domingo, 28 de dezembro de 2014

Carta de Ano Novo

Ano Novo é também renovação de nossa oportunidade de aprender, trabalhar e servir.
O tempo, como paternal amigo, como que se reencarna no corpo do calendário, descerrando-nos horizontes mais claros para a necessária ascensão.
Lembra-te de que o ano em retorno é novo dia a convocar-te para execução de velhas promessas, que ainda não tiveste a coragem de cumprir.
Se tem inimigo, faze das horas renascer-te o caminho da reconciliação.
Se fores ofendido, perdoa, a fim de que o amor te clareie a estrada para frente.
Se descansares em demasia, volve ao arado de tuas obrigações e planta o bem com destemor para a colheita do porvir.
Se a tristeza te requisita, esquece-a e procura a alegria serena da consciência feliz no dever bem cumprido.
Novo Ano! Novo Dia!
Sorri para os que te feriram e busca harmonia com aqueles que te não entenderam até agora.
Recorda que há mais ignorância que maldade, em torno de teu destino.
Não maldigas, nem condenes.
Auxilia a acender alguma luz para quem passa ao teu lado, na inquietude da escuridão.
Não te desanimes, nem te desconsoles.
Cultiva o bom ânimo com os que te visitam, dominados pelo frio do desencanto ou da indiferença.
Não te esqueças de que Jesus jamais se desespera conosco e, como que oculto ao nosso lado, paciente e bondoso, repete-nos de hora a hora:
- Ama e auxilia sempre.
Ajuda aos outros, amparando a ti mesmo, porque se o dia volta amanhã, eu estou contigo, esperando pela doce alegria da porta aberta de teu coração.

Emmanuel
Vida e Caminho - Francisco Cândido Xavier

sábado, 27 de dezembro de 2014

Confia em Deus

Aflições e lágrimas são processos da vida, em que se te acrescentam as energias, a fim de que sigas a frente, na quitação dos compromissos esposados, para que se te iluminem os olhos, no preciso discernimento.Aflições e lágrimas são processos da vida, em
que se te acrescem as energias, a fim de que sigas à frente, na quitação dos compromissos esposados, para que se te iluminem os olhos, no preciso discernimento.
Nos dias difíceis de atravessar, levanta-se para a vida, ergue a fronte, abraça o dever que as circunstâncias te deram e abençoa a existência em que a Providência Divina te situou.
Por maiores se façam a dor que te visite, o golpe que te fira, a tribulação que te busque ou o sofrimento que te assalte, não esmoreças na fé e prossegue fiel às próprias obrigações, porque, se todo o bem te parece perdido, na fase da tarefa em que te encontras, guarda a certeza de que Deus está contigo, trabalhando no outro lado.

Autor: Emmanuel
Psicografia de Francisco Cândido Xavier. Livro: Alma e Coração

Não Desanime


Quando você se observar, à beira do desânimo, acelere o passo para frente, proibindo-se parar.
Ore, pedindo a Deus mais luz para vencer as sombras.
Faça algo de bom, além do cansaço em que se veja.
Leia uma página edificante, que lhe auxilie o raciocínio na mudança construtiva de idéias.
Tente contato de pessoas, cuja conversação lhe melhore o clima espiritual.
Procure um ambiente, no qual lhe seja possível ouvir palavras e instruções que lhe enobreçam os pensamentos.
Preste um favor, especialmente aquele favor que você esteja adiando.
Visite um enfermo, buscando reconforto naqueles que atravessam dificuldades maiores que as suas.
Atenda às tarefas imediatas que esperam por você e que lhe impeçam qualquer demora nas nuvens do desalento.
Guarde a convicção de que todos estamos caminhando para adiante, através de problemas e lutas, na aquisição de experiência, e de que a vida concorda com as pausas de refazimento das nossas forças, mas não se acomoda com a inércia em momento algum.

Autor: André Luiz
Médium: Francisco Cândido Xavier

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Temos Jesus

Desaba o Velho Mundo em treva densa
E a guerra, como lobo carniceiro,
Ameaça a verdade e humilha a crença,
Nas torturas de um novo cativeiro.
Mas vós, no turbilhão da sombra imensa,
Tendes convosco o Excelso Companheiro,
Que ama o trabalho e esquece a recompensa
No serviço do bem ao mundo inteiro.
Eis que a Terra tem crimes e tiranos,
Ambições, desvarios, desenganos,
Asperezas dos homens da caverna;
Mas vós tendes Jesus em cada dia.
Trabalhemos na dor ou na alegria,
Na conquista de luz da Vida Eterna.


Livro: Parnaso de Além-túmulo
Abel Gomes - Francisco Cândido Xavier

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Cartão de Natal

Ao clarão do Natal, que em ti acorda a música da esperança, escuta a voz de
alguém que te busca o ninho da própria alma!... Alguém que te acende a estrela da
generosidade nos olhos e te adoça o sentimento, quais se trouxessem uma harpa de
ternura esconda no peito.
Sim, é Jesus, o amigo fiel, que volta.
Ainda que não quisesse, lembar-lhe-ias hoje os dons inefáveis, ao recordares as
canções maternas que te embalaram o berço, o carinho de teu pai, ao recolher-te nos
braços enternecidos, a paciência dos mestres que te guiaram na escola e o amor puro
de velhas afeições que te parecem distantes.
Contemplas a rua, onde luminárias e cânticos lhe reverenciam a glória;
entretanto, vergas-te ao peso das lágrimas que te desafogam o coração... É que ele te
fala no íntimo, rogando perdão para os erram, socorro aos que sofrem, agasalho aos
que tremem na vastidão da noite, consolação aos que gemem desanimados e luz para
os que jazem nas trevas.
Não hesites! Ouve-lhe a petição e faze algo!... Sorri de novo para os que te
ofenderam; abençoa os que feriram; divide o farnel com os irmãos em necessidade;
entrega um minuto de reconforto ao doente; oferece numa fatia de bolo aos que oram,
sozinhos, sob ruínas e pontes abandonadas; estende um lençol macio aos que
esperam a morte, sem aconchego do lar; cede pequenina parte de tua bolsa no auxílio
às mães fatigadas, que se afligem ao pé dos filhinhos que enlanguescem de fome, ou
improvisa a felicidade de uma criança esquecida.
Não importa se diga que cultivas a bondade somente hoje quando o Natal te
deslumbra!... Comecemos a viver com Jesus, ainda que seja por algumas horas, de
quando em quando, e aprenderemos, pouco a pouco, a estar com ele, com todos os instantes, tanto quanto ele permanece conosco, tornando diariamente ao nosso
convívio e sustentando-nos para sempre.

Fonte: Livro Antologia Mediúnica do Natal –
Psicografia: Francisco Cândido Xavier / Espírito: Meimei.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Vinte Serviços que o Espiritismo faz por Você

01 Integra você no conhecimento de sua posição e criatura eterna e responsável, diante da vida.

02 Expõe o sentido real das lições do Cristo e de todos os outros mentores espirituais da Humanidade, nas diversas regiões do Planeta.

03 Suprime-lhe as preocupações originárias do medo da morte provando que ela não existe.

04 Revela-lhe o princípio da reencarnação, determinando o porquê da dor e das aparentes desigualdades sociais.

05 Confere-lhe forças para suportar as maiores vicissitudes do corpo, mostrando a você que no instrumento físico nos reflete as condições ou necessidades do espírito.

06 Tranqüiliza você com respeito aos desajustes da parentela, esclarecendo que o lar recebe não somente os afetos, mas também os desafetos de existências passadas, para a necessária regeneração.

07 Demonstra-lhe que o seu principal templo para o culto da Presença Divina é a consciência.

08 Liberta-lhe a mente de todos os tabus em matéria de crença religiosa.

09 Elimina a maior parte das suas preocupações acerca do futuro além da morte.

10 Dá-lhe o conforto do intercâmbio com os entes queridos, depois de desencarnados.

11 Entrega-lhe o conhecimento da mediunidade.

12 Traça-lhe providências para o combate ou para a cura da obsessão.

13 Concede-lhe o direito à fé raciocinada.

14 Destaca-lhe o imperativo da caridade por dever.

15 Auxilia você a revisar e revalorizar os conceitos de trabalho e tempo.

16 Concede-lhe a certeza natural de que, se beneficiamos ou prejudicamos alguém, estamos beneficiando ou prejudicando a nós próprios.

17 Garante-lhe serenidade e paz diante da calúnia ou da crítica.

18 Ensina você a considerar adversários por instrutores.

19 Explica-lhe que, por maiores sejam as suas dificuldades exteriores, intimamente você é livre para melhorar ou agravar a própria situação.

20 Patenteia-lhe que a fé ilumina o caminho, mas ninguém fugirá da lei que manda atribuir a cada qual segundo as obras pessoais.


Essas são vinte das muitas bênçãos que o Espiritismo realiza em nosso favor. Será curioso que cada de nós pergunte a si mesmo o que estamos nós a fazer por ele.


Autor: André Luiz
Psicografia de Waldo Vieira

Natal

“Glória a Deus nas Alturas, paz na Terra e boa vontade para com os homens”. (Lucas, 2:14).

As legiões angélicas, junto à Manjedoura, anunciando o Grande Renovador, não
apresentaram qualquer ação de reajuste violento.

Glória a Deus no Universo Divino.
Paz na Terra.
Boa vontade para com os Homens.

O Pai Supremo, legando a nova era de segurança e tranquilidade ao mundo,
não declarava o Embaixador Celeste investido de poderes para ferir ou destruir.

Nem castigo ao rico avarento.
Nem punição ao pobre desesperado.
Nem desprezo aos fracos.
Nem condenação aos pecadores.
Nem hostilidade para com o fariseu orgulhoso.
Nem anátema contra o gentio inconsciente.
Derramava-se o Tesouro Divino, pelas mãos de Jesus, para o serviço da Boa
Vontade.
A justiça do “olho por olho” e do “dente por dente” encontrara, enfim, o Amor
disposto à sublime renúncia até à cruz.
Homens e animais, assombrados ante a luz nascente na estrebaria, assinalaram
júbilo inexprimível...
Daquele inolvidável momento em diante a Terra se renovaria.
O algoz seria digno de piedade.
O inimigo converter-se-ia em irmão transviado.
O criminoso passaria à condição de doente.
Em Roma, o povo gradativamente extinguiria a matança nos circos. Em Sídon,
os escravos deixariam de ter os olhos vazados pela crueldade dos senhores. Em
Jerusalém, os enfermos não mais sofreriam relegados ao abandono nos vales de
imunidade.
Jesus trazia consigo a mensagem da verdadeira fraternidade e, revelando-a,
transitou, vitorioso, do berço de palha ao madeiro sanguinolento.
Irmão, que ouves no Natal os ecos suaves do cântico milagroso dos anjos,
recorda que o Mestre veio até nós para que nos amemos uns aos outros.
Natal! Boa Nova! Boa Vontade!...
Estendamos a simpatia a todos e comecemos a viver realmente com Jesus, sob
os esplendores de um novo dia.

Fonte: Livro Antologia Mediúnica do Natal –
Psicografia: Francisco Cândido Xavier / Espírito: Emmanuel.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Diante do Próximo

O próximo, em cada minuto, é aquele coração que se acha mais próximo do nosso, por divina sugestão de amor no caminho da vida.
No lar, é a esposa e o esposo, os pais e os filhos, os parentes e os hóspedes.
No templo do trabalho comum, é o chefe e o subordinado, o cooperador e o companheiro.
Na via pública, é o irmão ou o amigo anônimo que partilham conosco a mesma estrada e o mesmo clima.
Na esfera social, é a criança e o doente, o desesperado e o triste, as afeições e os laços da solidariedade comum.
Na luta contundente do esforço humano, é o adversário e o colaborador, o inimigo declarado ou oculto ou, ainda, o associado de ideais que se expressam por nossos instrutores.
Em toda parte, encontrarás o próximo, buscando-te a capacidade de entender e de ajudar.
Auxilia-o com aquilo que possuas de melhor.
Os santos e os heróis ainda não residem na Terra.
Somos espíritos humanos, mistos de luz e sombra, amor e egoísmo, inteligência e ignorância.
Cada homem, na fase evolutiva em que nos encontramos, traz uma auréola de rei e uma espada de tirano.
Se chamas o fidalgo, encontrarás um servidor...
Se procuras o guerreiro, terás um inimigo feroz pela frente...
Por isso mesmo, reafirmou Jesus o velho ensinamento da Lei - “ama o próximo, como a ti mesmo”...

