segunda-feira, 30 de junho de 2014

O Homem Inteligente

Reunião pública de 22-5-59 – Questão 592 de “O Livro dos Espíritos”.
Em verdade, o homem inteligente não é aquele que apenas calcula, mas sim o que transfunde o próprio raciocínio em emoção para compreender a vida e sublimá-la. Podendo senhorear as riquezas do mundo, abstém-se do excesso para viver com simplicidade, sem desrespeitar as necessidades alheias. Guardando o conhecimento superior, não se encastela no orgulho, mas aproxima-se do ignorante para auxiliá-lo a instruir-se. Dispondo de meios para fazer com que o próximo se lhe escravize ao interesse, trabalha espontaneamente pelo prazer de servir. E, entesourando virtudes inatacáveis, não se furta à convivência com as vítimas do mal, agindo, sem escárnio ou condenação, para libertá-las do vício. O homem inteligente, segundo o padrão de Jesus, é aquele que, sendo grande, sabe apequenar-se para ajudar aos que caminham em subnível, consagrando-se ao bem dos outros, para que os outros lhe partilhem a ascensão para Deus.

De “Religião dos Espíritos”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel

Vaso de Barro

"Temos, porém, este tesouro em vasos de barros, para que a sublimidade seja da virtude de Deus e não de nós." - Paulo. ( II Coríntios, 4:7.)
Não te furtes a transmitir os dons do Evangelho.
Se caíste, levanta-te e estende as mãos, construindo o melhor.
Se estiveste em erro até ontem, reconsidera o gesto e esclarecendo a quem te ouve a palavra.
Se cansado, recompõe as próprias forças na fé, e prossegue amparando sempre.
Caluniado, perdoa e esquece o golpe, procurando servir.
Menosprezado, não firas ninguém e esforça-te por ser útil.
Perseguido, esquece o mal e faze o bem que possas.
Insultado, olvida toda ofensa e auxilia sem mágoa.
Em meio de todas as fraquezas e vicissitudes que nos rodeiam a alma, estejamos convictos com o apóstolo Paulo de que possuímos o conhecimento da verdade e a flama do amor, como quem transporta um tesouro em vasos de barro, para que a excelência da virtude resplandeça por luz de Deus e não nossa.

Francisco Cândido Xavier & Emmanuel

Mais "Não" do que "Sim"

O "Não" que escutas repetidas vezes ensina-te a discernir.
Antes de algo negares ao próximo, pensarás no que te foi negado
em idênticas circunstâncias.
Sem sofrer o que outros sofrem, ninguém saberá o que se lhe passa
no intimo.
Quem não sabe viver com o "Não" não saberá o que fazer com o "Sim".
Liberdade excessiva é sonônimo de vida fora da realidade.
Quem não aprende a obedecer, quando contrariado terá reação imprevisível.
Irritação sistemática é doença na alma.
Habitui-se a prevar-te do que não seja necessário à tua paz.
Cede nas questões que não te forem essenciais.
Em favor de si mesmos, todos necessitam de mais
"Não" do que "Sim".

Livro: Vigiai e Orai
Carlos A. Baccelli & Irmão José

domingo, 29 de junho de 2014

Bons e maus pensamentos

Estudando o assunto relacionado com a influência oculta dos Espíritos em nossos pensamentos e atos, na questão 467 de O Livro dos Espíritos (Ed.FEB), Allan Kardec pergunta:
Pode o homem eximir-se da influência dos Espíritos que procuram arrastá-lo ao mal?
E os Espíritos superiores respondem:
“Pode, visto que tais Espíritos só se apegam aos que, pelos seus desejos, os chamam, ou aos que, pelos seus pensamentos, os atraem”.
Em seguida, na questão 469, indaga:
Por que meio podemos neutralizar a influência dos maus Espíritos?, recebendo a seguinte resposta:
“Praticando o bem e pondo em Deus toda a vossa confiança, repelireis a influência dos Espíritos inferiores e aniquilareis o império que desejem ter sobre vós. Guardai-vos de atender às sugestões dos Espíritos que vos suscitam maus pensamentos, que sopram a discórdia entre vós outros e que vos insuflam as paixões más. [...]”.
Observa-se, com base neste diálogo de Allan Kardec com os Espíritos superiores, que a causa dos problemas decorrentes da influência dos Espíritos em nossas vidas está em nós mesmos. E a solução desses problemas, também. Depende, apenas, do pensamento correto e da atitude adequada que nos cabe adotar.
Quando soubermos direcionar o nosso pensamento sempre no sentido da prática do bem, cultivando permanentemente a fraternidade, o amor ao próximo, o respeito ao nosso semelhante e o propósito sincero de nos aprimorar cada vez mais, intelectual e moralmente, estaremos – pela lei de afinidade que rege o relacionamento entre Espíritos encarnados e desencarnados –, atraindo a presença dos Espíritos superiores e bons e afastando os Espíritos inferiores e maus.
É exatamente em razão desta realidade que Jesus asseverou em seu Evangelho:
“Vigiai e orai, para não cairdes em tentação”. (Marcos, 14:38.)

Reformador, FEB

Compreendei e perdoai

Filhos, a compreensão é a virtude que vos predispõe naturalmente ao perdão.
Compreendei para perdoar.
Não conserveis ressentimentos no coração, sabendo que aquele que vos decepciona é um companheiro vencido pelos seus próprios conflitos.
Não exijais dos outros infalibilidade.
Os amigos que seguem ao vosso lado, qual vos acontece, são espíritos assinalados por muitas limitações, aparentando exteriormente o que ainda não são.
Compadecei-vos das mazelas alheias, não sobrecarregando os ombros daqueles que avançam, mal se agüentando ao peso da cruz.
Não condicioneis a vossa conduta no bem à conduta de quem quer que seja; que a vossa fé não dependa da demonstração de fé dos que vos inspiram na jornada...
Somente em Jesus Cristo devereis vos encorajar na luta.
Os irmãos de crença espírita, principalmente os que se encontram servindo na mediunidade e os que ocupam posições de liderança, são, afinal, espíritos comprometidos com o passado: nenhum deles se encontra imune ao assédio das trevas.
Não raro, o personalismo e a vaidade apenas ocultam nas almas uma estamenha de chagas...
Os que intentam brilhar para o mundo estão longe de possuir luz própria.
A rigor, muitos de nós outros não estamos ainda sequer preparados para uma maior proximidade com o Cristo - a possibilidade de semelhante convivência mais estreita nos levaria ao delírio.
Quem, há séculos, se habituou nas sombras, só gradativamente se acostuma à claridade.
O homem sem maior entendimento do Evangelho transfere a sua ambição concernente às coisas materiais para as coisas divinas.
Os apóstolos não chegaram a disputar entre si a primazia de estarem, no Reino Celeste, ao lado do Senhor?
Assim, tomai vós mesmos a iniciativa da exemplificação e da coragem de vivenciar, de forma irrepreensível, a crença que abraçastes.

Bezerra de Menezes
A Coragem da Fé - B. de Menezes & Carlos A. Baccelli

sábado, 28 de junho de 2014

Hoje ou mais além

No ciclo das existências terrenas, muitas vezes teremos o coração ferido pelas provas do caminho, à maneira de espinhos ferindo a alma.
Para alguns, são os conflitos familiares;
Outros carregam enfermidades difíceis;
Não faltam, ainda, aqueles que padecem perturbações espirituais, escravos de obsessões pertinazes.
Seja qual for a prova que te assinala a existência, não te afastes de Jesus.
O Evangelho é fonte de água viva, para quem tem sede de consolação, e luz, para quem busca vencer a sombras das estrada.
Apoia-te na fé e segue adiante, fazendo o melhor ao teu alcance.
Não desanimes, não reclames e não prejudiques ninguém.
Se permaneceres com Jesus, nada poderá te impedir de alcançar a paz, hoje ou mais além, coroando-te os esforços e a perseverança cristã.

De “Novas mensagens de Scheilla para você”, de Clayton B. Levy

As forças do amanhã

"Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?"
- Paulo (I Coríntios, 5:6)


Ninguém vive só.
Nossa alma é sempre núcleo de influência para os demais.
Nossos atos possuem linguagem positiva.
Nossas palavras atuam à distância.
Achamo-nos magneticamente associados uns aos outros.
Ações e reações caracterizam-nos a marcha.
É preciso saber, portanto, que espécie de forças projetamos naqueles que nos cercam.
Nossa conduta é um livro aberto. Quantos de nossos gestos insignificantes alcançam o próximo, gerando inesperadas resoluções.
Quantas frases, aparentemente inexpressivas, arrojadas de nossa boca estabelecem grandes acontecimentos.
Cada dia emitimos sugestões para o bem ou para o mal.
Dirigentes arrastam dirigidos.
Servos inspiram administradores.
Qual é o caminho que a nossa atitude está indicando?
Um pouco de fermento leveda a massa toda. Não dispomos de recursos para analisar a extensão de nossa influência, mas podemos examinar-lhe a qualidade essencial.
Acautele-te, pois, com o alimento invisível que forneces às vidas que te rodeiam.
Desdobra-se o destino em correntes de fluxo e refluxo. As forças que hoje se exteriorizam de nossa atividade voltarão ao centro de nossa atividade, amanhã.

Emmanuel, do livro Segue-me!... , Francisco Cândido Xavier

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Pegadas na areia

Uma noite eu tive um sonho:
Sonhei que estava andando na praia com o Senhor, e através do céu, passavam cenas da minha vida. Para cada cena que se passava, percebi que eram deixados dois pares de pegadas na areia; Um era meu e o outro era do Senhor. Quando a última cena da minha vida passou diante de nós, olhei para trás, para as pegadas na areia, e notei que muitas vezes, no caminho da vida, havia apenas um par de pegadas na areia.
Notei também que isto aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiosos do meu viver. Isso aborreceu-me.
Então perguntei ao Senhor:
- Senhor, Tu me disseste que, uma vez que resolvesse Te seguir, Tu andarias sempre comigo, em todo o meu caminho, mas notei que durante as maiores tribulações do meu viver, havia apenas um par de pegadas na areia. Não compreendo porque nas horas em que mais necessitava de Ti, Tu me deixastes...
O Senhor respondeu:
- Meu precioso filho, eu te amo, e jamais te deixaria nas horas de tua prova e de teu sofrimento. Quando vistes na areia apenas um par de pegadas, foi exatamente aí, que eu te carreguei nos Braços.

