domingo, 28 de dezembro de 2014

Carta de Ano Novo

Ano Novo é também renovação de nossa oportunidade de aprender, trabalhar e servir.
O tempo, como paternal amigo, como que se reencarna no corpo do calendário, descerrando-nos horizontes mais claros para a necessária ascensão.
Lembra-te de que o ano em retorno é novo dia a convocar-te para execução de velhas promessas, que ainda não tiveste a coragem de cumprir.
Se tem inimigo, faze das horas renascer-te o caminho da reconciliação.
Se fores ofendido, perdoa, a fim de que o amor te clareie a estrada para frente.
Se descansares em demasia, volve ao arado de tuas obrigações e planta o bem com destemor para a colheita do porvir.
Se a tristeza te requisita, esquece-a e procura a alegria serena da consciência feliz no dever bem cumprido.
Novo Ano! Novo Dia!
Sorri para os que te feriram e busca harmonia com aqueles que te não entenderam até agora.
Recorda que há mais ignorância que maldade, em torno de teu destino.
Não maldigas, nem condenes.
Auxilia a acender alguma luz para quem passa ao teu lado, na inquietude da escuridão.
Não te desanimes, nem te desconsoles.
Cultiva o bom ânimo com os que te visitam, dominados pelo frio do desencanto ou da indiferença.
Não te esqueças de que Jesus jamais se desespera conosco e, como que oculto ao nosso lado, paciente e bondoso, repete-nos de hora a hora:
- Ama e auxilia sempre.
Ajuda aos outros, amparando a ti mesmo, porque se o dia volta amanhã, eu estou contigo, esperando pela doce alegria da porta aberta de teu coração.

Emmanuel
Vida e Caminho - Francisco Cândido Xavier

sábado, 27 de dezembro de 2014

Confia em Deus

Aflições e lágrimas são processos da vida, em que se te acrescentam as energias, a fim de que sigas a frente, na quitação dos compromissos esposados, para que se te iluminem os olhos, no preciso discernimento.Aflições e lágrimas são processos da vida, em
que se te acrescem as energias, a fim de que sigas à frente, na quitação dos compromissos esposados, para que se te iluminem os olhos, no preciso discernimento.
Nos dias difíceis de atravessar, levanta-se para a vida, ergue a fronte, abraça o dever que as circunstâncias te deram e abençoa a existência em que a Providência Divina te situou.
Por maiores se façam a dor que te visite, o golpe que te fira, a tribulação que te busque ou o sofrimento que te assalte, não esmoreças na fé e prossegue fiel às próprias obrigações, porque, se todo o bem te parece perdido, na fase da tarefa em que te encontras, guarda a certeza de que Deus está contigo, trabalhando no outro lado.

Autor: Emmanuel
Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Livro: Alma e Coração

Não Desanime


Quando você se observar, à beira do desânimo, acelere o passo para frente, proibindo-se parar.
Ore, pedindo a Deus mais luz para vencer as sombras.
Faça algo de bom, além do cansaço em que se veja.
Leia uma página edificante, que lhe auxilie o raciocínio na mudança construtiva de idéias.
Tente contato de pessoas, cuja conversação lhe melhore o clima espiritual.
Procure um ambiente, no qual lhe seja possível ouvir palavras e instruções que lhe enobreçam os pensamentos.
Preste um favor, especialmente aquele favor que você esteja adiando.
Visite um enfermo, buscando reconforto naqueles que atravessam dificuldades maiores que as suas.
Atenda às tarefas imediatas que esperam por você e que lhe impeçam qualquer demora nas nuvens do desalento.
Guarde a convicção de que todos estamos caminhando para adiante, através de problemas e lutas, na aquisição de experiência, e de que a vida concorda com as pausas de refazimento das nossas forças, mas não se acomoda com a inércia em momento algum.

Autor: André Luiz
Médium: Francisco Cândido Xavier

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Temos Jesus

Desaba o Velho Mundo em treva densa
E a guerra, como lobo carniceiro,
Ameaça a verdade e humilha a crença,
Nas torturas de um novo cativeiro.
Mas vós, no turbilhão da sombra imensa,
Tendes convosco o Excelso Companheiro,
Que ama o trabalho e esquece a recompensa
No serviço do bem ao mundo inteiro.
Eis que a Terra tem crimes e tiranos,
Ambições, desvarios, desenganos,
Asperezas dos homens da caverna;
Mas vós tendes Jesus em cada dia.
Trabalhemos na dor ou na alegria,
Na conquista de luz da Vida Eterna.


Livro: Parnaso de Além-túmulo
Abel Gomes - Francisco Cândido Xavier

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Cartão de Natal

Ao clarão do Natal, que em ti acorda a música da esperança, escuta a voz de
alguém que te busca o ninho da própria alma!... Alguém que te acende a estrela da
generosidade nos olhos e te adoça o sentimento, quais se trouxessem uma harpa de
ternura esconda no peito.
Sim, é Jesus, o amigo fiel, que volta.
Ainda que não quisesse, lembar-lhe-ias hoje os dons inefáveis, ao recordares as
canções maternas que te embalaram o berço, o carinho de teu pai, ao recolher-te nos
braços enternecidos, a paciência dos mestres que te guiaram na escola e o amor puro
de velhas afeições que te parecem distantes.
Contemplas a rua, onde luminárias e cânticos lhe reverenciam a glória;
entretanto, vergas-te ao peso das lágrimas que te desafogam o coração... É que ele te
fala no íntimo, rogando perdão para os erram, socorro aos que sofrem, agasalho aos
que tremem na vastidão da noite, consolação aos que gemem desanimados e luz para
os que jazem nas trevas.
Não hesites! Ouve-lhe a petição e faze algo!... Sorri de novo para os que te
ofenderam; abençoa os que feriram; divide o farnel com os irmãos em necessidade;
entrega um minuto de reconforto ao doente; oferece numa fatia de bolo aos que oram,
sozinhos, sob ruínas e pontes abandonadas; estende um lençol macio aos que
esperam a morte, sem aconchego do lar; cede pequenina parte de tua bolsa no auxílio
às mães fatigadas, que se afligem ao pé dos filhinhos que enlanguescem de fome, ou
improvisa a felicidade de uma criança esquecida.
Não importa se diga que cultivas a bondade somente hoje quando o Natal te
deslumbra!... Comecemos a viver com Jesus, ainda que seja por algumas horas, de
quando em quando, e aprenderemos, pouco a pouco, a estar com ele, com todos os instantes, tanto quanto ele permanece conosco, tornando diariamente ao nosso
convívio e sustentando-nos para sempre.

