sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Caridade do Esquecimento


Não ouvides a caridade do esquecimento de todo mal. Nela reside a força progressiva do bem.
Podemos exercê-la dia a dia pois os desgostos também nascem de sementes minúsculas.
Dissabores revividos são espinhos cultivados.
A benefício da paz, não te fixes nas pequenas desarminias que te rodeiam.
Esquece o erro do vizinho;
O mal temperamento do próximo;
A ingratidão da parentela;
A intriga sutil e a palavra maldosa;
a frase contundente;
A resposta impensada dos outros;
A saudação não respondida;
A ilusão dos que te seguem;
A opinião diferente da que adotas;
A incompreensão do meio a que serves;
A dificuldade e o obstáculo que surgem por provas à tua fortaleza moral ou à tua boa vontade.
Esquecimento é auxílio simples que se inpôe entre o nosso espírito e a realidade.
A luta é dádiva, é tesouro que engrandece, aperfeiçoa e felicita.

Emmanuel - Médium: Francisco Cândido Xavier

Bezerra de Menezes

Ponderação

Não gaste impensadamente os seus dias na pregação desesperada de
princípios renovadores que você mesmo tem dificuldade de abraçar.
Corrijamos em nós o que nos aborrece nos outros e Jesus fará
o resto pela felicidade do mundo inteiro.

(De “Seguindo juntos”, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos diversos)

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Os dias graves do Senhor

Estes são os dias, os dias graves do Senhor!
É necessário que as criaturas humanas abramo-nos ao Evangelho restaurado e nos permitamos ser instrumentos do Condutor de Vidas, para que possamos aplainar os caminhos que a Sua Misericórdia vem percorrer.
Espíritas!
Assumistes um compromisso antes do berço. Firmastes no Além um documento de responsabilidade para proclamar o Reino de Deus na Terra, no momento das grandes aflições.
Pedistes o testemunho e o sofrimento para respaldarem a qualidade da vossa tarefa.
Não recalcitreis, pois, ante o espinho do testemunho.
Permanecei solidários para que não experimenteis solidão.
Cantai um hino de louvor e de bem-aventuranças, para que as vossas não sejam as lágrimas do remorso, ao contrário, sejam as da gratidão.
Não postergueis o momento da renovação interior.
Se colheis, por enquanto, os cardos e se sorveis a taça da amargura que preparastes antes, semeai paz, alegria e amor para a colheita do futuro.
O Espiritismo é Jesus voltando de braços abertos e trazendo no Seu séquito os corações afetuosos que vos anteciparam na viagem de volta ao Grande Lar, e que, numa canção de júbilo, agradecem a Deus a honra de participarem da Era Nova do Espírito imortal.
Tornai-vos sábios na simplicidade, na cordura, na gentileza e ricos na compaixão.
O amor cobre a multidão dos pecados e a compaixão coroa o amor de ternura.
Começando por agora, aqui, o trabalho de lapidação do caráter para melhor, conseguireis, como estamos tentando conseguir, a palma da vitória.
Nada que vos atemorize. Que mal podem fazer aqueles que caluniam, que mentem, que perseguem, se tudo quanto fizerem perde o seu sentido no túmulo?
Jornaleiros da Imortalidade, avançai cantando Jesus para os ouvidos moucos do mundo, e apresentando-O para os que se ocultaram nas furnas da loucura, das sensações e do despautério.
Hoje é o momento sublime de construir e, em breve, o momento de ser feliz.
Muita paz, meus filhos. Com todo carinho, o servidor humílimo e paternal de sempre, Bezerra

Mensagem psicofônica recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco, ao final da Conferência pública, realizada no Grupo Espírita André Luiz, no Rio de Janeiro, na noite de 26 de agosto de 2010.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Fragile

Sting

Perseverar


...perseveremos no bem sobretudo.
...a estrada provavelmente se nos erigirá lodacenta ou agressiva pelos tropeços e espinhos que apresente ...

Perseveremos servindo para transpô-la.
...o ambiente terá surgido carregado de nuvens, na condensação de injúrias ou incompreensões que nos circundem...

Perseveremos ofertando aos outros o melhor de nós em favor dos outros e os outros nos auxiliarão para vencer as sombras e dissipá-las.
...ansiedades e esperanças nos visitam a alma, transformando-se em obstáculos para a obtenção da alegria que nos propomos alcançar...

Perseveremos agindo na prática do bem e, dentro desse exercício salutar de sublimação, surpreenderemos, por fim, a região de acesso às bênçãos que buscamos.
...as lutas e desafios se nos avolumam na marcha...
perseveremos na humildade e na paciência que nos garantirão a segurança e a tranqüilidade das quais não prescindimos para seguir adiante.
...discórdias e problemas repontam das tarefas a que consagramos as nossas melhores forças...

Perseveremos na serenidade e na elevação, dentro dos encargos que nos assinalem a presença onde estivermos, e seremos aqueles ingredientes indispensáveis de união e de paz nos grupos do serviço de que partilhamos atendendo às obrigações que nos competem ao espírito de equipe.
...filhos, provas e tribulações, pedras e espinhos, conflitos e lágrimas, desarmonias e empeços existirão sempre na estrada que se nos desdobra à visão...
no entanto, se é fácil começar o apostolado do amor, é sempre difícil continuar em direção do remate vitorioso.
...perseverar é o impositivo de que não nos será lícito fugir...

Perseverar trabalhando e servindo, entendendo e edificando, aprendendo e redimindo...
...perseverar sempre de modo a nunca desanimar na construção do bem a fim de merecermos o bem maior.

Autor: Bezerra de Menezes
Psicografia de Chico Xavier.
Livro: Bezerra, Chico e Você

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Em Louvor da Verdade

... relevai-nos a sugestão de trabalho, embora rogueis a luz sem esforço.
... o Espiritismo que indaga simplesmente deu lugar, há muito tempo, ao Espiritismo que estende os braços.
...atravessais verdadeira floresta, onde os caminhos de volta ao campo da Luz Divina parecem intransitáveis.
Pensamentos de egoísmo, de incompreensão, de discórdia, vaidade e orgulho se entrechocam, à maneira de projéteis invisíveis ao redor de vossa personalidade, e se faz imperiosa a coragem para os óbices multiplicados não nos vençam os labores recíprocos.
...efetivamente, a vossa procura é nobre e edificante.
... bem-aventurados aqueles que demandam a verdade e que anseiam por passagem libertadora no rumo da claridade eterna!
...não comeceis o empreendimento da própria iluminação, ao modo de um homem que iniciasse a construção de uma casa pelo teto.
...soletrai, antes de tudo, o alfabeto da bondade.
Sem as primeiras letras do amor, nunca entenderemos o sagrado poema da vida.
... é indispensável abrir o coração, vaso destinado às sementes do Céu, convertendo-nos em instrumentos do bem ativo e incessante.
...não iluminaremos a mente sem purificar os olhos, tanto quanto ninguém alcança o discipulado do Senhor, sem mobilizar as mãos na obra redentora da terra.
...encetemos a reestruturação dos próprios destinos, compreendendo-nos mutuamente.
...que lição recolheremos na visita de benfeitores que residem à distância, se não aprendemos a fraternidade primária com o próximo?
...ouçamos a mensagem das necessidades que nos cercam.
Há dor e ignorância, treva e indiferença, na estrada em que pisais: estendamos, através dela, o nosso sentimento cristão, imitando o lavrador que não desampara a terra lodosa do charco.
...não esperemos o paraíso, quando ainda nem mesmo auxiliamos no trato do chão que operamos.
...espíritos endividados, perante a Bondade Divina que nos deu ouvidos para registrar os ensinamentos da vida, olhos para surpreender a luz, braços para erguer o castelo de nossa própria felicidade e recursos imensos para dilatarmos o nosso próprio engrandecimento espiritual, guardemos a fé, servindo e auxiliando, corrigindo a nós mesmos e amando a todos, em louvor da verdade.
...nossa vida é um campo aberto.
Nosso coração é uma fonte.
Cada um de nossos atos é mensagem viva.
Que nossa alma se afeiçoe ao bem supremo, sob a inspiração de Jesus, a fim de que o mundo se transforme em Seu Reino.

Bezerra de Menezes
Psicografia de Francisco Cândido Xavier

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Reconhecimento


"Verdadeiramente, este homem era justo" - Lucas, cap. 23 - v.47

Somente após Jesus ter expirado no lenho é que o centurião reconheceu que ele
era um homem justo!
Assim, não esperemos pelo aplauso do mundo. Busquemos, antes, a aprovação
da consciência.
Semeemos sem pressa de colher, porque a semente cultivada não se antecipa à
época que lhe é assinalada para produzir.
Ninguém nos usurpará o próprio valor.
Esperar pela gratidão de alguém é permanecer na expectativa do que nem JESUS teve.
O espírito, aonde vai, ostenta o mérito intransferível de seus esforços.
Não nos aflijamos pelo reconhecimento alheio. Existem pessoas que, emocionalmente,
se mostram descompensadas, porque, superestimando o que fazem, criam exagerada
expectativa no que tange ao retorno por parte das pessoas a quem beneficiam.
A rigor, não estamos dando nada a ninguém; simplesmente, estamos devolvendo o que,
de uma maneira ou outra, lhe tomamos...
Não nos coloquemos nunca na condição de benfeitores - isto ainda é tola pretensão de
quem se arrasta no solo do Planeta!
Deus é o Dispensador de todas as bênçãos, que apenas vamos repassando, exercitando a
nossa capacidade de amar.
Quantos não se deprimem porque não sabem tomar a iniciativa de amar, sem cogitar de
serem amados?
Como a fonte que, ao dessedentar, não sente sede, quem ama não carece de ser amado,
porque o amor que gera em si mesmo lhe basta a qualquer carência de afeto.

