terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Lugar deserto

“E ele lhes disse: Vinde vós aqui, à parte, a um lugar deserto, e repousai um pouco.” — (Marcos, Capítulo 6, Versículo 31.)

A exortação de Jesus aos companheiros reveste-se de singular importância para os discípulos do Evangelho em todos os tempos.
Indispensável se torna aprender o caminho do “lugar à parte” em que o Mestre aguarda os aprendizes para o repouso construtivo em seu amor.
No precioso símbolo, temos o santuário íntimo do coração sequioso de luz divina.
De modo algum se referia o Senhor tão-somente à soledade dos sítios que favorecem a meditação, onde sempre encontramos sugestões vivas da natureza humana.
Reportava-se à câmara silenciosa, situada dentro de nós mesmos.
Além disso, não podemos esquecer que o Espírito sedento de união divina, desde o momento em que se imerge nas correntes do idealismo superior, passa a sentir-se desajustado, em profundo insulamento no mundo, embora o servindo, diariamente, consoante os indefectíveis desígnios do Alto.
No templo secreto da alma, o Cristo espera por nós, a fim de revigorar-nos as forças exaustas.
Os homens iniciaram a procura do “lugar deserto”, recolhendo-se aos mosteiros ou às paisagens agrestes; todavia, o ensinamento do Salvador não se fixa no mundo externo.
Prepara-te para servir ao Reino Divino, na cidade ou no campo, em qualquer estação, e não procures descanso impensadamente, convicto de que, muita vez, a imobilidade do corpo é tortura da alma. Antes de tudo, busca descobrir, em ti mesmo, o “lugar aparte” onde repousarás em companhia do Mestre.

Obra: Pão Nosso
Emmanuel / Francisco Cândido Xavier

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Vós, portanto…

“Vós, portanto, amados, sabendo isto de antemão, guardai-vos de que, pelo engano dos homens abomináveis, sejais juntamente arrebatados e descaiais da vossa firmeza.” – Pedro. (II Pedro, 3:17.)

O esclarecimento íntimo é inalienável tesouro dos discípulos sinceros do Cristo.
O mundo está cheio de enganos dos homens abomináveis que invadiram os domínios da política, da ciência, da religião e ergueram criações chocantes para os espíritos menos avisados; contam-se por milhões as almas com eles arrebatadas às surpresas da morte e absolutamente desequilibradas nos círculos da vida espiritual. Do cume falso de suas noções individualistas precipitam-se em despenhadeiros apavorantes, onde perdem a firmeza e a luz.
Grande número dos imprevidentes encontram socorro justo, porquanto desconheciam a verdadeira situação. Não se achavam devidamente informados. Os homens abomináveis ocultavam-lhes o sentido real da vida.
Semelhante benemerência, contudo, não poderá atingir os aprendizes que conhecem, de antemão, a verdade.
O aluno do Evangelho somente se alimentará de equívocos deploráveis, se quiser.
Rodopiará, por isso mesmo, no torvelinho das sombras se nele cair voluntariamente, no capítulo da preferência individual.
O ignorante alcançará justificativa.
A vítima será libertada.
O doente desprotegido receberá enfermagem e remédio.
Mas o discípulo de Jesus, bafejado pelos benefícios do Céu todos os dias, que se rodeia de esclarecimentos e consolações, luzes e bênçãos, esse deve saber, de antemão, quanto lhe compete realizar em serviço e vigilância e, caso aceite as ilusões dos homens abomináveis, agirá sob a responsabilidade que lhe é própria, entrando na partilha das aflitivas realidades que o aguardam nos planos inferiores.

Obra: Vinha de Luz
Emmanuel / Francisco Cândido Xavier
Jesus conosco,
Continua com o coração a derramar o bálsamo fraterno.
– o –
Caminha encorajado pelas vibrações que descem dos Céus, até o teu espírito em romagem terrena.
– o –
Faz de tua vida uma vida de exemplo, de trabalho e de amor.
– o –
Prossegue na caminhada, Jesus nos ampara e consola em nossas noites de tormenta e angústia.
Continua crente de sua inolvidável presença, em todos os momentos de nossa vida.
– o –
Faz da estrada que irás palmilhar ramalhete perfumado de compreensão, paciência e alegria.
Permanece sempre unido ao bem; se porventura, em tortuosos caminhos seguires, volta atrás, e encontrarás sempre o Divino Amigo de braços abertos à espera do irmão combalido, para envolvê-lo no coração.
– o –
Nada temas, porém, prossegue sempre com a alma pronta a servir.
– o –
Faze de tua vida uma canção de amor, amando, auxiliando e servindo a todos, e sentirás cada vez mais, em teu coração, eclodir o grande vulcão que um dia unido ao clarão de outros vulcões, iluminarão a Terra sombria em plano de Eterna Luz.
– o –
Caminha e serve. É o dístico que deverás trazer gravado em tua alma.
Caminha e serve a todos com humildade e amor.
– o –
Paz seja em nossos espíritos.
Que o Mestre muito amado nos abençoes hoje, amanhã, agora e sempre.