Fonte: Livro Antologia Mediúnica do Natal –
Psicografia: Francisco Cândido Xavier / Espírito: Meimei.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Vinte Serviços que o Espiritismo faz por Você

01 Integra você no conhecimento de sua posição e criatura eterna e responsável, diante da vida.

02 Expõe o sentido real das lições do Cristo e de todos os outros mentores espirituais da Humanidade, nas diversas regiões do Planeta.

03 Suprime-lhe as preocupações originárias do medo da morte provando que ela não existe.

04 Revela-lhe o princípio da reencarnação, determinando o porquê da dor e das aparentes desigualdades sociais.

05 Confere-lhe forças para suportar as maiores vicissitudes do corpo, mostrando a você que no instrumento físico nos reflete as condições ou necessidades do espírito.

06 Tranqüiliza você com respeito aos desajustes da parentela, esclarecendo que o lar recebe não somente os afetos, mas também os desafetos de existências passadas, para a necessária regeneração.

07 Demonstra-lhe que o seu principal templo para o culto da Presença Divina é a consciência.

08 Liberta-lhe a mente de todos os tabus em matéria de crença religiosa.

09 Elimina a maior parte das suas preocupações acerca do futuro além da morte.

10 Dá-lhe o conforto do intercâmbio com os entes queridos, depois de desencarnados.

11 Entrega-lhe o conhecimento da mediunidade.

12 Traça-lhe providências para o combate ou para a cura da obsessão.

13 Concede-lhe o direito à fé raciocinada.

14 Destaca-lhe o imperativo da caridade por dever.

15 Auxilia você a revisar e revalorizar os conceitos de trabalho e tempo.

16 Concede-lhe a certeza natural de que, se beneficiamos ou prejudicamos alguém, estamos beneficiando ou prejudicando a nós próprios.

17 Garante-lhe serenidade e paz diante da calúnia ou da crítica.

18 Ensina você a considerar adversários por instrutores.

19 Explica-lhe que, por maiores sejam as suas dificuldades exteriores, intimamente você é livre para melhorar ou agravar a própria situação.

20 Patenteia-lhe que a fé ilumina o caminho, mas ninguém fugirá da lei que manda atribuir a cada qual segundo as obras pessoais.


Essas são vinte das muitas bênçãos que o Espiritismo realiza em nosso favor. Será curioso que cada de nós pergunte a si mesmo o que estamos nós a fazer por ele.


Autor: André Luiz
Psicografia de Waldo Vieira

Natal

“Glória a Deus nas Alturas, paz na Terra e boa vontade para com os homens”. (Lucas, 2:14).

As legiões angélicas, junto à Manjedoura, anunciando o Grande Renovador, não
apresentaram qualquer ação de reajuste violento.

Glória a Deus no Universo Divino.
Paz na Terra.
Boa vontade para com os Homens.

O Pai Supremo, legando a nova era de segurança e tranquilidade ao mundo,
não declarava o Embaixador Celeste investido de poderes para ferir ou destruir.

Nem castigo ao rico avarento.
Nem punição ao pobre desesperado.
Nem desprezo aos fracos.
Nem condenação aos pecadores.
Nem hostilidade para com o fariseu orgulhoso.
Nem anátema contra o gentio inconsciente.
Derramava-se o Tesouro Divino, pelas mãos de Jesus, para o serviço da Boa
Vontade.
A justiça do “olho por olho” e do “dente por dente” encontrara, enfim, o Amor
disposto à sublime renúncia até à cruz.
Homens e animais, assombrados ante a luz nascente na estrebaria, assinalaram
júbilo inexprimível...
Daquele inolvidável momento em diante a Terra se renovaria.
O algoz seria digno de piedade.
O inimigo converter-se-ia em irmão transviado.
O criminoso passaria à condição de doente.
Em Roma, o povo gradativamente extinguiria a matança nos circos. Em Sídon,
os escravos deixariam de ter os olhos vazados pela crueldade dos senhores. Em
Jerusalém, os enfermos não mais sofreriam relegados ao abandono nos vales de
imunidade.
Jesus trazia consigo a mensagem da verdadeira fraternidade e, revelando-a,
transitou, vitorioso, do berço de palha ao madeiro sanguinolento.
Irmão, que ouves no Natal os ecos suaves do cântico milagroso dos anjos,
recorda que o Mestre veio até nós para que nos amemos uns aos outros.
Natal! Boa Nova! Boa Vontade!...
Estendamos a simpatia a todos e comecemos a viver realmente com Jesus, sob
os esplendores de um novo dia.

Fonte: Livro Antologia Mediúnica do Natal –
Psicografia: Francisco Cândido Xavier / Espírito: Emmanuel.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Diante do Próximo

O próximo, em cada minuto, é aquele coração que se acha mais próximo do nosso, por divina sugestão de amor no caminho da vida.
No lar, é a esposa e o esposo, os pais e os filhos, os parentes e os hóspedes.
No templo do trabalho comum, é o chefe e o subordinado, o cooperador e o companheiro.
Na via pública, é o irmão ou o amigo anônimo que partilham conosco a mesma estrada e o mesmo clima.
Na esfera social, é a criança e o doente, o desesperado e o triste, as afeições e os laços da solidariedade comum.
Na luta contundente do esforço humano, é o adversário e o colaborador, o inimigo declarado ou oculto ou, ainda, o associado de ideais que se expressam por nossos instrutores.
Em toda parte, encontrarás o próximo, buscando-te a capacidade de entender e de ajudar.
Auxilia-o com aquilo que possuas de melhor.
Os santos e os heróis ainda não residem na Terra.
Somos espíritos humanos, mistos de luz e sombra, amor e egoísmo, inteligência e ignorância.
Cada homem, na fase evolutiva em que nos encontramos, traz uma auréola de rei e uma espada de tirano.
Se chamas o fidalgo, encontrarás um servidor...
Se procuras o guerreiro, terás um inimigo feroz pela frente...
Por isso mesmo, reafirmou Jesus o velho ensinamento da Lei - “ama o próximo, como a ti mesmo”...