Emmanuel / Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Livro: Taça de Luz

As Trés Orações

Instado pela assembleia de amigos a falar sobre a resposta do Criador às preces das criaturas, respondeu o velho Simão Abileno, instrutor cristão, considerado no Plano Espiritual por mestre do apólogo e da síntese: -Repetirei para vocês, a nosso modo, antiga lenda que corre mundo nos contos populares de numerosos países.
Em grandes bosque da Ásia Menor, três árvores ainda jovens pediram a Deus lhes concedesse destinos gloriosos e diferentes. A primeira explicou que aspirava a ser empregada no trono do mais alto soberano da Terra; após ouvi-la, a segunda declarou que desejava ser utilizada na construção do carro que transportasse os tesouros desse rei poderoso, e a terceira, por último, disse então que almejava transformar-se numa torre, nos domínios desse potentado, para indicar o caminho do Céu. Depois das preces formuladas, um Mensageiro Angélico desceu à mata e avisou que o Todo-Misericordioso lhes recebera as rogativas e lhes atenderia às petições. Decorrido muito tempo,lenhadores invadiram o horto selvagem e as árvores,com grande pesar de todas as plantas circunvizinhas,foram reduzidas a troncos, despidos por mãos cruéis.
Arrastadas para fora do ambiente familiar, ainda mesmo com os braços decepados, elas confiaram nas promessas do Supremo Senhor e se deixaram conduzir com paciência e humildade. Qual não lhes foi, conduzir com paciência e humildade. Qual não lhes foi, porém, a aflitiva surpresa! . Depois de muitas viagens, a primeira caiu sob o poder de um criador de animais que, de imediato, mandou convertê-la num grande cocho destinado à alimentação de carneiros; a segunda foi adquirida por um velho praiano que construía barcos
por encomenda; e a terceira foi comprada e recolhida para servir, em momento oportuno, numa cela de malfeitores. As árvores amigas, conquanto separadas e sofredoras, não deixaram de acreditar na mensagem do Eterno e obedeceram sem queixas às ordens inesperadas que as leis da vida lhes impunham . No bosque, contudo, as outras plantas tinham perdido a fé no valor da oração, quando, transcorridos muitos anos, vieram a saber que as três árvores haviam obtido as concessões gloriosas solicitadas .
A primeira, forrada de panos singelos, recebera Jesus das mãos de Maria de Nazaré, servindo de berço ao Dirigente Mais Alto do Mundo; a segunda, trabalhando com pescadores, na forma de uma barca valente e pobre, fora o veículo de que Jesus se utilizou para transmitir sobre as águas muitos dos seus mais belos ensinamentos; e a terceira, convertida apressadamente numa cruz em Jerusalém, seguira com Ele, o Senhor, para o monte e, ali, ereta e valorosa, guardara-lhe o coração torturado, mas repleto de amor no extremo sacrifício, indicando o verdadeiro caminho do Reino Celestial. Simão silenciou, comovido. E, depois de longa Pausa, terminou, a entremostrar os olhos marejados de pranto: -Em verdade, meus amigos, todos nós podemos endereçar a Deus, em qualquer parte e em qualquer tempo, as mais variadas preces; no entanto, nós todos precisamos cultivar paciência e humildade, para esperar e compreender as respostas de Deus.

Irmão X / Francisco Cândido Xavier
Livro: A Luz da Oração

domingo, 14 de dezembro de 2014

No Aprimoramento

No aperfeiçoamento do corpo espiritual, além do primitivismo de certas almas que jazem, longo tempo, entorpecidas após a morte física, observamos, ainda, o quadro das mentes evolvidas intelectualmente, mas submersas nas densas vibrações decorrentes de compromissos escuros.
Não permanecem no regime da inércia, em sono larval; entretanto, agitam-se nos desvarios da loucura.
Criam imagens que vivem e se movimentam na intimidade delas próprias, por tempo indeterminado, cuja duração varia com a força do impulso de suas paixões.
Carregam consigo os dramas intensos de que se fizeram autoras.
Encarnada na Terra, a inteligência vive entre as provocações da esfera carnal e as sugestões silenciosas da mente. Quanto mais intelectualizada a criatura, mais profundamente respira no plano das ideias, influenciando e sendo influenciada.
Geralmente, porém, o homem desequilibra os próprios sentimentos, inclinando-se, em maior ou menor percentagem, para o afastamento das leis com as quais se deve nortear. Atravessa os caminhos humanos, ganhando pouco e quase sempre perdendo muito, dentro de si mesmo, obscurecendo-se nas pesadas sombras dos pensamentos inquietantes que produz para o consumo de suas necessidades mentais.
Assim é que a desencarnação não lhes modifica o campo íntimo.
Encasulada no círculo vibratório das criações que lhe dizem respeito, a alma sofre naturais inibições, ante a paisagem da vida gloriosa. Não possui ainda órgão de percepção para sintonizar-se com os espetáculos deslumbrantes da imensidade, encarcerada, qual se encontra, entre as paredes estranhas das concepções obscuras e estreitas em que se agita.
Como a lâmpada vive no seio das próprias irradiações, imitindo luz que é também matéria sutil, a alma permanece no seio das criações que lhe são peculiares, prendendo-se à paisagem em que prevaleçam as forças e desejos que lhe são afins, porque o pensamento é também substância rarefeita, matéria dentro de expressões inabordáveis até agora pelas investigações terrestres.
Podendo alimentar-se, por tempo indefinível, das emanações dos próprios desejos, entidades existem que estacionam, durante muitos anos, dentro dos quadros emocionais em que se comprazem, atrasando a marcha evolutiva, até que reencarnam na recapitulação das experiências em que faliram, retomando o serviço de purificação interior para a sublimação de si mesmas.
Desse modo, somos defrontados por dolorosos fenômenos congeniais.
Suicidas recomeçam a luta física, no círculo de moléstias ingratas, e criminosos reaparecem no berço, com deploráveis mutilações e defeitos; alcoólatras regressam à existência, em companhia de pais que se sintonizam com eles e grandes delinquentes reencetam a viagem do aprimoramento moral, na esfera de provas temíveis, quais sejam as de enfermidades indefiníveis e de aflições dificilmente remediáveis.
No extenso e abençoado viveiro de almas que é o mundo, pouco a pouco, de século a século e de milênio a milênio, usando variados corpos e diversas posições no campo das formas, nosso espírito constrói lentamente, para o próprio uso, o veículo acrisolado e divino, com que o Senhor nos reserva em plena imortalidade vitoriosa.


Emmanuel / Francisco Cândido Xavier
Livro: Roteiro


Parábola da Semente

“O reino de Deus é como se um homem lançasse a semente à terra, e dormisse, e se levantasse de noite e de dia e a semente germinasse e crescesse, sem ele saber como. A terra por si mesma produz frutos; primeiro a erva, depois a espiga e por último o grão cheio na espiga.
Depois de o fruto amadurecer, logo lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa."
(Marcos,IV, 26-29.)


A terra é um prodígio de fecundidade. É dela que nos vem o alimento, e portanto, o corpo; é dela que nos vem a roupa. Tudo vem da terra; ela produz a erva, faz brotar a espiga, faz nascer e amadurecer o fruto; e, lançada a semente à terra, germina e cresce sem se saber como!
É assim o Reino dos céus; Trazido à terra pelo grande semeador, embora estivessem os homens alheios às coisas do céu e presos à terra, a Palavra de Jesus, que é a semente da árvore que dá frutos de Vida Eterna, atirada na obscuridade da Palestina, transformou-se, tornou-se um novo corpo cheio de fortaleza, deu a plântula, subterrânea mais perfeitamente organizada, cuja raiz se introduziu no coração de seus discípulos, e, fendida a terra produtiva, deixou sair a haste que vai crescendo viscosa, saudando a luz, aparecendo aos olhos de todos, com seus reflexos verdejantes da Esperança, que anuncia a produção do oxigênio espiritual indispensável à vida das almas! Com folhas já largamente abertas e flores perfumosas, mostra-se a árvore adulta e luxuriante, tal como fora prevista no Apocalipse pelo Cantor de Patmos; a árvore que serviria para a cura e vida dos Espíritos!
A força secreta que produz todas as transformações orgânicas, também produz as transformações psíquicas.
E de onde vem essa força, esse poder? De Deus! E, embora os homens descurem seus deveres, assim como a semente se transforma em árvore, a semente do Reino de Deus se transforma em reino de Deus pela força do progresso incoercível que domina todas as coisas!
Partindo do "germe", a palavra de Jesus ampliou-se, desenvolveu-se, e, por sua ação, fez desenvolver em seu seio, uma genealogia inteira de entes que, diferentes na forma e grandeza, vão constituindo e anunciando a todos o Reino de Deus!
É assim a Semente da Parábola, que tem passado por todos os processos: germinação, Crescimento, floração e frutificação, sem que a revelação deixasse um só instante de vivificá-la com suas benéficas inspirações.
A revelação é o influxo divino que ergue e movimenta todos os seres, que os eleva aos cimos da Espiritualidade. O Reino de Deus, substituído até há pouco pelo Reino do Mundo, já está dando frutos de amor e de verdade, que permanecerão para sempre e transformarão o nosso planeta de um inferno hiante em estância feliz, onde as almas encontrarão os elementos de progresso para a sua ascensão à felicidade eterna.

Caibar Schutel

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Herdeiros

“E se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus e co-herdeiros do Cristo.” — Paulo. (Romanos, 8:17)

Incompreensivelmente, muitas escolas religiosas, através de seus expositores, relegam o homem à esfera de miserabilidade absoluta.
Púlpito, tribunas, praças, livros e jornais estão repletos de tremendas acusações.
Os filhos da Terra são categorizados à conta de réus da pena última.
Ninguém contesta que o homem, na condição de aluno em crescimento na Sabedoria Universal, tem errado em todos os tempos; ninguém que o crime ainda obceca, muitas vezes, o pensamento das criaturas terrestres; entretanto, é indispensável restabelecer a verdade essencial. Se muitas almas permanecem caídas, Deus lhes renova, diariamente, a oportunidade de reerguimento.
Além disso, o Evangelho é o roteiro do otimismo divino.
Paulo, em sua epístola aos romanos, confere aos homens, com justiça, o título de herdeiros do Pai e co-herdeiros de Jesus.
Por que razão se dilataria a paciência do Céu para conosco se nós, os trabalhadores encarnados e desencarnados da Terra, não passássemos de seres desventurados e inúteis? Seria justa a renovação do ensejo de aprimoramento a criaturas irremediavelmente malditas?
É necessário fortalecer a fé sublime que elevamos ao Alto, sem nos esquecermos de que o Alto deposita santificada fé em nós.
Que a Humanidade não menospreze a esperança.
Não somos fantasmas de penas eternas e sim herdeiros da Glória Celestial, não obstante nossas antigas imperfeições. O imperativo de felicidade, porém, exige que nos eduquemos, convenientemente, habilitando-nos à posse imorredoura da herança divina.
Olvidemos o desperdício da energia, os caprichos da infância espiritual e cresçamos, para ser, com o Pai, os tutores de nós mesmos.

