quinta-feira, 31 de maio de 2012

Nunca, a sós

Não poucas vezes, no turbilhão da vida moderna de hoje, qual aconteceu na monotonia dos dias transatos, a criatura humana tem a impressão de que se encontra a sós, lutando contra a correnteza dos acontecimentos, que a leva inapelavelmente na direção do abismo.
Falta de estímulo para continuar na faina pela conquista do pão, desinteresse por si mesma, sofrimento interior sem aparente explicação, ausência de compreensão dos amigos, frustração ante as ocorrências que esperava lhe fossem favorecer com plenitude ou paz, tormentos íntimos perturbadores, são fenômenos do dia-a-dia na agenda de incontáveis criaturas, que se sentem desamparadas e solitárias...
A ausência de uma fé religiosa robusta, que possa apontar o rumo da imortalidade, abre espaço para comportamentos inquietadores, empurrando para a depressão e para a revolta surda, silenciosa.
As aspirações materialistas, trabalhadas pelos conceitos de felicidade sem jaça e de harmonia sem desafios, transformam-se em desencanto, gerando cepticismo a respeito de qualquer conquista que possa equacionar esses transtornos, submetendo-a ao açodar de ressentimentos da existência e das pessoas à sua volta.
Enquanto o vozerio do prazer enganoso e a gargalhada estentórica da alucinação no gozo imediatista, dominam as paisagens humanas, convidando ao afogamento dos conflitos no mar tumultuado da embriaguez dos sentidos, mais aflição desencadeia em quem se encontra em angústia por ausência de objetivo existencial.
Sucede que o homem da atualidade, após as conquistas externas que persegue, não se preocupou quanto deveria pela autopenetração, descobrindo os valores que se lhe encontram ínsitos, desenvolvendo-os e harmonizando-os com as aquisições de fora. Priorizou demasiadamente a face material em detrimento da realidade espiritual, agonizando, agora, nos favores do poder e do prazer, sem preencher-se de paz, porquanto lhe ocorrem saturação e cansaço, enquanto permanece com sede de realização íntima e de maior contato com a Vida em si mesma.
Confundindo a transitoriedade do corpo com a eternidade do Espírito, desfruta das sensações e das emoções do primarismo orgânico, sem as correspondentes expressões da emotividade superior.
A arte, a cultura, a tecnologia, o pensamento filosófico, vinculados ao impositivo de oferecer respostas imediatas, perdem em beleza o que adquirem em agressividade, expressando o momento moral do planeta, conduzindo à excitação e logo depois à exaustão, sem contribuírem com harmonia, esperança, alegria ou paz.
Não se trata de uma observação pessimista, mas de uma constatação de resultados, contabilizando-se a hediondez do crime e da violência que se multiplica em toda parte, em prejuízo da cultura e da civilização.
* * *
No passado, quando a Humanidade estorcegava sob a chibata do Império Romano, que dominava praticamente o mundo, e o abuso do poder aliado à desgovernança moral dos indivíduos, fomentavam o sofrimento de milhões de outros, veio Jesus, que inaugurou a Era da esperança, prometendo jamais deixar a sós quem quer que nEle confiasse ou que se entregasse a Deus.
A partir de então, ninguém mais ficou em solidão.
Maria, a pecadora arrependida, que se Lhe dedicou, experimentou vicissitudes diversas, mas nunca ficou ao desamparo.
Pedro, reconhecendo a loucura momentânea da negação, prosseguiu sem desânimo, e jamais deixou de receber-Lhe a presença.
Saulo, tocado pela Sua misericórdia, transformou-se, tornando-se-Lhe arauto incomparável, que O levou a quase todo o mundo do seu tempo.
João, que Lhe permaneceu fiel, prosseguiu amparado, e narrou-Lhe a saga incomparável, visitado pelo Seu psiquismo afável e inspirador.
Mais tarde, Agostinho, travando contato com o Seu pensamento, renovou-se, e fez-se piloti de segurança da Sua mensagem.
Francisco Bernardone, fascinando-se pelo Seu convite, experimentou padecimentos incessantes, nunca, porém, a sós...
Terezinha de Lisieux, tocada pela Sua palavra, dedicou-Lhe a rápida juventude, experimentando o Seu apoio.
Tereza de Calcutá, em Sua homenagem, tomou a cruz dos sofrimentos humanos e carregou-a nos ombros frágeis até o fim da existência, sentindo-Lhe a força revigorante.
...E milhares de outros exemplos, que se Lhe vincularam, conseguiram enfrentar todas as vicissitudes, sem perder o entusiasmo ou jamais recear, com a Sua companhia.
Experimenta, por tua vez, identificar-te com Jesus, penetrar-lhe os ensinamentos, reflexionar nEle, assimilá-los, aplicando-os ao comportamento, e verificarás que uma transformação vigorosa se operará em teu ser interior, propiciando-te coragem e valor para prosseguires sem qualquer desânimo ou perturbação.
E quando te advierem as lutas e os testemunhos, que são inevitáveis na economia espiritual de todos os seres que rumam na direção do Infinito, e que não te pouparão, nEle encontrarás amparo e estímulo para o prosseguimento com incomum alegria, aquela que caracteriza todo aquele que se encontra viajando na direção do Grande Lar, e espera o momento da chegada feliz.
Desse modo, não fujas do mundo nem te atires a ele, buscando soluções que nessa conduta não encontrarás.
Reconsidera, portanto, as tuas atuais atitudes, e experimenta renovação com Jesus, facultando-te uma nova oportunidade para enriquecer-te de alegria de viver e poderes expandir o teu pensamento e as tuas realizações.
* * *
Quem O visse na cruz, naquela tarde funesta e tenebrosa, entre dois ladrões e sob a zombaria dos trêfegos e aturdidos do mundo, pensaria que estava diante de um vencido e abandonado, que a morte logo iria colher. No entanto, Ele estava em vinculação estreita com Deus, muito além das percepções humanas, cercado por legiões de cooperadores espirituais do Seu reino, preparando-Se para a libertação, a fim de logo mais retornar em gloriosa ressurreição, demonstrando a Sua e a imortalidade de todas as criaturas.
Desse modo, quando te sintas em abandono, aparentemente desamparado e sem amigos, sob sofrimentos e angústias, pensa em Jesus, e jamais experimentarás solidão.

Joanna de Ângelis

Sugestões no caminho

Lamentar-se por quê?... Aprender sempre, sim.
Cada criatura colherá da vida não só pelo que faz, mas também conforme
esteja fazendo aquilo que faz.
Não se engane com falsas apreciações acerca de justiça, porque o tempo é o
juiz de todos.
Recorde: tudo recebemos de Deus que nos transforma ou retira isso ou aquilo,
segundo as nossas necessidades.
A humildade é um anjo mudo.
Tanto menos você necessite, mais terá.
Amanhã será, sem dúvida, um belo dia, mas para trabalhar e servir, renovar e
aprender, hoje é melhor.
Não se iluda com a suposta felicidade daqueles que abandonam os próprios
deveres, de vez que transitoriamente buscam fugir de si próprios, como quem
se embriaga para debalde esquecer.
O tempo é ouro, mas o serviço é luz.
Só existe um mal a temer: aquele que ainda exista em nós.
Não parar na edificação do bem, nem para colher os louros do espetáculo, nem
para contar as pedras do caminho.
A tarefa parece fracassar? Siga adiante, trabalhando, que, muita vez é
necessário sofrer, a fim de que Deus nos atenda à renovação.

(Obra: Sinal Verde - Chico Xavier/André Luiz)

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O remédio salutar

"Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros para que sareis." - (Tiago, 5:16.)

A doença sempre constitui fantasma temível no campo humano, qual se a Carne fosse tocada de maldição; entretanto, podemos afiançar que o número de enfermidades, essencialmente orgânicas, sem interferências psíquicas, é positivamente diminuto.
A maioria das moléstias procede da alma, das profundezas do ser. Não nos reportando à imensa caudal de provas expiatórias que invade inúmeras existências, em suas expressões fisiológicas, referimo-nos tão-somente às moléstias que surgem, de inesperado, com raízes no coração.
Quantas enfermidades pomposamente batizadas pela ciência médica não passam de estados vibratórios da mente em desequilíbrio?
Qualquer desarmonia interior atacará naturalmente o organismo em sua Zona vulnerável. Um experimentar-lhe-á os efeitos no fígado, outro, nos rins e, ainda outro, no próprio sangue.
Em tese, todas as manifestações mórbidas se reduzem a desequilíbrio, desequilíbrio esse cuja causa repousa no mundo mental.
O grande apóstolo do Cristianismo nascente foi médico sábio, quando aconselhou a aproximação recíproca e a assistência mútua como remédio salutares. O ofensor que revela as próprias culpas, ante o ofendido, lança fora detritos psíquicos, aliviando o plano
interno; quando oramos uns pelos outros, nossas mentes se unem, no círculo da intercessão espiritual, e, embora não se verifique o registro imediato em nossa consciência comum, há conversações silenciosas pelo "sem-fio" do pensamento.
A cura jamais chegará sem o reajustamento íntimo necessário, e quem deseje melhoras positivas, na senda de elevação, aplique o conselho de Tiago; nele, possuímos remédio salutar para que saremos na qualidade de enfermos encarnados ou desencarnados.

Vinha de Luz
Francisco Cândido Xavier
Ditado pelo Espírito Emmanuel

terça-feira, 29 de maio de 2012

O selo do amor


Pelo caminho da ascensão espiritual, denominado "cada dia", encontrarás variados recursos de aprimoramento, a cada passo.
É o trabalho que te espera a noção de responsabilidade no devotamento ao dever.
É a oportunidade de praticar o bem, incessantemente.
É o companheiro da parentela consangüínea que te não compreende ainda e, junto do qual, podes exercer o ministério do auxílio e do perdão.
É o adversário que te combate os propósito de melhoria com quem a luta te possibilita a hora de paciência e aprendizado.
É a tentação sedutora, que nasce das profundezas de teu próprio ser, em cujo clima é possível desenvolver a tua resistência para a aquisição de novo poder moral.
É o espinho que te fere ou a pedra que te maltrata, que se fazem benfeitores de tua jornada, por te descerrarem o santuário da prece e da humildade, se a tua mente vive acordada à luz do Senhor.
É a dificuldade que, muitas vezes, te surpreende nos lábios dos mais queridos, constrangendo-se à consolidação de virtudes imprecisas.
Segue adiante, amando, crendo, esperando e servindo sempre.
Cada obstáculo e cada amargura guardam raízes no processo educativo de nossa própria regeneração.
Cada ensinamento tem o seu lugar, a sua hora e a sua finalidade.