Emmanuel / Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Livro: Taça de Luz

As Trés Orações

Instado pela assembleia de amigos a falar sobre a resposta do Criador às preces das criaturas, respondeu o velho Simão Abileno, instrutor cristão, considerado no Plano Espiritual por mestre do apólogo e da síntese: -Repetirei para vocês, a nosso modo, antiga lenda que corre mundo nos contos populares de numerosos países.
Em grandes bosque da Ásia Menor, três árvores ainda jovens pediram a Deus lhes concedesse destinos gloriosos e diferentes. A primeira explicou que aspirava a ser empregada no trono do mais alto soberano da Terra; após ouvi-la, a segunda declarou que desejava ser utilizada na construção do carro que transportasse os tesouros desse rei poderoso, e a terceira, por último, disse então que almejava transformar-se numa torre, nos domínios desse potentado, para indicar o caminho do Céu. Depois das preces formuladas, um Mensageiro Angélico desceu à mata e avisou que o Todo-Misericordioso lhes recebera as rogativas e lhes atenderia às petições. Decorrido muito tempo,lenhadores invadiram o horto selvagem e as árvores,com grande pesar de todas as plantas circunvizinhas,foram reduzidas a troncos, despidos por mãos cruéis.
Arrastadas para fora do ambiente familiar, ainda mesmo com os braços decepados, elas confiaram nas promessas do Supremo Senhor e se deixaram conduzir com paciência e humildade. Qual não lhes foi, conduzir com paciência e humildade. Qual não lhes foi, porém, a aflitiva surpresa! . Depois de muitas viagens, a primeira caiu sob o poder de um criador de animais que, de imediato, mandou convertê-la num grande cocho destinado à alimentação de carneiros; a segunda foi adquirida por um velho praiano que construía barcos
por encomenda; e a terceira foi comprada e recolhida para servir, em momento oportuno, numa cela de malfeitores. As árvores amigas, conquanto separadas e sofredoras, não deixaram de acreditar na mensagem do Eterno e obedeceram sem queixas às ordens inesperadas que as leis da vida lhes impunham . No bosque, contudo, as outras plantas tinham perdido a fé no valor da oração, quando, transcorridos muitos anos, vieram a saber que as três árvores haviam obtido as concessões gloriosas solicitadas .
A primeira, forrada de panos singelos, recebera Jesus das mãos de Maria de Nazaré, servindo de berço ao Dirigente Mais Alto do Mundo; a segunda, trabalhando com pescadores, na forma de uma barca valente e pobre, fora o veículo de que Jesus se utilizou para transmitir sobre as águas muitos dos seus mais belos ensinamentos; e a terceira, convertida apressadamente numa cruz em Jerusalém, seguira com Ele, o Senhor, para o monte e, ali, ereta e valorosa, guardara-lhe o coração torturado, mas repleto de amor no extremo sacrifício, indicando o verdadeiro caminho do Reino Celestial. Simão silenciou, comovido. E, depois de longa Pausa, terminou, a entremostrar os olhos marejados de pranto: -Em verdade, meus amigos, todos nós podemos endereçar a Deus, em qualquer parte e em qualquer tempo, as mais variadas preces; no entanto, nós todos precisamos cultivar paciência e humildade, para esperar e compreender as respostas de Deus.

Irmão X / Francisco Cândido Xavier
Livro: A Luz da Oração

domingo, 14 de dezembro de 2014

No Aprimoramento

No aperfeiçoamento do corpo espiritual, além do primitivismo de certas almas que jazem, longo tempo, entorpecidas após a morte física, observamos, ainda, o quadro das mentes evolvidas intelectualmente, mas submersas nas densas vibrações decorrentes de compromissos escuros.
Não permanecem no regime da inércia, em sono larval; entretanto, agitam-se nos desvarios da loucura.
Criam imagens que vivem e se movimentam na intimidade delas próprias, por tempo indeterminado, cuja duração varia com a força do impulso de suas paixões.
Carregam consigo os dramas intensos de que se fizeram autoras.
Encarnada na Terra, a inteligência vive entre as provocações da esfera carnal e as sugestões silenciosas da mente. Quanto mais intelectualizada a criatura, mais profundamente respira no plano das ideias, influenciando e sendo influenciada.
Geralmente, porém, o homem desequilibra os próprios sentimentos, inclinando-se, em maior ou menor percentagem, para o afastamento das leis com as quais se deve nortear. Atravessa os caminhos humanos, ganhando pouco e quase sempre perdendo muito, dentro de si mesmo, obscurecendo-se nas pesadas sombras dos pensamentos inquietantes que produz para o consumo de suas necessidades mentais.
Assim é que a desencarnação não lhes modifica o campo íntimo.
Encasulada no círculo vibratório das criações que lhe dizem respeito, a alma sofre naturais inibições, ante a paisagem da vida gloriosa. Não possui ainda órgão de percepção para sintonizar-se com os espetáculos deslumbrantes da imensidade, encarcerada, qual se encontra, entre as paredes estranhas das concepções obscuras e estreitas em que se agita.
Como a lâmpada vive no seio das próprias irradiações, imitindo luz que é também matéria sutil, a alma permanece no seio das criações que lhe são peculiares, prendendo-se à paisagem em que prevaleçam as forças e desejos que lhe são afins, porque o pensamento é também substância rarefeita, matéria dentro de expressões inabordáveis até agora pelas investigações terrestres.
Podendo alimentar-se, por tempo indefinível, das emanações dos próprios desejos, entidades existem que estacionam, durante muitos anos, dentro dos quadros emocionais em que se comprazem, atrasando a marcha evolutiva, até que reencarnam na recapitulação das experiências em que faliram, retomando o serviço de purificação interior para a sublimação de si mesmas.
Desse modo, somos defrontados por dolorosos fenômenos congeniais.
Suicidas recomeçam a luta física, no círculo de moléstias ingratas, e criminosos reaparecem no berço, com deploráveis mutilações e defeitos; alcoólatras regressam à existência, em companhia de pais que se sintonizam com eles e grandes delinquentes reencetam a viagem do aprimoramento moral, na esfera de provas temíveis, quais sejam as de enfermidades indefiníveis e de aflições dificilmente remediáveis.
No extenso e abençoado viveiro de almas que é o mundo, pouco a pouco, de século a século e de milênio a milênio, usando variados corpos e diversas posições no campo das formas, nosso espírito constrói lentamente, para o próprio uso, o veículo acrisolado e divino, com que o Senhor nos reserva em plena imortalidade vitoriosa.


