segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

André Luiz

Todas as criaturas vivem na carne para morrer bem e renascer sempre melhores... Tal é a Lei.
- André Luiz


"Fora da caridade não há salvação"- seria simplesmente uma fachada histórica da Codificação Kardequiana?
A resposta negativa surge automática.
Essa legenda constará, sem dúvida, de pórticos e flâmulas, mas, na essência, é pensamento vivo da Doutrina Espírita que no-la confia por síntese dos postulados do Cristo, recordando-nos que a caridade não existe para ser usada contra os homens, e sim a favor da Humanidade.
A virtude máxima não consistirá, exclusivamente, na preocupação de alimentar o estômago daquele que sente fome, mas também para que se lhe aprimorem as qualidades inatas de trabalhador, e se eleve ao nível dos que produzem a benefício da comunidade, provendo, em conseqüência, as próprias carências.
Não atenderemos ao sublime princípio, apenas induzindo o companheiro de alma entorpecida no ateísmo ou na indiferença, a cultivar o facho ardente da fé nos Poderes Superiores que governam a vida e sim igualmente a cooperar com ele no desenvolvimento do raciocínio, ajudando-o na aquisição do discernimento justo à frente do bem e do mal, de modo a não desertar da responsabilidade de viver, sentir, falar e atuar, perante as Leis Divinas.
Eis a razão porque a tarefa primordial do Espiritismo não se fundamentará em condenar tacitamente os erros dos outros, mas ergue-se em instituto natural de orientação e corrigenda, inspirando-nos a acertar sempre mais com a verdade que nos fará livres da ignorância.
Também não se apoiará em abraçar cegamente todos os desejos dos semelhantes, a pretexto de lhes açucararmos a existência, mas levanta-se em escola de compreensão e fraternidade dentro da qual aprenderemos a amar com equilíbrio e proveito.
Caridade é socorrer o próximo sem esquecer de lhe valorizar e ampliar as faculdades positivas para que o próximo preencha as finalidades a que se encontra destinado pelos objetivos da vida.
É auxiliar a outrem não só para a remoção de necessidades e obstáculos, mas acima de tudo, para que a pessoa auxiliada se faça mais útil e mais nobre em si, porque todas as criaturas vivem na carne para morrer bem e renascer sempre melhores.
Tal é a lei.

“Nascer, Viver e Morrer Bem", André Luiz / Waldo Vieira
Do livro "Sol nas Almas".

Dívidas

Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes
Romanos, 1:14


O Apóstolo da Gentilidade frisou claramente a sua condição de legítimo devedor de todos e essa condição e a de qualquer outro ser da comunidade humana.
A criatura em si, não e apenas a soma das próprias realizações, mas também o produto de débitos inumeráveis para com o grupo a que pertence.
Cada um deve incalculáveis tributos às almas com quem convive.
Não nos esqueçamos de que vivemos empenhados a boa vontade dos corações amigos…
A sabedoria dos mais experientes…
Ao carinho dos companheiros próximos…
Ao apoio e ao estimulo dos familiares…
Aos nobres impulsos das relações fraternais…
Portanto, pelo reconhecimento das nossas dívidas comuns, provamos a real inconsequência do orgulho e da vaidade em qualquer coração e a impraticabilidade do insulamento em nosso passo evolutivo.
A dívida importa em compromisso e compromisso significa resgate natural ou compulsório.
Todos somos devedores uns dos outros.
Se ainda alimentas algum laivo de superioridade egoística, à frente dos semelhantes, lembra-te das dívidas numerosas, que ainda não saldaste, a começar pelo próprio instrumento físico que te foi emprestado temporariamente.

Emmanuel

domingo, 30 de dezembro de 2012

Raios de sol

Se desejares aprender a lição da indulgência, observa o raio de sol...
Dissipando a treva noturna, desce à Terra, cada dia, recapitulando, mil vezes, o mesmo ensinamento de serviço e de paz.
Não indaga pelas sombras da furna.
Não teme os vermes que se lhe associam.
Não se queixa da corrente enfermiça que flui do despenhadeiro.
Desce, contente e feliz, à intimidade do precipício, com a mesma radiação com que nutre fontes e flores.
Aquece o sábio e o ignorante, o santo e o malfeitor, os justos e os injustos, os bons e os maus, com a mesma generosidade, dentro da qual assinala os cimos do Céu.
Ampara a erva daninha e o bom grão, a árvore valiosa e o arbusto infeliz, com o mesmo carinho no qual se desdobra, claro e otimista, sobre lares e asilos, escolas e templos, hospitais e jardins.
Se a nuvem lhe empana o caminho, espera que a nuvem se dissolva e torna a fulgurar.
Se a tempestade agita o firmamento, aguarda a recuperação da harmonia e volta a missão do amor...
Não te esqueças.
O mundo jaz repleto de obstáculos da incompreensão, de tormentos do ódio, temporais de lágrimas, provações e infortúnios...
Aqui, em vales de sombra, medra, o escalracho da discórdia, ali, abre-se o abismo de aflitivas desilusões. Além, multiplicam-se cardos venenosos do orgulho e do exclusivismo, da penúria e da crueldade, e mais além, destacam se, agressivos e contundentes, largos espinheiros de intolerância...
Não perguntes, porém, pelos impedimentos prováveis.
Não relaciones as inquietações da marcha.
Recorda, que o Cristo é o Sol de nossas vidas e sê para as sendas que te cercam o raio de sol infatigável no bem, espalhando em tua passagem o júbilo da esperança renascente, o dom imperecível da luz e a graça do perdão.
Aprendamos a entesourar os dons da vida, respeitando os ensinamentos que o mundo nos impõe, na certeza de que entre a humildade e o trabalho, alcançaremos, um dia, os cimos da Luz.

Emmanuel
(Do livro "Joia")

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O Reino de Deus está próximo

Muitas vezes, disse-nos o Senhor:
- “O Reino de Deus está próximo.” Marcos 1:15

E até hoje milhares de criaturas aguardam-lhe a vinda, através de espetaculosos eventos exteriores.
Muitos esperam-no, por intermédio de cataclismos inomináveis e mentalizam telas fantasmagóricas, incompatíveis com a Divina Misericórdia que nos preside os destinos…
Trovões ribombando no firmamento…
Maremotos e terremotos…
Raios destruidores a se derramarem do céu…
Multidões amotinadas promovendo devastações e ruínas…
Fluidos comburentes na atmosfera, transformando-a em fogo devorador…
Bombas fulminantes aniquilando nações inteiras…
E contam, quase sempre, com o absurdo e com o fantástico, para que se sintam no portal da grande transformação.
Sem dúvida que semelhantes flagelos podem sobrevir a qualquer momento na experiência das criaturas e no campo da natureza, contudo, longe de significarem o Reino Divino apenas revelam imperativos de nova luta e com serviço mais áspero para quantos se enfileiram nos quadros evolutivos da Humanidade.
O Reino de Deus está próximo, sim, mas, antes de tudo, em nossa capacidade de construí-lo por dentro de nós, através do céu que possamos oferecer à alma do próximo.
Atendamos ao cumprimento do dever que a vida nos atribui, colaborando quanto possível pela vitória do bem a atender o amor que o Mestre nos legou e alcançaremos, com a urgência possível, o clima celestial para nós e para os outros.
É por isso que Jesus igualmente foi positivo e justo quando afirmou:
“Quando se vos disser o Reino de Deus permanece ali ou acolá não acrediteis, porque, em verdade, o Reino de Deus está dentro de vós.”

Emmanuel

Mensagem do dia:



Oração no Ano Novo

Senhor Jesus!

Ante as promessas do ano que se inicia não nos permitas que esqueçamos aqueles com quem nos honraste o caminho iluminativo:
as mães solteiras, desesperadas, a quem prometemos o pão do entendimento;
as crianças delinquentes que nos buscaram com a mente em desalinho;
os calcetas que, vencidos em si mesmos, nos feriram e retornaram às nossas portas;
os enfermos solitários, que nos fitaram, confiantes em nosso auxílio;
os esfaimados e desnudos que chegaram até nossas parcas provisões ;
os mutilados e tristes, ignorantes e analfabetos, que nos visitaram, recordando-nos de Ti...
Sabemos, Senhor, o pouco valor que temos, identificamo-nos com o que possuamos intimamente, mas,
Contigo, tudo podemos e fazemos. Ajuda-nos a manter o compromisso de amar-Te, amando neles toda a família universal em cujos braços renascemos.

Pelo Espírito: Joanna de Angelis
Psicografia: Divaldo P. Franco

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Carta de Ano Novo

Ano Novo é também renovação de nossa oportunidade de aprender, trabalhar e servir.
O tempo, como paternal amigo, como que se reencarna no corpo do calendário, descerrando-nos horizontes mais claros para a necessária ascensão.
Lembra-te de que o ano em retorno é novo dia a convocar-te para execução de velhas promessas, que ainda não tiveste a coragem de cumprir.
Se tens inimigo, faze das horas renascer-te o caminho da reconciliação.
Se foste ofendido, perdoa, a fim de que o amor te clareie a estrada para frente.
Se descansaste em demasia, volve ao arado de tuas obrigações e planta o bem com destemor para a colheita do porvir.
Se a tristeza te requisita, esquece-a e procura a alegria serena da consciência feliz no dever bem cumprido.
Novo Ano! Novo Dia!
Sorri para os que te feriram e busca harmonia com aqueles que te não entenderam até agora.
Recorda que há mais ignorância que maldade, em torno de teu destino.
Não maldigas, nem condenes.
Auxilia a acender alguma luz para quem passa ao teu lado, na inquietude da escuridão.
Não te desanimes, nem te desconsoles.
Cultiva o bom ânimo com os que te visitam, dominados pelo frio do desencanto ou da indiferença.
Não te esqueças de que Jesus jamais se desespera conosco e, como que oculto ao nosso lado, paciente e bondoso, repete-nos de hora a hora:
- Ama e auxilia sempre.
Ajuda aos outros, amparando a ti mesmo, porque se o dia volta amanhã, eu estou contigo, esperando pela doce alegria da porta aberta de teu coração.


