sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Paz

“Disse-lhes, pois, Jesus, outra vez: Paz seja convosco.” — (João, capítulo 20, versículo 21.)

Muita gente inquieta, examinando o intercâmbio entre os novos discípulos do Evangelho e os desencarnados, interroga, ansiosamente, pelas possibilidades da colaboração espiritual, junto às atividades humanas.
Por que razão os emissários do invisível não proporcionam descobertas sensacionais ao mundo?
Por que não revelam os processos de cura das moléstias que desafiam a Ciência?
Como não evitam o doloroso choque entre as nações?
Tais investigadores, distanciados das noções de justiça, não compreendem que seria terrível furtar ao homem os elementos de trabalho, resgate e elevação.
Aborrecem-se, comumente, com as reiteradas e afetuosas recomendações de paz das comunicações do Além-Túmulo, porque ainda não se harmonizaram com o Cristo.
Vejamos o Mestre com os discípulos, quando voltava a confortá-los, do plano espiritual. Não lhe observamos na palavra qualquer recado torturante, não estabelece a menor expressão de sensacionalismo, não se adianta em conceitos de revelação supernatural.
Jesus demonstra-lhes a sobrevivência e deseja-lhes paz.
Será isso insuficiente para a alma sincera que procura a integração com a vida mais alta? Não envolverá, em si, grande responsabilidade o fato de reconhecerdes a continuação da existência, além da morte, na certeza de que haverá exame dos compromissos individuais?
Trabalhar e sofrer constituem processos lógicos do aperfeiçoamento e da ascensão. E que atendamos a esses imperativos da Lei, com bastante paz, é o desejo amoroso e puro de Jesus-Cristo.
Esforcemo-nos por entender semelhantes verdades, pois existem numerosos aprendizes aguardando os grandes sinais, como os preguiçosos que respiram à sombra, à espera do fogo-fátuo do menor esforço.

Obra: Caminho, Verdade e Vida
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Indiferentes

A indiferença é morte da ação que induz a criatura ao progresso. É ausência de ideal vitalizador.
O indiferente padece de doença que o domina a pouco e pouco, ameaça-lhe o equilíbrio e anula as movimentações que o capacitam para a luta.
São pessoas que não ouvem nem querem ver. Não alcançaram metas e sentem-se burladas.
Refugiam-se na indiferença antes de tentarem mais uma vez. E, porque perderam a fé, negam-se a confiar em alguém.
Nas atividades espirituais, são em número surpreendente. Não reagem a favor nem contra.
Não te aflijas pela atitude delas. Reencontrarão, mais tarde, o caminho que devem percorrer.
Não deixes de produzir e com entusiasmo, no teu campo de ação, quando as defrontares.
Não foram apenas os que odiavam e temiam a soberana força do amor de Jesus que O levaram à morte. Foram também os indiferentes.
Apesar deles, o Senhor escreveu, com sacrifício pessoal, a página mais comovedora e estoica de todos os tempos e que até hoje atrai mentes e corações para Sua doutrina.


Joanna de Ângelis / Médium Divaldo Pereira Franco
Livro: Oferenda - Ed. LEAL

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Aprendamos com Jesus

É impossível qualquer ação de conjunto, sem base na tolerância.
Aprendamos com o Cristo.
O homem identifica no corpo a lei da cooperação, sem a qual não permaneceria na Terra. Se o estômago não suportasse as extravagâncias da boca, se as mãos não obedecessem aos impulsos da mente, a harmonia física resultaria de todo impraticável.
Indispensável cultivar a renúncia aos pequenos desejos, para conquistarmos a capacidade de sacrifício, que nos habilitará a sublimação em mais altos níveis.
Recordemos que o supremo orientador das equipes de serviço cristão é Jesus. Dentro delas, a nossa oportunidade de algo fazer constitui só por si valioso prêmio.
Esqueçamo-nos de todo o mal, para construirmos todo o bem ao nosso alcance.
E, para que possamos assim agir, é imperioso suportar-nos como irmãos aprendendo com o Senhor, que nos tem tolerado infinitamente.


Emmanuel / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Fonte Viva - Ed. FEB

Laço de luz

As provas na Terra apresentam sempre o lado de luz de que são mensageiras.
Entretanto, para observá-lo, urge reconhecer os sinônimos espirituais de que
essas mesmas provas se revestem, como sejam:


encargo difícil - privilégio;
dever cumprido - senda libertadora;
rotina - conquista de competência;
solidão - tempo de pensar;
contratempo - aviso benéfico;
contrariedades no cotidiano - treino de paciência;
tribulação de improviso - socorro específico;
moléstia súbita - apoio de emergência;
lesão congênita - corrigenda no espírito;
adversários - fiscais proveitosos;
crítica - apelo a burilamento;
censura - convite a reajuste;
ofensa - invocação à tolerância;
menosprezo - teste de amor;
tentação - curso de resistência;
fracasso - necessidade de revisão;
lar em discórdia - área de resgate;
parente complexo - dívida em cobrança;
obstáculo social - ensino de humildade;
deserção de afetos - renovação compulsória;
golpes - aulas para discernimento;
desilusão - visita da verdade;
prejuízo - identificação de pessoas;
decepções - informes claros;
renúncia - rumo certo
crise - aferição de valor;
sacrifício - crescimento espiritual;

Meditemos na significação oculta dos problemas com que somos defrontados no
mundo e saibamos aproveitar, enquanto no Plano Físico, a nossa abençoada
escola de elevação.

Obra: Buscas e Acharás – Francisco Cândido Xavier/Emmanuel

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A paz resulta do equilíbrio e não da inércia


Muitas vezes, a pretexto de servir a Jesus, fugimos para a sombra quieta do claustro, abandonando a luta em que o Mestre espera de nós a colaboração salutar.
Mal nos sabe a escolha, porque, em semelhante contemplação, cultivamos a inutilidade e acordamos, ao clarim da morte, na condição do pássaro de asas entorpecidas.
Diz-se que é preciso aborrecer o pecado, buscando o recanto silencioso da virtude improdutiva e anestesiante, sem o que não abominaremos Satanás e as suas obras.
Não traduzirá, porém, essa atitude ruinoso descaso para com o mundo e para com as almas que o Senhor nos confiou aos cuidados e salvaguarda?
Fora preciso que o amor não passasse de escura mentira, para crermos em nossa salvação exclusiva, com deplorável esquecimento dos outros. Um soluço de criança na Terra destruiria o Céu que a teologia comum criou para atender, em caráter provisório, as nossas indagações.
O clima de contrastes em que a inteligência da criatura se alarga e envolve, propiciando-lhe dificuldades e sombras temporárias, é, na essência, a paisagem indispensável ao crescimento do espírito, para a vitória do amor, no coração do Homem e no caminho da Humanidade.
A paz resulta do equilíbrio e não da inércia. (...)

Autor: Joanna de Ângelis

Afirmação e ação

“Disse-lhes Jesus: A minha comida é fazer eu a vontade daquele que me enviou, e cumprir a sua obra.” – (João, 4:34.)

Aqui e ali, encontramos crentes do Evangelho invariavelmente prontos a alegar a boa intenção de satisfazer os ditames celestiais. Entregam-se alguns à ociosidade e ao desânimo e, com manifesto desrespeito às sagradas noções da fé, asseguram ao amigo ou ao vizinho que vivem atendendo às determinações do Todo-Poderoso.
Não são poucos os que não prevêem, nem providenciam a tempo e, quando tudo desaba, quando as forças inferiores triunfam, eis que, em lágrimas, declaram que foram obedecidas as ordens do Altíssimo.
No que condiz, porém, com a atuação do Pai, urge reconhecer que, se há manifestação de sua vontade, há, simultaneamente, objetivo e finalidade que lhe são conseqüentes.
Programa elevado, sem concretização, é projeto morto.
Deus não expressaria propósitos a esmo.
Em razão disso, afirmou Jesus que vinha ao mundo fazer a vontade do Pai e cumprir-lhe a obra.
Segundo observamos, não se reportava somente ao desejo paternal, mas igualmente à execução que lhe dizia respeito.
Não é razoável permanecer o homem em referências infindáveis aos desígnios do Alto, quando não cogita de materializar a própria tarefa.
O Pai, naturalmente, guarda planos indevassáveis acerca de cada filho. É imprescindível, no entanto, que a criatura coopere na objetivação dos propósitos divinos em si própria, compreendendo que se trata de lamentável abuso muita alusão à vontade de Deus quando vivemos distraídos do trabalho que nos compete.