* * *
Aproveita semelhantes bênçãos, de conformidade com os padrões de Jesus que passou entre nós fazendo o bem, que nos ama desde o princípio e que permanecerá conosco, até o fim dos séculos.
Dirás, talvez, diante de nosso apelo: - "Não compreendo, não me lembro, não posso..." O Senhor, entretanto, não nos impõe fardos que não possamos suportar, não nos endereça problemas que não estejamos aptos a resolver e jamais esqueçamos que a reencarnação traz o selo do amor divino, em benemérito esquecimento, enriquecendo-nos de bênçãos de reaproximação, fraternidade e serviço, a fim de executarmos, sem percalços invencíveis, o trabalho de nossa própria redenção.

Livro: Instrumentos do Tempo
Emmanuel & Francisco Cândido Xavier

Reflexões diárias

*Nenhum problema aparece ao acaso, e, por isso, é imperioso te armes de amor para a luta íntima.

*A fraternidade pura é o mais sublime dos sistemas
de relações entre as almas.

*Se estás em serviço do Senhor, considera os imperativos da iluminação, porque o mundo precisa de servidores
cristãos e, não, de tiranos doutrinários.

*Só a Vontade é suficientemente forte para sustentar
a harmonia do espírito.

*O silêncio em serviço é uma prece que fala.

*A única fórmula clara e segura de vencer, no teste contra as influências inferiores, será sempre, o que for, com quem for e seja onde for, esquecer o mal e fazer o bem.

Emmanuel

Milton Nascimento

Brilhe tua luz

A movimentação contínua da massa humana causa-te preocupação, se consideras a problemática espiritual, que a todos diz respeito.
Grande parte se te apresenta carrancuda, sob o extenuar das dores para as quais não se preparou, convenientemente, derrapando em violências contra os outros e contra si mesma.
Outra expressiva quantidade de criaturas transita distraída, sem dar-se conta das responsabilidades que lhe dizem respeito.
A desinformação em torno dos valores do Espírito — aqueles que são de duração imperecível —, é alarmante, somando aos conceitos errôneos que muitos esposam, em chocante desconsideração quanto às realidades da Vida.
Tendo em vista tais situações, reflete em torno dos movimentos religiosos que conduzem as massas, esvaziadas de sentimento legítimo de fé, sem claridades interiores, ficando aturdido.
Sem dúvida, toda emulação edificante, intentando incorporar Jesus ao dia-a-dia dos homens, é de alta significação. No entanto, a claridade da fé deve estar sustentada pelo combustível dos feitos, sob pena de apagar-se de um para outro momento.
Para lograr-se tal desiderato é imprescindível que haja um suporte da razão que se apóia nos fatos, de que se não pode evadir a mente, quando ocorrências desagradáveis ameaçam o equilíbrio.
Desacostumados ao raciocínio em matéria de fé, os homens submetem-se aos códigos do amor agora, para abandoná-los mais tarde, crendo, por conveniências passageiras, antes por acomodação de interesses, do que pela necessidade de crescimento e renovação.
*
São respeitáveis as movimentações exteriores do clima religioso da Terra. Todavia, é de vital importância a transformação moral do homem ante a presença da fé, na mente e no coração.
Quem diz crer e não produz para o bem do seu próximo, é insensato.
Se se utiliza da vida e não reparte bênçãos, torna-se dilapidador da oportunidade.
Se se enclausura na vaidade da salvação individual, faz-se parasita inconsequente.
Se impõe a sua forma de ser, estribado em presunçosas convicções, transforma-se em prepotente.
Somente quando nele brilha a luz do Cristo, exteriorizando em atos o odor da caridade e do amor, é que se encontra em condições de provar que o caminho da felicidade leva ao próximo, numa viagem para fora, após haver-se penetrado pela busca interior, mediante a introspecção e a prece que ora o sustentam nos cometimentos libertadores.
*
Não te detenhas, ante os impedimentos massivos, na tarefa de auxílio espiritual.
Junta a tua a outras candeias que estejam ardendo na noite das aflições, derramando parca luminosidade.
Vai ao teu próximo e clarifica-o com a mensagem do Cristo, chamando à ação e à responsabilidade.
Não obstante o Evangelho houvesse sido pregado para a aturdida multidão, o Mestre não se poupou esforços no ministério de atender e iluminar uma a uma as criaturas que Dele se acercavam.
Tem confiança irrestrita na Sua governança e faze a tua parte sem precipitação nem pessimismo, não temendo a mole humana, nem tombando na marginalização por indiferença ou timidez.
Espiritualiza-te, e deixa que a tua luz brilhe confortadora, apontando os rumos da paz para os que seguem contigo.
(De “Alerta”, de Divaldo P. Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis)

Servicinhos

"Antes sede uns para com os outros benignos." - Paulo. (EFÉSIOS, 4:32.)

Grande massa de aprendizes queixa-se, por vezes, da ausência de grandes oportunidades nos serviços do mundo.
Aqui, é alguém desgostoso por não haver obtido um cargo de alta relevância; além, é um irmão inquieto porque ainda não conseguiu situar o nome na grande imprensa.
A maioria anda esquecida do valor dos pequenos trabalhos que se traduzem, habitualmente, num gesto de boas maneiras, num sorriso fraterno e consolador... Um copo de água pura, o silêncio ante o mal que não comporta esclarecimentos imediatos, um livro santificante que se dá com amor, uma sentença carinhosa, o transporte de um fardo pequenino, a sugestão do bem, a tolerância em face de uma conversação fastidiosa, os favores gratuitos de alguns vinténs, a dádiva espontânea ainda que humilde, a gentileza natural, constituem serviços de grande valor que raras pessoas tomam à justa consideração.
Que importa a cegueira de quem recebe? que poderá significar a malevolência das criaturas ingratas, diante do impulso afetivo dos bons corações? Quantas vezes, em outro tempo, fomos igualmente cegos e perversos para com o Cristo, que nos tem dispensado todos os obséquios, grandes e pequenos?
Não te mortifiques pela obtenção do ensejo de aparecer nos cartazes enormes do mundo. Isso pode traduzir muita dificuldade e perturbação para teu espírito, agora ou depois.
Sê benevolente para com aqueles que te rodeiam. Não menosprezes os servicinhos úteis.
Neles repousa o bem-estar do caminho diário para quantos se congregam na experiência humana.

(Obra: Vinhas de Luz - Chico Xavier/Emmanuel)

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Caminho da luz

Além do mundo amargo e miserando
Há na morte um caminho florescente,
Onde a alegria mora eternamente
Entre flores e pássaros cantando.

Estrada de ouro e luz ignescente,
Onde passam espíritos em bando,
Suaves corações glorificando
Os triunfos da lágrima pungente.

Nesse caminho, as almas vencedoras
Guardam consigo as jóias da ventura,
Sem que os séculos possam desfazê-las.

Esplendores de sóis, clarões de auroras,
Flores de amor e paz risonha e pura,
Há nessa estrada fúlgida de estrelas!...

(Olavo Bilac - Livro: Lira Imortal - Francisco Cândido Xavier - Espíritos Diversos)

Livre-arbítrio

"Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me."
- Marcos, cap. 8 v. 34


Nesta passagem, Jesus enfatiza a importância do livre-arbítrio com que somos todos aquinhoados.
A faculdade de escolha entre o bem e o mal nos pertence, como igualmente nos pertence a inteira
responsabilidade da opção efetuada.
O Mestre, hora alguma, nos engana com falsas promessas. Em mais de uma oportunidade, enfatiza
que tomar a iniciativa de acompanhá-lo não é fácil.
O crente que, de livre e espontânea vontade, desejar segui-lo, está avisado dos procedimentos
básicos para tal: negar a si mesmo e tomar a sua cruz!
Negar a si mesmo significa renunciar ao personalismo; tomar a sua cruz subentende arcar com as
inevitáveis consequências da ousadia...
Ele não nos traça nenhuma outra condição, nem efetua qualquer espécie de exigência.
O problema de seguir o Cristo diz respeito unicamente a nós, nos embaraços que possamos ocasionar
a nós mesmos, com o nosso exagerado apego às facilidades que nos habituamos a usufruir.
Quem se propõe ir com Ele não tem, pois, o direito de se queixar do caminho acidentado que
decide percorrer...
E mais: nenhum homem ignora para onde se dirige o Cristo, na escalada do monte dos mais ásperos
testemunhos!
- "Se alguém quer" - advertiu-nos -, o caminho é por aqui...
- "... e siga-me." Quer dizer: não faça perguntas e nem espere explicações!
Portanto, não se compreende o cristão que, por exemplo, se mostra desapontado ou, inclusive,
tendente a perder a fé, porque, na decisão que tomou de seguir o Cristo, em vez de aplausos,
esteja recebendo pedradas.