De “Vinha de Luz”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Marco Prisco - Não Merecem


Guarde-se do mal e defenda-se dele com a realização do bem operante. O mal não merece consideração.
Há muito que fazer, valorizando a oportunidade de serviço que surge inesperada.
A intriga não merece a atenção dos seus ouvidos.
A injúria não merece o respeito da sua preocupação.
A ingratidão não merece o zelo da sua aflição.
O ultraje não merece o seu revide verbalista.
A mentira não merece a interrupção das suas nobres tarefas.
A exasperação não merece o seu sofrimento.
A perseguição gratuita não merece a sua solicitude.
A maledicência não merece o alto-falante da sua garganta.
A inveja não merece o tempo de que você necessita para o trabalho nobre.
Os maus não merecem a sua inquietação.
Entregue-os ao tempo benfazejo.
Abra os braços ao dever, firme-se no solo do serviço, abrace-se à cruz da responsabilidade, recordando o madeiro onde expirou o Cristo e, em perfeita magnitude, desafie a fúria do mal.
O lídimo cristão é fiel servidor.
Você tem somente um amo a quem prestará contas: Jesus!
Preocupado com o que deve fazer, não pare a escutar os que não têm o que fazer ou nada querem fazer.
Transformando-se em antena viva da inspiração superior, registre o ensinamento evangélico do amor, no coração, viva-o na ação e prossiga sem medo.
Você sabe que em toda seara existem abelhas diligentes e marimbondos destruidores. Também, não ignora “que os maus por si mesmos se destroem”, como afirma a sabedoria popular.
Identifique no obstáculo o ensejo iluminativo e não se detenha.
Por essa razão, enquanto a ventania açoita, guarde a sua fé robusta e, sem dar atenção ao mal, esteja acautelado, porque, não descendo às ondas mentais dos maus, você paira inatingível nas vibrações superiores das Altas Potências da Vida. Doe amor e, assim, faça o bem, para que não venha “a responder por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem”.

Psicografia de Divaldo Pereira Franco. Livro: Legado Kardequiano

Indagação e Resposta

Possivelmente, você também será daqueles companheiros do mundo físico que indagam pela razão dos mentores desencarnados transmitirem tantas mensagens de essência filosófica, mormente baseadas nos ensinamentos do Cristo.
Responderemos que uma pergunta dessas equivale à inquisição que alguém formulasse sobre o motivo de tantas escolas para os que vivem na Terra
A verdade é que todos os irmãos do Plano Físico queiram ou não, acreditem ou não acreditem virão Ter conosco, mais hoje ou mais depois de amanhã, e cabe-nos diminuir o trabalho que, porventura, nos venham a impor, ao abordarem o nosso campo de vivência espiritual, já que somos todos uma só família, perante Deus.
Examinem vocês algumas das perguntas que nos são desfechadas, com absoluta sinceridade, por milhares de companheiros que se conscientizam, quanto à própria desencarnação.
Onde se localiza o Céu dos bem-aventurados.
Onde residem os anjos.
Porque Deus em pessoas, não dispôs a vir recebê-los.
Porque Jesus lhes foge à visão, se viveram orando e confiando no Divino Mestre.
Porque sofreram tanto.
Porque não conseguem conversar imediatamente com os familiares que ficaram à distância.
Porque são convidados a trabalhar se tanto esperaram pelo descanso.
Porque não foram avisados sobre o dia da volta à Verdadeira Vida.
Porque não conseguem alterar os testamentos que deixaram no mundo.
Em que lugar estarão os infernos.
Onde estão encravados os purgatórios.
Como será o repouso que lhes será concedido se não enxergam amigo algum que não seja em trabalho árduo.
Porque as entidades angélicas não lhes dispensam as atenções de que se julgam merecedores.
Para resumir, dir-lhes-ei que, há dias, um amigo nosso, devotado obreiro do Bem, na Espiritualidade, foi questionado por um irmão recém-vindo da Terra, dentre aqueles que lhe recebiam diretrizes, sobre o melhor meio pelo qual conseguiriam enxergar alguns demônios.
Com o melhor humor, o companheiro respondeu:
- Meu filho, lamento muito, mas não tenho aqui um espelho para nós dois.


Obra: Endereço de Paz
Francisco Cândido Xavier / André Luiz

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Auxílio Eficiente

O homem distanciado da multidão raramente assume posição digna à frente dela.
Em geral, quem recebe autoridade cogita de encastelar-se em zona superior.
Quem alcança posição financeira elevada esquece os que lhe foram companheiros do princípio e traça barreiras humilhantes para que os necessitados não o aborreçam.
E a massa, na maioria das regiões do mundo, prossegue relegada a si própria.
A política inferior converte-a em joguete de manobra comum, enquanto o comércio desleal nela procura lucros exorbitantes.
Raríssimos são os homens que a ajudam a escalar o monte iluminativo.
Pouquíssimos mobilizam recursos no amparo social.
Jesus, porém, traçou o programa desejável, instituindo o auxílio eficiente.
Quem se honra de servir a Jesus, imite-lhe o exemplo. Ajude o irmão mais próximo a dignificar a vida, a edificar-se pelo trabalho sadio e a sentir-se melhor.


Emmanuel / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Vinha de Luz (extrato) - Ed. FEB

Estudando o Bem e o Mal

Para que sejamos intérpretes genuínos do bem, não basta desculpar o mal.
É imprescindível nos despreocupemos dele, em sentido absoluto, relegando-o à condição de efêmero acessório do triunfo real das Leis que nos regem.
Evitando comentários complexos em nosso culto à simplicidade, recorramos à natureza.
Vejamos, por exemplo, o apelo vivo da fonte.
Quantas vezes terá sido injuriada a água que hoje nos serve à mesa?
Do manancial ao vaso limpo, difícil trajetória cumulou-a de vicissitudes e provações.
O leito duro de pedra e areia...
A baba venenosa dos répteis...
O insulto dos animais de grande porte...
O enxurro dos temporais...
Os detritos que lhe foram arrojados ao seio...
A fonte, entretanto, caminhou despretensiosa, sem demorar-se em qualquer consideração aos sarcasmos da senda, até surpreender-nos, diligente e pura, aceitando o filtro que lhe apura as condições, a fim de que nos assegure saciedade e conforto.
Segundo observamos, na lição aparentemente infantil, o ribeiro não somente olvidou as ofensas que lhe foram precipitadas à face.
Movimentou-se, avançou, humilhou-se para auxiliar e perdoou infinitamente, sem imobilizar-se um minuto, porque a imobilidade para ele constituiria adesão ao charco, no qual, ao invés de servir, converter-se-ia tão só em veículo de corrupção.
É por isso que o ensinamento cristão de caridade envolve o completo esquecimento de todo mal.
“Que a vossa mão esquerda ignore o bem praticado pela direita.”
Semelhantes palavras do Senhor induzem-nos a jornadear na Terra, exaltando o bem, por todos os meios ao nosso alcance, com integral despreocupação de tudo o que represente vaidade nossa ou incompreensão dos outros, de vez que em qualquer boa dádiva somente a Deus se atribui a procedência.
Procurando a nossa posição de servidores fiéis da regeneração do mundo, a começar de nós mesmos, pela renovação dos nossos hábitos e impulsos, olvidemos a sombra e busquemos a luz, cada dia, conscientes de que qualquer pausa mais longa na apreciação dos quadros menos dignos que ainda nos cercam será nossa provável indução ao estacionamento indeterminado no cárcere do desequilíbrio e do sofrimento.

Emmanuel / Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Obra: Mediunidade e Sintonia.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Ninguém é Inútil

Não aguardes aparente grandeza para ser útil.
Missão quer dizer incumbência.
E ninguém existe aos ventos do acaso.
Para entender nossos mandatos de trabalho, atentemos em lições de coisas da natureza.
A usina poderosa ilumina qualquer lugar à distância, contudo, para isso, não age por si só.
Usa transformadores de um circuito a outro, alterando, em geral, a tensão e a intensidade da corrente. Os transformadores exigem fios de condução e os fios recorrem à tomada de força.
Isso, porém, ainda não resolve.
Para que a luz se faça, é indispensável a lâmpada, que se forma de componentes diversos.
No dicionário das leis divinas, as nossas tarefas têm o sinônimo de dever.
Atendamos a obrigação para que fomos chamados no clima do bem.
Não te digas inútil nem incompetente.
Para cumprir a missão que nos cabe, não são necessários cargo diretivo, tribuna brilhante nem fortuna de milhões.
Basta que estimemos a disciplina no lugar que nos é próprio, e prazer de servir.


Emmanuel / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Livro da Esperança (extrato) - Ed. CEC

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Amor Próprio

Desenovela-te do amor-próprio quanto antes.
Ele é causa de muitos e afligentes problemas.
Encarcera na vaidade, disfarça-se com desculpas e acusações absurdas e cria animosidade.
Ferido, ocasiona contendas violentas; vingativo, provoca agressões infelicitadoras.
Ante uma recusa à ação do bem, defrontarás o amor-próprio insensível, e pela boca da maledicência ouvirás o leviano ou magoado.
Um crime, uma ação perniciosa, um conflito entre pessoas, a falsa humildade e o abandono de tarefas são efeitos do amor-próprio despeitado.
O amor-próprio só realiza obra meritória para colher, de imediato, os louros e reconhecimento. Após a realização, faz-se exigente, cobra o preço.
Por qualquer motivo, ou sem motivo, afasta-se atirando petardos de ira e censuras insensatas.
Vigie esse perverso companheiro e exercita o amor fraternal, doando-te quanto possas.
Livrando-te dele, experimentarás otimismo, paz interior e alegria na vida, porque verás corretamente o mundo sem as lentes escuras que ele antepõe aos olhos da tua observação.

Joanna de Ângelis / Médium Divaldo Pereira Franco
Livro: Alerta (extrato) - Ed. LEAL


domingo, 7 de dezembro de 2014

Evangelho e Caridade

Antes de Jesus, a caridade é desconhecida.
Os monumentos das civilizações antigas não se reportam à divina virtude.
Os destroços do palácio de Nabucodonosor, no solo em que se erguia a grandeza de Babilônia, falam simplesmente de fausto e poder que os séculos consumiram.
Nas lembranças do Egito glorioso, as Pirâmides não se referem à compaixão.
Os famosos hipogeus de Persépolis são atestados de orgulho racial.
As muralhas da China traduzem a preocupação de defesa.
Nos velhos santuários da Índia, o Todo-Poderoso é venerado por milhões de fiéis, indiscutivelmente sinceros, mas deliberadamente afastados dos semelhantes nascidos na condição de parias desprezíveis.
A acrópole de Atenas, com as suas colunas respeitáveis, é louvor à inteligência.
O coliseu de Vespasiano, em Roma, é monumento levantado ao triunfo bélico, para as expansões da alegria popular.
Por milênios numerosos, o homem admitiu a hegemonia dos mais fortes e consagrou-a através da arte e da cultura que era suscetível de criar e desenvolver.
Com Jesus, porém, a paisagem social experimenta decisivas alterações
O Mestre não se limita a ensinar o bem. Desce ao convívio com a multidão e materializa-o com o próprio esforço.
Cura os doentes na via pública, sem cerimoniais, e ajuda a milhares de ouvintes, amparando-os na solução dos mais complicados problemas de natureza moral, sem valer-se das etiquetas do culto externo.
Lega aos discípulos a parábola do bom samaritano, que exalta a missão sublime da caridade para sempre.
A história é simples e expressiva.
Transmite Lucas a palavra do Celeste Orientador, explicando que “descia um homem de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores que o despojaram, espancando-o e deixando-o semimorto. Ocasionalmente passava pelo mesmo caminho um sacerdote e, vendo-o, passou de largo. E, de igual modo, também um levita, abordando o mesmo lugar e observando-o, passou à distância. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, reparando-o, moveu-se de íntima piedade. Abeirando-se do infortunado, aliviou-lhe as feridas e, colocando-o sobre a sua cavalgadura, cuidadosamente asilou-o numa estalagem”.
Vemos, dentro da narrativa, que o Senhor situa no necessitado simplesmente “um homem”.
Não lhe identifica a raça, a cor, a posição social ou os pontos de vista.
Nele, enxerga a Humanidade sofredora, carecente de auxílio das criaturas que acendam a luz da caridade, acima de todos os preconceitos de classe ou de religião.
Desde aí, novo movimento de solidariedade humana surge na Terra.
No curso do tempo, dispersaram-se os apóstolos, ensinando, em variadas regiões do mundo, que “mais vale dar que receber”.
E, inspirados na lição do Senhor, os vanguardeiros do bem substituem os vales da imundície pelos hospitais confortáveis; combatem vícios multimilenários, com orfanatos e creches; instalam escolas, onde a cultura jazia confiada aos escravos; criam institutos de socorro e previdência, onde a sociedade mantinha a mendicância para os mais fracos. E a caridade, como gênio cristão na Terra, continua crescendo com os séculos, através da bondade de um Francisco de Assis, da dedicação de um Vicente de Paulo, da benemerência de um Rockfeller ou da fraternidade do companheiro anônimo da via pública, salientando, valorosa e sublime, que o Espírito de Cristo prossegue agindo conosco e por nós.