Obra: Vinha de luz
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Varonilmente

“Vigiai, estai firmes na fé, portai-vos varonilmente, sede fortes.” – Paulo. (1ª Epístola aos Coríntios, 16:13.)

Vigiai na luta comum.
Permanecei firmes na fé, ante a tempestade.
Portai-vos varonilmente em todos os lances difíceis.
Sede fortes na dor, para guardar-lhe a lição de luz.
Reveste-se o conselho de Paulo aos Coríntios, ainda hoje, de surpreendente oportunidade.
Para conquistarmos os valores substanciais da redenção, é imprescindível conservar a fortaleza de ânimo de quem confia no Senhor e em si mesmo.
Não vale a chuva de lágrimas despropositadas, ante a falta cometida.
Arrependermo-nos de qualquer gesto maligno é dever, mas pranteá-lo indefinidamente é roubar tempo ao serviço de retificação.
Certo, o mal deliberado é um crime, todavia, o erro impensado é ensinamento valioso, sempre que o homem se inclina aos desígnios do Senhor.
Sem resistência moral, no turbilhão de conflitos purificadores, o coração mais nobre se despedaça.
Não nos cabe, portanto, repousar no serviço de elevação.
É natural que venhamos a tropeçar muitas vezes.
É compreensível que nos firamos freqüentemente nos espinhos da senda.
Lastimável, contudo, será a nossa situação toda vez que exigirmos rede macia de consolações indébitas, interrompendo a marcha para o Alto.
O cristão não é aprendiz de repouso falso. Discípulo de um Mestre que serviu sem acepção de pessoas até à cruz, compete-lhe trabalhar na sementeira e na seara do Infinito Bem, vigiando, ajudando e agindo varonilmente.

Obra: Fonte Viva
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Afirmação esclarecedora

“E não quereis vir a mim para terdes vida.” – Jesus. (João, 5:40.)

Quantos procuram a sublimação da individualidade precisam entender o valor supremo da vontade no aprimoramento próprio.
Os templos e as escolas do Cristianismo permanecem repletos de aprendizes que vislumbram os poderes divinos de Jesus e lhe reconhecem a magnanimidade, caminhando, porém, ao sabor de vacilações cruéis.
Crêem e descrêem, ajudam e desajudam, organizam e perturbam, iluminam-se na fé e ensombram-se na desconfiança…
É que esperam a proteção do Senhor para desfrutarem o contentamento imediato no corpo, mas não querem ir até ele para se apossarem da vida eterna.
Pedem o milagre das mãos do Cristo, mas não lhe aceitam as diretrizes.
Solicitam-lhe a presença consoladora, entretanto, não lhe acompanham os passos.
Pretendem ouvi-lo, à beira do lago sereno, em preleções de esperança e conforto, todavia, negam-se a partilhar com ele o serviço da estrada, através do sacrifício pela vitória do bem.
Cortejam-no em Jerusalém, adornada de flores, mas fogem aos testemunhos de entendimento e bondade, à frente da multidão
desvairada e enferma.
Suplicam-lhe as bênçãos da ressurreição, no entanto, odeiam a cruz de espinhos que regenera e santifica.
Podem ir na vanguarda edificante, mas não querem.
Clamam por luz divina, entretanto, receiam abandonar as sombras.
Suspiram pela melhoria das condições em que se agitam, todavia, detestam a própria renovação.
Vemos, pois, que é fácil comer o pão multiplicado pelo infinito amor do Mestre Divino ou regozijar-se alguém com a sua influência curativa, mas, para alcançar a Vida Abundante de que ele se fez o embaixador sublime, não basta a faculdade de poder e o ato de crer, mas também a vontade perseverante de quem aprendeu a trabalhar e servir, aperfeiçoar e querer.

Obra: Fonte Viva
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Entendimento

O cultivador do campo não prescinde do arado com que sulcará o corpo da gleba.
O estatuário recorrerá ao buril para afeiçoar o mármore à ideia criadora que lhe inflama a cabeça.
A criatura interessada na produção de reflexos mentais protetores de sua senda não dispensará o entendimento por alicerce do trabalho renovador. Entendimento que simbolize fraternidade operante.
Até o ingresso na Consciência Cósmica, todos os seres se distinguem pela face de luz com que se alteiam para os cimos da evolução e pela face de sombra pela qual ainda sofrem a influência da retaguarda.
Todos recolhemos do Pai Celeste os estímulos ao futuro e todos padecemos os reflexos do passado a se nos projetarem sobre a existência.
Só o culto do entendimento pode garantir-nos o equilíbrio indispensável no serviço edificante de autoburilamento.

Emmanuel / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Pensamento e Vida - Ed. FEB

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Na cruz

“Ele salvou a muitos e a si mesmo não pôde salvar-se.” – (Mateus, 27:42.)

Sim, ele redimira a muitos…
Estendera o amor e a verdade, a paz e a luz, levantara enfermos e ressuscitara mortos.
Entretanto, para ele mesmo erguia-se a cruz entre ladrões.
Em verdade, para quem se exaltara tanto, para quem atingira o pináculo, sugerindo indiretamente a própria condição de Redentor e Rei, a queda era enorme…
Era o Príncipe da Paz e achava-se vencido pela guerra dos interesses inferiores.
Era o Salvador e não se salvava.
Era o Justo e padecia a suprema injustiça.
Jazia o Senhor flagelado e vencido.
Para o consenso humano era a extrema perda.
Caíra, todavia, na cruz.
Sangrando, mas de pé.
Supliciado, mas de braços abertos.
Relegado ao sofrimento, mas suspenso da Terra.
Rodeado de ódio e sarcasmo, mas de coração içado ao Amor.
Tombara, vilipendiado e esquecido, mas, no outro dia, transformava a própria dor em glória divina. Pendera-lhe a fronte, empastada de sangue, no madeiro, e ressurgia, à luz do sol, ao hálito de um jardim.
Convertia-se a derrota escura em vitória resplandecente. Cobria-se o lenho afrontoso de claridades celestiais para a Terra inteira.
Assim também ocorre no círculo de nossas vidas. Não tropeces no fácil triunfo ou na auréola barata dos crucificadores. Toda vez que as circunstâncias te compelirem a modificar o roteiro da própria vida, prefere o sacrifício de ti mesmo, transformando a tua dor em auxílio para muitos, porque todos aqueles que recebem a cruz, em favor dos semelhantes, descobrem o trilho da eterna ressurreição.

Obra: Fonte Viva
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Pureza

Estudando a palavra do Mestre, recordemos que no mundo não existiu ninguém com tanta pureza na alma.
Cabe-nos lembrar como Jesus via no caminho da vida, para reconhecermos que sabia encontrar a Presença Divina em todas as situações e criaturas.
Para muitos, a manjedoura era lugar desprezível; entretanto, Ele via Deus na humildade com que a Natureza lhe oferecia materno colo e transformou a estrebaria num poema de excelsa beleza.
Para muitos, Maria de Magdala era sem valor, pela condição de obsidiada em que se mostrava na vida pública; Ele via Deus em seu coração feminino e converteu-a em mensageira da celeste ressurreição.
Se purificares o coração, notarás a presença de Deus em toda parte, compreendendo que o Criador não desiste de criatura alguma, e notarás que a maldade é apenas lama que envolve a alma – o brilhante Divino que virá fatalmente à Luz...

Emmanuel / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Religião dos Espíritos

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Sepulcros abertos

“A sua garganta é um sepulcro aberto.” – Paulo. (Romanos, 3:13.)

Reportando-se aos espíritos transviados da luz, asseverou Paulo que têm a garganta semelhante a sepulcro aberto e, nessa imagem, podemos emoldurar muitos companheiros, quando se afastam da Estrada Real do Evangelho para os trilhos escabrosos do personalismo delinqüente.
Logo se instalam no império escuro do “eu”, olvidando as obrigações que nos situam no Reino Divino da Universalidade, transfigura-se-lhes a garganta em verdadeiro túmulo descerrado.
Deixam escapar todo o fel envenenado que lhes transborda do íntimo, à maneira dum vaso de lodo, e passam a sintonizar, exclusivamente, com os males que ainda apoquentam vizinhos, amigos e companheiros.
Enxergam apenas os defeitos, os pontos frágeis e as zonas enfermiças das pessoas de boa-vontade que lhes partilham a marcha.
Tecem longos comentários no exame de úlceras alheias, ao invés de curá-las.
Eliminam precioso tempo em palestras compridas e ferinas, enegrecendo as intenções dos outros.
Sobrecarregam a imaginação de quadros deprimentes, nos domínios da suspeita e da intemperança mental.
Sobretudo, queixam-se de tudo e de todos.
Projetam emanações entorpecentes de má-fé, estendendo o desânimo e a desconfiança contra a prosperidade da santificação, por onde passam, crestando as flores da esperança e aniquilando os frutos imaturos da caridade.
Semelhantes aprendizes, profundamente desventurados pelaconduta a que se acolhem, afiguram-se-nos, de fato, sepulcrosabertos…
Exalam ruínas e tóxicos de morte.
Quando te desviares, pois, para o resvaladiço terreno das lamentações e das acusações, quase sempre indébitas, reconsidera os teus passos espirituais e recorda que a nossa garganta deve ser consagrada ao bem, pois só assim se expressará, por ela, o verbo sublime do Senhor.