(Obra: Saúde Mental À Luz do Evangelho - Carlos A.Baccelli / Inácio Ferreira)

terça-feira, 22 de maio de 2012

O mensageiro do amor

Falava-se na reunião, com respeito à preponderância dos sábios na Terra, quando Jesus
tomou a palavra e contou, sereno e simples:
— Há muitos anos, quando o mundo perigava em calamitosa crise de ignorância e perversidade,
o Poderoso pai enviou-lhe um mensageiro da ciência, com a missão de entregar-lhe
gloriosa mensagem de vida eterna. Tomando forma, nos círculos da carne, o esclarecido obreiro
fez-se professor e, sumamente interessado em letras, apaixonou-se exclusivamente pelas
obras da inteligência, afastando-se, enojado, da multidão inconsciente e declarando que vivia
numa vanguarda luminosa, inacessível à compreensão das pessoas comuns. Observando-o incapaz
de atender aos compromissos assumidos, o Senhor Compassivo providenciou a viagem
de outro portador da ciência que, decorrido algum tempo, se transformou em médico admirado.
O novo arauto da Providência refugiou-se numa sala de ervas e beberagens, interessando-se
tão somente pelo contacto com enfermos importantes, habilitados à concessão de grandes
recompensas, afirmando que a plebe era demasiado mesquinha para cativar-lhe a atenção. O
Todo-Bondoso determinou, então, a vinda de outro emissário da ciência, que se converteu em
guerreiro célebre. Usou a espada do cálculo com mestria, pôs-se à ilharga de homens astuciosos
e vingativos e, afastando-se dos humildes e dos pobres, afirmava que a única finalidade do
povo era a de salientar a glória dos dominadores sanguinolentos. Contristado com tanto insucesso,
o Senhor Supremo expediu outro missionário da ciência, que, em breve, se fez primoroso
artista. Isolou-se nos salões ricos e fartos, compondo música que embriagasse de prazer o
coração dos homens provisoriamente felizes e afiançou que o populacho não lhe seduzia a sensibilidade
que ele mesmo acreditava excessivamente avançada para o seu tempo.
Foi, então, que o Excelso Pai, preocupado com tantas negações, ordenou a vinda de um
mensageiro de amor aos homens.
Esse outro enviado enxergou todos os quadros da Terra, com imensa piedade. Compadeceu-
se do professor, do médico, do guerreiro e do artista, tanto quanto se comoveu ante a
desventura e a selvageria da multidão e, decidido a trabalhar em nome de Deus, transformou-se
no servo diligente de todos. Passou a agir em benefício geral e, identificado com o povo a
que viera servir, sabia desculpar infinitamente e repetir mil vezes o mesmo esforço ou a mesma
lição. Se era humilhado ou perseguido, buscava compreender na ofensa um desafio benéfico à
sua capacidade de desdobrar-se na ação regeneradora, para testemunhar reconhecimento à
confiança do Pai que o enviara. Por amar sem reservas os seus irmãos de luta, em muitas situações
foi compelido a orar e pedir o socorro do Céu, perante as garras da calúnia e do sarcasmo;
entretanto, entendia, nas mais baixas manifestações da natureza humana, dobrados motivos
para consagrar-se, com mais calor, à melhoria dos companheiros animalizados, que ainda
desconheciam a grandeza e a sublimidade do Pai Benevolente que lhes dera o ser.
Foi assim, fazendo-se o último de todos, que conseguiu acender a luz da fé renovadora e
da bondade pura no coração das criaturas terrestres, elevando-as a mais alto nível, com plena
vitória na divina missão de que fora investido.
Houve ligeira pausa na palavra doce do Messias e, ante a quietude que se fizera espontânea
no ruidoso ambiente de minutos antes, concluiu ele, com expressivo acento na voz:
— Cultura e santificação representam forças inseparáveis da glória espiritual. A sabedoria
e o amor são as duas asas dos anjos que alcançaram o Trono Divino, mas, em toda parte,
quem ama segue à frente daquele que simplesmente sabe.

Jesus no Lar - Pelo Espírito de Neio Lúcio / Franciso C Xavier

Companheiros vacilantes

Nas ocasiões de crise espiritual, será talvez a fé aquela qualidade mais intensamente examinada no âmago das criaturas.
Se conservas contigo os valores da confiança, habilita-te a servir e a suportar.
Quando a guerra se manifesta no plano físico, embora a característica sempre lamentável que assume, os resquícios de animalidade ainda arquivados em nós outros — os espíritos em evolução na Terra — desbordam da personalidade, estendendo as ruínas que nos atestam a inferioridade.
No entanto, nos embates íntimos, quando as nossas concepções e pontos de vista se entrechocam, adentro da própria alma, tremem as forças em que se nos estrutura o teto mental e nem todos contam com a energia suficiente para se garantirem na própria segurança.
Estabelecido o desequilíbrio das ideias e emoções que nos registram o modo de ser, surgem aos montes aqueles que se marginalizam em desalento e ceticismo, ante as lutas de que se sentem objeto no círculo de negações que se lhes afiguram irreversíveis, associando-se-nos aos desajustes, como que no propósito de ampliá-los.
Esse padeceu desilusões com afetos que lhe eram extremamente queridos e caiu em desconfiança pela impossibilidade de sustentar a própria fé, acima das contingências e fragilidades humanas; aquele entrou em tribulações no lar e bandeou-se para a descrença, admitindo-se sem necessidade de lágrimas em favor do próprio burilamento; outro varou empeços que lhe pareceram humilhações, estirando-se espiritualmente em desespero e revolta, por desconhecer-lhes a função educativa; e outros muitos, mergulhados na saudade dos entes queridos que os precederam na Grande Mudança, se fixam em pessimismo e negação ante as sugestões da morte, sem recursos para encontrarem na morte o renascimento da vida.
Onde encontres os nossos irmãos caídos em descrença e desânimo, compadece-te deles.
São companheiros que adoeceram de angústia, sob o impacto da renovação apressada imposta pela própria vida nos tempos de crise espiritual.
Ao invés de acusá-los, estende-lhes braços amigos a fim de que se refaçam.
E mesmo que te recusem o apoio fraterno, alucinados ou desfalecentes de dor, que muitos deles se encontram, abençoa-os com a prece de simpatia e continua para diante, nas tarefas nobilitantes que a existência te deu.
Eles todos são enfermos queridos que se magoaram na batalha da evolução e se localizam nas retaguardas do serviço, para as quais as ambulâncias do socorro de Deus, se ainda não chegaram, estão inevitavelmente a caminho.

Emmanuel
(De “Seguindo juntos”, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos diversos)

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Ronald Isley & Burt Bacharach

Love's (still) the answer

Vinde e servi

Vinde e plantai na Vinha, em que o bem se revela
Pelas mãos de Jesus no eterno amor divino!
Vinde e renovareis a rota do destino
Para a glória do Além, onde a paz se acastela.

Uma codea de pão, uma frase singela,
Uma flor de perdão num gesto pequenino,
Um sorriso fraterno à dor do peregrino,
Tudo é semente em luz renovadora e bela.

Vinde e servi cantando, enquanto fulge o dia,
Semeando na Terra empedrada e sombria
A fé viva e imortal que a ilumine e conforte...

Preparai, desde agora, o pão que vos aguarde
E não mais chorareis com quem soluça tarde,
No celeiro vazio e escuro, além da morte!...

Amaral Ornellas
(De “Através do tempo”, de Francisco Cândido Xavier)

Mas Deus...

Há muita gente que te ignora.
Entretanto, Deus te conhece.
Há quem te veja doente.
Deus, porém, te guarda a saúde.
Companheiros existem que te reprovam.
Mas Deus te abençoa.
Surge quem te apedreje.
Deus, no entanto, te abraça.
Há quem te enxergue caindo em tentação.
Deus, porém, sabe quanto resistes.
Aparece quem te abandona.
Entretanto, Deus te recolhe.
Há quem te prejudique.
Mas Deus te aumenta os recursos.
Surge quem te faça chorar.
Deus, porém, te consola.
Há quem te fira.
No entanto, Deus te restaura.
Há quem te considere no erro.
Mas Deus te vê de outro modo.
Seja qual for a dificuldade.
Faze o bem e entrega-te a Deus.

Emmanuel
Do Livro “Companheiro” – Psicografia: Francisco Cândido Xavier

domingo, 20 de maio de 2012

O mensageiro do amor

Falava-se na reunião, com respeito à preponderância dos sábios na Terra, quando Jesus
tomou a palavra e contou, sereno e simples:
— Há muitos anos, quando o mundo perigava em calamitosa crise de ignorância e perversidade,
o Poderoso pai enviou-lhe um mensageiro da ciência, com a missão de entregar-lhe
gloriosa mensagem de vida eterna. Tomando forma, nos círculos da carne, o esclarecido obreiro
fez-se professor e, sumamente interessado em letras, apaixonou-se exclusivamente pelas
obras da inteligência, afastando-se, enojado, da multidão inconsciente e declarando que vivia
numa vanguarda luminosa, inacessível à compreensão das pessoas comuns. Observando-o incapaz
de atender aos compromissos assumidos, o Senhor Compassivo providenciou a viagem
de outro portador da ciência que, decorrido algum tempo, se transformou em médico admirado.
O novo arauto da Providência refugiou-se numa sala de ervas e beberagens, interessando-se
tão somente pelo contacto com enfermos importantes, habilitados à concessão de grandes
recompensas, afirmando que a plebe era demasiado mesquinha para cativar-lhe a atenção. O
Todo-Bondoso determinou, então, a vinda de outro emissário da ciência, que se converteu em
guerreiro célebre. Usou a espada do cálculo com mestria, pôs-se à ilharga de homens astuciosos
e vingativos e, afastando-se dos humildes e dos pobres, afirmava que a única finalidade do
povo era a de salientar a glória dos dominadores sanguinolentos. Contristado com tanto insucesso,
o Senhor Supremo expediu outro missionário da ciência, que, em breve, se fez primoroso
artista. Isolou-se nos salões ricos e fartos, compondo música que embriagasse de prazer o
coração dos homens provisoriamente felizes e afiançou que o populacho não lhe seduzia a sensibilidade
que ele mesmo acreditava excessivamente avançada para o seu tempo.
Foi, então, que o Excelso Pai, preocupado com tantas negações, ordenou a vinda de um
mensageiro de amor aos homens.
Esse outro enviado enxergou todos os quadros da Terra, com imensa piedade. Compadeceu-
se do professor, do médico, do guerreiro e do artista, tanto quanto se comoveu ante a
desventura e a selvageria da multidão e, decidido a trabalhar em nome de Deus, transformou-se
no servo diligente de todos. Passou a agir em benefício geral e, identificado com o povo a
que viera servir, sabia desculpar infinitamente e repetir mil vezes o mesmo esforço ou a mesma
lição. Se era humilhado ou perseguido, buscava compreender na ofensa um desafio benéfico à
sua capacidade de desdobrar-se na ação regeneradora, para testemunhar reconhecimento à
confiança do Pai que o enviara. Por amar sem reservas os seus irmãos de luta, em muitas situações
foi compelido a orar e pedir o socorro do Céu, perante as garras da calúnia e do sarcasmo;
entretanto, entendia, nas mais baixas manifestações da natureza humana, dobrados motivos
para consagrar-se, com mais calor, à melhoria dos companheiros animalizados, que ainda
desconheciam a grandeza e a sublimidade do Pai Benevolente que lhes dera o ser.
Foi assim, fazendo-se o último de todos, que conseguiu acender a luz da fé renovadora e
da bondade pura no coração das criaturas terrestres, elevando-as a mais alto nível, com plena
vitória na divina missão de que fora investido.
Houve ligeira pausa na palavra doce do Messias e, ante a quietude que se fizera espontânea
no ruidoso ambiente de minutos antes, concluiu ele, com expressivo acento na voz:
— Cultura e santificação representam forças inseparáveis da glória espiritual. A sabedoria
e o amor são as duas asas dos anjos que alcançaram o Trono Divino, mas, em toda parte,
quem ama segue à frente daquele que simplesmente sabe.

