quinta-feira, 31 de julho de 2014

O Médium e o Estudo

"Que o médium que não sinta com forças de perseverar no ensino espírita se abstenha, pois, não tornando proveitosa a luz que o esclareceis, será mais culpado e terá de expiar a sita cegueira."
Pascal - "O Livro dos Médiuns ", Allan Kardec, cap. XXXI - Dissertação nº 13


Toda empresa humana responsável exige de seu operário que seja esforçado e atencioso, que estude sempre e aprenda continuadamente para se desenvolver, adquirindo competência e eficiência. Da mesma forma, o Espiritismo isto espera de seus profitentes
A Doutrina Espírita não alimenta ilusões nem fantasias de menor esforço para nenhum adepto, muito menos para aqueles que pertencem ao quadro de trabalhadores efetivos. No trecho em referência, o espírito Pascal em outras palavras quer nos dizer: ao médium que não se interessar pelo conhecimento da Doutrina Espírita, melhor será para ele abster-se da prática medianímica, ou seja, que paralise suas atividades, porque assim estará se isentando de cometer absurdos doutrinários, por permanecerem voluntária cegueira espiritual.
Não se justifica nenhum médium ficar longo período da vida em estado de ignorância doutrinária e estagnação moral, pois necessita alcançar a posição respeitável de bom instrumento psíquico afinado com as notas divinas da Doutrina dos Espíritos, para agir proveitosamente, tirando o máximo de crédito e lucros espirituais.
O médium espírita não poderá contar somente com a luz de seus guias espirituais. Indispensável conquistar sua própria luz interior, porque o guia nem sempre estará de sentinela, protegendo-o e livrando-o das dificuldades e tentações. Como manter o médium a sintonia mental elevada, a inspiração superior e a intuição construtiva, se pouco se interessa pelo estudo sério e aprofundado do Espiritismo, muito especialmente as obras de Allan Kardec? Como amar uma doutrina que muito mal conhece? O espírito Emmanuel no livro "O Consolador", na questão n° 392, afirma, quanto ao dever de todo medianeiro espírita:
"O médium tem obrigação de estudar muito, observar intensamente e trabalharem todos os instantes pela sua própria iluminação".
Quem serão esses médiuns? Obviamente, são todos aqueles engajados na casa espírita, principalmente das equipes de desobsessão, trabalho de passes, tratamento e cura espirituais.
Aqueles que se destacam pela sua força mediúnica e faculdades psíquicas avantajadas deveriam, com maior devotamento, se entregar à sagrada obrigação de estudar com mais seriedade e disciplina as obras espíritas, pois estão se posicionando como orientadores da multidão e aglutinadores das atenções para o Espiritismo.
No contato com dirigentes de centros espíritas, conversando sobre grupos mediúnicos, chegamos à conclusão de que diminuta é a percentagem de medianeiros que verdadeiramente gostam de estudar e aprender manuseando, principalmente, as obras básicas do Espiritismo.
Na atualidade, o médium espírita precisa estudar Kardec com método e perseverança, seja em particular - em sua residência - ou em equipe, principalmente na casa espírita, na forma de "Círculo de Estudos", onde encontrará a luminosa oportunidade de dialogar, debater, opinar, ouvir diversas interpretações e dar também o seu entendimento, tudo dentro de um ambiente fraterno e familiar, promovendo luzes de verdade para todos.
Os médiuns que não gostam de estudar a Doutrina estão numa posição muito estranha, porque desejam servir com os espíritos da luz para consolar e esclarecer multidões de criaturas ignorantes, sendo que, por sua vez, permanecem com o cérebro embotado ao discernimento kardequiano. Os médiuns levianos fogem do esclarecimento espírita, alegando:
"Eu gosto mesmo é de trabalhar na mediunidade e ajudar os que mais sofrem, enfim fazer a caridade que Jesus nos ensinou. Não gosto da teoria! É muita falação! Eu prefiro a prática!
O que conheço de Espiritismo, somado à minha experiência, já é o bastante. Não preciso de mais estudo. Estudar muito a Doutrina perturba minha mente e o meu trabalho".
Quanto de presunção e de vaidade encontramos nestas palavras saídas da boca de médiuns orgulhosos!
Devido aos médiuns, em grande maioria, não buscarem a pureza dos ensinos kardecistas, encontramos com facilidade por toda parte, centros espíritas realizando trabalhos mediúnicos os mais absurdos e exóticos, com absoluta ausência de disciplina, discernimento e prudência tão apregoados por Allan Kardec.
Alguém poderá indagar: Por que o bom médium precisa estudar, se ele sempre está com os mentores espirituais? Responderemos: Naturalmente, porque ele não é uma criatura infalível e nem possui privilégios e proteção especial dos Espíritos Superiores. O médium espírita é um aprendiz como qualquer outro companheiro de fé; um aluno necessitado de se iluminar constantemente; um discípulo chamado a conquistar as virtudes cristãs; um canal mediúnico sujeito a receber e aceitar tanto a inspiração de entidades benfazejas como das inteligências perversas e mistificadoras, dependendo sempre da direção e uso que dê à sua força mediúnica.
O estudo sério nunca perturbou ou fez adoecer pessoa alguma. Sendo assim, o médium precisa amar mais a Doutrina Espírita, estudando-a com prazer e disciplina, aplicação e perseverança.

Walter Barcelos
("Mediunidade e Discernimento")

Sábias Decisões

A grandeza da alma se reflete na ação das pequenas coisas.
Quanto mais desce para servir, mais se eleva na realização.
Nem sempre os heróis são aqueles que se revelaram nos graves momentos da Humanidade, pela atuação decisiva.
Existem incontáveis lidadores que impulsionam o homem e a sociedade no rumo do grande bem, através de contínuos sacrifícios que passam ignorados e, sem os quais, o caos se estabeleceria dominador.
Os discutidores inoperantes consideram em demasia o valor das palavras, perdendo o tempo útil que poderia ser aplicado nas ações relevantes.
Nos debates estéreis dizem o que não amadureceram pensando, quando poderiam agir bem, assim melhor ensinando.
Quem não pode revelar-se numa grande realização, sempre dispõe de meios para manifestar-se nas pequenas ações.
Se não possui recursos para acabar com a fome geral, pode atendê-la em uma pessoa necessitada; se não consegue resolver o problema das enfermidades, deve socorrer um doente; não logrando acabar com a miséria, dispõe-se a minorá-la naqueles que defronta e padecem-lhe a injunção.
Não é imprescindível estar presente nos grandes momentos da História, todavia, é importante facilitá-los para os outros, desde hoje, com a sua contribuição.
Jesus não quis vencer no mundo, antes, porém, venceu o mundo repleto de paixões amesquinhantes.

Joanna de Ângelis & Divaldo Pereira Franco
(De “Momentos de Renovação”)

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Abstém-se

Abstém-se de fixar as deficiências do companheiro e procura destacar-lhe as qualidades nobres, nas quais se caracterizem de alguma forma.
Examina o bem, louva o bem e estende o bem quanto puderes.
A paz pode passar a residir hoje mesmo em nosso campo íntimo. Basta lhe ofereçamos o refúgio da compreensão e isso depende unicamente de nós.
Se te encontras na condição de peça na engrenagem de hoje, a que se acolhem tantas criaturas aflitas, não te entregues ao luxo do desânimo e, sim, trabalha servindo sempre. É preciso aprender a suportar os revezes do mundo, sem perder a própria segurança.
Haja o que houver, trabalha na edificação do bem e segue adiante.
Dor, na maioria das vezes, é o tributo que se paga ao aperfeiçoamento espiritual.
Dificuldade mede eficiência.
Ofensa avalia a compreensão.
A própria morte é nova forma de vida.
Resiste aos movimentos que tendam a desfibrar-te a coragem e mantém-te de pé na tarefa a que a vida te buscou.
Recorda que tudo se altera para o bem.

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier
Obra: Caminho Iluminado

Sacudir o Pó

“... Quando alguém não quiser vos receber, nem escutar vossas palavras, sacudi, em saindo dessa casa ou dessa cidade, o pó de vossos pés...”

“... Assim diz hoje o Espiritismo aos seus adeptos: não violenteis nenhuma consciência; não forceis ninguém a deixar sua crença para adotar a vossa...” (Capítulo 21, itens 10 e 11.)


Não nos influenciemos pelos feitos alheios. Nossas atitudes devem realmente nascer de nossas inspirações mais íntimas, e não constituir uma forma de “reagir” contra as atitudes dos outros.
Não permitamos que emoções outras determinem nosso modo peculiar de pensar e agir; caminhemos sobre nossas próprias pernas, determinando como agir
“Quando alguém não quiser vos receber, sacudi o pó de vossos pés”. A recomendação de Jesus poderá ser assim interpretada: não devemos impor aos outros o constrangimento de convencê-los à nossa realidade, como se nossa maneira de traduzir as leis divinas fosse a melhor; nem achar que a Verdade é propriedade única, e que somente coubesse a nós a posse exclusiva desse patrimônio.
Em muitas ocasiões, a título de aconselhar melhores opções e diretrizes, no sentido de esclarecer e priorizar a seleção de atitudes dos outros, que, na verdade caberia a eles próprios desempenhar, nós extrapolamos nossas reais funções e limites, transformando o que poderia ser esclarecimento e orientação em abuso e ocupação indevida dos valores e domínios dos indivíduos.
Sentimos necessidade de “corrigir” opiniões, “indicar” caminhos, “induzir” experiências, privando as pessoas de exercer opções e de vivenciar suas próprias experiências. Deixando-as cair e se levantar, amar e sofrer, estamos, ao contrário, permitindo que elas mesmas possam angariar seus próprios conhecimentos e, dessa forma, estruturar sua maturação e crescimento pessoal.
“Deixar casas e cidades que não nos ouvem as palavras” é demonstrar que não temos a pretensão de únicos possuidores da revelação divina e que, não fosse nossa intermediação, as criaturas estariam desprovidas de outros canais de instrução e conhecimento divino.
“Reter o pó em vossos pés” é não ter a visão da imensidade e diversidade das possibilidades universais, que apoiam sempre as criaturas de conformidade com sua idade astral e sempre no momento propício para seu crescimento íntimo.
A Vida Maior tem inúmeras vias de inspiração e revelação, a fim de conduzir os indivíduos a seu desenvolvimento espiritual; portanto, não devemos nos arvorar em indispensáveis dignitários divinos.
Lancemos as sementes sem a pretensão de aplausos e reconhecimentos, mesmo porque talvez não haja florescimento imediato, mas na terra fértil dos sentimentos humanos haverá um dia em que o campo produzirá a seu tempo.
Ao aceitarmos as pessoas como indivíduos de personalidade própria, respeitando suas opiniões, idéias e conceitos, até mesmos seus preconceitos, estaremos dando a elas um fundamental apoio para que escutem o que temos para dizer ou esclarecer, deixando depois que elas mesmas, conforme lhes convier, mudem ou não suas diretrizes vivenciais.
Talvez o servo imprudente, arraigado no orgulho, esperasse louros dourados de consideração e entendimento de todos os que o escutassem, e que fosse amplamente compreendido em suas intenções, mas por enquanto, na Terra, o plantio é ainda difícil e as colheitas não são generosas.
Há muitas criaturas intransigentes e rigorosas que não entendem, impõem; não ensinam, pregam; não amam, manipulam; não respeitam, criticam; e por não usarem de sinceridade é que fazem o gênero de “suposta santidade”.
Portanto, se não formos bem acolhidos nos labores que desempenhamos na Seara de Jesus, silenciemos sem qualquer “reação” aos contratempos e aguardemos as providências das “Mãos Divinas”.
Nesse afã, prossigamos convictos de nosso ideal de amor, palmilhando, entre as realizações porvindouras rumo ao final feliz, nosso próprio caminho, cujo mapa está impresso em nosso coração.