(De “Roteiro”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Confiando

“... Tende fé em Deus.” – Jesus (Marcos, 11:22)

Tendo fé nas descobertas e nas observações conjugadas de físicos, astrônomos e matemáticos, o homem construiu o foguete com que explora vitoriosamente o espaço cósmico; tendo fé nas ondas eletromagnéticas, formou as bases da televisão que hoje transmite a palavra e a imagem a longas distâncias, simultaneamente, em todas as direções; tendo fé nos processos imunológicos, iniciados e desenvolvido por ele mesmo, criou a vacina, liquidando o problema das moléstias contagiosas que, de tempos a tempos, dizimavam milhares de existências no mundo; tendo fé na escola, dividiu-a em setores múltiplos e estabeleceu cursos específicos, de modo a servir às criaturas, da infância à madureza, afastando a Humanidade dos prejuízos da insipiência e do flagelo da ignorância; tendo fé no motor, inventou o automóvel em que se transporta, à vontade, de região para região, atendendo aos próprios interesses com inestimável ganho de tempo.
Assim também, confiando nos ensinamentos do Cristo e praticando-os como se faz necessário, a criatura edificará a sua própria felicidade; entretanto, qual acontece ao foguete, à televisão, à vacina, à escola e ao automóvel, que funcionam, segundo os princípios em que se baseiam, a fim de oferecerem os frutos preciosos, no auxílio ao homem, a fé nas lições de Jesus só vale devidamente se for usada.

De “Ceifa de Luz”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Amigos Modificados

Surgem no cotidiano determinadas circunstâncias em que somos impelidos a reformular apreciações, em torno da conduta de muitos daqueles a quem mais amamos.
Associados de ideal abraçam hoje experiências para as quais até ontem não denotavam o menor interesse e companheiros de esperança se nos desgarram do passo, esposando trilhas outras.
Debalde procuramos neles antigas expressões de concordância e carinho, de vez que se nos patenteiam emocionalmente distantes.
Nesses dias, em que o rosto dos entes amados se revela diferente, é natural que apreensões e perguntas imanifestas nos povoem o espírito. Abstenhamo-nos, porém, tanto de feri-los, através do comentário desairoso, quanto de interpretar-lhes as diretrizes inesperadas à conta de ingratidão. É provável que as Leis Divinas estejam a chamá-los para a desincumbência de compromissos que, transitoriamente, não se afinam com os nossos. Entendamos também que o passado é um meirinho infalível convocando-nos à retificação das tarefas que deixamos imperfeitamente cumpridas para trás, no campo de outras existências, e tranquilizemos os amigos modificados com os nossos votos de êxito e segurança, na execução dos novos encargos para os quais se dirigem. Reflitamos que se a temporária falta deles nos trouxe sensações de pesar e carência afetiva, possivelmente o mesmo lhes acontece e, ao invés de reprovar-lhes as atitudes ¾ ainda mesmo afastados pela força das circunstâncias ¾ , procuremos envolvê-los em pensamentos de simpatia e confiança, a fim de que nos reencontremos, mais tarde, em mais altos níveis de trabalho e alegria.
À vista disso, pois, toda vez que corações queridos não mais nos comunguem sintonia e convivência, se alguma sugestão menos feliz nos visita a cabeça, entremos, de imediato, em oração, no ádito da alma, rogando ao Senhor nos ilumine o entendimento, a fim de que não falhemos para eles, no auxílio da fraternidade e no apoio da bênção.

Emmanuel
(De: “Estude e Viva”, de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, pelos Espíritos de Emmanuel e André Luiz).

Endireitar os Caminhos

“Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.” — João Batista. (João, Capítulo 1, Versículo 23.)

A exortação do Precursor permanece no ar, convocando os homens de
boa-vontade à regeneração das estradas comuns.
Em todos os tempos, observamos criaturas que se candidatam à fé, que
anseiam pelos benefícios do Cristo. Clamam pela sua paz, pela presença
divina e, por vezes, após transformarem os melhores sentimentos em
inquietação injusta, acabam desanimadas e vencidas.
Onde está Jesus que não lhes veio ao encontro dos rogos sucessivos? em
que esfera longínqua permanecerá o Senhor, distante de suas amarguras?
Não compreendem que, através de mensageiros generosos do seu amor, o
Cristo se encontra, em cada dia, ao lado de todos os discípulos sinceros.
Falta-lhes dedicação ao bem de si mesmos. Correm ao encalço do Mestre
Divino, desatentos ao conselho de João: “endireitai os caminhos”.
Para que alguém sinta a influência santificadora do Cristo, é preciso
retificar a estrada em que tem vivido. Muitos choram em veredas do crime,
lamentam-se nos resvaladouros do erro sistemático, invocam o céu sem o
desapego às paixões avassaladoras do campo material. Em tais condições,
não é justo dirigir-se a alma ao Salvador, que aceitou a humilhação e a cruz
sem queixas de qualquer natureza.
Se queres que Jesus venha santificar as tuas atividades, endireita os
caminhos da existência, regenera os teus impulsos. Desfaze as sombras que te
rodeiam e senti-Lo-ás, ao teu lado, com a sua bênção.

Emmanuel / Francisco Cândido Xavier
Livro: caminho, Verdade e Vida

Daybreak - Barry Manilow

Débitos Seculares

O Cristo Consolador
O Evangelho segundo o Espiritismo – Capítulo VI


Considerando que vêm de longa data os compromissos que têm unido os homens de boa vontade, há que se parar por um minuto, buscando analisar o momento atual, meditar e avaliar os resultados obtidos, reconsiderando os erros naturais nas ações, principalmente quando estas são resultados de esforços desenvolvidos no elevado propósito de servir.
O Apocalipse encontra-se em pleno desenvolvimento; os homens continuam desenvolvendo seus melhores recursos, buscando impor-se uns sobre os outros, esquecendo-se dos mais comezinhos princípios de fraternidade, que devem pautar os comportamentos dos homens inteligentes; o egoísmo continua levando a humanidade para os abismos da dor e do sofrimento; a vaidade e o orgulho jogam irmãos contra irmãos.
Aqueles que assumiram compromissos redentores de laborar em favor dos semelhantes, oportunidade misericordiosa concedida pelo Pai Celestial, favorecem o processo evolutivo. São esses, realmente, os privilegiados que puderam assumir compromissos relevantes em favor da própria emancipação espiritual.
Eis que as trevas, representadas por irmãos merecedores dos nossos cuidados, desenvolvem desesperados esforços no sentido de recuperarem o espaço perdido para Luz.
Urge que os portadores de compromissos, assessorados por espíritos nobres, desenvolvam esforços maiores no sentido de manter o terreno conquistado para o crescimento a Seara do Cristo.
Rever posições é dever urgente daqueles que portam a aflição da consciência de que as quedas sucessivas têm sido motivo de atraso na escalada evolutiva de cada um, Bem-Aventurados os aflitos, nos recorda Mateus.
Vamos aumentar a nossa aflição, buscando na meditação e no esforço comum, recursos para continuar na tarefa que nos foi confiada e que aceitamos conscientemente, sabedores que somos, portadores de dívidas seculares, obsequiados pela Misericórdia Divina ao recebermos a magna ensancha de obrar como mantenedores das claridades divinas sobre o terreno conquistado, enquanto os espíritos superiores planejam a estratégia para a conquista de nossos espaços para o reinado do Amor.

Bezerra de Menezes
(De “Assimilação Evangélica”, de João Nunes Maia – Espíritos Diversos)

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Os Outros

Dizes trazer o deserto no coração; entretanto, pensa nos outros.
Muitos pisam teus rastros, procurando-te as mãos no grande vazio...
Para um pouco e perceberá a presença nas sombras da retaguarda.
Enquanto gritas a própria solidão, compreenderás que a voz
deles está morrendo na garganta, através de longos gemidos.
Volta-te e vê.
Compara os teus braços robustos com os ossos descarnados
que ainda lhe servem de suporte às mãos tristes em que os dedos
mirrados são espinhos de dor. Enxuga o teu pranto e observa os
olhos fatigados que te contemplam... Falam-te a história de
esperanças e sonhos que o tempo soterrou na areia da frustração.
Referem-se ao frio cortante do lar perdido e à agonia da
ramagem nas trevas...
Para e compadece-te.
Deixa que respirem, ainda mesmo por um momento só, no
calor de teu hálito.
Quem poderá medir a extensão da grandeza de uma simples
semente, caída na terra que o arado martirizou?
A beleza de um minuto nos ensina, muita vez, a povoar de
alegria e de luz a existência inteira.
Diz antiga lenda que uma gota de chuva caiu sobre o oceano
que a tormenta encapelara e, aflita, perguntou:
– ”Deus de Bondade, que farei, sozinha, neste abismo
estarrecedor?”
O Pai não lhe respondeu, mas, tempos depois, a gota singela
era retirada do mar, convertida numa pérola para adornar a coroa
de um rei.
Dá também algo de ti aos que bracejam no torvelinho do
sofrimento, e, mesmo que possas ofertar apenas um pingo de
amor aos que padecem, tua dádiva será filtrada pelas correntes
da angústia humana e subirá, cristalina e luminescente, na
direção dos céus, para enfeitar a glória de Deus.

Meimei/ Francisco Cândido Xavier
Livro: O Espírito da Verdade, Cap. XIII – Item 13

O Amor Próprio

Desenovela-te do amor-próprio quanto antes.
Ele é causa de muitos e afligentes problemas.
Encarcera na vaidade, disfarça-se com desculpas e acusações absurdas e cria animosidade.
Ferido, ocasiona contendas violentas; vingativo, provoca agressões infelicitadoras.
Ante uma recusa à ação do bem, defrontarás o amor-próprio insensível, e pela boca da maledicência ouvirás o leviano ou magoado.
Um crime, uma ação perniciosa, um conflito entre pessoas, a falsa humildade e o abandono de tarefas são efeitos do amor-próprio despeitado.
O amor-próprio só realiza obra meritória para colher, de imediato, os louros e reconhecimento. Após a realização, faz-se exigente, cobra o preço.
Por qualquer motivo, ou sem motivo, afasta-se atirando petardos de ira e censuras insensatas.
Vigie esse perverso companheiro e exercita o amor fraternal, doando-te quanto possas.
Livrando-te dele, experimentarás otimismo, paz interior e alegria na vida, porque verás corretamente o mundo sem as lentes escuras que ele antepõe aos olhos da tua observação.