Jesus no Lar - Pelo Espírito de Neio Lúcio / Franciso C Xavier

sábado, 19 de maio de 2012

Basta pouco

“Disse-lhe Judas: Senhor, donde vem que te hás de manifestar a nós e não ao mundo?” — João, capítulo 14, versículo 22.)

Um dos fatos mais surpreendentes do Cristianismo é a posição escolhida pelo Salvador, a fim de anunciar as verdades eternas.
Não aparece Jesus em decretos sensacionais, em troféus revolucionários ou em situações de domínio.
Chega em paz à manjedoura simples, exemplifica o trabalho, conversa com alguns homens obscuros de uma aldeola singela e, só com isso, prepara a transformação da Humanidade inteira.
Para o mundo inferior, todavia, a pergunta de Tadeu ainda é de plena atualidade.
As criaturas vulgares só entendem os que se impõem aos demais, ainda que, para isso, sejam compelidas a ouvir sentenças tirânicas, proferidas em tribunas sanguinolentas; apenas compreendem espetáculos que ferem a visão e gestos teatrais dos que dominam por um dia para sofrerem amanhã o mesmo processo transformador imposto ao mundo transitório ao qual se dirigem.
Jesus, todavia, falou à alma imortal. Por esse motivo, suas revelações nunca morrem. Além disso provou não ser necessária a evidência social ou econômica para o serviço de utilidade a Deus, demonstrando, ainda, não ser para isso indispensável a cidade com as arregimentações e recursos faustosos. Bastarão os princípios edificantes e simples, uma aldeota sem nome e alguns poucos amigos.
O portador da boa-vontade sabe que foi esse o material com que o Cristo iniciou a remodelação da vida terrestre.

(Obra: Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier/Emmanuel)

Trabalho divino

Escuta, alma querida e boa,
Perante as aflições que te espanquem a vida,
Na prova que atordoa,
Há sofrimento, lágrima e tumulto,
Embora tolerando o impacto das trevas,
Busca enxergar o mecanismo oculto
Das tarefas de amor e redenção que levas!...
Deus clareia a razão
Aqui, ali, além,
Para que o nosso próprio coração
Revele por si mesmo a lei do bem...
Tens para dar, conheces para ver
E para dar e ver já podes discernir...
Eis a missão que trazes por dever:
Trabalhar, compreender, elevar, construir!...
Tudo o que existe e vibra
Entre as forças do mundo,
Tem no próprio destino o dom profundo
De ajudar e servir!...
O Sol gasta-se em luz a entregar-se de todo
E tanto ampara aos Céus quanto às furnas de lodo...
O jardim despojado a refazer-se espera
Para dar-se de novo em nova primavera...
Toda árvore esquece o que sofre do homem
E apóia sem cessar aqueles que a consomem!...
Olha o minério arrebatado ao solo,
Sem possibilidades de regresso.
Padece fogo ardente
A fim de assegurar constantemente
O esplendor do progresso.
Já consegues pensar que qualquer flor que apanhas,
A mais singela e a mais descolorida,
É um sonho que arrancaste à Natureza
Para adornar-te a vida?
Que modelas a enxada
E golpeias o chão,
Para que o chão te guarde a sementeira
E te forneça o pão?
Assim também por onde vás,
Ante assaltos, tragédias, ironias,
Tribulação ou desengano,
Quando as estradas do cotidiano
Surjam mais espinhosas ou sombrias,
Nada reclames, serve.
E nem reproves, ama!
Em toda parte a vida te reclama
Tolerância, alegria, esperança e bondade,
Inda que a dor te fira ou arrase os sonhos teus,
Porque o Céu te entregou a liberdade
De servir e elevar a Humanidade
Por trabalho de Deus.

Maria Dolores
(De “Encontro de Paz”, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos Diversos)

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Emmanuel - Teu lugar

Surgem lances obscuros na existência, nos quais aflições dispensáveis nos visitam o espírito, no pressuposto de que nos achamos fora do plano que nos é próprio.
Quiséramos impensadamente exercer a função de outrem e, ao mesmo tempo, solicitar que outrem se encarregue da nossa.
Isso, porém, seria tumultuar a Ordem Divina.
Não ignoramos que os Emissários do Senhor nos conhecem de sobra aptidões e recursos. Assim como ocorre aos engenheiros responsáveis por edificação determinada, que não instalariam o cimento em lugar do vidro, os Organizadores da Vida não nos designariam posição estranha às nossas possibilidades de rendimento maior na construção do Reino de Deus.
Dentro do assunto, não nos será lícito esquecer que a promoção é ocorrência natural e eleva-nos de nível, mas promoção realmente aparece tão-só quando nos melhoramos conquistando degraus acima.
A rigor, porém, urge reconhecer que nos achamos agora precisamente no ponto e no posto em que nos é possível produzir mais e melhor. A certeza disso nos fortalece a noção de responsabilidade, porquanto, cientes de que a Eterna Sabedoria nos permitiu desempenhar os encargos pelos quais respondemos perante os outros, podemos centralizar atenção e força, onde estivermos, para doar o máximo de nós mesmos, na máquina social de que somos peças.
Quando te ocorrer o pensamento de que deverias ocupar outro ângulo no campo da atividade terrestre, asserena o coração e continua fiel aos deveres que as circunstâncias te preceituem, reconhecendo que, em cada dia, estamos na posição em que a Bondade de Deus conta conosco para o bem geral. Desse modo, para que as tuas horas se enriqueçam de paz eficiência, no setor de ação que te cabe na Obra do Senhor, se trazes a consciência tranquila no desempenho das próprias obrigações, é forçoso de capacites de que és hoje o que és e te vês como te vês, no quadro em que te movimentas e na apresentação com que te singularizas, porque é justamente como és, com quem estás no lugar no lugar em que te situas e claramente como te encontras, que o Senhor necessita de ti.

(De “Alma e Coração”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito de Emmanuel)

quarta-feira, 16 de maio de 2012

André Luiz

*A criatura enfurecida é um dínamo em descontrole, cujo contacto pode gerar as mais estranhas perturbações.

*A cólera não aproveita a ninguém, não passa de perigoso curto-circuito de nossas forças mentais, por defeito de instalação de nosso mundo emotivo, arremessando raios destruidores, ao redor de nossos passos...

*A sua vida será sempre o que você esteja mentalizando constantemente.Em razão disso qualquer mudança real em seus caminhos, virá unicamente da mudança de seus pensamentos.

*"Se tiver que amar, ame hoje.
Se tiver que sorrir, sorria hoje.
Se tiver que chorar, chore hoje. Pois o importante é viver hoje.
O ontem já foi e o amanhã talvez não venha."

Compaixão


Escasseia, na atual conjuntura terrestre, o sentimento da compaixão. Habituando-se aos próprios problemas e aflições, o homem passa a não perceber os sofrimentos do seu próximo.
Mergulhado nas suas necessidades, fica alheio às do seu irmão, às vezes, resguardando-se numa couraça de indiferença, a fim de poupar-se a maior soma de dores.
Deixando de interessar-se pelos outros, estes esquecem-se dele, e a vida social não vai além das superficialidades imediatistas, insignificantes.
Empedernindo o sentimento da compaixão, a criatura avança para a impiedade e até para o crime.
Olvida-se da gratidão aos pais e aos benfeitores, tornando-se de feitio soberbo, no qual a presunção domina com arbitrariedade.
Movimentando-se, na multidão, o indivíduo que foge da compaixão, distancia-se de todos, pensando e vivendo exclusivamente para o seu ego e para os seus. No entanto, sem um relacionamento salutar, que favorece a alegria e a amizade, os sentimentos se deterioram, e os objetivos da vida perdem a sua alta significação tornando-se mais estreitos e egotistas.
A compaixão é uma ponte de mão dupla, propiciando o sentimento que avança em socorro e o que retorna em aflição.
É o primeiro passo para a vigência ativa das virtudes morais, abrindo espaços para a paz e o bem-estar pessoal.
O individualismo é-lhe a grande barreira, face a sua programação doentia, estabelecida nas bases do egocentrismo, que impede o desenvolvimento das colossais potencialidades da vida, jacentes em todos os indivíduos.
A compaixão auxilia o equilíbrio psicológico, por fazer que se reflexione em torno das ocorrências que atingem a todos os transeuntes da experiência humana.
É possível que esse sentimento não resolva grandes problemas, nem execute excelentes programas. Não obstante, o simples desejo de auxiliar os outros proporciona saudáveis disposições físicas e mentais, que se transformarão em recursos de socorro nas próximas oportunidades.
Mediante o hábito da compaixão, o homem aprende a sacrificar os sentimentos inferiores e a abrir o coração.
Pouco importa se o outro, o beneficiado pela compaixão, não o valoriza, nem a reconheça ou sequer venha a identificá-la. O essencial é o sentimento de edificação, o júbilo da realização por menor que seja, naquele que a experimenta.
Expandir esse sentimento é dar significação à vida.
A compaixão está cima da emotividade desequilibrada e vazia. Ela age, enquanto a outra lamenta; realiza o socorro, na razão em que a última apenas se apiada.
Quando se é capaz de participar dos sofrimentos alheios, os próprios não parecem tão importantes e significativos.
Repartindo a atenção com os demais, desaparece o tempo vazio para as lamentações pessoais.
Graças à compaixão, o poder de destruição humana cede lugar aos anseios da harmonia e de beleza na Terra.
Desenvolve esse sentimento de compaixão para com o teu próximo, o mundo, e, compadecendo-te das suas limitações e deficiências, cresce em ação no rumo do Grande Poder.