Emmanuel / Francisco Cândido Xavier
Livro: Roteiro


Parábola da Semente

“O reino de Deus é como se um homem lançasse a semente à terra, e dormisse, e se levantasse de noite e de dia e a semente germinasse e crescesse, sem ele saber como. A terra por si mesma produz frutos; primeiro a erva, depois a espiga e por último o grão cheio na espiga.
Depois de o fruto amadurecer, logo lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa."
(Marcos,IV, 26-29.)


A terra é um prodígio de fecundidade. É dela que nos vem o alimento, e portanto, o corpo; é dela que nos vem a roupa. Tudo vem da terra; ela produz a erva, faz brotar a espiga, faz nascer e amadurecer o fruto; e, lançada a semente à terra, germina e cresce sem se saber como!
É assim o Reino dos céus; Trazido à terra pelo grande semeador, embora estivessem os homens alheios às coisas do céu e presos à terra, a Palavra de Jesus, que é a semente da árvore que dá frutos de Vida Eterna, atirada na obscuridade da Palestina, transformou-se, tornou-se um novo corpo cheio de fortaleza, deu a plântula, subterrânea mais perfeitamente organizada, cuja raiz se introduziu no coração de seus discípulos, e, fendida a terra produtiva, deixou sair a haste que vai crescendo viscosa, saudando a luz, aparecendo aos olhos de todos, com seus reflexos verdejantes da Esperança, que anuncia a produção do oxigênio espiritual indispensável à vida das almas! Com folhas já largamente abertas e flores perfumosas, mostra-se a árvore adulta e luxuriante, tal como fora prevista no Apocalipse pelo Cantor de Patmos; a árvore que serviria para a cura e vida dos Espíritos!
A força secreta que produz todas as transformações orgânicas, também produz as transformações psíquicas.
E de onde vem essa força, esse poder? De Deus! E, embora os homens descurem seus deveres, assim como a semente se transforma em árvore, a semente do Reino de Deus se transforma em reino de Deus pela força do progresso incoercível que domina todas as coisas!
Partindo do "germe", a palavra de Jesus ampliou-se, desenvolveu-se, e, por sua ação, fez desenvolver em seu seio, uma genealogia inteira de entes que, diferentes na forma e grandeza, vão constituindo e anunciando a todos o Reino de Deus!
É assim a Semente da Parábola, que tem passado por todos os processos: germinação, Crescimento, floração e frutificação, sem que a revelação deixasse um só instante de vivificá-la com suas benéficas inspirações.
A revelação é o influxo divino que ergue e movimenta todos os seres, que os eleva aos cimos da Espiritualidade. O Reino de Deus, substituído até há pouco pelo Reino do Mundo, já está dando frutos de amor e de verdade, que permanecerão para sempre e transformarão o nosso planeta de um inferno hiante em estância feliz, onde as almas encontrarão os elementos de progresso para a sua ascensão à felicidade eterna.

Caibar Schutel

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Herdeiros

“E se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus e co-herdeiros do Cristo.” — Paulo. (Romanos, 8:17)

Incompreensivelmente, muitas escolas religiosas, através de seus expositores, relegam o homem à esfera de miserabilidade absoluta.
Púlpito, tribunas, praças, livros e jornais estão repletos de tremendas acusações.
Os filhos da Terra são categorizados à conta de réus da pena última.
Ninguém contesta que o homem, na condição de aluno em crescimento na Sabedoria Universal, tem errado em todos os tempos; ninguém que o crime ainda obceca, muitas vezes, o pensamento das criaturas terrestres; entretanto, é indispensável restabelecer a verdade essencial. Se muitas almas permanecem caídas, Deus lhes renova, diariamente, a oportunidade de reerguimento.
Além disso, o Evangelho é o roteiro do otimismo divino.
Paulo, em sua epístola aos romanos, confere aos homens, com justiça, o título de herdeiros do Pai e co-herdeiros de Jesus.
Por que razão se dilataria a paciência do Céu para conosco se nós, os trabalhadores encarnados e desencarnados da Terra, não passássemos de seres desventurados e inúteis? Seria justa a renovação do ensejo de aprimoramento a criaturas irremediavelmente malditas?
É necessário fortalecer a fé sublime que elevamos ao Alto, sem nos esquecermos de que o Alto deposita santificada fé em nós.
Que a Humanidade não menospreze a esperança.
Não somos fantasmas de penas eternas e sim herdeiros da Glória Celestial, não obstante nossas antigas imperfeições. O imperativo de felicidade, porém, exige que nos eduquemos, convenientemente, habilitando-nos à posse imorredoura da herança divina.
Olvidemos o desperdício da energia, os caprichos da infância espiritual e cresçamos, para ser, com o Pai, os tutores de nós mesmos.