(Obra: Saúde Mental À Luz do Evangelho - Carlos A. Baccelli / Inácio Ferreira)

Despertamento para perseverança

Para perseverar na boa luta, faz-se necessário manter profunda união com os ensinamentos de Jesus Cristo.
O mundo terreno, tal como se apresenta, em todas as chances para dominar os que só vêem montanhas à frente dos caminhos; para desesperar a quem só enxerga violências nas estradas onde caminha; para desestimular os que identificam como opositores todos os que encontram pela frente, seguindo trilhos que não são os seus; para tirar o prazer de quem só conhece dores ao seu redor; para chumbar no leito da acomodação ao que se sente frágil, invariavelmente, para qualquer atitude diante da existência.
Somente quando a pessoa se der conta de que o Cristo deve ser a mais lúcida inspiração para a alma terrestre, começará a sentir forças novas para superar óbices em seus caminhos; para alimentar esperanças de paz e harmonia; para saber ouvir reais adversários, extraindo o verdadeiro e o útil dos seus arrazoados; para aproveitar as chances de alegria pelo
entendimento do significado espiritual do sofrimento, onde ele apareça; para erguer-se a cada manhã, com boa disposição de fortificar-se com o elixires do trabalho e da fé, certo de que, conforme enunciou o Mestre Nazareno, só o que perseverar até o fim salvar-se-á.

(Obra: Em Serviço Mediúnico - J. Raul Teixeira/Hans Swigg)

Joanna de Ângelis

Em Torno da Felicidade

A felicidade real não é encontrada na Terra.
Pode, porém, ser cultivada no imo de cada um.
É uma utopia das mentes fantasiosas a felicidade compreendida por ócio e fartura das coisas ou por ausência de preocupação e dever.
É indispensável propiciá-la aos outros para receber o retorno de seus eleitos saudáveis.
Quem amealha excesso experimenta insatisfação e desconforto íntimo.
Aprende a repartir oportunidades e não alardeies tuas realizações, gerando disputas.
Se estás em posição de relevo, previne-te contra a inveja, usando a situação para melhor ajudar.
Destaque em ti pode ser despeito de outrem.
Atividade é fator de enriquecimento emocional e social, mas solidariedade é benção de felicidade para todos.
A sós, ninguém consegue ser feliz.
Acúmulos e exageros da posse respondem por delitos, dores e impiedade da violência.
A felicidade recomenda gerar trabalho, repartir esperança, distribuir alegria, promover educação, para que a paz e o bem-estar prevaleçam.

Joanna de Ângelis / Médium Divaldo Pereira Franco

domingo, 26 de agosto de 2012

Vingança alienante

Remanesce, como vestígio do primarismo, em a natureza humana, o
mórbido costume da vingança.
Presença do rancor nos sentimentos asselvajados, programa o desforço
e aguarda o momento para desferir o golpe certeiro contra quem não espera o
atentado vil.
Cavilosamente, o vingador maquina a agressão, comprazendo-se,
antecipadamente, com a surpresa dorida de que será objeto aquele a quem
detesta.
Quando se sente superior em força e oportunidade, esmaga o
adversário, cortando-lhe o passo de acesso a qualquer libertação.
Se é fraco - e todo aquele que se vinga, é doente e frágil - urge
com falsidade a trama que envolverá o desafeto, ferindo-lhe o mais profundo
do ser.
Às vezes fica, a distância, usufruindo o gozo, ante o sofrimento
daquele a quem odeia.
Em circunstâncias diferentes, desnuda o caráter e revela-se ao
tombado, informando-lhe haver produzido o desastre, por tal ou qual motivo,
que traz à tona, alegrando-se com a amargura que vê estampada na face do
vencido.
-*-
A vingança se manifesta, no entanto, de várias outras formas sutis,
não, porém, menos danosas.
Impossibilitada de eliminar o rival diretamente, apunhá-la-lhe a
alma com a calúnia, que ao outro infelicita as horas, trazendo-lhe amargura
e dor;
abre-lhe abismos, mediante a cizânia que o arroja ao poço da
vergonha e da aflição;
prepara armadilhas morais que lhe arruínam a dignidade e lhe
envilecem a conduta;
inspira suspeitas que lhe corroem a estrutura do comportamento,
deixando-o com insegurança e mal-estar;
espreita-lhe o passo e não perde ocasião de o humilhar ou de levá-lo
ao ridículo, sempre encontrando forma de malsinar-lhe as horas...
-*-
A vingança é alta expressão de covardia moral, compreensível e
desculpável por ser reflexo de morbidez e alienação mental, inspirando
piedade em razão dos danos que sobre si mesmo acumula o seu agente.
O vingador é um ser sempre infeliz e atormentado.
Mesmo quando logra o seu intento não se satisfaz, porque se descobre
vazio e sem objetivos.
-*-
Envolve-te na luz da caridade e espraia-a até aqueles que se vingam,
evitando também derrapares, quando ferido, na treva densa da vingança onde o
ódio se homizia e aguarda.

(De "Luz da Esperança", de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de
Ângelis)



Dia-a-dia

Nas curtas viagens do dia-a-dia, todos nós encontramos o próximo, para cuja dificuldade somos o próximo mais próximo.
Imaginemo-nos, assim, numa excursão de cem passos que nos transporte do lar à rua. Não longe, passa um homem que não conseguimos, de imediato, reconhecer.
“Quem será?” — perguntamos em pensamento.
E a Lei de Amor no-lo aponta como alguém que precisa de algo:
se vive em penúria, espera socorro;
se abastado, solicita assistência moral, de maneira a empregar, com justiça, as sobras de que dispõe;
se aflito, pede consolo;
se alegre, reclama apreço fraterno, para manter-se ajustado à ponderação;
se é companheiro, aguarda concurso amigo;
se é adversário, exige respeito;
se benfeitor, requer cooperação;
se malfeitor, demanda piedade;
se doente, requisita remédio;
se é dono de razoável saúde, precisa de apoio a fim de que a preserve;
se ignorante, roga amparo educativo;
se culto, reivindica estímulo ao trabalho, para desentranhar, a benefício dos semelhantes, os tesouros que acumula na inteligência;
se é bom, não prescinde de auxílio para fazer-se melhor;
se é menos bom, espera compaixão, que o integre na divindade da vida.
Ante o ensino de Jesus, pelo samaritano da caridade, poderemos facilmente entender que os outros necessitam de nós, tanto quanto necessitamos dos outros. E, para atender às nossas obrigações, no socorro mútuo, comecemos, à frente de qualquer um, pelo exercício espontâneo da compreensão e da simpatia.
Emmanuel
(De “Caminho Espírita” de Francisco Cândido Xavier – Autores diversos)


sábado, 25 de agosto de 2012

Pensamento

“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto,
tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude e se há algum louvor, nisso pensai.” — Paulo. (Filipenses, Capítulo 4, Vercículo 8.)


Todas as obras humanas constituem a resultante do pensamento das criaturas. O mal e o bem, o feio e o belo viveram, antes de tudo, na fonte mental quê os produziu, nos movimentos incessantes da vida.
O Evangelho consubstancia o roteiro generoso para que a mente do homem se
renove nos caminhos da espiritualidade superior, proclamando a necessidade de semelhante transformação, rumo aos planos mais altos. Não será tão-somente com os primores intelectuais da Filosofia que o discípulo iniciará seus esforços em realização desse teor. Renovar pensamentos não é tão fácil como parece à primeira vista.
Demanda muita capacidade de renúncia e profunda dominação de si mesmo, qualidades que o homem não consegue alcançar sem trabalho e sacrifício do coração.
É por isso que muitos servidores modificam expressões verbais, julgando que refundiram pensamentos. Todavia, no instante de recapitular, pela repetição das circunstâncias, as experiências redentoras, encontram, de novo, análogas
perturbações, porque os obstáculos e as sombras permanecem na mente, quais fantasmas ocultos.
Pensar é criar. A realidade dessa criação pode não exteriorizar-se, de súbito, no campo dos efeitos transitórios, mas o objeto formado pelo poder mental vive no mundo íntimo, exigindo cuidados especiais para o esforço de continuidade ou extinção.
O conselho de Paulo aos Filipenses apresenta sublime conteúdo. Os discípulos que puderem compreender-lhe a essência profunda, buscando ver o lado verdadeiro, honesto, justo, puro e amável de todas as coisas, cultivando-o, em cada dia, terão encontrado a divina equação.

Francisco C. Xavier & Emmanuel
Obra: Pão Nosso

Paz e Luz

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Amor a dois

O amor é assunto sagrado para os homens, tanto quanto é o instinto de vida para os animais e a lei para as coisas que nos servem. Ninguém vive sem amar. As criaturas têm carência de afetividade, tanto ou muito mais que de alimento para o corpo físico, pois ele é alimento dos mais qualificados para a alma.
No entanto, as suas divisões são inúmeras, de acordo com as necessidades.
Aqui, tratamos mais acentuadamente do amor a dois. É justo que esse amor seja um pouco diferente do amor universalizado, do amor de pais com filhos e filhos com pais, do amor às plantas e do amor aos animais. E, assim, sucessivamente.
No amor a dois, tem que existir um pouco de egoísmo, mas aquele tão fraco que perde seu significado comum, porque cede um pouco para o dever.
Assemelha-se, nesse caso, à água para matar a sede: quente, é insuportável; solidificada, não serve; fria, é adequada. No amor a dois, tem de haver um pouco de ciúme, mas aquele que não escandaliza, que não se faz acompanhar pelo ódio e pela vingança, que não maltrata, que não perturba. Aquele em que a ponderação faz perder a ferocidade e alivia a tensão, sendo, apenas, vigilância. Ele é como todos os alimentos: com excesso, fazem-nos mal. Todos os venenos são medicamentos, muitas vezes indispensáveis, dependendo da dosagem que se toma.
Não pode existir amor no lar, quando os dois não querem amor e terminou o interesse de um pelo outro. O mais evoluído tem a grande saída da renúncia, desde que essa renúncia não esteja salpicada do insulto, das reclamações, das vibrações de rancor, alimentando a vingança enjaulada no coração, para que um dia solte a fera, a devorar a pequena paz que ainda reste.
Essa renúncia também passa a perder o seu nome sagrado e toma a forma de egoísmo prepotente.
É bom que nos certifiquemos de uma coisa: estamos, encarnados e desencarnados, viajando na Terra, fazendo um curso nela. E ainda não é tempo de gozarmos a felicidade que, por enquanto, não construímos.
Podereis encontrar em vossa esposa uma inimiga do passado, pessoa a quem deveis bastante, ou por quem tenhais sido prejudicado.
Reunidos como cônjuges em um lar, é a melhor oportunidade de saldardes as dívidas, tranquilizando as consciências.
O vosso dever é fazer a vossa parte. Sendo amado ou não, amai com sinceridade. Se o vosso amor está mal interpretado pela vossa companheira, modificai-o de modo a agradá-la. Ele é qual o líquido que toma a forma da vasilha. E, se as bênçãos de Deus vos deu uma esposa, ou um esposo, coerente em tudo que se refere à vida a dois, aperfeiçoai esse amor, purificai-o, fazendo dos corações reatores divinos, para que possais, em outra dimensão, estendê-los aos filhos, parentes e companheiros, e por vezes à humanidade.
Ganhai tempo, pelo tempo que vos deram e enriqueçais no beneplácito do amor, compreendendo que somente ele libera as criaturas da prisão da ignorância.
Não exijais compreensão da pessoa que vive convosco. Emprestai a vossa. Em todos os lances da vida, o exemplo é nota harmoniosa em qualquer instrumento humano. Sede útil à pessoa que amais sem quererdes anunciar vossos feitos, procurando gratidão. Isso é troca que não condiz com a caridade. Não vos impacienteis de trabalhar em silêncio, em favor dos outros, principalmente de quem vos pertence pelo amor. Nada que se faz fica escondido. No entanto, se tilintar o gazofilácio da vaidade, podereis perder o vosso trabalho valioso, porque desfigurais a dignidade da beneficência.
Se ainda temeis fazer o bem, sem que os outros saibam, é porque não confiais nos preceitos do Mestre, nas leis de Deus. Tende fé, meu filho, alimentai a confiança, e nunca percais a alegria de ser útil, principalmente àqueles que vivem convosco. O amor a dois, quando correspondido e firmado pelo tempo, é a porta pela qual poderemos entrar para a verdadeira felicidade do futuro. É ele que carimba o nosso amor para a universalidade.