Emmanuel
Vida e Caminho - Francisco Cândido Xavier

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Mensagem do dia:

A bondade sublime é como a água
A água, na sua bondade, beneficia os dez mil seres sem preferência
Permanece nos lugares desprezados pelos outros,
Por isso assemelha-se ao Caminho
Viva com bondade na terra
Pense com bondade, como um lago
Conviva com bondade, como irmãos
Fale com a bondade de quem tem palavra
Governe com a bondade de quem tem ordem
Realize com a bondade de quem é capaz
Aja com bondade todo o tempo
Não dispute, assim não haverá rivalidade."

Tao Te Ching, de Lao Tsé

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Boas Festas!

Somewhere - Phil Collins

Jesus

Seu aniversário é comemorado por quase todo o mundo. Em torno dEle, da Sua figura, as pessoas se reúnem e até discutem.
Discutem a respeito da Sua existência, do que fez, do que disse. Ele não escreveu nada, além de algumas palavras na areia, quando Lhe trouxeram uma mulher para ser julgada.
Contudo, a respeito dEle se escreveram milhares de obras. Sua fama correu o mundo. Sem dispor de títulos honoríficos ou diplomas universitários, o que disse constitui sabedoria e os que pautam a sua vida nas palavras dEle, encontram felicidade.
Escolheu colaboradores a dedo, entre pessoas simples, mas de boa formação e a eles chamou amigos, cultivando a amizade.
A Sua vida pública foi curta, quase três anos, mas muito polêmica. Ele falou a respeito de tudo, dizendo o que era certo, alertando para os erros, convidando as pessoas a pensarem a respeito do que viam, ouviam, não se permitindo simplesmente serem conduzidas como cegos sem direção.
A Sua tônica era o bom senso. Dócil, sabia utilizar a energia quando se fazia necessário. Amorável, distribuía amor aos que O buscavam.
Sempre esteve com o povo, ao lado do povo e Seu verbo era especial para cada um.
A pescadores, sabia falar de peixes e redes. Aos pastores, discursava sobre ovelhas, redil e a qualidade de bom pastor. Com as mulheres do povo, falava a respeito do fermento que leveda a massa, da preocupação que deveriam ter com seus filhos, com seu futuro.
A todos convidava a agir no bem, como receita de felicidade. Ensinava desprendimento, lecionando que a casa do Pai é de todos os filhos. E a casa do Pai é imensa. É o Universo.
Abraçou crianças e as tomou em Seu regaço. Deteve-Se a falar a um moço bom que se sentia insatisfeito e buscava algo mais para sua vida. Convidou-o a segui-lO.
Esclareceu o Doutor da lei que O procurou na calada da noite, para dissipar suas dúvidas e descerrou a ele e ao futuro, a revelação da vida que nunca morre, que se repete em tantas oportunidades até que o Espírito alcance a perfeição.
Comparou-Se ao pastor que conhece as Suas ovelhas e as protege. Comparou-Se ao amigo que dá a sua pela vida dos seus amigos. Aceitou para Si somente o título de Mestre.
Não permitiu que O chamassem bom, pois esta denominação é exclusiva do Pai, o Senhor do Universo.
Sempre respeitou as leis dos homens, mesmo que pudessem parecer tolas ou injustas. Pagou imposto no templo, exigência dos sacerdotes do Seu tempo.
Exortou para que se pagasse o imposto a César, exigência do mundo das coisas transitórias.
Sensível, entendeu a dor da viúva da cidade de Naim e porque descobrisse que o filho era portador de letargia, o convidou ao retorno à vida.
Em casa de Jairo, tocou-Lhe a filha que parecia morta e a devolveu ao regaço dos pais.
A Sua trajetória foi toda de luz. Nada exigia para Si, embora fosse a luz do mundo.
Dizia não ter de Seu sequer uma pedra para repousar a cabeça. Confiante, ensinava que o Pai Celeste que atendia as pequeninas aves, que não semeavam e nem colhiam, igualmente atenderia às necessidades de todos os Seus filhos.
Esteta, soube declamar poemas sobre a beleza da paisagem, enquanto ensinava que o homem é muito mais do que a erva do campo, que hoje é e amanhã é lançada ao fogo.
Que Deus, o Pai de amor, vestia os lírios do campo e assim também providenciaria o necessário para os Seus filhos, mais valiosos que as flores que emurchassem.
Ensinou que ninguém temesse a morte, porque todos são imortais e realizou a passagem desta para a vida espiritual, em oração:Pai, em Tuas mãos entrego Meu Espírito.
Retornou, glorioso, atestando a Imortalidade e, mostrando-Se aos Seus, permitiu que ouvissem Sua doce voz, outra vez a falar de paz e a afirmar: Tende bom ânimo. Eu venci o mundo.
Seu nome é Jesus. O filho de José e Maria. O filho de Deus, nosso Irmão e Mestre.

Redação do Momento Espírita.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Vejamos isso

“Porque o Cristo me enviou, não para batizar, mas para evangelizar;
não em sabedoria de palavras, para que a cruz do Cristo se não faça vã.”
I Coríntios, 1:17


Geralmente, quando encarnados, sentimos vaidoso prazer em atrair o maior número de pessoas para o nosso modo de crer.
Somos invariavelmente bons pregadores e eminentemente sutis na criação de raciocínios que esmaguem os pontos de vista de quantos nos não possam compreender no imediatismo da luta.
No primeiro pequeno triunfo obtido, tornamo-nos operosos na consulta aos livros santos, não para adquirir mais vasta iluminação e, sim, com o objetivo de pesquisar as letras humanas das divinas escrituras, buscando acentuar as afirmativas vulneráveis de nossos opositores.
Se católicos romanos, insistimos pela observância de nossos amigos à freqüência da missa e dos sacramentos materializados; se adeptos das igrejas reformadas, exigimos o comparecimento geral ao culto externo; e, se espiritistas, buscamos multiplicar as sessões de intercâmbio com o plano invisível.
Semelhante esforço não deixa de ser louvável em algumas de suas características, todavia, é imperioso recordar que o aprendiz do Evangelho, quando procura sinceramente compreender o Cristo, sente-se visceralmente renovado na conduta íntima.
Quando Jesus penetra o coração de um homem, converte-o em testemunho vivo do bem e manda-o a evangelizar os seus irmãos com a própria vida e, quando um homem alcança Jesus, não se detém, pura e simplesmente, na estação das palavras brilhantes, mas vive de acordo com o Mestre, exemplificando o trabalho e o amor que iluminam a vida, a fim de que a glória da cruz se não faça vã.

Emmanuel

Fonte oculta

Na atualidade do mundo, existem medicamentos que alienam as forças da mente, impelindo-as à prostração, mas não à tranquilidade real.
*
Os homens de hoje dispõem de máquinas que os auxiliam a ganhar tempo, mas não a calma, diante das provações que se lhes fazem necessárias.
*
Por outro lado, a fortuna amoedada, quando não dirigida para o trabalho edificante e para as realizações do bem ao próximo, é suscetível de estabelecer inquietações permanentes.
*
Na mesma ordem de pensamento, a força do poder, apesar das vantagens que é capaz de criar na vida comunitária, quase sempre, é um celeiro de ansiedades e incompreensões.
*
A paz, por isso, tão ardentemente anelada, é comparável a uma cobertura, entretecida com fragmentos de alegria, como sejam:
o retorno de uma pessoa querida, ausente desde muito;
o reajuste do equilíbrio orgânico;
o satisfação das dívidas pagas;
o abraço de um amigo;
uma carta, mensageira de reconforto;
alguns momentos de convívio com a Natureza;
a visão do azul no firmamento;
a presença de uma criança;
o sorriso de alguém;
o carinho de um animal que nos partilhe o ambiente;
os momentos de oração.
*
A paz que jamais se compra é uma luz anterior que nos clareia o caminho para o encontro do melhor que Deus nos reserva; entretanto, estejamos convencidos de que nas bases da consciência, em que a paz encontra nascedouro, jaz a fonte oculta da paciência.

(De “Confia e segue”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O Brilho do Natal


Brilha, de novo, o Natal de Jesus no mundo!
A manjedoura, a estrela, os pastores felizes.
Chega o Mestre trazendo novas diretrizes,
Enaltecendo o bem, o trabalho e o amor,
Ensina, cura e canta o subido valor
Do sal que à Terra empresta sabor profundo.
Brilha um novo Natal com seus novos matizes,
E a busca de Jesus pelo agasalho humano
Incansável prossegue, ainda que seja um pano
Como a mais sincera oferta dos corações.
Busca alcançar as almas, famílias, nações,
Onde a ventura possa, então, deitar raízes.
Brilha agora o Natal com pujante vigor,
Esparzindo esperanças na vida da gente,
Quando claudica a fé e a dor é renitente.
Convoca-nos, Jesus, à coragem sem jaça,
A mostrar que na Terra toda angústia passa
Para quem forja a fé nos empenhos do amor.
É que, esplêndido, o Natal brilha ano após ano,
Como sempre inspirando-nos benevolência,
Ao mesmo tempo a lhaneza e a doce paciência,
Para que junto ao lar ou no trabalho diário,
Noss'alma seja qual precioso relicário
Das blandícias do Céu em prol do ser humano.
Brilha o Natal, cada vez mais aconchegante,
A nos propor novos caminhos de prudência
Ante as mais graves decisões e, sem violência,
Tudo possamos resolver na luz do bem,
Seguindo assim, sem guardar mágoa de ninguém,
Bem junto à vibração de Jesus abençoante.
Brilha o Natal no imo da mais tosca choupana,
Como brilha no paço mais rico do mundo,
Para ensinar-nos, em verdade, que, no fundo,
Tem pouca importância a riqueza exterior,
Quando seguimos vinculados ao Senhor,
Cuja aura sublime todo o planeta irmana.
Ave, Senhor, ante o Teu berço recordado!
Ante Tua saga proclamada como um marco,
Diante do poderio humano, ingênuo e parco,
Que não resiste do tempo à força e à voragem.
Que o Teu augusto coração dê-nos coragem
De viver Teu Natal de íntimo renovado.
Brilha, de novo, o Natal de Jesus no mundo!
A manjedoura, a estrela e novas esperanças
De que aqui se implemente as sonhadas mudanças.
A Terra roga a Deus equilíbrio, equidade,
Pra viver sob a luz do amor e da verdade,
Cada dia, com Cristo, o Natal mais fecundo.