Não basta compreender a doutrina; é preciso sobretudo assimilá-la


Não basta aceitar os princípios renovadores da Doutrina dos Espíritos. É preciso vivê-los. Todas as doutrinas são sistemas lógicos, acessíveis à compreensão intelectual. Desse ponto de vista, o Espiritismo pode ser compreendido por qualquer pessoa curiosa e de capacidade mental comum. Trata-se de uma doutrina clara, baseada em princípios de fácil assimilação, embora por baixo dessa simplicidade existam problemas complexos, de ordem científica e filosófica. É tão fácil compreendê-lo, desde que se estude criteriosamente as suas obras básicas.
A simples compreensão de uma doutrina, porém, não implica a sua vivência. Além de compreendê-la, temos de senti-la. Somente quando compreendemos e sentimos o Espiritismo, quando o incorporamos à nossa personalidade, quando o assimilamos profundamente em nosso ser, é que podemos vivê-lo. Daí a razão de Allan Kardec ter afirmado a existência de vários tipos de espíritas, concluindo que “o verdadeiro espírita se conhece pela sua transformação moral”. Espiritismo compreendido e vivido transforma moralmente o homem.
Viver o Espiritismo, entretanto, não é viver no meio espírita, fazendo ou freqüentando sessões, lendo obras doutrinárias ou ouvindo conferências. Pode fazer-se tudo isso, e ainda mais, - pode-se até mesmo gastar muito dinheiro e tempo em obras de assistência social, - atendendo apenas à compreensão intelectual da doutrina, sem vivê-la. Porque viver o Espiritismo é pautar todas as ações pelos princípios doutrinários. É moldar a conduta pela doutrina. É agir, em todas as ocasiões, como o verdadeiro espírita de que fala Allan Kardec.
Ainda neste ponto, porém, é necessário lembrar que não basta a conduta externa. Não basta a aparência. Nada mais avesso, aliás, às aparências, do que o Espiritismo. Anti-formal por excelência, contrário aos convencionalismos sociais e religiosos, o Espiritismo, como dizia Kardec: “é uma questão de fundo e não de forma”. Por isso mesmo, não podemos vivê-lo de maneira externa. Antes da conduta exterior, temos de reformar a nossa conduta interna, modificar nossos hábitos mentais e verbais. Pensar, falar e agir de acordo com os princípios renovadores da moral espírita, que é a própria moral evangélica, racionalmente esclarecida pela Doutrina do Consolador.
Surge ainda uma dificuldade, que devemos tentar esclarecer. Chegados a este ponto, muita gente nos perguntará, como sempre acontece, quando falamos a respeito: “O espírita deve então sujeitar-se rigidamente a um molde doutrinário?” Não, pois se assim fizesse estaria impedindo o seu livre desenvolvimento moral. Quando falamos em “moldar a conduta”, fazêmo-lo num sentido de orientação, nunca de esquematização. O espírita deve ser livre, pois, como acentuava o apóstolo Paulo “onde não há liberdade não está o Espírito do Senhor”. Só a liberdade dá responsabilidade, e só a responsabilidade produz a verdadeira moral.
Ao procurar viver o Espiritismo, devemos portanto evitar as atitudes formais que conduzem ao artificialismo, e conseqüentemente à mentira e à hipocrisia. Como se vê, esse é o caminho contrário ao da Doutrina dos Espíritos, é o caminho tortuoso da Doutrina dos Homens, no plano mundano. Devemos ser naturais. E como modificar a nossa natureza inferior, sendo naturais? Primeiro, compreendendo que temos essa natureza inferior e precisamos modificá-la, o que fazemos pela compreensão da doutrina; depois, sentindo a necessidade de modificá-la, o que fazemos pela assimilação emocional da doutrina. Nossa transformação moral deve começar de dentro, e não de fora. Dos pensamentos e sentimentos, e não das atitudes exteriores. Deve ser uma transformação para Deus ver, não para os homens verem.
A falta de compreensão desse problema leva muitos espíritas a posições incômodas dentro da doutrina, e o que é pior, a posições comprometedoras para o movimento doutrinário. E leva também a lamentáveis confusões, principalmente no tocante ao problema religioso. Quando compreendemos, porém, que o Espiritismo não é somente um sistema doutrinário para assimilação intelectual, mas que é sobretudo, vida, norma de vida, e principalmente, seiva renovadora da vida humana na terra, então compreendemos que não é possível separar-se, dos seus aspectos científicos e filosóficos, o seu poderoso aspecto religioso. Lembremos ainda o que dizia Kardec, ou seja, que o Espiritismo é forte justamente por afirmar e esclarecer as mesmas verdades fundamentais da religião.

J. Herculano Pires

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Possuímos o que damos

"É mais bem aventurado dar do que receber."
- Apóstolo Paulo. (Atos,20:35,Livro "Fonte Viva" 117.)


Quando alguém se refere à passagem evangélica que considere a ação de dar mais alta bem-aventurança que a ação de receber, quase todos os aprendizes da Boa Nova se recordam da palavra "dinheiro".
Sem dúvida, em nos reportando aos bens materiais, há sempre mais alegria em ajudar que se ajudado, contudo, é imperioso não esquecer os bens espirituais que, irradiados de nós mesmos, aumentam o teor e a intensidade da alegria em torno de nossos passos.
Quem dá recolhe a felicidade de ver a multiplicação daquilo que deu.
Oferece a gentiliza e encorajarás a plantação da fraternidade,
Estende a bênção do perdão e fortalecerás a justiça.
Administra a bondade e terás o crescimento da confiança.
Dá o teu bom exemplo e garantirás a nobreza do caráter.
Os recursos da Criação são distribuídos pelo Criador com as criaturas, a fim de que em doação permanente se multipliquem ao infinito.
Serás ajudado pelo Céu, conforme estiveres ajudando na terra.
Possuímos aquilo que damos.
Não te esqueças, pois, de que és mordomo da vida em que te encontras.
Cede ao próximo algo mais que o dinheiro de que possas dispor.
Dá também teu interesse efetivo, tua saúde, tua alegria e teu tempo e, em verdade, entrarás na posse dos sublimes dons do amor, do equilíbrio, da felicidade e da paz, hoje e amanhã, neste mundo e na vida eterna.

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Na saúde, na doença

Em toda circunstância, trate a própria saúde, prevenindo-se da doença com os recursos encontrados em você mesmo.
Cada dia é novo ensejo para adquirirmos enfermidade ou curar nossos males.
O melhor remédio, antes de qualquer outro, é a vontade sadia, porque a vontade débil enfraquece a imaginação e a imaginação doentia debilita o corpo.
Doença do corpo pode criar doença da alma e doença da alma pode acarretar doença do corpo.
Vida atribulada nem sempre significa vida bem vivida.
Conquanto a existência em torno possa mostrar-se febricitante e turbilhonaria, resguarde-se contra as intempéries emocionais no clima íntimo do próprio ser, ajudando e servindo com alegria aos menos felizes, na certeza de que o enfermeiro diligente conserva a integridade mental, muito embora convivendo, dia a dia, com dezenas de enfermos em grandes desequilíbrios.
Somos parte integrante da farmácia do nosso próximo.
Observe as reações que a sua presença provoca no semelhante e pacifique aqueles com quem convive, não só pela palavra, mas até mesmo pela aparência e pelas atitudes, pois com a simples aproximação funcionamos como tranquilizadores ou excitantes de quem nos cerca, aliviando ou agravando os seus padecimentos físicos e morais...
Muitas doenças nascem da suspeita injustificável.
Seja sincero com você e com os outros na apreciação de sintomas que se reportem a desajustamentos orgânicos, tratando de assuntos dessa natureza, sem alarde e sem exagero.
O maior restaurador de forças é a consciência reta que asserena as emoções.
Se o leito de dor é agasalho imposto ao seu corpo enfermo, lembre-se de que a meditação é santuário invisível para o abrigo do espírito em dificuldade e que a prece refunde e sublima as energias da alma.
Doença é contingência natural, inevitável às criaturas em processo de evolução; por isso, esforce-se por abolir inquietações quanto a problemas de saúde física, atendendo ao equilíbrio orgânico e confiando na Vontade Superior.

André Luiz
(De “Espírito da Verdade”, de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira – Autores diversos)

terça-feira, 24 de junho de 2014

As doenças

À semelhança do buril agindo a pedra bruta e lapidando-a, as doenças são mecanismos buriladores para a alma despertar as suas potencialidades e brilhar além do vaso orgânico que encarcera.
A doença é resultado do desequilíbrio energético do corpo em razão da fragilidade emocional do espírito que o aciona. Os vírus, as bactérias e os demais microorganismos devastadores não são os responsáveis pela presença da doença, porquanto eles se nutrem das células quando se instalam nas áreas em que a energia se debilita.
Causam fraqueza física e mental, favorecendo o surgimento da doença, por falta da restauração da energia mantenedora da saúde. Os medicamentos matam os invasores, mas não restituem o equilíbrio como se deseja, se a fonte conservadora não irradia a força que sustenta o corpo.
A conduta moral e mental dos homens, quando cultiva as emoções da irritabilidade, do ódio, do ciúme, do rancor, das dissipações, impregna o organismo, o sistema nervoso, com vibrações deletérias que bloqueiam áreas por onde se espraia a energia saudável, abrindo campo para a instalação das enfermidades, graças à proliferação dos agentes viróticos degenerativos que ali se instalam.
Às tensões físicas, mentais e emocionais são, igualmente, responsáveis pelas doenças - sofrimento que gera sofrimento.
Evitando essas cargas, o sistema energético-imunológico liberará de doenças o indivíduo, e a sua vida mudará, passando a melhorar o seu estado de saúde.
As causas profundas das doenças, portanto, estão no indivíduo mesmo, que se deve auto-examinar, autoconhecer-se a fim de liberar-se desse tipo de sofrimento.

Joanna de Ângelis & Divaldo Pereira Franco
Livro: Plenitude

A Dor

Vi a Dor caminhando em negra estrada,
Qual megera da sombra, em noite escura,
E perguntei, ralado de amargura:

“-Por que nasceste, bruxa desvairada?”
“Por que ostentas a espada estranha e dura,
Sobre o seio da vida atormentada,
Reduzindo à miséria, cinza e nada
Todo sonho de paz e de ventura?”

Mas a Dor respondeu: -“Cala-te, amigo!
Na torturada senda em que prossigo,
O veneno do mal morre infecundo.

Sem meu gládio que salva, pouco a pouco,
O homem padeceria cego e louco
Em tenebrosos cárceres do mundo!...”

Do Livro "Através do Tempo", de Francisco Cândido Xavier

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O auxílio virá


O problema que te preocupa talvez te pareça excessivamente amargo ao coração.
E tão amargo que talvez não possas comentá-lo, de pronto.
Às vezes, a sombra interior é tamanha que tens a ideia de haver perdido o próprio rumo.
Entretanto, não esmoreças.
Abraça o dever que a vida te assinala.
Serve e ora.
A prece te renovará energias.
O trabalho te auxiliará.
Deus não nos abandonará.
Faze silêncio e não te queixes.
Alegra-te e espera porque o Céu te socorrerá.
Por meios que desconheces, Deus permanece agindo.

Emmanuel / Francisco Cândido Xavier

Confia sempre

Não percas a tua fé entre as sombras do mundo.
Ainda que os teus pés estejam sangrando, segue para a frente, erguendo-a por luz celeste, acima de ti mesmo. Crê e trabalha. Esforça-te no bem e espera com paciência.
Tudo passa e tudo se renova na terra, mas o que vem do céu permanecerá.
De todos os infelizes os mais desditosos são os que perderam a confiança em Deus e em si mesmo, porque o maior infortúnio é sofrer a privação da fé e prosseguir vivendo.
Eleva, pois, o teu olhar e caminha.
Luta e serve. Aprende e adianta-te.
Brilha a alvorada além da noite.
Hoje, é possível que a tempestade te amarfanhe o coração e te atormente o ideal, aguilhoando-te com a aflição ou ameaçando-te com a morte...
Não te esqueças, porém, de que amanhã será outro dia.