Joanna de Ângelis / Médium Divaldo Pereira Franco
Livro: Alerta (extrato) - Ed. LEAL

sábado, 29 de novembro de 2014

Definindo Rumos

Em verdade, meu amigo, terás encontrado no Espiritismo a tua renovação mental.
O fenômeno terá modificado as tuas convicções.
As conclusões filosóficas alteraram, decerto, a tua visão do mundo.
Admites, agora, a imortalidade do ser.
Sentes a excelsitude do teu próprio destino.
Mas se essa transformação da inteligência não te reergue o coração com o
aperfeiçoamento íntimo, se os princípios que abraças não te fazem melhor, à frente dos
nossos irmãos da Humanidade, para que te serve o conhecimento? Se uma força superior
te não educa as emoções, se a cultura te não dirige para a elevação do caráter e do
sentimento, que fazes do tesouro intelectual que a vida te confia?
Não vale o intercâmbio, somente pelo capricho atendido.
A expressão gritante do inabitual pode estar vazia de substância.
A ventania impetuosa que varre o solo, com imenso alarido, costuma gerar o deserto,
enquanto que o rio silencioso e simples garante a floresta e a cidade, os lares e os
rebanhos.
Se procuras contato com o plano espiritual, recorda que a morte do corpo não nos
santifica. Além do túmulo, há também sábios e ignorantes, justos e injustos, corações no
céu e consciências no inferno purgatorial . . .
As excursões no desconhecido reclamam condutores.
O Cristo é o nosso Guia Divino para a conquista santificante do Mais Além...
Não te afastes d’Ele.
Registrarás sublimes narrações do Infinito na palavra dos grandes orientadores, ouvirás
muitas vozes amigas que te lisonjearão a personalidade, escutarás novidades que te
arrebatam ao êxtase, entretanto, somente com Jesus no Evangelho bem vivido é que
reestruturaremos a nossa individualidade eterna para a sublime ascensão à Consciência
do Universo.
* * *
Estas páginas despretensiosas constituem um apelo à congregação de nossas forças em
torno do Cristo, nosso Mestre e Senhor.

Sem a Boa Nova, a nossa Doutrina Consoladora será provavelmente um formoso parque
de estudos e indagações, discussões e experimentos, reuniões e assembleias, louvores e
assombros, mas a felicidade não é produto de deduções e demonstrações.
Busquemos, pois, com o Celeste Benfeitor a lição da mente purificada, do coração aberto
à verdadeira fraternidade, das mãos ativas na prática do bem e o Evangelho nos ensinará
a encontrar no Espiritismo o caminho de amor e luz para a Alegria Perfeita.

Emmanuel / Francisco Cândido Xavier
Livro: Roteiro

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Fazendo Sol

Amanheceste chorando pelos que te não compreendem.
Amigos diletos rixaram contigo.
Nos mais amados, viste o retrato da ingratidão.
Aspiravas a desentranhar o carinho nos corações queridos, com
a pureza e a simplicidade da abelha que extrai o néctar das flores
sem alterá-las, e, porque não conseguiste, queres morrer...
Não te encarceres, porém, nos laços do desespero.
Afirmas-te à procura do amor, mas não te recordas daqueles
para quem o teu simples olhar seria assim como o sorriso da estrela,
descerrado nas trevas.
Mostram a cabeça encanecida, à feição de nossos pais, são irmãos
semelhantes a nós ou são jovens e crianças que poderiam ser
nossos filhos... Contudo, estiram-se em leitos de pedra ou refugiam-se
em antros, fincados no solo, quais se fossem proscritos atormentados.
Não te pedem mais que um pão, a fim de que lhes restaurem as
energias do corpo enfermo, ou uma palavra de esperança que lhes
console a alma dorida.
Não percas o tesouro das horas, na aflição sem proveito.
Podes ser, ainda hoje, o apoio dos que esmorecem, desalentados,
ou a luz dos que jazem nas sombras; podes estender o cobertor
agasalhante sobre aqueles a quem a noite pede perdão por ser longa
e fria, aliviar o suplício dos companheiros que a moléstia carcome
ou dizer a frase calmante para os que enlouqueceram de sofrimento...
Sai, pois, de ti mesmo para conhecer a glória de amar!...
Perceberás, então, que a existência na Terra é apenas um dia
na eternidade, aprendendo a iluminá-la de amor, como quem anda
fazendo sol, nos caminhos da vida, e encontrarás, mais tarde, em
cânticos de alegria, todos aqueles que te não amam agora, amando-te
muito mais, por te buscarem a luz no instante do entardecer.


Obra: O Espírito da Verdade - Francisco Cândido Xavier/ Meimei

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Solidão

Espectro cruel que se origina nas paisagens do medo, a solidão é , na atualidade, um dos mais graves problemas que desafiam a cultura e o homem.
A necessidade de relacionamento humano, como mecanismo de afirmação pessoal, tem gerado vários distúrbios de comportamento, nas pessoas tímidas, nos indivíduos sensíveis e em todos quantos enfrentam problemas para um intercâmbio de idéias, uma abertura emocional, uma convivência saudável.
Enxameiam, por isso mesmo, na sociedade, os solitários por livre opção e aqueloutros que se consideram marginalizados ou sao deixados à distância pelas conveniências dos grupos.
A sociedade competitiva dispõe de pouco tempo para a cordialidade desinteressada, para deter-se em labores a benefício de outrem.
O atropelamento pela oportunidade do triunfo impede que o indivíduo, como unidade essencial do grupo, receba consideração e respeito ou conceda ao próximo este apoio, que gostaria de fruir.
A mídia exalta os triunfadores de agora, fazendo o panegírico dos grupos vitoriosos e esquecendo com facilidade os heróis de ontem, ao mesmo tempo que sepultam os valores do idealismo, sob a retumbante cobertura da insensatez e do oportunismo.
O homem, no entanto, sem ideal, mumifica-se. O ideal é-lhe de vital importância, como o ar que respira.
O sucesso social não exige, necessariamente, os valores intelecto-morais, nem o vitalismo das idéias superiores, antes cobra os louros das circunstâncias favoráveis e se apóia na bem urdida promoção de mercado, para vender imagens e ilusões breves, continuamente substituídas, graças à rapidez com que devora as suas estrelas.
Quem, portanto, nao se vê projetado no caleidoscópio mágico do mundo fantástico, considera-se fracassado e recua para a solidão, em atitude de fuga de uma realidade mentirosa, trabalhada em estúdios artificiais.
Parece muito importante, no comportamento social, receber e ser recebido, como forma de triunfo, e o medo de nao ser lembrado nas rodas bem sucedidas, leva o homem a estados de amarga solidão, de desprezo por si mesmo.
O homem faz questão de ser visto, de estar cercado de bulha, de sorrisos embora sem profundidade afetiva, sem o calor sincero das amizades, nessas areas, sempre superficiais e interesseiras. O medo de ser deixado em plano secundário, de não ter para onde ir, com quem conversar, significaria ser desconsiderado. atirado à solidão.
Há uma terrível preocupacão para ser visto, fotografado, comentado, vendendo saúde, felicidade, mesmo que fictícia.
A conquista desse triunfo e a falta dele produzem solidão.
O irreal, que esconde o caráter legítimo e as lidimas aspiracões do ser, conduz à psiconeurose de auto-destruicao.
A ausência do aplauso amargura, face ao conceito falso em torno do que se considera, habitualmente como triunfo. Há terrível ânsia para ser-se amado, nao para conquistar o amor e amar, porém para ser objeto de prazer, mascarado de afetividade. Dessa forma, no entanto, a pessoa se desama, nao se torna amável nem amada realmente.
Campeia, assim, o "medo da solidao", numa demonstração caótica de instabilidade emocional do homem, que parece haver perdido o rumo, o equilíbrio.
O silêncio, o isolamento espontâneo, são muito saudaveis para o indivíduo, podendo permitir-lhe reflexão, estudo, auto-aprimoramento, revisão de conceitos perante a vida e a paz interior.
O sucesso, decantado como forma de felicidade, é, talvez, um dos maiores responsáveis pela solidão profunda.
Os campeões de bilheteira, nos shows, nas rádios, televisões e cinemas, os astros invejados, os reis dos esportes, dos negócios, cercam-se de fanáticos e apaixonados, sem que se vejam livres da solidão.
Suicídios espetaculares, quedas escabrosas nos porões dos vícios e dos tóxicos comprovam quanto eles são tristes e solitários. Eles sabem que o amor, com que os cercam, traz, apenas, apelos de promoção pessoal dos mesmos que os envolvem, e receiam os novos competidores que lhes ameaçam os tronos, impondo-lhes terríveis ansiedades e insegurancas, que procuram esconder no álcool, nos estimulantes e nos derivativos que os mantém sorridentes, quando gostariam de chorar, quão inatingidos, quanto se sentem fracos e humanos.
A neurose da solidão é doença contemporânea, que ameaca o homem distraído pela conquista dos valores de pequena monta, porque transitórios.
Resolvendo-se por afeiçoar-se aos ideais de engrandecimento humano, por contribuir com a hora vazia em favor dos enfermos e idosos, das criancas em abandono e dos animais, sua vida adquiriria cor e utilidade, enriquecendo-se de um companheirismo digno, em cujo interesse alargar-se-ia a esfera dos objetivos que motivam as experiências vivenciais e inoculam coragem para enfrentar-se, aceitando os desafios naturais.
O homem solitário, todo aquele que se diz em solidão, exceto nos casos patológicos, é alguem que se receia encontrar, que evita descobrir-se, conhecer-se, assim ocultando a sua identidade na aparência de infeliz, de incompreendido e abandonado.
A velha conceituação de que todo aquele que tem amigos nao passa necessidades, constitui uma forma desonesta de estimar, ocultando o utilitarismo sub-reptício, quando o prazer da afeição em si mesma deve ser a meta a alcancar-se no inter-relacionamento humano, com vista à satisfação de amar.
O medo da solidão, portanto, deve ceder lugar, à confianca nos próprios valores, mesmo que de pequenos conteúdos, porém significativos para quem os possui.
Jesus, o Psicoterapeuta Excelente, ao sugerir o "amor ao proximo como a si mesmo" após o "amor a Deus" como a mais importante conquista do homem, conclama-o a amar-se, a valorizar-se, a conhecer-se, de modo a plenificar-se com o que é e tem, multiplicando esses recursos em implementos de vida eterna, em saudável companheirismo, sem a preocupação de receber resposta equivalente.
O homem solidário, jamais se encontra solitário.
O egoísta, em contrapartida, nunca está solícito, por isto, sempre atormentado.
Possivelmente, o homem que caminha a sós se encontre mais sem solidão, do que outros que, no tumulto, inseguros, estao cercados, mimados, padecendo disputas, todavia sem paz nem fé interior.
A fé no futuro, a luta por conseguir a paz intima - eis os recursos mais valiosos para vencer-se a solidão, saindo do arcabouço egoísta e ambicioso para a realização edificante onde quer que se esteja.

Autor: Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Franco. Do livro: O Home Integral

O Essencial

O essencial não será tanto o que reténs.
É o que dás de ti mesmo e a maneira como dás.
Não é tanto o que recebes.
É o que distribuis e como distribuis.
Não é tanto o que colhes.
É o que semeias e para que semeias.
Não é tanto o que esperas.
É o que realizas.
Não é tanto o que rogas.
É o que aceitas.
Não é tanto o que reclamas.
É o que suportas.
Não é tanto o que falas.
É o que sentes e como sentes.
Não é tanto o que perguntas.
É o que aprendes e para que aprendes.
Não é tanto o que aconselhas.
É o que exemplificas.
Não é tanto o que ensinas.
É o que fazes e como fazes.
Em suma, na vida do espírito – a única vida verdadeira -,
o essencial não é o que parece.
O essencial será sempre aquilo que é.