De “Vinha de Luz”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Marco Prisco - Não Merecem


Guarde-se do mal e defenda-se dele com a realização do bem operante. O mal não merece consideração.
Há muito que fazer, valorizando a oportunidade de serviço que surge inesperada.
A intriga não merece a atenção dos seus ouvidos.
A injúria não merece o respeito da sua preocupação.
A ingratidão não merece o zelo da sua aflição.
O ultraje não merece o seu revide verbalista.
A mentira não merece a interrupção das suas nobres tarefas.
A exasperação não merece o seu sofrimento.
A perseguição gratuita não merece a sua solicitude.
A maledicência não merece o alto-falante da sua garganta.
A inveja não merece o tempo de que você necessita para o trabalho nobre.
Os maus não merecem a sua inquietação.
Entregue-os ao tempo benfazejo.
Abra os braços ao dever, firme-se no solo do serviço, abrace-se à cruz da responsabilidade, recordando o madeiro onde expirou o Cristo e, em perfeita magnitude, desafie a fúria do mal.
O lídimo cristão é fiel servidor.
Você tem somente um amo a quem prestará contas: Jesus!
Preocupado com o que deve fazer, não pare a escutar os que não têm o que fazer ou nada querem fazer.
Transformando-se em antena viva da inspiração superior, registre o ensinamento evangélico do amor, no coração, viva-o na ação e prossiga sem medo.
Você sabe que em toda seara existem abelhas diligentes e marimbondos destruidores. Também, não ignora “que os maus por si mesmos se destroem”, como afirma a sabedoria popular.
Identifique no obstáculo o ensejo iluminativo e não se detenha.
Por essa razão, enquanto a ventania açoita, guarde a sua fé robusta e, sem dar atenção ao mal, esteja acautelado, porque, não descendo às ondas mentais dos maus, você paira inatingível nas vibrações superiores das Altas Potências da Vida. Doe amor e, assim, faça o bem, para que não venha “a responder por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem”.

Psicografia de Divaldo Pereira Franco. Livro: Legado Kardequiano

Indagação e Resposta

Possivelmente, você também será daqueles companheiros do mundo físico que indagam pela razão dos mentores desencarnados transmitirem tantas mensagens de essência filosófica, mormente baseadas nos ensinamentos do Cristo.
Responderemos que uma pergunta dessas equivale à inquisição que alguém formulasse sobre o motivo de tantas escolas para os que vivem na Terra
A verdade é que todos os irmãos do Plano Físico queiram ou não, acreditem ou não acreditem virão Ter conosco, mais hoje ou mais depois de amanhã, e cabe-nos diminuir o trabalho que, porventura, nos venham a impor, ao abordarem o nosso campo de vivência espiritual, já que somos todos uma só família, perante Deus.
Examinem vocês algumas das perguntas que nos são desfechadas, com absoluta sinceridade, por milhares de companheiros que se conscientizam, quanto à própria desencarnação.
Onde se localiza o Céu dos bem-aventurados.
Onde residem os anjos.
Porque Deus em pessoas, não dispôs a vir recebê-los.
Porque Jesus lhes foge à visão, se viveram orando e confiando no Divino Mestre.
Porque sofreram tanto.
Porque não conseguem conversar imediatamente com os familiares que ficaram à distância.
Porque são convidados a trabalhar se tanto esperaram pelo descanso.
Porque não foram avisados sobre o dia da volta à Verdadeira Vida.
Porque não conseguem alterar os testamentos que deixaram no mundo.
Em que lugar estarão os infernos.
Onde estão encravados os purgatórios.
Como será o repouso que lhes será concedido se não enxergam amigo algum que não seja em trabalho árduo.
Porque as entidades angélicas não lhes dispensam as atenções de que se julgam merecedores.
Para resumir, dir-lhes-ei que, há dias, um amigo nosso, devotado obreiro do Bem, na Espiritualidade, foi questionado por um irmão recém-vindo da Terra, dentre aqueles que lhe recebiam diretrizes, sobre o melhor meio pelo qual conseguiriam enxergar alguns demônios.
Com o melhor humor, o companheiro respondeu:
- Meu filho, lamento muito, mas não tenho aqui um espelho para nós dois.


Obra: Endereço de Paz
Francisco Cândido Xavier / André Luiz

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Auxílio Eficiente

O homem distanciado da multidão raramente assume posição digna à frente dela.
Em geral, quem recebe autoridade cogita de encastelar-se em zona superior.
Quem alcança posição financeira elevada esquece os que lhe foram companheiros do princípio e traça barreiras humilhantes para que os necessitados não o aborreçam.
E a massa, na maioria das regiões do mundo, prossegue relegada a si própria.
A política inferior converte-a em joguete de manobra comum, enquanto o comércio desleal nela procura lucros exorbitantes.
Raríssimos são os homens que a ajudam a escalar o monte iluminativo.
Pouquíssimos mobilizam recursos no amparo social.
Jesus, porém, traçou o programa desejável, instituindo o auxílio eficiente.
Quem se honra de servir a Jesus, imite-lhe o exemplo. Ajude o irmão mais próximo a dignificar a vida, a edificar-se pelo trabalho sadio e a sentir-se melhor.


Emmanuel / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Vinha de Luz (extrato) - Ed. FEB