Divaldo P. Franco. Da obra: Responsabilidade.
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Jesus está nas ruas...


Revivendo a pureza primitiva da Boa Nova, o Espiritismo traz Jesus de volta às praças e ruas movimentadas do mundo, a fim de conviver com os padecimentos ultrizes que vergastam as multidões atônitas da atualidade.
Sem quaisquer atavios, Sua presença comove e conquista os que anelam por paz e aguardam a mensagem da esperança.
Após as sucessivas desilusões pelas variadas províncias da fé e da intelectualidade, o homem jaz vencido pela prepotência dos artefatos bélicos, filhos inditosos do avanço tecnológico que, não obstante a contribuição valiosa que vem oferecendo ao progresso da civilização, não conseguiu lograr a meta de produzir a felicidade humana.
Nos báratros dos aturdimentos e do cepticismo vigentes, uma fé racional, sem qualquer dogma e alicerçada na força dos fatos experimentalmente comprovados, irrompe, conquistando mentes, corações e coletividades, enquanto coloca nas vielas da alma e nas avenidas do mundo o Pulcro Amigo em atitude de serviço ativo, edificante, consolador.
Jesus volveu, sim, às ruas do mundo, sem abandonar os lares onde se agasalham as aflições...
Sua voz penetrante dispensa os condicionamentos externos da indução psicológica inconsciente do passado, transformando-se em mecânica de auxílio urgente àqueles para quem viera anteriormente.
Repetindo as realizações das horas messiânicas, recebe e alberga no Seu sentimento afável e enérgico todos os que transitam sem rumo e os que já resvalaram pelas rampas da irresponsabilidade e do erro...
Ele espera que a acústica das almas, embora viciada pelos ruídos desconexos do momento, registre-Lhe a mensagem, deixando-a penetrar no imo dos teus sentimentos.
Não mais, exclusivamente, se encontra nos templos de fé, antes se apresenta em toda parte onde se faz necessitado, em que é esperado.
*
Se já travaste conhecimento com Jesus, mediante a Revelação Espírita, não te detenhas na inanição, nos receios injustificados, no rol das queixas, na urdidura de planos intermináveis. Leva-O às ruas da Terra, aos homens, nossos irmãos.
Retribui em sacrifício e abnegação, em alegria no trabalho e profícua ação, a honra de O conheceres.
Não postergues o ministério a pretexto algum, nem te escuses à tarefa sob justificativas desculpistas.
Urge que O apresentes aos outros e te apresses na construção do mundo melhor que já podes pressentir.
Se, todavia, ainda não te resolveste encontrá-lo, aquieta-te, produzindo silêncio anterior, onde quer que estejas, e O ouvirás, defrontando-O próximo de ti e ansioso por estabelecer contato contigo.
Renovando-te, modificarás a psicosfera ambiental e auxiliarás o próximo que se localize mais próximo de ti.
Jesus está nas ruas, procurando auxiliar a criatura humana...
Já pensaste em que posição te encontras em relação a Ele?
Seja qual for, porém, a tua situação, não olvides que este é o teu momento de estar com Ele e não tens o direito de malbaratar o ensejo ou perder a oportunidade, porquanto, nas ruas da Terra atual, Ele seguirá adiante, contigo ou sem ti, mesmo que seja a sós...

Francisco Spinelli
(De “Sementes de Vida Eterna”, de Divaldo Pereira Franco – Diversos Espíritos)

Hora vazia

Cuidado com a hora vazia, sem objetivo, sem atividade.
Nesse espaço, a mente engendra mecanismos de evasão e delira.
Cabeça ociosa é perigo à vista.
Mãos desocupadas facultam o desequilíbrio que se instala.
Grandes males são maquinados quando se dispõe de espaço
mental em aberto.
*
Se, por alguma circunstância, surge-te uma hora vazia, preenche-
a com uma leitura salutar, ou uma conversação positiva, ou
um trabalho que aguarda oportunidade para execução, ou uma
ação que te proporcione prazer...
O homem, quanto mais preenche os espaços mentais com as
idéias do bem, mediante o estudo, a ação ou a reflexão, mais
aumenta a sua capacidade e conquista mais amplos recursos para
o progresso.
Estabelece um programa de realizações e visitas para os teus
intervalos mentais, as tuas horas vazias, e te enriquecerás de
desconhecidos tesouros de alegria e paz.
Hora vazia, nunca!

Divaldo Pereira Franco - Episódios Diários - Pelo Espírito Joanna de Ângelis

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Emmanuel e Francisco Cândido Xavier

Dentro da visão espírita-cristã, céu, inferno e purgatório começam dentro de nós mesmos. A alegria do bem praticado é o alicerce do céu. A má intenção já é um piso para o purgatório e o mal devidamente efetuado, positivado, já é o remorso que é o princípio do inferno.

Dinheiro e amor

Diante do bem, não pronuncies a palavra "impossível".
Certamente, sofres a dificuldade dos que herdaram a luta por preço das menores aquisições. Ainda assim, lembra-te de que a virtude não reside no cofre.
Onde encontrarias ouro puro a fazer-se pão na caçarola dos infelizes?
Em que lugar surpreenderias frágil cobertor tecido de apólices para agasalhar a criança largada ao colo da noite?
Entretanto, se o amor te faz lume no pensamento, arrebatarás à imundície a derradeira sobra da mesa, convertendo-a no caldo reconfortante para o enfermo esquecido, e farás do pano pobre o abrigo providencial em favor de quem passa, relegado à intempérie.
Uma garganta de pérolas não emite pequenina frase consoladora e um crânio esculpido de pedras raras não deixa passar leve fio de ideação.
Todavia, se o amor te palpita na alma, podes falar a palavra renovadora que exclui o poder das trevas e inspirar o trabalho que expresse o apoio e a esperança de muita gente.
Respeita a moeda capaz de fazer o caminho das boas obras, mas não esperes pelo dinheiro a fim de ajudar.
Hoje mesmo, em casa, alguém te pede entendimento e carinho e, além do reduto doméstico, legiões de pessoas aguardam-te os gestos de fraternidade e compreensão.
Recorda que a fonte da caridade tem nascedouro em ti mesmo e não descreias da possibilidade de auxiliar.
Para transmitir-nos semelhante verdade, Jesus, a sós, sem finança terrestre, usou as margens de um lago simples, ofertou simpatia aos que lhe buscavam a convivência, confortou os enfermos da estrada, falou do Reino de Deus a alguns pescadores de vida singela e transformou o mundo inteiro, revelando-nos, assim, que a caridade tem o tamanho do coração.
ESE – Cap. XI – Ítem 9

Meimei, Chico Xavier)
(De “O Espírito da Verdade”, de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira – Espíritos Diversos)

Súplica

Espírita, meu irmão,
Hoje procuro refúgio no teu coração, cansado como me encontro de mil embates, na longa jornada dos séculos.
Dizem que sou débil plantinha, no entanto, relegam-me ao vendaval, deixando-me à mercê da canícula ou na via das enxurradas imundas.
Afirmam que sou o futuro, todavia, desrespeitam o meu presente, colocando dificuldades e aflições ao alcance das minhas débeis mãos.
Expressam que eu sou diamante precioso, mas ninguém procura retirar a jaça e a ganga que me tornam imprestável, por enquanto.
Informam que eu sou um pequeno rei, no império da vida, todavia, descuidam do meu aprimoramento, sem me aformosearem o caráter para o nobre ministério.
Chamam-me anjo e conduzem-me, por negligência, ao inferno do desespero e da revolta.
Agradam-me e, muitas vezes, degradam-me, deixando-me sob o jugo imperioso de forças desordenadas.
Ajuda-me agora, para que, por minha vez, eu possa ajudar mais tarde.
Acolhe-me na terra fértil do teu coração e desenvolve-me os sentimentos latentes dentro de mim.
Serei amanhã o que fizeres de mim agora. Não te peço muito.
Rogo-te, apenas, que abras os braços e me alcances.
Suaviza tua voz para ensinar-me e dá leveza à tua mão quando seja necessário corrigir-me. Mas não me deixes sem o carinho que estimula nem a correção que educa e salva.
Confio em ti. Socorre-me hoje, e não mais tarde.
Necessito urgente de orientação e sustento.
Recebe-me enquanto não me maculam as nódoas da vida.
Dilata as tuas possibilidades e eu coroarei os teus dias com as bênçãos da alegria perene, levando, pelas gerações em fora, a mensagem viva do teu auxílio como legatário natural da tua fé libertadora e santa.
Irmão do Cristo, recolhe-me no teu amor em nome de Quem, em apresentando os pequeninos aos discípulos amados, asseverou pertencer o Reino dos Céus.

Anália Franco
(De: “Sementeira da Fraternidade”, de Divaldo Pereira Franco, por diversos Espíritos).

domingo, 13 de maio de 2012

André Luiz

* A harmonia cria raios de paz.

* Ajude conversando. Uma boa palavra auxilia sempre.

* Acerte suas contas com o vizinho, enquanto a hora é favorável. Amanhã todos os quadros podem surgir transformados.

* Cada espírito é um mundo por si.

* Cultive a simplicidade.

* Deixe que Ele, o Mestre, se revele por sua palavra e por suas mãos. Não impeça a divina presença, através de seu passo, no amparo às humanas dores.

* Estime a solidariedade. Você não poderá viver sem os outros, embora na maioria dos casos os outros possam viver sem você.

* Estimule as qualidades nobres dos companheiros.

* Hoje é o tempo de fazer o melhor...

* Lembre-se de que o mundo não foi feito apenas para você.

* Nada se realiza de útil e grande sem a coragem.

* Não comentes o mal do próximo. O lodo da maledicência derramar-se-á sobre os nossos passos, enodoando-nos o caminho.

* Não critiques. A lâmina de nossa reprovação volta-se, invariavelmente, contra nós, expondo-nos as próprias deficiências.