Hammed / Francisco do Espírito Santo Neto
Obra: Renovando Atitudes

terça-feira, 29 de julho de 2014

Tratamento e Destino

Que o destino pode ser tratado, não há dúvida. E com palavras resumidas, ser-nos-á possível encontrar a chave de semelhante providência, nos exemplos simples da vida.
No processo curativo, o campo doente para mostrar-se recuperado solicita a renovação das células.
Na higiene, o foco enfermiço deve ser extinto, em auxílio à saúde geral.
Na área das construções, esse ou aquele trecho comprometido reclama completo refazimento.
Em agricultura, o escalracho será erradicado para que a lavoura nobre venha a surgir.
Igualmente na vida, êxito e melhoria nascem de comportamento e rumo, tanto quanto rumo e comportamento para o bem e para a felicidade dependem de nossos pensamentos.
Pensamentos positivos em matéria de consciência tranqüila, limpeza de intenções, reajuste de maneiras e supressão de hábitos inferiores são suportes indispensáveis para a edificação de vida melhor.
Pense e fará o que pensa.
Faça e você será aquilo que faz.

André Luiz & Francisco Cândido Xavier

O arado

“E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus.” – (Lucas, 9:62.)

Aqui, vemos Jesus utilizar na edificação do Reino Divino um dos mais belos símbolos.
Efetivamente, se desejasse, o Mestre criaria outras imagens. Poderia reportar-se às leis do mundo, aos deveres sociais, aos textos da profecia, mas prefere fixar o ensinamento em bases mais simples.
O arado é aparelho de todos os tempos. É pesado, demanda esforço de colaboração entre o homem e a máquina, provoca suor e cuidado e, sobretudo, fere a terra para que produza. Constrói o berço das sementeiras e, à sua passagem, o terreno cede para que a chuva, o sol e os adubos sejam convenientemente aproveitados.
É necessário, pois, que o discípulo sincero tome lições com o Divino Cultivador, abraçando-se ao arado da responsabilidade, na luta edificante, sem dele retirar as mãos, de modo a evitar prejuízos graves à “terra de si mesmo”.
Meditemos nas oportunidades perdidas, nas chuvas de misericórdia que caíram sobre nós e que se foram sem qualquer aproveitamento para nosso espírito, no sol de amor que nos vem vivificando há muitos milênios, nos adubos preciosos que temos recusado, por preferirmos a ociosidade e a indiferença.
Examinemos tudo isto e reflitamos no símbolo de Jesus.
Um arado promete serviço, disciplina, aflição e cansaço; no entanto, não se deve esquecer que, depois dele, chegam semeaduras e colheitas, pães no prato e celeiros guarnecidos.

Pão Nosso
Francisco Cândido Xavier
Ditado pelo Espírito Emmanuel

domingo, 27 de julho de 2014

Verdade Libertadora

Realizado o estudo do Evangelho no lar de Josef Kackulack, na noite de 5 de junho, em Viena, Áustria, o tema foi Não ponhais a candeia debaixo do alqueire, capitulo XXIV, de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, após o qual a Mentora espiritual escreveu a presente mensagem.

A verdade sempre predomina.
O culto à mentira é dos mais danosos comportamentos a que o indivíduo se submete. Ilusão do ego, logo se dilui ante a linguagem espontânea dos fatos. Responsável por expressiva parte dos sofrimentos humanos fomenta a calúnia — que lhe é manifestação grave e destrutiva — a infâmia, a crueldade...
A maledicência é-lhe filha predileta, por expressar-lhes os conteúdos perturbadores, que a imaginação irrefreada e os sentimentos infelizes dão curso.
Além desses aspectos morais, a mentira não resiste ao transcurso do tempo. Sem alicerce que a sustente, altera a sua forma ante cada evento novo e de tal maneira se modifica, que se desvela. Por ser insustentável, quem se apoia na sua estrutura frágil padece insegurança contínua.
Porque é exata na sua forma de apresentar-se, a verdade é o inimigo formal da mentira. Enquanto a primeira esplende ao sol dos acontecimentos e exterioriza-se sem qualquer exagero, a segunda é maneirosa, prefere a sombra e comunica-se com sordidez. Uma é fruto da realidade; a outra, da fantasia, que não medita nas consequências de que se reveste.
A mentira teme o confronto com a verdade. Aloja-se nas sombras, espraia-se, às escondidas, e encontra, infelizmente, guarida.
A verdade jamais se camufla; surge com força e externa-se com dignidade. Não tem alteração íntima, permanecendo a mesma em todas as épocas. Ninguém consegue ocultá-la, porque, semelhante à luz, irradia-se naturalmente. Nem sempre é aceita, por convidar à responsabilidade. Amiga do discernimento, é a pedra angular da consequência de si mesmo, fator ético-moral da conduta saudável.
Enquanto a mentira viger, a acomodação, o crime afrontoso ou sob disfarce, o abuso do poder e a miséria de todo tipo predominarão na Terra exaltando os fracos, que assim se farão fortes, os covardes, que se tornarão estoicos, os astutos, que triunfarão em detrimento dos sábios, dos nobres e dos bons...
Em face de tais logros, que propicia, não obstante efêmeros, os seus famanazes e cultuadores detestam e perseguem a verdade. Não medem esforços para impedir-lhe a propagação, por saberem dos resultados que advirão com o seu estabelecimento entre as criaturas.
São baldas, porém, tão insanas atitudes.
A verdade espera... Seus opositores enfermam, envelhecem e morrem, enquanto ela permanece.
A mentira é de breve existência. Predomina por um pouco, esfuma-se e passa...
Na sua constituição molecular, conforme se apresenta, o corpo é uma realidade-mentira, por ser um revestimento transitório, que sofre alterações incessantes até o momento da sua transformação fatalista pelo morte.
O espírito é o ser; o corpo é o não-ser, conforme definiu Platão.
A busca da verdade — o que é permanece — é a meta da existência física.
A verdade cresce à medida que o ser se desenvolve. Sem abandonar as suas raízes, faz-se profunda, é sempre atual e enfrenta a razão em todas as épocas com os equipamentos da lógica e da realidade.
Ela objetiva sempre alcançar o ser em sua plenitude, permanecendo como diretriz para a vida, sustentação dos ideais e segurança para todos os cometimentos. É a grande libertadora da criatura. Sem a sua vigência predominam as trevas, a barbárie, o abuso dos costumes.
A verdade é pão que nutre, medicamente que cura, guia que conduz com equilíbrio. Jamais fica desconhecida, por maiores sejam os obstáculos que se lhe anteponham. Escapa a qualquer controle, por ser soberana, e, mesmo quando aparentemente morta, renasce.
O encontro com a verdade produz choque, por significar o desaparecimento da ilusão, a saída do comodismo, da paralisia, do prazer frustrante.
Jesus, em resposta admirável, afirmou: — Busca a verdade e a verdade te libertará.
*
Ninguém tem o direito de ocultar a verdade, qual se fosse uma luz que devesse ficar escondida. Onde se encontre, irradia claridade e calor.
O seu conhecimento induz o portador a apresentá-la onde esteja, a divulgá-la sempre. Pelos benefícios que proporciona, estimula à participação, à solidariedade, difundindo-a.
Quem a encontrou sente-se convidado a torná-la conhecida, a esparzi-la como pólen de vida.
Embora muitas criaturas cheias de si, vítimas do orgulho e da prosápia, não demonstrem interesse em travar contato com ela, não a ocultes por timidez, receio ou preconceito dos outros. A tua fé espírita fundamenta-se na verdade. Vem de Jesus-Cristo, que a anunciou.
Sem agredir ninguém, ou impô-la, coloca-a, sem qualquer constrangimento, no velador, a fim de que todos a conheçam, e com ela se relacionem aqueles que estiverem interessados ou necessitados.
Faze a tua parte, e a vida fará o restante.

Joanna de Ângelis
(De “Sob a proteção de Deus”, de Divaldo Pereira Franco – Diversos Espíritos)

Também Tu

"E os principais dos sacerdotes tomaram a deliberação de matar também a Lázaro." - (João, 12:10.)

Interessante observar as cogitações do farisaísmo, relativamente a Lázaro,
Nas horas supremas de Jesus.
Não bastava a crucificação do Mestre.
Intentava-se, igualmente, a morte do amigo de Betânia.
Lázaro fora cadáver e revivera, sepultara-se nas trevas do túmulo e
regressara à luz da vida. Era, por isso, uma glorificação permanente do Salvador, uma
cura insofismável do Médico Divino. Constituiria em Jerusalém a carta viva do
poder do Cristo, destoava dos conterrâneos, tornara-se diferente.
Considerava-se, portanto, indispensável a destruição dele.
O farisaísmo dos velhos tempos ainda é o mesmo nos dias que passam,
Apenas com a diferença de que Jerusalém é a civilização inteira. Para ele, o Mestre
deve continuar crucificado e todos os Lázaros ressurgirão sentenciados à morte.
Qualquer homem, renovado em Cristo, incomoda-o.
Há participantes do Evangelho que se sentem verdadeiramente
ressuscitados, trazidos à claridade da fé, após atravessarem o sepulcro do ódio, do crime,
da indiferença ...
O farisaísmo, entretanto, não lhes tolera a condição de redivivos, a demonstrarem
a grandeza do Mestre. Instala perseguições, desclassifica-os na convenção
puramente humana, tenta anular-lhes a ação em todos os setores da experiência.
Somente os Lázaros que se unam ao amor de Jesus conseguem vencer o
Terrível assédio da ignorância.
Tem, pois, cuidado contigo mesmo.
Se te sentes trazido da sombra para a luz, do mal para o bem, ao sublime
Influxo do Senhor, recorda que o farisaísmo, visível e invisível, obedecendo a
impulsos de ordem inferior, ainda está trabalhando contra o valor de tua fé e contra a força de
teu ideal.
Não bastou a crucificação do Mestre.
Também tu conhecerás o testemunho.

Vinha de Luz
Francisco Cândido Xavier
Ditado pelo Espírito Emmanuel

sábado, 26 de julho de 2014

Além-Túmulo

"E, se não há ressurreição de mortos,também o Cristo não ressuscitou."
Paulo. (Coríntios, 15:13.)


Teólogos eminentes, tentando harmonizar interesses temporais e espirituais, obscureceram o problema da morte, impondo sombrias perspectivas à simples solução que lhe é própria.
Muitos deles situaram as almas em determinadas zonas de punição ou de expurgo, como se fossem absolutos senhores dos elementos indispensáveis à análise definitiva. Declararam outros que, no instante da grande transição, submerge-se o homem num sono indefinível até o dia derradeiro consagrado ao Juízo Final.
Hoje, no entanto, reconhece a inteligência humana que a lógica evolveu com todas as possibilidades de observação e raciocínio.
Ressurreição é vida infinita. Vida é trabalho, júbilo e criação na eternidade.
Como qualificar a pretensão daqueles que designam vizinhos e conhecidos para o inferno ilimitado no tempo? como acreditar permaneçam adormecidos milhões de criaturas, aguardando o minuto decisivo de julgamento, quando o próprio Jesus se afirma em atividade incessante?
Os argumentos teológicos são respeitáveis; no entanto, não deveremos desprezar a simplicidade da lógica humana.
Comentando o assunto, portas a dentro do esforço cristão, somos compelidos a reconhecer que os negadores do processo evolutivo do homem espiritual, depois do sepulcro, definem-se contra o próprio Evangelho. O Mestre dos Mestres ressuscitou em trabalho edificante. Quem, desse modo, atravessará o portal da morte para cair em ociosidade incompreensível? Somos almas, em função de aperfeiçoamento, e, além do túmulo, encontramos a continuação do esforço e da vida.

(Da obra: Caminho, Verdade e Vida).
Emmanuel / Francisco Cândido Xavier

Olhai

"Olhai, vigiai e orai, porque não sabeis quando chegará o tempo." - Jesus.
(Marcos, 13:33.)