Obra: Fonte Viva
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Não somente

“Nem só de pão vive o homem.” – Jesus. (Mateus, 4:4.)

Não somente agasalho que proteja o corpo, mas também o refúgio de conhecimentos superiores que fortaleçam a alma.
Não só a beleza da máscara fisionômica, mas igualmente a formosura e nobreza dos sentimentos.
Não apenas a eugenia que aprimora os músculos, mas também a educação que aperfeiçoa as maneiras.
Não somente a cirurgia que extirpa o defeito orgânico, mas igualmente o esforço próprio que anula o defeito íntimo.
Não só o domicílio confortável para a vida física, mas também a casa invisível dos princípios edificantes em que o espírito se faça útil, estimado e respeitável.
Não apenas os títulos honrosos que ilustram a personalidade transitória, mas igualmente as virtudes comprovadas, na luta objetiva, que enriqueçam a consciência eterna.
Não somente claridade para os olhos mortais, mas também luz divina para o entendimento imperecível.
Não só aspecto agradável, mas igualmente utilidade viva.
Não apenas flores, mas também frutos. Não somente ensino continuado, mas igualmente demonstração ativa.
Não só teoria excelente, mas também prática santificante.
Não apenas nós, mas igualmente os outros.
Disse o Mestre: – “Nem só de pão vive o homem.”
Apliquemos o sublime conceito ao imenso campo do mundo.
Bom gosto, harmonia e dignidade na vida exterior constituem dever, mas não nos esqueçamos da pureza, da elevação e dos recursos sublimes da vida interior, com que nos dirigimos para a Eternidade.

Obra: Fonte Viva
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Convite à prudência

A prudência é atitude de sabedoria.
Prudência no falar, no agir e no pensar.
Ao falar, o homem perde o domínio da palavra.
Falar com prudência leva-o a atitude refletida.
Já a palavra precipitada pode lavrar incêndio, provocar conflito ou desarticular programas úteis.
A palavra não pronunciada é patrimônio precioso que o homem pode utilizar no momento justo.
A palavra falada pode converter-se em chicote que volta e pune o irresponsável que a libera.
Antes de agir, o homem detém os valores que pode utilizar; depois, colhe os resultados do ato.
Agir com ponderação.
Pensar com prudência.
A palavra que fere conduz à posição exaltada, impedindo a perfeita ordenação mental, o que pode levar a resultados danosos.
Pensar-refletindo predispõe a ouvir e cria o hábito de ponderar com acerto sobre os verdadeiros problemas da vida.
Com prudência, Jesus pensou, falou e agiu.
Devagar, surge um reino de paz e esperança para a humanidade.

Joanna de Ângelis / Médium Divaldo Pereira Franco
Livro: Convites da Vida - Ed. EDIOURO

Destruição e miséria

“Em seus caminhos há destruição e miséria.” Paulo. (Romanos, 3:16.)

Quando o discípulo se distancia da confiança no Mestre e se esquiva à ação nas linhas do exemplo que o seu divino apostolado nos legou, preferindo a senda vasta de infidelidade à própria consciência, cava, sem perceber, largos abismos de destruição e miséria por onde passa.
Se cristaliza a mente na ociosidade, elimina o bom ânimo no coração dos trabalhadores que o cercam e estrangula as suas próprias oportunidades de servir.
Se desce ao desfiladeiro da negação, destrói as esperanças tenras no sentimento de quantos se abeiram da fé e tece vasta rede de sombras para si mesmo.
Se transfere a alma para a residência escura do vício, sufoca as virtudes nascentes nos companheiros de jornada e adquire débitos pesados para o futuro.
Se asila o desespero, apaga o tênue clarão da confiança na alma do próximo e chora inutilmente, sob a tormenta de lágrimas destrutivas.
Se busca refúgio na casa fria da tristeza, asfixia o otimismo naqueles que o acompanham e perde a riqueza do tempo, em lamentações improfícuas.
A determinação divina para o aprendiz do Evangelho é seguir adiante, ajudando, compreendendo e servindo a todos.
Estacionar é imobilizar os outros e congelar-se.
Revoltar-se é chicotear os irmãos e ferir-se.
Fugir ao bem é desorientar os semelhantes e aniquilar-se.
Desventurados aqueles que não seguem o Mestre que encontraram, porque conhecer Jesus-Cristo em espírito e viver longedele será espalhar a destruição, em torno de nossos passos, e conservar a miséria dentro de nós mesmos.

Obra: Fonte Viva
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Crises e você

Justificando suas aflições, você relaciona as crises que enxameiam o mundo:
Crise na balança do comércio mundial;
Crise nos negócios, que sofrem ágios altos;
Crise na saúde, que se decompõe por uso de drogas, agressões e permissividades;
Crise de trabalho, com o desemprego de milhões de cidadãos;
Crise ambiental, em virtude da poluição;
Crise de confiança, por falta de ética de fraternidade entre os homens;
Crise de amor, enxovalhado pelas explosões da sensualidade.
Há crise, mas você pode modificar a paisagem que lhe parece anárquica:
Não acuse o caído - levante-o;
Não exceda dos seus direitos - cumpra com os seus deveres;
Não semeie pessimismo - difunda ânimo.
Para sair da crise íntima, inicie um projeto dignificante em seu favor, seguindo a regra do apóstolo Paulo: “deteste o mal e apegue-se ao bem”, sempre e invariavelmente.


Marco Prisco / Médium Divaldo Franco
Livro: Sementes de Vida Eterna (extrato) - Ed. LEAL

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O ensino da luz

- Senhor - disse Tadeu a Jesus, após o dia de trabalho estafante -, qual é o nosso dever
maior, na execução do Evangelho para a redenção das criaturas?
O Mestre fitou o céu azul em que nuvens pequeninas semelhavam estrigas de linho alvo.
E falou em seguida:
- Em meio de grande tempestade, inúmeros viajantes se recolheram a enorme casarão que
se assemelhava a um labirinto. Porque sentissem medo uns dos outros, cada qual se
escondeu nos quartos mais internos e, vindo a noite, em vão procuraram o lugar de saída.
Começou, então, enorme conflito. Lamentos. Pragas. Assaltos. Correrias. Pancadas. Crimes
nas trevas. Um homem, que por ali passava, ouviu os rogos de socorro que partiam do
infortunado reduto e, longe de gritar ou discutir, acendeu a sua candeia e passou entre os
amotinados, em profundo silêncio. Bastou a luz dele para que todos percebessem os
disparates que vinham fazendo, ao mesmo tempo que encontravam, por si mesmos, a porta
libertadora.
O Mestre fez grande intervalo e voltou a dizer:
- Se a luz do bom exemplo estiver entre nós, os outros perceberão, com facilidade, o
caminho.
- E que fazer, Senhor, para semelhante conquista?
Jesus, continuando em sua contemplação do céu, como exilado buscando alguma visão da
pátria longínqua, aclarou docemente:
- Procuremos o Reino de Deus e a sua justiça, isto é, vivamos no amor puro e na
consciência tranquila...E tudo o mais ser-nos-á acrescentado.

Obra: A Vida Escreve – Francisco Cândido Xavier / Hilário Silva

Preço da melhora


Tudo tem um preço, no comércio e no convívio com a própria vida.
Se queremos subir, certamente haverá de aparecer o esforço.
O conhecimento da verdade requer trabalho, operação em todos os sentidos.
No campo íntimo, o exercício é mais difícil no que tange à felicidade, e se o que se faz por dentro reflete o que vai por fora, é necessário que tenhamos boa vontade nessa caridade, de aproveitamento.
Se queres avançar na grandeza divina, se estás preparado, passa a esforçar-te no campo da mente e da alegria, e que essa alegria cresça, dando segurança para quem se esforçar.
Compreendemos que Deus deu início à vida gerando esforços e criando-a, e essa vida carrega consigo a força de co-criar a sua própria felicidade.
Não deixes para amanhã o que podes começar hoje mesmo.
Esforça-te todos os dias, conquistando o bem-estar na paz, no entendimento, no amor, no perdão e assim, sucessivamente, porque quem já tem paz no coração conquistou-a pelo preço do trabalho na luz de Deus, refletida no Cristo. Jesus veio nos ensinar os meios, senão todos os métodos, de compreender a nós mesmos e entender as leis naturais do Criador.