(Fonte: “Horizontes da Mente”, de João Nunes Maia, pelo Espírito Miramez)

Sonhos vivos


A semente no seleiro é sonho vivo; transportada, à lavoura, transforma-se em árvore que produz. Sem isso murcharia no silêncio.
O minério no solo é sonho vivo; conduzido à atividade é matéria prima. Sem isso, por tempo indeterminado, estaria na condição de mero calhau.
O plano de uma construção é sonho vivo; concretizado, porém, é obra prima, é obra de utilidade inapreciável. Sem isso seria mera figuração entregue à poeira.
A escola de pé é um sonho vivo; movimentada pelos obreiros da instrução é oficina de luz. Sem isso não passaria de promessa distante.
O livro na cabeça do escritor é sonho vivo; carregado ao campo das letras é usina de sugestões. Sem isso desapareceria por visão mental entrevista de longe.
A convicção espírita é também sonho vivo; mas trazida à realidade prática é tarefa para edificação do mundo melhor. Sem isso não passará de clarão escondido.
É por essa razão que todos podemos crer e aprender, discutir e apregoar, consolar e sermos consolados, entretanto, no terreno da verdadeira ascensão do espírito nada conseguiremos sem trabalhar.

Albino Teixeira
(De “Ideal Espírita”, de Francisco Cândido Xavier – Autores diversos)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Vontade

Comparemos a mente humana – espelho vivo da consciência lúcida – a um grande escritório, subdividido em diversas seções de serviço.
Aí possuímos o Departamento do Desejo, em que operam os propósitos e as aspirações, acalentando o estimulo ao trabalho; o Departamento da Inteligência, dilatando os patrimônios da evolução
e da cultura; o Departamento da Imaginação, amealhando as riquezas do ideal e da sensibilidade; o Departamento da Memória, arquivando as súmulas da experiência, e outros, ainda, que definem
os investimentos da alma.
Acima de todos eles, porém, surge o Gabinete da Vontade.
A Vontade é a gerência esclarecida e vigilante, governando todos os setores da ação mental.
A Divina Providência concedeu-a por auréola luminosa à razão, depois da laboriosa e multimilenária viagem do ser pelas províncias obscuras do instinto.
Para considerar-lhe a importância, basta lembrar que ela é o leme de todos os tipos de força incorporados ao nosso conhecimento.
A eletricidade é energia dinâmica.
O magnetismo é energia estática.
O pensamento é força eletromagnética.
Pensamento, eletricidade e magnetismo conjugam-se em todas as manifestações da Vida Universal, criando gravitação e afinidade, assimilação e desassimilação, nos campos múltiplos da forma que servem à romagem do espírito para as Metas Supremas, traçadas pelo Plano Divino.
A Vontade, contudo, é o impacto determinante.
Nela dispomos do botão poderoso que decide o movimento ou a inércia da máquina.
O cérebro é o dínamo que produz a energia mental, segundo a capacidade de reflexão que lhe é própria; no entanto, na Vontade temos o controle que a dirige nesse ou naquele rumo, estabelecendo
causas que comandam os problemas do destino.
Sem ela, o Desejo pode comprar ao engano aflitivos séculos de reparação e sofrimento, a Inteligência pode aprisionar-se na enxovia da criminalidade, a Imaginação pode gerar perigosos monstros na sombra, e a memória, não obstante fiel à sua função de registradora, conforme a destinação que a Natureza lhe assinala, pode cair em deplorável relaxamento.
Só a Vontade é suficientemente forte para sustentar a harmonia do espírito.
Em verdade, ela não consegue impedir a reflexão mental, quando se trate da conexão entre os semelhantes, porque a sintonia constitui lei inderrogável, mas pode impor o jugo da disciplina
sobre os elementos que administra, de modo a mantê-los coesos na corrente do bem.

Francisco Cândido Xavier - Pensamento e Vida - pelo Espírito Emmanuel

Paz e Luz

Tratamento e destino


Que o destino pode ser tratado, não há dúvida. E com palavras resumidas, ser-nos-á possível encontrar a chave de semelhante providência, nos exemplos simples da vida.
*
No processo curativo, o campo doente para mostrar-se recuperado solicita a renovação das células.
*
Na higiene, o foco enfermiço deve ser extinto, em auxílio à saúde geral.
*
Na área das construções, esse ou aquele trecho comprometido reclama completo refazimento.
*
Em agricultura, o escalracho será erradicado para que a lavoura nobre venha a surgir.
*
Igualmente na vida, êxito e melhoria nascem de comportamento e rumo, tanto quanto rumo e comportamento para o bem e para a felicidade dependem de nossos pensamentos.
*
Pensamentos positivos em matéria de consciência tranquila, limpeza de intenções, reajuste de maneiras e supressão de hábitos inferiores são suportes indispensáveis para a edificação de vida melhor.
*
Pense e fará o que pensa.
Faça e você será aquilo que faz.

André Luiz
(De “Busca e acharás”, de Francisco Cândido Xavier, pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz)

Paz e Luz

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Luz íntima


Dispostos ao trabalho de iluminação, não meçamos esforços na ação da caridade.
A caridade moral, profunda e de alto significado, consiste em libertar as almas da ignorância.
Quando se transmitem instruções, apresentam-se diretrizes; quando se educa, criam-se hábitos;
Quando se evangeliza, abrem-se horizontes infinitos para que se os penetrem com sabedoria.
Em nosso ministério de amor, instruímos, educamos, mas, se não evangelizarmos o espírito, ele permanecerá na ignorância da vida transcendente.
Estigmatizado pela dor, desejando libertar-se, aceita a medicação da palavra, porém, para que se desenvolva, é necessário insculpir a luz da verdade no comportamento, e, mudando de atitude mental, voltar-se para o bem.
Somos todos sofredores, os que ainda mourejamos na face do planeta, e por isso, em nosso socorro fraternal aos desencarnados, falemos-lhes a linguagem do coração e da mente, contribuindo para que, em se evangelizando, encontrem a luz íntima que nunca mais se apagará.

(De “Suave luz nas sombras”, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito João Cléofas)

Paz e Luz

terça-feira, 21 de agosto de 2012

A vida verdadeira

“Eu vim para que tenhais vida...” - Jesus (Jo, 10:10)

Entendendo a amplitude do conceito de vida, na Terra, e pensando na afirmativa de Jesus de que viera nos trazer vida, torna-se imperioso meditar na profundidade da questão.
Ele trazia vida para quem já estava na vida e vivo? Certamente que não. Ele vinha portando uma mensagem de vida espiritual para quem se encontrava num contexto de vida mortificada.
A vida espiritualizada corresponde a toda atividade da alma que exprime fidelidade ao bem, à alegria, ao trabalho digno, à esperança, à confiança nas resoluções de Deus e confiança no progresso do ser humano. Essa vida interior também se nutre da convivência fraterna na sociedade, da exaltação das virtudes, da eliminação de tudo o que represente viciação, corrupção, defecção.
Em contrapartida, a morte será indicada por tudo o que insufle ou alimente a traição, a ignorância, a concupiscência, a exploração do homem pelo homem, a prostituição no seu sentido mais amplo, o desrespeito às bases da família, indicando descaso ou indiferença para com os valores das leis de Deus. Essa morte moral é fermentada pelos posicionamentos de descaso para com os movimentos do progresso de si mesmo, quando se prefere o nivelamento do ser pelas faixas inferiores da alma humana que, em situações assim, muito se assemelha aos níveis da selvageria, aos degraus da grosseria e brutalidade, quando não os ultrapassa.
A vida que Jesus veio trazer não é aquela que faz vicejar corpos esbeltos, mas aquela que faz brilhar almas formosas.
Por isso é que Ele se dirigia a quem se movia em corpos carnais, mas que padeciam de indescritíveis torturas da alma.
Daí ter Ele falado em vida abundante a quem se habituara a uma vivência mesquinha, empobrecida, apequenada.
Sua lição é, assim, para todos os tempos e povos, pois, quando encontramos sociedades ricas e homens pobres, medicinas desenvolvidas e homens enfermos, estados poderosos e homens escravos, religiões faiscantes de adereços e discursos pomposos e homens egoístas e materializados, à cata dos imediatismos perturbadores de um dia, sentimos a razão da mensagem do Mestre Nazareno: “Eu vim para que tenhais vida, e vida abundante”.
Permitamo-nos buscá-la, permitamo-nos vivê-la para que experimentemos a ventura dentro d’alma, desde aqui, das lidas terrenas, aclimatando-nos, pouco a pouco, à vivência ditosa junto aos Emissários da Vida Maior, que refletem, junto a nós, o pensamento do Cristo.
Ele é aquele que nos traz a vida verdadeira, vibrante, feliz, abundante, propondo-nos fazer nobre uso dela, a fim de que Nele possamos viver para sempre.