Estudando o Bem e o Mal

Para que sejamos intérpretes genuínos do bem, não basta desculpar o mal.
É imprescindível nos despreocupemos dele, em sentido absoluto, relegando-o à condição de efêmero acessório do triunfo real das Leis que nos regem.
Evitando comentários complexos em nosso culto à simplicidade, recorramos à natureza.
Vejamos, por exemplo, o apelo vivo da fonte.
Quantas vezes terá sido injuriada a água que hoje nos serve à mesa?
Do manancial ao vaso limpo, difícil trajetória cumulou-a de vicissitudes e provações.
O leito duro de pedra e areia...
A baba venenosa dos répteis...
O insulto dos animais de grande porte...
O enxurro dos temporais...
Os detritos que lhe foram arrojados ao seio...
A fonte, entretanto, caminhou despretensiosa, sem demorar-se em qualquer consideração aos sarcasmos da senda, até surpreender-nos, diligente e pura, aceitando o filtro que lhe apura as condições, a fim de que nos assegure saciedade e conforto.
Segundo observamos, na lição aparentemente infantil, o ribeiro não somente olvidou as ofensas que lhe foram precipitadas à face.
Movimentou-se, avançou, humilhou-se para auxiliar e perdoou infinitamente, sem imobilizar-se um minuto, porque a imobilidade para ele constituiria adesão ao charco, no qual, ao invés de servir, converter-se-ia tão só em veículo de corrupção.
É por isso que o ensinamento cristão de caridade envolve o completo esquecimento de todo mal.
“Que a vossa mão esquerda ignore o bem praticado pela direita.”
Semelhantes palavras do Senhor induzem-nos a jornadear na Terra, exaltando o bem, por todos os meios ao nosso alcance, com integral despreocupação de tudo o que represente vaidade nossa ou incompreensão dos outros, de vez que em qualquer boa dádiva somente a Deus se atribui a procedência.
Procurando a nossa posição de servidores fiéis da regeneração do mundo, a começar de nós mesmos, pela renovação dos nossos hábitos e impulsos, olvidemos a sombra e busquemos a luz, cada dia, conscientes de que qualquer pausa mais longa na apreciação dos quadros menos dignos que ainda nos cercam será nossa provável indução ao estacionamento indeterminado no cárcere do desequilíbrio e do sofrimento.

Emmanuel / Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Obra: Mediunidade e Sintonia.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Ninguém é Inútil

Não aguardes aparente grandeza para ser útil.
Missão quer dizer incumbência.
E ninguém existe aos ventos do acaso.
Para entender nossos mandatos de trabalho, atentemos em lições de coisas da natureza.
A usina poderosa ilumina qualquer lugar à distância, contudo, para isso, não age por si só.
Usa transformadores de um circuito a outro, alterando, em geral, a tensão e a intensidade da corrente. Os transformadores exigem fios de condução e os fios recorrem à tomada de força.
Isso, porém, ainda não resolve.
Para que a luz se faça, é indispensável a lâmpada, que se forma de componentes diversos.
No dicionário das leis divinas, as nossas tarefas têm o sinônimo de dever.
Atendamos a obrigação para que fomos chamados no clima do bem.
Não te digas inútil nem incompetente.
Para cumprir a missão que nos cabe, não são necessários cargo diretivo, tribuna brilhante nem fortuna de milhões.
Basta que estimemos a disciplina no lugar que nos é próprio, e prazer de servir.


Emmanuel / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Livro da Esperança (extrato) - Ed. CEC

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Amor Próprio

Desenovela-te do amor-próprio quanto antes.
Ele é causa de muitos e afligentes problemas.
Encarcera na vaidade, disfarça-se com desculpas e acusações absurdas e cria animosidade.
Ferido, ocasiona contendas violentas; vingativo, provoca agressões infelicitadoras.
Ante uma recusa à ação do bem, defrontarás o amor-próprio insensível, e pela boca da maledicência ouvirás o leviano ou magoado.
Um crime, uma ação perniciosa, um conflito entre pessoas, a falsa humildade e o abandono de tarefas são efeitos do amor-próprio despeitado.
O amor-próprio só realiza obra meritória para colher, de imediato, os louros e reconhecimento. Após a realização, faz-se exigente, cobra o preço.
Por qualquer motivo, ou sem motivo, afasta-se atirando petardos de ira e censuras insensatas.
Vigie esse perverso companheiro e exercita o amor fraternal, doando-te quanto possas.
Livrando-te dele, experimentarás otimismo, paz interior e alegria na vida, porque verás corretamente o mundo sem as lentes escuras que ele antepõe aos olhos da tua observação.

Joanna de Ângelis / Médium Divaldo Pereira Franco
Livro: Alerta (extrato) - Ed. LEAL


domingo, 7 de dezembro de 2014

Evangelho e Caridade

Antes de Jesus, a caridade é desconhecida.
Os monumentos das civilizações antigas não se reportam à divina virtude.
Os destroços do palácio de Nabucodonosor, no solo em que se erguia a grandeza de Babilônia, falam simplesmente de fausto e poder que os séculos consumiram.
Nas lembranças do Egito glorioso, as Pirâmides não se referem à compaixão.
Os famosos hipogeus de Persépolis são atestados de orgulho racial.
As muralhas da China traduzem a preocupação de defesa.
Nos velhos santuários da Índia, o Todo-Poderoso é venerado por milhões de fiéis, indiscutivelmente sinceros, mas deliberadamente afastados dos semelhantes nascidos na condição de parias desprezíveis.
A acrópole de Atenas, com as suas colunas respeitáveis, é louvor à inteligência.
O coliseu de Vespasiano, em Roma, é monumento levantado ao triunfo bélico, para as expansões da alegria popular.
Por milênios numerosos, o homem admitiu a hegemonia dos mais fortes e consagrou-a através da arte e da cultura que era suscetível de criar e desenvolver.
Com Jesus, porém, a paisagem social experimenta decisivas alterações
O Mestre não se limita a ensinar o bem. Desce ao convívio com a multidão e materializa-o com o próprio esforço.
Cura os doentes na via pública, sem cerimoniais, e ajuda a milhares de ouvintes, amparando-os na solução dos mais complicados problemas de natureza moral, sem valer-se das etiquetas do culto externo.
Lega aos discípulos a parábola do bom samaritano, que exalta a missão sublime da caridade para sempre.
A história é simples e expressiva.
Transmite Lucas a palavra do Celeste Orientador, explicando que “descia um homem de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores que o despojaram, espancando-o e deixando-o semimorto. Ocasionalmente passava pelo mesmo caminho um sacerdote e, vendo-o, passou de largo. E, de igual modo, também um levita, abordando o mesmo lugar e observando-o, passou à distância. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, reparando-o, moveu-se de íntima piedade. Abeirando-se do infortunado, aliviou-lhe as feridas e, colocando-o sobre a sua cavalgadura, cuidadosamente asilou-o numa estalagem”.
Vemos, dentro da narrativa, que o Senhor situa no necessitado simplesmente “um homem”.
Não lhe identifica a raça, a cor, a posição social ou os pontos de vista.
Nele, enxerga a Humanidade sofredora, carecente de auxílio das criaturas que acendam a luz da caridade, acima de todos os preconceitos de classe ou de religião.
Desde aí, novo movimento de solidariedade humana surge na Terra.
No curso do tempo, dispersaram-se os apóstolos, ensinando, em variadas regiões do mundo, que “mais vale dar que receber”.
E, inspirados na lição do Senhor, os vanguardeiros do bem substituem os vales da imundície pelos hospitais confortáveis; combatem vícios multimilenários, com orfanatos e creches; instalam escolas, onde a cultura jazia confiada aos escravos; criam institutos de socorro e previdência, onde a sociedade mantinha a mendicância para os mais fracos. E a caridade, como gênio cristão na Terra, continua crescendo com os séculos, através da bondade de um Francisco de Assis, da dedicação de um Vicente de Paulo, da benemerência de um Rockfeller ou da fraternidade do companheiro anônimo da via pública, salientando, valorosa e sublime, que o Espírito de Cristo prossegue agindo conosco e por nós.