De “Páginas Esparsas 2”, de João Nunes Maia, pelo Espírito Bezerra de Menezes

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Esmagamento do mal

“E o Deus de paz esmagará em breve a Satanás debaixo dos vossos pés.” — Paulo. (Romanos, Capítulo 16, Versículo 20.)

Em toda parte do Planeta se poderá reconhecer a luta sem tréguas, entre o bem e o mal.
Manifesta-se o grande conflito, sob as mais diversas formas, e, no turbilhão de seus movimentos, muitas almas sensíveis, de modo invariável, conservam-se na atitude de invocação aos gênios tutelares para que estes venham à arena combater os inimigos que as atordoam, prostrando-os de vez.
Solicitar auxílio ou recorrer à lei da cooperação representam atos louváveis do Espírito que identifica a própria fraqueza, contudo, insistir para que outrem nos substitua no esforço, que somente a nós outros cabe despender, demonstra falsa posição, suscetível de acentuar-nos as necessidades.
Satanás, representando o poder do mal, na vida humana, será esmagado por Deus; todavia, Paulo de Tarso define, com bastante clareza, o local da vitória divina. O triunfo supremo verificar-se-á sob os pés do homem.
Quando a criatura, pela própria dedicação ao trabalho iluminativo, se entregar ao Pai, sem reservas, efetuando-lhe a vontade sacrossanta, com esquecimento do velho egoísmo animal, apreendendo a grandeza de sua posição de espírito eterno, atingirá a vitória sublime.
O Senhor Todo-Paternal já se entregou aos filhos terrestres, mas raros filhos se entregaram a Ele. Indispensável, pois, não esquecer que o mal não será eliminado, a esmo, e sim debaixo dos pés de cada um de nós.

Obra: Pão Nosso
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

De ânimo firme

É possível estejas descobrindo o inesperado.
Construções que suponhas de ouro acabaram em resíduos de pedra.
Promessas acalentadas por muitos anos parecem-te agora rematadas mentiras.
Afetos julgados invulneráveis abandonaram-te o passo quando mais necessitavas de apoio.
Surpreendestes a incompreensão nos companheiros mais nobres e colheste amargos problemas nos próprios filhos.
Ruíram aspirações como vasos quebrados.
Sonhos desfizeram-se, de improviso, como se ventania te devastasse a existência.
Apesar de tudo, porém, renova-te, a cada instante, e caminha apoiando-te na fé viva.
Aflição de hoje, compromisso de ontem.
Merecimento de agora, crédito de amanhã.
Banha tuas energias nas correntes do amor, que compreende e edifica sempre.
Aplica-te ao trabalho, que aprimora e sublima.
Assim, ao retornar para a Luz Espiritual, terás em ti a flama da alegria, ressurgindo do sofrimento, como a glória solar renasce das trevas.

Emmanuel / Médium Francisco Cândido Xavier
Do livro “Justiça Divina” – Ed. FEB

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Calma


Justo lembrar: a voz humana está carregada de vibrações.
Esforça-te por evitar os gritos intempestivos e inoportunos.
Uma exclamação tonitruante equivale a uma pedrada mental.
Se alguém te dirige a palavra em tom muito alto, faze-lhe o obséquio de responder em tom mais baixo.
Os nervos dos outros são iguais aos teus: Desequilibram-se facilmente.
Discussão sem proveito é desperdício de forças.
Não te digas sofrendo esgotamento e fadiga para poder lançar frases tempestuosas e ofensivas;
Aqueles que se encontram realmente cansados procuram repouso e silêncio.
Se te sentes à beira da irritação estás doente e o doente exige remédio.
Barulho verbal apenas complica.
Pensa nisso: a tua voz é o teu retrato sonoro.

Emmanuel
Do livro "Calma", Francisco Cândido Xavier


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Divina fé

Vejamos como se comportava Jesus no trato da fé que lhe abrasava o coração, a fim de que não nos falte entendimento no cultivo da sublime virtude.
Anjo entre os Anjos, não desdenha descer ao convívio dos homens, mais para padecer-lhes a brutalidade do que para engalanar-se, de pronto, com os louros da simpatia que lhe pudessem ofertar.
E entre os homens, ninguém lhe surpreende o mínimo gesto de intolerância, à frente dos problemas que se lhe impõem à bandeira de redenção.
Não exige que os outros lhe adotem a cartilha de confiança.
Não perde tempo em controvérsias da essência e atributos da Natureza de Deus.
Não se converte em suposto advogado do Criador para maldizer ou ferir as criaturas enrijecidas na delinquência.
Não indaga quanto à convicção religiosa daqueles que lhe pedem assistência e consolo.
Não preceitua condições deste ou daquele teor, em matéria de crença para que se administre a luz do Evangelho.
Não se arvora em profeta da destruição e do pessimismo, conjugando revelação e perturbação, conhecimento e terror no ânimo dos ouvintes.
Não solicita vantagens particulares, auxiliando sempre, sem cogitar de auxílio a si mesmo.
Não promove ligações com os príncipes e sacerdotes do mundo para prestigiar os princípios de amor dos quais se tornara intérprete.
Não recusa sofrer agravos e insultos, calúnia e prisão por parte daqueles a quem confiara o tesouro das esperanças mais puras, a pretexto de garantir-se na posição de Medianeiro Celeste.
E, por último, não recorre nem mesmo à proteção da justiça humana, para exonerar-se da cruz em que desfalece, entre a serenidade e o perdão, em plenitude de obediência.
Observemos a fé em Jesus e a fé em nós, a fim de exercitarmos, em nossas necessidades de evolução, o esquecimento de nossos obscuros caprichos e a aceitação da sábia Vontade de Nosso Pai.

De “Confia e Segue”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emanuel

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Provas de fogo

“E o fogo provará qual seja a obra de cada um.” — Paulo. (1ª Epístola aos Coríntios, Capítulo 3, Versículo,13.)

A indústria mecanizada dos tempos modernos muito se refere às provas de fogo para positivar a resistência de suas obras e, ponderando o feito, recordemos que o Evangelho, igualmente, se reporta a essas provas, há quase vinte séculos, com respeito às aquisições espirituais.
Escrevendo aos coríntios, Paulo imagina os obreiros humanos construindo sobre o único fundamento, que é Jesus-Cristo, organizando cada qual as próprias realizações, de conformidade com os recursos evolutivos.
Cada discípulo, entretanto, deve edificar o trabalho que lhe é peculiar, convicto de que os tempos de luta o descobrirão aos olhos de todos, para que se efetue reto juízo acerca de sua qualidade.
O aperfeiçoamento do mundo, na feição material, pode fornecer a imagem do que seja a importância dessas aferições de grande vulto. A Terra permanece cheia de fortunas, posições, valores e inteligências que não suportam as provas de fogo; mal se aproximam os movimentos purificadores, descem, precipitadamente, os degraus da miséria, da ruína, da decadência. No serviço do Cristo, também é justo que o aprendiz aguarde o momento de verificação das próprias possibilidades. O caráter, o amor, a fé, a paciência, a esperança representam conquistas para a vida eterna, realizadas pela criatura, com o auxilio santo do Mestre, mas todos os discípulos devem contar com as experiências necessárias que, no instante oportuno, lhe provarão as qualidades
espirituais.

Obra: Pão Nosso
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Considerando a coragem

Dos escombros dos teus ideais arruinados, funde a couraça da coragem e veste-a, a fim de prosseguires na luta.
O cristão não deve desanimar jamais, buscando apoio na coragem, que não se pode confundir com impetuosidade nem presunção.
A calma diante do infortúnio, a resignação perante o insucesso, a confiança à hora do testemunho são expressões de coragem.
Coragem é o ânimo robusto que a certeza de êxito oferece à criatura em suas realizações.
Gandhi, na sua luta de amor pelos direitos de seus irmãos à liberdade, é exemplo de coragem.
Francisco de Assis, amando o Cristo, teve a coragem de renunciar às comodidades e legou-nos um dos mais notáveis exemplos de amor.
Abandonado e traído, negado e no desprezo de quase todos os amigos, Jesus teve a coragem de perdoar-nos e prosseguir amando-nos até hoje, sem cogitar de nossas imperfeições.
Tem coragem de reconhecer tua deficiência, levanta do erro e prossegue em tua tarefa, por menor que te pareça, e alcançarás a paz.