Livro: Temas da Vida
Francisco Cândido Xavier / Espírito Maria do Rosário

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Visão Espírita do Natal

Alberto Almeida

Evocação do Natal


O maior de todos os conquistadores, na face da Terra, conhecia, de antemão, as
dificuldades do campo em que lhe cabia operar.
Estava certo de que entre as criaturas humanas não encontraria lugar para
nascer, à vista do egoísmo que lhes trancava os corações; no entanto, buscou-as,
espontâneo, asilando-se no casebre dos animais.
Sabia que os doutores da Lei ouvi-lo-iam indiferentes, com respeito aos
ensinamentos da vida eterna de que se fazia portador; contudo, entregou-lhes,
confiante, a Divina Palavra.
Não desconhecia que contava simplesmente com homens frágeis e iletrados
para a divulgação dos princípios redentores que lhe vibravam na plataforma sublime, a
abraçou-os tais quais eram.
Reconhecia que as tribunas da glória cultural de seu tempo se lhe mantinham
cerradas, mas transmitiu as boas novas do Reino da Luz à multidão dos necessitados,
inscrevendo-as na alma do povo.
Não ignorava que o mal lhe agrediria as mãos generosas pelo bem que
espalhava; entretanto, não deixou de suportar a ingratidão e a crueldade, com
brandura e entendimento.
Permanecia convicto de que as noções de verdade e amor que veiculava
levantariam contra ele as matilhas da perseguição e do ódio; todavia, não desertou do
apostolado, aceitando, sem queixa, o suplício da cruz com que lhe sufocavam a voz.
É por isso que o Natal não é apenas a promessa da fraternidade e da paz que se
renova alegremente, entre os homens, mas, acima de tudo, é a reiterada mensagem
do Cristo que nos induz a servir sempre, compreendendo que o mundo pode mostrar
deficiências e imperfeições, trevas e chagas, mas que é nosso dever amá-lo e ajuda-lo
mesmo assim.

Fonte: Livro Antilogia Mediúnica do Natal
Psicografia: Francisco Cândido Xavier.
Espírito: Emmanuel

domingo, 22 de dezembro de 2013

Sentimentos fraternos

“Quanto, porém, à caridade fraternal, não necessitais de que vos escreva, visto que vós mesmos estais instruídos por Deus que vos ameis uns aos outros.” — Paulo. (1ª Epístola aos Tessalonicenses, Capítulo 4, Versículo 9)

Forte contra-senso que desorganiza a contribuição humana, no divino edifício do Cristianismo, é o impulso sectário que atormenta enormes fileiras de seus seguidores.
Mais reflexão, mais ouvidos ao ensinamento de Jesus e essas batalhas injustificáveis estariam para sempre apagadas.
Ainda hoje, com as manifestações do plano espiritual na renovação do mundo, a cada momento surgem grupos e personalidades, solicitando fórmulas do Além para que se integrem no campo da fraternidade pura.
Que esperam, entretanto, os companheiros esclarecidos para serem efetivamente irmãos uns dos outros?
Muita gente se esquece de que a solidariedade legítima escasseia nos ambientes onde é reduzido o espírito de serviço e onde sobra a preocupação de criticar. Instituições notáveis são conduzidas à perturbação e ao extermínio, em vista da ausência do auxílio mútuo, no terreno da compreensão, do trabalho e da boa-vontade.
Falta de assistência? Não.
Toda obra honesta e generosa repercute nos planos mais altos, conquistando cooperadores abnegados.
Quando se verifique a invasão da desarmonia nos institutos do bem, que os agentes humanos acusem a si mesmos pela defecção nos compromissos assumidos ou pela indiferença ao ato de servir. E que ninguém peça ao Céu determinadas receitas de fraternidade, porque a fórmula sagrada e imutável permanece conosco no “amai-vos uns aos outros”.

Emmanuel / Francisco Cândido Xavier
Obra: Pão Nosso

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

O Divino Servidor

Quando Jesus nasceu, uma estrela mais brilhante que as outras luzia, a pleno céu, indicando a manjedoura. A princípio, pouca gente lhe conhecia a missão sublime.
Em verdade, porém, assumindo a forma duma criança, vinha Ele, da parte de Deus, nosso Pai Celestial, a fim de santificar os homens e iluminar os caminhos do mundo. O Supremo Senhor que no-lo enviou é o Deus de Todas as Coisas. Milhões de mundos estão governados por suas mãos. Seu poder tudo abrange, desde o Sol distante até o verme que se arrasta sob nossos pés; e Jesus, emissário d´Ele na Terra, modificou o mundo inteiro. Ensinando e amando, aproximou as criaturas entre si, espalhou as sementes da compaixão fraternal, dando ensejo à fundação de hospitais e escolas, templos e instituições, consagrados à elevação da Humanidade. Influenciou, com seus exemplos e lições, nos grandes impérios, obrigando príncipes e administradores, egoístas e maus, a modificarem programas de governo. Depois de sua vinda, as prisões infernais, a escravidão do homem pelo homem, a sentença de morte indiscriminada a quanto não pensassem de acordo com os mais poderosos, deram lugar à bondade salvadora, ao respeito pela dignidade humana e pela redenção da vida, pouco a pouco. Além dessas gigantescas obras, nos domínios da experiência material, Jesus, convertendo-se em Mestre Divino das almas, fez ainda muito mais. Provou ao homem a possibilidade de construir o Reino da Paz, dentro do próprio coração, abrindo a estrada celeste à felicidade de cada um de nós. Entretanto, o maior embaixador do Céu para a Terra foi igualmente criança. Viveu num lar humilde e pobre, tanto quanto ocorre a milhões de meninos, mas não passou a infância despreocupadamente. Possuiu companheiros carinhosos e brincou junto deles. No entanto, era visto diariamente a trabalhar numa carpintaria modesta. Viva com disciplina. Tinha deveres para com o serrote, o martelo e os livros. Por representar o Supremo Poder, na Terra, não se movia à vontade, sem ocupações definidas. Nunca se sentiu superior aos pequenos que o cercavam e jamais se dedicou à humilhação dos semelhantes. Eis porque o jovem mantido à solta, sem obrigações de servir, atender e respeitar, permanece em grande perigo. Filho de pais ricos ou pobres, o menino desocupado é invariavelmente um vagabundo. E o vagabundo aspira ao título de malfeitor, em todas as circunstâncias. Ainda que não possua orientadores esclarecidos no ambiente em que respira, o jovem deve procurar o trabalho edificante, em que possa ser útil ao bem geral, pois se o próprio Jesus, que não precisava de qualquer amparo humano, exemplificou o serviço ao próximo, desde os anos mais tenros, que não devemos fazer a fim de aproveitar o tempo que nos é concedido na Terra?