Emmanuel / Francisco Cândido Xavier
Livro: Caminho Espírita

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Caridade para com os Adversários

No fundo, o adversário gratuito , que se converte em perseguidor contumaz e sistemático, amargando tuas horas e anatematizando teus esforços dirigidos para o bem, não deve receber tua reação negativa.
Justo te precatares contra a irritação e a cólera, em relação a ele.
Não poucas vezes sentirás a presença da revolta e dos nervos em desalinho, face à constrição que te é infligida, convertendo-se em duro acicate ao ódio ou pelo menos ao revide. Apesar disso, arma-te de paciência e age com prudência.
O vendaval enrija as fibras do arvoredo, o fogo purifica os metais, a drenagem liberta o lodo, o cinzel aprimora a pedra e a dor acrisola o espírito.
Observado pela má vontade e contundido pela impulsividade dos perseguidores será convidado, ao exercício da abnegação e da humildade, preciosas virtudes mediante as quais resgatarás dívidas de outra procedência, enquanto eles, a seu turno, despertarão para a responsabilidade depois.
Porque te persigam, não é lícito te convertas em sicário também.
Todos nos encontramos na Terra em exercício de sublimação espiritual.
Embora te sintas arder nas provocações e sofrer pelas injustiças impostas não te cumpre qualquer revide infeliz.
Apazigua as paisagens íntimas e prossegue dedicado aos misteres abraçados.
Enquanto te fiscalizem, acusem, duvidem de ti, utilizarás mais a prudência e a temperança auferindo maior soma de benefícios.
No fragor da perseguição, oferta a tua prece de gratidão em favor dos que se converteram em inimigos gratuitos da tua paz, reservando-te caridade para com eles.
Se insistires desculpando-os, constarás que, não obstante, desconheçam, fazem-se teus mestres ignorados, graças a cuja permanente antipatia ascenderás na direção do Grande Incompreendido da Humanidade que prossegue até hoje esperando por todos nós.


De “Leis Morais da Vida”, de Divaldo Pereira Franco, pelo espírito Joanna de Ângelis

Importância e Serviço

Determinada criatura terá herdado na Terra um nome respeitável.
A chama da razão lhe brilhará no discernimento.
Conhecerá o pensamento e as edificações das épocas passadas.
Colecionará preciosos títulos acadêmicos.
Visitará os mais diversos climas do Planeta.
Disporá de arcas repletas, com altos valores amoedados.
Exibirá conhecimentos admiráveis.
Semelhante pessoa será um gigante de inteligência, mas se não aprendeu a ser útil, se não acordou para a compreensão das necessidades do próximo e se não conseguiu auxiliar e abençoar, apoiar e amparar aos outros, em verdade, por muito viva e por muito brilhe na Terra, passará simplesmente entre os homens, na condição de curiosa peça para museu.

Emmanuel / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Agora é o Tempo - Ed. IDEAL


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O Mundo Atual

De um lado, a riqueza cultural e intelectual, as conquistas valiosas da ciência e da tecnologia que modificaram totalmente a face do Planeta, ampliando os horizontes cósmicos e os tornando compreensíveis ao pensamento, enquanto que pandemias terríveis vêm sendo varridas do orbe lentamente.
A contribuição inestimável das vacinas, a relativa e lúcida facilidade de diagnóstico de muitas enfermidades, os produtos farmacêuticos de extraordinário valor, as medidas preventivas a muitos males, a vigência de hábitos alimentares saudáveis, de exercícios físicos e contato com a natureza, os notáveis recursos cirúrgicos, os de transplantes de órgãos e de próteses constituem bênçãos jamais sonhadas antes, tornando a existência humana mais amena e saudável.
As ciências psicológicas facultam a compreensão dos conflitos humanos e dos transtornos que se ampliam com altos índices de depressão, de loucura, de desvios de comportamento...
Sob outro aspecto, porém, os valores ético-morais, imprescindíveis ao equilíbrio mente-corpo, demonstram que a evolução espiritual tem sido menos ampla do que aquela de natureza intelectual.
Simultaneamente, o espectro da fome, da miséria sob diferentes aspectos, a drogadição, a volúpia do prazer exacerbado, como se a função do corpo fosse direcionada apenas para o gozo, as fugas espetaculares para os vícios de toda ordem e a violência perversa dominam as criaturas que, aturdidas, não sabem qual rumo a seguir.
Valiosos estudiosos do comportamento e da economia apelam para o comedimento, para a liberdade responsável, enquanto outros, que se encontram alucinados, proclamam a necessidade da liberação do aborto, da eutanásia, da discriminação da maconha e de outras substâncias alucinógenas com excessiva liberdade para os seus usuários, sem a preocupação de educá-los preventivamente ou de tratá-los após o tombo nas suas armadilhas soezes.
Mulheres e homens infelizes proclamam a excelência do suicídio ante os insucessos, as doenças incuráveis, os problemas afligentes, as situações embaraçosas, exteriorizando os tormentos que os caracterizam e que desejam transformar em condutas normais...
Uma onda de desespero cresce no mundo ante expectativas dolorosas em relação às culturas religiosas do Oriente assim como as do Ocidente e vice-versa, ao mesmo tempo, em um período em que os direitos humanos são proclamados e reconhecidos, o fanatismo de diversas condutas e o radicalismo ameaçam a paz entre os povos dominados pelas paixões primitivas disfarçadas de civilização...
Há, em toda parte, a busca desenfreada por algo que complete o ser, facultando-lhe as fugas terríveis para os esportes radicais, para as experiências aberrantes, para as condutas extravagantes, para a formação de tribos e de clãs agressivos que facilitam a vigência do ódio e da crueldade, em uma época em que os mesmos já deveriam ter sido substituídos pela compreensão, pela fraternidade, pela compaixão...
Infelizmente, não tem havido lugar na sociedade imediatista para o amor e a paz, para os ideais de enobrecimento e de solidariedade que não encontram espaço na grande mídia, conforme desfrutam a sexolatria, os crimes hediondos e as futilidades rotuladas de condutas ideais.
A família, desagregada, cede lugar a um grupamento de pessoas vinculadas pela consanguinidade e separadas pelos sentimentos de amizade e de dever, facultando os desvios para os sites e blogs da convivência virtual que facilitam o intercâmbio doentio e cruel, com psicopatas e atormentados, que se ocultam atrás da tela dos computadores, assim como de outros instrumentos de comunicação do mesmo gênero...
Em consequência, a deserção moral é volumosa e profundamente lamentável, permitindo todos os tipos de condutas desastradas com graves prejuízos para o indivíduo em si mesmo e para a sociedade em geral.
Há abundância de conforto e de diversões para alguns e escassez absoluta de quase tudo para a maioria das criaturas terrestres.
São inevitáveis as interrogações: Que se fazer ante tantos paradoxos? Como se viver corretamente sem alienação? Existe alguma diretriz para o encontro com o equilíbrio e a harmonia interior?
A resposta é simples e talvez contundente: A diretriz e a conduta a se vivenciar podem ser enunciadas no conceito: evitar-se o mal ou dele libertar-se, caso já se lhe encontre instalado.
Pensando na grande problemática referida acima em alguns dos seus mais graves aspectos elaboramos, ao longo dos últimos meses, estudos espíritas em torno de trinta temas, convidando os interessados à conquista da paz, da saúde e da alegria de viver, à luta pela própria felicidade.
Baseando-nos nas vigorosas lições de Jesus e nas sábias diretrizes do Espiritismo, procuramos atualizar os seus conteúdos em linguagem própria para estes dias, oferecendo sugestões oportunas e fáceis para a conquista da harmonia pessoal e para a cooperação com as demais pessoas.
Reconhecemos não trazerem estas páginas novidades muito do agrado de grande número de leitores, mas sabemos que um dos requisitos essenciais para a aprendizagem é a metodologia da repetição, a fim de que se fixem nos painéis da memória e nos delicados tecidos dos sentimentos as informações que se devem transformar em recurso para a sua vivência.
Tudo quanto anotamos já tem sido apresentado por estudiosos sérios e interessados nos comportamentos felizes, assim como por sociólogos e psicólogos, religiosos e cidadãos afeiçoados ao Bem.
O nosso trabalho encontra-se, porém, enraizado nos textos do Evangelho de Jesus e nas seguras orientações que os Espíritos trouxeram ao mundo desde o dia do surgimento de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, a 18 de abril de 1857 e as obras que foram publicadas depois pelo insigne codificador.
São o resultado da nossa própria experiência, assim como da experiência de milhões de indivíduos que optaram pelo Bem em luta incessante para a libertação do mal, que ainda vige no íntimo de todos os seres humanos, como herança doentia do processo grandioso da evolução antropológica e psicológica através das sucessivas reencarnações.
Com este modesto contributo, esperamos cooperar com as pessoas sinceras e afeiçoadas ao amor e à verdade, a fim de que não desanimem nunca no afã da edificação e da vivência do amor, conforme o Mestre de Nazaré nos ensinou, em todas e quaisquer situações em que se encontre.
...E o amor solucionará todos os problemas, por mais intrincados se apresentem.

Joanna de Ângelis / Divaldo pereira Franco

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Comportamento e Tecnologia


Evita o tumulto extravagante das novidades perturbadoras.
Harmoniza-te de forma que não sejas arrebatado pela ilusão de estar presente em todo lugar ao mesmo tempo, fruindo somente prazeres, possuindo os equipamentos mais recentes, que logo são ultrapassados por outros mais complexos, incapazes, porém, de proporcionar-te a harmonia interior.
Essa correria insensata para a aquisição de instrumentos de utilidade tecnológica e virtual esconde, no seu bojo, a fuga psicológica do indivíduo que não se encoraja a viajar para dentro, procurando descobrir as razões dos conflitos que o aturdem, escondendo-se sob a tirania das máquinas que lhe permitem comunicação com o mundo e todos quantos deseje, sem produzirem a autorrealização no seu possuidor.
Ninguém vive em paz interior sem a consciência do dever retamente cumprido. Após anestesiar-se a consciência por algum tempo, ei-la desperta, gerando culpa e necessidade de corrigenda. Daí o enfermo moral busca novamente a distração nos mecanismos de fuga e transferência.
O ser humano está destinado à glória imortal. A sua é a fatalidade das excelsas bênçãos que o aguardam. Dessa forma, a conquista da dignidade moral é um desafio que deve ser enfrentado e vivenciado desde as experiências mais simples, a fim de ser criado o condicionamento superior para que se transforme em aquisição valiosa. Eis por que o Espiritismo, na sua condição de filosofia exemplar, oferece o concurso da iluminação interior, explicando as razões da existência, sua finalidade, sua origem e sua culminância...

Autor: Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco. Livro: Ilumina-te.

Afeições

O amor não é cego.
Vê sempre as pessoas queridas tais quais são e as conhece, na intimidade, mais do que os outros.
Exatamente por dedicar-lhes imenso carinho, recusa-se a registrar-lhes os possíveis defeitos, porquanto sabe amá-las mesmo assim.

Francisco Cândido Xavier. Da obra: Caminhos.
Ditado pelo Espírito Emmanuel.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Em Nossas Mãos

A Divina Sabedoria não se engana.
Para realizares teu aperfeiçoamento, trazes as faculdades que o Senhor te concedeu.
Estás no lugar certo, em que te habilitas a desempenhar os encargos próprios.
Terás contigo as criaturas mais adequadas a te impulsionarem nos caminhos à frente.
Passas pelas experiências de que não prescindes para a conquista do aperfeiçoamento.
Recebes os parentes e afeições de que mais necessitas para resgatar dívidas do passado ou renovar-te nos impulsos de elevação.
Vives na condição certa na qual te compete efetuar as melhores aquisições de espírito.
Sofres lutas compatíveis com as tuas necessidades de conhecimento superior.
As circunstâncias difíceis dão-te a conhecer o sabor da vitória sobre ti mesmo.
Qualquer que seja tua posição auxilia e receberás maior auxílio, em tempo oportuno.
Sempre há meios de exercer o bem, porque melhorar-nos e educar-nos é sempre medidas preciosas que dependem de nós mesmos.

Emmanuel / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Ceifa de Luz (extrato) - Ed. FEB

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Psicologia da Caridade

Fazei aos homens tudo o que queirais que eles vos façam, pois é nisto que consistem a lei e os profetas.” — Jesus — Mateus, 7:12.