Joanna de Ângelis / Médium Divaldo Pereira Franco
Livro: Otimismo - Ed. LEA
L

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Plantas e almas


As almas, no fundo, são semelhantes às plantas no campo imenso da vida.
Reparo, desse modo, o que produzes.
-x-
Corações isolados na sensibilidade egoística, receando dissabores no relacionamento com o próximo, parecem cardos amargosos na terra seca.
-x-
Verbos maledicentes que encontram motivo para a crítica destruidora, nos menores acontecimentos de cada dia, simbolizam a urtiga brava, sempre disposta a ferir.
-x-
Inteligências ruidosas na reiterada exposição de nobres ideais que nunca realizam, lembram arbustos ricos de folhagem, que jamais se confiam à frutescência.
-x-
Companheiros ociosos e entendiados da luta humana, em fuga das elevadas obrigações que o mundo lhes assinala oferecem pontos de contato com o cipó absorvente que, enlaçado a outras plantas, lhes suga a vitalidade e lhes furta a existência.
-x-
Almas em sofrimento constante que sabem cultivar a fé e a esperança, ofertando a quem passa os melhores testemunhos de amor e coragem são roseiras abençoadas, produzindo flores de paz e alegria, sobre os espinheiros terrestres.
-x-
Espíritos generosos e amigos, que buscam a intimidade com a luz da compreensão e do serviço, apresentam similaridade com as copas opulentas, sempre habilitadas a socorrer quem lhe procura o regaço acolhedor, com a sombra refrigerante ou com o fruto nutriente.
-x-
Irmãos prestimosos parecem valiosas plantas medicinais, cuja essência consegue curar inquietações e feridas.
-x-
Espíritos benevolentes e sábios, no apoio incessante à Humanidade, surgem por troncos veneráveis, de que o homem retira a madeira de lei, para o lar que lhe serve de berço e templo, escola e moradia.
-x-
Observa o que fazes.
Por tuas demonstrações e exemplos no recanto em que o Senhor te situou, o mundo conhecer-te-á, de perto, e abençoará ou corrigirá tua vida.

De “Indulgência”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Na senda escabrosa

“Nunca te deixarei, nem te desampararei.” – Paulo. (Hebreus, 13:5.)

A palavra do Senhor não se reporta somente à sustentação da vida física, na subida pedregosa da ascensão.
Muito mais que de pão do corpo, necessitamos de pão do espírito. Se as células do campo fisiológico sofrem fome e reclamam a sopa comum, as necessidades e desejos, impulsos e emoções da alma provocam, por vezes, aflições desmedidas, exigindo mais ampla alimentação espiritual.
Há momentos de profunda exaustão em nossas reservas mais íntimas.
As energias parecem esgotadas e as esperanças se retraem apáticas.
Instala-se a sombra, dentro de nós, como se espessa noite nos envolvesse.
E qual acontece à Natureza, sob o manto noturno, embora guardemos fontes de entendimento e flores de boa-vontade, na vasta extensão do nosso país interior, tudo permanece velado pelo nevoeiro de nossas inquietações.
O Todo-Misericordioso, contudo, ainda aí, não nos deixa completamente relegados à treva de nossas indecisões e desapontamentos.
Assim como faz brilhar as estrelas fulgurantes no alto, desvelando os caminhos constelados do firmamento ao viajor perdido no mundo, acende, no céu de nossos ideais, convicções novas e aspirações mais elevadas, a fim de que nosso espírito não se perca na viagem para a vida superior.
“Nunca te deixarei, nem te desampararei” – promete a Divina Bondade.
Nem solidão, nem abandono.
A Providência Celestial prossegue velando…
Mantenhamos, pois, a confortadora certeza de que toda tempestade é seguida pela atmosfera tranqüila e de que não existe noite sem alvorecer.

Obra: Fonte Viva
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Prece de André Luiz

Senhor,
Sejam para o teu coração misericordioso
Todas as nossas alegrias, esperanças e aspirações!
Ensina-nos a executar teus propósitos desconhecidos,
Abre-nos as portas de ouro das oportunidades do serviço
E ajuda-nos a compreender a tua vontade!...
Seja o nosso trabalho a oficina sagrada de bênçãos
infinitas,
Converte-nos as dificuldades em estímulos santos,
Transforma os obstáculos da senda em renovadas lições...
Em teu nome,
Semearemos o bem onde surjam espinhos do mal,
Acenderemos tua luz onde a treva demore,
Verteremos o bálsamo do teu amor onde corra o pranto
do sofrimento,
Proclamaremos tua bênção onde haja condenações,
Desfraldaremos tua bandeira de paz junto às guerras
do ódio!
Senhor,
Dá que possamos servir-te
Com a fidelidade com que nos amas,
E perdoa nossas fragilidades e vacilações na execução
de tua obra.
Fortifica-nos o coração
Para que o passado não nos perturbe e o futuro não
nos inquiete,
A fim de que possamos honrar-te a confiança no dia
de hoje, que nos deste
Para a renovação permanente até à vitória final.
Somos tutelados na Terra,
Confundidos na lembrança
De erros milenares,
Mas queremos, agora,
Com todas as forças d’alma,
Nossa libertação em teu amor para sempre!
Arranca-nos do coração as raízes do mal,
Liberta-nos dos desejos inferiores,
Dissipa as sombras que nos obscurecem a visão de
teu plano divino
E ampara-nos para que sejamos
Servos leais de tua infinita sabedoria!
Dá-nos o equilíbrio de tua lei,
Apaga o incêndio das paixões que, por vezes,
Irrompe, ainda,
No âmago de nossos sentimentos,
Ameaçando-nos a construção da espiritualidade superior
Conserva-nos em tua inspiração redentora,
No ilimitado amor que nos reservaste
E que, integrados no teu trabalho de aperfeiçoamento
incessante,
Possamos atender-te os sublimes desígnios,
Em todos os momentos,
Convertendo-nos em servidores fiéis de tua luz,
para sempre!
Assim seja.

Livro: Missionários da Luz
Francisco Cândido Xavier pelo Espírito André Luiz

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Ante o mundo e Jesus


O mundo pede socorro a Jesus.
Ele atende, porém, espera por nós.
O mundo roga paz.
Jesus transmite tranquilidade, todavia, a todos estimula para que auxiliemos na fraternidade.
O mundo suplica apoio para livrar-se do ódio.
Jesus é recurso libertador que propõe a paciência e o trabalho solidário entre as criaturas.
O mundo promove desespero e algaravia.
Jesus doa silêncio e fé.
Compara as incertezas no mundo e a segurança com Jesus.
Considera os impositivos de fora, no mundo, e as forças interiores que se haurem em Jesus.
Vive no mundo; mas não te apartes de Jesus.
Tua vida física em dado momento cessará, enquanto a tua realidade espiritual com Jesus jamais terminará.
As vitórias externas esmaecem e passam, as íntimas se fortalecem e ficam.
Ninguém jamais fugirá da sua nascente divina.
No duelo – mundo e Jesus, a tua será a opção da permanente angústia ou da promissora ventura.

Joanna de Ângelis / Médium Divaldo Pereira Franco
Do livro “Alerta” – Ed. LEAL


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Considerando a coragem

Dos escombros dos teus ideais arruinados, funde a couraça da coragem e veste-a, a fim de prosseguires na luta.
O cristão não deve desanimar jamais, buscando apoio na coragem, que não se pode confundir com impetuosidade nem presunção.
A calma diante do infortúnio, a resignação perante o insucesso, a confiança à hora do testemunho são expressões de coragem.
Coragem é o ânimo robusto que a certeza de êxito oferece à criatura em suas realizações.
Gandhi, na sua luta de amor pelos direitos de seus irmãos à liberdade, é exemplo de coragem.
Francisco de Assis, amando o Cristo, teve a coragem de renunciar às comodidades e legou-nos um dos mais notáveis exemplos de amor.
Abandonado e traído, negado e no desprezo de quase todos os amigos, Jesus teve a coragem de perdoar-nos e prosseguir amando-nos até hoje, sem cogitar de nossas imperfeições.
Tem coragem de reconhecer tua deficiência, levanta do erro e prossegue em tua tarefa, por menor que te pareça, e alcançarás a paz.