Meimei / Francisco Cândido Xavier

sexta-feira, 20 de junho de 2014

O melhor esforço

Todos buscamos, em nossa fé, o dom de servir a Deus.
-*-
Entretanto, a cada passo, ante a nossa bagagem de sombra, reconhecemos quão difícil se faz a concretização de nossos desejos, porquanto o nosso repositório de possibilidades guarda somente valores fragmentários e virtudes inexpressivas, que tremem e desaparecem, à maneira da chama frágil que bruxoleia e se apaga ao primeiro golpe de vento.
-*-
Nossa fé, quase sempre, não passa de vaga confiança, entre a firmeza e a indecisão, fanando-se, apressada, nos dias de temporal...
-*-
Nossa paciência é carinho confinado ao círculo doméstico, tolerando os mais caros e desmandando-se, em frases rudes, à menor aproximação daqueles que não vêm o mundo por nossos pontos de vista...
-*-
Nossa boa vontade é um jardim de exclusivismo incensando aqueles que nos merecem estima e reconhecimento, metamorfoseando-se, à frente os que não se sintonizam conosco, em deplorável espinheiro de queixas e acusações...
-*-
Nosso amor, habitualmente, é simples capricho sentimental acomodando-se com os irmãos de nossa simpatia, de vez que o adversário é invariavelmente o ponto nevrálgico de nossa irascibilidade, arranco-nos das promessas sublimes para a cova sombria da maledicência e da aversão.
-*-
Nunca sabemos se a nossa humildade vive emoldurada no orgulho e nunca podemos precisar até que ponto caminha a nossa caridade sem o travão do egoísmo.
-*-
Assim, se buscamos uma atitude que nos torne agradáveis ao Céu, integremo-nos na atividade incessante do bem, porque servindo e aprendendo sem repousar, não dispomos de tempo para o culto às nossas próprias fraquezas.
-*-
Consagremo-nos à tarefa que é nossa, melhorando-nos cada dia e, entre a renúncia aos nossos desejos e o serviço incansável aos nossos semelhantes, descobriremos em nós mesmos a inexprimível felicidade de quem encontrou na vida o esforço mais nobre e mais agradável a Deus.

De “Indulgência”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel

Tua mensagem


Tua mensagem não se constitui apenas do discurso ou do título de cerimônia com que te
apresentas no plano convencional; é a essência de tuas próprias ações, a exteriorizar-se
de ti, alcançando os outros.
Sem que percebas, quando te diriges aos companheiros para simples opiniões, em torno
de sucessos triviais do cotidiano, estás colocando o teu modo de ser no que dizes; ao
traçares ligeira frase, num bilhete aparentemente sem importância, derramas o conteúdo
moral de teu coração naquilo que escreves; articulando referência determinada, posto que
breve, apontas o rumo de tuas inclinações; em adquirindo isso ou aquilo, entremostras o
próprio senso de escolha; elegendo distrações, patenteias por elas os interesses que te
regem a vida íntima...
Reflete na mensagem que expedes, diariamente, na direção da comunidade.
As tuas ideias e comentários, atos e diretrizes voam de ti, ao encontro do próximo, à
feição das sementes que são transportadas para longe das árvores que as produzem.
Cultivemos amor e justiça, compreensão e bondade, no campo do espírito.
Guarda a certeza de que tudo quanto sintas e penses, fales e realizes é substância real
de tua mensagem às criaturas e é claramente pelo que fazes às criaturas que a lei de
causa e efeito, na Terra ou noutros mundos, te responde, em zelando por ti.

Estude e Viva / Frencisco Cândido Xavier e Waldo Vieira
Pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Sinal de perigo

"Quando você estiver sitiado pela irritação, na iminência de ser vencido pela cólera, utilize urgente, uma destas regrinhas de fácil aplicação, a fim de permanecer ileso contra a investida de tão cruel verdugo:
Ore
A prece é antídoto para qualquer mal.
Silencie
Quem cala guarda valiosos recursos de equilíbrio.
Reflita
Reflexão como temperança é conselheira segura.
Conserve a Calma
A tranqüilidade pode ser considerada domicílio da paz.
Exercite a Paciência
Quem não pode esperar, está vencido antes de combater.
Confie no bem
Sem confiança não há clima de entusiasmo para a vitória.
Desculpe
Aquele que lhe cria problema é, em si mesmo, problema que se complica.
Observe antes de agir
Precipitada, qualquer solução é inadequada e falha.
Analise a Força da Fé
Enquanto ruge a tormenta, reforce a crença.
Ofereça a tentação à contabilidade da experiência –
Vitória que se alcança pode ser considerada lucro no Caixa da Vida"

Marco Prisco - Divaldo Pereira Franco

O amigo ingrato


Causa-te surpresa o fato de ser o teu acusador de agora, o amigo aturdido de ontem, que um dia pediu-te abrigo ao coração gentil e ora não te concede ensejo, sequer, para esclarecimentos.
Despertas, espantado, ante a relação de impiedosas queixas que guardava de ti, ele que recebeu, dos teus lábios e da tua paciência, as excelentes lições de bondade e de sabedoria, com as quais cresceu emocional e culturalmente.
Percebes, acabrunhado, que as tuas palavras foram, pelo teu amigo, transformadas em relhos com os quais, neste momento, te rasga as carnes da alma, ele, que sempre se refugiou no teu conforto moral.
Reprocha-te a conduta, o companheiro que recebeste com carinho, sustentando-lhe a fragilidade e contornando as suas reações de temperamento agressivo.
Tornou-se, de um para outro momento, dono da verdade e chama-te mentiroso.
Ofereceste-lhe licor estimulante e recebes vinagre de volta.
Doaste-lhe coragem para a luta, e retribui-te com o desânimo para que fracasses.
Ele pretende as estrelas e empurra-te para o pântano.
Repleta-se de amor e descarrega bílis na tua memória, ameaçando-te sem palavras.
Não te desalentes!
O mundo é impermanente.
O afeto de hoje torna-se o adversário de amanhã.
As mãos que perfumas e beijas, serão, talvez, as que te esbofetearão, carregadas de urze.
Há mais crucificadores do que solidários na via de redenção.
Esquecem-se, os homens, do bem recebido, transformando-se em cobradores cruéis, sem possuírem qualquer crédito.
Talvez o teu amigo te inveje a paz, a irrestrita confiança em Deus, e, por isto, quer perturbar-te.
Persevera, tranqüilo!
Ele e isto, esta provação, passarão logo, menos o que és, o que faças.
Se erraste, e ele te azorraga, alegra-te, e resgata o teu equívoco.
Se estás inocente, credita-lhe as tuas dores atuais, que te aprimoram e te aproximam de Deus.
Não lhe guardes rancor.
Recorda que foi um amigo, quem traiu e acusou Jesus; outro amigo negou-O, três vezes consecutivas, e os demais amigos fugiram dEle.
Quase todos O abandonaram e O censuraram, tributando-Lhe a responsabilidade pelo medo e pelas dores que passaram a experimentar. Todavia, Ele não os censurou, não os abandonou e voltou a buscá-los, inspirá-los e conduzi-los de volta ao reino de Deus, por amá-los em demasia.
Assim, não te permitas afligir, nem perturbar pelas acusações do teu amigo, que está enfermo e não sabe, porque a ingratidão, a impiedade e a indiferença são psicopatologias muito graves no organismo social e humano da Terra dos nossos dias.

Joanna de Ângelis - Divaldo Pereira Franco

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Ouve


Escuta! Enquanto a paz da oração te domina,
Qual melodia excelsa, a fremir, doce e mansa,
Há quem padeça e morra à míngua de esperança,
Rogando amparo, em vão, no lençol de neblina.
Ouve! A sombra tem voz que clama e desatina...
É a provação que ruge... A dor que não descansa...
Desce do pedestal da fria segurança,
Transfigura a bondade em fonte cristalina.
Estende o coração!... Serve, instrui, alivia...
Das sementes sutis de ternura e alegria
Prepararás, agora, o jardim do futuro..
Um dia, voltará à pátria de onde vieste
E apenas colherás na luz do Lar Celeste
O que dás de ti mesmo ao solo do amor puro.

(Adolfo Oscar do Amaral Ornellas)

Porvir inexorável

O indivíduo senciente deve manter como objetivo primacial da existência física a conquista dos valores eternos. Não obstante a consideração pelas conquistas contemporâneas, torna-se-lhe indispensável a compreensão da transitoriedade desses recursos e realizações.
O acúmulo de riquezas materiais proporciona-lhe conforto, não porém, felicidade. Esta é decorrência natural do auto-encontro responsável, graças ao qual se entrega à conquista de diferentes bens, por enquanto, desdenhados.
Somente através da reencarnação, compreendida e aplicada à vivência lúcida, é que poderá considerar o vazio da existência corporal, período este para a aprendizagem iluminativa e libertadora.
Assim considerada, a existência material deixa de ser uma sucessão de sofrimentos e incertezas para proporcionar os investimentos duradouros, que se transferem de uma para outra forma, no corpo ou além dele, porquanto, em qualquer circunstância, ninguém e apresentará fora da Vida.
A vida física se caracteriza pela busca do prazer, no entanto, este sempre se expressa acompanhado do sofrimento. Isto, porque, o próprio prazer gera o medo da sua descontinuidade, o que se transforma em aflição.
A manutenção do prazer estimula o egoísmo, a ambição, a arbitrariedade e seus sequazes criminosos.
Cultivando com acendrado interesse a ignorância, o homem distrai-se no relacionamento com amigos; armazena jóias e dinheiro, víveres e trajes; multiplica habitações e veículos, embora o seu corpo somente os possa usar um a um. Demais, advindo a morte, que é inevitável, vê-se constrangido a deixar tudo, levando apenas a si mesmo e com ele os atos impressos nos painéis da consciência.
Ninguém te condena por seres previdente; porém, a tua consciência te reprocha a ganância.
Pessoa alguma te fiscaliza a conduta gozadora; mas, a tua consciência te diz que isto não te basta.
Deus não te proíbe fruir dos bens, nem da vida; todavia, tua consciência, apesar de anestesiada, vez que outra desperta, assinalando a tua ilusão...
Descoberta a causa do sofrimento do senciente, que é a ignorância, o seu antídoto é, de logo, a sabedoria.
Clareia-te, assim, com as luzes da reencarnação e saberás conduzir a vida sem apego, sem desconsideração, descobrindo-lhe o vazio do mediato e aplicando parte do teu tempo na preparação do teu porvir eterno, que te espreita, e para o qual marchas inexoravelmente, quer o queiras ou não.

(Da obra: Momentos de Felicidade).
Joanna de Ângelis & Divaldo Pereira Franco

terça-feira, 17 de junho de 2014

Um minuto


Num minuto apenas pode-se fazer sempre alguma coisa útil, como sejam:
Redigir um telegrama.
Escrever um bilhete fraterno.
Sobrescritar um envelope.
Dar um recado ao telefone.
Prestar uma informação.
Lavar uma peça de roupa.
Ofertar um copo de leite.
Cumprimentar alguém.
Limpar um móvel.
Regar uma flor.
Não despreze o minuto.
Empregue-o bem, meu amigo, pois num minuto você acaba de ler as informações desta página.

