá, invariavelmente, a imposição do meio em que se localiza.
Somos afetados pelas vibrações de paisagens, pessoas e coisas que nos cercam.
Se nos confiamos às impressões alheias de enfermidade e amargura, apressadamente se nos altera o “tônus mental”, inclinando-nos à franca receptividade de moléstias indefiníveis. Se nos devotamos ao convívio com pessoas operosas e dinâmicas, encontramos valioso sustentáculo aos nossos propósitos de trabalho e realização.
Princípios idênticos regem as nossas relações uns com os outros, encarnados e desencarnados.
Conversações alimentam conversações.
Pensamentos ampliam pensamentos.
Demoramo-nos com que se afina conosco.
Falamos sempre ou sempre agimos pelo grupo de espíritos a que nos ligamos.
Nossa inspiração está filiada ao conjunto dos que sentem como nós, tanto quanto a fonte está comandada pela nascente.
Somos obsidiados por amigos desencarnados ou não e auxiliados por benfeitores, em qualquer plano da vida, de conformidade com a nossa condição mental.
Daí, o imperativo de nossa constante renovação para o bem infinito.
Trabalhar incessantemente é dever.
Servir é elevar-se.
Aprender é conquistar novos horizontes.
Amar é engrandecer-se.
Trabalhando e servindo, aprendendo e amando, a nossa vida íntima se ilumina e se aperfeiçoa, entrando gradativamente em contato com os grandes gênios da imortalidade gloriosa.



Filhos de Deus - Emmanuel

Livro: Segue-me
Francisco Cândido Xavier
Pelo Espírito Emmanuel


"Na vossa paciência, possui as nossas almas". - Jesus (Lucas, 21:19)

Afinal de contas, ter paciência não será sorrir para as maldades humanas, nem coonestar suas atividades indignas sobre a face do mundo.
Concordar alguém com todos os males da senda terrestre, a pretexto de revelar essa virtude, seria um contrassenso absurdo. Ter paciência, então, será resistir aos impulsos inferiores que nos cerquem na estrada evolutiva, conduzindo todo o bem que nos seja possível aos seres e coisas que se achem diante de nos, como a representação desses mesmos Impulsos.
Jesus foi o modelo da paciência suprema e resistiu a nossa inferioridade, amando-nos. Não se nivelou com as nossas fraquezas, mas valeu-se de todas as ocasiões para nos melhorar e conduzir ao bem. Sua misericórdia tomou os nossos pecados e transformou cada um em profunda lição para a reforma de nós mesmos. Não aplaudiu as nossas misérias, nem sorriu para os nossos erros, mas compreendeu-nos as deficiências e amparou-nos. Embora tudo isso, resistiu-nos sempre, dentro de seu amor, até a cruz do martírio.
A paciência do Cristo é um livro aberto para todos os corações inclinados ao bem e a verdade.
Somente pela sincera resistência ao mal, com a disposição fiel de transforma-lo no bem, conseguireis possuir as vossas almas. Ao contrario disso, ainda que vos sintais autônomos e fortes, vós mesmos é que sereis possuídos por tendências indignas ou sentimentos inferiores.

Portanto, justo é que busqueis saber, hoje mesmo, se já possuis os vossos corações ou se estais ocupados pelas forças estranhas ao vosso titulo de filhos de Deus.

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