Fonte: Livro Antologia Mediúnica do
Francisco Cândido Xavier / Espírito Neio Lúcio

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Súplica de Natal


Senhor, tu que deixaste a rutilante esfera em que reina a beleza e em que fulgura a glória, acolhendo-te, humilde, à palha merencória do mundo estranho e hostil em que a sombra ainda impera!
Tu que por santo amor deixaste a primavera da luz que te consagra o poder e a vitória, enlaçando na Terra o inverno, a lama e a escória dos que gemem na dor implacável e austera...
Sustenta-me na volta à escura estrebaria da carne que me espera em noite rude e fria, para ensinar-me agora a senda do amor puro!...
E que eu possa em teu nome abraçar, renovada, a redentora cruz de minha nova estrada, alcançando contigo a ascensão do futuro.

Fonte: Livro: Antologia Mediúnica do Natal.
Psicografia: Francisco Cândido Xavier / Espírito: Carmem Cinira.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Jesus

Divino Senhor – fez-se humilde servo da Humanidade. Pastor Supremo – nasceu na manjedoura singela. Ungido da Providência – preferiu chegar ao planeta, ao espesso manto da noite, para que o mundo lhe não visse a corte celestial. Orientador nas Esferas Resplandecentes – rejubilou-se na casinha rústica de Nazaré. Construtor do Orbe Terrestre – manejou serrotes anônimos de uma carpintaria desconhecida. Prometido dos Profetas – escolheu a simplicidade para instituir o Reino de Deus. Enviado às Nações – preferiu conversar com os doutores na condição de criança. Luzeiro das Almas – consagrou longos anos à preparação e à meditação, a fim de ensinar às criaturas o caminho da redenção. Verbo Sagrado do Princípio – submeteu-se à limitação da palavra humana para iluminar o mundo. Sábio dos sábios – valeu-se de pescadores pobres e simples para transmitir aos homens a divina mensagem. Mestre dos mestres – utilizou-se de cátedra da natureza, entre árvores acolhedoras e barcos rudes, disseminando as primeiras lições do Evangelho Renovador. Majestade Celeste – conviveu com infelizes e desalentados da sorte. Príncipe do Bem – não desdenhou as vítimas do mal, amparando mulheres desventuradas e sentando-se à mesa de pecadores envilecidos. Instrutor de Entidades Angélicas – andou com a multidão de leprosos, estropiados e cegos de todos os matizes. Administrador da Terra – ensinou o respeito a César, consagrando a ordem e santificação à hierarquia. Benfeitor das Criaturas – recebeu a calúnia, o ridículo, a ironia, o desprezo público, a prisão dolorosa e o inquérito descabido. Amigo Fiel – viu-se sozinho, no extremo testemunho. Juiz Incorruptível – não reclamou contra os falsos julgamentos de sua obra. Advogado do Mundo – acolheu a cruz injuriosa. Ministro Divino da Palavra – adotou o silêncio, ante a ignorância de seus perseguidores. Dono do Poder – rogou perdão para os próprios algozes. Médico Sublime – suportou chagas sanguinolentas. Jardineiro de Flores Eternas – foi coroado de espinhos cruéis. Companheiro Generoso – recebeu açoites e bofetadas. Condutor da Vida – aceitou o crucifixo entre ladrões. Emissário do Pai – manteve-se fiel a Deus até o fim. Mensageiro da Luz Imortal – escolheu o coração amoroso e renovado de Madalena para espalhar na Terra as primeiras alegrias da ressurreição. Mordomo dos Bens Eternos – em precisando de alguém para colaborar com os seus seguidores sinceros, busca Saulo e Tarso, o perseguidor, e transforma-o no amigo incondicional. Coordenador da Evolução Terrestre – necessitando de trabalhadores para as missões especializadas, procura os Ananias da fé, os Estevãos do trabalho e os Barnabés anônimos da cooperação.
Missionário Infatigável da Redenção Humana – foi sempre e ainda é o maior servidor dos homens de todos os tempos e civilizações da Terra.

*** Recordando o Mestre Divino, convertamo-nos ao seu Evangelho de Amor, para que a sua luz nasça na manjedoura de nossos corações pobres e humildes! E, edificados no seu exemplo, abracemos a cruz de nossos preciosos testemunhos, marchando ao encontro do Senhor, no iluminado País da Ressurreição Eterna!

Fonte: livro Antologia Mediúnica do Natal
Psicografia: Francisco Cândido Xavier / Espírito: André Luiz

Súplica do Natal

Na noite santificada,
Em maravilhas de luz,
Sobem preces, cantam vozes
Lembrando-Te, meu Jesus!

Entre as doces alegrias
De Teu Natal, meu Senhor,
Volve ao mundo escuro e triste
Os olhos cheios de amor.

Repara conosco a Terra,
Angustiada e ferida,
E perdoa, Mestre Amado,
Os erros de nossa vida.

Onde puseste a alegria
Da paz, da misericórdia,
Desabam tormentas rudes
De iniquidade e discórdia.

No lugar, onde plantaste
As árvores da união,
Vivem monstros implacáveis
De dor e separação.

Ao longo de Teus caminhos
Sublimes e abençoados,
Surgem trevas pavorosas
De abismos escancarados.

Ao invés de Teus ensinos
De caridade e perdão,
Predominam sobre os homens
A sombra, o crime, a opressão.

Perdoa, Mestre, aos que vivem
Erguendo-Te a nova cruz!
Dá-nos, ainda, a bonança
De Tua divina luz.

Desculpa mundo infeliz
Distante das leis do bem,
Releva as destruições
Da humana Jerusalém...

Se a inteligência dos homens
Claudicou a recaiu,
A Tua paz não mudou
E ao Teu amor não dormiu.