Valérium (Waldo Vieira)
(De “Ideal Espírita”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Valérium)


Se desejas

Questão 843 de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec

Toda melhora parece distante.
Toda superação surge como sendo quase impossível.
Pediste, porém, o berço terrestre, no exato lugar em que te cabe aprender e reaprender.
Não olvides, por isso, que o domínio da lição não dispensa a vontade.
Recebeste no lar muitos daqueles que te não alimentam a simpatia.
No entanto, se desejas, podes transformar toda aversão em amor, desde que te decidas a ajuda-los com paciência.
Sofres o chefe insano, a crivar-te de inúmeros dissabores.
Contudo, se desejas, podes convertê-lo em amigo, desde que te disponhas a auxiliá-lo sem pretensão.
Padeces dura condição social, renteando o infortúnio.
Todavia, se desejas, podes transfigurar a subalternidade em elevação, desde que te eduques, para que a vida te use em plano mais alto.
Trazes o órgão enfermo, a cercar-te de inibições.
Entretanto, se desejas, podes aproveitá-lo, na própria sublimação, em nível superior.
Ainda hoje, é possível encontres sombras enormes...
O obstáculo dos que te não compreendem, a palavra dos que te insultam, o apontamento insensato ou as lágrimas que a prova redentora talvez te venha pedir...
Mas pode usar o silêncio e a oração, clareando o caminho...
Declaras-te sem trabalho, amargando posição desprezível, mas, se desejas, podes ainda agora começar humilde tarefa, conquistando respeito e cooperação.
Acusam-te de erros graves, criando-te impedimentos, mas, se desejas, podes tomar, em bases de humildade e serviço, a atitude necessária à justa renovação.
Sentes-te dominado por esse ou aquele hábito vicioso, que te exila no desapreço, mas, se desejas, podes reaver o próprio equilíbrio, empenhando energia e tempo no suor do trabalho digno.
Afirmas-te na impossibilidade de socorrer os necessitados, mas, se desejas, podes efetuar pequeninos sacrifícios domésticos em favor dos outros, de modo a que tua vida seja uma bênção na vida de teus irmãos.
Para isso, porém, é preciso não esquecer os recursos singelos que tanta gente deixa ao olvido...
O minuto de tolerância.
O esquecimento de toda injúria.
O concurso anônimo.
A bondade que ninguém pede.
O contato do livro nobre.
A enxada obediente.
A panela esquecida.
O tanque de lavar.
A agulha simples.
A flor da amizade.
O resto de pão.
Queixas-te de necessidade e desencanto, fadiga e discórdia, abandono e solidão, mas, se realmente desejas, tudo pode mudar.

De “Religião dos Espíritos”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel

segunda-feira, 16 de junho de 2014

O Livro dos Médiuns e a prática mediúnica

Suely Caldas Schuber

A luz e o silêncio

O Mestre que nos recomendou situar a lâmpada sobre o velador, também nos exortou, de modo incisivo:
– “Brilhe a vossa luz diante dos homens!”


Conhecimento evangélico é sol na alma.
Compreendendo a responsabilidade de que somos investidos, esposando a Boa Nova por ninho de nossos sentimentos e pensamentos, busquemos exteriorizar a flama renovadora que nos clareia por dentro, a fim de que a fé não seja uma palavra inoperante em nossas manifestações.
- Onde repontem espinheiros da incompreensão, sê a bênção do entendimento fraterno.
- Onde esbraveje a ofensa, sê o perdão que asserena e edifica.
- Onde a revolta incendeie corações, sê a humildade que restaura a serenidade e a alegria.
- Onde a discórdia ensombre o caminho, sê a paz que se revela no auxílio eficiente e oportuno.
Não olvidemos que a luz brilha dentro de nós.
Não lhe ocultemos os raios vivificantes sob o espesso velador do comodismo, nas teias do interesse pessoal.
Entretanto, não nos esqueçamos igualmente de que o sol alimenta e equilibra o mundo inteiro sem ruído, amparando o verme e a flor, o delinqüente e o santo, o idiota e o sábio em sublime silêncio.
Não suponhas que a lâmpada do Evangelho possa fulgurar através de acusações ou amarguras.
Enquanto a ventania compele o homem a ocultar-se, a claridade matinal, tépida e muda, o encoraja ao trabalho renovador.
Inflamando o coração no luzeiro do Cristo, saibamos entender e servir com Ele, sem azedume e sem crítica, sem reprovação e sem queixa, na certeza de que o amor é a garantia invulnerável da vitória imperecível.

(Do livro “Abrigo” - Emmanuel & Francisco Cândido Xavier)


Mediunidade

A marcha

"Importa, porém, caminhar hoje,amanhã e no dia seguinte."Jesus. (Lucas, 13.33.)

Importa seguir sempre, em busca da edificação espiritual definitiva. Indispensável caminhar, vencendo obstáculos e sombras, transformando todas as dores e dificuldades em degraus de ascensão.
Traçando o seu programa, referia-se Jesus à marcha na direção de Jerusalém, onde o esperava a derradeira glorificação pelo martírio. Podemos aplicar, porém, o ensinamento as nossas experiências incessantes no roteiro da Jerusalém de nossos testemunhos redentores.
É imprescindível, todavia, esclarecer a característica dessa jornada para a aquisição dos bens eternos.
Acreditam muitos que caminhar é invadir as situações de evidência no mundo, conquistando posições de destaque transitório ou trazendo as mais vastas expressões financeiras ao círculo pessoal.
Entretanto, não é isso.
Nesse particular, os chamados "homens de rotina" talvez detenham maiores probabilidades a seu favor.
A personalidade dominante, em situações efêmeras, tem a marcha inçada de perigos, de responsabilidades complexas, de ameaças atrozes. A sensação de altura aumenta a sensação de queda.
É preciso caminhar sempre, mas a jornada compete ao Espírito eterno, no terreno das conquistas interiores.
Muitas vezes, certas criaturas que se presumem nos mais altos pontos da viagem, para a Sabedoria Divina se encontram apenas paralisadas na contemplação de fogos-fátuos.
Que ninguém se engane nas estações de falso repouso.
Importa trabalhar, conhecer-se, iluminar-se e atender ao Cristo, diariamente. Para fixarmos semelhante lição em nós, temos nascido na Terra, partilhando-lhe as lutas, gastando-lhe os corpos e nela tornaremos a renascer.

Da obra: Pão Nosso
Emmanuel & Francisco C. Xavier

Antes do berço

Antes do berço, quase sempre, conhece a alma humana, plenamente desperta, grande parte dos débitos que lhe induzem o coração a mergulhar nas forças do Plano Físico.
Muitas vezes, como o auxílio dos benfeitores que lhe endossam as novas experiências, contempla o quadro de provações em que testemunhará humildade e renúncia.
Muitos candidatos ao recomeço aprendizagem na Terra, em semelhantes visões do limiar, tremem e choram, debatendo-se em clamoroso receio, acovardados à última hora, quando já não podem recuar nas decisões assumidas.
É então que o afeto dos pais lhes confere doce refúgio.
No clima nutriente do lar, aquietam as próprias ânsias, refazendo-se à luz do entendimento e da prece, para combate consigo mesmo na estrada redentora.
Entretanto, se pais e mães, nessa hora, surgem moralmente inabilitados, entre a indiferença e a discórdia, desajustes e enfermidades poderão sobrevir na grande passagem, porquanto o aborto e o desequilíbrio aparecerão, aflitivos, sobrecarregando o nascituro de pesados gravames que, em muitas ocasiões, só a morte inesperada conseguirá reprimir.
Pais amigos, guardai convosco, ante o berço terrestre, a oração e o carinho, a caridade e a paz, porque sois responsáveis, na luz da reencarnação, por aquele que volta, em nome do Senhor, a rogar-vos abrigo, a fim de burilar-se e servir, ofertando-vos ao mesmo tempo, as mais nobre oportunidades de salvação!...

Emmanuel
(De “Família”, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos diversos

domingo, 15 de junho de 2014

Deus não desampara

"E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição e não se arrependeu". - (Apocalipse, 2:21).

Se o Apocalipse está repleto de símbolos profundos, isso não impede venhamos a examinar-lhe as expressões, compatíveis com o nosso entendimento, extraindo as lições suscetíveis de ampliar-nos o progresso espiritual.
O versículo mencionado proporciona uma idéia da longanimidade do Altíssimo, na consideração das falhas e defecções dos filhos transgressores.
Muita gente insiste pela rigidez e irrevogabilidade das determinações de origem divina, entretanto, compete-nos reconhecer que os corações inclinados a semelhante interpretação, ainda não conseguem analisar a essência sublime do amor que apaga dívidas escuras e faz nascer novo dia nos horizontes da alma.
Se entre juízes terrestres existem providências fraternas, qual seja a da liberdade sob condição, seria o tribunal celeste constituído por inteligências mais duras e inflexíveis? A Casa do pai é muito mais generosa que qualquer figuração de magnanimidade apresentada, até agora, no mundo, pelo pensamento religioso. Em seus celeiros abundantes, há empréstimos e moratórias, concessões de tempo e recursos que a mais vigorosa imaginação humana jamais calculará.
O Altíssimo fornece dádivas a todos, e , na atualidade, é aconselhável medite o homem terreno nos recursos que lhe foram concedidos pelo Céu, para arrependimento, buscando renovar-se nos rumos do bem.
Os prisioneiros da concepção de justiça implacável ignoram os poderosos auxílios do Todo-Poderoso, que se manifestam através de mil modos diferentes; contudo, os que procuram a própria iluminação pelo amor universal sabem que Deus dá sempre e que é necessário aprender a receber.

Emmanuel - Francisco Cândido Xavier
(Livro: Pão Nosso)

Jesus é o Filho Bem-Amado de Deus.


Na Sua vida se cumpriram todas as profecias antigas, abrindo campo de luz
para as realizações futuras.
O Seu ministério de amor foi um traço de união permanente entre o ontem
e o hoje na direção do amanhã eterno.
Ele é como o Sol que esbate as sombras e vivifica com luz e calor.
Pensa n’Ele, inspirando-te no Seu labor revolucionário de dentro para fora.
Nunca O esqueças, seja qual for a situação em que te encontres.
Comungando mentalmente com ELE, se dissiparão tuas duvidas e se
amainarão tuas inquietações: e te transformarás, tornando-te um pólo
de ação dignificadora, que atrairá as pessoas inquietas e aflitas, que
passarão a conhecê-LO também.
Nesse momento será, então, Natal para eles, porque Jesus lhes está
nascendo ou renascendo nas paisagens íntimas.

Obra: Desperte e Seja Feliz
Divaldo P. Franco / Joanna de Ângelis

Tesouro Divino

Oportuno meditar quanto aos valores do tempo, para não nos enganarmos no apreço que se deve ao aproveitamento das horas.
O ritmo do tempo é disposto pelo Criador de tal modo que basta alguma reflexão para entendermos o senso das oportunidades ou o “momento da realização”.
As atividades da primavera diferem das do outono. Há, também, construções espirituais para a infância, outras para a madureza.
Cada tempo é um tempo diverso do outro. É preciso aproveitar o “momento da realização” que a oportunidade nos oferece.
Trabalhar se é hora de trabalhar, aprender se é ocasião de aprender, ouvir se é o instante de ouvir, falar se o ensejo é de falar, tudo com discernimento, para não dissipar o tempo.
Dizemos que é preciso dar tempo ao tempo. Mas o tempo da expectativa nada cria de bom e de útil, sem o tempo de preparação do que seja útil e bom.
Tempo é tesouro divino em nossas mãos, mas só vale se lhe damos valor.

