segunda-feira, 31 de maio de 2010

Em Busca da Felicidade


Meus pensamentos estão intimamente relacionados com meus sentimentos. É importante força de vontade e determinação para policiá-los. De uma hora para outra podemos nos sentir infelizes, irritadiço, estressados, ciumentos. A razão disso é que o pensamento sempre volta para nós, sob forma de sentimentos.
A escolha, portanto, será sempre nossa. Com nossa mente criamos verdadeiros monstros que nos perseguem e podem nos devorar. Com ela também criamos fantasias, sonhos, felicidades. Jamais nos tornaremos irritadiços sem ter tido pensamentos irritantes; jamais faremos cenas de ciúmes sem antes termos tido pensamentos ciumentos.
Quando nos sentirmos aborrecidos, melancólicos ou deprimidos, verifiquemos nossos pensamentos, pois o "mal pensar" poderá estar provocando esse maus sentimentos.
Toda atenção é pouca para controlar nossa mente.
Nosso pensamento negativo é que transforma nossa vida para pior.

(Sergito S. Cavalcanti)

Cruz e Souza - Beleza da Morte


Há no estertor da morte uma beleza
Transcendente, ignota, luminosa.
Beleza sossegada e silenciosa,
Da luz branca da Paz, trêmula e acesa...


É o augusto momento em que a alma, presa
Às cadeias da carne tenebrosa,
Abandona a prisão, dorida e ansiosa,
Sentindo a vida de outra natureza.


Um mistério divino há nesse instante,
No qual o corpo morre e a alma vibrante
Foge da noite das melancolias!...


No silêncio de cada moribundo,
Há a promessa de vida em outro mundo,
Na mais sagrada das hierarquias.

Obra: Parnaso de Além-Túmulo. Francisco Cândido Xavier)

André Luiz - Antes do Berço

Antes do berço, na Espiritualidade, examinando as suas próprias necessidades de aperfeiçoamento terá você pedido:

a deficiência corpórea que induza á elevação dos sentimentos;

a enfermidade de longa duração, capaz de educar-lhe os impulsos;

essa ou aquela lesão física que favoreça os exercícios da disciplina;

determinada miltilação que lhe iniba o arrastamento a agressividade exagerada;

o complexo psicológico que lhe remove as ideias;

o lar amargo onde possa aprender quanto vale a afeição;

o traço de prova que lhe impõe obstáculo no grupo social, a fim de esquecer enquistações de orgulho;

o reencontro com adversários do passado, em formas de parentes difíceis, atendendo a resgate de antigos débitos;

a impossibilidade temporária para obtenção de um título acadêmico, de modo a frenar-se contra desmandos intelectuais;

a internação passageira em ambiente de pauperismo, de maneira a desenvolver a própria habilitação no trabalho pessoal.

Aceite as dificuldades e desafios da existência, porque, na maioria das circunstâncias, são respostas da Providência Divina aos nossos anseios de reajuste e sublimação.

(Obra: Resposta da vida - Francisco C. Xavier)

domingo, 30 de maio de 2010

Bezerra de Menezes & Francisco C. Xavier - Pedras da Vida

...há situações que constituem a nossa prova aflitiva e áspera, mas redentora e santificante.
Perdoemos as pedras da vida pelo ouro da experiência e de luz que nos oferecem.
E, sobretudo, armemo-nos de coragem para o trabalho, porque é na dor do presente que corrigimos as lutas de ontem, acendendo abençoada luz para o nosso grande porvir.

Cruz e Souza & Francisco C. Xavier - Mensageiro



Abri minhalma para os sofredores
Na vastidão serena dos Espaços,
Eu que na Terra tive sempre os braços
Presos à cruz tantálica das dores.


Epopéias de Sons e de Esplendores,
E os prazeres mais pobres, mais escassos,
E o mistério dos célicos abraços,
Dos Perfumes, das Preces e das Cores;


Tudo isso não vejo e vejo apenas
O turbilhão das lágrimas terrenas
— Taça imensa de gotas amargosas!