(De “Roteiro”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Confiando

“... Tende fé em Deus.” – Jesus (Marcos, 11:22)

Tendo fé nas descobertas e nas observações conjugadas de físicos, astrônomos e matemáticos, o homem construiu o foguete com que explora vitoriosamente o espaço cósmico; tendo fé nas ondas eletromagnéticas, formou as bases da televisão que hoje transmite a palavra e a imagem a longas distâncias, simultaneamente, em todas as direções; tendo fé nos processos imunológicos, iniciados e desenvolvido por ele mesmo, criou a vacina, liquidando o problema das moléstias contagiosas que, de tempos a tempos, dizimavam milhares de existências no mundo; tendo fé na escola, dividiu-a em setores múltiplos e estabeleceu cursos específicos, de modo a servir às criaturas, da infância à madureza, afastando a Humanidade dos prejuízos da insipiência e do flagelo da ignorância; tendo fé no motor, inventou o automóvel em que se transporta, à vontade, de região para região, atendendo aos próprios interesses com inestimável ganho de tempo.
Assim também, confiando nos ensinamentos do Cristo e praticando-os como se faz necessário, a criatura edificará a sua própria felicidade; entretanto, qual acontece ao foguete, à televisão, à vacina, à escola e ao automóvel, que funcionam, segundo os princípios em que se baseiam, a fim de oferecerem os frutos preciosos, no auxílio ao homem, a fé nas lições de Jesus só vale devidamente se for usada.

De “Ceifa de Luz”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Amigos Modificados

Surgem no cotidiano determinadas circunstâncias em que somos impelidos a reformular apreciações, em torno da conduta de muitos daqueles a quem mais amamos.
Associados de ideal abraçam hoje experiências para as quais até ontem não denotavam o menor interesse e companheiros de esperança se nos desgarram do passo, esposando trilhas outras.
Debalde procuramos neles antigas expressões de concordância e carinho, de vez que se nos patenteiam emocionalmente distantes.
Nesses dias, em que o rosto dos entes amados se revela diferente, é natural que apreensões e perguntas imanifestas nos povoem o espírito. Abstenhamo-nos, porém, tanto de feri-los, através do comentário desairoso, quanto de interpretar-lhes as diretrizes inesperadas à conta de ingratidão. É provável que as Leis Divinas estejam a chamá-los para a desincumbência de compromissos que, transitoriamente, não se afinam com os nossos. Entendamos também que o passado é um meirinho infalível convocando-nos à retificação das tarefas que deixamos imperfeitamente cumpridas para trás, no campo de outras existências, e tranquilizemos os amigos modificados com os nossos votos de êxito e segurança, na execução dos novos encargos para os quais se dirigem. Reflitamos que se a temporária falta deles nos trouxe sensações de pesar e carência afetiva, possivelmente o mesmo lhes acontece e, ao invés de reprovar-lhes as atitudes ¾ ainda mesmo afastados pela força das circunstâncias ¾ , procuremos envolvê-los em pensamentos de simpatia e confiança, a fim de que nos reencontremos, mais tarde, em mais altos níveis de trabalho e alegria.
À vista disso, pois, toda vez que corações queridos não mais nos comunguem sintonia e convivência, se alguma sugestão menos feliz nos visita a cabeça, entremos, de imediato, em oração, no ádito da alma, rogando ao Senhor nos ilumine o entendimento, a fim de que não falhemos para eles, no auxílio da fraternidade e no apoio da bênção.

Emmanuel
(De: “Estude e Viva”, de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, pelos Espíritos de Emmanuel e André Luiz).

Endireitar os Caminhos

“Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.” — João Batista. (João, Capítulo 1, Versículo 23.)

A exortação do Precursor permanece no ar, convocando os homens de
boa-vontade à regeneração das estradas comuns.
Em todos os tempos, observamos criaturas que se candidatam à fé, que
anseiam pelos benefícios do Cristo. Clamam pela sua paz, pela presença
divina e, por vezes, após transformarem os melhores sentimentos em
inquietação injusta, acabam desanimadas e vencidas.
Onde está Jesus que não lhes veio ao encontro dos rogos sucessivos? em
que esfera longínqua permanecerá o Senhor, distante de suas amarguras?
Não compreendem que, através de mensageiros generosos do seu amor, o
Cristo se encontra, em cada dia, ao lado de todos os discípulos sinceros.
Falta-lhes dedicação ao bem de si mesmos. Correm ao encalço do Mestre
Divino, desatentos ao conselho de João: “endireitai os caminhos”.
Para que alguém sinta a influência santificadora do Cristo, é preciso
retificar a estrada em que tem vivido. Muitos choram em veredas do crime,
lamentam-se nos resvaladouros do erro sistemático, invocam o céu sem o
desapego às paixões avassaladoras do campo material. Em tais condições,
não é justo dirigir-se a alma ao Salvador, que aceitou a humilhação e a cruz
sem queixas de qualquer natureza.
Se queres que Jesus venha santificar as tuas atividades, endireita os
caminhos da existência, regenera os teus impulsos. Desfaze as sombras que te
rodeiam e senti-Lo-ás, ao teu lado, com a sua bênção.