* Não desesperes. O raio de nossa inconformação aniquilará a sementeira de nossos melhores sonhos.

* Não desprezes os que caminham nos andrajos das grandes provas e nem censures os que seguem no carro da fortuna aparente.

* Não é o tempo que passa por nós; ao contrário, nós é que passamos por ele.

* Não é vantagem desaprovar onde todos desaprovaram. Ampare o seu irmão com a boa palavra.

* Não escarneças. O fel de nosso sarcasmo azedará o vinho da alegria no vaso de nosso coração, envenenando-nos a existência.

* Não firas. O golpe da nossa crueldade brandido na direção dos outros, retornará a nós mesmos, inevitavelmente, fazendo chagas de dor e aflição no corpo de nossa vida.

* Não gastes tempo, medindo obstáculos ou lastimando ocorrências infelizes.

* Não há erro com razão. Só a verdade é lógica.

* Nas lutas habituais, não exija a educação do companheiro. Demonstre a sua.

* O verdadeiro amor não nasce de sombras do desejo. É fonte cristalina e inexaurível do espírito eterno.

Semeadores

"Eis que o semeador saiu a semear." — Jesus. (Mateus. 13:3.)

Todo ensinamento do Divino Mestre é profundo e sublime na menor expressão. Quando se dispõe a contar a parábola do semeador, começa com ensinamento de inestimável importância que vale relembrar.
Não nos fala que o semeador deva agir, através do contato com terceiras pessoas, e sim que ele mesmo saiu a semear.
Transferindo a imagem para o solo do espírito, em que tantos imperativos de renovação convidam os obreiros da boa-vontade à santificante lavoura da elevação, somos levados a reconhecer que o servidor do Evangelho é compelido a sair de si próprio, a fim de beneficiar corações alheios.
É necessário desintegrar o velho cárcere do "ponto de vista" para nos devotarmos ao serviço do próximo.
Aprendendo a ciência de nos retirarmos da escura cadeia do "eu", excursionaremos através do grande continente denominado "interesse geral". E, na infinita extensão dele, encontraremos a "terra das almas", sufocada de espinheiros, ralada de pobreza, revestida de pedras ou intoxicada de pântanos, oferecendo-nos a divina oportunidade de agir a benefício de todos.
Foi nesse roteiro que o Divino Semeador pautou o ministério da luz, iniciando a celeste missão do auxílio entre humildes tratadores de animais e continuando-a através dos amigos de Nazaré e dos doutores de Jerusalém, dos fariseus palavrosos e dos pescadores simples, dos justos e dos injustos, ricos e pobres, doentes do corpo e da alma, velhos e jovens, mulheres e crianças...
Segundo observamos, o semeador do Céu ausentou-se da grandeza a que se acolhe e veio até nós, espalhando as claridades da Revelação e aumentando-nos a visão e o discernimento. Humilhou-se para que nos exaltássemos e confundiu-se com a sombra a fim de que a nossa luz pudesse brilhar, embora lhe fosse fácil fazer-se substituído por milhões de mensageiros, se desejasse.
Afastemo-nos, pois, das nossas inibições e aprendamos com o Cristo a "sair para semear".

(De “Fonte Viva”, de Francisco Cândido Xavier, pelo espírito Emmanuel).

Trabalho e paciência

Em todas as situações da vida: trabalho e paciência.
O trabalho santificando nossos atos e a paciência revelando nossos sentimentos.
Diante da enfermidade pertinaz: trabalho e persistência.
O trabalho granjeia méritos redentores e a paciência coloca o sinete da autenticidade em nossas resoluções.
Face à ingratidão de amigos devotados que nos não compreendem as aspirações santificantes do serviço: trabalho e paciência.
O trabalho conceder-nos-á o atestado inequívoco dos propósitos superiores e a paciência falar-nos-á mais alto sobre as nossas legítimas aspirações.
Considerando os propósitos malévolos que a invigilância esparze ante os nossos pés: trabalho e paciência.
O trabalho modifica a face negativa das coisas e a paciência, semelhante à lixívia do tempo, aprimora contornos e arranca da estátua o ideal de vida.
Sob a chuva da amargura ou o fel da incompreensão, com os melhores propósitos visitados pela intemperança de uns ou pela malquerença gratuita de outros: trabalho e paciência.
O trabalho modifica a conceituação que fazem de nós quando perseveramos honestamente e a paciência ensina a ver com claridade e a perdoar com rapidez.
Porque nossos ideais encontrem barreiras aparentemente intransponíveis: trabalho e paciência.
O trabalho nos impõe o jugo do dever e a paciência nos ensina a confiar no amanhã.
Se as sementes da nossa boa vontade ainda não medram: trabalho e paciência.
O trabalho é mensagem de Deus e a paciência é virtude dos anjos.
Trabalhemos em nosso ideal imortalista, indestrutível, confiando na eternidade do tempo e no espaço da misericórdia de Deus. Sejamos pacientes para que a tentação da fuga não nos arranque do dever antes do tempo, nem as pedras da dificuldade se ergam em muralha impeditiva ao nosso avanço na linha direcional da nossa redenção.
Cada um de nós está no lugar de trabalho onde pode ser mais feliz e não devemos ter a presunção de esperar encontrar-nos onde mais nos agrade.
Se o campo é áspero, trabalhemos a terra, e se ela não nos responde ao carinho de agricultor, tenhamos paciência até que o adubo da nossa perseverança e o suor do nosso sacrifício fecundem esse solo, onde a semente do amor do nosso Pai, transforme toda a gleba numa seara inteira...
Lembrando-nos Dele, o Divino Pomicultor, que até hoje trabalha pacientemente pela transformação da Terra e do homem, trabalhemos, com paciência, o nosso pretérito no nosso presente, a benefício do nosso futuro.

Cairbar Schutel
(De: “Sol de Esperança”, de Divaldo P. Franco – Diversos Espíritos)

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Tolerância

"Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas" - Mateus, cap.5 - v.41

Sem dúvida, o exercício da tolerância é indispensável à conquista da serenidade.
Mas tolerar não significa afligir-se e torturar-se interiormente, como quem impõe a si mesmo determinada violência.
A tolerância nasce da conscientização de quem nem sempre se podem alterar, de imediato, situações que apenas o tempo possui elementos para transformar.
As pessoas serão como são, até quando optarem pela própria mudança.
Há quanto tempo Deus nos espera, admitindo, inclusive, que descreiamos de sua Divina Paternidade?
Existem muitos espíritos de entendimento tardio com os quais precisamos aprender a conviver, sem alimentarmos grandes expectativas em torno de sua capacidade de corresponder-nos aos anseios.
Em oferecendo-nos pouco, muitos daqueles que conosco convivem estão praticamente oferecendo-nos tudo o que possuem.
Como exigir da árvore que sequer floresceu a produção de frutos ? Ou de um pássaro implume arrojados vôos na amplidão.
Quem sofre com as decepções que os outros lhe causam, sofre voluntariamente, porque sabe que, na Terra, ninguém está lidando com santos, mas com seres humanos tão frágeis e limitados quanto a ele mesmo.
Jesus, de fato, recomendou-nos caminhar a segunda milha como os que mais solicitam de nossas possibilidades de renúncia e tolerância, que, habitualmente, são aqueles que convivem conosco na experiência comum, mas não nos disse que deveríamos carregá-los sobre os ombros.

(Obra: Saúde Mental À Luz do Evangelho - Carlos A. Baccelli / Inácio Ferreira)

terça-feira, 8 de maio de 2012

Vida e morte

A teimosa insistência negativa dos conceitos humanos, em torno das legítimas realidades da vida, faz que se conserve o verbete "morte" como sendo a expressão capaz de traduzir o aniquilamento do ser, no estágio posterior ao da decomposição orgânica.
Em verdade, porém, a desencarnação de forma alguma pode ser conceituada como o fim da vida.
Do lado de cá pululam seres que se localizam felizes ou inditosos em regiões compatíveis com o seu estado mental, em que a vida se lhes manifesta conforme o que trazem da jornada fisiológica, na qual edificaram propósitos e realizações, fixando ideias, plasmando objetivos, que defrontam depois do traspasse orgânico.
A perda do envoltório carnal não os santificou, não os desgraçou, não os extinguiu. Situou-os na dimensão em que cada um preferiu, mantendo os hábitos de prazer ou de renúncia com que se agraciam, mediante as realizações contínuas que vitalizaram pelo pensamento.
Multiplicam-se, povoadas de dores, as paisagens de sombras e as províncias de angústias, como se sucedem os panoramas de bênçãos e os painéis de luz, sustentados pelos valores pessoais intransferíveis, que identificam os viandantes recém-chegados da Terra...
Há, todavia, se assim desejarmos, um estágio espiritual que pode ter sido, transitoriamente, como um estado de morte: é o da consciência obliterada para a verdade, anatematizada pelos remorsos infelizes e pelos arrependimentos tardios; o da razão vencida pela revolta contumaz e pela toxicidade do ódio demoradamente conservado; o da inteligência gasta na inutilidade e no comércio do prazer fugaz...
Para tais espíritos há um demorado estado de morte, porque a perda do roteiro interior atira-os num dédalo onde não defrontam a luz nem encontram a esperança, terminando por anestesiarem os centros do discernimento longamente.
E não é por outra razão, conforme se refere o Mestre, que Deus não é o Senhor dos mortos, mas, sim, dos vivos.
Libertemo-nos das vendas que impedem a visão espiritual e dos vapores dos vícios que anestesiam, a fim de que a consciência livre nos enseje vida e sempre vida abundante.