Marcos registra determinada fórmula de vigilância que revela a nossa
Necessidade de mobilizar todos os recursos de reflexão e análise.
Muitas vezes, referimo-nos ao "orai e vigiai", sem meditar-lhe a
complexidade e a extensão.
É indispensável guardar os caminhos, imprescindível se torna movimentar
possibilidades na esfera do bem, entretanto, essa atitude não dispensa a
visão com entendimento.
O imperativo colocado por Marcos, ao princípio da recomendação de Jesus,
é de valor inestimável à perfeita interpretação do texto.
É preciso olhar, isto é, examinar, ponderar, refletir, para que a vigilância não
Seja incompleta.
Discernir é a primeira preocupação da sentinela.
O discípulo não pode guardar-se, defendendo simultaneamente o patrimônio
Que lhe foi confiado, sem estender a visão psicológica, buscando penetrar a
Intimidade essencial das situações e dos acontecimentos. Veja esta mensagem
O serviço comum permanece repleto de mensagens proveitosas.
Fixai as relações afetivas. São portadoras de alvitres necessários ao vosso
equilíbrio.
Fiscalizai as circunstâncias observando as sugestões que vos lançam ao centro d’alma.
Na casa sentimental, reúnem-se as inteligências invisíveis que permutam impressões convosco, em silêncio.
Detende-vos na apreciação do dia; seus campos constituídos de horas e minutos
são repositórios de profundos ensinamentos e valiosas oportunidades.
Olhai, refleti, ponderai!... Depois disso, naturalmente, estareis prontos a vigiar e orar com proveito

Livro: Vinha de Luz
Emanuel /Francisco Cândido Xavier

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Conforme a Vida, a Morte

Cada desencarnação se dá conforme a atividade do Espírito enquanto na indumentária fisiológica.
O despertar, conseqüentemente, será consentâneo às atividades encetadas e aos ideais abraçados.
Quem cultivou o pessimismo demorado, arraigando-se nas trevas da negação, abraçado às expressões nadaístas, desperta em estado de amnésia total, vagueando como autômato ou se demora hibernado em si mesmo, sem se dar conta do transpasse que o conduziu ao Mundo Espiritual.
O Espírito que se vinculou, no entanto, às expressões dignificantes e idealistas, transita pelo portal do túmulo na condição de alguém que abandonou as algemas da ingratidão em que jazia sem direito à liberdade, no rumo, agora, de horizontes de insuperável beleza e ventura.
O cultivador do ódio, intoxicado pelos venenos letais da ira, permanece com os centros da memória bloqueados pelos vapores que o tornaram inditoso e de que somente a longo prazo consegue desencharcar-se.
Sensualistas e gozadores, apaniguados do crime ou da insensatez, permanecem estreitamente vinculados às reminiscências pretéritas, sem se darem conta da realidade legítima da região nova por onde transitam.
Simultaneamente, os que acalentaram a certeza da sobrevivência e se predispuseram ao vôo às regiões da luz, despojam-se da indumentária carnal com a gratidão pelo fardo que os facultou ascender no rumo da liberdade.
A consciência é sempre a mesma, seja no mergulho da névoa carnal ou se encontre desatrelada dos implementos orgânicos.
Tal hábito, qual vida.
Perfeitamente compreensível o estado amnésico apresentado por um sem número de habitantes da Esfera Espiritual, que jazem atados à ignorância do seu próprio estado, transitando entre amolentados e dormintes, inermes e atoleimados...
Alguns, em face do desabrochar das lembranças, se confundirão pela dificuldade de manipularem os depósitos e arquivos da memória. Outros se perturbarão quanto a detalhes, datas, nomes, — mesmo os nossos doentes queridos — à semelhança de toxicômanos ou viciados que, não obstante consigam formar um plano de raciocínio, não encontram as palavras próprias para vestirem as idéias.
A morte de maneira nenhuma produz magia. É uma cirurgia cujo mister arranca as vísceras físicas, mas não extirpa as sensações que aquelas impõem ao perispírito e, este, a seu turno, ao Espírito que viveu exclusiva e unicamente para os gozos da sensação.
Assim considerando, é imperioso que cada um se predisponha e se prepare, mediante o exercício natural diário e freqüente, para o voo da desencarnação.
Da mesma forma que, em buscando o leito, à hora própria do repouso físico, cada um, conforme as suas aptidões, inclinações e valores, adormece, assim despertará no dia seguinte com aqueles títulos com os quais repousou, do que decorrerá encontrar-se, então, feliz, desventurado ou exaurido, consoante as disposições mentais que lhe são habituais.
Dormir é pré-morrer. Morrer, porém, é voar através de um sono especial para o despertar no Mundo da Verdade conforme se adormeceu...

João Cleófas - “Sementes de vida eterna”, de Divaldo Pereira Franco – Diversos

Não te perturbes

"E o mandamento que era para a vida, achei eu que me era para a morte”. - Paulo (Romanos 7:10)

Se perguntássemos ao grão de trigo que opinião alimenta acerca do moinho, naturalmente responderia que dentro dele encontra a casa de tortura em que se aflige e sofre; no entanto, é de lá que ele se ausenta aprimorado para a glória do pão na subsistência do mundo.
Se indagássemos da madeira, com respeito ao serrote, informaria que nele identifica o algoz de todos os momentos, a dilacerar-lhe as entranhas; todavia, sob o patrocínio do suposto verdugo, faz-se delicada e útil para servir em atividades sempre mais nobres.
Se consultarmos a pedra, com alusão ao buril, certo esclarecerá que descobriu nele o detestável perseguidor de sua tranquilidade, a feri-la desapiedado, dia e noite; entretanto, é dos golpes dele que se eleva aos tesouros terrestres, aperfeiçoada e brilhante.
Assim, a alma. Assim, a luta.
Peçamos o parecer do homem, quanto à carne, e pronunciará talvez impropriedades mil. Ouçamo-lo sobre a dor e registraremos velhos disparates verbais. Solicitemos-lhe que se externe com referência à dificuldade, e derramará fel e pranto.
Contudo, é imperioso reconhecer que do corpo disciplinado, do sofrimento purificador e do obstáculo asfixiante, o espírito ressurge sempre mais aformoseado, mais robusto e mais esclarecido para a imortalidade.
Não te perturbes, pois, diante da luta, e observa.
O que te parece derrota, muita vez é vitória. E o que se te afigura em favor de tua morte, é contribuição para o teu engrandecimento na vida eterna.

Emmanuel / Francisco Cândido Xavier

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Ergamo-nos

Quando o filho pródigo deliberou tornar aos braços paternos, resolveu intimamente levantar-se.
Sair da cova escura da ociosidade para o campo da ação regeneradora.
Elevar-se do vale da indecisão para a montanha do serviço edificante.
Levantou-se e saiu rumo ao Lar Paterno.
Quantos de nós, filhos pródigos da Vida, depois de estragarmos valiosas oportunidades, clamamos pela assistência do Senhor, de acordo com os nossos desejos menos dignos, para que sejamos satisfeitos?
Se é verdade que nos achamos empenhados em nosso soerguimento, coloquemo-nos de pé e retiremo-nos da retaguarda que desejamos abandonar.
Aperfeiçoamento pede esforço.
Se aspiramos à Vida Superior, caminhemos para frente com os padrões de Jesus.
- Levantar-me-ei, disse o moço da parábola.
- Levantemo-nos, repitamos nós.

Emmanuel / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Fonte Viva - Ed. FEB




Haroldo Dutra Dias - A Cura pelo Perdão

Julgamentos


Se alguém te surge em erro
tranquiliza-te e cala.

Não sabes o princípio
dos fatos que registras.

Quanta dor na criatura
antes de haver caído!...

Se vês a falta alheia,
usa a misericórdia.

Virtude que condena
é orgulho disfarçado.

Hoje, podes julgar...
amanhã, ninguém sabe.

Emmanuel e Francisco Cândido Xavier

Masterialismo e Espiritismo

Conta-se que o Dr. Adolfo Bezerra de Menezes orientava, no Rio, uma reunião de estudos espíritas, com a palavra livre para todos os circunstantes, quando, após comentários diversos, perguntou se mais alguém desejava expressar-se nos temas da noite.
Foi então que renomado materialista, seu amigo pessoal, lhe dirigiu veemente provocação:
- Bezerra, continuo ateu e, não somente por meus colegas mas também por mim, venho convidá-lo a debate público, a fim provarmos a inexpugnabilidade de Materialismo contra as pretensões do Espiritismo. E previno a você que o Materialismo já levantou extensa lista de médiuns fraudulentos; de chamados sensitivos que reconheceram os seus próprios enganos e desertaram das fileiras espíritas; dos que largaram em tempo o suposto desenvolvimento das forças psíquicas e fizeram declarações, quanto às mentiras piedosas de que se viram envoltos; dos ilusionistas que operam em nome de poderes imaginários da mente; e, com essa relação, apresentaremos outro rol de nomes que o Materialismo já reuniu, os nomes dos experimentadores que demostraram a inexistência da comunicação com os mortos; dos sábios que não puderam verificar as factícias ocorrências da mediunidade; dos observadores desencantados de qualquer testemunho da sobrevivência; e dos estud iosos ludibriados por vasta súcia de espertalhões... Esperamos que você e os espíritas aceitem o repto.
Bezerra concentrou-se em preces, alguns instantes, e, em seguida, respondeu, aliando energia e brandura:
- Aceitamos o desafio, mas tragam também ao debate aqueles que o Materialismo tenha soerguido moralmente no mundo; os malfeitores que ele tenha regenerado para a dignidade humana; os infelizes aos quais haja devolvido o ânimo de viver; os doentes da alma que tenha arrebatado às fronteiras da loucura; as vítimas de tentações escabrosas que haja restituído à paz do coração; as mulheres infortunadas que terá arrancado ao desequilíbrio; os irmãos desditosos de quem a morte roubou os entes mais caros, a a cujo sentimento enregelado na dor terá estendido o calor da esperança; as viúvas e os órfãos, cujas energias terá escorado para os caluniados aos quais terá ensinado o perdão das afrontas; os que foram prejudicados por atos de selvageria social mascarados de legalidade, a quem haverá proporcionado sustentação para que olvidem os ultrajes recebidos; os acusados injustamente, de cujo espírito rebelado terá subtraído o fel da revolta, substituindo-o pelo bálsamo da tolerância; os companheiros da Humanidade que vieram do berço cegos ou mutilados, enfermos ou paralíticos, aos quais terá tranquilizado com princípios de justiça, para que aceitem pacificamente o quinhão de lágrimas que o mundo lhes reservou; os pais incompreendidos a quem deu força e compreensão para abençoarem os filhos ingratos e os filhos abandonados por aqueles mesmos que lhes deram a existência, aos quais auxiliou para continuarem honrando e amando os pais insensíveis que os atiraram em desprezo e desvalimento; os tristes que haja imunizado contra o suicídio; os que foram perseguidos sem causa aparente, cujo pranto terá enxugado nas longas noites de solidão e vigília, afastando-os da vingança e da criminalidade; os caídos de toda as procedências, a cujo martírio tenha ofertado apoio para que se levantem...
Nesse ponto da resposta, o velho lidador fez uma pausa, limpou as lágrimas que lhe deslizavam no rosto e terminou:
- Ah! meu amigo, meu amigo!... Se vocês puderem trazer um só dos desventurados do mundo, a quem o Materialismo terá dado socorro moral para que se liberte do cipoal do sofrimento, nós, os espíritas, aceitaremos o repto.
Profundo silêncio caiu na pequena assembléia, e, porque o autor da proposição baixasse a cabeça, Bezerra, em prece comovente, agradeceu a Deus as bênçãos da fé e encerrou a sessão.

Irmão X
Livro Estante da Vida - Francisco Cândido Xavier.