Joanna de Ângelis / Médium Divaldo Pereira Franco
Livro: Otimismo - Ed. LEAL

Pureza


Estudando a palavra do Mestre, recordemos que no mundo não existiu ninguém com tanta pureza na alma.
Cabe-nos lembrar como Jesus via no caminho da vida, para reconhecermos que sabia encontrar a Presença Divina em todas as situações e criaturas.
Para muitos, a manjedoura era lugar desprezível; entretanto, Ele via Deus na humildade com que a Natureza lhe oferecia materno colo e transformou a estrebaria num poema de excelsa beleza.
Para muitos, Maria de Magdala era sem valor, pela condição de obsidiada em que se mostrava na vida pública; Ele via Deus em seu coração feminino e converteu-a em mensageira da celeste ressurreição.
Se purificares o coração, notarás a presença de Deus em toda parte, compreendendo que o Criador não desiste de criatura alguma, e notarás que a maldade é apenas lama que envolve a alma – o brilhante Divino que virá fatalmente à Luz...

Emmanuel / Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: Religião dos Espíritos - Ed. FEB

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Examina-te

“Nada faças por contenda ou por vanglória, mas por humildade.” - Paulo. (Filipenses, capítulo 2, versículo 3.)

O serviço de Jesus é infinito. Na sua órbita, há lugar para todas as criaturas e para todas as idéias sadias em sua expressão substancial.
Se, na ordem divina, cada árvore produz segundo a sua espécie, no trabalho cristão, cada discípulo contribuirá conforme sua posição evolutiva.
A experiência humana não é uma estação de prazer. O homem permanece em função de aprendizado e, nessa tarefa, é razoável que saiba valorizar a oportunidade de aprender, facilitando o mesmo ensejo aos semelhantes.
O apóstolo Paulo compreendeu essa verdade, afirmando que nada deveremos fazer por espírito de contenda e vanglória, mas, sim, por ato de humildade.
Quando praticares alguma ação que ultrapasse o quadro das obrigações diárias, examina os móveis que a determinaram. Se resultou do desejo injusto de supremacia, se obedeceu somente à disputa desnecessária, cuida de teu coração para que o caminho te seja menos ingrato. Mas se atendeste ao dever, ainda que hajas sido interpretado como rigorista e exigente, incompreensivo e infiel, recebe as observações indébitas e passa adiante. Continua trabalhando em teu ministério, recordando que, por servir aos outros, com humildade, sem contendas e vanglórias, Jesus foi tido por imprudente e rebelde, traidor da lei e inimigo do povo, recebendo com a cruz a coroa gloriosa.

Obra: Caminho, Verdade e Vida
Emmanuel e Francisco Cândido Xavier

Poema da gratidão


Muito obrigado Senhor!
Muito obrigado pelo que me deste.
Muito obrigado pelo que me dás.
Obrigado pelo pão, pela vida, pelo ar, pela paz.
Muito obrigado pela beleza que os meus olhos veem no altar da natureza.
Olhos que fitam o céu, a terra e o mar
Que acompanham a ave ligeira que corre fagueira pelo céu de anil
E se detém na terra verde, salpicada de flores em tonalidades mil.

Muito obrigado Senhor!
Porque eu posso ver meu amor.
Mas diante da minha visão
Eu detecto cegos guiando na escuridão
que tropeçam na multidão
que choram na solidão.
Por eles eu oro e a ti imploro comiseração
porque eu sei que depois desta lida, na outra vida, eles também enxergarão!

Muito obrigado Senhor!
Pelos ouvidos meus que me foram dados por Deus.
Ouvidos que ouvem o tamborilar da chuva no telheiro
A melodia do vento nos ramos do olmeiro
As lágrimas que vertem os olhos do mundo inteiro!

Ouvidos que ouvem a música do povo que desce do morro na praça a cantar.
A melodia dos imortais, que se houve uma vez e ninguém a esquece nunca mais!
A voz melodiosa, canora, melancólica do boiadeiro.
E a dor que geme e que chora no coração do mundo inteiro!

Pela minha alegria de ouvir, pelos surdos, eu te quero pedir
Porque eu sei
Que depois desta dor, no teu reino de amor, voltarão a sentir!

Obrigado pela minha voz
Mas também pela sua voz
Pela voz que canta
Que ama, que ensina, que alfabetiza,
Que trauteia uma canção
E que o Teu nome profere com sentida emoção!

Diante da minha melodia
Eu quero rogar pelos que sofrem de afazia.
Eles não cantam de noite, eles não falam de dia.
Oro por eles
Porque eu sei, que depois desta prova, na vida nova
Eles cantarão!

Obrigado Senhor!
Pelas minhas mãos
Mas também pelas mãos que aram
Que semeiam, que agasalham.
Mãos de ternura que libertam da amargura
Mãos que apertam mãos
De caridade, de solidariedade
Mãos dos adeuses
Que ficam feridas
Que enxugam lágrimas e dores sofridas!

Pelas mãos de sinfonias, de poesias, de cirurgias, de psicografias!
Pelas mãos que atendem a velhice
A dor
O desamor!
Pelas mãos que no seio embalam o corpo de um filho alheio sem receio!
E pelos pés que me levam a andar, sem reclamar!

Obrigado Senhor!
Porque me posso movimentar.
Diante do meu corpo perfeito
Eu te quero rogar
Porque eu vejo na Terra
Aleijados, amputados, decepados, paralisados, que se não podem movimentar.
Eu oro por eles
Porque eu sei, que depois desta expiação
Na outra reencarnação
Eles também bailarão!

Obrigado por fim, pelo meu Lar.
É tão maravilhoso ter um lar!
Não é importante se este Lar é uma mansão, se é uma favela, uma tapera, um ninho, um grabato de dor, um bangalô, uma casa do caminho ou seja lá o que for.

Que dentro dele, exista a figura
do amor de mãe, ou de pai
De mulher ou de marido
De filho ou de irmão
A presença de um amigo
A companhia de um cão
Alguém que nos dê a mão!

Mas se eu a ninguém tiver para me amar
Nem um teto para me agasalhar,
nem uma cama para me deitar
Nem aí reclamarei.
Pelo contrário, eu te direi

Obrigado Senhor!
Porque eu nasci!
Obrigado porque creio em ti
Pelo teu amor, obrigado senhor!

Amália Rodrigues / Divaldo Pereira Franco

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Estejamos contentes

“Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes”.- Paulo. (1 Timóteo, 6:8.)

O monopolizador de trigo não poderá abastecer-se à mesa senão de algumas fatias de pão, para saciar as exigências da sua fome.
O proprietário da fábrica de tecidos não despenderá senão alguns metros de pano para a confecção de um costume, destinado ao próprio uso.
Ninguém deve alimentar-se ou vestir-se pelos padrões da gula e da vaidade, mas sim de conformidade com os princípios que regem a vida em seus fundamentos naturais.
Por que esperas o banquete, a fim de ofereceres algumas migalhas ao companheiro que passa faminto?
Por que reclamas um tesouro de moedas na retaguarda, para seres útil ao necessitado?
A caridade não depende da bolsa. É fonte nascida no coração.
É sempre respeitável o desejo de algo possuir no mealheiro para socorro do próximo ou de si mesmo, nos dias de borrasca e insegurança, entretanto, é deplorável a subordinação da prática do bem ao cofre recheado.
Descerra, antes de tudo, as portas da tua alma e deixa que o teu sentimento fulgure para todos, à maneira de um astro cujos raios iluminem, balsamizem, alimentem e aqueçam. . .
A chuva, derramando-se em gotas, fertiliza o solo e sustenta bilhões de vidas.
Dividamos o pouco, e a insignificância da boa-vontade, amparada pelo amor, se converterá com o tempo em prosperidade comum..
Algumas sementes, atendidas com carinho, no curso dos anos, podem dominar glebas imensas.
Estejamos alegres e auxiliemos a todos os que nos partilhem a marcha, porque, segundo a sábia palavra do apóstolo, se possuímos a graça de contar com o pão e com o agasalho para cada dia, cabenos a obrigação de viver e servir em paz e contentamento.