(De “Intercâmbio mediúnico”, de Divaldo P. Franco, pelo Espírito João Cléofas)

segunda-feira, 7 de maio de 2012

À Frente do Desespero


Dias há nos quais tens a impressão de que mesmo a luz do sol parece débil, sem que consiga fulgir nos panoramas do teu caminho. Tudo são inquietações e ansiedades que pareciam vencidas e que retornam como fantasmas ameaçadoras, gerando clima de sofrimento interior.
Nessas ocasiões, tudo corre mal. Acontecem insucessos imprevistos e contrariedades surgem de muitas nonadas que se amontoam, transformando-se em óbice cruel de difícil transposição.
Surgem aflições em família que navegava em águas de paz, repontam problemas de conjuntura grave em amigos que te buscam socorros imediatos e, como se não bastassem, a enfermidade chega e se assenhoreia da frágil esperança que, então, se faz fugidia.
Nessa roda-viva, gritas interiormente por paz e sentes indescritível necessidade de repouso. A morte se te afigura uma bênção capaz de liberar-te de tantas dores!...
Refaze, porém, a observação.
Tudo são testemunhos necessários à fortaleza espiritual, indispensável à fixação dos valores transcendentes.
Não fora isso, porém, todas essas abençoadas oportunidades de resgate, e a vida calma amolentaria o teu caráter, conspirando contra a paz porvindoura, por adiar o instante em que ela se instalaria no teu imo.
Quando tudo corre bem em volta de nós e de referência a nós, não nos dói a dor alheia nem nos aflige a aflição do próximo. Perdemos a percepção para as coisas sutis da vida espiritual, a mais importante, e desse modo nos desviamos da rota redentora.

* * *
Não te agastes, pois, com os acontecimentos afligentes que independem de ti.
A família segue adiante, a amor muda de domicílio, a doença desaparece, a contrariedade se dilui, a agressão desiste, a inquietude se acalma se souberes permanecer sereno ante toda dor que te chegue, enquanto no círculo de fé sublimas aspirações e retificas conceitos.
Continua fiel no posto, operário anônimo do bem de todos, e espera.
Os ingratos que se acreditaram capazes de te esquecer lembrar-se-ão e possivelmente volverão: os amigos que te deixaram, os amores que te não corresponderam, aqueles que te não quiseram compreender, quantos zombaram da tua fraqueza e ridicularizaram tua dor envolta nos tecidos da humildade, os que investiram contra os teu anelos voltarão, tornarão sim, pois ninguém atinge a plenitude da montanha sem a vitória pelo vale que necessita vencido.
Tem calma! Silencia a revolta!
Refugia-te na palavra clarificadora do Evangelho consolador e enxuga tuas lágrimas com as suas lições. Dos seus textos extrai o licor da vitalidade e tece com as mãos da esperança a grinalda de paz para o coração lanhado e sofrido. Se conseguires afogar todas as penas na oração de refazimento, sairás do colóquio da prece restaurado, e descobrirás que, apesar de tudo acontecer em dias que tais, Jesus luze intimamente nas províncias do teu espírito. Poderás, então, confiar e seguir firme, certo da perene vitória do amor.

Joanna de Ângelis - Lampadário Espírita

Conquista íntima

Todos os estados enfermiços da alma se assemelham, no fundo, aos estados enfermiços do corpo, solicitando remédio adequado que lhes patrocine a cura.
E a impaciência que tantas vezes gera rixas inúteis, é um deles, pedindo o especifico da calma que a desterre do mundo íntimo.
Como, porém, obter a serenidade, quando somos impulsivos por vocação ou por hábito?
Justo lembrar que assim como nos acomodamos, obedientes, para ouvir o professor trazido a ensinar-nos, é forçoso igualmente assentar a emotividade, na carteira do raciocínio, a fim de educá-la, educando-nos; e, aplicando os princípios de fraternidade e de amor que abraçamos, convidaremos os nossos próprios sentidos à necessária renovação.
Feito isso, perceberemos que todo instante de turvação ou desequilíbrio, é instrumento de teste para avaliação de nosso próprio aproveitamento.
Aprenderemos, por fim, que diante da crítica estamos convocados à demonstração de benevolência, diante da censura é preciso exercer a bondade; à frente do pessimismo, somos induzidos a cultivar esperança; ante a condenação, somos indicados à benção, e que renteando com quaisquer aparências do mal, é imperioso pensar no bem, dispondo-nos a servi-lo.
Entregando-nos com sinceridade a semelhantes exercícios de compreensão e tolerância, estaremos em aula profícua, para a aquisição de calores eternos no terreno do espírito.
É assim que, em matéria de paciência, se a paciência nos foge, urge reconhecer que, perante as circunstâncias mais constrangedoras da vida, estamos todos nós, no justo momento de conquistá-la.


Emmanuel / Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: "Rumo Certo" -Edição FEB

domingo, 6 de maio de 2012

What's going on

Hall & Oates

Mãos limpas

“E Deus, pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinárias.”
(Atos, 19:11)


O Evangelho não nos diz que Paulo de Tarso fazia maravilhas, mas que Deus operava maravilhas extraordinárias por intermédio das mãos dele.
O Pai fará sempre o mesmo, utilizando todos os filhos que apresentarem mãos limpas.
Muitos espíritos, mas convencionalistas que propriamente religiosos, encontraram nessa notícia dos Atos uma informação sobre determinados privilégios que teriam sido concedidos ao Apóstolo.
Antes de tudo, porém, é preciso saber que semelhante concessão não é exclusiva. . A maioria dos crentes prefere fixar o Paulo santificado sem apreciar o trabalhador militante.
Quanto custou ao Apóstolo a limpeza das mãos?
Raros indagam relativamente a isso.
Recordemos que o amigo da gentilidade fora rabino famoso em Jerusalém, movimentara-se entre elevados encargos públicos, detivera denominadoras situações; no entanto, para que o Todo-Poderoso lhe utilizasse as mãos, sofreu todas as humilhações e dispôs-se a todos os sacrifícios pelo bem dos semelhantes. Ensinou o Evangelho sob zombarias e açoites, aflições e pedradas. Apesar de escrever luminosas epístolas, jamais abandonou o tear humilde até a velhice do corpo.
Considera as particularidades do assunto e observa que Deus é sempre o mesmo Pai, que a misericórdia divina não se modificou, mas pede mãos limpas para os serviço edificantes, junto à Humanidade. Tal exigência é lógica e necessária, pois o trabalho do Altíssimo deve resplandecer sobre os caminhos humanos.

(De “Caminho, Verdade e Vida”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

Encanto pessoal

Generaliza-se e se intensifica, na sociedade hodierna, a irradiação agradável do encanto pessoal de cada criatura, que passa a condicionar-se em padrões de comportamentos capazes de conquistar admiração e gerar afetividade.
Campeões da beleza estudam técnicas de apresentação e postura, a fim de mais expandirem os recursos de que são dotados, colocando-se a serviço do mercado das sensações, de que desfrutam largas fatias de fama e de dinheiro.
Representantes do sexo em expansão, fixam conduta e artifícios de sedução, adquirindo certo magnetismo artificial de que se impregnam, conquistando espaço nos veículos de comunicação de massa, vendendo sensações fortes, sob o açodar de interesses vigorosos.
Criaturas ambiciosas esfalfam-se em cursos de variada denominação, tentando imitar os seus ídolos, adaptando-se aos modismos, de forma a competir nos jogos das forças em desgoverno da propaganda exagerada, buscando aparecer e brilhar sob as luzes dos refletores.
O encanto pessoal passou a constituir meta a ser lograda, como se a vida ficasse reduzida à aparência e ao fulgor breve da quadra juvenil.
O magnetismo humano resulta do estado espiritual de cada ser.
Conforme sejam as suas expressões íntimas, irradia-se a claridade ou a sombra da sua constituição emocional.
Pode acontecer que a beleza física sobreponha-se aos estados mórbidos da personalidade, e um encanto que não corresponde à realidade se exteriorize atraente, agradável, avassalador...
O treinamento artificial pode favorecer a aparência do indivíduo, para que se lhe torne mais interessante a presença.
A maneira de falar, de vestir, de sentar, de andar, de comportar-se e o estudo de cada postura, dão ao ser humano um significado que contribui para a sua representatividade social.
Indispensável, porém, que haja um esforço para a sua mudança interior, no sentido de melhorar-se.
A aquisição e desenvolvimento dos valores morais permitem uma emanação de energia salutar, cativante, que torna a pessoa querida e respeitada.
A técnica exterior, porém, é verniz que não logra ocultar a face real do homem, enquanto o seu estado de alma, trabalhado com os valores intelecto-morais, dá-lhe o verdadeiro brilho, que impregna todos quantos dele se acercam.
Os expoentes do encanto pessoal, invejados e imitados, não raro vivem atormentados e inquietos, realizando mecanismos de evasão a fim de ocultarem, sob uma aparência irreal, o que lhes vai no íntimo.
Narram os Evangelhos que, de Jesus, se irradiava peregrina claridade e que as Suas vestes resplandeciam.
Quantos O tocavam se beneficiavam, pois que, Dele saíam virtudes...

Se desejas possuir um superior magnetismo, envolvente e benéfico, em forma de encanto pessoal, ama e exterioriza o amor, tornando-te gentil e bom, afável e generoso, cordial e manso, alegre e devotado.
O amor é o dínamo gerador de todas as forças positivas e representativas da vida, ao teu alcance, para a glória e a honra da própria Vida.

(De “Alegria de Viver”, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis)

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A prece

A oração não será um processo de fuga do caminho que nos cabe percorrer, mas constituirá uma abençoada luz em nossas mãos, clareando-nos a marcha.
Não representará uma porta de escape ao sofrimento regenerativo de que ainda carecemos, mas expressará um bordão de arrimo, com o auxílio do qual superamos a ventania da adversidade, no rumo da bonança.
Não será um privilégio que nos exonere da enfermidade retificadora, ambientada em nosso próprio templo orgânico pela nossa incúria e pela nossa irreflexão, no abuso dos bens do mundo, entretanto, comparecerá por remédio balsamisante e salutar, que nos remove as energias, em favor de nossa cura.
Não será uma prerrogativa indébita que nos isente da luta humana, imprescindível ao nosso aperfeiçoamento individual, todavia, brilhará em nosso experiência por sublime posto de reabastecimento espiritual, susceptível de garantir-nos a resistência e o valor na tarefa de renunciação e sacrifício em que nos cabe perseverar.
Não será uma outorga de recursos para que os nossos caprichos pessoais sejam atendidos, no jardim de nossas predileções afetivas, contudo, será uma dispensação de forças para que possamos tolerar galhardamente as situações mais difíceis, diante daqueles que nos desagradam, em sociedade ou em família, ajudando-nos, pouco a pouco, a edificar o santuário da verdadeira fraternidade, no próprio coração, em cujos altares amealharemos o tesouro da paz e do discernimento.
Ainda mesmo que te encontres no labirinto quase inextrincável das provações inflexíveis, ainda mesmo que a tua jornada se alongue sob o granizo da discórdia e da incompreensão, em plena sombra, cultiva a prece, com a mesma persistência a que te induzas na procura da água para a sede e do pão para a fome do corpo.
Na dor, ser-te-á divino consolo, na perturbação constituirá tua bússola.
Não olvides que a permanência na Terra é uma simples viagem educativa de nossa alma, no espaço e no tempo, e não te esqueças de que somente pela oração, descobriremos, cada dia, o rumo que nos conduzirá de retorno aos braços amorosos de Deus.