Paz do Mundo e Paz do Cristo

É indispensável não confundir a paz do mundo com a paz do Cristo.
A calma do plano inferior pode não passar de estacionamento.
A serenidade das esferas mais altas significa trabalho divino, a caminho da Luz
Imortal.
O mundo consegue proporcionar muitos acordos e arranjos nesse terreno, mas
somente o Senhor pode outorgar ao espírito a paz verdadeira.
Nos círculos da carne, a paz das nações costuma representar o silêncio provisório
das baionetas; a dos abastados inconscientes é a preguiça improdutiva e incapaz; a dos
que se revoltam, no quadro de lutas necessárias, é a manifestação do desespero doentio;
a dos ociosos sistemáticos, é a fuga ao trabalho; a dos arbitrários, é a satisfação dos
próprios caprichos; a dos vaidosos, é o aplauso da ignorância; a dos vingativos, é a
destruição dos adversários; a dos maus, é a vitória da crueldade; a dos negociantes
sagazes, é a exploração inferior; a dos que se agarram às sensações de baixo teor, é a
viciação dos sentidos; a dos comilões, é o repasto opulento do estômago, embora haja
fome espiritual no coração.
Há muitos ímpios, caluniadores, criminosos e indiferentes que desfrutam a paz do
mundo. Sentem-se triunfantes, venturosos e dominadores no século. A ignorância
endinheirada, a vaidade bem vestida e a preguiça inteligente sempre dirão que seguem
muito bem.
Não te esqueças, contudo, de que a paz do mundo pode ser, muitas vezes, o sono
enfermiço da alma. Busca, desse modo, aquela paz do Senhor, paz que excede o
entendimento, por nascida e cultivada, portas a dentro do espírito, no campo da
consciência e no santuário do coração.

(Livro: Vinha de Luz)
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Todos são importantes

Somos iguais perante a seara, porque somos todos iguais perante o Senhor da Seara. Deus não faz acepção de pessoas, nem de posições e muito menos de instituições. O item 5 do capítulo XX de O Evangelho Segundo o Espiritismo estabelece esta condição essencial: “Felizes os que tiverem trabalhado o campo do Senhor com desinteresse e movidos apenas pela caridade”. Emmanuel conclui a sua mensagem lembrando “que toda pessoa é importante na edificação do Reino de Deus”.
Querer que não haja discordâncias entre os que trabalham na divulgação e na sustentação da Doutrina seria acalentar quimeras. Cada consciência humana, como ensina Hubert, é um ponto na correnteza da duração. Cada um de nós está colocado num ângulo determinado do eterno fluir da realidade. Cada qual, portanto, tem a sua maneira própria de ver as coisas.
O Espiritismo nos ensina que nos completamos uns aos outros pelas nossas diferenças. Mas se diferimos nos acessórios, concordamos sempre no essencial. Por isso mesmo a caridade – que é o amor em ação – deve eliminar as arestas do nosso personalismo, ensinando-nos que todos somos importantes na busca e na conquista da verdade.
Claro que não devemos concordar com tudo e tudo aprovar em silêncio, pois a tolerância de acomodação equivale a cumplicidade com o erro. A crítica maldosa e orgulhosa, que condena tudo o que é feito pelos outros, é a negação da caridade. Mas ai de nós se suprimirmos a crítica do meio espírita! Porque é ela, quando sensata e sincera, a prática da vigilância que Jesus ensinou e Paulo exemplificou. Como utilizar o “crivo da razão”, de que nos fala Kardec, se abdicarmos do direito de pensar, que mais do que um direito é um supremo dever do espírito?
Quando Emmanuel diz: “Guiar-se pela misericórdia e não pela crítica” está se referindo à crítica negativa que nasce do orgulho e não à crítica positiva que brota espontânea e necessária do julgamento imparcial e fraterno, objetivando corrigir e portanto ajudar. O lema “valorizar o esforço alheio” não implica a valorização dos erros e dos enganos do próximo, mas o reconhecimento dos esforços feitos por todos a favor da causa comum. Todos precisamos de misericórdia, mas a misericórdia, como Deus nos mostra em sua lei de ação e reação, não é a aprovação de erros e ilusões – e sim a correção e o esclarecimento.

Obra: Astronautas do Além
José Herculano Pires & Francisco Cândido Xavier

Rasga a Lista!

Preocupa-te cotidianamente com o bem dos semelhantes.
Esquece-te nas tuas dores e nas tuas mágoas.
Rasga a lista de queixas e enumere os benefícios que tens recebido.
Quem se lamenta em excesso, seja qual for a natureza da angústia que exteriorize, em palavras, não tem razão.
Não desperdices energias reprisando assuntos que precisam ser esquecidos.
A prova que não se supera é dor repercutindo indefinidamente na alma.
Não te deixes alcançar pela ingratidão daqueles aos quais estendeste as mãos!
quantos te ignoram as necessidades não sabem o que os aguarda nas lutas que não poupam ninguém.
Compadece-te dos maledicentes e dos injustos.
Eles não sabem que tudo o que disserem ou fizerem contra ti é sentença que lavraram contra si mesmos.

Obra: Vigiai e Orai

Juventude

A Juventude pode ser comparada à esperançosa saída de um barco para viagem importante.
A infância foi a preparação.
A velhice será chegada ao porto.
Todas as fases requisitam as lições dos marinheiros experientes, aprendendo-se a organizar e a terminar a excursão com o êxito desejável.
No estabelecimento de ensino, propriamente do mundo, podem instruir, mas só o instituto da família pode educar.
É por essa razão que a Universidade poderá fazer o cidadão, mas o lar é que consegue com mais eficiência edificar o homem.
Justo não esquecer igualmente que, em qualquer idade, podemos e devemos operar a iluminação ou o aprimoramento de nós mesmos.

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier
Obra: Plantão de Paz

Paciência

A paciência é importante para os empreendimentos expressivos a que te propões.
Exercícios regulares de reflexão e contenção dos impulsos da personalidade formam os condicionamentos que imprimem calma e equilíbrio, gerando a paciência.
Claro, tal realização exige perseverança. A recompensa é o enobrecimento da alma.
Nascida do cansaço, marasmo e rotina, a irritabilidade é um sinal vermelho em teu caminho.
A paciência resiste às más circunstâncias, ao cansaço e ao tédio. É confiante, gentil, otimista, sem deixar de ser responsável, séria, recatada.
Suporta com ânimo as vicissitudes e não esmorece quando tardam os resultados. É, também, irmã da fé, porquanto aquele que crê espera e confia tranquilamente.
Policia, pois, tuas reações íntimas. Se te assalta constante mau-humor, necessitas do auxílio da paciência, a fim de refazeres o ânimo, renovares conceitos e atividades.

Joanna de Ângelis / Médium Divaldo Pereira Franco
Livro: Celeiro de Bênçãos

terça-feira, 22 de julho de 2014

Alguns e Nós

Nunca influenciaremos a todos,
Mas sempre influenciaremos alguns.
Reflitamos no assunto,
Revendo o que transmitimos:
A descrença suscita a descrença.
A dúvida gera a dúvida.
O desânimo sugere o desânimo.
A tristeza espalha a tristeza.
A fé atrai a fé.
A esperança acende a esperança.
A bondade cria a bondade.
O amor estende o amor...

Do livro "Mãos Marcadas" - Emmanuel / Francisco Cândido Xavier

Boas Obras

O auxílio ao próximo é sempre bem-vindo.
Faça tudo o que puder; mas se nada for possível,
ajude as boas obras com o seu silêncio...
Se você dispõe de tempo e da vocação de auxiliar para contribuir nas boas obras com seu esforço pessoal, o seu trabalho será sempre bem vindo, especialmente porque lhe expressa o amor no propósito de servir.
Caso se veja na impossibilidade de comparecer pessoalmente em semelhantes empreendimentos, o seu concurso amoedado, de qualquer dimensão, é uma benção de sua generosidade, atraindo novas bênçãos em seu benefício.
Na hipótese de maiores dificuldades para que venha a exercer a cooperação a que nos referimos, a oferta de alguma utilidade mesmo usada, no apoio aos que faceiam necessidades primordiais desatendidas, constituem um sinal luminoso de sua bondade para com as tarefas em andamento.
Reconhecendo que ainda isso não representa medida ao seu alcance, você talvez desfrute o ensejo de falar, encorajando os companheiros que trabalham, ou fornecendo indicações que lhes amenizem a boa luta.
Observando que essa colaboração na se lhe faça possível, certamente poderá você orar pelos irmãos que se empenham às laboriosas realizações da beneficência.
Entretanto, se você, de todo, não consegue efetuar nada disso, não aponte os defeitos dos obreiros que se acham na construção do bem, de vez que se são eles criaturas reprováveis, qual você supõe, estarão fazendo o melhor que podem, no reajuste deles próprios, com a permissão e com o amparo de Deus.


Do livro "Sinais de Rumo" - André Luiz / Francisco Cândido Xavier

Convite à Meduinidade

Médiuns e mediunidades.
Médiuns todos somos, e mediunidades possuímos todos nós.
Aprimorá-las ou descurá-las, relegando-as a plano secundário, é responsabilidade que cada um exerce mediante o próprio arbítrio.
A argila maleável nas mãos de oleiro é a médium do vaso.
O ferro em ignição, na bigorna e malho do operário, é médium da forma que plasma.
Deixando-se conduzir pelas mãos do Operário Divino, o homem modela e executa as construções mentais superiores, tornando-se cooperador da Obra de Nosso Pai.
Recalcitrante à inspiração elevada deixa-se, maleável, arrastar por outras ondas de pensamento,colaborando , às vezes, inconscientemente na formação das paisagens de dor, de sombra e de desdita para os outros como para si mesmo.
a verdade é que todos estamos interligados, em ministério mediúnico ativo, incessante, graças aos múltiplos dons de que nos achamos investidos.
Vinculados espírito a espírito pelo impositivo da evolução, desde que constituímos famílias que formam grande família universal, sintonizando-nos reciprocamente pelas afinidades e aptidões, ideais e desejos em conúbio imenso, certeza de que somente o amor consegue os objetivos elevados, libertadores.
Assim sendo, medita nas possibilidades mediúnicas de que te encontras possuído e eleva-te pelo exercício das ações nobilantes, de modo a desdobrares os recursos positivos na realização do bem a que o Senhor a todos nos convoca.
Certamente uns estão mais bem aquinhoados pela faculdades mediúnicas que lhes são concedidas para o própria edificação à luz consagradora da Doutrina Espírita, que é a única diretriz segura com Jesus para o ministério abençoado de iluminação na Terra.
Se, todavia, não experimentares os sintomas mais evidentes da mediunidade, transforma-te espontaneamente em instrumento de amor e acende a lâmpada do auxilio fraternal no coração, a fim de que a caridade te transforme em médium da esperança entre os que aspiram a um mundo renovado e ditoso para o futuro, desde hoje.

Joanna de Ângelis / Divaldo Pereira franco

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Em Todos os Caminhos

Seja qual for a experiência, convence-te de que Deus está conosco em todos os caminhos.
Isso não significa omissão de responsabilidade ou exoneração da incumbência de que o Senhor nos revestiu.
Não há consciência sem compromisso, como não existe dignidade sem lei.
O peixe mora gratuitamente na água, mas deve nadar por si mesmo.
A árvore, embora não pague imposto pelo solo em que se vincula, é chamada a produzir conforme a espécie.
Ninguém recebe talentos da vida para escondê-los em poeira ou ferrugem.
Nasceste para realizar o melhor. Para isso, é possível te defrontes com embaraços naturais ao próprio burilamento,
qual a criança que se esfalfa compreensivelmente nos exercícios da escola.
A criança atravessa as provas do aprendizado sob a cobertura da educação que transparece do professor.
Desempenhamos as nossas funções com o apoio de Deus.
Se o conhecimento exato da Onipresença Divina ainda não te acode à mente necessidade de fé, pensa no infinito
das bênçãos que te envolvem, sem que despendas mínimo esforço.
Não contrataste engenheiros para a garantia do Sol que te sustenta e nem assalariaste empregados para a escavação
de minas de oxigênio na atmosfera, a fim de que se renove o ar que respiras.
Reflete, por um momento só, nas riquezas ilimitadas ao teu dispor, nos reservatórios da Natureza e compreenderás
que ninguém vive só.
Confia, segue, trabalha e constrói para o bem.
E guarda a certeza de que, para alcançar a felicidade, se fazes teu dever, Deus faz o resto.


Livro: Estude e Viva
Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira
Pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz



Em Honra da Liberdade

"Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo, e não segundo o Cristo.”
–Paulo. (Colossenses, 2:8.)