Da piedade e do amor eu trago o círio,
Para afastar as trevas do martírio
Do silêncio das noites tenebrosas.

(Do livro Parnaso de Além-Túmulo)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Em Busca da Felicidade

Esteja sempre pronto a amparar a todos que cruzarem seus caminhos. Você não sabe o futuro que lhe espera e pode ser que, um dia, necessite também de uma mão amiga. Seja sempre misericordioso e, não esqueça que na terra, de uma maneira ou de outra, todos nós somos necessitados, e não há também que não esteja em condições de ajudar. Ajude, pois, dando não apenas o pão, a moeda, a vestimenta, mas também o sorriso amigo, a palavra de incentivo, o abraço ou até mesmo um bom pensamento. seja sempre receptivo a doar, não apenas bens materiais, mas, sobretudo, os do coração.
Nossa carência, na maioria das vezes é mais de afeto do que de pão.
Jesus nos ensinos que: "É mais bem-aventurado dar do que receber" e nos recomendou:"dar a quem pedir". A verdadeira beneficência é modesta e branda, socorre sem humilhar e ampara sem ferir a dignidade de quem recebe. Beneficie seu irmão, mas nunca deixe vestígios que possam ostentar sua caridade.

(Sergito S. Cavalcanti)

Francisco Cândido Xavier

'Para obter algo que você nunca teve, precisa fazer algo que nunca fez'.

'Quando Deus tira algo de você, Ele não está punindo-o, mas apenas abrindo suas mãos para receber algo melhor'.

'A Vontade de Deus nunca irá levá-lo aonde a Graça de Deus não possa protegê-lo'.

Muita Paz!

Cruz e Souza & Francisco C. Xavier - Renuncia


Renuncia a ti mesmo! Renuncia
A mundana e efêmera vaidade:
Que em ti sintas a dúlcida piedade
Que as desgraças alheias alivia.


Do homem, esquece a lúrida maldade,
Prosseguindo na estrada luzidia.
E denodadamente engendra e cria
Teu próprio mundo de felicidade!


Parte o teu coração em mil fragmentos,
Ofertando-os ao mundo que te odeia,
Com a bondade mais pródiga e mais pura.


Não olvides em meio dos tormentos:
– Renunciar em bem da dor alheia,
É ter no Além castelos de ventura.

(Parnaso de Além Túmulo)

Não Merecem


Guarde-se do mal e defenda-se dele com a realização do bem operante. O mal não merece consideração.
Há muito que fazer, valorizando a oportunidade de serviço que surge inesperada.
A intriga não merece a atenção dos seus ouvidos.
A injúria não merece o respeito da sua preocupação.
A ingratidão não merece o zelo da sua aflição.
O ultraje não merece o seu revide verbalista.
A mentira não merece a interrupção das suas nobres tarefas.
A exasperação não merece o seu sofrimento.
A perseguição gratuita não merece a sua solicitude.
A maledicência não merece o alto-falante da sua garganta.
A inveja não merece o tempo de que você necessita para o trabalho nobre.

Os maus não merecem a sua inquietação.
Entregue-os ao tempo benfazejo.

Abra os braços ao dever, firme-se no solo do serviço, abrace-se à cruz da responsabilidade, recordando o madeiro onde expirou o Cristo e, em perfeita magnitude, desafie a fúria do mal.
O lídimo cristão é fiel servidor.


Você tem somente um amo a quem prestará contas: Jesus!

Preocupado com o que deve fazer, não pare a escutar os que não têm o que fazer ou nada querem fazer.
Transformando-se em antena viva da inspiração superior, registre o ensinamento evangélico do amor, no coração, viva-o na ação e prossiga sem medo.

Você sabe que em toda seara existem abelhas diligentes e marimbondos destruidores. Também, não ignora “que os maus por si mesmos se destroem”, como afirma a sabedoria popular.


Identifique no obstáculo o ensejo iluminativo e não se detenha.