André Luiz / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Sol nas Almas

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Tudo é amor


Vida - É o Amor existencial.
Razão - É o Amor que pondera.
Estudo - É o Amor que analisa.
Ciência - É o Amor que investiga.
Filosofia - É o Amor que pensa.
Religião - É o Amor que busca Deus.
Verdade - É o Amor que se eterniza.
Ideal - É o Amor que se eleva.
Fé - É o Amor que se transcende.
Esperança - É o Amor que sonha.
Caridade - É o Amor que auxilia.
Fraternidade - É o Amor que se expande.
Sacrifício - É o Amor que se esforça.
Renúncia - É o Amor que se depura.
Simpatia - É o Amor que sorri.
Altruísmo - É o Amor que se engrandece.
Trabalho - É o Amor que constrói.
Indiferença - É o Amor que se esconde.
Desespero - É o Amor que se desgoverna.
Paixão - É o Amor que se desequilibra.
Ciúme - É o Amor que se desvaira.
Egoísmo - É o Amor que se animaliza.
Orgulho - É o Amor que enlouquece.
Sensualismo - É o Amor que se envenena.
Vaidade - É o Amor que se embriaga.
Finalmente, o ódio, que julgas ser a antítese do Amor,
não é senão o próprio Amor que adoeceu gravemente.

André Luiz & Francisco Cândido Xavier

Dor e Bênção

Ninguém passa, na Terra, sem experimentar o aguilhão do sofrimento.
De uma ou de outra forma a vida física é uma experiência educativa com objetivos definidos, quais os de auxiliar o Espírito a lapidar as imperfeições e aproximá-lo, o mais possível, da felicidade.
Por isso mesmo, no educandário terrestre, todos lhe conhecem as garras que ferreteiam as carnes da alma, nas várias expressões em que a mesma se expressa.
Ansiedades e amarguras, necessidades e dissabores, enfermidades e infortúnios, fome e carências outras são recurso de que a Vida se utiliza para disciplinar as criaturas propondo-lhe sublimação.
Não te consideres desventurado, porque o sofrimento te alcançou diminuindo a intensidade festiva da tua quadra de ilusões.
Durante seu curso, recorda os momentos ditosos que passaram e torna menos ásperos estes que agora te visitam.
Da mesma forma, amanhã estará mudada esta paisagem aflitiva e te incorporarás às tuas conquistas.
Aprenderás a abençoar a saúde e a valorizar os bens da amizade, os dons do trabalho, prolongando as horas de bem-estar, cultivando pensamentos e atitudes positivos, que te favorecerão com energias e disposição para todos os embates que enfrentarás.
Compreenderás com mais facilidade os alheios padecimentos, tolerando as agressões e disparates de outros indivíduos mais atribulados do que tu.
Sentir-te-ás mais humano e sensível aos problemas do próximo, tornando-te, naturalmente, solidário com todos aqueles que te busquem a ajuda ou a simples presença fraternal.
Dilatarás a visão a respeito da vida e reflexionarás mais intensamente sobre a transitoriedade do corpo e o caráter eterno do ser em si mesmo.
Descobrirás o sentido dos acontecimentos, assimilando-lhes bem as propostas evolutivas, sem nadar contra a correnteza.
Os problemas, naturalmente, chegar-te-ão da mesma forma; no entanto, com esta experiência que proporciona sabedoria, poderás solucioná-los sofrendo menos aflições.
Quando te conscientizas das razões do sofrimento, estes se tornam suportáveis, tendo diminuídas suas cargas desgastantes.
Quando te resignas diante dos testemunhos, estes perdem a intensidade perturbadora.
Quando abençoas a própria dor, nela reconhecendo os benefícios que fruirás, encontras a técnica perfeita para vencê-la e ser feliz.


(De “Luz da Esperança")
Joanna de Ângelis & Divaldo Pereira Franco

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Não esqueças os enfermos


Filho do coração, não te esqueças dos enfermos, pois eles carecem de nossa assistência moral e espiritual e são nossos irmãos em Cristo, filhos do mesmo Pai Celestial. Se estão em processos de resgate, se sofrem por necessidade de evoluírem, qual de nós não tem as mesmas necessidades?
A misericórdia, que Jesus tanto usou para conosco, é um fato. Por que não nos lembramos do Divino Mestre e exercitamos a compaixão para com os sofredores?
O mundo encontra-se cheio de infortúnios e muitos deles são ocultos. É nosso dever descobri-los e fazer sorrir uma criança, um idoso ou mesmo um jovem cheio de problemas.
A Terra é, pois, um hospital, se assim podemos dizer. As enfermidades são inúmeras, mas a fonte de desequilíbrio é uma só: a falta de amor.
O amor cura as enfermidades do corpo e do Espírito, o amor é alegre, é proveitoso e solícito; o amor é caridoso e rico em todos os dons de que somos portadores. Basta aprendermos a amar, como Jesus nos ensinou a todos.
No mundo espiritual, onde nos encontramos, recebemos constantemente aulas de amor, cada vez mais sublimado, e isso nos faz muito bem ao coração.
Benfeitores espirituais descem do mais alto para nos ensinar, pela palavra e pelo exemplo, o valor desta grande virtude, nascida de Deus. Quem esquece os que sofrem é o pior dos enfermos.
Não é somente nos hospitais que existem sofredores; observa dentro da tua casa e nota, dentro do teu lar que eles ali se encontram precisando da tua ajuda.
Mesmo tu, se não tens dor que te incomoda o físico, deves ter problemas morais e espirituais que, às vezes, são piores. Começa a curar a ti mesmo e passa para os que te acompanham, segue com paciência que a ajuda dos Céus não te faltará.
Analisa, no teu trabalho, quantos sofrem e, por vezes, ocultam seus sofrimentos. Descubra sem prejudicá-los e ajuda-os a carregarem a sua cruz na subida da vida. Sê uma flor de vida nas vidas dos outros.
Essa é a missão do cristão consciente dos seus deveres filmados na consciência. Se não sentiste ainda nenhuma dor, não te vanglories por essa bênção, pois o sofrimento pode estar a caminho, para o encontro contigo.
A dor é um verdadeiro anjo, pois ensina aos homens a caridade para com o próximo e não deixa esquecer os que padecem em todos os sentidos.
Não deixes passar desapercebidos em teu caminho os enfermos; faze alguma coisa em benefício deles. Se nada tiveres que lhes sirva de amparo físico, usa tua boca para ajudar espiritualmente, com Jesus.

De “Flor de Vida”, de João Nunes Maia, pelo Espírito Scheilla

A influência dos espíritos nos nossos pensamentos

Divaldo Pereira Franco

Nossa fé

Nossa fé rompe as trevas, vence as dores,
Renova aspirações desfalecidas,
E suprime as paixões envilecidas
Que multiplicam réus e sofredores.

É remédio balsâmico às feridas,
Reconforto celeste aos amargores,
É luz no espinheiral abrindo em flores
Nas chagas que trazemos de outras vidas.

Nossa crença é refúgio de esperança,
É bandeira de paz que brilha e avança
Em sublimado voo jamais visto..

É mensagem que amor e vida encerra,
Reconduzindo o espírito da Terra
À verdade imortal de Jesus Cristo!

Jesus Gonçalves & Francisco Cândido Xavier
Obra: Confia e Serve

Trabalho sempre

Trabalho será sempre o prodígio da vida, criando reconforto e progresso, alegria e renovação.
Quando a névoa da tristeza te envolver em melancolia, procura nele o clima a que te acolhas e encontrarás encorajamento e esperança.
Face às ofensas que te surpreendam, utiliza-o por remédio salutar e obterás a bênção da compreensão e a tranquilidade do esquecimento.
Ante a preterição que te fira, refugia-te nele e recuperarás o lugar a que o mérito te designa.
Perante a dor dos próprios erros, persiste com ele e, breve, obterás serenidade e recuperação.
Nos momentos claros da jornada, trabalha e entesourarás mais luz no caminho.
Nos instantes escuros, trabalha e dissolverás qualquer sombra, desvelando-se a estrada que te cumpre trilhar.
Tudo o que o homem possui de útil e belo, grande e sublime se deve ao trabalho, com que se engrandece sua presença no mundo.
Haja o que houver, trabalha sempre no bem de todos, porque, trabalhando no bem podes conservar a certeza de que Deus te sustentará.

Emmanuel / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Coragem

terça-feira, 10 de junho de 2014

Domínios

Há muitos dominadores no mundo...
Senhores de tratos de terra que mudam de donos.
Proprietários de rebanhos que morrem.
Depositários de valores que desaparecem.
Argentários de moedas que se gastam.
Comandantes de homens que perecem.
Donos de consciências que se libertam.
Titulados por investiduras universitárias que descambam para o orgulho e loucura.
Dominadores e dominados por toda a parte.
Chefes que são, por sua vez, subalternos a outros chefes.
Possuidores que são mordomos passageiros.
Senhores que também são escravos das paixões.
Legitimamente existe só um dominador real: aquele que se domina a si mesmo.
Renovado pela caridade do Evangelho, examina até onde vão as fronteiras dos teus domínios e experimenta a força que vem do Céu: se poderás reprimir a cólera advinda da incompreensão de quem ajudas, continuando a ajudar; se guardarás submissão pura e simples ante os impositivos injustos que te sejam exigidos pela causa cristã, que esposas e defendes; se manterás perseverança continuada entre desertores do ideal grandioso em serviço efetivo; se conservará conduta reta entre as tentações soezes, nascidas na invigilância de muitos; se exercerás renúncia constante como clima para a própria ascensão; se oferecerás perdão sistemático a despeito de tudo, e continuarás na sementeira intensiva apesar das dificuldades renovadas.
Se podes insistir quando os outros fogem, demorando na fraternidade em prol do júbilo de todos, dominando a ira e a preguiça, o medo e o orgulho ferido, a cobiça e o amor-próprio desdenhado e ainda porfias com definida e clara fé, então, adquiriste aquela autoridade que vem do Céu e não pode ser retirada e que, por fim, fará de ti um legítimo servo do Cristo a caminho da redenção.

Joanna de Ângelis - Divaldo pereira franco
(De “Messe de Amor)

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Disciplina

Em toda a Criação vibra a mensagem paternal da ordem divina.
Quando há desrespeito na ordem, campeia a tormenta e o desequilíbrio.
A ordem é ímã da disciplina, que sustenta a produção e inspira o progresso.
Em ti mesmo, a reencarnação significa escola de iluminação, mas também cárcere disciplinar, para que adquiras recursos e valores que te deem liberdade e ascensão.
Necessitas metodizar o receber, tanto quanto disciplinar o dar.
Disciplina é o conjunto de deveres nascidos da ordem imposta ou consentida.
A felicidade do homem decorre da disciplina que este se impõe, como seja:
Educação da vontade e correção nos atos;
Moderação da voz, domínio dos impulsos e ordem nas atividades e deveres.
Observa que até a Verdade chega ao homem em doses que o vitalizam.
Enfim, recorda Jesus, que não veio "destruir a Lei, mas dar-lhe cumprimento".