(De “Quem é o Cristo?”, de J. Raul Teixeira, pelo Espírito Francisco de Paula Vítor)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Vontade


Comparemos a mente humana – espelho vivo da consciência lúcida – a um grande escritório, subdividido em diversas seções de serviço.
Aí possuímos o Departamento do Desejo, em que operam os propósitos e as aspirações, acalentando o estimulo ao trabalho; o Departamento da Inteligência, dilatando os patrimônios da evolução
e da cultura; o Departamento da Imaginação, amealhando as riquezas do ideal e da sensibilidade; o Departamento da Memória, arquivando as súmulas da experiência, e outros, ainda, que definem
os investimentos da alma.
Acima de todos eles, porém, surge o Gabinete da Vontade.
A Vontade é a gerência esclarecida e vigilante, governando todos os setores da ação mental.
A Divina Providência concedeu-a por auréola luminosa à razão, depois da laboriosa e multimilenária viagem do ser pelas províncias obscuras do instinto.
Para considerar-lhe a importância, basta lembrar que ela é o leme de todos os tipos de força incorporados ao nosso conhecimento.
A eletricidade é energia dinâmica.
O magnetismo é energia estática.
O pensamento é força eletromagnética.
Pensamento, eletricidade e magnetismo conjugam-se em todas as manifestações da Vida Universal, criando gravitação e afinidade, assimilação e desassimilação, nos campos múltiplos da forma que servem à romagem do espírito para as Metas Supremas, traçadas pelo Plano Divino.
A Vontade, contudo, é o impacto determinante.
Nela dispomos do botão poderoso que decide o movimento ou a inércia da máquina.
O cérebro é o dínamo que produz a energia mental, segundo a capacidade de reflexão que lhe é própria; no entanto, na Vontade temos o controle que a dirige nesse ou naquele rumo, estabelecendo
causas que comandam os problemas do destino.
Sem ela, o Desejo pode comprar ao engano aflitivos séculos de reparação e sofrimento, a Inteligência pode aprisionar-se na enxovia da criminalidade, a Imaginação pode gerar perigosos monstros na sombra, e a memória, não obstante fiel à sua função de registradora, conforme a destinação que a Natureza lhe assinala, pode cair em deplorável relaxamento.
Só a Vontade é suficientemente forte para sustentar a harmonia do espírito.
Em verdade, ela não consegue impedir a reflexão mental, quando se trate da conexão entre os semelhantes, porque a sintonia constitui lei inderrogável, mas pode impor o jugo da disciplina
sobre os elementos que administra, de modo a mantê-los coesos na corrente do bem.

Francisco Cândido Xavier - Pensamento e Vida - pelo Espírito Emmanuel

Francisco Cândido Xavier

Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Há tempo de adoecer, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Há tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Há tempo de espalhar pedras, e tempo de juntá-las; tempo de abraçar, e tempo de abster-se de abraçar;
Há tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de jogar fora;
Há tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Há tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.

"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."

domingo, 19 de agosto de 2012

Sequencia

"O bem que praticas em qualquer lugar será teu advogado em toda parte. (Emmanuel)

Se desejas alcançar a caridade e a ciência nos cimos do progresso, observa a produção da árvore sábia e simples.
De início, a sementeira.
Mais tarde, o crescimento.
Depois, a floração.
No fim, a frutescência.
***
Não pedirás, assim, à roseira nascitura que se cubra de flores, simplesmente porque surja a teus olhos. Oferecer-lhe-ás água e adubo, carinho e defesa, para que te possa retribuir na tela das horas com o ramo perfumado a enriquecer-te o jardim.
***
Não reclamarás da criança a interpretação da cultura clássica, apenas porque demonstre vivacidade e inteligência. Dotá-la-ás, como é justo, com os talentos da escola e da educação, para que, no curso dos dias, te satisfaça a exigência.
***
Lembra-te da casa nobre começando nos alicerces, e não te desmandes na pressa, a fim de que a tua existência se ajuste à gloriosa sinfonia da vida.
***
Ninguém trairá os imperativos do tempo, no campo da evolução.
***
As próprias constelações e os próprios átomos obedecem à lei do ritmo e procedem segundo as disposições da ordem no seu mecanismo certo.
***
Recordemos, desse modo, quanto temos recebido dos Benfeitores da Vida Mais Alta, em tolerância e renúncia, até abordarmos a faixa de entendimento em que hoje nos situamos e, endereçando à retaguarda as mãos incansáveis e amigas, saibamos ajudar e socorrer, perdoar e amparar, infatigavelmente, na certeza de que, apenas assim, repetindo indefinidamente as lições do roteiro, sob a inspiração da bondade e da paciência, é que atingiremos, por nós mesmos, a auréola da sabedoria e do amor que nos aguarda ante a luz dos sóis sublimados e infinitos.

(De “Inspiração” de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

Paz e Luz

sábado, 18 de agosto de 2012

A dor em nossas vidas


Você já parou para pensar na razão da existência da dor, do sofrimento, em nossas vidas?
Talvez num daqueles momentos de extrema angústia, em que o coração parece apertar forte, você tenha pensado em Deus, na vida, e gritado intimamente: por quê?!
Os benfeitores espirituais vem nos esclarecer que a dor é uma lei de equilíbrio e educação.
Léon Denis, reconhecido escritor francês, em sua obra “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, esclarece que o gênio não é somente o resultado de trabalhos seculares; é também a apoteose, a coroação de sofrimento.
De Homero a Dante, a Camões, a Tasso, a Milton, todos os grandes homens, como eles, têm sofrido.
A dor fez-lhes vibrar a alma, inspirou-lhes a nobreza dos sentimentos, a intensidade da emoção que souberam traduzir com os acentos do gênio, e que os imortalizou.
É na dor que mais sobressaem os cânticos da alma.
Quando ela atinge as profundezas do ser, faz de lá saírem os gritos sinceros, os poderosos apelos que comovem e arrastam as multidões.
Dá-se o mesmo com todos os heróis, com todas as pessoas de grande caráter, com os corações generosos, com os espíritos mais eminentes. Sua elevação mede-se pela soma dos sofrimentos que passaram.
Ante a dor e a morte, a alma do herói e do mártir revela-se em sua beleza comovedora, em sua grandeza trágica que toca, às vezes, o sublime, e o inunda de uma luz inapagável.
A história do mundo não é outra coisa mais que a sagração do espírito pela dor. Sem ela, não pode haver virtude completa, nem glória imperecível.
Se, nas horas da provação, soubéssemos observar o trabalho interno, a ação misteriosa da dor em nós, em nosso “eu”, em nossa consciência, compreenderíamos melhor sua obra sublime de educação e aperfeiçoamento.
A dor é um dos meios de que Deus se utiliza para nos chamar a Si e, ao mesmo tempo, nos tornar mais rapidamente acessíveis à felicidade espiritual, única duradoura.
É, pois, realmente pelo amor que nos tem que Deus envia o sofrimento.
Fere-nos, corrige-nos como a mãe corrige o filho para educá-lo e melhorá-lo; trabalha incessantemente para tornar dóceis, para purificar e embelezar nossas almas, porque elas não podem ser completamente felizes, senão na medida correspondente às suas perfeições.
A todos aqueles que perguntam: para que serve a dor? A sabedoria divina responde: para polir a pedra, esculpir o mármore, fundir o vidro, martelar o ferro.
***
A dor física é, em geral, um aviso da natureza, que procura preservar-nos dos excessos. Sem ela, abusaríamos de nossos órgãos até o ponto de os destruirmos antes do tempo.
Quando um mal perigoso se vai insinuando em nós, que aconteceria se não lhes sentíssemos logo os efeitos desagradáveis? Ele nos invadiria cada vez mais, terminando por secar em nós as fontes de vida.
É assim que, em nosso mundo, para o nosso crescimento, a dor ainda se faz necessária.

Redação Momento Espírita

A Posse do Reino

“Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, e dizendo que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus.” – (ATOS, 14:22)

O Evangelho a ninguém engana, em seus ensinamentos.
É vulgar a preocupação dos crentes tentando subornar as forças divinas. Não será, no entanto, ao preço de muitas missas, muitos hinos ou muitas sessões psíquicas que o homem efetuará a sublime aquisição de espiritualidade excelsa.
Naturalmente, toda prática edificante deve ser aproveitada por elemento de auxílio, no entanto, compete a cada individualidade humana o esforço iluminativo.
A Boa Nova não distribui indulgências a preço do mundo e a criatura encontra inúmeros caminhos para a ascensão.
Templos e instrutores se multiplicam e cada qual oferece parcelas de socorro ou assistência, no serviço de orientação; contudo, a entrada e posse na herança eterna se verificará através de justos testemunhos.
Isto não é acidental. É medida lógica e necessária.
Não se improvisam estátuas raras, sem golpes de escopro, como não se colhe trigo sem campo lavrado.
Não poucos aprendizes costumam interpretar certas advertências do Evangelho por excesso de exortação ao sofrimento, no entanto, o que lhes parece obsessão pela dor é imperativo de educação da alma para a vida imperecível.
Homem algum encontrará o estuário infinito das energias divinas, sem o concurso das tribulações da Terra.
Personalidade sem luta, na Crosta Planetária, é alma estreita.
Somente o trabalho e o sacrifício, a dificuldade e o obstáculo, como elementos de progresso e auto superação, podem dar ao homem a verdadeira notícia de sua grandeza.

Emmanuel
Do livro “Pão Nosso”
Psicografia de Francisco Cândido Xavier


Certamente, há pessoas que não simpatizam contigo

Não conduzas o ultraje que alguém te atirou, desmoronando o teu dia.
Certamente, há pessoas que não simpatizam contigo e até te detestam.
Mas, isso não é surpresa, porque te ocorre o mesmo em relação a outras.
Este é um problema que os corações pacificados resolvem com facilidade, nunca valorizando as ofensas, nem se importando com elas.
Há um grande número de pessoas gradas e afetuosas que te cercam, que não é justo te agastares com
aquelas, as que constituem exceção no teu caminho.
Deixa no chão do esquecimento a ofensa que te dirigem e segue na direção do amor que te aguarda.