Por essa razão, enquanto a ventania açoita, guarde a sua fé robusta e, sem dar atenção ao mal, esteja acautelado, porque, não descendo às ondas mentais dos maus, você paira inatingível nas vibrações superiores das Altas Potências da Vida. Doe amor e, assim, faça o bem, para que não venha “a responder por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem”.

(Marco Prisco & Divaldo Franco. Livro Legado Kardequiano)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Emmanuel & Francisco C. Xavier - Tú, porém


"Desde que não permaneças em temporária inibição do verbo,
serás assediado a falar em todas as situações.


Convocar-te-ão a palavra os que desejam ser bons e os deliberadamente maus, os cegos das estradas sombrias e os caminheiros das sendas tortuosas.


Corações perturbados pretenderão arrancar-te expressões perturbadoras.

Caluniadores induzir-te-ão a caluniar.


Mentirosos levar-te-ão a mentir.


Levianos tentarão conduzir-te à leviandade.


Ironistas buscarão localizar-te a alma no falso terreno do sarcasmo.


Compreende-se que procedam assim, porquanto são ignorantes, distraídos da iluminação espiritual. Cegos desditosos sem o saberem, vão de queda em queda, desastre a desastre, criando a desventura de si mesmos.


Tu, porém, que conheces o que eles desconhecem, que cultivas na mente valores espirituais que ainda não cultivam, toma cuidado em usar o verbo, como convém ao Espírito do Cristo que nos rege os destinos. É muito fácil falar aos que nos interpelam, de maneira a satisfazê-los, e não é difícil replicar-lhes como convém aos nossos interesses e conveniências particulares; todavia, dirigirmo-nos aos outros, com a prudência amorosa e com a tolerância educativa, como convém à sã doutrina do Mestre, é tarefa complexa e enobrecedora, que requisita a ciência do bem no coração e o entendimento evangélico nos raciocínios.


Que os ignorantes e os cegos da alma falem desordenadamente, pois não sabem, nem vêem... Tu, porém, acautela-te nas criações verbais, como quem não se esquece das contas naturais a serem acertadas no dia próximo.


(Livro: Vinha de Luz)

André Luiz & Francisco C. Xavier - Lição no Apólogo



Na noite de 26 de janeiro de 1956, fomos agraciados com a visita de nosso amigo espiritual André Luiz, que nos ofereceu à meditação a página simples e expressiva que ele próprio intitulou “Lição no apólogo”.


Diante das perturbações e das lágrimas que nos visitam cada noite o santuário de socorro espiritual, lembraremos velho apólogo, dezenas de vezes repetido na crônica de vários países do mundo e que, por pertencer à alma do povo, é também uma pérola da Filosofia a enriquecer-nos os corações.

Certo cavalheiro que possuía três amigos foi convocado a comparecer no fórum, de modo a oferecer solução imediata aos problemas e enigmas que lhe manchavam a vida, porquanto já se achava na iminência de terrível condenação.

Em meio das dificuldades de que se via objeto, procurou os seus três benfeitores, suplicando-lhes proteção e conselho.

Arrogante, replicou-lhe o primeiro:

— Mais não posso fazer por ti que obter-te uma roupa nova para que compareças dignamente diante do juiz.

Muito preocupado, disse-lhe o segundo:

— Não obstante devotar-te a mais profunda estima, posso apenas fortalecer-te e acompanhar-te até à porta do tribunal.

O terceiro, porém, afirmou-lhe humildade:

— Irei contigo e falarei por ti.

E esse último, estendendo-lhe os braços, amparou-o em todos os lances da luta e falou com tanta segurança e com tanta eloqüência em benefício dele, diante da justiça, que o mísero suspeito foi absolvido com a aprovação dos próprios acusadores que lhe observavam o processo.

Neste símbolo, temos a nossa própria história à frente da morte.

Todos nós, diante do sepulcro, somos chamados a exame na Contabilidade Divina.

E todos recorremos àqueles que nos protegem.

O primeiro amigo, o doador de trajes novos, é o dinheiro que nos garante as exéquias.