Por isso, ó Pastor Divino,
Nos júbilos do Natal,
Saudamos a Tua estrela
De vida excelsa e imortal.

Que o mundo Te guarde a lei
Pela fé que nos conduz
Das sombras de nossa vida
Ao reino de Tua luz!...

Fonte: Livro Antologia Mediúnica do Natal
Psicografada por Francisco Cândido Xavier
Espírito: Casimiro Cunha



segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Natal do Cristo


Nas proximidades do dia 25 de dezembro crescem as expectativas de variada ordem para as confraternizações familiares e de amigos, adornos natalinos e um crescente e intenso comércio.
Embora o Grande Aniversariante nem sempre seja lembrado é o momento propício para se destacar a importância de Cristo para a Humanidade.
Na obra inaugural da Doutrina Espírita, o Codificador dedicou a 3ª. Parte ao desenvolvimento do tema “Das Leis Morais”. Entres essas questões, a de número 625 define Jesus como “o tipo mais perfeito que tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo”.1
Com o surgimento de O Evangelho segundo o Espiritismo, mais assentado em ilustrações de exemplos de vida e das parábolas de Jesus, Kardec define este último livro como: “[...] roteiro infalível para a felicidade vindoura, o levantamento de uma ponta do véu que nos oculta a vida futura. Essa parte é a que será objeto exclusivo desta obra”.2
Na obra de Allan Kardec e, no conjunto da obra de Francisco Cândido Xavier, principalmente dos espíritos Emmanuel e Humberto de Campos sente-se a significação do Cristo para nós e do marco que ele representa para a Humanidade.
No conjunto da literatura espírita sentimos o reforço para a esclarecedora comparação: “Jesus, a porta. Kardec, a chave”.3
O Natal é o momento para oportunas reflexões. Os espíritas enaltecem o Natal com confraternizações e propostas de ação. Há sempre expectativas de que o cintilar dos ornamentos luminosos típicos da época natalina possam também abrir espaço para as emissões da “luz do mundo” (João 8:12).
Referências:
1) KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 91e. 3ª. Parte. Trad. Guillon Ribeiro. FEB: Rio de Janeiro, questão 625.
2) KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 131e. Trad. Guillon Ribeiro. FEB: Rio de Janeiro Introdução. Item I.
3) XAVIER, Francisco Cândido. Opinião Espírita. 1e. Pelo Espírito Emmanuel, cap. 2, Uberaba: CEC. 1963. p.30-34.

Antonio Cesar Perri de Carvalho
O autor é presidente da Federação Espírita Brasileira.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Oferta de natal

Senhor! Enquanto as melodias do Natal nos enternecem, recordamos também, ante o céu iluminado, a estrela divina que te assinalou o berço na palha singela!...
De novo, alcançam-nos os ouvidos as vozes angélicas:
- Glória a Deus nas Alturas, paz na Terra, boa vontade para com os homens!...
E lembramo-nos do tópico inesquecível da narrativa de Lucas (Evangelho de Lucas 2:8-11):
“Havia na região da manjedoura pastores que viviam nos campos e velavam pelos rebanhos durante a noite; e um anjo do Senhor desceu onde eles se achavam e a glória do Senhor brilhou ao redor deles, pelo que se fizeram tomados de assombro... O anjo, porém, lhes disse: não temais! Eis que vos trago boas novas de grande alegria, que serão para todo o povo... É que hoje vos nasceu, na cidade de David, o Salvador, que é o Cristo, o Senhor”.
*
Desde o momento em que os pastores maravilhados se movimentaram para ver- te, na hora da alva, começaste, por misericórdia tua, a receber os testemunhos de afeição dos filhos da Terra.
Todavia, muito antes que te homenageassem com o ouro, o incenso e a mirra, expressando a admiração e a reverência do mundo, o teu cetro invisível se dignou acolher, em primeiro lugar, as pequeninas dádivas dos últimos!
Só tu sabes, Senhor, os nome daqueles que algo te ofertaram, em nome do amor puro, nos instantes da estrebaria: A primeira frase de bênção... A luz da candeia que principiou a brilhar quando se apagaram as irradiações do firmamento... Os panos que te livraram do frio... A manta humilde que te garantiu o leito improvisado... Os primeiros braços que te enlaçaram ao colo para que José e Maria repousassem... A primeira tigela de leite... O socorro aos pais cansados... Os utensílios de empréstimo para que te não faltasse assistência... A bondade que manteve a ordem, ao redor a manjedoura, preservando-a de possíveis assaltos... O feno para o animal que devia transportar-te...
*
Hoje, Senhor, que quase vinte séculos transcorreram, sobre o teu nascimento, nós, os pequeninos obreiros desencarnados, com a honra de cooperar em teu Evangelho Redivivo, pedimos vênia para algo te ofertar... Nada possuindo de nós, trazemos-te as páginas simples que Tu mesmo nos inspiraste, os pensamentos de gratidão e de amor que nos saíram do coração, em forma de letras, em louvor de tua infinita bondade!
Recebe-os, ó Divino Benfeitor! Com a benevolência com que acolheste as primeiras palavras e respeito e os primeiros gestos de carinho com que as criaturas rudes e anônimas te afagaram na gloriosa descida à Terra!... E que nós – espíritos milenares fatigados do erro, mas renovados na esperança – possamos rever-te a figura sublime, nos recessos do coração, e repetir, como o velho Simeão, após acariciar-te na longa vigília do Templo:
- “Agora, Senhor, despede em paz os teus servos, segundo a tua palavra, porque os nossos olhos viram a salvação!...”.