Joanna de Ângelis

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Nos momentos graves


Use calma. A vida pode ser um bom estado de luta, mas o estado de guerra
nunca será uma vida boa.
Não delibere apressadamente. As circunstâncias, filhas dos Desígnios
Superiores, modificam-nos a experiência, de minuto a minuto.
Evite lágrimas inoportunas. O pranto pode complicar os enigmas ao invés de
resolvê-los.
Se você errou desastradamente, não se precipite no desespero. O reerguimento
é a melhor medida para aquele que cai.
Tenha paciência. Se você não chega a dominar-se, debalde buscará o
entendimento de quem não o compreende ainda.
Se a questão é excessivamente complexa, espere mais um dia ou mais uma
semana, a fim de solucioná-la. O tempo não passa em vão.
A pretexto de defender alguém, não penetre o círculo barulhento. Há Pessoas
que fazem muito ruído por simples questão de gosto.
Seja comedido nas resoluções e atitudes. Nos instantes graves, nossa
realidade espiritual é mais visível.

(Obra:Agenda Cristã - Francisco Cândido Xavier/André Luiz)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Amor e temor

"O perfeito amor lança fora o temor".(I João, 4:18.)

Para que nossa alma se expanda sem receio, através das realizações que o Senhor
nos confia, não basta o imperfeito Amor que estipula salários de gratidão ou que se isola
na estufa do carinho particular, reclamando entendimento alheio.
É necessário rendamos culto ao perfeito amor que tudo ilumina e a todos se estende
sem distinção.
O imperfeito Amor, procurando o gozo próprio no concurso dos outros, é quase
sempre o egoísmo em disfarce brilhante, buscando a si mesmo nas almas afins para
atormentá-las sob múltiplas formas de temor, quais sejam a exigência e o ciúme, a
crueldade e o desespero, acabando ele próprio no inferno da amargura e da frustração.
O perfeito Amor, contudo, compreende que o Pai Celeste traçou caminhos infinitos
para a evolução e aprimoramento das almas, que a felicidade não é a mesma para todos
e que amar significa entender e ajudar, abençoar e sustentar sempre os corações
queridos, no degrau de luta que lhes é próprio.
Para que te libertes, assim, das algemas do medo, não basta te acolhas no anseio
de ser ardentemente querido e auxiliado pelos outros, segundo as disposições do Amor
incompleto.
É indispensável saibas amar, com abnegação e ternura, entre a esperança
incansável e o serviço incessante pela vitória do bem, sob a tutela dos quais viverás
sempre amando, segundo o Amor equilibrado e perfeito pela força Divina que nos ergue
triunfante, dos abismos da sombra para os cimos da luz.

Palavras da Vida Eterna
Emmanuel / Francisco Cândido Xavier

Paz e Luz

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Perante os amigos

O amigo é uma bênção que nos cabe cultivar no clima da gratidão.
Quem diz que ama e não procura compreender e nem auxiliar, nem amparar e nem servir, não saiu de si mesmo ao encontro do amor em alguém.
A amizade verdadeira não é cega, mas se enxerga defeitos nos corações amigos, sabe amá-los e entendê-los mesmo assim.
Teremos vencido o egoísmo em nós quando nos decidirmos a ajudar aos entes amados a realizarem a felicidade própria, tal qual entendem eles, deva ser a felicidade que procuram, sem cogitar de nossa própria felicidade.
Em geral, pensamos que os nossos amigos pensam como pensamos, no entanto, precisamos reconhecer que os pensamentos deles são criações originais deles próprios.
A ventura real da amizade é o bem dos entes queridos.
Assim como espero que os amigos me aceitem como sou, devo de minha parte, aceitá-los como são.
Toda vez que buscamos desacreditar esse ou aquele amigo, depois de havermos trocado convivência e intimidade, estaremos desmoralizando a nós mesmos.
Em qualquer dificuldade com as relações afetivas é preciso lembrar que toda criatura humana é um ser inteligente em transformação incessante, e, por vezes, a mudança das pessoas que amamos não se verifica na direção de nossas próprias escolhas.
Quanto mais amizade você der, mais amizade receberá.
Se Jesus nos recomendou amar os inimigos, imaginemos com que imenso amor nos compete amar aqueles que nos oferecem o coração.

Sinal Verde pelo Espírito de André Luiz
Psicografado por Francisco Cândido Xavier

Paz e Luz

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Vontade


Comparemos a mente humana – espelho vivo da consciência lúcida – a um grande escritório, subdividido em diversas seções de serviço.
Aí possuímos o Departamento do Desejo, em que operam os propósitos e as aspirações, acalentando o estimulo ao trabalho; o Departamento da Inteligência, dilatando os patrimônios da evolução
e da cultura; o Departamento da Imaginação, amealhando as riquezas do ideal e da sensibilidade; o Departamento da Memória, arquivando as súmulas da experiência, e outros, ainda, que definem
os investimentos da alma.
Acima de todos eles, porém, surge o Gabinete da Vontade.
A Vontade é a gerência esclarecida e vigilante, governando todos os setores da ação mental.
A Divina Providência concedeu-a por auréola luminosa à razão, depois da laboriosa e multimilenária viagem do ser pelas províncias obscuras do instinto.
Para considerar-lhe a importância, basta lembrar que ela é o leme de todos os tipos de força incorporados ao nosso conhecimento.
A eletricidade é energia dinâmica.
O magnetismo é energia estática.
O pensamento é força eletromagnética.
Pensamento, eletricidade e magnetismo conjugam-se em todas as manifestações da Vida Universal, criando gravitação e afinidade, assimilação e desassimilação, nos campos múltiplos da forma que servem à romagem do espírito para as Metas Supremas, traçadas pelo Plano Divino.
A Vontade, contudo, é o impacto determinante.
Nela dispomos do botão poderoso que decide o movimento ou a inércia da máquina.
O cérebro é o dínamo que produz a energia mental, segundo a capacidade de reflexão que lhe é própria; no entanto, na Vontade temos o controle que a dirige nesse ou naquele rumo, estabelecendo
causas que comandam os problemas do destino.
Sem ela, o Desejo pode comprar ao engano aflitivos séculos de reparação e sofrimento, a Inteligência pode aprisionar-se na enxovia da criminalidade, a Imaginação pode gerar perigosos monstros na sombra, e a memória, não obstante fiel à sua função de registradora, conforme a destinação que a Natureza lhe assinala, pode cair em deplorável relaxamento.
Só a Vontade é suficientemente forte para sustentar a harmonia do espírito.
Em verdade, ela não consegue impedir a reflexão mental, quando se trate da conexão entre os semelhantes, porque a sintonia constitui lei inderrogável, mas pode impor o jugo da disciplina
sobre os elementos que administra, de modo a mantê-los coesos na corrente do bem.

Francisco Cândido Xavier - Pensamento e Vida - pelo Espírito Emmanuel

Paz e Luz

Barbra Streisand

The way we were

Ouçamos atentos

“Buscai primeiro o Reino de Deus e sua justiça.” – Jesus. (Mateus, 6:33.)

Apesar de todos os esclarecimentos do Evangelho, os discípulos encontram dificuldade para equilibrarem, convenientemente, a bússola do coração.
Recorre-se à fé, na sede de paz espiritual, no anseio de luz, na pesquisa da solução aos problemas graves do destino. Todavia, antes de tudo, o aprendiz costuma procurar a realização dos próprios caprichos; o predomínio das opiniões que lhe são peculiares; a subordinação de outrem aos seus pontos de vista; a submissão dos demais à força direta ou indireta de que é portador; a consideração alheia ao seu modo de ser; a imposição de sua autoridade personalíssima; os caminhos mais agradáveis; as comodidades fáceis do dia que passa; as respostas favoráveis aos seus intentos e a plena satisfação própria no imediatismo vulgar.
Raros aceitam as condições do discipulado.
Em geral, recusam o título de seguidores do Mestre.
Querem ser favoritos de Deus.
Conhecemos, no entanto, a natureza humana, da qual ainda somos participes, não obstante a posição de espíritos desencarnados. E sabemos que a vida burilará todas as criaturas nas águas lustrais da experiência.
Lutaremos, sofreremos e aprenderemos, nas variadas esferas de luta evolutiva e redentora.
Considerando, porém, a extensão das bênçãos que nos felicitam a estrada, acreditamos seria útil à nossa felicidade e equilíbrio permanentes ouvir, com atenção, as palavras do Senhor: “Buscai primeiro o Reino de Deus e sua justiça.

Vinha de Luz
Emmanuel / Francisco Cândido Xavier
Paz e Luz

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Começa a luta


A luta começa cedo, nas hostes da juventude, e, em muitos casos, as pessoas que a cercam não percebem o que se passa na sua intimidade, principalmente das jovens em crescimento.
A mulher conserva o resguardo das suas emoções, como apanágio da natureza feminina. São os princípios da moral, que se irradiam na sua personalidade, e somente a mãe é capaz de vislumbrar alguns segredos que as filhas alimentam, na cidade do coração. Às mães, pois, compete ajudar às adolescentes, no campo emocional, de forma que o tempo possa solidificar os seus ideais na sublimidade do Amor.
O lar é a primeira escola para o enobrecimento das aspirações. Se nesse lar falta harmonia, como buscar onde os filhos possam experimentar e sentir a segurança que devem vivenciar? É nesse sentido que falamos sobre o valor do Culto do Evangelho no lar. Tal valor é extraordinário, no campo da sabedoria espiritual e na educação dos impulsos, traçando meios, mostrando diretrizes capazes de fortalecer a fé revestindo os participantes da certeza do que deve ser buscado para a sua paz interna, combinando a inteligência com o coração, resultando no Amor.
O Amor tudo pode. Ele é o vencedor de todas as lutas, porque sabe condicionar seus poderes espirituais na flora divina da alma. Eis porque os lares em formação não deveriam esquecer o Culto do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, expressão do Seu Amor, de sorte a respirar-lhe a atmosfera de luz. Ele é a força renovadora dos pensamentos, ensinando como formar ideias, dando diretrizes superiores às palavras.
É nesse sentido que falamos aos jovens, oferecendo-lhes o incentivo para começar as lutas, que se estendem por todo o imenso campo da alma.
Há milhões de anos que o Espírito se empenhou em trabalhar, com muita luta, em prol das conquistas exteriores. Alguns já compreendem que devem tomar outros rumos, não cessando as lidas, mas, modificando-as. Vêem que os inimigos estão mais próximos do que pensavam: eles moram dentro de nós, como instintos inferiores, a torcerem as verdades espirituais, a turvarem as consciências, nas suas mais altas aspirações de Amor. E passam a batalhar consigo mesmos, em busca da verdade, de modo a se tornarem livres, como cidadãos universais.
Jovens, falamos-te para começares cedo as tuas pelejas, a fim de que não percas a juventude em coisas vãs. Não isoles as tuas faculdades de servir, não alimentes ilusões. Que os teus sentimentos busquem, no quotidiano da vida, a felicidade, pelos processos naturais, que te são inspirados pelas leis divinas.
Se, por acaso, não encontras no lar a segurança de que falamos e de que precisas, existem outros recursos: na amizade, nos livros bem orientados, na oração e, enfim, na confiança em Deus. Apela para Ele, que Jesus não te deixará sem resposta.
Todos, sem exceção, temos nossos guias espirituais, mesmo nós, do plano do Espírito. Ser-nos-á dado o que pedimos com sinceridade e que imploramos com dignidade no coração. No entanto, não abandones o lar, quinhão sagrado, que sempre tem algo que se pode aproveitar, na multiplicação dos talentos da vida. Basta saber selecionar, na presença do Amor.
Jovem! Começa a lutar, desejando o melhor. Ama a teus pais, que o amor verdadeiro é um multiplicador de conceitos elevados e é semente, cujos frutos a vida jamais se esquecerá de devolver a quem semeou.
Não reclames por teres nascido nesse ou naquele lar. Estás onde o Senhor achou mais conveniente para o teu progresso. Luta aí, buscando o teu aprimoramento e fazendo da vida um cântico de fraternidade. Para os jovens é mais fácil o perdão, a alegria, e mesmo o amor. Esforça-te para essa conquista, que as mãos de Jesus nunca faltarão, em teu favor.