“Amar ao próximo como a si mesmo, fazer pelos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós”, é a expressão mais completa da caridade porque resume todos os deveres do homem para com o próximo”. — Cap. XI, 4 de “O Evangelho segundo o Espiritismo”.


Provavelmente não existe em nenhum tópico da literatura mundial figura mais expressiva que a do samaritano generoso, apresentada por Jesus para definir a psicologia da caridade.
Esbarrando com a vítima de malfeitores anônimos, semimorta na estrada, passaram dois religiosos, pessoas das mais indicadas para o trato da beneficência, mas seguiram de largo, receando complicações.
Entretanto, o samaritano que viajava, vê o infeliz e sente-se tocado de compaixão.
Não sabe quem é. Ignora-lhe a procedência.
Não se restringe, porém, à emotividade.
Para e atende.
Balsamiza-lhe as feridas que sangram, coloca-o sobre o cavalo e conduza-lo à uma hospedaria, sem os cálculos que o comodismo costuma traçar em nome da prudência.
Não se limita, no entanto, a despejar o necessitado em porta alheia. Entra com ele na vivenda e dispensa-lhe cuidados especiais.
No dia imediato, ao partir, não se mostra indiferente. Paga-lhe as contas, abona-o qual se fora um familiar e compromete-se a resgatar-lhe os compromissos posteriores, sem exigir-lhe o menor sinal de identidade e sem fixar-lhe tributos de gratidão.
Ao despedir-se, não prende o beneficiado em nenhuma recomendação e, no abrigo de que se afasta, não estadeia demagogia de palavras ou atitudes, para atrair influência pessoal.
No exercício do bem, ofereceu o coração e as mãos, o tempo e o trabalho, o dinheiro e a responsabilidade. Deu de si o que podia por si, sem nada pedir ou perguntar.
Sentiu e agiu, auxiliou e passou.
Sempre que interessados em aprender a praticar a misericórdia e a caridade, rememoremos o ensinamento do Cristo e façamos nós o mesmo.

De “Livro da Esperança”
Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Gratidão

Agradeço, alma irmã, por tudo o que me deste,
O auxílio fraternal, generoso e sem preço —
O teto, o lume, o prato, o reconforto, a veste —
Tudo isso agradeço...

Sobretudo, alma boa,
Deus te compense o coração amigo,
Por teu olhar de paz que me alenta e abençoa
Na estrada em que prossigo.

Viste-me em solidão, —
Esperança caída sem ninguém...
Deste-me apoio com teu braço irmão
E ergui-me de alma nova para o bem!...

Não há palavra com que te defina
O reconhecimento que me invade,
Ao sentir-te no amparo a presença divina
Da Celeste Bondade.

Deus te guarde no excelso resplendor
Da luz com que me aqueces todo o ser,
Porque me refizeste a certeza do amor,
A bênção de servir e a força de viver.

(De “Antologia da Espiritualidade”,
Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Maria Dolores)

No serviço cristão

“Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho.” - (I Pedro, 5:3.)

Aos companheiros de Espiritismo cristão cabem tarefas de enormes proporções, junto das almas.
Preocupam-nos profundos problemas da fé, transcendentes questões da dor.
Porque dão de graça o que por graça recebem, contam com a animosidade dos que vendem os dons divinos; porque procuram a sabedoria espiritual, recebem a gratuita aversão dos que se cristalizam na pequena ciência; porque se preparam em face da vida eterna, desligando-se do egoísmo destruidor, são categorizados como loucos, pelos que se satisfazem na fantasia transitória.
Quanto maior, porém, a incompreensão do mundo, mais se deverá intensificar naqueles as noções da responsabilidade.
Não falamos aqui dos estudiosos, dos investigadores ou dos observadores simplesmente. Referimo-nos aos que já entenderam a grandeza do auxílio fraternal e a ele se entregaram, de coração voltado para o Cristo. Encontram-se nos círculos de uma experiência nobre demais para ser comentada, mas a responsabilidade que lhes compete é igualmente muito grande para ser definida.
A ti, pois, meu irmão, que guardas contigo os interesses de muitas almas, repito as palavras do grande apóstolo, para que jamais te envaideças, nem procedas “como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho”


Vinha de Luz
Francisco Cândido Xavier
Ditado pelo Espírito Emmanuel

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Doutrina Espírita

Questão 838 de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, pelo Espírito Emmanuel.

Toda crença é respeitável.
No entanto, se buscaste a Doutrina Espírita, não lhe negues fidelidade.
*
Toda religião é sublime.
No entanto, só a Doutrina Espírita consegue explicar-te os fenômenos mediúnicos em que toda religião se baseia.
*
Toda religião é santa nas intenções.
No entanto, só a Doutrina Espírita pode guiar-te na solução dos problemas do destino e da dor.
*
Toda religião auxilia.
No entanto, só a Doutrina Espírita é capaz de exonerar-te do pavor ilusório do inferno, que apenas subsiste na consciência culpada.
*
Toda religião é conforto na morte.
No entanto, só a Doutrina Espírita é suscetível de descerrar a continuidade da vida, além do sepulcro.
*
Toda religião apregoa o bem como preço do paraíso aos seus profitentes.
No entanto, só a Doutrina Espírita estabelece a caridade incondicional como simples dever.
*
Toda religião exorciza os Espíritos infelizes.
No entanto, só a Doutrina Espírita se dispõe a abraçá-los, como a doentes, neles reconhecendo as próprias criaturas humanas desencarnadas, em outras faixas de evolução.
*
Toda religião educa sempre.
No entanto, só a Doutrina Espírita é aquela em que se permite o livre exame, com o sentimento livre de compressões dogmáticas, para que a fé contemple a razão, face a face.
*
Toda religião fala de penas e recompensas.
No entanto, só a Doutrina Espírita elucida que todos colheremos conforme a plantação que tenhamos lançado à vida, sem qualquer privilégio na Justiça Divina.
*
Toda religião erguida em princípios nobres, mesmo as que vigem nos outros continentes, embora nos pareçam estranhas, guardam a essência cristã.
No entanto, só a Doutrina Espírita nos oferece a chave precisa para a verdadeira interpretação do Evangelho.
*
Porque a Doutrina Espírita é em si a liberalidade e o entendimento, há quem julgue seja ela obrigada a misturar-se com todas as aventuras marginais e com todos os exotismos, sob pena de fugir aos impositivos da fraternidade que veicula.
Dignifica, assim, a Doutrina que te consola e liberta, vigiando-lhe a pureza e a simplicidade, para que não colabores, sem perceber, nos vícios da ignorância e nos crimes do pensamento.
“Espirita” deve ser o teu caráter, ainda mesmo te sintas em reajuste, depois da queda.
“Espirita” deve ser a tua conduta, ainda mesmo que estejas em duras experiências.
“Espírita” deve ser o nome de teu nome, ainda mesmo respires em aflitivos combates contigo mesmo.
“Espírita” deve ser o claro objetivo de tua instituição, ainda mesmo que, por isso, te faltem as passageiras subvenções e honrarias terrestres.
Doutrina Espírita quer dizer a Doutrina do Cristo.
E a Doutrina do Cristo é a doutrina do aperfeiçoamento moral em todos os mundos.
Guarda-a, pois, na existência, como sendo a tua responsabilidade mais alta, porque dia virá em que serás naturalmente convidado a prestar-lhe contas.

De “Religião dos Espíritos”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel

domingo, 16 de novembro de 2014

Desculpar

"Jesus lhe disse: Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete" (Mateus, 18:22.)

Atende ao dever da desculpa infatigável diante de todas as vitimas do mal para que a vitória do bem não se faça tardia.
Decerto que o mal contará com os empreiteiros que a Lei do Senhor julgará no momento oportuno, entretanto, em nossa feição de criaturas igualmente imperfeitas, suscetíveis de acolher-lhe a influência, vale perdoar sem condição e sem preço, para que o poder de semelhantes intérpretes da sombra se reduza até a integral extinção.
Recorda que acima da crueldade encontramos junto de nós a ignorância e o infortúnio que nos cabe socorrer cada dia.
Quem poderá, com os olhos do corpo físico, medir a extensão da treva sobre as mãos que se envolvem no espinheiral do crime? Quem, na sombra terrestre, distinguirá toda a percentagem de dor e necessidade que produz o desespero e a revolta.
Dispõe-te a desculpar hoje, infinitamente, para que amanhã sejas também desculpado.
Observa o quadro em que respiras e reconhecerás que a natureza é pródiga de lições no capítulo da bondade.
O sol releva, generoso, o monturo que o injuria, convertendo-o sem alarde em recurso fertilizante.
O odor miasmático do pântano, para aquele que entende as angústias da gleba, não será mensagem de podridão, mas sim rogativa comovente, para que se lhe dê a benção do reajuste, de modo a transformar-se em terra produtiva.
Tudo na vida roga entendimento e caridade para que a caridade e o entendimento nos orientem as horas.
Não olvides que a própria noite na terra uma pausa de esquecimento para que aprendemos a ciência do recomeço, em cada alvorada nova.
"Faze a outrem aquilo que desejas te seja feito" - advertiu-nos o Amigo Excelso.
E somente na desculpa incessante de nossas faltas recíprocas, com o amparo do silêncio e com a força de humildade, é que atingiremos, em passo definitivo, o reino do eterno bem.

(Livro Ceifa de Luz – Emmanuel / Francisco Cândido Xavier)

sábado, 15 de novembro de 2014

Avaliação de Metas

Estabeleça um programa de periódica avaliação dos seus atos, a fim de examinar com acerto como decorre sua vida.
O tempo não pára, desenvolvendo-se dentro de uma medida harmônica, incessante.
Aprenda a usá-lo com sabedoria.
A hora se repete, dentro, porém, de outras circunstâncias.
A terra improdutiva é problema do abandono que lhe dá o proprietário.
O charco pútrido é questão de desprezo por parte do agricultor.
Examine o que você tem feito do solo do seu coração e da terra da sua mente.
Contendas e querelas refletem paixões perniciosas e ociosidade da ação.
Toda colheita responde pela sementeira realizada.
Utilize melhor a oportunidade.
Caminhos em sombra e impérvios dispensam maldições, requerendo luz e correção do piso.
A estrada fala do trânsito que suporta.
Aplique corretamente as energias.
Muita movimentação, pouca produtividade na tarefa.
Trabalhador agitado, rendimento precário.
Organize o mapa de serviços e aja com ordem.
Congele a mentira e a calúnia nos ouvidos, não as passando adiante.
As palavras insensatas ateiam lamentáveis incêndios em mentes e corações fracos.
Manipule seu tempo, objetivando rendimentos superiores.
O que você não puder fazer, evite censurar.
A crítica honesta soluciona o problema; a viciosa agrava-o.
Exercite seus sentimentos, ajudando sempre.
Os heróis e missionários merecem acatamento e respeito.
Siga-lhes os exemplos, aprendendo com eles otimismo e perseverança no bem.
A admiração que nada produz é adorno inútil.
Anote os seus compromissos diários e revise o que logrou atender, ao chegar a hora do repouso noturno. Seja exigente com seus erros e desculpe os dos outros.
O que você não pôde fazer, que o não desanime; o que você fez mal, que o não perturbe.
Avalie a sua produção e renove-se, recomeçando os deveres amanhã com o mesmo alento e disposição de hoje.

Marco prisco / Divaldo Pereira Franco

Aos Discípulos

“Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos.” - Paulo. (I Coríntios, 1:23.)