Fonte: Livro Antologia Mediúnica do Natal
Psicografia: Francisco Cândido Xavier - Espírito: Emmanuel

sábado, 14 de dezembro de 2013

Imperativo da paz

Ante ocorrências que te levem a reações negativas, medita no imperativo da paz, que te resguarda no entendimento, para que a cólera não te perturbe.
Se alguém te feriu, observa a condição enfermiça do agressor, que descarrega em ti parte da insatisfação e desespero que traz em si mesmo.
Se outros te prejudicam, segundo teu entender, medita e verás que eles arruínam a si mesmos, criando barreiras para as próprias atividades.
Ante familiares queridos que se desajustam, faze quanto puderes pela restauração da harmonia entre eles, mas respeita-os nas tomadas de posição, sem menosprezar-lhes o livre arbítrio.
Venham as crises e dificuldades que vierem, resguarda-te na tolerância, asserena-te e espera.
Permanece trabalhando e servindo, e a vida, em nome de Deus, te ofertará sempre o máximo de recursos pelo mínimo de teu concurso pessoal na solução dos problemas.
Age com paciência. Recorda que precipitação é queda no remorso, rebeldia é incêndio na alma, azedume é doença e cólera é uma devastação.


Emmanuel / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Pronto Socorro (extrato) - Ed. CEU

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Ante o mundo e Jesus

O mundo pede socorro a Jesus.
Ele atende, porém, espera por nós.
O mundo roga paz.
Jesus transmite tranquilidade, todavia, a todos estimula para que auxiliemos na fraternidade.
O mundo suplica apoio para livrar-se do ódio.
Jesus é recurso libertador que propõe a paciência e o trabalho solidário entre as criaturas.
O mundo promove desespero e algaravia.
Jesus doa silêncio e fé.
Compara as incertezas no mundo e a segurança com Jesus.
Considera os impositivos de fora, no mundo, e as forças interiores que se haurem em Jesus.
Vive no mundo; mas não te apartes de Jesus.
Tua vida física em dado momento cessará, enquanto a tua realidade espiritual com Jesus jamais terminará.
As vitórias externas esmaecem e passam, as íntimas se fortalecem e ficam.
Ninguém jamais fugirá da sua nascente divina.
No duelo – mundo e Jesus, a tua será a opção da permanente angústia ou da promissora ventura.

Joanna de Ângelis / Médium Divaldo Pereira Franco
Do livro “Alerta” (extrato) – Ed. LEAL

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Entendimento

O cultivador do campo não prescinde do arado com que sulcará o corpo da gleba.
O estatuário recorrerá ao buril para afeiçoar o mármore à ideia criadora que lhe inflama a cabeça.
A criatura interessada na produção de reflexos mentais protetores de sua senda não dispensará o entendimento por alicerce do trabalho renovador. Entendimento que simbolize fraternidade operante.
Até o ingresso na Consciência Cósmica, todos os seres se distinguem pela face de luz com que se alteiam para os cimos da evolução e pela face de sombra pela qual ainda sofrem a influência da retaguarda.
Todos recolhemos do Pai Celeste os estímulos ao futuro e todos padecemos os reflexos do passado a se nos projetarem sobre a existência.
Só o culto do entendimento pode garantir-nos o equilíbrio indispensável no serviço edificante de auto burilamento.

Emmanuel / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Pensamento e Vida (extrato) - Ed. FEB

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

“Nada faças por contenda ou por vanglória, mas por humildade.” - Paulo. Filipenses, capítulo 2, versículo 3.

Examina-te

O serviço de Jesus é infinito. Na sua órbita, há lugar para todas as criaturas e para todas as idéias sadias em sua expressão substancial.
Se, na ordem divina, cada árvore produz segundo a sua espécie, no trabalho cristão, cada discípulo contribuirá conforme sua posição evolutiva.
A experiência humana não é uma estação de prazer. O homem permanece em função de aprendizado e, nessa tarefa, é razoável que saiba valorizar a oportunidade de aprender, facilitando o mesmo ensejo aos semelhantes.
O apóstolo Paulo compreendeu essa verdade, afirmando que nada deveremos fazer por espírito de contenda e vanglória, mas, sim, por ato de humildade.
Quando praticares alguma ação que ultrapasse o quadro das obrigações diárias, examina os móveis que a determinaram. Se resultou do desejo injusto de supremacia, se obedeceu somente à disputa desnecessária, cuida de teu coração para que o caminho te seja menos ingrato. Mas se atendeste ao dever, ainda que hajas sido interpretado como rigorista e exigente, incompreensivo e infiel, recebe as observações indébitas e passa adiante. Continua trabalhando em teu ministério, recordando que, por servir aos outros, com humildade, sem contendas e vanglórias, Jesus foi tido por imprudente e rebelde, traidor da lei e inimigo do povo, recebendo com a cruz a coroa gloriosa.