Se alcançaste um raio de luz do Evangelho, avança na direção do Cristo, o Divino Libertador.
Não julgues seja fácil semelhante viagem do espírito.
Encontrarás, em caminho, variados apelos à indisciplina e à estagnação.
Serás surpreendido a cada passo pelos sofistas da Religião, pelos falsários da Filosofia,
pelos paranoicos da Ciência e pelos dilapidadores da História, empavesados nas
engenhosas criações mentais em que encarceram a própria vida, buscando atrelar-te o
pensamento ao carro da argumentação falaciosa a que se acolchetam, famintos de
louvor e da vassalagem.
Mutilando a revelação divina, desfigurando preceitos da verdade, abusando da
inteligência ou fantasiando episódios furtados ao registro fiel do tempo, armam ciladas ou
levantam castelos teóricos, em que a sugestão menos digna te inclina a existência à
rebelião e ao pessimismo, à viciação e à inutilidade.
Atendendo, quase sempre, a interesses escusos, lisonjeiam-te a insipiência, incensando-te
o nome, quando não se desmandam na vaidade, aliciando-te a decisão para que lhes
engrosses o séquito de loucura.
Acompanhando-os, porém, não te farás senão presa deles, fâmulo desditoso das idéias
desequilibradas que emitem, no temerário propósito de se anteporem ao próprio Deus.
Querem escravos para os sistemas falaciosos que mentalizam, quando Jesus deseja te
faças livre para a conquista da própria felicidade.
Acautela-te no trato com todos os que tudo te pedem, no campo da independência
espiritual, limitando-te a capacidade de sentir e pensar, empreender e construir,
porquanto, em nos fazendo tributários da falsa glória em que se encasulam, relegam-nos
a existência a planos de subnível, quando o Cristo de Deus, tudo nos dando em amor e
sabedoria, nos ampliou a emoção e o conhecimento, a iniciativa e o trabalho,
convertendo-nos em filhos emancipados da Criação, para que tenhamos não apenas a
vida, mas Vida Santificada e Abundante.

Obra: Palavras da Vida Eterna – Emmanuel/ Francisco Cândido Xavier

sábado, 19 de julho de 2014

Em Família Espiritual

Na vida, não vale tanto o que temos nem tanto importa o que somos.
Vale o que realizamos com aquilo que possuímose, acima de tudo,
importa o que fazemos de nós.
Emmanuel - Francisco Cândido Xavier. Da obra: Caminhos


Quanto mais nos adentramos no conhecimento de nós mesmos, mais se nos impõe a obrigação de compreender e desculpar, na sustentação do equilíbrio em nós e em torno de nós.
Daí a necessidade da convivência, em que nos espelhamos uns aos outros, não para criticar-nos, mas para entender-nos, através de bendita reciprocidade, nos vários cursos de tolerância, em que a vida nos situa, no clima da evolução terrestre.
Assim é que, no educandário da existência, aquele companheiro:
que somente identifica o lado imperfeito dos seus irmãos, sem observar-lhes a boa parte;
que jamais se vê disposto a esquecer as ofensas de que haja sido objeto;
que apenas se lembra dos adversários com o propósito de arrasá-los, sem reconhecer-lhes as dificuldades e os sofrimentos;
que não analisa as razões dos outros, a fixar-se unicamente nos direitos que julga pertencer-lhes;
que não se enxerga passível de censura ou de advertência, em momento algum;
que se considera invulnerável nas opiniões que emita ou na conduta que espose;
que não reconhece as próprias falhas e vigia incessantemente as faltas alheias;
que não se dispões a pronunciar uma só frase de consolação e esperança, em favor dos caídos na penúria moral;
que se utiliza da verdade exclusivamente para ameaçar ou ferir...
Será talvez de todos nós aquele que mais exija entendimento e ternura, de vez que, desajustado na intolerância, se mostra sempre desvalido de paz e necessitado de amor.

Tratamento e Destino

Que o destino pode ser tratado, não há dúvida. E com palavras resumidas, ser-nos-á possível encontrar a chave de semelhante providência, nos exemplos simples da vida.
No processo curativo, o campo doente para mostrar-se recuperado solicita a renovação das células.
Na higiene, o foco enfermiço deve ser extinto, em auxílio à saúde geral.
Na área das construções, esse ou aquele trecho comprometido reclama completo refazimento.
Em agricultura, o escalracho será erradicado para que a lavoura nobre venha a surgir.
Igualmente na vida, êxito e melhoria nascem de comportamento e rumo, tanto quanto rumo e comportamento para o bem e para a felicidade dependem de nossos pensamentos.
Pensamentos positivos em matéria de consciência tranqüila, limpeza de intenções, reajuste de maneiras e supressão de hábitos inferiores são suportes indispensáveis para a edificação de vida melhor.
Pense e fará o que pensa.
Faça e você será aquilo que faz.

André Luiz & Francisco Cândido Xavier

O Próximo


O próximo, em cada minuto, é aquele coração que se acha mais próximo do
nosso, por divina sugestão de amor no caminho da vida.
No lar, é a esposa e o esposo, os pais e os filhos, os parentes e os hóspedes.
No templo do trabalho comum, é o chefe e o subordinado, o cooperador e o
companheiro.
Na via pública, é o irmão ou o amigo anônimo que nos partilham a mesma
estrada e o mesmo clima.
Na esfera social, é a criança e o doente, o desesperado e o triste, as afeições e
os laços da solidariedade comum.
Na luta contundente do esforço humano, é o adversário e o colaborador, o
inimigo declarado ou oculto ou, ainda, o associado de ideais que nos surgem por
instrutores.
Em toda parte, encontrarás o próximo, buscando-te a capacidade de entender e
de ajudar.
Auxilia aos outros com aquilo que possuas de melhor.
Os santos e os heróis ainda não residem na Terra.
Somos espíritos humanos, mistos de luz e sombra, amor e egoísmo, inteligência
e ignorância.
Cada homem, na fase evolutiva em que nos encontramos, traz uma auréola
incompleta de rei e uma espada de tirano.
Se chamas o fidalgo, encontrarás um servidor.
Se procuras o guerreiro, terás um inimigo feroz pela frente.
Por isso mesmo, reafirmou Jesus o antigo ensinamento da Lei: - “ama o
próximo, como a ti mesmo”.
É que o espírito, quando ama verdadeiramente, encontra mil meios de auxiliar, a
cada instante, e o próximo, na essência, é o degrau que nos aparece diante do coração,
por abençoado caminho de acesso à Vida Celestial.


Livro: Assim Vencerás - Emmanuel / Francisco Cândido Xavier

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Além da Terra


Confio o pensamento a sonho terno
Em holocausto mudo à Divindade,
E sinto a redenção de todo inferno
Na blandícia da paz, que em luz me invade.

À carícia invisível me prosterno
E por mais clame a dor e a treva brade,
Deus fulgura qual facho doce e eterno
Suporte vivo da imortalidade.

Há traços resplendentes de mil vidas
E destroços das épocas perdidas
No mar turbilhonante de mim mesmo.

Seguimos... Eu e o sonho que delivro,
Páginas paralelas de um só livro,
No livro do Universo aberto a esmo...

Orlando Teixeira

Pré-ocupação

“... Observai os pássaros do céu: eles não semeiam nem colhem...”
“... Observai como crescem os lírios dos campos: eles não trabalham nem fiam...”
“... não estejais inquietos pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. A cada dia basta o seu mal.”
(Capítulo 25, item 6.)


A estratégia da preocupação é nos manter distantes do momento presente, imobilizando as realizações do agora em função de coisas que poderão ou não acontecer.
Desperdiçamos, por conseqüência, tempo e energias preciosas, obcecados com os eventos do porvir, sobre os quais não temos qualquer tipo de comando, pois olvidamos que tudo que podemos e devemos dirigir é somente nossas próprias vidas.
São realmente diversas as preocupações sobre as quais não temos nenhum controle: a doença dos outros, a alegria dos filhos, o amor das pessoas, o julgamento alheio sobre nós, a morte de familiares e outras tantas. Podemos, porém, nos “pré-ocupar” o quanto quisermos com essas questões, que não traremos a saúde, a felicidade, o amor, a consideração ou mesmo o retorno à vida, porque todas elas são coisas que fogem às nossas possibilidades.
Outra questão é quando passamos por enormes desequilíbrios causados pelo desgaste emocional de nos ocuparmos antes do tempo certo com coisas e pessoas, o que ocasiona insônias, decepções e angústias pelo temor antecipado do que poderá vir a acontecer no amanhã.
Não confundamos “pré-ocupação” com “previdência”, porque se preparar ou ser precavido para realizar planos para dias vindouros é tino de bom senso e lógica; mas prudência não é preocupação, porque enquanto uma é sensata e moderada, a outra é irracional e tolhe o indivíduo, prejudicando-o nos seus projetos e empreendimentos do hoje.
Nossa educação social estimula o vício do “pensamento preocupante”, principalmente no convívio familiar, onde teve início o fato de relacionarmos preocupação com “dar proteção”.
Passamos a nos comportar afirmando: “Lógico que eu me preocupo com você, eu o amo”, “Você tem que se preocupar com seus pais”, “Quem tem filhos vive em constante preocupação”.
Pensamos que estamos defendendo e auxiliando os entes queridos, quando na verdade estamos confinando-os e prejudicado-os por transmitir-lhes, às vezes, de modo imperceptível, medo, insegurança e pensamentos catastróficos.
“Não estejais inquietos pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo.
A cada dia basta seu mal”.
O Criador provê suas criaturas como necessário, porqüanto seria impossível a Natureza criar em nós uma necessidade sem nos dar meios para supri-la. “Vede os pássaros do céu, vede os lírios dos campos”.
Além do mais, pedia-nos que fizéssemos observações de como a vida se comporta e que deixássemos de nos “pré-ocupar”, convidando-nos a olhar para nossa criação divina que a todos acolhe.
O Mestre queria dizer com essas afirmativas que tudo o que vemos tem ligação conosco e com todas as partes do Universo e que somos, em realidade, participantes de uma Natureza comum. As mesmas causas que cooperam para o benefício de uns cooperam da mesma forma para o de outros. Quando há confiança, existe fé; e é essa fé que abre o fluxo divino para a manutenção e prosperidade de nossa existência, dando-nos juntamente a proteção que buscamos em todos os níveis de nossa vida.

Hammed & Francisco do Espírito Santo Neto
(Livro: Renovando Atitudes - Capítulo 25, item 6)

Os Três Crivos

... certa feita, um homem esbaforido achegou-se a Sócrates e sussurrou-lhe aos ouvidos:
- Escuta, na condição de teu amigo, tenho alguma coisa muito grave para dizer-te em particular...
- Espera!... ajuntou o sábio prudente. Já passaste o que me vais dizer pelos três crivos?
- Três crivos? – perguntou o visitante, espantado.
- Sim, meu caro amigo, três crivos. Observemos se tua confidência passou por eles. O primeiro é o crivo da verdade.
Guardas absoluta certeza, quanto aquilo que pretendes comunicar?
- Bem ponderou o interlocutor, - assegurar mesmo, não posso... Mas ouvi dizer e ... então...
- Exato. Decerto peneiraste o assunto pelo segundo crivo, o da bondade. Ainda que não seja real o que julga saber, será pelo menos bom o que queres me contar?
Hesitando, o homem replicou:
- Isso não... Muito pelo contrário...
- Ah! – tornou o sábio – então recorramos ao terceiro crivo, o da utilidade, e notemos o proveito do que tanto te aflige.
- Útil?!... – aduziu o visitante ainda agitado. – Útil não é...
- Bem – rematou o filósofo num sorriso, - se o que tens a confiar não é Verdadeiro, nem Bom e nem Útil, esqueçamos o problema e não te preocupes com ele, já que nada valem casos sem edificação para nós...
Aí está, meu amigo, a lição de Sócrates, em questões de maledicência...