Joanna de Ângelis / Médium Divaldo Pereira Franco
Livro: Messe de Amor (extrato) - Ed. LEAL

Respeito mútuo


Compadece-te dos que não pensam com as tuas idéias e não lhes encareces a vida em tua própria vida, afastando-os da senda a que foram convocados.
Chamem-se pais ou filhos, cônjuges ou irmãos, amigos ou parentes, companheiros e adversários, diante de ti, cada um daqueles que te compartilham a existência é uma criatura de Deus, evoluindo em degrau diferente daquele em que te vês.
Ensina-lhes o amor ao trabalho, a fidelidade ao dever, o devotamento à compreensão e o cultivo da misericórdia, que isso é dever nosso, de uns para com os outros, entretanto, não lhes cerres a porta de saída para os empreendimentos de que se afirmam necessitados.
Habituamo-nos na Terra a interpretar por ingratos aqueles entes queridos que aspiram a adquirir uma felicidade diferente da nossa, entretanto, na maioria das vezes, aquilo que nos parece ingratidão é mudança do rumo em que lhes cabe marchar para a frente.
Quererias talvez titulá-los com os melhores certificados de competência, nesse ou naquele setor de cultura, no entanto, nem todos vieram ao berço com a estrutura psicológica indispensável aos estudos superiores e devem escolher atividades quase obscuras, não obstante respeitáveis, a fim de levarem adiante a própria elevação ao progresso.
Para outros, estimarias indicar o casamento que se te figura ideal, no campo das afinidades que te falam de perto, no entanto, lembra-te de que as responsabilidades da vida a dois pertencem a eles e não a nós, e saibamos respeitar-lhes as decisões.
Para alguns terás sonhado facilidades econômicas e domínio social, contudo, terão eles rogado à Divina Sabedoria estágios de sofrimento e penúria, nos quais desejem exercitar paciência e humildade.
Para muitos terás idealizado a casa farta de luxuosa apresentação e não consegues vê-los felizes senão em telheiros e habitações modestas, em cujos recintos anseiam obter as aquisições de simplicidade de que se reconhecem carecedores.
Decerto, transmitirás aos corações que amas tudo aquilo que possuis de melhor, no entanto, acata-lhes as escolhas se te propões a vê-los felizes.
Respeita os pensamentos e afinidades de cada um e aprende a esperar.
Todos estamos catalogados nas faixas de evolução em que já estejamos integrados.
Se entes queridos te deixam presença e companhia, não lhes conturbes a vida nem te entregues a reclamações.
Cada um de nós é atraído para as forças com as quais entramos em sintonia.
E se te parece haver sofrido esse ou aquele desgaste afetivo, não te perturbes e continua trabalhando na seara do bem.
Pelo idioma do serviço que produzas, chamarás a ti, sem palavras, novos companheiros que te possam auxiliar e compreender.
Não prendas criatura alguma aos teus pontos de vista e nem sonegues a ninguém o direito da liberdade de eleger os seus próprios caminhos.
Se as tuas afinidades pessoais ainda não chegaram para complementar- te a tranqüilidade e a segurança é que estão positivamente a caminho.
E assim acontecerá sempre, porque fomos chamados a amar-nos reciprocamente e não para sermos escravos uns dos outros, porque, em princípio, compomos uma família só e todos nós somos de Deus.

Emmanuel - Francisco Cândido Xavier

Guarde certeza


O ato de rebeldia e dureza, antes de manifestar-se em maligna agitação, transforma o templo da alma em foco de lixo vibratório.
*
A palavra precipitada e ferina, antes de ferir o ouvido alheio, entenebrece os processos mentais do seu autor, com a sombra da invigilância.
*
A queixa, embora aparentemente justa, antes de parasitar o equilíbrio do próximo, vicia as intenções mais íntimas do seu portador.
*
A posição estagnada e orgulhosa, antes de acabrunhar o interlocutor, cristaliza as possibilidades de atualização e aperfeiçoamento de quem a manifesta.
*
O hábito lamentável, superficialmente comum, antes de sugerir a trilha da frustração ao vizinho, aprisiona quem o cultiva em malhas invisíveis de lodo e sombra.
*
A repetição deliberada de um erro, antes de dilapidar a reputação do delinquente, intoxica-lhe a vontade e solapa-lhe a segurança.
*
A grande ação delituosa, antes de exteriorizar-se para o conhecimento de todos, é precedida por pequenas ações infelizes, ocultas nos propósitos escusos daquele que a perpetra.
*
O desculpismo improcedente, antes de ser vã tentativa de iludir os outros, constitui a realização efetiva da ilusão naquele que o promove.
*
Antes de agirmos, mentalizamos a ação.
Antes de atuarmos na vida exterior, atuamos em nossa vida profunda.
Antes de sermos bons ou maus para todos, somos bons ou maus para nós mesmos.
*
Guarde certeza dessas realidades.
Antes de colher o sorriso da felicidade que esperamos através dos outros, é preciso vivermos o bem desinteressado puro que fará felizes aqueles que nos farão felizes por nossa vez.

André Luiz (Waldo Vieira)
(De “Estude e Viva”, de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz)

domingo, 8 de junho de 2014

Câncer moral

O mau-humor sistemático - vício de comportamento emocional - gera a irritabilidade que desencadeia inúmeros males no indivíduo, em particular, e no grupo social onde o mesmo se movimenta, em geral.
Desconcertando a razão, açula as tendências negativas que devem ser combatidas, fomentando a maledicência e a indisposição de ânimo.
Todos aqueles que o alimentam, transferem-se de um para outro estado de desajuste orgânico e psicológico, dando margem à instalação de doenças psicossomáticas de tratamento complexo como resultados demorados ou nenhuns.
Todas as criaturas têm o dever de trabalhar pelo próprio progresso intelecto-moral, esforçando-se por vencer as más inclinações.
O azedume resulta, também, da inveja mal disfarçada quanto do ciúme incontido.
Atiça as labaredas destruidoras da desavença, enquanto se compraz na observância da ruína e do desconforto do próximo.
Muitas formas de canceres têm sua gênese no comportamento moral insano, nas atitudes mentais agressivas, nas postulações emocionais enfermiças.
O mau-humor é fator cancerígeno que ora ataca uma larga faixa da sociedade estúrdia.
Exteriorização do egoísmo doentio, aplica-se à inglória tarefa de perseguir os que discordam da sua atitude infeliz, espalhando a inquietação com que se arma de forças para prosseguir na insânia que agasalha.
Reveste-te de equilíbrio ante os mal-humorados e violentos, maledicentes e agressivos.
Eles se encontram enfermos, sim, em marcha para a loucura que os vence sob o beneplácito da vontade acomodada.
Oscilantes nos estados dalma, mudam de um para outro episódio de revolta com facilidade, sem qualquer motivo justificável, como se motivo houvesse que justifique a vigência desse verdugo do homem.
Vigia as nascentes dos teus sentimentos e luta com destemor, nas paisagens íntimas, contra o mau-humor.
Policia o verbo rude e ácido, mantendo a dignidade interior e poupando-te ao pugilato das ofensas, decorrente do azedume freqüente.
Não olvides da gratidão, nas tuas crises de indisposição...
O amanhã é incerto.
Aquele a quem hoje magoas será a porta onde buscarás apoio amanhã.
Conquista o título de pacífico ou faze-te pacificador.
Todo agressor torna-se antipático e asfixia-se na psicosfera morbífica que produz.
O Evangelho é lição de otimismo sem limite e o Espiritismo que o atualiza para o homem contemporâneo convida à transformação moral contínua, sem termo, em prol da edificação interior do adepto que se lhe candidata ao ministério.

Autor: Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Franco. Do livro: Receita de Paz

Política - Haroldo Dutra Dias

A fé é a única chama que não se apaga nunca


Diante de um jardim belo, coberto de roseiras perfumadas, o dono do jardim as espera florescer. Não pensa na quantidade enorme de espinhos que seu tronco possui, toma cuidado com eles, mas espera o florir das rosas. Quando uma única rosa brota, enfeitando toda aquela roseira cheia de espinhos, o dono do jardim olha, avidamente, outros que podem surgir, sabendo que serão rosas a enfeitar amanhã.
Nós trazemos cravados na alma muitos espinhos do ontem, mas somos rosas, na essência sublime de Deus; nós também vamos florir em alegria. Se essas alegrias são poucas e as dores são muitas, alegrias aconteceram em nossas vidas e alegrias acontecerão sempre. Mesmo que sejam momentos, dias, algum tempo, mas como as roseiras, o sorriso brota, a paz chega e nós nos transformamos num canteirinho de paz.
Mas, existe o tempo, às vezes longo, em que só permanecem espinhos, o vendaval da dor assola e as pétalas de nossas esperanças, de nossas alegrias, caem pelo chão. Mas, não devemos nos esquecer de que essas pétalas caídas serão adubo amanhã. Esse adubo precioso que mantém nosso espírito vivo, que mantém a roseira forte, que mantém a possibilidade de ela florir.
Nós trazemos muitos compromissos assumidos de vidas passadas, não podemos deixar que o desânimo, a tristeza, a desesperança nos domine. Porque só receberemos, realmente, um auxílio completo, à medida que tivermos total confiança no alto. Aí sim, será possível Jesus nos estender as mãos e nós, desse amor imenso, desse grande médico de Deus que foi o mestre, recebermos a ajuda de que precisamos, lembrando de que toda a dor é cura para nossos corações, que toda separação é prognóstico de união, que todas as experiências são bênçãos preciosas que amealhamos no espírito.
Por isso, mantenham a chama da fé sempre acesa. A fé é a única chama que não se apaga nunca.

Bezerra de Menezes

Melhorar para progredir

"E a um deu cinco talentos e a outro dois e a outro um,
a cada um segundo a sua capacidade.. ." - Jesus. (Mateus, 25:15.)


Melhorar para progredir - eis a senha da evolução.
Passa o rio dos dons divinos em todos os continentes da vida, contudo, cada ser lhe recolhe as águas, segundo o recipiente de que se faz portador.
Não olvides que os talentos de Deus são iguais para todos, competindo a nós outros a solução do problema alusivo à capacidade de recebê-los.
Não te percas, desse modo, na lamentação indébita.
Uma hora anulada na queixa é vasto patrimônio perdido no preparo da justa habilitação para a meta a alcançar.
Muitos suspiram por tarefas de amor, confiando-se à aversão e à discórdia, enquanto que muitos outros sonham servir à luz, sustentando- se nas trevas da ociosidade e da ignorância.
A alegria e o fulgor dos cimos jazem abertos a todos aqueles que se disponham à jornada da ascensão.
Se te afeiçoas, assim, aos ideais de aprimoramento e progresso, não te afastes do trabalho que renova, do estudo que aperfeiçoa, do perdão que ilumina, do sacrifício que enobrece e da bondade que santifica...
Lembra-te de que o Senhor nos concede tudo aquilo de que necessitamos para comungar-Lhe a glória divina, entretanto, não te esqueças de que as dádivas do Criador se fixam, nos seres da Criação, conforme a capacidade de cada um.