Caminho, Verdeade e Vida
Emmanuel / Francisco Cândido Xavier

Arai e semeai

Meus Filhos,
Que Jesus nos abençoe!
Antes que o Senhor ascendesse, estávamos reunidos com aqueles que leriam nas palavras de João, o futuro evangelista, a mensagem de libertação e de eternidade.
Naquele entardecer, rico de perfumes e de bênçãos, o Mestre inolvidável aparece e, distendendo os braços para afagar, aproxima aqueles quinhentos da Galileia, no seu afável e dúlcido coração e diz-lhes:
— Ide, como as ovelhas mansas no meio de lobos rapaces. Ide e pregai, pois que vos dou o poder de libertar as criaturas dos sofrimentos... Eu vos dou a força para pisar a serpente do mal, sem que ela vos possa picar. Eu vos ofereço o meu coração, para que o apresenteis ao mundo. Não temais a ninguém, especialmente aqueles que somente vencem o corpo e não vos podem atingir a alma.
..E quando ascendeu em uma nuvem luminosa, aqueles que ali estavam, homens e mulheres, criancinhas e venerandos anciãos, saíram para levar a sua mensagem de liberdade aos quatro pontos do mundo.
Ide, também vós outros, novos quinhentos da Galileia, que renasceis da memória dos tempos, depois de naufrágios dolorosos e de prejuízos incalculáveis para a economia das vossas almas. Ide, e semeai a Era do amor. Não vos perturbeis com o mundo, com as suas facécias, nem temais as suas tenazes vigorosas e ameaçadoras. Aquele amoroso e meigo Rabi prossegue convosco e conosco, conduzindo-nos ao porto de segurança para onde rumam.
É verdade que o corpo físico é um desafio, a própria luta ante os recentes progressos constituí um desafio impostergável.
Cantai, exultantes de alegria, porque fostes chamados e estais sendo selecionados para os misteres mais delicados e graves da construção do reino de Deus. Se, por acaso, aninhar-se a dor em vossos sentimentos, bendizei-a. E nesse colóquio entre a alma que chora e a dor que deve estar cravada, dizei: bendita sejas, por te apresentares como espinho nas carnes da minha alma, impedindo-lhe tropeços mais dolorosos e mais perturbadores.
Se a incompreensão testar as vossas resistências eis que soa a oportunidade da tolerância e o momento da paciência, a fim de ser conquistado o contendor. E, em qualquer circunstancia amai. O amor é a força ciclópica que modela o Universo exteriorizado pelo Pai Criador. Com os sentimentos de amor, de bondade, guiados pela lógica de bronze da Doutrina Espírita, podereis dirigir os passos no rumo do Bem, com segurança, quando tudo aparentemente estiver contra vós.
Não temos outra alternativa, nem conhecemos outra diretriz que não sejam aquelas que estão expressas na palavra do Senhor: "Fazei todo o bem que vos esteja ao alcance. Amai os vossos inimigos, aos vossos perseguidores, servindo sempre", porque as mãos que obram nas trilhas da imortalidade estão colocando os alicerces da era do amor universal em nosso planeta, que está transitando para mundo de regeneração. Nunca estareis a sós. Vossos Guias, protetores e os anjos tutelares da lide espírita, em nome do Espírito de reiVerdade, estarão sempre convosco.
Ide , filhos da alma, em paz, em retorno ao vosso campo de trabalho e arai, semeai, vigiai as plântulas, defendei-as até que possam, como árvores frondosas e frutíferas, albergar a sociedade cansada, desiludida e necessitada de paz, de pão e de amor.
Que o Senhor de bênçãos vos abençoe, meus filhos.
São os votos do servidor humílimo e paternal de sempre,

Bezerra
Psicofonia de Divaldo Pereira Franco

Indiferentes

A indiferença é morte da ação que induz a criatura ao progresso. É ausência de ideal vitalizador.
O indiferente padece de doença que o domina a pouco e pouco, ameaça-lhe o equilíbrio e anula as movimentações que o capacitam para a luta.
São pessoas que não ouvem nem querem ver. Não alcançaram metas e sentem-se burladas.
Refugiam-se na indiferença antes de tentarem mais uma vez. E, porque perderam a fé, negam-se a confiar em alguém.
Nas atividades espirituais, são em número surpreendente. Não reagem a favor nem contra.
Não te aflijas pela atitude delas. Reencontrarão, mais tarde, o caminho que devem percorrer.
Não deixes de produzir e com entusiasmo, no teu campo de ação, quando as defrontares.
Não foram apenas os que odiavam e temiam a soberana força do amor de Jesus que O levaram à morte. Foram também os indiferentes.
Apesar deles, o Senhor escreveu, com sacrifício pessoal, a página mais comovedora e estoica de todos os tempos e que até hoje atrai mentes e corações para Sua doutrina.


Joanna de Ângelis / Médium Divaldo Pereira Franco
Livro: Oferenda (extrato) - Ed. LEAL

domingo, 8 de dezembro de 2013

Caridade, a meta

Guarda, na mente, que a caridade em teus atos deve ser a luz que vence a sombra.
Enquanto não compreendas que a caridade é sempre a bênção maior para quem a realiza, ligando o benfeitor ao necessitado, estarás na fase primária da virtude por excelência.
Poderás repartir moedas, a mãos-cheias; todavia, se não mantiveres o sentimento da amizade em relação ao carente, não terás logrado alcançar a essência da caridade.
Repartirás tecidos e agasalhos com os desnudos; no entanto, se lhes não ofertares compreensão e afabilidade, permanecerás na filantropia.
Atenderás aos enfermos com medicação valiosa; entretanto, se não adicionares ao gesto a gentileza fraternal, estarás apenas desincumbindo-se de um mister de pequena monta.
Ofertarás o pão aos esfaimados; contudo, se os não ergueres com palavras de bondade, não alcançaste o sentido real da caridade.
Distribuirás haveres e coisas com os desafortunados do caminho; não obstante, sem o calor do teu envolvimento emocional em relação a eles, não atingiste o fulcro da virtude superior.
A caridade é algo maior do que o simples ato de dar.
Certamente, a doação de qualquer natureza sempre beneficia aquele que lhe sofre a falta. Todavia, para que a caridade seja alcançada, é necessário que o amor se faça presente, qual combustível que permite o brilho da fé, na ação beneficente.
A caridade material preenche os espaços abertos pela miséria socioeconômica, visíveis em toda parte.
Além deles, há todo um universo de necessidades em outros indivíduos que renteiam contigo e esperam pela luz libertadora do teu gesto.
A indulgência, em relação aos ingratos e agressivos;
a compaixão, diante dos presunçosos e perversos;
a tolerância, em favor dos ofensores;
a humildade, quando desafiado ao duelo da insensatez;
a piedade, dirigida ao opressor e déspota;
a oração intercessora, pelo adversário;
a paciência enobrecida, face às provocações e à irritabilidade dos outros;
a educação, que rompe as algemas da estupidez e da maldade que se agasalham nas furnas da ignorância gerando a delinquência e a loucura...
A caridade moral é desafio para toda hora, no lar, na rua, no trabalho.
Exercendo-a, recorda também da caridade em relação a ti mesmo.
Jesus, convivendo com os homens, lecionou exemplificando todas as modalidades da caridade, permanecendo até hoje como o protótipo mais perfeito que se conhece, tornando-a a luz do gesto, que vence a sombra do mal, através da ação do amor.
Caridade, pois, eis a meta.
* * *