Obra: Fonte Viva
Emmanuel & Francisco Cândido Xav
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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

No aprimoramento

No aperfeiçoamento do corpo espiritual, além do primitivismo de certas almas que jazem, longo tempo, entorpecidas após a morte física, observamos, ainda, o quadro das mentes evolvidas intelectualmente, mas submersas nas densas vibrações decorrentes de compromissos escuros.
Não permanecem no regime da inércia, em sono larval; entretanto, agitam-se nos desvarios da loucura.
Criam imagens que vivem e se movimentam na intimidade delas próprias, por tempo indeterminado, cuja duração varia com a força do impulso de suas paixões.
Carregam consigo os dramas intensos de que se fizeram autoras.
Encarnada na Terra, a inteligência vive entre as provocações da esfera carnal e as sugestões silenciosas da mente. Quanto mais intelectualizada a criatura, mais profundamente respira no plano das ideias, influenciando e sendo influenciada.
Geralmente, porém, o homem desequilibra os próprios sentimentos, inclinando-se, em maior ou menor percentagem, para o afastamento das leis com as quais se deve nortear. Atravessa os caminhos humanos, ganhando pouco e quase sempre perdendo muito, dentro de si mesmo, obscurecendo-se nas pesadas sombras dos pensamentos inquietantes que produz para o consumo de suas necessidades mentais.
Assim é que a desencarnação não lhes modifica o campo íntimo.
Encasulada no círculo vibratório das criações que lhe dizem respeito, a alma sofre naturais inibições, ante a paisagem da vida gloriosa. Não possui ainda órgão de percepção para sintonizar-se com os espetáculos deslumbrantes da imensidade, encarcerada, qual se encontra, entre as paredes estranhas das concepções obscuras e estreitas em que se agita.
Como a lâmpada vive no seio das próprias irradiações, imitindo luz que é também matéria sutil, a alma permanece no seio das criações que lhe são peculiares, prendendo-se à paisagem em que prevaleçam as forças e desejos que lhe são afins, porque o pensamento é também substância rarefeita, matéria dentro de expressões inabordáveis até agora pelas investigações terrestres.
Podendo alimentar-se, por tempo indefinível, das emanações dos próprios desejos, entidades existem que estacionam, durante muitos anos, dentro dos quadros emocionais em que se comprazem, atrasando a marcha evolutiva, até que reencarnam na recapitulação das experiências em que faliram, retomando o serviço de purificação interior para a sublimação de si mesmas.
Desse modo, somos defrontados por dolorosos fenômenos congeniais.
Suicidas recomeçam a luta física, no círculo de moléstias ingratas, e criminosos reaparecem no berço, com deploráveis mutilações e defeitos; alcoólatras regressam à existência, em companhia de pais que se sintonizam com eles e grandes delinquentes reencetam a viagem do aprimoramento moral, na esfera de provas temíveis, quais sejam as de enfermidades indefiníveis e de aflições dificilmente remediáveis.
No extenso e abençoado viveiro de almas que é o mundo, pouco a pouco, de século a século e de milênio a milênio, usando variados corpos e diversas posições no campo das formas, nosso espírito constrói lentamente, para o próprio uso, o veículo acrisolado e divino, com que o Senhor nos reserva em plena imortalidade vitoriosa.

Pelo Espírito Emmanuel, Do Livro: Roteiro, Médium: Francisco Cândido Xavier.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Coragem

Ao meio das lutas ásperas, a coragem desempenha papel preponderante.
Uns fogem atemorizados, outros entregam-se ao desânimo e vários refugiam-se na insensatez.
Constituem a caravana dos frustrados, desarmados de coragem, porque se negam o esforço em prol da renovação íntima e do vigor sadio.
Essa energia que sustenta, essa força moral que induz ao êxito – a coragem!
A coragem é consequência natural da fé.
Não significa irreflexão, desatino, temeridade, mas denodo, intrepidez...
É calma, segura, fonte geratriz de equilíbrio que fomenta a vida e glorifica o labor.
Ei-la anônima e valorosa em muitas formas:
A coragem da paternidade responsável;
A coragem de perseverar na verdade;
A coragem de amar desinteressadamente;
A coragem de ceder, quando poderia deter;
A coragem de cultivar a humildade;
A coragem de vencer-se primeiro.
Por isso, o Bem exalta a beleza, em nome da coragem e da fé, certo do inefável amor de Deus.

Joanna de Ângelis / Médium Divaldo Pereira Franco
Livro: Celeiro de Bênçãos (extrato) - Ed. LEAL


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Facciosismo

“Mas se tendes amarga inveja e sentimento faccioso, em vosso coração, não vos glorieis nem mintais contra a verdade.” – (Tiago, 3:14.)

Toda escola religiosa apresenta valores inconfundíveis ao homem de boavontade.
Não obstante os abusos do sacerdócio, a exploração inferior do elemento humano e as fantasias do culto exterior, o coração sincero beneficiar-se-á amplamente, na fonte da fé, iluminando-se para encontrar a Consciência Divina em si mesmo.
Mas, em todo instituto religioso, propriamente humano, há que evitar um perigo – o sentimento faccioso, que adia, indefinidamente, as mais sublimes edificações espirituais.
Católicos, protestantes, espiritistas, todos eles se movimentam, ameaçados pelo monstro da separação, como se o pensamento religioso traduzisse fermento da discórdia.
Infelizmente, é muito grande o número de orientadores encarnados que se deixam dominar por suas garras perturbadoras. Espessos obstáculos impedem a visão da maioria.
Querem todos que Deus lhes pertença, mas não cogitam de pertencer a Deus.
Que todo aprendiz do Cristo esteja preparado a resistir ao mal; é imprescindível, porém, que compreenda a paternidade divina por sagrada herança de todas as criaturas, reconhecendo que, na Casa do Pai, a única diferença entre os homens é a que se mede pelo esforço nobre de cada um.

Obra: Vinha de Luz
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Vida feliz


Confia sempre na ajuda divina.
Quando te sentires sitiado, sem qualquer possibilidade de liberação, o socorro te chegará de Deus.
Nunca duvides da paternidade celeste.
Deus vela por ti, e te ajuda, nem sempre como queres, porém, da melhor forma para a tua real felicidade.
Às vezes, tens a impressão de que o auxílio superior não virá ou chegará tarde demais.
Passado o momento grave, constatarás que o recebeste alguns minutos antes, caso tenhas perseverado à sua espera.

De “Vida Feliz”, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Na visão do mundo

Não diga que o mundo é perverso, quando é justamente do chão do mundo que se recolhe a bênção do pão.
Compara a Terra, a uma universidade e notarás que todo espírito encarnado é um aluno em formação.
Aquilo que plantares nos corações alheios é o que colherás nas manifestações dos outros.
A existência para cada um de nós é o que estivermos fazendo.
Cada pessoa vê no mundo a própria imagem.
A utilidade é a força real que assegura a situação de cada um.
A proteção mais segura que possas desfrutar é a de teu próprio serviço.
A sabedoria da vida te colocou no lugar onde possas aprender com eficiência e servir melhor.
O trabalho que executes é tua certidão de identidade do ponto de vista espiritual.
O que estiveres realizando para os outros é justamente o que estarás realizando por ti mesmo.

Emmanuel / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Companheiro (extrato) - Ed. FEB

Decisão firme

O agastamento moral torna-se distúrbio de emoção, que finda instalando processo neurótico.
Sempre depararás com quem não te apóia.
Os trêfegos vêm, prometem auxílio e vão.
Os tímidos planejam ajuda e não se encorajam.
Os descorteses apontam erros e seguem adiante: os agressivos surgem, impetuosos, procuram louros para si mesmo, e fogem.
Os devotados sempre estão sobrecarregados, mas ajudam, e os humildes laboram com discrição, simplicidade e constança.
Cada homem é o seu próprio programa e cada coração é a aspiração peculiar à faixa emocional em que transita.
Não te agastes, assim, com eles, os aturdidos.
Não percas o otimismo.
Alguns te exaltam as qualidades negativas para lisonjear-te, arrojando-te em decepções.
Não os acates nem os animes. Reage ao mal.
Discorda, nega, conduz, ajuda, administra, serve – com bonomia. És construtor do bem.
O erro dos outros é problema deles, enquanto que o teu é o problema de bem ajudar.