Raul Teixeira. Pelo Espírito Ivan de Albuquerque.

Cartão de Natal

Ao clarão do Natal, que em ti acorda a música da esperança, escuta a voz de alguém que te busca o ninho da própria alma!... Alguém que te acende a estrela da generosidade nos olhos e te adoça o sentimento, qual se trouxesses uma harpa de ternura escondida no peito.
Sim, é Jesus, o amigo fiel, que volta.
Ainda que não quisesses, lembrar-lhe-ias hoje os dons inefáveis, ao recordares as canções maternas que te embalaram o berço, o carinho de teu pai, ao recolher-te nos braços enternecidos, a paciência dos mestres que te guiaram na escola e o amor puro de velhas afeições que te parecem distantes.
Contemplas a rua, onde luminárias e cânticos lhe reverenciam a glória: entretanto, vergas-te ao peso das lágrimas que te desafogam o coração...É que ele te fala no íntimo, rogando perdão para os que erram, socorro aos que sofrem, agasalho aos que tremem na vastidão da noite, consolação aos que gemem desanimados e luz para os que jazem nas trevas.
Não hesites! Ouve-lhe a petição e faze algo! ... Sorri de novo para os que te ofenderam; abençoa os que te feriram; divide o famel com os irmãos em necessidade; entrega um minuto de reconforto ao doente; oferece uma fatia de bolo aos que moram, sozinhos, sob ruínas e pontes abandonadas; estende um lençol macio aos que esperam a morte, sem aconchego do lar; cede pequenina parte de tua bolsa no auxílio às mães fatigadas, que se afligem ao pé dos filhinhos que enlanguescem de fome, ou improvisa a felicidade de uma criança esquecida.
Não importa se diga que cultivas a bondade somente hoje quando o Natal te deslumbra!... Comecemos a viver com Jesus, ainda que seja por algumas horas, de quando em quando, e aprenderemos, pouco a pouco, a estar com ele, em todos os instantes, tanto quanto ele permanece conosco, tomando diariamente ao nosso convívio e sustentando-nos para sempre.

Pelo Espírito Meimei
Francisco Cândido Xavier. Antologia Mediúnica do Natal. Espíritos Diversos. FEB.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Sublime Natal

Aquele nascimento, nas especiais circunstâncias em que ocorreu, deveria assinalar, conforme sucedeu, o período de renovação humana e social, alterando, por definitivo, os fastos históricos.
Antes dele, o tumulto galopava o corcel da violência e a barbárie solucionava as disputas, favorecendo o perverso que elaborava as próprias leis.
É certo que, depois, por um largo período continuou predominando a força da estupidez e o desequilíbrio dos crimes hediondos na governança das nações.
Mergulhou, naquela oportunidade, Jesus, nas vestes humanas, a fim de conviver com os seres terrestres.
Ele, porém, dividiu as épocas, em face da significação de que se revestiu a Sua vida.
Renunciando ao sólio do Altíssimo, Ele entregou-se às atividades próprias daqueles que estagiavam nas faixas primárias da evolução moral.
Naquele período, a guerra alterava, a cada instante, o mapa terrestre; os impérios sucediam-se uns aos outros, reduzidos sempre a escombros após os breves períodos de esplendor, enquanto a crueldade se encarregava de estabelecer os seus impositivos.
Reduzidos à condição de animália de carga, os pobres e esquecidos nada representavam no cenário convulsionado em que reinavam os execrandos dominadores.
Os exércitos alucinados sucediam-se sob comandos perversos, varrendo o planeta conhecido e a tudo transformando.
Suas glórias de efêmera duração cediam lugar a sofrimentos inomináveis.
Os triunfadores de um dia logo cediam lugar a outros, não menos ensandecidos, posteriormente passando à servidão ou sendo consumidos por mortes vergonhosas...
Foi nesse clima que nasceu Jesus e um mundo novo se iniciou...
*
É certo que ainda vigem o abuso do poder, os crimes covardes, as dominações arbitrárias, a arrogância dos poderosos, o horror dos extermínios em massa, a crueza do terrorismo...
Nada obstante, as leis, mesmo que não cumpridas por enquanto, bafejadas pelas Suas diretrizes vêm-se humanizando, enquanto se alargam as possibilidades para a vigência do amor, da solidariedade, do respeito pelos direitos humanos e pela Natureza...
Desenvolveram-se os sentimentos da compaixão e o anjo da caridade passou a cuidar dos réprobos, dos oprimidos, dos considerados excluídos, que eram descartados sem consideração, tidos como peso negativo na economia da sociedade que os ignorava.
Certamente ainda ocorrem as lamentáveis execuções grupais, o olvido dos países miseráveis, o exclusivismo que se permite o poder... No entanto, periodicamente tomam forma humana estrelas espirituais fulgurantes em nome do Seu amor, iluminando as sendas sombrias, diminuindo a amargura generalizada e ensejando esperança e paz.
Sucede que a evolução é um processo muito lento, em razão das fixações perturbadoras que são trazidas das experiências primitivas.
A vinculação com a força predomina em a natureza humana durante muito tempo em detrimento dos valores morais, o que faz retardar a marcha do progresso.
Aquele nascimento insculpiu na memória dos tempos a grandeza do amor, então desconhecido ou ignorado.
Mediante os ensinamentos de Jesus, porém, ocorreram significativas alterações em favor do mais rápido desenvolvimento espiritual dos seres humanos.
A misericórdia, que era desconsiderada, passou a assinalar as consciências, ensejando visão diferente a respeito dos párias e dos deserdados.
Ele próprio entregou-se ao ministério de exemplificar, tomando-se a Sua vida um evangelho de feitos.
O Seu inefável amor renovou a face do planeta com a palavra libertadora, musical, severa e nobre.
Não amado, porfiou amando.
Não compreendido, manteve-se compreensível.
Não aceito, perseverou nos ensinamentos sublimes.
Jesus entre as criaturas humanas é o momento culminante no processo histórico da evolução.
Não mais se repetirão aquele nascimento, aqueles dias, aquelas bênçãos. Nem serão necessários, porquanto os acontecimentos permanecem indeléveis na consciência dos tempos idos, assinalando os porvindouros...
*
Estes são igualmente dias muito difíceis.
Durante a larga transição que se opera na Terra, atinge-se; neste momento, o ponto culminante das provações e dores acerbas, invitando à reflexão e à mudança de atitude comporta mental para melhor.
Não te desesperes em vão, se te sentes excruciado por problemas e dores.
Recorda-te de Jesus e deixa-te por Ele conduzir.
Na data evocativa do Seu nascimento, faze uma reflexão mais profunda e verifica se Ele já nasceu em teu coração.
Após a constatação da Sua presença ou não em ti, sai do desconforto moral ou da comodidade, da indiferença ou do erro e deixa que este seja um sublime Natal em tua vida, passando a viver feliz e dedicado ao Bem de que Ele se fez vexilário.

Divaldo Pereira Franco. Pelo Espírito Joanna de Ângelis.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

“E projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu
um anjo do Senhor, dizendo: – José, filho de David,
não temas receber a Maria.”– Mateus 1:20


Em geral, quando nos referimos aos vultos masculinos que se movimentam na tela gloriosa da missão de Jesus, atendemos para a precariedade dos seus companheiros, fixando, quase sempre, somente os derradeiros quadros de sua passagem no mundo.
É preciso, porém, observar que, a par de beneficiários ingratos, de ouvintes indiferentes, de perseguidores cruéis e de discípulos vacilantes, houve um homem integral que atendeu a Jesus, hipotecando-lhe o coração sem macula e a consciência pura.
José da Galileia foi um homem tão profundamente espiritual que seu vulto sublime escapa às analises limitadas de quem não pode prescindir do material humano para um serviço de definições.
Já pensaste no cristianismo sem ele?
Quando se fala excessivamente em falência das criaturas, recordemos que houve tempo em que Maria e o Cristo foram confiados pelas Forças Divinas a um homem.
Entretanto, embora honrado pela solicitação de um anjo, nunca se vangloriou de dádiva tão alta.
Não obstante contemplas a sedução que Jesus exercia sobre os doutores, nunca abandonou a sua carpintaria.
O mundo não tem outras notícias de suas atividades senão aquelas de atender às ordenações humanas, cumprindo um édito de César e as que no-lo mostram no templo e no lar, entre a adoração e o trabalho.
Sem qualquer situação de evidencia, deu a Jesus tudo quanto podia dar.
A ele deve o cristianismo à porta da primeira hora, mas José passou no mundo dentro do divino silêncio de Deus.

Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier
Livro: Levantar e Seguir

Natal Sempre

Grande ESTRELA no Oriente aparece ...
"Jesus nasceu!..." - Diz o povo em surdina.
Era a confirmação da Palavra Divina.
Não existe em Belém quem não a reconhece.
Maria ouve a canção, entrando em prece...
Outras vozes recordam cavatinas...
Tudo esperança e paz... E Jesus cresce.
Perdão e amor são altas diretrizes
Nas quais abraça e ampara
Aos pobres e infelizes,
Incluindo seus próprios detratores...
Mas no sangue da Cruz nobre e fecundo,
Nascem novas cidades para o Mundo.
E o caminho do Mestre abre-se em flores.