(Do livro “Chão de Rosas”, de João Nunes Maia, pelo Espírito Scheilla)

Paz e Luz

sábado, 11 de agosto de 2012

Ante a calúnia

É inevitável ser vítima da calúnia, que faz parte do orçamento moral de muitas pessoas, a fim de ser apresentada no mercado da leviandade humana.
Muitos se comprazem em urdi-la e desferi-la, por inveja, ciúme ou, simplesmente, por doença moral.
Outros se encarregam de divulgá-la, alegrando-se em fazê-lo, porque também atormentados.
*
Não sintonizes com aqueles que vivem nessa faixa.
Igualmente, não te permitas atingir pelas farpas caluniosas que te arrojam.
Vive de tal forma, que o caluniador fique desmoralizado por falta de provas.
Cada dia é lição que se transforma em vida, ao longo do teu caminho eterno.
Diariamente surgem episódios de calúnia, intentando alcançar alguém.
Assim, perdoa o caluniador. Ele não fugirá de si mesmo.
*
Contam que uma caluniadora buscou o seu confessor e narrou, arrependida, a sua insensatez.
Pedindo a absolvição para o triste delito, perguntou ao ouvinte atento qual era a sua penitência.
Aquele reflexionou, pediu-lhe que fosse ao lar e trouxesse uma almofada de plumas, subisse à torre da igreja dali as espalhasse ao vento com o máximo cuidado e, após, viesse receber a competente liberação.
Tão logo terminou de fazê-lo, a confessa retornou e perguntou:
— E agora?
— Volta lá — respondeu o sacerdote —, recolhe todas as plumas e refaze a almofada.
A calúnia são plumas ao vento que vão sempre adiante para a amargura do caluniador.

(De “Episódios Diários”, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Aprendendo a perdoar

“Se perdoardes aos homens as faltas que eles fazem contra vós, vosso Pai celestial vos perdoará também vossos pecados, mas se não perdoardes aos homens quando eles vos ofendem, vosso Pai, também, não vos perdoará os pecados.”
(Capítulo 10, item 2.)


Nosso conceito de perdão tanto pode facilitar quanto limitar nossa capacidade de perdoar.
Por possuirmos crenças negativas de que perdoar é “ser apático” com os erros alheios, ou mesmo, é aceitar de forma passiva tudo o que os outros nos fazem, é que supomos estar perdoando quando aceitamos agressões, abusos, manipulações e desrespeito aos nossos direitos e limites pessoais, como se nada tivesse acontecendo.
Perdoar não é apoiar comportamentos que nos tragam dores físicas ou morais, não é fingir que tudo corre muito bem quando sabemos que tudo em nossa volta está em ruínas. Perdoar não é“ser conivente” com as condutas inadequadas de parentes e amigos, mas ter compaixão, ou seja, entendimento maior através do amor incondicional. Portanto, é um "modo de viver
O ser humano, muitas vezes, confunde o “ato de perdoar" com a negação dos próprios sentimentos, emoções e anseios, reprimindo mágoas e usando supostamente o “perdão” como desculpa para fugir da realidade que, se assumida, poderia como conseqüência alterar toda uma vida de relacionamento.
Uma das ferramentas básicas para alcançarmos o perdão real é manter-nos a uma certa “distância psíquica” da pessoa-problema, ou das discussões, bem como dos diálogos mentais que giram de modo constante no nosso psiquismo, porque estamos engajados emocionalmente nesses envolvimentos neuróticos.
Ao desprendermo-nos mentalmente, passamos a usar de modo construtivo os poderes do nosso pensamento, evitando os “deveria ter falado ou agido” e eliminando de nossa produção imaginativa os acontecimentos infelizes e destrutivos que ocorreram conosco.
Em muitas ocasiões, elaboramos interpretações exageradas de suscetibilidade e caímos em impulsos estranhos e desequilibrados, que causam em nossa energia mental uma sobrecarga, fazendo com que o cansaço tome conta do cérebro. A exaustão íntima é profunda.
A mente recheada de idéias desconexas dificulta o perdão, e somente desligando-nos da agressão ou do desrespeito ocorrido é que o pensamento sintoniza com as faixas da clareza e da nitidez, no processo denominado “renovação da atmosfera mental”.
É fator imprescindível, ao “separar-nos” emocionalmente de acontecimentos e de criaturas em desequilíbrio, a terapia da prece, como forma de resgatar a harmonização de nosso “halo mental”. Método sempre eficaz, restaura-nos os sentimentos de paz e serenidade, propiciando-nos maior facilidade de harmonização interior.
A qualidade do pensamento determina a “ideação” construtiva ou negativa, isto é, somos arquitetos de verdadeiros “quadros mentais” que circulam sistematicamente em nossa própria órbita áurica. Por nossa capacidade de “gerar imagens” ser fenomenal, é que essas mesmas criações nos fazem ficar presos em “mono-idéias”. Desejaríamos tanto esquecer, mas somos forçados a lembrar, repetidas vezes, pelo fenômeno “produção-conseqüência”.
Desligar-se ou desconectar-se não é um processo que nos torna insensíveis e frios, como criaturas totalmente impermeáveis às ofensas e críticas e que vivem sempre numa atmosfera do tipo “ninguém mais vai me atingir ou machucar”. Desligar-se quer dizer deixar de alimentar-se das emoções alheias, desvinculando-se mentalmente dessas relações doentias de hip¬noses magnéticas, de alucinações íntimas, de represálias, de desforras de qualquer matiz ou de problemas que não podemos solucionar no momento.
Ao soltar-nos vibracionalmente desses contextos complexos, ao desatar-nos desses fluidos que nos amarram a essas crises e conflitos existenciais, poderemos ter a grande chance de enxergar novas formas de resolver dificuldades com uma visão mais generalizada das coisas e de encontrar, cada vez mais, instrumentos adequados para desenvolvermos a nobre tarefa de nos compreender e de compreender os outros.
Quando acreditamos que cada ser humano é capaz de resolver seus dramas e é responsável pelos seus feitos na vida, aceitamos fazer esse “distanciamento” mais facilmente, permitindo que ele seja e se comporte como queira, dando-nos também essa mesma liberdade.
Viver impondo certa “distância psicológica” às pessoas e às coisas problemáticas, seja entes queridos difíceis, seja companheiros complicados, não significa que deixaremos de nos importar com eles, ou de amá-los ou de perdoar-lhes, mas sim que viveremos sem enlouquecer pela ânsia de tudo compreender, padecer, suportar e admitir.
Além do que, desligamento nos motiva ao perdão com maior facilidade, pelo grau de libertação mental, que nos induz a viver sintonizados em nossa própria vida e na plena afirmação positiva de que “tudo deverá tomar o curso certo, se minha mente estiver em serenidade”.
Compreendendo por fim que, ao promovermos “desconexão psicológica”, teremos sempre mais habilidade e disponibilidade para perceber o processo que há por trás dos comportamentos agressivos, o que nos permitirá não reagir da maneira como o fazíamos, mas olhar “como é e como está sendo feito” nosso modo de nos relacionar com os outros. Isso nos leva, conseqüentemente, a começar a entender a “dinâmica do perdão”.
Uma das mais eficientes técnicas de perdoar é retomar o vital contato com nós mesmos, desligando-nos de toda e qualquer “intrusão mental”, para logo em seguida buscar uma real empatia com as pessoas. Deixamos de ser vítimas de forças fora de nosso controle para transformar-nos em pessoas que criam sua própria realidade de vida, baseadas não nas críticas e ofensas do mundo, mas na sua percepção da verdade e na vontade própria.

Renovando Atitudes
Hammed / Francisco do Espirito Santo

Paz e Luz

Oração pelo pequenino


Jesus!


Abra-me os braços para que meu coração afague todas as avezinhas da infância, espalhadas no caminho da minha vida. Ainda implumes e tombadas do ninho a rés-do-chão, aguardam ternura e socorro imediato.
Deixe que em meu seio o amor construa um teto para albergar todos esses pequeninos sem nome, cujo grande lar é o infortúnio nos caminhos desertos e cujo leito é a estrada malsinada por onde trafegam os incautos.
Tome das minhas mãos e ajude-me a fixar caracteres na argila frágil das suas mentes, modelando com os instrumentos do meu sacrifício a forma delicada do dever, traçando linhas de conduta cristã que lhes exorne o espírito nos dias do amanhã. Bem sei que os homens do futuro são as criancinhas de agora e cuidar delas é construir o mundo novo.
Imponha à minha alma, agora, o respeito por esses cidadãos do porvir.
Ajude-me a dilatar a débil capacidade do meu querer, fazendo-o rescender como um perfume de jasmim, a fim de que sendo:
— Mãe, eu lhe ofereça o bisturi para que o meu peito seja rasgado, se necessário, e dele jorre a seiva do encantamento maternal que os fortifique e engrandeça na via do crescimento.
— Mestra, eu tenha a voz mansa, os olhos serenos e a mão cariciosa, no instante do afago ou da reprimenda, à hora da alfabetização ou no momento punitivo.
— Esposa, eu O conduza comigo, para que, se meu ventre negar-se ao ministério sagrado da procriação, eu possa encontrar, nos filhos de outras mães, a continuação da vida que a carne não me pode propiciar.
— Irmã, eu seja possuidora da boa palavra na hora oportuna e do silêncio compreensivo no instante azado.
— Amiga, eu me conduza de tal forma que na amizade sintetize toda a pureza de mãe, a sabedoria de mestra, a nobreza de esposa, a bondade de irmã e a obrigação de amiga fiel, porque a infância, Jesus, é o grande solo donde será arrancada a Humanidade nova para a exaltação gloriosa do Evangelho.