(Extraído do livro "Palavras de Vida Eterna", Emmanuel - Francisco Cândido Xavier)

Mudança

Digna de nota a presente passagem de Lucas. Reparando os samaritanos que Jesus e os discípulos se dirigiam a Jerusalém, negaram-se a recebê-los.
Identificaram-nos pelo aspecto.
Se fossem viajores com destino a outros lugares, talvez lhes oferecessem hospedagem, reconforto, alegria...
Não se verifica, até hoje, o mesmo fenômeno com os verdadeiros continuadores do Mestre?
Jerusalém, para nós, simboliza aqui testemunho de fé.
E basta que alguém se encaminhe resolutamente a semelhante domínio espiritual, para que os homens comuns, desorientados e discutidores, lhe cerrem as portas do coração.
Os descuidados, que rumam na direção dos prazeres fáceis, encontram imediato acolhimento entre os novos samaritanos do mundo.
Mulheres inquietas, homens enganadores e doentes espirituais bem apresentados possuem, por enquanto, na Terra, luzida assembléia de companheiros.
Todavia, quando o aprendiz de Jesus acorda na estrada humana, verificando que é indispensável fornecer testemunho da sua confiança em Deus, com a negação de velhos caprichos, na maior parte das vezes é constrangido a seguir sem ninguém.
É que, habitualmente, em tais ocasiões, o homem se revela modificado.
Não dá a impressão comum da criatura disposta a satisfazer-se.
É alguém resolvido a renunciar aos próprios defeitos e a anulá-los, a golpes de imenso esforço, para esposar a cruz redentora que o identificará com o Mestre Divino.
Por essa razão, mesmo portas a dentro do lar, quase sempre não será plenamente reconhecido, porque seu aspecto sofreu metamorfose profunda ...
Ele mostra o sinal de quem tomou o rumo da definitiva renovação interior para Deus, disposto a consagrar-se ao eterno bem e a soerguer seu coração no grande caminho da libertação.


Fonte Viva
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

sábado, 7 de junho de 2014

Justiça Divina - Haroldo Dutra Dias

A luz no coração

As sombras que recaem sobre a humanidade, no campo moral, nada mais são que a ausência do Evangelho nos corações das criaturas.
Daí a necessidade de uma vivência maior dentro dos padrões traçados por Jesus, por parte daqueles que já se encontram com o Mestre.
A esses, cabe a tarefa de iluminação do planeta.
Conforme o próprio Mestre asseverou, eles terão de ser o "sal da Terra", conservando a elevação do pensamento e dando o sabor da fraternidade à vida de relação.
Se a tarefa parece difícil, é oportuno recordar que, sem o
espírito de renúncia, desprendimento e disciplina, as dores da humanidade se agravariam ainda mais.
As sombras, contudo, hão de ser passageiras, porque o sol do amor de Deus não deixará que a ignorância imponha, por muito tempo, seus efeitos nefastos aos homens de boa vontade e amantes da paz.
Se a brutalidade ainda recrudesce, cabe aos seguidores do Cristo o desenvolvimento da concórdia, por meio do próprio exemplo, na prática dos ensinos evangélicos.
Se a dor moral ainda persiste, como efeito dos enganos e da rebeldia, o alívio por meio dos esclarecimentos é o único caminho e o principal recurso a ser mobilizado.
Se o homem se ressente de seus atos cheios de sombras, cabe a ele mesmo reerguer-se para a luz de Deus, a fim de construir em sua consciência a cidadela de paz que o mundo deseja.
Somente com o desenvolvimento do amor em níveis mais elevados, conseguirá o homem construir a sociedade livre das mazelas que hoje assolam o progresso.
Confiemos, porém, no amor do Pai, oferecendo nossos esforços, em nosso campo de atuação, para que a luz que todos desejamos venha a nascer dos nossos próprios corações.

Clayton B. Levy & Scheila

A mensagem cristã

O Senhor desce da Altura a fim de libertar o coração humano para a sublimidade do amor e da luz.
O Mestre não exige que os banais se façam heróis ou santos de um dia para outro.
Dirige-se a palavra d'Ele à vida comum, aos campos mais simples do sentimento e experiências de cada dia.
Convida as criaturas a levantarem o santuário do Senhor nos próprios corações.
Ama a Deus ensinava Ele com toda a tua alma, coração e entendimento.
Ama o próximo como a ti mesmo.
Perdoa quantas vezes forem necessárias.
Ora pelos que te perseguem e caluniam.
Bendize aquele que te amaldiçoa.
Liberta e serás libertado.
Dá e receberás.
Diante desses apelos, calam-se gradativamente as vozes que mandam revidar e ferir! ... E a palavra de Cristo sobe e cresce na acústica do mundo, preparando o homem para a soberania do Amor Universal.

Emmanuel / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Roteiro (extrato) - Ed. FEB



sexta-feira, 6 de junho de 2014

Ante o mundo melhor


O trabalho será sempre o prodígio do Universo — a força que o entretém, a luz que o eleva.
Observemos junto de nós.
Tudo é trabalho para que a vida se nos transforme na bênção de cada dia.
Trabalha o sol e o mundo se equilibra. Trabalha o mundo e a natureza se renova para que os processos da evolução nos conduzam para o Mais Alto.
A fonte é bondade e a semente faz-se pão porque trabalha servindo.
Reflitamos nisso para que o repouso inoportuno não se nos infiltre no espírito por ferrugem destruidora.
No trabalho é que surpreendemos todas as oportunidades de progresso e melhoria a que nos endereçamos.
Aquele a quem servimos é quem realmente nos servirá.
Damos e recebemos. Isso é tão natural quanto plantar e colher.
Por isso mesmo, seja qual seja a condição em que nos achemos, o trabalho é caminho para a ascensão à felicidade justa.
A hora de que dispomos, a pessoa da estrada, o companheiro em serviço, o amigo e o adversário, constituem talentos potenciais que é preciso aproveitar para o bem, a fim de que o bem nos enriqueça de paz.
Não vacileis.
Atendamos aos imperativos do servir e estaremos no clima do obter.
Não há outra via para alcançar os nossos objetivos de ordem superior, senão essa.
O descanso existe por pausa de refazimento e reformulação.
Nada mais.
Recordemos semelhante verdade para que não lhe desrespeitemos a fronteira caindo na marginalização de nossas melhores forças.
Trabalhar, sim, e trabalhar sempre, porquanto, se tudo quanto existe agora de bom e de belo, aos nossos olhos na Terra, é fruto do esforço de quem agiu e construiu, o futuro, por reino de segurança e felicidade entre as criaturas, tão-somente surgirá por fruto de quem trabalha no presente, atendendo aos apelos do Cristo para que, em nos amando uns aos outros, nos façamos obreiros fiéis e devotados, no levantamento da Nova Era para um Mundo Melhor.

Batuíra
(De “Seguindo Juntos”, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos diversos)


quinta-feira, 5 de junho de 2014

Diante da angústia


A ausência de objetivos existenciais conduz o indivíduo à conceituação do nada como um mecanismo de fuga da realidade.
Kierkegaard, o eminente teólogo e filósofo dinamarquês, estabeleceu que a ausência de sentido da vida conduz à angústia, procedendo do nada e vivenciando realidades para o futuro .
Essa ambigüidade entre o nada e o ser leva a uma irracionalidade da sua existência metafísica e a expressão absurda da vida.
Essa conceituação abriu espaço para formulações variadas na área da filosofia, facultando aos existencialistas, através do pensamento de Sartre, que a considerava como sendo uma expressão de liberdade, conseqüência da falta de objetivos essenciais. Igualmente os sensualistas têm-na como ausência de metas, o absurdo, produzindo resultados de aniquilamento da vida, como pensava Camus e todo um grupo de apologistas do prazer.
Sob o ponto de vista psicológico, a angústia resulta de vários fatores ancestrais, que podem possuir uma carga genética, que imprimiu no comportamento a patologia perturbadora.
Outros impositivos psicossociais como perinatais influenciam a conduta angustiante, levando à depressão profunda, que pode resultar em suicídio.
A fixação de pensamentos negativos em que o homem se compraz termina por gerar conflitos graves quando se negam auto-estima e o direito à felicidade, vivência a autoconsideração, tombando na revolta surda e silenciosa, que cultiva nos dédalos da personalidade conflitiva.
Entretanto, as raízes fortes da angústia encontram-se emaranhadas no passado de culpa do Espírito, que reconhece o erro e teme ser descoberto.
Envolve-se, sem dar-se conta, num manto sombrio de desconforto moral e sem ter consciência da sua realidade, compreende-a, mas não sabendo digeri-la, transforma-a em mortificação, em cilício, que o amargura.
Faltando valores morais para um enfrentamento lúcido com a realidade em que limita os movimentos, transfere o sentido de responsabilidade para o próximo, para a sociedade e descarrega a sua mágoa, rebelando-se, anulando-se.
A angústia é estado mórbido que deve ser combatido na sua causalidade.
A reflexão em torno dos valores que são desconsiderados, a introspecção sobre a oportunidade de despertamento para ser útil, o sentimento de fraternidade que deve ser despertado, contribuem positivamente para o tratamento libertador...
A ajuda especializada de terapeuta responsável enseja o desalgemar do Espírito desse amargo estado aflitivo, acenando possibilidades felizes que se transformam em bem-estar e saúde.
Não raro, o portador de angústia cultiva o masoquismo, que resulta de uma consulta egoísta, graças, ao que, mediante mecanismo psicológico especial, foge da realidade por necessidade de valorização pessoal. Em face da ausência de recursos positivos e superiores, recorre ao atavismo dos instintos primários e descamba na torpe angústia.
Diante dela, somente uma resolução firme e legítima para facultar abertura terapêutica para o desafio.
Não havendo interesse do paciente, é certo que mais difícil se torna a liberação da psicopatologia tormentosa.
Considera a bênção da oportunidade que desfrutas e espanta as sombras da tristeza que, periodicamente, te assaltam.
Evita acumular amarguras defluentes da queixa, da sensação de infelicidade, e trabalha-te, a fim de que teu amanhã se apresente menos tenebroso.
Hoje colhes, enquanto fruis o ensejo de ensementar.
Busca ser útil a alguém, mesmo que, aparentemente, nenhum objeto se te delineie de imediato.
Sempre há oportunidade, quando se deseja crescer e desenvolver valores latentes.
Jesus informou que Ele é vida e vida em abundância.
Recorre-lhe à ajuda, e deixa-te curar pela sua assistência de Psicoterapeuta por excelência.

Joanna de Ângelis & Divaldo Pereira franco

Renascer


Para as ânsias do espírito liberto
A dor maior, a dor das grandes dores,
É renascer nos mundos inferiores,
Retomando o caminho escuro e incerto.
Martirológio, mísero, reaberto,
Entre angústia, misérias e pavores,
Na visão dos micróbios destruidores
Ou de areias de fogo de um deserto.
A alma livre do implexo do mundo
Vive da paz, do amor de que me inundo,
Longe da confusão que o mundo encerra...
Reencarnar-se! Eis o trágico tropeço
De se voltar ao triste recomeço
Das podridões orgânicas da Terra!...