Francisco Cândido Xavier.
Pelo Espírito Maria Dolores

The Commodores

Zoom

Prece do Natal

Senhor Jesus!
Conhecemos os teus ensinamentos.
Auxilia-nos a cumpri-los.
Guardamos as tuas palavras.
Ampara-nos, a fim de que venhamos a traduzi-las em trabalho, no serviço aos
semelhantes.
Legaste-nos o amor uns aos outros, por legenda da própria felicidade.
Guia-nos à prática dessa lição bendita, de maneira a que o nosso dia-a-dia
se faça caminho de fraternidade e luz.
Senhor!.. Disseste-nos:- "dou a vós outros a minha paz" e tens mantido a tua
promessa, através de todos os séculos da vida cristã.
Inspira-nos, por misericórdia, o respeito e a fidelidade aos teus desígnios
para que não venhamos a perder a paz que nos deste, com a intromissão de
nossos caprichos, na paz que nos vem de Deus.
Assim seja.

Francisco Cândido Xavier.
Ação e Caminho.
Pelo Espírito Emmanuel

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Mensagem do dia:



Mercy, Mercy Me

Daryl hall & John Oates

Nós devemos

“Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto
a sábios como a ignorantes.” Romanos 1:14


De que natureza seria o debito de Paulo quando sabemos que o doutor dos gentios foi humilde tecelão para ganhar o sustento próprio até o fim de sua passagem apostólica, sem ser pesado a ninguém?
Sua afirmativa, no entanto, constitui lição de elevada substancia para todos os espíritos que receberam alguma cousa das verdades poderosas e eternas.
Quem alcançou a felicidade de compreender o ensinamento do Cristo ou de seus emissários recebe um sagrado deposito em valores imortais.
E é justo que quem saiba se constitua em devedor de quem ignora, quem tenha se reconheça como devedor de quem não possua.
No ato de ensinar ou de proporcionar reside, porém, uma das grandes situações desse mecanismo de realização do pagamento.
Ninguém aprenderá entre irritações, nem aproveitará quando a dádiva favoreça os desvios da consciência.
O Cristão sincero, portanto, encontrará um meio de convencer sem muitas discussões e um recurso para beneficiar a outrem sem a cooperação mecânica das possibilidades financeiras, de modo absoluto.
A palavra do amigo do gentilismo renova os conceitos de luta das convicções.
Dentro de seu quadro, Nero não mais seria apontado como perseguidor dos mártires, mas como necessitado da luz que os mártires cristãos possuíam.
Esta é uma consoladora verdade que encherá a alma dos aprendizes fiéis de compreensões generosas.
Quando encontres alguém no mundo, com os títulos de ignorantes ou de sábio da Terra, que te assalte com ironias, faze-lhe algum bem, por amor a Cristo, saldando a tua dívida.
E além de tudo, considera a tua felicidade, porque podes seguir para Jesus, enquanto o infeliz ainda permanece no mundo da sombra.

Emmanuel

Natal de amor

Jesus transcende tudo quanto a Humanidade jamais conheceu e estudou.
Personalidade singular tem sido objeto de aprofundadas pesquisas através dos tempos, permanecendo, no entanto, muito ignorado.
Amado por uns e detestado por outros, conseguiu cindir o pensamento histórico, estabelecendo parâmetros de felicidade dantes jamais sonhada, que passaram a constituir metas desafiadoras para centenas de milhões de vidas.
Podendo ter disputado honrarias e destaques na comunidade do Seu tempo, elegeu uma gruta obscura para iluminá-Ia com o Seu berço de palha e uma cruz hedionda para despedir-se do convívio com as criaturas em Sua breve existência, na qual alterou totalmente as paisagens culturais do planeta.
Vivendo pobremente, em uma cidade sem qualquer significado social ou econômico, demonstrou que a inteligência e a sabedoria promanam do Espírito e não dos fatores hereditários, ambientais, educacionais, que podem contribuir para o seu desdobramento, nunca, porém, para a sua gênese.
Movimentando-se entre multidões sequiosas de orientação, numa época de inconcebíveis preconceitos de todo gênero, elegeu sempre os indivíduos mais detestados, combatidos, perseguidos, excluídos, sem que abandonasse aqueles que se encontrava em patamares mais elevados na ribalta dos valores terrestres.
Portador de incomum conhecimento da vida e das necessidades humanas, falava pouco, de forma que todos lhe apreendessem os ensinamentos e os incorporassem ao cotidiano, sem preocupar-se com os formalismos existentes.
Utilizando-se de linguagem simples e de formosas imagens que eram parte do dia-a-dia de todas as criaturas, compôs incomparáveis sinfonias ricas de esperanças e de bênçãos que prosseguem embalando o pensamento após quase dois mil anos desde quando foram apresentadas.
Nunca se permitiu uma conduta verbal e outra comportamental diferenciadas. Todos os Seus ditos encontram-se confirmados pelos Seus feitos.
Compartilhando da companhia dos párias, não se fez miserável; atendendo aos revoltados, nunca se permitiu rebelião; participando das dores gerais, manteve-se em saudável bem-estar que a todos contagiava.
Jovial e alegre cantava os Seus hinos à vida e a Deus, sem nunca extravasar em gritaria, descompasso moral ou vulgaridade de conduta.
Amando, sem cessar, preservou o respeito por todos os seres vivos, especialmente dignificando a mulher, que sempre foi exprobrada, incompreendida, explorada, perseguida, humilhada...
Ergueu os combalidos, sem maldizer aqueles que os abandonavam.
Socorreu os infelizes, jamais condenando os responsáveis pelas misérias sociais e econômicas do Seu tempo.
... E mesmo quando abandonado, escarnecido, julgado e condenado sem culpa, manteve a dignidade incomparável que Lhe assinalava a existência, não repartindo com ninguém Suas dores e o holocausto a que se submeteu.
*
Jesus é mais do que um símbolo para a Humanidade de todos os tempos.
Mudaram as paisagens sociais e culturais no transcurso dos séculos, enquanto os indivíduos da atualidade continuam mais ou menos semelhantes àqueles do Seu tempo.
A dor prossegue jugulando ao seu eito as vidas que estorcegam em sua crueza; o orgulho enceguece vidas; o egoísmo predomina nos relacionamentos e interesses sociais; a violência dilacera as esperanças; o crime campeia à solta, e o ser humano parece descoroçoado, sem rumo.
Doutrinas salvacionistas surgem e desaparecem, propostas revolucionárias são apresentadas cada dia e sucumbem sob os camartelos dos desequilíbrios, filosofias multiplicam-se e generaliza-se a loucura dizimando as vidas que Ihes tombam nas armadilhas soezes...
Jesus, no entanto, permanece o mesmo, aguardando aqueles que O queiram seguir.
Uns adulteraram-Lhe as palavras, outros tentam atualizá-lO, mesclando Sua austeridade com a insensatez que vige em toda parte, procurando assim confundir a Sua alegria com a alucinação dos sentidos exaltados pelo sexo em desalinho, e, não obstante, nada macula Suas lições, nem diminui de intensidade a Sua proposta libertadora.
Educador por excelência despertava o interesse dos Seus ouvintes, mantendo diálogos repassados de incomum habilidade psicológica, de forma a penetrar no âmago dos problemas existenciais, sem permitir-se reproche ou desdém.
Psicoterapeuta excepcional identificava os conflitos sem que se fizesse necessária a verbalização por parte do enfermo, auxiliando-o a dignificar-se e liberar-se da injunção perturbadora em clima de verdadeira fraternidade.
Os poucos anos do Seu ministério, todavia, assinalaram a História com luzes que jamais se apagarão e continuarão apontando rumos para o futuro.
*
Por tudo isso, o Natal de Jesus é sempre renovador convite a uma releitura da Sua mensagem, a novas reflexões em torno das Suas palavras de luz, à revivescência dos Seus projetos de amor para com a Humanidade.
A alegria que deve dominar aqueles que O amam, evocando o Seu berço, ao invés de ser estrídula e agitada, há de espraiar-se como contribuição para diminuir as aflições e modificar as estruturas carcomidas da sociedade atual, trabalhando-as de forma a propiciar felicidade, oportunidade de trabalho, de dignificação, de saúde e de educação para todas as pessoas.
Distende, portanto, em homenagem ao Seu nascimento, a tua quota de amor a todos quantos te busquem, de forma que eles compreendam a qualidade e o elevado padrão do teu relacionamento espiritual com Ele, interessando-se também por vincular-se a esse Amigo de todas as horas.
Não desperdices a oportunidade de demonstrar que o Natal de Jesus é permanente compromisso de amor entre os Céus e a Terra através d’Ele, que se fez a ponte entre os homens e Deus, e que continua vigilante e amigo pronto para ajudar e conduzir todos aqueles que desejem a plenitude.

Divaldo Pereira Franco. Pelo Espírito Joanna de Ângelis.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Coisas invisíveis

“Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu
eterno poder como a sua divindade se estendem e claramente se vêem pelas
coisas que estão criadas.” — Romanos 1:20


Na epístola aos romanos, Paulo afirma que o justo viverá pela fé.
Não poucos aprendizes interpretaram erradamente a assertiva. Supuseram que viver pela fé seria executar rigorosamente as cerimônias exteriores dos cultos religiosos.
Frequentar os templos, harmonizar-se com os sacerdotes, respeitar a simbologia sectária, indicariam a presença do homem justo. Mas nem sempre vemos o bom ritualista aliado ao bom homem. E, antes de tudo, é necessário ser criatura de Deus, em todas as circunstâncias da existência.
Paulo de Tarso queria dizer que o justo será sempre fiel, viverá de modo invariável, na verdadeira fidelidade ao Pai que está nos céus.
Os dias são ridentes e tranquilos? Tenhamos boa memória e não desdenhemos a moderação. São escuros e tristes? Confiemos em Deus, sem cuja permissão a tempestade não desabaria. Veio o abandono do mundo? O Pai jamais nos abandona. Chegaram as enfermidades, os desenganos, a ingratidão e a morte?
Eles são todos bons amigos, por trazerem até nós a oportunidade de sermos justos, de vivermos pela fé, segundo as disposições sagradas do Cristianismo.

Emmanuel

Orando no Natal

Senhor!