Irmão X & Francisco Cândido Xavier

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Medo

“E, tendo medo, escondi na terra o teu talento.” — (Mateus, Capítulo. 25, Versículo. 25)

Na parábola dos talentos, o servo negligente atribui ao medo a causa do insucesso em que se infelicita.
Recebera mais reduzidas possibilidades de ganho.
Contara apenas com um talento e temera lutar para valorizá-lo.
Quanto aconteceu ao servidor invigilante da narrativa evangélica, há muitas pessoas que se acusam pobres de recursos para transitar no mundo como desejariam.
E recolhem-se à ociosidade, alegando o medo da ação.
Medo de trabalhar.
Medo de servir.
Medo de fazer amigos.
Medo de desapontar.
Medo de sofrer.
Medo da incompreensão.
Medo da alegria.
Medo da dor.
E alcançam o fim do corpo, como sensitivas humanas, sem o mínimo esforço para enriquecer a existência.
Na vida, agarram-se ao medo da morte.
Na morte, confessam o medo da vida.
E, a pretexto de serem menos favorecidos pelo destino, transformam-se, gradativamente, em campeões da inutilidade e da preguiça.
Se recebeste, pois, mais rude tarefa no mundo, não te atemorizes à frente dos outros e faze dela o teu caminho de progresso e renovação. Por mais sombria seja a estrada a que foste conduzido pelas circunstâncias, enriquece-a com a luz do teu esforço no bem, porque o medo não serviu como justificativa aceitável no acerto de contas entre o servo e o Senhor.

Obra: Fonte Viva, 132, Francisco Cândido Xavier, FEB

A Legião dos Servidores de Maria

Maria mantém no plano espiritual inúmeras organizações ; uma delas é Legião dos Servos de Maria.
Nessas instituições podemos reconhecer o amor maternal da Mãe de Jesus que é, a medida que mais se observa, mais abrangente; uma imagem dessa abrangência é a dos braços maternais que abraçam o bebê de encontro ao seio, envolvendo-o por completo.
Na Terra quando o Sol se põe, muitos elevam suas preces à Mãe de Jesus.
No plano espiritual também assim acontece.
A suavidade do crepúsculo, as estrelas que principiam a surgir, a natureza que silencia, tudo convida ao recolhimento...
Acreditamos que isso que acontece na Terra é reflexo de uma atitude muito maior e mais profunda que ocorre no Mundo dos Espíritos.
Eis como a sensibilidade de Camilo registrou a hora da Ave Maria na Cidade Esperança:
As solenidades do Ângelus encontravam-nos, frequentemente, ainda no parque.
Acentuava-se a penumbra em nossa cidade e nostalgia dominante envolvia nossos sentimentos. Do Templo, situado na Mansão da Harmonia, região onde se demoravam com frequência os diretores e educadores da Colônia, partia o convite às homenagens que, naquele momento, seria de bom aviso prestarmos à Protetora da Legião a que pertencíamos todos - Maria de Nazaré.
Pelos recantos mais sombrios da Colônia ressoavam então doces acordes, melodias suavíssimas, entoadas pelos vigilantes. Era o momento que a direção geral rendia graças ao Eterno pelos favores concedidos a quantos viviam sob o abrigo generoso daquele reduto de corrigendas, bendizendo a solicitude incansável do Bom Pastor em torno das ovelhinhas rebeldes, tuteladas da Legião de sua Mãe amorável e piedosa. E era ainda quando ordens desciam de Mais Alto, orientando os intensos serviços que se movimentavam sob a responsabilidade dos dedicados servos da mesma Legião. Todavia, não éramos obrigados a orar. Fá-lo-íamos se o quiséssemos. Em Cidade Esperança, porém, jamais tivéramos conhecimento de que algum aprendiz ou interno recusasse agradecer ao Nazareno Mestre ou à sua Mãe boníssima, por entre lágrimas de sincera gratidão, às mercês recebidas do seu inapreciável amparo!

Obra: Maria Mãe de Jesus - Francisco Cândido Xavier e Yvone A. Pereira

quarta-feira, 16 de julho de 2014

O amigo ingrato

Causa-te surpresa o fato de ser o teu acusador de agora, o amigo aturdido de ontem, que um dia pediu-te abrigo ao coração gentil e ora não te concede ensejo, sequer, para esclarecimentos.
Despertas, espantado, ante a relação de impiedosas queixas que guardava de ti, ele que recebeu, dos teus lábios e da tua paciência, as excelentes lições de bondade e de sabedoria, com as quais cresceu emocional e culturalmente.
Percebes, acabrunhado, que as tuas palavras foram, pelo teu amigo, transformadas em relhos com os quais, neste momento, te rasga as carnes da alma, ele, que sempre se refugiou no teu conforto moral.
Reprocha-te a conduta, o companheiro que recebeste com carinho, sustentando-lhe a fragilidade e contornando as suas reações de temperamento agressivo.
Tornou-se, de um para outro momento, dono da verdade e chama-te mentiroso.
Ofereceste-lhe licor estimulante e recebes vinagre de volta.
Doaste-lhe coragem para a luta, e retribui-te com o desânimo para que fracasses.
Ele pretende as estrelas e empurra-te para o pântano.
Repleta-se de amor e descarrega bílis na tua memória, ameaçando-te sem palavras.
Não te desalentes!
O mundo é impermanente.
O afeto de hoje torna-se o adversário de amanhã.
As mãos que perfumas e beijas, serão, talvez, as que te esbofetearão, carregadas de urze.
Há mais crucificadores do que solidários na via de redenção.
Esquecem-se, os homens, do bem recebido, transformando-se em cobradores cruéis, sem possuírem qualquer crédito.
Talvez o teu amigo te inveje a paz, a irrestrita confiança em Deus, e, por isto, quer perturbar-te.
Persevera, tranqüilo!
Ele e isto, esta provação, passarão logo, menos o que és, o que faças.
Se erraste, e ele te azorraga, alegra-te, e resgata o teu equívoco.
Se estás inocente, credita-lhe as tuas dores atuais, que te aprimoram e te aproximam de Deus.
Não lhe guardes rancor.
Recorda que foi um amigo, quem traiu e acusou Jesus; outro amigo negou-O, três vezes consecutivas, e os demais amigos fugiram dEle.
Quase todos O abandonaram e O censuraram, tributando-Lhe a responsabilidade pelo medo e pelas dores que passaram a experimentar. Todavia, Ele não os censurou, não os abandonou e voltou a buscá-los, inspirá-los e conduzi-los de volta ao reino de Deus, por amá-los em demasia.
Assim, não te permitas afligir, nem perturbar pelas acusações do teu amigo, que está enfermo e não sabe, porque a ingratidão, a impiedade e a indiferença são psicopatologias muito graves no organismo social e humano da Terra dos nossos dias.

Joanna de Ângelis / Divaldo Pereira Franco

Raul Teixeira - Espalhamento Obsessivo

Joanna de Ângelis

Comportamento e Tecnologia

Evita o tumulto extravagante das novidades perturbadoras.
Harmoniza-te de forma que não sejas arrebatado pela ilusão de estar presente em todo lugar ao mesmo tempo, fruindo somente prazeres, possuindo os equipamentos mais recentes, que logo são ultrapassados por outros mais complexos, incapazes, porém, de proporcionar-te a harmonia interior.
Essa correria insensata para a aquisição de instrumentos de utilidade tecnológica e virtual esconde, no seu bojo, a fuga psicológica do indivíduo que não se encoraja a viajar para dentro, procurando descobrir as razões dos conflitos que o aturdem, escondendo-se sob a tirania das máquinas que lhe permitem comunicação com o mundo e todos quantos deseje, sem produzirem a autorrealização no seu possuidor.
Ninguém vive em paz interior sem a consciência do dever retamente cumprido. Após anestesiar-se a consciência por algum tempo, ei-la desperta, gerando culpa e necessidade de corrigenda. Daí o enfermo moral busca novamente a distração nos mecanismos de fuga e transferência.
O ser humano está destinado à glória imortal. A sua é a fatalidade das excelsas bênçãos que o aguardam. Dessa forma, a conquista da dignidade moral é um desafio que deve ser enfrentado e vivenciado desde as experiências mais simples, a fim de ser criado o condicionamento superior para que se transforme em aquisição valiosa. Eis por que o Espiritismo, na sua condição de filosofia exemplar, oferece o concurso da iluminação interior, explicando as razões da existência, sua finalidade, sua origem e sua culminância...

Psicografia de Divaldo Franco. Livro: Ilumina-te.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Pensaste nisso?

“Sabendo que brevemente hei de deixar este meu tabernáculo, segundo o que também nosso Senhor Jesus-Cristo já mo tem revelado.” - (2ª Epístola de Pedro, 1:14.)

Se muitas vezes grandes vozes do Cristianismo se referiram a supostos crimes da carne, é necessário mencionar as fraquezas do “eu”, as inferioridades do próprio espírito, sem concentrar falsas acusações ao corpo, como se este representasse o papel de verdugo implacável, separado da alma, que lhe seria, então, prisioneira e vítima.
Reparamos que Pedro denominava o organismo, como sendo o seu tabernáculo.
O corpo humano é um conjunto de células aglutinadas ou de fluidos terrestres que se reúnem, sob as leis planetárias, oferecendo ao Espírito a santa oportunidade de aprender, valorizar, reformar e engrandecer a vida.
Frequentemente o homem, qual operário ocioso ou perverso, imputa ao instrumento útil as más qualidades de que se acha acometido. O corpo é concessão da Misericórdia Divina para que a alma se prepare ante o glorioso porvir.
Longe da indébita acusação à carne, reflitamos nos milênios despendidos na formação desse tabernáculo sagrado no campo evolutivo.
Já pensaste que és um Espírito imortal, dispondo, na Terra, por algum tempo, de valiosas potências concedidas por Deus às tuas exigências de trabalho?
Tais potências formam-te o corpo.
Que fazes de teus pés, de tuas mãos, de teus olhos, de teu cérebro? sabes que esses poderes te foram confiados para honrar o Senhor iluminando a ti mesmo? Medita nestas interrogações e santifica teu corpo, nele encontrando o templo divino.

Obra: Pão Nosso – Emmanuel / Francisco Cândido Xavier

Perdão - Remédio Santo

“Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem...” – Jesus.(Lucas, 23:34.)

Toda vez que a moléstia te ameaça, recorres necessariamente aos remédios que te
liberem da apreensão.
Agentes calmantes para a dor... Sedativos para a ansiedade...
Em suma, à face de qualquer embaraço físico, procuras reabilitar as funções do órgão
lesado.
Lembra-te de semelhante impositivo e recorda que há pensamentos enfermiços de queixa
e mágoa, de prevenção e antipatia, a te solicitarem adequada medicação para que se te
restaure o equilíbrio.
E se nas doenças vulgares reclamas despreocupação, em favor da cura, é natural que
nos achaques do espírito necessites de esquecimento para que se te refaçam as forças.
O perdão é, pois, remédio santo para a euforia da mente na luta cotidiana.
Tanto quanto não deves conservar detritos e infecções no vaso orgânico, não mantenhas
aversão e rancor na própria alma.
Perdoa a quantos te aborreçam, perdoa a quantos te firam.
Perdoa agora, hoje e amanhã, incondicionalmente.
Recorda que todas as criaturas trazem consigo as imperfeições e fraquezas que lhes são
peculiares, tanto quanto, ainda desajustados, trazeis nos também as nossas.
E por isso que Jesus, o Emissário Divino, crucificado pela perseguição gratuita, rogou a
Deus, ante os próprios algozes :
– “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem...”
E, deixando os ofensores nas inibições próprias a cada um, sustentou em si a luz do amor
que dissolve toda sombra, induzindo-nos à conquista da luz eterna.


Palavras da Vida Eterna – Emmanuel / Francisco Cândido Xavier

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Equilibre a sua mente


Raiva, irreflexão, inveja, ciúme, cobiça, falsidade, desejo
de vingança desequilibram a mente e produzem
maléficas irradiações pela alma e pelo corpo.
Geram a doença, a velhice, a morte.
Levante o seu pensamento.
Fuja destes inimigos da paz e da saúde.
Se aparecerem, reflita:
Resolvem o seu problema ou agravam-no?
Confie nas forças que você tem.
Pense na bondade divina.
Alivie a mente.
Agradeça a Vida o momento que passa.
Entregar o tesouro da mente ao egoísmo é
enveredar pelo caminho que leva à dor.