Amélia Rodrigues
(De “Crestomatia da Imortalidade”, de Divaldo Pereira Franco – Diversos Espíritos)

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Comecemos hoje


Não diga que você pratica as lições do Evangelho só por debater-lhe os problemas.
A palavra edificante é uma Bênção do Céu, mas há sonâmbulos do verbo notável, sem serem loucos. Falam de maneira brilhante, embora dormindo.
E todos podemos sofrer de tal calamidade.
Em nosso testemunho de aplicação com Jesus é preciso fazer algo.
Acorde, pois, trabalhando.
O próximo espera seu auxílio.
Mexa-se, de algum modo, para ajudar.
Guie um cego, na praça pública.
Garanta a higiene, onde você estiver.
Costure para os necessitados.
Dê um café aos filhos do infortúnio.
Destine a roupa supérflua ao andrajoso.
Não creia que o barulho de fora nos desperte. Entretanto, o ruído de nossas próprias mãos no trabalho construtivo renova-nos a mente.
Hoje, você enriquece o serviço do Senhor com alguma coisa. Amanhã, o serviço do Senhor será tesouro crescente, em seu caminho.

André Luiz / Médium Chico Xavier Livro: Mãos Marcadas
 Paz e Luz

Cooperação

Para que alguém dirija com êxito e eficiência uma empresa importante, não lhe basta a nomeação para o encargo.
Exige-se-lhe um conjunto de qualidades superiores para que a obra se consolide e prospere. Não apenas autoridade, mas direção com discernimento. Não só teoria e cultura, mas virtude e juízo claro de proporções.
Dilatados recursos nas mãos, a serviço de uma cabeça sem rumo, constituem tesouros nos braços da insensatez, assim como a riqueza sem orientação é navio à matroca.
Quem governa emitirá forças de justiça e bondade, trabalho e disciplina, para atingir os objetivos da tarefa em que foi situado.
Quando o poder é intemperante, sofre o povo a intranqüilidade e a mazorca, e, quando a inteligência não possui o timão do caráter sadio, espalha, em torno, a miséria e a crueldade.
Daí, conhecermos tantos tiranos nimbados de grandeza mental e tantos gênios de requintada sensibilidade, mas atolados no vício.
No mundo íntimo, a vontade é o capitão que não pode relaxar no mister que lhe é devido.
E assim como o administrador de um serviço reclama a ajuda de assessores corretos, a vontade não prescindirá da ponderação e da lógica, conselheiros respeitáveis na chefia das decisões.
No entanto, urge que o senso de cooperação seja chamado a sustentar-lhe os impulsos.
Nas linhas da atividade terrestre, quem orienta com segurança não ignora a hierarquia natural que vige na coexistência de todos os valores indispensáveis à vida.
Na confecção do agasalho comum, o fio contará com o apoio da máquina, a máquina esperará pela competência do operário, o operário edificar-se-á no técnico que lhe supervisiona o trabalho, o técnico arrimar-se-á na diretoria da fábrica e a diretoria da fábrica equilibrar-se-á no movimento da indústria, dele extraindo
o combustível econômico necessário à alimentação do núcleo de serviço que lhe obedece aos ditames.
Observamos, assim, que no Estado Individual a vontade, para satisfazer à governança que lhe compete, sem colapsos de equilíbrio, precisa socorrer-se da colaboração a fim de que se lhe clareie a atividade.
A cooperação espontânea é o supremo ingrediente da ordem.
Da Glória Divina às balizas subatômicas, o Universo pode ser definido como sendo uma cadeia de vidas que se entrosam na Grande Vida.
Cooperação significa obediência construtiva aos impositivos da frente e socorro implícito às privações da retaguarda.
Quem ajuda é ajudado, encontrando, em silêncio, a mais segura fórmula de ajuste aos processos da evolução.

Francisco Cândido Xavier - Pensamento e Vida - pelo Espírito Emmanuel
Paz e Luz

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Se soubesses...

.... És precioso aos meus olhos.Troco reinos inteiros por ti...
Jesus Cristo


Se soubesses quão venenoso é o conteúdo de fel a tisnar o cálice da aversão, decerto compreenderias que todo golpe de crueldade não é senão desafio à tua capacidade de entendimento.
*
Se soubesses a trama de sombra que freme, perturbadora, em torno da palavra infeliz que proferes, na crítica à luta alheia, preferirias amargar no silêncio as feridas de tua mágoa, esperando que o tempo lhes ofereça a necessária medicação.
*
Se soubesses a quantidade dos crimes, oriundos da revolta e da queixa, escolherias padecer toda sorte de sofrimento antes que reclamar consideração e justiça em teu próprio favor.
*
Se soubesses a multidão de males que a vingança provoca, esquecerias sem custo os braseiros de dor que a calúnia te arremessa à existência.
*
Lembra-te de que o ódio é o grande fornecedor das prisões e de que a cólera é responsável pela maior parte das moléstias que infelicitam a vida e guarda o coração na grande serenidade, se te propões conservar em ti mesmo o tesouro da paz e a bênção da segurança.
*
Ainda mesmo que alguém te ameace com o gládio da morte, desculpa e segue adiante, porque as vítimas ajustadas aos marcos do Bem Eterno elevam-se de nível, enquanto que os ofensores, ainda mesmo os aparentemente mais dignos, descem aos precipícios do tempo para o acerto reparador.
*
De qualquer modo, se a aflição te procura, cala e perdoa sempre, porque se o Mestre nos exortou ao amor pelos inimigos, também nos advertiu que a mão erguida à delinquência da espada, agora, hoje ou amanhã, na espada fenecerá.

(De “Alma e Luz”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

Paz e Luz

Situações e oportuninades

Conquanto a sua vida lhe pareça um torvelinho incessante de dificuldades, considere o impositivo da reencarnação e aproveite a oportunidade.
As piores provações se agravam quando são ignoradas suas causas.
*
Embora os empeços para a sua vitória no palco social, insista nos deveres nobres.
Os mais sérios insucessos são os que atingem o espírito.
*
Apesar da família problema com que você se vê a braços, tal é o clã necessário à sua revelação.
Familiares difíceis — dívidas em cobrança de urgência.
*
Embora as enfermidades incessantes que o visitam, confie na saúde e mentalize-a.
Doente, em verdade, é todo aquele que como tal se considera.
*
Com os pés atados à pobreza e de mãos amarradas pelas constrições do dia-a-dia, não desanime.
Hoje difícil — amanhã abençoado.
*
Não considerado no ambiente social em que se encontra, esforçando-se para fazer-se respeitar, evite o agastamento.
Muitas vezes o desdouro que lhe atiram é homenagem a valores que você possui e eles ignoram.
*
Penetre-se pelas lições com que a fé viva e racional lhe chama a atenção, deixando-se incorporar, de modo que você supere obstáculos e limitações, descobrindo os tesouros inalienáveis do seu próprio espírito e usando-os a benefício da sua harmonia íntima.
Opiniões valem a consideração que lhes damos.
Pessoas significam as lições que desejemos aprender.
*
Identificado à opinião evangélica e conduzido por Jesus, afigurar-se-á preciosa a atual reencarnação, valorizando-a e dando-se integralmente ao seu aproveitamento.

Marco Prisco
(De “Sementeira da Fraternidade”, de Divaldo Pereira Franco – Diversos Espíritos)

Paz e Luz

domingo, 5 de agosto de 2012

Porta estreita

"Porfiai por entrar pela porta estreita, porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão." - Jesus. (Lucas, 13:24.)

Antes da reencarnação necessária ao progresso, a alma estima na "porta estreita" a sua oportunidade gloriosa nos círculos carnais.
Reconhece a necessidade do sofrimento purificador. Anseia pelo sacrifício que redime. Exalta o obstáculo que ensina. Compreende a dificuldade que enriquece a mente e não pede outra coisa que não seja a lição, nem espera senão a luz do entendimento que a elevará nos caminhos infinitos da vida.
Obtém o vaso frágil de carne, em que se mergulha para o serviço de retificação e aperfeiçoamento.
Reconquistando, porém, a oportunidade da existência terrestre, volta a procurar as "portas largas" por onde transitam as multidões.
Fugindo à dificuldade, empenha-se pelo menor esforço.
Temendo o sacrifício, exige a vantagem pessoal. Longe de servir aos semelhantes, reclama os serviços dos outros para si.
E, no sono doentio do passado, atravessa os campos de evolução, sem algo realizar de útil, menosprezando os compromissos assumidos.
Em geral, quase todos os homens somente acordam quando a enfermidade lhes requisita o corpo às transformações da morte.
"Ah! se fosse possível voltar!..." - pensam todos.
Com que aflição acariciam o desejo de tornar a viver no mundo, a fim de aprenderem a humildade, a paciência e a fé!... com que transporte de júbilo se devotariam então à felicidade dos outros! ...
Mas... é tarde. Rogaram a "porta estreita" e receberam-na, entretanto, recuaram no instante do serviço justo. E porque se acomodaram muito bem nas "portas largas", volvem a integrar as fileiras ansiosas daqueles que procuram entrar, de novo, e não conseguem.

Vinha de Luz
Francisco Cândido Xavier
Ditado pelo Espírito Emmanuel
l

sábado, 4 de agosto de 2012

Erguer e ajudar

"E ele, dando-lhe a mão, a levantou,. ," - (Atos, 9:41.)