A vida moderna, com suas realidades brilhantes, vai ensinando às comunidades religiosas do Cristianismo que pregar é revelar a grandeza dos princípios de Jesus nas próprias ações diárias.
O homem que se internou pelo território estranho dos discursos, sem atos correspondentes à elevação da palavra, expõe-se, cada vez mais, ao ridículo e à negação.
Há muitos séculos prevalece o movimento de filosofias utilitaristas. E, ainda agora, não escasseiam orientadores que cogitam da construção de palácios egoísticos à base do magnetismo pessoal e psicólogos que ensinam publicamente a sutil exploração das massas.
É nesse quadro obscuro do desenvolvimento intelectual da Terra que os aprendizes do Cristo são expoentes da filosofia edificante da renúncia e da bondade, revelando em suas obras isoladas a experiência divina d’Aquele que preferiu a crucificação ao pacto com o mal.
Novos discípulos, por isso, vão surgindo, além do sacerdócio organizado. Irmãos dos sofredores, dos simples, dos necessitados, os espiritistas cristãos encontram obstáculos terríveis na cultura intoxicada do século e no espírito utilitário das ideias comodistas.
Há quase dois mil anos, Paulo de Tarso aludia ao escândalo que a atitude dos aprendizes espalhava entre os judeus e à falsa impressão de loucura que despertava nos ânimos dos gregos.
Os tempos de agora são aqueles mesmos que Jesus declarava chegados ao Planeta; e os judeus e gregos, atualizados hoje nos negocistas desonestos e nos intelectuais vaidosos, prosseguem na mesma posição do início. Entre eles surge o continuador do Mestre, transmitindo-lhe o ensinamento com o verbo santificado pelas ações testemunhais.
Aparecem dificuldades, sarcasmos e conflitos.
O aprendiz fiel, porém, não se atemoriza.
O comercialismo da avareza permanecerá com o escândalo e a instrução envenenada demorar-se-á com os desequilíbrios que lhe são inerentes. Ele, contudo, seguirá adiante, amando, Aos discípulos

“Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos.” - Paulo. (I Coríntios, 1:23.)

A vida moderna, com suas realidades brilhantes, vai ensinando às comunidades religiosas do Cristianismo que pregar é revelar a grandeza dos princípios de Jesus nas próprias ações diárias.
O homem que se internou pelo território estranho dos discursos, sem atos correspondentes à elevação da palavra, expõe-se, cada vez mais, ao ridículo e à negação.
Há muitos séculos prevalece o movimento de filosofias utilitaristas. E, ainda agora, não escasseiam orientadores que cogitam da construção de palácios egoísticos à base do magnetismo pessoal e psicólogos que ensinam publicamente a sutil exploração das massas.
É nesse quadro obscuro do desenvolvimento intelectual da Terra que os aprendizes do Cristo são expoentes da filosofia edificante da renúncia e da bondade, revelando em suas obras isoladas a experiência divina d’Aquele que preferiu a crucificação ao pacto com o mal.
Novos discípulos, por isso, vão surgindo, além do sacerdócio organizado. Irmãos dos sofredores, dos simples, dos necessitados, os espiritistas cristãos encontram obstáculos terríveis na cultura intoxicada do século e no espírito utilitário das ideias comodistas.
Há quase dois mil anos, Paulo de Tarso aludia ao escândalo que a atitude dos aprendizes espalhava entre os judeus e à falsa impressão de loucura que despertava nos ânimos dos gregos.
Os tempos de agora são aqueles mesmos que Jesus declarava chegados ao Planeta; e os judeus e gregos, atualizados hoje nos negocistas desonestos e nos intelectuais vaidosos, prosseguem na mesma posição do início. Entre eles surge o continuador do Mestre, transmitindo-lhe o ensinamento com o verbo santificado pelas ações testemunhais.
Aparecem dificuldades, sarcasmos e conflitos.
O aprendiz fiel, porém, não se atemoriza.
O comercialismo da avareza permanecerá com o escândalo e a instrução envenenada demorar-se-á com os desequilíbrios que lhe são inerentes. Ele, contudo, seguirá adiante, amando, exemplificando e educando com o Libertador imortal.

Vinha de Luz
Francisco Cândido Xavier / Ditado pelo Espírito Emmanuel

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

A Lição da Aranha

O aprendiz perguntou ao Orientador, depois da aula, em torno Das dificuldades humanas:
-Instrutor, onde os motivos pelos quais sempre se multiplicam os obstáculos, diante dos homens, impedindo-lhes a sublimação espiritual?
O amigo convidou o discípulo a Visitar um casarão próximo, semiabandonado.
Entraram e, numa sala espaçosa, grande aranha se mostrava presa no centro da caprichosa rede de fios, entretecida por ela mesma.
-Vês esta aranha encarcerada no labirinto, feito por ela própria? – indagou o mentor.
-Ante o sinal afirmativo do rapaz, o amigo acrescentou:
-Observemos.
Passados alguns instantes, apareceu jovem auxiliar de serviço, naquela moradia quase desabitada e usando um espanador, desfez o tecido, libertando a aranha, que se deu pressa em esconder sob pesado móvel.
-Voltaremos amanhã para nossos apontamentos – falou o orientador.
No dia seguinte, professor e discípulo regressaram ao casarão e, num aposento diverso, a mesma aranha se apressara no centro de outros fios tecidos por ela própria.
Decorridos poucos segundos, a jovem da véspera reapareceu e acabou com a trama, libertando a aranha que se afastou, ocultando-se em antigo móvel desocupado.
Mais um dia e, pela terceira vez, o instrutor e o aprendiz retornaram ao mesmo local, surpreendendo a mesma aranha no centro de outra complicada rede de fios, criada por ela mesma.
A jovem, já conhecida, surgiu e agitando o espanador liberou a aranha que, rapidamente, tomou novo esconderijo sob mala suspensa.
Foi então que o mentor, dirigindo-se ao rapaz, resumiu a lição, ...esclarecendo.
-Lembrou você que os homens lutam com grandes entraves, no caminho da elevação, mas é preciso reconhecer que a maioria dos nossos companheiros, no Plano Físico, quase sempre agem à maneira da aranha. O espanador providencial do sofrimento surge a liberta-los das prisões engenhadas e construídas por eles, entretanto, que podemos fazer se eles mesmos se escondem nos hábitos que acalentam e, depois, usando o livre arbítrio, criam novos problemas para eles próprios?

Da obra “Agora é o Tempo” – Espírito: Emmanuel – Médium: Francisco Cândido Xavier.

Conserva a Paz

A pretexto algum percas a paz. Tua paz – tua vida.
Quando a provocação te chegue, usando os ardis da violência, permanece em harmonia.
A tua paz é um tesouro de valor inestimável.
Quando a inveja te arroje calúnias, não lhe dês atenção, perturbando-te.
A tua paz merece sacrifício a fim de ser preservada.
Quando o despeito arremesse pedradas contra tuas tarefas e teu nome, mantém a tranquilidade.
A tua paz é o sinal-vitória da tua conduta feliz.
Ninguém transita no mundo livre de agressão, impiedade, malquerença ou achincalhe.
Mesmo Jesus não esteve imune aos trocistas ou competidores pela perseguição gratuita.
Mas eles passam com seus infelizes ardis, com que mais se infelicitam.
Assim, não forneças material para sustentação da intriga aos adversários de tua paz.
Tais companheiros serão chamados à reflexão por doenças, dramas morais, acidentes...
Persevera nos teus compromissos nobres, e, servindo no bem, conserva a tua paz em Jesus.

Joanna de Ângelis / Médium Divaldo Franco
Livro: Sementes de Vida Eterna (extrato) - Ed. LEAL

Sempre Adiante

Se caíste, não recues,
Nem te lamentes em vão.
O erro, frequentemente,
É necessário à lição.

Não te acolhas à fraqueza,
Desânimo nada faz.
Ergue-te e segue pensando
Na força de que és capaz.

Casimiro Cunha
De “Recados da Vida”, de Francisco Cândido Xavier – Autores diversos.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Oração e Atenção

Oraste, pediste. Desfaze-te, porém, de quaisquer inquietações e asserena-te para recolher as respostas da
Divina Providência.
Desnecessário aguardar demonstrações espetaculosas para que te certifiques quanto às indicações do Alto.
Qual ocorre ao Sol que não precisa descer ao campo para atender ao talo de erva que lhe roga calor, de vez que lhe basta, para isso, a mobilização dos próprios raios, Deus conta com milhões de mensageiros que lhe executam os Excelsos Desígnios.
Ora e pede. Em seguida, presta atenção. Algo virá por alguém ou por intermédio de alguma coisa, doando-te,
na essência, as informações ou os avisos que solicites.
Em muitas circunstâncias, a advertência ou o conselho, a frase orientadora ou a palavra de bênção te
alcançarão a alma, no verbo de um amigo, na página de um livro, numa nota singela de imprensa e até mesmo
num simples cartaz que te cruze o caminho. Mais que isso. As respostas do Senhor, às tuas necessidades e
petições, muitas vezes te buscam através dos próprios sentimentos a te subirem do coração ao cérebro ou dos próprios raciocínios e a descerem do cérebro ao coração.
Deus responde sempre, seja pelas vozes da estrada, pela pregação ou pelo esclarecimento da tua casa de fé, no diálogo com a pessoa que se te afigura providencial para a troca de confidências, nas palavras escritas, nas mensagens inarticuladas da natureza, nas emoções que te desabrocham da alma ou nas ideias imprevistas que te fulgem no pensamento, a te convidarem o espírito para a observância do Bem Eterno.
O próprio Jesus, o Mensageiro Divino por excelência, guiou-nos à procura do Amor Supremo, quando nos
ensinou a suplicar: “Pai Nosso, que estás no Céu, santificado seja o Teu nome, venha a nós o Teu reino,
seja feita Tua vontade, assim na Terra como nos Céus...”
E, dando ênfase ao problema da atenção, recomendou-nos escolher um lugar íntimo para o serviço da prece,
enquanto Ele mesmo demandava a solidão para comungar com a infinita Sabedoria.
Recordemos o Divino Mestre e estejamos convencidos de que Deus nos atende constantemente; imprescindível, entretanto, fazer silêncio no mundo de nós mesmos, esquecendo exigências e desejos, não só para ouvirmos as respostas de Deus, mas também a fim de aceitá-las, reconhecendo que as respostas do Alto são sempre em nosso favor, conquanto, às vezes, de momento, pareçam contra nós.

Emmanuel / Francisco Cândido Xavier
Obra: A Luz da Oração

Herdeiros

“E se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus e co-herdeiros do Cristo.” — Paulo. (Romanos, 8:17)

Incompreensivelmente, muitas escolas religiosas, através de seus expositores, relegam o homem à esfera de miserabilidade absoluta.
Púlpito, tribunas, praças, livros e jornais estão repletos de tremendas acusações.
Os filhos da Terra são categorizados à conta de réus da pena última.
Ninguém contesta que o homem, na condição de aluno em crescimento na Sabedoria Universal, tem errado em todos os tempos; ninguém que o crime ainda obceca, muitas vezes, o pensamento das criaturas terrestres; entretanto, é indispensável restabelecer a verdade essencial. Se muitas almas permanecem caídas, Deus lhes renova, diariamente, a oportunidade de reerguimento.
Além disso, o Evangelho é o roteiro do otimismo divino.
Paulo, em sua epístola aos romanos, confere aos homens, com justiça, o título de herdeiros do Pai e co-herdeiros de Jesus.
Por que razão se dilataria a paciência do Céu para conosco se nós, os trabalhadores encarnados e desencarnados da Terra, não passássemos de seres desventurados e inúteis? Seria justa a renovação do ensejo de aprimoramento a criaturas irremediavelmente malditas?
É necessário fortalecer a fé sublime que elevamos ao Alto, sem nos esquecermos de que o Alto deposita santificada fé em nós.
Que a Humanidade não menospreze a esperança.
Não somos fantasmas de penas eternas e sim herdeiros da Glória Celestial, não obstante nossas antigas imperfeições. O imperativo de felicidade, porém, exige que nos eduquemos, convenientemente, habilitando-nos à posse imorredoura da herança divina.
Olvidemos o desperdício da energia, os caprichos da infância espiritual e cresçamos, para ser, com o Pai, os tutores de nós mesmos.

De “Vinha de Luz”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel
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