Lourival Lopes

O Poder do amor

Acredita no amor e vive-o plenamente.
Qualquer expressão de afetividade propicia renovação de entusiasmo, de qualidade de vida, de metas felizes em relação ao futuro.
O amor não é somente um meio, porém o fim essencial da vida.
Emanado pelo sentimento que se aprimora, o amor expressa-se, a princípio, asselvajado, instintivo, na área da sensação, e depura-se lentamente, agigantando-se no campo da emoção.
Quando fruído, estimula o organismo e oferece-lhe reações imunológicas, que proporcionam resistência às células para enfrentar os invasores perniciosos, que são com batidos pelos glóbulos brancos vigilantes.
A força do amor levanta as energias alquebradas, e torna-se essencial para a preservação da vida.
Quando diminui, cedendo lugar aos mecanismos de reação pelo ciúme, pelo ressentimento, pelo ódio, favorece a degeneração da energia vital, preservadora do equilíbrio fisiopsíquico, ensejando a instalação de enfermidades variadas, que trabalham pela consumpção dos equipamentos orgânicos...
Situação alguma, por mais constrangedora, ou desafio, por maior que se apresente, nas suas expressões agressivas, merecem que te niveles à violência, abandonando o recurso valioso do amor.
Competir com os não-amáveis é tornar-se pior do que eles, que lamentavelmente ainda não despertaram para a realidade superior da vida.
Amá-los é a alternativa única à tua disposição, que deves utilizar, de forma a não te impregnares das energias deletérias que eles exalam.
Envolvê-los em ondas de afetividade é ato de sabedoria e recurso terapêutico valioso, que lhes modificará a conduta, senão de imediato, com certeza oportunamente.
O amor solucionará todos os teus problemas. Não impedirá, porém, que os tenhas, que sejas agredido, que experimentes incompreensão, mas te facultará permanecer em paz contigo mesmo.
É possível que não lhe vejas a florescência, naquele a quem o ofertas, no entanto, a sociedade do amanhã vê-lo-á enfrutecer e beneficiar as criaturas que virão depois de ti. E isto, sim, é o que importa.
Quando tudo pareça conspirar contra os teus sentimentos de amor, e a desordem aumentar, o crime triunfar, a loucura aturdir as pessoas em volta, ainda aí não duvides do seu poder. Ama com mais vigor e tranqüilidade, porque esta é a tua missão na Terra - mar sempre.
Crucificado, sob superlativa humilhação, Jesus prosseguiu amando e em paz, iniciando uma Era Nova para a Humanidade, que agora lhe tributa razão e amor.
Acredita no amor e vive-o plenamente.
Qualquer expressão de afetividade propicia renovação de entusiasmo, de qualidade de vida, de metas felizes em relação ao futuro.
O amor não é somente um meio, porém o fim essencial da vida.
Emanado pelo sentimento que se aprimora, o amor expressa-se, a princípio, asselvajado, instintivo, na área da sensação, e depura-se lentamente, agigantando-se no campo da emoção.
Quando fruído, estimula o organismo e oferece-lhe reações imunológicas, que proporcionam resistência às células para enfrentar os invasores perniciosos, que são com batidos pelos glóbulos brancos vigilantes.
A força do amor levanta as energias alquebradas, e torna-se essencial para a preservação da vida.
Quando diminui, cedendo lugar aos mecanismos de reação pelo ciúme, pelo ressentimento, pelo ódio, favorece a degeneração da energia vital, preservadora do equilíbrio fisiopsíquico, ensejando a instalação de enfermidades variadas, que trabalham pela consumpção dos equipamentos orgânicos...
Situação alguma, por mais constrangedora, ou desafio, por maior que se apresente, nas suas expressões agressivas, merecem que te niveles à violência, abandonando o recurso valioso do amor.
Competir com os não-amáveis é tornar-se pior do que eles, que lamentavelmente ainda não despertaram para a realidade superior da vida.
Amá-los é a alternativa única à tua disposição, que deves utilizar, de forma a não te impregnares das energias deletérias que eles exalam.
Envolvê-los em ondas de afetividade é ato de sabedoria e recurso terapêutico valioso, que lhes modificará a conduta, senão de imediato, com certeza oportunamente.
O amor solucionará todos os teus problemas. Não impedirá, porém, que os tenhas, que sejas agredido, que experimentes incompreensão, mas te facultará permanecer em paz contigo mesmo.
É possível que não lhe vejas a florescência, naquele a quem o ofertas, no entanto, a sociedade do amanhã vê-lo-á enfrutecer e beneficiar as criaturas que virão depois de ti. E isto, sim, é o que importa.
Quando tudo pareça conspirar contra os teus sentimentos de amor, e a desordem aumentar, o crime triunfar, a loucura aturdir as pessoas em volta, ainda aí não duvides do seu poder. Ama com mais vigor e tranqüilidade, porque esta é a tua missão na Terra - amar sempre.
Crucificado, sob superlativa humilhação, Jesus prosseguiu amando e em paz, iniciando uma Era Nova para a Humanidade, que agora lhe tributa razão e amor.

Joanna de Ângelis / Divaldo Pereira Franco

Medo

“E, tendo medo, escondi na terra o teu talento.” — (Mateus, Capítulo. 25, Versículo. 25)

Na parábola dos talentos, o servo negligente atribui ao medo a causa do insucesso em que se infelicita.
Recebera mais reduzidas possibilidades de ganho.
Contara apenas com um talento e temera lutar para valorizá-lo.
Quanto aconteceu ao servidor invigilante da narrativa evangélica, há muitas pessoas que se acusam pobres de recursos para transitar no mundo como desejariam.
E recolhem-se à ociosidade, alegando o medo da ação.
Medo de trabalhar.
Medo de servir.
Medo de fazer amigos.
Medo de desapontar.
Medo de sofrer.
Medo da incompreensão.
Medo da alegria.
Medo da dor.
E alcançam o fim do corpo, como sensitivas humanas, sem o mínimo esforço para enriquecer a existência.
Na vida, agarram-se ao medo da morte.
Na morte, confessam o medo da vida.
E, a pretexto de serem menos favorecidos pelo destino, transformam-se, gradativamente, em campeões da inutilidade e da preguiça.
Se recebeste, pois, mais rude tarefa no mundo, não te atemorizes à frente dos outros e faze dela o teu caminho de progresso e renovação. Por mais sombria seja a estrada a que foste conduzido pelas circunstâncias, enriquece-a com a luz do teu esforço no bem, porque o medo não serviu como justificativa aceitável no acerto de contas entre o servo e o Senhor.

Emmanuel / Francisco Cândido Xavier
Obra: Fonte Viva

Liberte-se

Não se prenda à beleza das formas efêmeras. A flor passa breve.
Não amontoe preciosidades que pesem na balança do mundo. As correntes de ouro prendem tanto quanto as algemas de bronze.
Não se escravize às opiniões da leviandade ou da ignorância. Incitatus, o cavalo de Calígula, podia comer num balde enfeitado de pérolas, mas não deixava, por isso, de ser um cavalo.
Não alimente a avidez da posse. A casa dos numismatas vive repleta de moedas que serviram a milhões e cujos donos desapareceram.
Não perca sua independência construtiva a troco de considerações humanas. A armadilha que pune o animal criminoso é igual à que surpreende o canário negligente.
Não acredite no elogio que empresta a você qualidades imaginárias. Vespas cruéis por vezes se escondem no cálice do lírio.
Não se aflija pela aquisição de vantagens imediatas na experiência terrestre. Os museus permanecem abarrotados de mantos de reis e de outros "cadáveres de vantagens mortas"

André Luiz / Francisco Cândido Xavier
Do livro: Agenda Cristã

domingo, 13 de julho de 2014

Exaltação do Reino Divino

“Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto e
assim tornar-vos-eis meus discípulos.”– Jesus. (João, 15:8.)


Glorificarás o Senhor Supremo e serás discípulo do Grande Mestre...
Contudo, não apenas porque te mostres entendido nas Divinas Escrituras...
Não somente porque saibas apregoar os méritos da Sublime Revelação, comovendo a
quem te ouve...
Não apenas por guardares de cor as tradições dos antepassados...
Não somente por te sustentares no culto externo...
Não apenas pelo reconforto recebido de mensageiros da Vida Superior...
Não somente por escreveres páginas brilhantes...
Não apenas porque possuas dons espirituais...
Não somente porque demonstres alevantadas aspirações...
A palavra do Evangelho é insofismável.
Glorifiquemos a Deus e converter-nos-emos em discípulos do Cristo, produzindo frutos da
paz e aperfeiçoamento. Regeneração e progresso, luz e misericórdia.
A semente infecunda, por mais nobre, é esperança cadaverizada no seio da terra.
Assim também, por mais ardente, a fé que não se exprime em obras de educação e de
amor, redenção e bondade, é talento morto.
Se te dizes seguidor de Jesus, segue -lhe os passos.
Ajuda, ampara, consola, instrui, edifica e serve sempre.
Façamos algo na extensão do bem de todos.
Somente assim, cresceremos para o Céu, na construção do Reino de Deus.

Livro: Palavras da Vida Eterna
Emmanuel – Psicografia de Francisco Cândido Xavier