Joanna de Ângelis / Médium Divaldo Pereira Franco
Livro: Rumos Libertadores (Extrato) - Ed. LEAL

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O perfume do bem

Quem desconhece o serviço útil, aquele que inclui os semelhantes, não é tocado pelo prazer de viver, e quem impede outros de conhecê-lo, está sendo conduzido pelo orgulho e pelo egoísmo.
O Evangelho Segundo o Espiritismo já nos informa que são os dois monstros devoradores da lavoura da felicidade de todos os povos e que os seus extratos são insuportáveis, porque geral a discórdia e alimentam todos os adversários das virtudes evangélicas.
Devemos comungar em esforços no combate ao mal, mas não investindo contra ele e sim, fazendo o bem. E esse bem somente tem valor quando começa dentro de nós, atingindo a nossa família, no alcance das nossas obrigações com o endereço certo para toda a Humanidade.
Analisemos meus irmãos, a nós próprios, mas de modo também a ouvir os outros sobre os nossos defeitos. Temos muitas distrações no que toca ao mal que alimentamos.
Quando enxergamos os defeitos dos outros, eles se encontram em menor evidência do que os nossos. Não obstante, para conhecer e sentir essa verdade, gastamos muito tempo. Os nossos olhos só registram o mal dos nossos companheiros e esse é o maior erro que carregamos nos escaninhos da consciência.
Meu filho, comecemos hoje a disciplinar nossos impulsos inferiores, que se encontram, por vezes, escondidos nas dobras do desculpismo e da vaidade. Não deixemos que nos sobre tempo para ver ou para inventar as faltas dos nossos companheiros.
Vamos nos dar as mãos, todos, desde que nossos irmãos queiram trabalhar conosco na seara do Mestre.
Busquemos coragem onde ela se encontre, mas coragem divina, da forma ensinada por Jesus, aquela que permanece na caridade, na luz e mesmo nas trevas, na saúde e na dor, na alegria e nas lágrimas.
Somente a caridade ensinada por Jesus nos salva a todos nós dos embates com as trevas. Faça sol ou chuva, vamos com o Cristo, esquecendo-nos das portas largas da perdição e comungando com a fraternidade que esparge claridades por toda a criação.
Quase todos, quando apreciamos um perfume, buscamo-lo onde ele estiver. Todavia, nos esquecemos, quase sempre, do perfume mais importante, que é o cultivo da caridade, e a vivência do amor. É flagrância exalada pela Divindade, que mora igualmente em nós.
Todos os dias nos chegam convites de Deus. Basta que compreendamos esses chamados para que semeemos a nossa própria libertação, pelos processos das virtudes, de o modo que eles voltem a nós, onde estivermos, em forma de alimentos de luz, no sustento da flor devida que somos nós.

João Nunes Maia por Scheilla. In: Flor de Vida

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Mensagem do dia


No dicionário evolutivo viver é sinônimo de lutar.
Quem espera descanso no caminho de subida nasceu no universo errado.
Neste, todos trabalham, lutam, crescem.
Neste, através do amor, utilizado pelos mais sábios, e da dor, curtida pelos equivocados, a evolução se faz 60 minutos a cada hora, arrancando risos lágrimas na construção da fraternidade.
E bem ingênuo é aquele que julga burlar ou subtrair-se a esta lei.

Obra: O perispírito e suas modelações

Estímulo fraternal

“O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus.”- Paulo. (Filipenses, 4:19.)
Não te julgues sozinho na luta purificadora, porque o Senhor suprirá todas as nossas necessidades.
Ergue teus olhos para o Alto e, de quando em quando, contempla a retaguarda.
Se te encontras em posição de servir, ajuda e segue.
Recorda o irmão que se demora sem recursos, no leito da indigência.
Pensa no companheiro que ouve o soluço dos filhinhos, sem possibilidades de enxugar-lhes o pranto.
Detém-te para ver o enfermo que as circunstâncias enxotaram do lar.
Para um momento, endereçando um olhar de simpatia à criancinha sem teto.
Medita na angústia dos desequilibrados mentais, confundidos no eclipse da razão.
Reflete nos aleijados que se algemam na imobilidade dolorosa.
Pensa nos corações maternos, torturados pela escassez de pão e harmonia no santuário doméstico.
Interrompe, de vez em quando, o passo apressado, a fim de auxiliares o cego que tateia nas sombras.
É possível, então, que a tua própria dor desapareça aos teus olhos.
Se tens braços para ajudar e cabeça habilitada a refletir no bem dos semelhantes, és realmente superior a um rei que possuísse um mundo de moedas preciosas, sem coragem de amparar a ninguém.
Quando conseguires superar as tuas aflições para criares a alegria dos outros, a felicidade alheia te buscará, onde estiveres, a fim de improvisar a tua ventura.
Que a enfermidade e a tristeza nunca te impeçam a jornada.
É preferível que a morte nos surpreenda em serviço, a esperarmos por ela numa poltrona de luxo.
Acende, meu irmão, nova chama de estímulo, no centro da tua alma, e segue além...Sê o anjo da fraternidade para os que te seguem dominados de aflição, ignorância e padecimento.
Quando plantares a alegria de viver nos corações que te cercam, em breve as flores e os frutos de tua sementeira te enriquecerão o caminho.

Do livro “Fonte Viva”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Viver bem

Cuida dos pensamentos na aldeia da mente, buscando identificá-los com as lições evangélicas.
Modelas as idéias nas sentenças que os preceitos do Cristo determinam, com a amplitude que o progresso requer.
Saiba ouvir os outros, como se fosses tu quem estivesse falando, selecionando os assuntos e guardando o que te convém.
Vigia a boca, de modo que o verbo fale construindo, acreditando mais na expressão do exemplo.
Perdoa esquecendo faltas, sem o império da falsidade e sem esquecer a oração em favor daqueles que, por vezes, te ofendem.
Respeita o direito alheio, como queres ser respeitado; cada criatura é um mundo em posição diferente, com deveres e direitos ante a vida.
Estuda de tudo, rejeitando o que possa te levar à desarmonia.
Estimula a alegria, sem que ela se mostre no barulho que incomoda; a verdadeira felicidade se irradia no silêncio.
Trabalha sempre com o traço da honestidade, sem te esqueceres das horas de lazer; o equilíbrio em tudo é paz no coração.
Ama a Deus em tudo, pelos canais da caridade, do mínimo ao máximo, pelo móvel das tuas ações.
Meditando e agindo desse modo, Deus ficará mais presente em ti e Jesus passará a ser teu companheiro lado a lado, em toda a tua vida, não porque o Senhor e o Mestre se aproximam mais dos que andam retamente no bem, mas porque despertarás os teus valores, de modo a reconhecê-los nas cidades do coração e da consciência.


De “Páginas Esparsas 4”, de João Nunes Maia, pelo Espírito Lancellin

Semeadores de esperança

Possivelmente não terás pensado ainda no verbo formoso e grave a que todos somos chamados: criar para o progresso.
O Criador, ao dotar-nos de razão, a nós, criaturas, conferiu-nos o poder de imaginar, promover, originar, produzir.
Referimo-nos, frequentemente, à lei de causa e efeito. Sabemos que ela funciona em termos de exatidão. Utilizamo-la, quase sempre, tão-só para justificar sofrimentos, esquecendo-lhe a possibilidade de estabelecer alegrias.
Causamos isso ou aquilo, geramos acontecimentos determinados. Experimentemos essa força que nos é peculiar, na formação de circunstâncias favoráveis aos homens.
Antes do comboio a vapor, a eletricidade já existia. Os transportes arrastavam-se pela tração, mas foi preciso que alguém desejasse criar na Terra a locomotiva, que se converteu a pouco e pouco no trem elétrico, a fim de que a Civilização aprimorasse os sistemas de condução que prosseguem para mais altas expressões evolutivas.
O firmamento era vasculhado pelos olhos humanos há milênios, mas foi necessário que um astrônomo levantasse lentes, para que os povos recolhessem as preciosas informações do Universo, que já havia antes deles.
O princípio é idêntico para a vida moral.
Precisamos hoje e em toda parte dos criadores de harmonia doméstica e social, dos desenhistas de pensamentos certos, dos escultores de boas obras.
O tempo nos ensinará a entender a necessidade básica de se criarem condições para o entendimento mútuo, como já se estabeleceram normas para o trânsito fácil do automóvel.
Inventa em tua existência soluções de conforto, suscita motivos de paz, traça diretrizes de melhoria, faze o que ainda não foi aproveitado na realização da riqueza íntima de todos.
Provavelmente, estamos na atualidade em estágio obscuro de lições, sob a situação imperiosa de ações passadas. Mas não nos será correto esquecer que somos Inteligências com raciocínio claro e que, se antigamente nos foi possível colocar em ação as causas que neste momento e neste local nos infelicitam, retemos conosco a sublime faculdade de idear, planejar e construir.
Ajamos na construtividade de Jesus, sejamos semeadores de esperança.

André Luiz (Waldo Vieira)
(De “Estude e Viva”, de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz)

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