Augusto dos Anjos & Francisco Cândido Xavier
(Livro: Lira Imortal)

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Erros

Se você fez um erro, admita-o claramente.
Não fuja aos resultados.
Suporte com humildade os remoques da crítica. Não acredite que você possa, de imediato, sanar a brecha em torno de seu nome.
Entretanto, não se ponha a chorar, inutilmente, porque esse não é o seu primeiro erro e nem será o último.
Levante a cabeça e recomece.
Demonstre sinceridade no reajuste.
Inicie a tarefa das boas ações, na escala que lhe seja possível, distribuindo parcelas de você, e de sua influência, a quantos você
possa ser útil, porque toda vibração de agradecimento funciona por material de reparação.
Trabalhe, ajudando sempre, na certeza de que o trabalho honesto, com o tempo, dissolve toda mágoa e apaga toda censura.
Mas não torne a incidir no mesmo erro, porquanto quem sabe, de antemão, a falta que comete, em verdade, não se encontra na armadilha
do erro e sim está manejando, conscientemente, a armadilha do mal.

(De “Ideal Espírita”, de Francisco Cândido Xavier & André Luiz – autores diversos)

Eles virão


Nos momentos difíceis, detém-te nos afetos inolvidáveis que te precederam na viagem da grande liberação!... Tê-los-ás presentes, ao recordar-lhes os exemplos de bondade e valor com que superaram as horas de tentação e de sacrifício.
Reencontrarás, sem dificuldade, o ponto de ligação com eles, em algum recanto aparentemente esquecido da memória, no qual ainda vibram as notas do teu cântico de alegria e de gratidão, diante de algum gesto de humanidade e devotamento com que te encorajaram a lealdade e a esperança!...
Lembra-te deles, mas sempre que possível, não lhes peças auxilio para a obtenção de facilidades humanas que não tiveram.
Rearticula-lhes a imagem no pensamento, tal qual os viste, sob a carga das obrigações em que se enobreceram nos testemunhos de fidelidade e trabalho.
Em seguida, roga-lhes inspiração e socorro para que te não falhem as energias no trato com os deveres que a vida te deu a executar.
Solicita-lhes a presença animadora.
Eles virão ao teu encontro e te falarão sem palavras articuladas da ventura que se derrama da consciência tranqüila, fortalecendo-te o ânimo sem te furtarem o lugar no banco das provas.
Não te arrebatarão os pés ao espinho da urze, por saberem que o homem não faz lume na própria alma, sem o vaso da experiência, mas estender-te-ão os braços invisíveis, a te sustentarem as forças, na travessia da vereda escabrosa.
A pouco e pouco, pelo sem-fio do pensamento, te ensinarão que apenas constroem para o bem, Aqueles que se dispõem a obedecer e te farão sentir que tudo de bom nas sendas da Terra vem dos que se rendem à disciplina, para que a vida se faça melhor.
Nos instantes de desalento, sobretudo, chama por eles, os amigos cujos olhos físicos a morte selou para abri-los ao sol do Mundo Espiritual e eles virão, por mensageiros de luz, não somente a fim de renovar-te o coração dolorido, mas também para explicar-te que ninguém compra a verdadeira felicidade sem a moeda do amor, lastreada pela riqueza do sofrimento.

Emmanuel
(Do livro Nascer e Renascer)

A prova última

E porque o aprendiz indagasse sobre o currículo dos exames a respeito do aperfeiçoamento da alma, o mentor esclareceu, paciente:
- Na Espiritualidade Superior, as avaliações de aproveitamento são muitas. Temos as de paciência, de disciplina, de espírito de serviço e de auxílio aos semelhantes, no entanto, ao que me parece, a última é a mais difícil de todas.
E qual é a última?
- Indagou o discípulo atento.
O mentor respondeu, em tom decisivo:
- A última prova, no aperfeiçoamento de cada um de nós é a humildade.


(Obra: Agora é o Tempo – Francisco Cândido Xavier / Emmanuel)

terça-feira, 3 de junho de 2014

Amargando decepções


Não somos poucos os que nos tornamos pessoas amargas, indiferentes ou frias, por causa de decepções que afirmamos ter sofrido aqui ou ali, envolvendo outras pessoas.
A decepção foi com o amigo a quem recorremos num momento de necessidade e não encontramos o apoio esperado. Foi com o companheiro de trabalho que nos constituía modelo, parecia perfeito e o surpreendemos em um deslize.
Tais decepções devem nos remeter a exames melhores das situações.
Decepcionarmo-nos com pessoas que estão no Mundo, sofrendo as nossas mesmas carências e tormentos não é muito real.
Primeiro, porque elas não nos pediram para assinar contrato ou compromissos de infalibilidade para conosco. Segundo, porque o simples fato de elas transitarem na Terra, ao nosso lado, é o suficiente para que não as coloquemos em lugares de especial destaque, pois todas têm seu ponto frágil e até mesmo seus pontos sombrios.
A nossa decepção, em realidade, é conosco mesmo, pois que nos equivocamos em nossa avaliação, por precipitação ou por análise superficial.
Não menos errada a decepção que afirmamos ter com a própria religião, com a doutrina de fé cristã que está a espalhar, em toda parte, os ensinamentos deixados por Jesus Cristo para os seres de boa vontade.
O que acontece é que costumamos confundir as doutrinas que ensinam o bem, o nobre, o bom com os doutrinadores que, embora falem das virtudes que devemos perseguir, conduzem as próprias existências em oposição ao que pregam.
Como vemos, a decepção não é com as mensagens da Boa Nova, mas exatamente com os que conduzem a mensagem. Nesse ponto não nos esqueçamos de fazer o que ensinou Jesus: comparar os frutos com as qualidades das árvores donde eles procedem, de modo a não nos deixarmos iludir.
Avaliemos, desta forma, as nossas queixas contra pessoas e situações e veremos que temos sido os grandes responsáveis pelas desilusões do caminho.
Nós mesmos é que criamos as ondas que nos decepcionam e magoam.
Cabe-nos amadurecer gradualmente nos estudos e na prática do bem, aprendendo a examinar cada coisa, cada situação, analisar a nós mesmos com atenção, a fim de crescermos para a grande luz, sem nos decepcionarmos com nada ou com ninguém.
Precisamos aprender a compreender cada indivíduo no nível em que se situa, não exigindo dele mais do que possa dar e apresentar, exatamente como não podemos pedir à roseira que produza violetas, que não tenha espinhos e que não despetale suas flores na violência dos ventos.
Para que avancemos em nossa caminhada evolutiva, imponhamo-nos uma conduta de maturidade, de indulgência e de benevolência para com os demais.
Disponhamo-nos a brilhar, sob a proteção de Deus, avançando sempre, não nos detendo na retaguarda a examinar mágoas e depressões, que se apresentam na estrada como pedras e obstáculos, calhaus e detritos.

(Redação do Momento Espírita, com base no cap. 28 do livro Revelações da luz, Camilo & Raul Texeira)

O Trabalho dos Guias


Quando sentires da tristeza o véu
Cobrir-te a alma a soluçar de dor,
Tudo perdido, as esperanças mortas,
A vida escura sem nenhum calor...

Quando sentires, nessas noites longas,
Que a tua alma em sofrimento atroz
Perdeu o rumo, como perde o barco
Por entre a onda em vendaval feroz...

E na amargura em que tu te consomes
Ninguém te ajuda, nem um peito só;
E quando vires que os amigos falsos,
Inda te cobrem de mais lodo e pó...

É nesse instante que na escuridão
(Anjo celeste que enviou Jesus!)
Alguém o pranto que teus olhos vertem,
Aflito enxuga irradiando luz!,

Anjo da Guarda de bondade imensa,
Cuja missão é dirigir-te o passo,
Contigo sofre porque não o ouviste,
E te atiraste ao traiçoeiro laço!

Oh! Quantas vezes! Quantas vezes! Quantas!
Tu, fascinado com a ilusão do mundo,
Ouviste o Anjo segredar baixinho:
"Foge depressa, que o abismo é fundo!"

Cumpre este Anjo sob a Luz do Cristo
Missão sublime que lhe deu Maria:
A de velar-te - não importa a hora,
Seja de noite, madrugada ou dia!

Quantas virtudes seu trabalho exige
Para realizar-se em teu escuro mundo:
Dedicação, que nem as mães possuem!
A humildade e um amor profundo!

Nos manicômios, no asilo ou creches,
Nos hospitais ou nas prisões cruéis,
Todos que sofrem nunca estão sozinhos,
Nem mesmo as moças dos fatais bordéis!

Por que não tentas conversar com o Guia?
Ouvi-lo podes através da mente!
E Anjo da Guarda tem visão do Cosmos!
E vê além deste viver presente!

Assim fazendo, encurtarás as provas
Que se acumulam no passar do dia;
Adeus tristezas, sofrimento, tédio!
Ouve inda hoje a sábia voz do Guia!

Casimiro de Abreu & Jorge Rizzini
Revista Internacional de Espiritismo – Julho de 2000.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Força da Fé

A fé religiosa, assentada nas sólidas bases da razão, constitui
equipamento de segurança para a travessia feliz da existência corporal.
Luz acesa na sombra, aponta o rumo no processo humano para
a conquista dos valores eternos.
O homem sem fé é semelhante a barco sem bússola em oceano imenso.
Quando bruxuleia a fé, e se apaga por falta do combustível
que a razão proporciona, ei-lo a padecer a rude provação de ter
que seguir em plena escuridão, sem apoio nem discernimento.
A fé pode ser comparada a uma lâmpada acesa colocada nos
pés, clareando o caminho.
Sustenta a tua fé com a lógica do raciocínio claro.
Concede-lhe tempo mental, aprofundando reflexões em torno
da vida e da sua superior finalidade.
Exercita-a, mediante a irrestrita confiança em Deus e na incondicional
ação do bem.
A fé é campo para experiências transcendentes, que dilatam a capacidade espiritual do ser.
Com o dinamismo que a fé propicia, cresce nas tuas aspirações,
impulsionando a vontade na diretriz da edificação de ti mesmo, superando impedimentos e revestindo-te de coragem com que triunfarás nos tentames da evolução.
Conforme a intensidade da tua fé, agirás, fazendo da tua vida aquilo em que realmente acreditas.

Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco
(Episódios Diários)

No mundo afetivo

Reprovamos a violência e clamamos contra a violência; no entanto, na vida de relação, muito raramente nos acomodamos sem ela quando se trate de nossos interesses.
Muito comum, principalmente quando amamos alguém, exigirmos que esse alguém se nos condicione ao modo de ser.
A Natureza é um mostruário da variedade com que a Sabedoria Divina plasmou a Criação.
Todas as flores são flores, mas o gerânio não tem as características do cravo e nem a rosa as da violeta. Ademais, cada flor tem o seu perfume.
Assim, também, as criaturas. Cada pessoa respira em faixa diversa de evolução.
Justo nos detenhamos na companhia daqueles que sentem e pensam como nós, usufruindo os valores da afinidade.
Entretanto, sempre que amarmos alguém que não comunga nossas ideias e emoções, abstenhamo-nos de lhe violentar a cabeça com os moldes em que se padroniza nossa vida espiritual.
Deus não dá cópias. Cada um vive em determinado plano da criação, segundo as leis do Criador.

Emmanuel / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Ceifa de Luz (extrato) - Ed. FEB

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...