Enquanto vibram as emoções festivas e muitos homens se banqueteiam, evocando aquele Natal que Te trouxe à Terra, recolhemo-nos em silêncio para orar.
Há tanta dor no mundo Senhor!
Os canhões calam os seus troares, momentaneamente, as bombas destruidoras cessam de cair por alguns instantes, nos países em guerra, enquanto nós oramos
. pelos que mercantilizam vidas, fomentando conflitos e beligerâncias outras; pelos que escorcham as populações esfaimadas sob leis impiedosas e escravizantes;
. pelos que se comprazem, como se fossem abutres em forma humana, com a renda nefanda das casas do comércio carnal; pêlos que exploram os vícios e acumulam usuras com o fruto da alucinação de obsidiados ignorantes da própria enfermidade;
. pelos que malsinam moçoilas e rapazotes inexperientes, deslumbrados com o fastígio mentiroso da ilusão; pelos que difundem a literatura perversa e favorecem a divulgação da criminalidade;
. pelos que fazem enlouquecer, através dos processos escusos, decorrentes da cultura que perverte mentes e corações;
. pelos que se locupletam com as moedas adquiridas mediante o infanticídio hediondo;
. pelos que dormem para a dignidade e sorriem nos pesadelos do torpor moral, que os invadem! Senhor!
Diante das crianças tristonhas e dos velhinhos estropiados, dos enfermos ao abandono e dos atormentados à margem da sociedade, lembramo-nos de rogar por todos eles, mas não nos esquecemos de Te suplicar pelos causadores da miséria e do infortúnio.
"Não sabem o que fazem!" - perdoa-os Senhor!
Neste Natal, evocando o momento em que as Altas Esferas seguiram contigo à Terra, até o singelo recinto de animais, para o Teu mergulho na névoa dos homens, espace, novamente, misericórdia e esperança para todos, a fim de que o Ano Novo seja, para sofredores e responsáveis pelo sofrimento, a antemanhã da Era do Espírito Imortal de que Te fizeste paradigma após o martírio da Cruz.

Livro: Celeiro de Bênçãos
Joanna de Ângelis / Divaldo P. Franco


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Emmanuel - Dívidas

Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes
Romanos, 1:14


O Apóstolo da Gentilidade frisou claramente a sua condição de legítimo devedor de todos e essa condição e a de qualquer outro ser da comunidade humana.
A criatura em si, não e apenas a soma das próprias realizações, mas também o produto de débitos inumeráveis para com o grupo a que pertence.
Cada um deve incalculáveis tributos às almas com quem convive.
Não nos esqueçamos de que vivemos empenhados a boa vontade dos corações amigos…
A sabedoria dos mais experientes…
Ao carinho dos companheiros próximos…
Ao apoio e ao estimulo dos familiares…
Aos nobres impulsos das relações fraternais…
Portanto, pelo reconhecimento das nossas dívidas comuns, provamos a real inconsequência do orgulho e da vaidade em qualquer coração e a impraticabilidade do insulamento em nosso passo evolutivo.
A dívida importa em compromisso e compromisso significa resgate natural ou compulsório.
Todos somos devedores uns dos outros.
Se ainda alimentas algum laivo de superioridade egoística, à frente dos semelhantes, lembra-te das dívidas numerosas, que ainda não saldaste, a começar pelo próprio instrumento físico que te foi emprestado temporariamente.

Que buscais?

“E Jesus, voltando-se e vendo que eles o seguiam, disse-lhes: Que buscais?”
(JOÃO, 1: 38)


A vida em si é conjunto divino de experiências.
Cada existência isolada oferece ao homem o proveito de novos conhecimentos. A aquisição de valores religiosos, entretanto, é a mais importante de todas, em virtude de constituir o movimento de iluminação definitiva da alma para Deus.
Os homens, contudo, estendem a esse departamento divino a sua viciação
de sentimentos, no jogo inferior dos interesses egoísticos.
Os templos de pedra estão cheios de promessas injustificáveis e de votos absurdos.
Muitos devotos entendem encontrar na Divina Providência uma força subornável, eivada de privilégios e preferências. Outros se socorrem do plano espiritual com o propósito de solucionar problemas mesquinhos.
Esquecem- se de que o Cristo ensinou e exemplificou.
A cruz do Calvário é símbolo vivo.
Quem deseja a liberdade precisa obedecer aos desígnios supremos. Sem a compreensão de Jesus, no campo íntimo, associada aos atos de cada dia, a alma será sempre a prisioneira de inferiores preocupações.
Ninguém olvide a verdade de que o Cristo se encontra no umbral de todos os templos religiosos do mundo, perguntando, com interesse, aos que entram: “Que buscais?”

Emmanuel

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O Conquistador Diferente

Os conquistadores aparecem no mundo, desde as recuadas eras da selvageria primitiva. E, há muitos séculos, postados sem soberbos carros de triunfo, exibem troféus sangrentos e abafam, com aplausos ruidosos, o cortejo de misérias e lágrimas que deixam à distância. Sorridentes e felizes, aceitaram as ovações do povo e distribuem graças e honrarias, cobertos de insígnias e incensados pelas frases lisonjeiras da multidão. Vasta fileira de escritores congrega-se-lhes em torno, exaltando-lhes as vitórias no campo de batalha. Poemas épicos e biografias romanceadas surgem no caminho, glorificando-lhes a personalidade que se eleva, perante os homens falíveis, à dourada galeria dos semideuses.
Todavia, mais longe, na paisagem escura, onde choram os vencidos, permanecem as sementeiras de dor que aguardarão os improvisados heróis na passagem implacável do tempo. Muitas vezes, contudo, não chegam a conduzir para o túmulo as medalhas que lhes brilham no peito dominador, porque a própria vida humana se incumbe de esclarece-los, através das sombras da derrota, dos espinhos da enfermidade e das amargas lições da morte.
Dario, filho de Histaspes, reis dos persas, após fixar o poderio dos seus exércitos, impôs terríveis sofrimentos à Índia, a Trácia e à Macedônia, conhecendo, em seguida, a amargura e a derrota, à frente dos gregos.
Alexandre Magno, por tantos motivos admirado na história do mundo, titulou-se generalíssimo dos helenos, em plena mocidade e, numa série de movimentos militares que o celebrizaram para sempre, infligiu inomináveis padecimentos aos lares gregos, egípcios e persas; todavia, apesar das glórias bélicas com que desafiava cidades e guerreiros, fazendo-se acompanhar de incêndios e morticínios, rendeu-se à doença que lhe imobilizou os ossos em Babilônia.
Aníbal, o grande chefe cartaginês, espalhou o terror e a humilhação entre os romanos, em sucessivas ações heroicas que lhe imortalizaram o nome, na crônica militar do Planeta; contudo, em seguida à bajulação dos aduladores e à falsa concepção de poder, foi vencido por Cipião, transformando-se num foragido sem esperança, suicidando-se, por fim, num terrível complexo de vaidade e loucura.
Júlio César, o famoso general que pretendia descender de Vênus e de Anquises, constitui um dos maiores expoentes do engenho humano; submeteu a Gália e desbaratou os adversários em combates brilhantes, governando Roma, na qualidade de magnífico triunfador; no entanto, quando mais se lhe dilatava a ambição, o punhal de Bruto, seu protegido e comensal, assassinou-o, sem comiseração, em pleno Senado.
Napoleão Bonaparte, o imperador dos franceses, depois de exercer no mundo uma influência de que raros homens puderam dispor na Terra, morre, melancolicamente, numa ilha apagada, ao longo da vastidão do mar.
Ainda hoje, os conquistadores modernos, depois dos aplausos de milhões de vozes, após a dominação em que se fazem sentir, magnânimos para os seus amigos e cruéis para os adversários, espalhando condecorações e sentenças condenatórias, caem ruidosamente dos pedestais de barro, convertendo-se em malfeitores comuns, a serem julgados pelas mesmas vozes que lhes cantavam louvores na véspera.
Todos eles, dominadores e tiranos, passam no mundo, entre as púrpuras do poder, a caminho os mistérios do sofrimento e dos desencantos da morte. Em verdade, sempre deixam algum bem no campo das relações humanos, pelas novas estradas abertas e pelas utilidades da civilização, cujo aparecimento aceleram; todavia, o progresso amaldiçoa-lhes a personalidade, porque as lágrimas das mães, os soluços dos lares desertos, as aflições da orfandade, a destruição dos campos e o horror da natureza ultrajada, acompanham-nos, por toda parte, destacando-os com execráveis sinais.
Um só conquistador houve no mundo, diferente de todos pela singularidade de sua missão entre as criaturas. Não possuía legiões armadas, nem poderes políticos, nem mantos de gala. Nunca expediu ordens e soldados, nem traçou programas de dominação. Jamais humilhou e feriu. Cercou-se de cooperadores aos quais chamou "amigos". Dignificou a vida familiar, recolheu crianças desamparadas, libertou os oprimidos, consolou os tristes e sofredores, curou cegos e paralíticos. E, por fim, em compensação aos seus trabalhos, levados a efeito com humildade e amor; aceitou acusações para que ninguém as sofresse, submeteu-se à prisão para que outros não experimentassem a angústia do cárcere, conheceu o abandono dos que amava, separou-se dos seus, recebeu, sem revolta, ironias e bofetadas, carregou a cruz em que foi imolado e na sua morte passou por ser a de um ladrão.
Mas, desde a última vitória no madeiro, tecida em perdão e misericórdia, consolidou o seu infinito poder sobre as almas, e, desde esse dia, Jesus Cristo, o conquistador diferente, começou a estender o seu divino império no mundo, prosseguindo no serviço sublime da edificação espiritual, no Oriente e no Ocidente, no Norte e no Sul, nas mais cariadas regiões do Planeta, erguendo uma Terra aperfeiçoada e feliz, que continua a ser construída, em bases de amor e concórdia, fraternidade e justiça, acima da sombria animalidade do egoísmo e das ruínas geladas da morte.

Pelo Espírito Irmão X
Francisco Cândido Xavier. Antologia Mediúnica do Natal. Espíritos Diversos.