Emmanuel
(De “À luz da oração”, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos diversos)

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Um dia


Um dia, verás a ti mesmo em plano diferente.
Parecer-te-á, então, haver acordado de um sono profundo e, por isso mesmo, tudo te surpreenderá. Amigos que não vias, há muito tempo, se aproximarão de ti, estendendo-te as mãos. Perguntarás a vários deles: onde estavas que não mais te encontrei? Por que te distanciaste de mim? Todos te abraçarão, com a alegria a lhes fulgurar nos olhos, Fitarás as árvores carinhosamente podadas, formando corações que palpitarão de vida, plantas outras, mostrando as frondes entrelaçadas, lembrando mãos que se tocam afetuosamente. Respirarás profundamente, reconhecendo, assim, as qualidades nutrientes do no ambiente em que te virás...
Naquela festa de almas, porém, um homem de olhar manso desce de um torreão brilhante e caminha na direção dele.
Em vão, o recém-chegado tenta retirar dele os olhos magnetizados pelo amor que o desconhecido irradia. Ele caminha serenamente a fixá-lo com bondade, com a familiaridade de quem o conhecia.

- “Ah! – pensou o recém-vindo decerto que este amigo me conhece, de longo tempo”.

A custo, venceu a própria indecisão, e indagou do companheiro mais próximo:

- “Quem é este homem que está chegando até nós”?.

- “É o Mensageiro da Vida”.

Não houve tempo para outras inquirições.
Efetivamente, aquela simpática e estranha personagem lhe endereçou saudações fraternas e segurando-lhe a destra, qual se nela conseguisse ler todas as minudências da sua vida, não lhe perguntou pelo próprio nome, nada argüiu quanto à família a que pertencera ou à posição que exercera... Apenas pousou nele demoradamente os olhos azuis e perguntou-lhe:

-“Amigo, o que fizeste?”

(Obra: A Semente de Mostarda - Francisco Cândido Xavier por Emmanuel)

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Tem Coragem

Nas contingências afligentes do cotidiano e ao largo das horas que parecem estacionadas sob a injunção de dores íntimas, extenuantes, que se prolongam, não te deixes estremunhar, nem te arrebentes em blasfêmias alucinadas, com que mais complicarás a situação.
Tempestade alguma, devastadora quão demorada, que não cesse.
Alegria nenhuma, repletada de bênçãos e glórias, que se não acabe.
A saúde perfeita passa; a juventude louçã desaparece; o sorriso largo termina; a algaravia de festa silencia...
Da mesma forma, o aguilhão do infortúnio se arrebenta; a enfermidade se extingue; a miséria muda de lugar; a morte abre as portas da vida em triunfo...
Tudo quanto sucede ao homem constitui-lhe precioso acervo, que o acompanhará na condição de tesouro que poderá investir, conforme as circunstâncias que lhe cumpre enfrentar, ao processo da evolução.
Os que aspiram a fortunas alegam, intimamente, que se as possuíssem mudariam a situação dos que sofrem escassez. No entanto, os grandes magnatas que açambarcam o poder e usufruem da abundância, alucinam-se com os bens, enregelando os sentimentos em relação ao próximo...
Quantos anelam pela saúde, afirmam, no silêncio do coração, as disposições de aplicá-la a benefício geral. Não obstante, os que a desfrutam, quase sempre malbaratam-na nos excessos e leviandades com que a comprometem, desastrados...
O bem deve ser feito como e onde cada qual se encontre.
Em razão disso, as situações e acontecimentos de que se não é responsável, no momento, devem ser enfrentados com serenidade e moderação de atos, por fazerem parte do contexto da vida, a que cada criatura se vincula.
A vida são o conteúdo superior que dela se deve extrair e a forma levada com que se pode retirar-lhe os benefícios.
Um dia sucede o outro, conduzindo as experiências de que se reveste, formando um todo de valores, que programam as futuras injunções para o ser.
Recorre, as situações diversas, aos recursos positivos de que dispões, e aguarda os resultados desse atitude.
Jesus é sempre o exemplo.
Poderia haver liberado todos os enfermos que encontrou pela senda; mas não o fez.
Se quisesse, teria modificado as ocorrências infelizes, que o levaram às supremas humilhações e à cruz; todavia, sequer o intentou.
Conferiria fortuna à pobreza, à mole esfaimada que O buscava, continuamente; todavia, não se preocupou com essa alternativa.
Elegeria para o Seu labor somente homens que O compreendessem e Lhe fossem fiéis, sem temores, nem fraquezas; porém optou pelo grupo de que se cercou.
Modificaria as estruturas sociais e culturais da Sua época; sem embargo, viveu-a em toda a plenitude, demonstrando a importância primacial da experiência interior e não dos valores externos, transitórios.
Apresentar-se-ia em triunfo social, submetendo o reizete que Lhe decidiu a sorte; apesar disso, facultou-se viver sob as condições do momento em plena aridez de sentimentos e escassez de amor entre as criaturas...
Jesus, no entanto, conhecia as razões fundamentais de todos os problemas humanos e a metodologia lenta da evolução; identificava que a emulação pela dor é mais significativa e escutada do que a do amor, sempre preterido; sabia do valor das conquistas superiores do Espírito, em detrimentos das falazes aquisições que se deterioram no túmulo e dissociam os tesouros da alma.
Tem, portanto, coragem e faze como Ele, ante dificuldades e problemas que passarão, armando-te hoje de esperança para o teu amanhã venturoso.

Joanna de Ângelis / Divaldo pereira Franco - Alerta

Entre lidadores juvenis

Meus jovens amigos.
À nossa frente, estende-se o campo imenso do mundo, conclamando-nos à obra de aperfeiçoamento, em todas as direções.
E nós todos, que fomos agraciados pela bênção do Evangelho, conquistando valiosas oportunidades de trabalho, solicitamos ao Divino Mestre nos ensine a servir, segundo os Seus desígnios.
Que Ele nos auxilie a colocar: —
a luz divina no pensamento;
o amor fraterno nas ações de cada dia;
o ideal do bem no coração;
a caridade nas palavras;
o raciocínio edificante no cérebro;
o esforço ativo nas mãos;
a bondade nos gestos;
a grandeza espiritual nas afeições;
a elevação nas atitudes;
a sobriedade nos desejos;
o entendimento amigo no olhar;
o auxílio irmão nos pareceres;
a firmeza na fé;
o desinteresse na cooperação;
e a pureza nos sentimentos.
Inspirados nos exemplos sublimes de todos os abnegados servidores do Infinito Bem, consagremo-nos, de alma e coração, à sementeira e à seara da Vida Eterna, seguindo adiante, no roteiro da Verdade e da Luz, devotados à melhoria de nós mesmos, a fim de que possamos estar em Cristo, tanto quanto desejamos esteja o Cristo em nós.

Emmanuel
(De “Mentores e Seareiros”, de Francisco Cândido Xavier – Autores diversos).

terça-feira, 1 de maio de 2012

Triunfo a qualquer preço

Momento grave o que se defronta após o compromisso assumido a respeito do intercâmbio espiritual, o de realizar o mister.
Ali desfilam os que se permitiram estigmatizar pela leviandade, sofrendo as consequências da atitude arbitrária ao equilíbrio da vida orgânica...
Mutilados da alma, apresentam, agora, as deficiências que os levaram a combalir, quando tombaram, irremissivelmente, no corpo...
Acercam-se os que supunham enganar através do pitoresco da frivolidade, todavia, foram colhidos pela consciência em despertamento, e, tardiamente, perceberam a ilusão.
Os antigos sátrapas e exploradores perdem a proteção que não dispensaram, porque na posição de mando se utilizaram da força e da impiedade, para se tornarem temidos, olvidando que a pujança da força repousa no amor e jamais o direito de usar da força pode dar amor a alguém...
Esperam a compreensão que não quiseram dispensar àqueles que buscaram uma palavra de entendimento, um gesto fraterno, um momento de compreensão para se justificarem do equívoco cometido.
A aflição e a amargura em que agora se encarceram decorrem da atitude de arrependimento que assumem no país da consciência ferida...
A grande legião dos desencarnados em agonia é uma lição que merece consideração, porquanto, eles, ao transitarem pelo corpo carnal, se permitiram asseverar de que necessitavam ver para crer, como outros ora o fazem. Não obstante, hoje, que vêem e crêem, já não dispõem do ensejo de produzir com segurança, porque estão nas malhas das consequências lamentáveis.
A vida são os sucessos que acontecem num como outro plano em que se manifesta.
A tarefa do verdadeiro cristão é a do vigilante no posto do dever, no corpo ou fora dele, pois que sabe ser a caminhada evolutiva numa estrada assinalada por etapas, em que o berço e o túmulo funcionam como pontos de repouso e de atividade, impulsionando para um quanto para outro estado de consciência na busca da meta.
Se encontras lanhado pelo sofrimento e com a alma despedaçada pelo agonia, não te detenhas; busca chegar ao termo do caminho de lutas a qualquer preço.
Não importa como chegues, se nas asas sublimes da elevação pelo direto voo do espírito perfeito ou se de joelhos desconjuntados, o coração dorido e a alma em frangalhos, porém, herói das lutas vencidas.
Enquanto não te suceda a conclusão da prova, olha para trás e distende a mão em atitude de socorro aos que necessitam de ajuda, da mesma forma que para o Alto alongas as tuas, na certeza de que outros te distendam as mãos da caridade.

João Cleófas
(De “Sementes de Vida Eterna, de Divaldo Pereira Franco – Diversos Espíritos)
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