Divaldo Pereira Franco. Da obra: Vigilância.
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.
1a edição. Salvador, BA: LEAL, 1987.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Purificação íntima

Cada homem tem a vida exterior, conhecida e analisada pelos que o rodeiam, e a vida íntima da qual somente ele próprio poderá fornecer o testemunho. O mundo interior é a fonte de todos os princípios bons ou maus e todas as expressões exteriores guardam aí os seus fundamentos. Em regra geral, todos somos portadores de graves deficiências íntimas, necessitadas de retificação. Mas o trabalho de purificar não é tão simples quanto parece. Será muito fácil ao homem confessar a aceitação de verdades religiosas, operar a adesão verbal a ideologias edificantes... Outra coisa, porém, é realizar a obra da elevação de si mesmo, valendo-se da autodisciplina, da compreensão fraternal e do espírito de sacrifício. Isso é trabalho de duplo ânimo, porque semelhante renovação jamais se fará tão-somente à custa de palavras brilhantes.

Emmanuel / Médium Francisco Cândido Xavier
Livro: Caminho, Verdade e Vida - Ed. FEB

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Firmeza e constância

“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão.” – Paulo. (1ª Epístola aos Coríntios, 15:58.)

Muita gente acredita que abraçar a fé será confiar-se ao êxtase improdutivo. A pretexto de garantir a iluminação da alma, muitos corações fogem à luta, trancando-se entre as quatro paredes do santuário doméstico, entre vigílias de adoração e pensamentos profundos acerca dos mistérios divinos, esquecendo-se de que todo o conjunto da vida é Criação Universal de Deus.
Fé representa visão.
Visão é conhecimento e capacidade de auxiliar.
Quem penetrou a “terra espiritual da verdade”, encontrou o trabalho por graça maior.
O Senhor e os discípulos não viveram apenas na contemplação.
Oravam, sim, porque ninguém pode sustentar-se sem o banho interior de silêncio, restaurando as próprias forças nas correntes superiores de energia sublime que fluem dos Mananciais Celestes.
A prece e a reflexão constituem o lubrificante sutil em nossa máquina de experiências cotidianas.
Importa reconhecer, porém, que o Mestre e os aprendizes lutaram, serviram e sofreram na lavoura ativa do bem e que o Evangelho estabelece incessante trabalho para quantos lhe esposam os princípios salvadores.
Aceitar o Cristianismo é renovar-se para as Alturas e só o clima do serviço consegue reestruturar o espírito e santificar-lhe o destino.
Paulo de Tarso, invariavelmente peremptório nas advertências e avisos, escrevendo aos Coríntios, encareceu a necessidade de nossa firmeza e constância nas tarefas de elevação, para que sejamos abundantes em ações nobres com o Senhor.
Agir ajudando, criar alegria, concórdia e esperanças, abrir novos horizontes ao conhecimento superior e melhorar a vida, onde estivermos, é o apostolado de quantos se devotaram à Boa Nova.
Procuremos as águas vivas da prece para lenir o coração, mas não nos esqueçamos de acionar os nossos sentimentos, raciocínios e braços, no progresso e aperfeiçoamento de nós mesmos, de todos e de tudo, compreendendo que Jesus reclama obreiros diligentes para a edificação de seu Reino em toda a Terra.

Obra: Fonte Viva
Emmanuel / Francisco Cândido Xavier

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Sugestões no caminho

Lamentar-se por quê?... Aprender sempre, sim.
Cada criatura colherá da vida não só pelo que faz, mas também conforme esteja fazendo aquilo que faz.
Não se engane com falsas apreciações acerca de justiça, porque o tempo é o juiz de todos.
Recorde: tudo recebemos de Deus que nos transforma ou retira isso ou aquilo, segundo as nossas necessidades.
A humildade é um anjo mudo.
Tanto menos você necessite, mais terá.
Amanhã será, sem dúvida, um belo dia, mas para trabalhar e servir, renovar e aprender, hoje é melhor.
Não se iluda com a suposta felicidade daqueles que abandonam os próprios deveres, de vez que transitoriamente buscam fugir de si próprios como quem se embriaga para debalde esquecer.
O tempo é ouro mas o serviço é luz.
Só existe um mal a temer: aquele que ainda exista em nós.
Não parar na edificação do bem, nem para colher os louros do espetáculo, nem para contar as pedras do caminho.
A tarefa parece fracassar? Siga adiante, trabalhando, que, muita vez é necessário sofrer a fim de que Deus nos atenda à renovação.

De “Sinal Verde”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito André Luiz

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Plantas e almas


As almas, no fundo, são semelhantes às plantas no campo imenso da vida.
Reparo, desse modo, o que produzes.
Corações isolados na sensibilidade egoística, receando dissabores no relacionamento com o próximo, parecem cardos amargosos na terra seca.
Verbos maledicentes que encontram motivo para a crítica destruidora, nos menores acontecimentos de cada dia, simbolizam a urtiga brava, sempre disposta a ferir.
Inteligências ruidosas na reiterada exposição de nobres ideais que nunca realizam, lembram arbustos ricos de folhagem, que jamais se confiam à frutescência.
Companheiros ociosos e entediados da luta humana, em fuga das elevadas obrigações que o mundo lhes assinala oferecem pontos de contato com o cipó absorvente que, enlaçado a outras plantas, lhes suga a vitalidade e lhes furta a existência.
Almas em sofrimento constante que sabem cultivar a fé e a esperança, ofertando a quem passa os melhores testemunhos de amor e coragem são roseiras abençoadas, produzindo flores de paz e alegria, sobre os espinheiros terrestres.
Espíritos generosos e amigos, que buscam a intimidade com a luz da compreensão e do serviço, apresentam similaridade com as copas opulentas, sempre habilitadas a socorrer quem lhe procura o regaço acolhedor, com a sombra refrigerante ou com o fruto nutriente.
Irmãos prestimosos parecem valiosas plantas medicinais, cuja essência consegue curar inquietações e feridas.
Espíritos benevolentes e sábios, no apoio incessante à Humanidade, surgem por troncos veneráveis, de que o homem retira a madeira de lei, para o lar que lhe serve de berço e templo, escola e moradia.
Observa o que fazes.
Por tuas demonstrações e exemplos no recanto em que o Senhor te situou, o mundo conhecer-te-á, de perto, e abençoará ou corrigirá tua vida.