Evocação do Natal

O maior de todos os conquistadores, na face da Terra, conhecia, de antemão, as dificuldades do campo em que lhe cabia operar.
Estava certo de que entre as criaturas humanas não encontraria lugar para nascer, à vista do egoísmo que lhes trancava os corações; no entanto, buscou-as, espontâneo, asilando-se no casebre dos animais.
Sabia que os doutores da Lei ouvi-lo-íam indiferentes, com respeito aos ensinamentos da vida eterna de que se fazia portador; contudo, entregou-lhes, confiante, a Divina Palavra.
Não desconhecia que contava simplesmente com homens frágeis e iletrados para a divulgação dos princípios redentores que lhe vibravam na plataforma sublime, e abraçou-os, tais quais eram.
Reconhecia que as tribunas da glória cultural de seu tempo se lhe mantinham cerradas, mas transmitiu as boas novas do Reino da Luz à multidão dos necessitados, inscrevendo-as na alma do povo.
Não ignorava que o mal lhe agrediria as mãos generosas pelo bem que espalhava; entretanto, não deixou de suportar a ingratidão e a crueldade, com brandura e entendimento.
Permanecia convicto de que as noções de verdade e amor que veiculava levantariam contra ele as matilhas de perseguição e do ódio; todavia, não desertou do apostolado, aceitando, sem queixa, o suplício da cruz com que lhe sufocavam a voz.
É por isso que o Natal não é apenas a promessa da fraternidade e da paz que se renova alegremente, entre os homens, mas, acima de tudo, é a reiterada mensagem do Cristo que nos induz a servir sempre, compreendendo que o mundo pode mostrar deficiências e imperfeições, trevas e chagas, mas que é nosso dever amá-lo e ajudá-lo mesmo assim.

Pelo Espírito Emmanuel
Francisco Cândido Xavier. Antologia Mediúnica do Natal.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Citações...


*"Não é o tamanho do cachorro na luta, mas o tamanho da luta no cachorro".
(Archie Griffin)

*"Os cães são o nosso elo com o paraíso. Eles não conhecem a maldade, a inveja ou o descontentamento. Sentar-se com um cão ao pé de uma colina numa linda tarde, é voltar ao Éden onde ficar sem fazer nada não era tédio, era paz".
(Milan Kundera)

*"Cães amam seus amigos e mordem seus inimigos, bem diferente das pessoas, que são incapazes de sentir amor puro e têm sempre que misturar amor e ódio em suas relações". (Sigmund Freud)

*"Ninguém pode se queixar da falta de um amigo, podendo ter um cão".
(Marquês de Maricá)

*"Se você pega um cachorro faminto e o torna próspero, ele não morderá você. Esta é a principal diferença entre um cachorro e um homem".
(Mark Twain)

*"Felizes os cães, que pelo faro descobrem os amigos".

Na Glória do Cristo

Se entre as vidas magnificentes da Terra uma existe, na qual a mediunidade comparece com todas as características, essa foi a vida gloriosa do Cristo.
Surge o Evangelho do contacto entre dois mundos.
Zacarias, o sacerdote, faz-se clarividente de um instante para outro e vê um mensageiro espiritual que se identifica pelo nome de Gabriel, anunciando-lhe o nascimento de João Batista.
O mesmo Gabriel, na condição de embaixador celestial, visita Maria de Nazaré e saúda-Ihe o coração lirial, notificando-lhe a maternidade sublime.
Nasce, então, Jesus sob luzes e vozes dos Espíritos Superiores.
Usando o magnetismo divino que lhe é próprio, o Excelso Benfeitor transforma a água em vinho, nas bodas de Caná.
Intervém nos fenômenos obsessivos de variada espécie, nos quais as entidades inferiores provocam desajustes diversos, seja na alienação mental do obsidiado de Gadara ou na exaltação febril da sogra de Pedro.
Levanta corpos cadaverizados e regenera as forças vitais dos enfermos de todas as procedências.
Apazigua elementos desordenados da Natureza e multiplica alimentos para as necessidades do povo.
Sonda os ideais mais íntimos da filha de Magdala, quanto lê na samaritana os pensamentos ocultos.
Conversa, Ele mesmo, com desencarnados ilustres, no cimo do Tabor, ante os discípulos espantados.
Avisa a Pedro que Espíritos infelizes procurarão induzi-lo à queda moral, e faz sentir a Judas que não desconhece a trama de sombras de que o apóstolo desditoso está sendo vítima.
Ora no horto, antes da crucificação, assinalando a presença de enviados divinos.
E, depois da morte, volta a confabular com os amigos, fornecendo-lhes instruções quanto ao destino da Boa Nova.
Reaparece, plenamente materializado, diante dos aprendizes, no caminho de Emaús, e, mais tarde, em Espírito, procura Saulo de Tarso, nas vizinhanças de Damasco, para confiar-lhe elevada missão entre os homens.
E porque o jovem perseguidor do Evangelho nascente se mostre traumatizado, ante o encontro imprevisto, busca Ele próprio a cooperação de Ananias para socorrer o novo companheiro dominado de assombro.
É inútil, assim, que cristãos distintos, nesse ou naquele setor da fé, se reúnam para confundir respeitosamente a mediunidade em nome da metapsíquica ou da parapsicologia - que mais se assemelham a requintados processos de dúvida e negação -, porque ninguém consegue empanar os fatos mediúnicos da vida de Jesus, que, diante de todas as religiões da Terra, permanece por Sol indiscutível, a brilhar para sempre.

Pelo Espírito Emmanuel
Francisco Cândido Xavier. Antologia Mediúnica do Natal. Espíritos Diversos. FEB.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Indagação de Natal

"Pensa no bem e banha-te com a luz do amor.”
Joanna de Ângelis


A soberania das nações esfacelava-se sob o vigor das tropas que as submetiam à condição de vergonha.
Os tronos, erguidos sobre os cadáveres do passado, ruíam em escombros que sepultavam outras vidas.
O predomínio da força transferia as rédeas do poder de umas para outras mãos mais vigorosas, enquanto a alucinação sanguissedenta devorava as mais belas florações do sentimento humano.
Os bárbaros, que se destacavam pela violência e se notabilizavam pelo vigor das glórias conseguidas nos campos de batalha, escravizavam os filósofos.
A espada silenciava o pensamento.
O direito da força predominava, estiolando a grandeza do direito à vida, ao amor, à fraternidade.
A liberdade fizera-se apanágio dos poderosos, que se compraziam em vilipendiar e destruir, violando todas as conquistas do gênero humano.
O medo abraçava a bajulação, e a urdidura da intriga e do crime selecionava aqueles que tinham o direito à vida e ao gozo, sempre, no entanto, transitórios, de alto preço.
É nesse clima sócio-político-moral que nasceu Jesus.
Em pleno fastígio do império de Augusto, Ele surge no silêncio de uma noite fria e inicia a Era da Paz.
Com Ele surgem a esperança e a liberdade, os direitos humanos e a glória da imortalidade.
Quando alcança a idade da razão, altera a marcha da História e insculpe, nos metais das vidas, os indestrutíveis símbolos do amor e da felicidade.
Instala o reinado da ternura e estabelece a diretriz do perdão, como elementos indispensáveis à vivência ditosa.
Protótipo da coragem, faz-se Homem Integral e Cósmico, ensinando a resistência ao mal e a utilização da humildade em detrimento da opressão e da soberba da violência.
Liberta todos aqueles que O buscam, mesmo que aparentemente estejam submissos e escravizados.
Jesus é o Herói de todas as batalhas, que verte suor e sangue, doando-se em holocausto vivo, que abala a consciência dos tempos.
*
Estes são outros tempos, não muito diferentes daqueles, os tempos nos quais Ele nasceu.
Há também predomínio da força e esmagamentos dos ideais, ganância e loucura nos quais os homens se locupletam, vitimados em si mesmos.
Não obstante, há glórias do amor e do sacrifício, da abnegação e da renúncia.
Milhões de vidas que se estiolam na fome, na miséria moral e econômica, aguardam que Jesus volte a nascer, a fim de poderem respirar e viver, adquirindo a dignidade que lhes tem sido negada pelos enganados-enganadores, ora guindados ao poder temporal.
Imprescindível que cada homem se pergunte o que tem sido feito em favor de si mesmo, no sentido da sua realidade eterna e em relação ao seu próximo.
Não seria o momento próprio para que, por tua vez te indagues se Jesus já nasceu no teu coração e cresceu na tua vida, alterando as tuas e as estruturas da sociedade para melhor?
Se tal ainda aconteceu, utiliza-te deste Natal e deixa-O renascer nas paisagens do teu mundo íntimo, a fim de que o reino de paz tenha início, de imediato, no país do teu coração, alargando-se por toda a Terra, e gerando o clima de felicidade para todos.

Divaldo Pereira Franco. Vigilância.
Pelo Espírito Joanna de Ângelis.


Jesus para o Homem

"E achado em forma como homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte de cruz". - Paulo (Fillipenses, 2:8).

O Mestre desceu para servir.
Do esplendor à escuridão...
Da alvorada eterna à noite plena...
Das estrelas à manjedoura...
Do infinito à limitação...
Da glória à carpintaria...
Da grandeza à abnegação...
Da divindade dos anjos à miséria dos homens...
Da companhia de gênios sublimes à convivência dos pecadores...
De governador do mundo a servo de todos...
De credor magnânimo a escravo...
De benfeitor a perseguido...
De salvador a desamparado...
De emissário do amor à vítima do ódio...
De redentor dos séculos a prisioneiro das sombras...
De celeste pastor à ovelha oprimida...
De poderoso trono à cruz do martírio...
Do verbo santificante ao angustiado silêncio...
De advogado das criaturas a réu sem defesa...
Dos braços dos amigos ao contacto de ladrões...
De doador da vida eterna a sentenciado no vale da morte...
Humilhou-se e apagou-se para que o homem se eleve e brilhe para sempre!
Oh! Senhor, que não fizeste por nós, a fim de aprendermos o caminho da Gloriosa Ressurreição no Reino?