Emmanuel / Francisco Cândido Xavier
Livro: caminho, Verdade e Vida

Daybreak - Barry Manilow

Débitos Seculares

O Cristo Consolador
O Evangelho segundo o Espiritismo – Capítulo VI


Considerando que vêm de longa data os compromissos que têm unido os homens de boa vontade, há que se parar por um minuto, buscando analisar o momento atual, meditar e avaliar os resultados obtidos, reconsiderando os erros naturais nas ações, principalmente quando estas são resultados de esforços desenvolvidos no elevado propósito de servir.
O Apocalipse encontra-se em pleno desenvolvimento; os homens continuam desenvolvendo seus melhores recursos, buscando impor-se uns sobre os outros, esquecendo-se dos mais comezinhos princípios de fraternidade, que devem pautar os comportamentos dos homens inteligentes; o egoísmo continua levando a humanidade para os abismos da dor e do sofrimento; a vaidade e o orgulho jogam irmãos contra irmãos.
Aqueles que assumiram compromissos redentores de laborar em favor dos semelhantes, oportunidade misericordiosa concedida pelo Pai Celestial, favorecem o processo evolutivo. São esses, realmente, os privilegiados que puderam assumir compromissos relevantes em favor da própria emancipação espiritual.
Eis que as trevas, representadas por irmãos merecedores dos nossos cuidados, desenvolvem desesperados esforços no sentido de recuperarem o espaço perdido para Luz.
Urge que os portadores de compromissos, assessorados por espíritos nobres, desenvolvam esforços maiores no sentido de manter o terreno conquistado para o crescimento a Seara do Cristo.
Rever posições é dever urgente daqueles que portam a aflição da consciência de que as quedas sucessivas têm sido motivo de atraso na escalada evolutiva de cada um, Bem-Aventurados os aflitos, nos recorda Mateus.
Vamos aumentar a nossa aflição, buscando na meditação e no esforço comum, recursos para continuar na tarefa que nos foi confiada e que aceitamos conscientemente, sabedores que somos, portadores de dívidas seculares, obsequiados pela Misericórdia Divina ao recebermos a magna ensancha de obrar como mantenedores das claridades divinas sobre o terreno conquistado, enquanto os espíritos superiores planejam a estratégia para a conquista de nossos espaços para o reinado do Amor.

Bezerra de Menezes
(De “Assimilação Evangélica”, de João Nunes Maia – Espíritos Diversos)

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Os Outros

Dizes trazer o deserto no coração; entretanto, pensa nos outros.
Muitos pisam teus rastros, procurando-te as mãos no grande vazio...
Para um pouco e perceberá a presença nas sombras da retaguarda.
Enquanto gritas a própria solidão, compreenderás que a voz
deles está morrendo na garganta, através de longos gemidos.
Volta-te e vê.
Compara os teus braços robustos com os ossos descarnados
que ainda lhe servem de suporte às mãos tristes em que os dedos
mirrados são espinhos de dor. Enxuga o teu pranto e observa os
olhos fatigados que te contemplam... Falam-te a história de
esperanças e sonhos que o tempo soterrou na areia da frustração.
Referem-se ao frio cortante do lar perdido e à agonia da
ramagem nas trevas...
Para e compadece-te.
Deixa que respirem, ainda mesmo por um momento só, no
calor de teu hálito.
Quem poderá medir a extensão da grandeza de uma simples
semente, caída na terra que o arado martirizou?
A beleza de um minuto nos ensina, muita vez, a povoar de
alegria e de luz a existência inteira.
Diz antiga lenda que uma gota de chuva caiu sobre o oceano
que a tormenta encapelara e, aflita, perguntou:
– ”Deus de Bondade, que farei, sozinha, neste abismo
estarrecedor?”
O Pai não lhe respondeu, mas, tempos depois, a gota singela
era retirada do mar, convertida numa pérola para adornar a coroa
de um rei.
Dá também algo de ti aos que bracejam no torvelinho do
sofrimento, e, mesmo que possas ofertar apenas um pingo de
amor aos que padecem, tua dádiva será filtrada pelas correntes
da angústia humana e subirá, cristalina e luminescente, na
direção dos céus, para enfeitar a glória de Deus.

Meimei/ Francisco Cândido Xavier
Livro: O Espírito da Verdade, Cap. XIII – Item 13

O Amor Próprio

Desenovela-te do amor-próprio quanto antes.
Ele é causa de muitos e afligentes problemas.
Encarcera na vaidade, disfarça-se com desculpas e acusações absurdas e cria animosidade.
Ferido, ocasiona contendas violentas; vingativo, provoca agressões infelicitadoras.
Ante uma recusa à ação do bem, defrontarás o amor-próprio insensível, e pela boca da maledicência ouvirás o leviano ou magoado.
Um crime, uma ação perniciosa, um conflito entre pessoas, a falsa humildade e o abandono de tarefas são efeitos do amor-próprio despeitado.
O amor-próprio só realiza obra meritória para colher, de imediato, os louros e reconhecimento. Após a realização, faz-se exigente, cobra o preço.
Por qualquer motivo, ou sem motivo, afasta-se atirando petardos de ira e censuras insensatas.
Vigie esse perverso companheiro e exercita o amor fraternal, doando-te quanto possas.
Livrando-te dele, experimentarás otimismo, paz interior e alegria na vida, porque verás corretamente o mundo sem as lentes escuras que ele antepõe aos olhos da tua observação.

Joanna de Ângelis / Médium Divaldo Pereira Franco
Livro: Alerta (extrato) - Ed. LEAL

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