Muito significativa a lição dos Atos, quando Pedro restaura a irmã Dorcas para a vida.
Não se contenta o apóstolo em pronunciar palavras lindas aos seus ouvidos, renovando-lhe as forças gerais.
Dá-lhe as mãos para que se levante.
O ensinamento é dos mais simbólicos.
Observamos muitos companheiros a se reerguerem para o conhecimento, para a alegria e para a virtude, banhados pela divina
claridade do Mestre, e que podem levantar milhares de criaturas para a Esfera Superior.
Para isso, porém, não bastará a predicação pura e simples. O sermão é, realmente, um apelo sublime, do qual não prescindiu o próprio
Cristo, mas não podemos esquecer que o Celeste Amigo, se doutrinou no monte, igualmente no monte multiplicou os pães para o povo
esfaimado, restabelecendo-lhe o ânimo.
Nós, os que nos achávamos mortos na ignorância, e que hoje, por acréscimo da Misericórdia Infinita, já podemos desfrutar algumas
bênçãos de luz, precisamos estender o serviço de socorro aos demais.
Não nos desincumbiremos, porém, da. Tarefa salvacionista, simplesmente pronunciando alguns discursos admiráveis.
É imprescindível usar nossas mãos nas obras do bem.
Esforço dos braços significa atividade pessoal.
Sem o empenho de nossas energias, na construção do Reino Espiritual com o Cristo, na Terra, debalde alinharemos observações
excelentes em torno das preciosidades da Boa Nova ou das necessidades da redenção humana.
Encontrando o nosso irmão, caído na estrada, façamos o possível por despertá-lo com os recursos do verbo transformador, mas não
olvidemos que, para trazê-lo de novo à vida construtiva, será indispensável, segundo a inesquecível lição de Pedro, estender-lhe
fraternalmente as nossas mãos.

Livro: Fonte Viva
Emmanuel/ Francisco Cândido Xavier

Em seu benefício

Não se agaste com o ignorante; certamente, não dispõe ele das oportunidades que iluminaram seu caminho.
*
Evite aborrecimentos com as pessoas fanatizadas; permanecem no cárcere do exclusivismo e merecem compaixão como
qualquer prisioneiro.
*
Não se perturbe com o malcriado; o irmão intratável tem, na maioria das vezes, o fígado estragado e os nervos doentes.
*
Ampare o companheiro inseguro; talvez não possua o necessário, quando você detém excessos.
*
Não se zangue com o ingrato; provavelmente, é desorientado ou inexperiente.
*
Ajude ao que erra; seus pés pisam o mesmo chão e, se você tem possibilidades de corrigir, não tem o direito de censurar.
*
Desculpe o desertor; ele é fraco e mais tarde voltará à lição.
*
Auxilie o doente; agradeça ao Divino poder o equilíbrio que você está conservando.
*
Esqueça o acusador; ele não conhece o seu caso desde o princípio.
*
Perdoe ao mau; a vida se encarregará dele.

Francisco Cândido Xavier - Agenda Cristã - pelo Espírito André Luiz

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Realmente

A tempestade espanta. Entretanto, acentuar-nos-á a resistência, se soubermos recebê-la.
*
A dor dilacera. Mas aperfeiçoar-nos-á o coração, se buscarmos aproveitá-la.
*
A incompreensão dói. Contudo, oferece-nos excelente oportunidade de compreender.
*
A luta perturba. Todavia, será portadora de incalculáveis benefícios, se lhe aceitarmos o concurso.
*
O desespero destrói. Diante dele, porém, encontramos ensejo de cultivar a serenidade.
*
O ódio enegrece. No entanto, descortina bendito horizonte à revelação do amor.
*
A aflição esmaga. Abre-nos, todavia, as portas da ação consoladora.
*
O choque assombra. Nele, contudo, encontraremos abençoada renovação.
*
A prova tortura. Sem ela, entretanto, é impossível a aprendizagem.
*
O obstáculo aborrece. Temos nele, porém, legítimo produtor de elevação e capacidade.

(De “Agenda cristã”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito André Luiz)

Paz e Luz

Vigilância mental

A vigilância é sempre a eterna âncora da alma, apoiada no fundo do mar tempestuoso da mente, a nos garantir a tranquilidade, disciplinando uma profusão de pensamentos diários, de maneira a serem úteis no seu campo de ação.
Sensibilizemos, pois, a consciência pela força da caridade, pelo ambiente da prece, na luz da fé, para que possamos sentir, antes de pensar, o teor das ideias. Quando os pensamentos estão em projetos, nas profundezas da vida, é mais fácil consertá-los, ou desvencilharmo-nos deles com a simples borracha da disciplina; ao passo que, depois de concretizados, dando forma aos sentimentos, tornar-se-á mais difícil a sua remoção, mesmo no campo reversivo, dada à coesão ocorrida por junção protogenética, com sintonia profunda de elementos sutis.
Quando acontece à alma viver em plano superior das emoções, por descuido, formar pensamentos negativos, conhecendo o processo de desintegrá-los, tais pensamentos, ao se formarem, são fotografados pela mente em milhões de ângulos, impregnando todo o cosmo orgânico e psíquico. O inconsciente demorará a acompanhar as vibrações escuras que viajam em todo o complexo humano, para desfazer-se das suas características malfazejas, bombardeando, aqui e ali, seus conglomerados de energias retardadas.
É bom notar o valor da vigilância, para que o corpo e a mente não sofram o castigo da imprudência. Devemos nos manter diligentes frente aos impulsos mentais inferiores, pois eles nos causam distúrbios de difícil reparo.
Resguardo não é medo. É bom senso a nos ajudar em ângulo diferente. Copiemos a natureza da árvore, quando sofre um golpe de afiada lâmina que aparece no seu ciclópico tronco; a emoção da planta se agita bem antes de ser ferida e os recursos aparecem por vias inumeráveis a desfazer o perigo iminente.
A mente humana adestrada perceberá os pensamentos inferiores bem antes da sua formação conata e deverá procurar os recursos que a inteligência lhe capacitou e a evolução lhe garantiu, para que o trabalho não se torne mais difícil. Em todos os casos, quem não se deu com a bênção da vigilância, procure fazer o melhor ao seu alcance. Trabalhe, lute na limpeza da mente, arranque o joio e queime pelos processos alcançados. Mas não fique parado.
Se já despertastes do sono, esforçai-vos para vos absterdes dos vícios e hábitos incômodos. É dignidade do espírito, não obstante, a sabedoria nos pede para que não deixemos seus lugares vazios. A supressão requer algo no lugar do suprimido. Se estais vos desvencilhando do ódio, colocai em sua área o amor. Se a vingança já está se desfazendo em vosso coração, não vos esqueçais de alimentar o perdão. Se a dúvida está desaparecendo dos vossos caminhos, tratai da fé com todos os seus recursos virtuosos.
Essa é a verdadeira vigilância do iniciado. O resguardo sem fanatismo ambiente a alma para grandes voos espirituais, sem acobertar erros, nem exagerar na rota da perfeição sem preparo.
Sabeis por que aconselhamos a escolha das sementes, que deveis plantar na lavoura mental? Achamos que estais conscientes do fato. No entanto, é bom que falemos mais. A repetição gera firmeza, principalmente no trato com a verdade. O plantio invigilante de ventos dá nascimento a tempestades, que arruínam o próprio dono.
Meus filhos, se começais hoje na educação da mente, tereis certeza da reversão da própria natureza inferior. Tereis que lutar com vós mesmos, muito, mas muito tempo, mas podeis carregar a convicção de que vencereis. Já dizia Jesus aos seus discípulos: "Aquele que perseverar até o fim será salvo".
Aquele que não esmorecer nesse empreendimento sagrado de educar a si mesmo, de limpar a mente, de criar nos campos férteis dos pensamentos áreas compatíveis com a luz, onde poderão nascer as mais belas diretrizes da alma, ajustando todas as emoções em uma dialética mental, conseguirá a transmutação dos desejos inferiores em sementes de luz, para que as plantas, flores e frutos sejam produtos do amor.

(De “Horizontes da Mente”, de João Nunes Maia, pelo Espírito Miramez)

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Francisco Cândido Xavier

A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos, e até ter um governo mais ou menos.
A gente pode dormir numa cama mais ou menos, comer um feijão mais ou menos, ter um transporte mais ou menos, e até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.
A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos...
Tudo bem!
O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum...
é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos.
Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos.

Solidariedade

Sem o devido culto à solidariedade na vida, indiscutivelmente, nossos passos, por mais firmes, não surpreenderiam à frente senão desequilíbrio e perturbação, desentendimento e morte.
*
Afere-se o valor da criatura em função da sociedade em que vive.
*
Imaginemos o senhor da mais alta fortuna terrena, relegado a plano deserto.
*
O dono da melhor inteligência sem ouvidos que o ouçam...
*
O pastor sem rebanho...
*
O palácio imponente sem viv’alma que o povoe...
*
O navio mais suntuoso navegando sem ninguém...
*
Não adiantam a excelência e o poder, a riqueza e o destaque sem proveito.
*
A solidariedade reside nas bases mais simples da vida, para que a vida se estenda em cânticos de alegria e glorificação.
*
A fonte alimenta o arvoredo e o arvoredo protege a fonte, oferecendo-nos, com isso, a bênção do fruto.
*
As pedras resguardam o cimento que as reúne e o cimento equilibra as pedras que o consolidam, doando-nos o refúgio do lar.
*
Tudo é independência e sustentação recíproca nos mínimos recantos da natureza, para que o homem desfrute o aprendizado da existência no corpo — breve estágio de luta — para a sublime ascensão à Imortalidade Vitoriosa.
*
Atendamos aos impositivos da fraternidade e compreendamos que a Lei Divina, em tempo algum, nos deseja confinados ao insulamento que, no fundo, é sempre egoísmo, ainda mesmo quando nos retiremos do combate humano, a pretexto de conservar a virtude e garantir a fé.
*
A própria família consanguínea a que todos nós nos enquadramos, quando no mundo carnal, é uma ordem de assistência mútua.
Ninguém surge na Terra, sem o carinho do berço e o berço é sempre a ternura de mãe, a desfazer-se em talentos de paz e luz.
*
Honremos ao Senhor que nos honra com as oportunidades atuais de realização e serviço e amparando-nos, uns aos outros, de acordo com as nossas deficiências, abreviaremos nosso caminho de acesso à Felicidade Maior.
Emmanuel

(De “Sentinelas da Luz”, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos Diversos)

Sailing

Christopher Cross
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