Pelo Espírito Emmanuel
Francisco Cândido Xavier. Antologia Mediúnica do Natal. Espíritos Diversos. FEB. Capítulo 1.


domingo, 9 de dezembro de 2012

Encontro de Natal

Recolhes as melodias do Natal, guardando o pensamento engrinaldado pela ternura de harmoniosa canção.
Percebes que o céu te chama a partilhar os júbilos da exaltação do Senhor nas sombras do mundo.
Entretanto, misturada ao regozijo que te acalenta a esperança, carregas a névoa sutil de recôndita angústia, como se trouxesses no peito um canteiro de rosas orvalhado de lágrimas!...
É que retratas no espelho da própria emoção o infortúnio de tantos outros companheiros que foram inutilmente convidados para a consagração da alegria. Levantaste no lar a árvore da ventura doméstica, de cujos galhos pendem os frutos do carinho perfeito, entretanto, não longe, cambaleiam seguidores de Jesus, suspirando por leve proteção que os resguarde contra o frio da noite; banqueteias-te, sob guirlandas festivas, mas, a poucos passos da própria casa, mães e crianças desprotegidas, aguardando o socorro de Cristo, enlanguecem de fadiga, e necessidade; repetes hinos comovedores, tocados pela serena beleza que dimana dos astros, entretanto, nas vizinhança, cooperadores humildes do Mestre, choram cansados de penúria e aflição; abraças os entes queridos, desfrutando excesso de conforto, contudo, à pequena distância, esmorecem amigos de Jesus, implorando que Ihes dê a benção de uma prece e o consolo de uma palavra afetuosa, nas grades dos manicômios ou no leito dos hospitais...
Sim, quando refletes na glória da Manjedoura, sentes, em verdade, a presença do Cristo no coração!
Louva as doações divinas que te felicitam a existência, mas não te esqueças de que o Natal é o Céu que se reparte com a Terra, através do eterno amor que se derramou das estrelas.
Agradece o dom inefável da paz que volta, de novo, enriquecendo-te a vida, mas divide a própria felicidade, realizando, em nome do Senhor, a alegria de alguém!...

Pelo Espírito Meimei
XAVIER, Francisco Cândido. O Espírito da Verdade. FEB.


sábado, 8 de dezembro de 2012

Mensagem do dia:



Algo por eles neste natal

Compadece-te de todos aqueles que não podem ou não sabem esperar. Estão eles em toda parte...
Quase sempre são vítimas da inquietação e do medo. Observa quantos já transpuseram as linhas da própria segurança.
São casais que não se toleram nas primeiras rusgas do matrimônio e desfazem a união em que se compromissaram, abraçando riscos pelos quais, em muitas circunstâncias, cedo se encaminham para sofrimento maior; são mães que rejeitam os filhos que carregam no seio, entregando-se à prática do aborto, recusando a presença de criaturas que se lhes fariam instrumentos de redenção e reconforto no futuro, caindo, às vezes, em largas faixas de doença ou desequilíbrio; são homens que repelem os problemas inerentes às tarefas que lhes dizem respeito, escapando para situações duvidosas, sob a alegação de que procuram distração e repouso, quando apenas estão dilapidando a estabilidade das obras que, mais tarde, lhes propiciariam refazimento e descanso;são amigos doentes ou desesperados que se rebelam contra os supostos desgostos da vida e se inclinam para o suicídio, destruindo os recursos e oportunidades que transportariam para a conquista da vitória e da paz em si mesmos;são jovens, famintos de liberdade e prazer que, impedidos naturalmente do acesso a satisfações imediatas, se engolfam no abuso dos alucinógenos, estragando as faculdades com que o tempo os auxiliaria na construção da felicidade porvindoura.
Neste NATAL, façamos algo por eles, os nossos irmãos que ignoram ou que não querem aceitar os benefícios da serenidade e da esperança.
Pronuncia algumas frases de otimismo e encorajamento; escreve algum bilhete que os reanime para a bênção de viver e servir; estende simpatia em algum gesto espontâneo de gentileza; repete consideração e concurso amigo nos diálogos que colaborem na sustentação da paz e da solidariedade.
Não te declares sem possibilidade de contribuir, nem digas que tens todas as tuas horas repletas de encargos e serviços dos quais não te podes distanciar.
Faze algo, no soerguimento do bem.
Nas realizações da fraternidade, quem ama faz o tempo.

Francisco Cândido Xavier. Deus Aguarda. Pelo Espírito Meimei.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Mensagem do dia:



Crônica do Natal

Desde a ascensão de Herodes, o Grande, que se fizera rei com o apoio dos romanos, não se falava na Palestina senão no Salvador que viria enfim...
Mais forte que Moisés, mais sábio que Salomão, mais suave que David, chegaria em suntuoso carro de triunfo para estender sobre a Terra as leis do Povo Escolhido.
Por isso, judeus prestigiosos, descendentes das doze tribos, preparavam-lhe oferendas em várias nações do mundo.
Velhas profecias eram lidas e comentadas, na Fenícia e na Síria, na Etiópia e no Egito.
Dos confins do Mar Morto às terras de Abilena, tumultuavam notícias da suspirada reforma...
E mãos hábeis preparavam com devotamento e carinho o advento do Redentor.
Castiçais de ouro e prata eram burilados em Cesaréia, tapetes primorosos eram tecidos em Damasco, vasos finos eram importados de Roma, perfumes raros eram trazidos de remotos rincões da Pérsia... Negociantes habituados à cobiça cediam verdadeiras fortunas ao Templo de Jerusalém, após ouvirem as predições dos sacerdotes, e filhos tostados do deserto vinham de longe trazer ao santuário da raça a contribuição espontânea com que desejavam formar nas homenagens ao Celeste Renovador.
Tudo era febre de expectação e ansiedade.
Palácios eram reconstruídos, pomares e vinhas surgiam cuidadosamente podados, touros e carneiros, cabras e pombos eram tratados com esmero para o regozijo esperado.
Entretanto, o Emissário Divino desce ao mundo na sombra espessa da noite.
Das torres e dos montes, hebreus inteligentes recolhem a grata notícia... Uma estrela estranha rutila no firmamento.
O Enviado, porém, elege pequena manjedoura para seu berço de luz.
Milícias angelicais rejubilam-se em pleno céu...
Mas nem príncipes, nem doutores, nem sábios e nem poderosos da Terra lhe assistem a consagração comovente e sublime.
São pastores humildes que se aproximam, estendendo-lhe os braços.
Camponeses amigos trazem-lhe peles surradas.
Mulheres pobres entregam-lhe gotas de leite alvo.
E porque as vozes do Céu se fazem ouvir, cristalinas e jubilosas, cantam eles também...
- "Glória a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade para com os Homens!..."
Ali, na estrebaria singela, estão Ele e o povo...
E o povo com Ele inicia uma nova era...
É por isso que o Natal é a festa da bondade vitoriosa.
Lembrando o Rei Divino que desceu da Glória à Manjedoura, reparte com teu irmão tua alegria e tua esperança, teu pão e tua veste.
Recorda que Ele, em sua divina magnificência, elegeu por primeiros amigos e benfeitores aqueles que do mundo nada possuíam para dar, além da pobreza ignorada e singela.
Não importa sejas, por enquanto, terno e generoso para com o próximo somente um dia...
Pouco a pouco, aprenderás que o espírito do Natal deve reinar conosco em todas as horas de nossa vida.
Então, serás o irmão abnegado e fiel de todos, porque, em cada manhã, ouvirás uma voz do Céu a sussurrar-te, sutil:
- Jesus nasceu! Jesus nasceu!...
E o Mestre do Amor terá realmente nascido em teu coração para viver contigo eternamente.

Pelo Espírito Irmão X
Francisco Cândido Xavier. Antologia Mediúnica do Natal. Espíritos Diversos. FEB. Capítulo 47.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Interpretação dos Textos Sagrados

“Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é departicular interpretação.” — (2ª Epístola a Pedro,capítulo 1, versículo 20.)

Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida. Sua luz imperecível brilha sobre os milênios terrestres, como o Verbo do princípio, penetrando o mundo, há quase vinte séculos.
Lutas sanguinárias, guerras de extermínio, calamidades sociais não lhe modificaram um til nas palavras que se atualizam, cada vez mais, com a evolução multiforme da Terra. Tempestades de sangue e lágrimas nada mais fizeram que avivar-lhes a grandeza. Entretanto, sempre tardios no aproveitamento das oportunidades preciosas, muitas vezes, no curso das existências renovadas, temos desprezado o Caminho, indiferentes ante os patrimônios da Verdade e da Vida.
O Senhor, contudo, nunca nos deixou desamparados.
Cada dia, reforma os títulos de tolerância para com as nossas dívidas; todavia, é de nosso próprio interesse levantar o padrão da vontade, estabelecer disciplinas para uso pessoal e reeducar a nós mesmos, ao contacto do Mestre Divino. Ele é o Amigo Generoso, mas tantas vezes lhe olvidamos o conselho que somos suscetíveis de atingir obscuras zonas de adiamento indefinível de nossa iluminação interior para a vida eterna.
No propósito de valorizar o ensejo de serviço, organizamos este humilde trabalho interpretativo, sem qualquer pretensão a exegese.
Concatenamos apenas modesto conjunto de páginas soltas destinadas a meditações comuns.
Muitos amigos estranhar-nos-ão talvez a atitude, isolando versículos e conferindo-lhes cor independente do capítulo evangélico a que pertencem. Em certas passagens, extraimos daí somente frases pequeninas, proporcionandolhes fisionomia especial e, em determinadas circunstâncias, as nossas considerações desvaliosas parecem contrariar as disposições do capítulo em que se inspiram.
Assim procedemos, porém, ponderando que, num colar de pérolas, cada qual tem valor específico e que, no imenso conjunto de ensinamentos da Boa Nova, cada conceito do Cristo ou de seus colaboradores diretos adapta-se a determinada situação do Espírito, nas estradas da vida. A lição do Mestre, além disso, não constitui tão-somente um impositivo para os misteres da adoração.
O Evangelho não se reduz a breviário para o genuflexório. É roteiro imprescindível para a legislação e administração, para o serviço e para a obediência. O Cristo não estabelece linhas divisórias entre o templo e a oficina.
Toda a Terra é seu altar de oração e seu campo de trabalho, ao mesmo tempo. Por louvá-lo nas igrejas e menoscabá-lo nas ruas é que temos naufragado mil vezes, por nossa própria culpa. Todos os lugares, portanto, podem ser consagrados ao serviço divino.
Muitos discípulos, nas várias escolas cristãs, entregaram-se a perquirições teológicas, transformando os ensinos do Senhor em relíquia morta dos altares de pedra; no entanto, espera o Cristo venhamos todos a converter-lhe o evangelho de Amor e Sabedoria em companheiro da prece, em livro escolar no aprendizado de cada dia, em fonte inspiradora de nossas mais humildes ações no trabalho comum e em código de boas maneiras no intercâmbio fraternal.
Embora esclareça nossos singelos objetivos, noto, antecipadamente, ampla perplexidade nesse ou naquele grupo de crentes.
Que fazer? Temos imensas distâncias a vencer no Caminho, para adquirir a Verdade e a Vida na significação integral.
Compreendemos o respeito devido ao Cristo, mas, pela própria exemplificação do Mestre, sabemos que o labor do aprendiz fiel constitui-se de adoração e trabalho, de oração e esforço próprio.
Quanto ao mais, consola-nos reconhecer que os Textos Sagrados são dádivas do Pai a todos os seus filhos e, por isso mesmo, aqui nos reportamos às palavras sábias de Simão Pedro: Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação.