De “Indulgência”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Na intimidade doméstica

A história do bom samaritano, repetidamente estudada, oferece conclusões sempre novas.
O viajante compassivo encontra o ferido anônimo na estrada.
Não hesita em auxiliá-lo.
Estende-lhe as mãos.
Pensa-lhe as feridas.
Recolhe-o nos braços sem qualquer ideia de preconceito.
Condu-lo ao albergue mais próximo.
Garante-lhe a pousada.
Olvida conveniências e permanece junto dele, enquanto necessário.
Abstém-se de indagações.
Parte ao encontro do dever, assegurando-lhe a assistência com os recursos da própria bolsa, sem prescrever-lhe obrigações.
Jesus transmitiu-nos a parábola, ensinando-nos o exercício da caridade real, mas, até agora, transcorridos quase dois milênios, aplicamo-la, via de regra, às pessoas que não nos comungam o quadro particular.
Quase sempre, todavia, temos os caídos do reduto doméstico.
Não descem de Jerusalém para Jericó, mas tombam da fé para a desilusão e da alegria para a dor, espoliados nas melhores esperanças, em rudes experiências.
Quantas vezes surpreendemos as vítimas da obsessão e do erro, da tristeza e da provação, dentro de casa!
Julgamos, assim, que a parábola do bom samaritano produzirá também efeitos admiráveis, toda vez que nos decidirmos a usá-la, na vida íntima, compreendendo e auxiliando os vizinhos e companheiros, parentes e amigos, sem nada exigir e sem nada perguntar.

Emmanuel
(De “Luz no Lar”, de Francisco Cândido Xavier, por diversos Espíritos)

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Por que fazer de tudo um problema?

Convença-se ser mais forte que as circunstâncias porque tem
um reservatório de inteligência e poder, e siga sem medo.
Terá boa segurança, mas, se for temer, enervar, desesperar,
as forças do reservatório, que são positivas, e destinadas a
avançar e vencer, se enfraquecem e não podem dar vitória e paz.
Querer é poder.
Se você crer que pode, que resolve, que é capaz
de trabalhar e ser feliz, isso se efetivará naturalmente.
É pensando nas alturas que se sobe.

Lourival Lopes

Lucros

“E o que tens ajuntado para quem será?” — Jesus. (Lucas, capítulo 12, versículo 20.)

Em todos os agrupamentos humanos, palpita a preocupação de ganhar. O espírito de lucro alcança os setores mais singelos. Meninos, mal saídos da primeira infância, mostram-se interessados em amontoar egoisticamente alguma coisa. A atualidade conta com mães numerosas que abandonam seu lar a desconhecidos, durante muitas horas do dia, a fim de experimentarem a mina lucrativa. Nesse sentido, a maioria das criaturas converte a marcha evolutiva em corrida inquietante. Por trás do sepulcro, ponto de chegada de todos os que saíram do berço, a verdade aguarda o homem e interroga: — Que trouxeste? O infeliz responderá que reuniu vantagens materiais, que se esforçou por assegurar a posição tranquila de si mesmo e dos seus. Examinada, porém, a bagagem, verifica-se, quase sempre, que as vitórias são derrotas fragorosas. Não constituem valores da alma, nem trazem o selo dos bens eternos. Atingida semelhante equação, o viajor olha para trás e sente frio. Prende- se, de maneira inexplicável, aos resultados de tudo o que amontoou na Crosta da Terra. A consciência inquieta enche-se de nuvens e a voz do Evangelho soa-lhe aos ouvidos: Pobre de ti, porque teus lucros foram perdas desastrosas! “E o que tens ajuntado para quem será?”

Obra: Caminho, Verdade e Vida
Francisco Candido Xavier / Emmanuel

domingo, 1 de dezembro de 2013

Sinais

Na reunião íntima, o benfeitor espiritual Bittencourt Sampaio falava pelo médium, com propriedade e beleza.
Em certo ponto da preleção, dizia, veementemente:
- Revelamos os nossos sinais dominantes, nas manifestações pequeninas. Cada um tem reflexos diferentes. O heroísmo na praça pública pode ser mero fruto de circunstâncias especiais. É o cotidiano que nos revela o íntimo, nos gestos mais apagados, nas mínimas ações. A maldade aparece num ato de cólera. A calúnia por vezes se entremostra numa simples palavra. A leviandade vem à baila num vago sorriso. A avareza, em muitas ocasiões, surge num vintém...
Nisso, alguém bate á porta cerrada. E o silêncio cai, pesado, no ânimo dos ouvintes...
O visitante, não se vendo logo atendido, insiste com mais força. Pancadas violentas: duas, três, cinco vezes...
O instrutor desencarnado retoma a palavra e explica:
- Estudemos. A pessoa que nos procura talvez seja um modelo de cortesia na vida social; entretanto, pelo seu comportamento atrás da porta, anuncia claramente que um dos seus reflexos mais altos é a impaciência.

Livro: A vida escreve
Francisco Cândido Xavier / Espírito Hilário Silva

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