sábado, 12 de julho de 2014

Velhos e Moços

Não era raro observar-se, na, pequena comunidade dos discípulos, o entrechoque das opiniões, dentro do idealismo quente dos mais jovens. Muita vez, o séquito humilde dividia-se em discussões, relativamente aos projetos do futuro.
Enquanto Pedro e André se punham a ouvir os companheiros, com a ingenuidade de seus corações simples e sinceros, João comentava os planos de luta no porvir; Tiago, seu irmão, falava do bom aproveitamento de sua juventude, ao passo que o jovem Tadeu fazia promessas maravilhosas.
– Somos jovens! – diziam – Iremos à Terra inteira, pregaremos o Evangelho às nações, renovaremos o mundo!...
Tão logo o Mestre permitisse, sairiam da Galiléia, pregariam as verdades do reino de Deus naquela Jerusalém atulhada de preconceitos e de falsos intérpretes do pensamento divino. Sentiam-se fortes e bem dispostos. Respiravam a longos haustos e supunham-se os únicos discípulos habilitados traduzir com fidelidade os novos ensinamentos. Por longas horas, questionavam acerca de possibilidades, apresentavam as suas vantagens, debatiam seus projetos imensos. E pensavam consigo: que poderia realizar Simão Pedro, chefe de família e encarcerado nos seus pequeninos, deveres? Mateus não estava igualmente enlaçado por inadiáveis obrigações de cada dia? André e o irmão os escutavam despreocupados, para meditarem apenas quanto às lições do Messias.
Entretanto, Simão, mais tarde chamado o “Zelota”, antigo pescador do lago, acompanhava semelhantes conversações sentindo-se humilhado. Algo mais velho que os companheiros, suas energias, a seu ver, já não se coadunavam com os serviços do Evangelho do Reino. Ouvindo as palavras fortes da juventude dos filhos de Zebedeu, perguntava a si mesmo o que seria de seu esforço singelo, junto de Jesus. Começava a sentir mais fortemente o declínio das forças da vida. Suas energias pareciam descer de uma grande montanha, embora o espírito se lhe conservasse firme e vigilante, no ritmo da vida.
Deixando-se, porém, impressionar vivamente, procurou entender-se com o Mestre, buscando eximir-se das dúvidas que lhe roíam o coração.
***
Depois de expor os seus receios e vacilações, observou que Jesus o fitava, sem surpresa, como se tivesse pleno conhecimento de suas emoções.
- Simão – disse o Mestre com desvelado carinho – poderíamos acaso perguntar a idade de Nosso Pai? E, se fôssemos contar o tempo, na ampulheta das inquietações humanas, quem seria o mais velho de todos nós? A vida, na sua, expressão terrestre, é como uma árvore grandiosa. A infância é a sua ramagem verdejante. A mocidade se constituí de suas flores perfumadas e formosas. A velhice é o fruto da experiência e da sabedoria. Há ramagens que morrem depois do primeiro beijo do Sol, e flores que caem ao primeiro sopro da Primavera. Ofruto, porém, é sempre uma bênção do Todo-Poderoso. A ramagem é a esperança, a flor uma promessa, o fruto é realização; só ele contém o doce mistério da vida, cuja fonte se perde no infinito da divindade!...
Ao passo que o discípulo lhe meditava os conceitos, com sincera admiração, Jesus prosseguia, esclarecendo:
– Esta imagem pode ser também a da vida do espírito, na sua radiosa eternidade, apenas com a diferença de que aí as ramagens e as flores não morrem nunca, marchando sempre para o fruto da edificação. Em face da grandeza espiritual da vida, a, existência humana é uma hora de aprendizado, no caminho infinito do Tempo; essa hora minúscula encerra, o que existe no todo. É por isso que ai vemos, por vezes, jovens que falam com uma experiência milenária e velhos sem reflexão e sem e sem esperança.
– Então, Senhor, de qualquer modo, a velhice é a meta do espírito? – Perguntou o discípulo, emocionado.
- Não a velhice enferma e amargurada, que se conhece na Terra, mas a da experiência que edifica o amor e a sabedoria. Ainda aqui, devemos recordar o símbolo da arvore, para reconhecer que o fruto perfeito é a frescura da ramagem e a beleza da flor, encerrando o conteúdo divino do mel e da semente.
Percebendo que o Mestre estendera seus conceitos em amplas imagens simbológicas, o apóstolo voltou a retrair-se em seu caso particular e obtemperou:
– A verdade, Senhor, é que me sinto depauperado e envelhecido, temendo não resistir aos esforços a que se abriga a minh’alma, na semeadura da vossa, doutrina santa.
Mas, escuta, Simão – redarguiu-lhe Jesus, com serenidade enérgica – achas que os moços de amanhã poderão fazer alguma coisa sem os trabalhos dos que agora, estão envelhecendo?!... Poderia a árvore viver sem a raiz, a alma sem Deus ?! Lembra-te da tua parte de esforço e não te preocupeis com a obra que pertence ao Todo-Poderoso. Sobretudo, não olvides que a nossa tarefa, para dignidade perfeita de nossas almas, deve ser intransponível.
João também será velho e os cabelos brancos de sua fronte contarão profundas experiências. Não te magoe a palestra dos jovens da Terra A flor, no mundo, pode ser o princípio do fruto, mas pode também enfeitar o cortejo das ilusões. Quando te cerque o burburinho da mocidade, ama os jovens que revelem trabalho e reflexão; entretanto, não deixes de sorrir, igualmente, para os levianos e inconstantes; são crianças que pedem cuidado, abelhas que ainda não sabem fazer o mel. Perdoa-lhes os entusiasmos sem rumo, como se devem esquecer os impulsos de um menino na inconsciência dos seus primeiros dias de vida.
Esclarece-os, Simão, e não penses que outro homem pudesse efetuar, no conjunto da obra divina, o esforço que te compete. Vai e tem bom ânimo!... Um velho sem esperança em Deus é um irmão triste da noite ; mas eu venho trazer ao imundo as claridades de um dia perene.
Dando Jesus por terminado o seu esclarecimento, Simão, o Zelota, se retirou satisfeito, como se houvesse recebido no coração uma energia nova.
***
Voltando à casa pobre, encontrou Tiago, filho de Cléofas, falando à margem do Lago com alguns jovens, apelando ardentemente para as suas forças realizadoras. Avistando o velho companheiro, o apóstolo mais moço não o ofendeu, porém fez uma pequena alusão à sua idade, para destacar as palavras de sua exortação aos companheiros pescadores. Simão, no entanto, sem experimentar qualquer laivo de ciúme, recordou as elucidações do Mestre e logo que se fez silêncio, ao reconhecer que Tiago estava só, falou-lhe com brandura:
– Tiago, meu irmão, será que o espírito tem idade? Se Deus contasse o tempo como nós, não seria ele o mais velho de toda a criação? E que homem do mundo guardará a presunção de se igualar ao Todo-Poderoso? Um rapaz não conseguiria realizar a sua tarefa na Terra, se não tivesse a precedê-lo as experiências de seus pais. Não nos detenhamos na idade, esqueçamos as circunstâncias, para lembrar somente os fins sagrados de nossa vida, que deve ser a edificação do Reino no íntimo das almas.
O filho de Alfeu escutou-lhe as observações singelas e reconheceu que eram ditas com uma fraternidade tão pura, que não lhe chegavam a ferir nem e leve, o coração.
Admirando a ternura serena do companheiro e sem esquecer o padrão de humildade que o Mestre cultivava, refletiu um momento e exclamou comovido:
– Tens razão. O velho apóstolo não esperou qualquer justificativa de sua parte e, dando-lhe um abraço, mostrou-lhe um sorriso bom, deixando percebe que ambos deviam esquecer, para sempre, alquile minuto de divergência, afim de se unirem cada vez mais em Jesus - Cristo. Naquela mesma tarde, quando o Messias começou a ensinar a sabedoria do Reino de Deus, Simão, o Zelota, notou que havia na praia duas criancinhas inconscientes. Dominada pela nova luz que fluía dos ensinamentos do Mestre, a mãe delas não vira que se distanciavam, ao longo do primeiro lençol raso das águas; o velho pescador, atento à pregação e às demais necessidades da hora em curso, observou os dois pequeninos e acompanhou-os. Com uma boa palavra, tomou-os nos braços, sentando-se numa pedra e, terminada que foi a reunião, os restituiu ao colo maternal, em meio de suave alegria e sincero reconhecimento. Inspirado por uma força estranha à sua alma, o discípulo compreendeu que o júbilo daquela tarde não teria sido completo se duas crianças houvessem desaparecido no seio imenso das águas, separando-se para sempre dos braços amoráveis de sua mãe. No âmago do seu espírito, havia um júbilo sincero. Compreendera com o Cristo o prazer de servir, a alegria de ser útil.
Nessa noite, Simão, o Zelota, teve um sonho glorioso para a sua alma simples.
Adormecendo, de consciência feliz, sonhou que se encontrava com o Messias, no cume de um monte que se elevava em estranhas fulgurações. Jesus o abraçou com carinho e lhe agradeceu
o fraterno esclarecimento fornecido a Tiago, em sua lembrança, manifestando-lhe reconhecimento pelo seu cuidado terno com duas crianças desconhecidas por amor de seu nome.
O discípulo sentia-se venturoso naquele momento sublime. Jesus, do alto da colina prodigiosa, mostrava-lhe o mundo inteiro. Eram cidades e campos, mares e montanhas... Em seguida, o antigo pescador compreendeu que seus olhos assombrados divisavam as paisagens do futuro. Ao lado de seu deslumbramento, passava a imensa família humana. Todas as criaturas fitavam o Mestre, com os olhos agradecidos e refulgentes de amor. As crianças lhe
chamavam “amigo fiel”, os jovens “verdade do céu”, os velhos “sagrada esperança”.
Simão acordou, experimentando indefinível alegria. Na manhã imediata, antes do trabalho, procurou o Senhor e beijou-lhe a fímbria humilde da túnica, exclamando jubilosamente:
– Mestre, agora vos compreendo!...
Jesus contemplou-o com amor e respondeu:
– Em verdade, Simão, ser moço ou velho, no mundo, não interessa!... Antes de tudo, é preciso ser de Deus!...

Do livro “Boa Nova”. Irmão X / Psicografia de Francisco Cândido Xavier

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Roteiro

É de se notar o grande ensejo que a vida nos oferece. No processo das vidas sucessivas, a reencarnação é uma bênção, uma escola, onde a alma encontra as lições valiosas, no tentame do aprendizado maior. Cumpre, por isso, a todos nós, quando vestidos da carne, aproveitarmos as oportunidades de luz, para a luz da libertação.
Meus irmãos, o campo da Terra é, desta forma, uma lavoura imensa, que aprimora o Espírito, testando-o em todos os valores capazes de aprimorá-lo, em todas as atividades que o amor se nos apresenta:
Amor – alegria
Amor – perdão
Amor – cordialidade
Amor – trabalho
Amor – paciência
Amor – gratidão
Amor – caridade
E é por esses roteiros do amor que o ser espiritual pode encontrar outros caminhos que o leva à tranqüilidade de consciência.
A Doutrina dos Espíritos aparece no mundo rasgando muitos véus para nos mostrar a realidade, no sentido de que a verdade se apresente de pé, para nos libertar. Irmãos: avante nos conceitos traçados pelas luzes do céu em que Jesus é o Guia, porque com o Cristo no coração, onde quer que estejamos, nos encontramos dentro do próprio paraíso, pois Deus mora no centro dos corações.

Lancellin & João Nunes Maia

Codificação

Recordemos constantemente os ensinos insubstituíveis e sempre momentosos que iluminam as páginas da Codificação Kardequiana, de onde extraiamos alguns breves tópicos:

"Assim como o Cristo disse: "Não vim destruir a lei, porém, cumpri-la", também o Espiritismo diz: "Não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução." Nada ensina em contrário ao que ensinou o Cristo; mas desenvolve, completa e explica, em termos claros e para toda a gente, o que foi dito apenas sob forma alegórica."
(O Evangelho segundo o Espiritismo)

"Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. No Cristianismo se encontram todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram."
(O Evangelho Segundo o Espiritismo)

"Os espíritos superiores usam constantemente de linguagem digna, nobre, repassada da mais alta moralidade, escoimada de qualquer paixão inferior; a mais pura sabedoria lhes transparece dos conselhos, que objetivam sempre o nosso melhoramento e o bem da Humanidade."
(O Livro dos Espíritos)

"O homem não conhece os atos que praticou em suas existências pretéritas, mas pode sempre saber qual gênero das faltas de que se tornou culpado e qual o cunho predominante do seu caráter. Bastará então julgar do que se foi, não pelo que é, sim pelas suas tendências."
(O Livro dos Espíritos)

" A lei de Deus é a mesma para todos; porém, o mal depende principalmente da vontade que se venha praticar. O bem é sempre bem e o mal sempre mal, qualquer que seja a posição do homem. Diferença só há quanto ao grau de responsabilidade."
(O Livro dos Espíritos)

"Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações infelizes."
(O Evangelho Segundo o Espiritismo)

"Não podemos amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: Fora da Caridade não há Salvação."
(O Evangelho Segundo o Espiritismo

Benfeitores e Bençãos

Confiemos nos benfeitores e nas bênçãos que nos enriquecem os dias, sem no
entanto, esquecer as próprias obrigações, no aproveitamento do amparo que nos
ofertam.
Pais abnegados da Terra, que nos propiciam o ensejo da reencarnação, por muito se
façam servidores de nossa felicidade, não nos retiram da experiência de que somos
carecedores.
Mestres que nos arrancam às sombras da ignorância, por muito carinho nos
dediquem, não nos isentam do aprendizado.
Amigos que nos reconfortam na travessia dos momentos amargos, por mais nos
estimem, não nos carregam a luta íntima.
Cientistas que nos refazem as forças, nos dias de enfermidade, por mais que nos
amem, não usam por nós a medicação que as circunstâncias nos aconselham.
Instrutores da alma que nos orientam a viagem de elevação, por muito nos protejam,
não nos suprimem o suor da subida moral.
Ninguém vive sem a cooperação dos outros.
Encontramo-nos, porém, à frente do amor de que todos somos necessitados, assim
como o vegetal, diante do apoio da Natureza. A planta não se cria sem ar, não medra sem
sol, não dispensa o auxílio da terra e não prospera sem água, mas deve produzir por si
mesma.
Assim também, no reino do espírito.
Todos temos problemas reclamando o concurso alheio, mas ninguém pode forjar a
solução do esforço para o bem que depende exclusivamente de nós.

Obra: Estude e Viva – Emmanuel / Francisco Cândido Xavier
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