Emmanuel

Ante o Natal


A esperança se agiganta.
A Natureza se renova e brilha.
A passarada feliz.
Voa feliz, vibra e canta.
O berço pobre,
A estrela que rebrilha,
O jardim que encanta.
As flores brilham. Que maravilha!
É Jesus que vem de novo,
Falar de Deus ao coração do povo,
Com a sua palavra que reluz!
Saúdam-se os cristãos de toda a Terra,
É o domínio da paz, banindo a guerra!
É o Senhor! É Jesus... Sempre Jesus!


Francisco Cândido Xavier. Pelo Espírito Maria Dolores.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Mensagem do dia:



Lembra-te de Deus

Lembra-te de Deus para que não olvides a tua alma no labirinto das sombras.
O Criador vive e palpita na Criação que o reflete.
Quando estiveres ferido pelas farpas do sofrimento, lembra-te de Deus que, em muitas ocasiões, socorre a terra seca, por intermédio de nuvens tempestuosas.
Quando te sentires revoltado ante as misérias do mundo, lembra-te de Deus, cuja majestade permanece incorruptível, no próprio fruto podre, através da semente pura em que a planta se renovará, exuberante e vitoriosa.
Lembra-te de Deus e aprende a não julgar com os olhos físicos, que apenas assinalam na Terra ligeiras nuances da verdade.
Tudo nos infinitos domínios do Infinito Universo é transformação incessante para a glória do bem.
Em razão disso, o mal é sempre efêmero nevoeiro na exaltação da eterna luz, e toda sombra, por mais dilatada no espaço e no tempo, não passa de expressão transitória no jogo das aparências.
Não reproves, assim, o solo estéril pela carência que patenteia e nem condenes a víscera cadavérica pelo bafio que exala, porque, amanhã, a Bondade de Deus pode reunir um e outro, com eles edificando um berçário de lírios.
Não te antecipes à Justiça do Pai Celeste quando fores incomodado, porque o Pai Celeste sabe distribuir o pão e a corrigenda com os filhos que lhe constituem o patrimônio de excelso amor.
Ainda mesmo diante do inferno que nós criamos na consciência com os nossos erros deliberados, ei-lo, bondoso, a expressar-se com o seu Divino Devotamento, transformando-o em lixívia que nos sane as mazelas da alma.
Trabalha, ajudando sempre, na certeza de que Deus sustenta a vida, para que a vida se aprimore.
Assim sendo, no princípio de cada dia ou no começo de cada tarefa nova, faze da oração a nota inicial de teu passo primeiro, para que te não falte a inspiração do Céu em toda a medida justa.
Quando fatigado, seja Deus teu descanso
Quando aflito, seja Deus teu consolo.
Quando supostamente derrotado, seja Deus teu arrimo.
Quando em desalento, seja Deus tua fé.
Ergue, diariamente, um templo vivo de amor a Deus em teu espírito e rende-lhe preito incessante, através do serviço ao próximo, nas lutas de cada hora.
Em todos os lances de nossa peregrinação para os cimos, lembremo-nos de Deus para que não estejamos esquecidos de nós.

Meimei
(De “Vozes do Grande Além”, de Francisco Cândido Xavier – Diversos Espíritos)


Esferas

Ninguém precisa ausentar-se da Terra para entrar em relações com
esferas diferentes.
A diversidade de nossas moradias começa neste mundo mesmo.
Cada mente vive na onda dos desejos que lhe são próprios.
Cada coração palpita nos sentimentos que esposa.
Residimos no lugar em que situamos a própria alma.
Há quem se detenha fisicamente num palácio, sentindo-se no
purgatório do desespero, e existe quem se demore num casebre guardando as
alegrias de um paraíso interior.
Há quem penetre no inferno da angústia, usando a chave da fortuna, e
há quem alcance o Céu, manobrando uma enxada.
Cada espírito permanece na posição que lhe agrada.
Por isso mesmo Jesus, em nos socorrendo na Terra, buscou ampliar-nos
a visão e aperfeiçoar-nos o espírito para que se nos engrandeça a esfera
individual e coletiva de ideal e realização, de trabalho e de luta.
Cada dia com o Evangelho no coração e nas palavras, nas atitudes e
nas mãos é mais um passo para as eminências da vida.
De modo a elevar-se de condição, ninguém reclame contra o cativeiro
das circunstâncias.
Se os sentimentos frágeis e enfermiços são produtos do ambiente em
que respiram, os sentimentos nobres e robustos são organizadores do ambiente
em que atuam, na sustentação de si mesmos e a benefício dos outros.
Jesus, até hoje, convida-nos, através da Boa Nova, a construir a
esfera mais elevada em que nos cabe marchar para Deus.
Se nos propormos a atingir as Moradas do Amor e da Sabedoria, na Luz
Imperecível, aprendamos a renunciar a nós mesmos, avançando, corajosamente,
sob a cruz dos deveres de cada dia, a fim de encontrarmos o Cristo em nossa
desejada renovação.

De "Abrigo", de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel

sábado, 1 de dezembro de 2012

Reparação - Emmanuel

Na Terra, muitas vezes, aguardamos a passagem da desencarnação para o ingresso ao paraíso, esquecendo na vizinhança a oportunidade de construir o Céu pela implantação da verdadeira fraternidade.
*
Em muitas ocasiões, suspiramos pela presença dos anjos recusando os mais ínfimos exercícios de compaixão e bondade, a benefício de outrem.
*
Habitualmente, rogamos o amparo divino, sem ceder um milímetro de nosso conforto humano e, quase sempre, reclamamos a bênção dos instrutores espirituais cerrando a porta de nossas almas aos que nos suplicam entendimento e perdão.
*
É imprescindível, porém, recordar que ninguém precisa morrer na carne para ressurgir na atitude.
*
O sol renascente, cada manhã, ensina-nos, em silêncio, que a vida começa todos os dias e que em todos os dias é possível refazer o destino pela reparação voluntária de nossos próprios erros.
*
Aprendamos a fazer luz no íntimo de nós mesmos, através do estudo nobre e a corrigir nossos males pelo serviço do bem constante.
*
Saibamos edificar, segundo o amor claro e simples, e perceberemos, em cada instante, o nosso ensejo de cooperar em favor dos outros.
*
Dispõe a semelhante mister e não encontrarás no campo em que jornadeias senão companheiros de esperança e de luta, mendigando-te o coração.
Enxameiam aqui e ali, aflitos e desditosos, ainda mesmo quando se te afigurem dominados de orgulho ou envilecidos na vaidade.
Não lhe agraves a dor estendendo as sombras que lhes obscurecem as horas.
*
Foge à reprovação que aniquila, evita o sarcasmo que envenena, esquece a exigência que desfigura e abstém-te da acusação que vergasta...
*
Lembra-te de que a todos nós cabe o dever do auxílio para que sejamos auxiliados.
*
E, reparando, incessantemente, o mal que outrem provoque, estarás restaurando o próprio caminho que, limpo e renovado, deixará passar, em teu socorro, a luz do bem eterno, de que ninguém prescinde na ascensão para Deus.

(De “Confia e segue”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

Programa de paz - André Luiz

Cumprir o próprio dever.
Ninguém tranquiliza ninguém, sem trazer a consciência tranquila.
*
Usar boas palavras e bons modos.
Qualquer viajante da estrada sabe afastar-se do pé de laranja azeda.
*
Desconhecer ofensas.
A vida não constrange criatura alguma a passar recibo numa serpente para atormentar-se com ela.
*
Auxiliar indistintamente.
Se a fonte escolhesse os elementos a que prestar benefício, decerto que a Terra seria, francamente, um planeta inabitável.
*
Não censurar.
A crítica nos traça a obrigação de fazer melhor do que aqueles que nós reprovamos.
*
Abençoar sempre.
Qualquer trato de solo agradece o adubo que se lhe dê.
*
Jamais vingar-se.
Pessoa alguma consegue ajudar a um doente fazendo-se mais doente ainda.
*
Amar os inimigos.
A obra-prima da escultura nasce no sonho do artista que a concebe, mas não dispensa o concurso do buril que lhe dá forma.
*
Não se lastimar por fracasso do caminho.
O Sol, em cada hemisfério do mundo, começa a trabalhar de novo, diariamente.
*
Saber cooperar, a fim de receber cooperação.
O próprio Cristo não consegue sozinho realizar a obra de redenção da Humanidade e, em iniciando o seu apostolado na Terra, procurou doze companheiros que lhe serviram de base à divina missão.
*
André Luiz
(De “Passos da Vida”, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos diversos)

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