O segundo, aquele que nos acompanha até à porta do tribunal, é o mundo representado na pessoa dos nossos parentes ou na presença das nossas afeições mais queridas, que compungidamente nos seguem até à beira da sepultura.

O terceiro, contudo, é o bem que praticamos, a transformar-se em gênio tutelar de nossos destinos, e que, falando em nós e por nós, diante da justiça, consegue angariar-nos mais amplas oportunidades de serviço, quando não nos conquista a plena liberação do Espírito para a Vida Eterna.

Atendamos assim ao bem, onde estivermos, agora, hoje, amanhã e sempre, na certeza de que o bem que realizamos é a única luz do caminho infinito e que jamais se apagará.


(De “Vozes do Grande Além”)

Fábio Montenegro - Nem Tudo é Silêncio



Contempla o campo agreste... Eis a tela soturna
Do imenso chapadão a perder-se de vista...
Mas se tudo é deserto e tristeza na crista,
Sob a terra que dorme, a semente se enfurna.


Da cova pequenina, improvisada urna,
Anônima e largada à lama que a contrista,
A árvore ao sol com beleza imprevista,
Vencendo a expectação da gleba taciturna...


Ausculta, assim também, a solidão da lousa...
Nem fala que a revele ou força que a transporte...
Tudo aparente inércia ao lodo em que se olvida!


Entanto, à plena sombra, em que a cinza repousa,
Onde se junge o caos à escuridão da morte,
Emerge, soberana, a excelência da vida...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Augusto dos Anjos & Francisco C. Xavier - Renascer

Para as ânsias do espírito liberto
A dor maior, a dor das grandes dores,
É renascer nos mundos inferiores,
Retomando o caminho escuro e incerto.


Martirológio, mísero, reaberto,
Entre angústia, misérias e pavores,
Na visão dos micróbios destruidores
Ou de areias de fogo de um deserto.


A alma livre do implexo do mundo
Vive da paz, do amor de que me inundo,
Longe da confusão que o mundo encerra...


Reencarnar-se! Eis o trágico tropeço
De se voltar ao triste recomeço
Das podridões orgânicas da Terra!...

(Livro: Lira Imortal)

Suely C. Schubert - Jesus e a Inteligência Emocional

Afirma Daniel Goleman em seu livro “Inteligência Emocional” que os grandes mestres espirituais como Jesus e Buda “tocaram o coração dos seus discípulos falando na linguagem da emoção, ensinando por parábolas, fábulas e contos”. Segundo o escritor estes mestres espirituais falam no “vernáculo do coração”, o que do ponto de vista racional tem pouco sentido.

Goleman explica ainda que segundo Freud, em seu “conceito primário” de pensamento, essa lógica da mente emocional é a “lógica da religião e da poesia, da psicose e das crianças, do sonho e do mito”. Isto engloba também as metáforas e imagens como as artes, romances, filmes, novelas, música, teatro, ópera, etc., pois tocam de forma direta a mente emocional.

Isto nos leva a entender por que as expressões religiosas e artísticas agradam tanto: é que a imensa maioria das pessoas é dominada pela emoção. Também explica o motivo dessa preferência das multidões a essas crenças novas, rotuladas de evangélicas, que manipulam as emoções como fator de atração e direcionamento de seus adeptos.

Mas, o que é a EMOÇÃO? O dicionário registra: qualquer agitação ou perturbação da mente; sentimento; paixão; qualquer sentimento veemente ou excitado.

Segundo Goleman: “EMOÇÃO se refere a um sentimento e seus pensamentos distintos, estados psicológicos e biológicos, e a uma gama de tendências para agir.”

Não podemos perder de vista as sutilezas em que as emoções se manifestam, para melhor entendimento do assunto e encaminhamento do nosso raciocínio.

Os estudiosos do tema propõem famílias básicas (assim co­mo as cores básicas); mencionaremos algumas:

IRA: fúria, revolta, ressentimento, raiva, exasperação, indignação vexame, animosidade, aborrecimento, irritabilidade, hostilidade e, no extremo, ódio e violência patológicos.

TRISTEZA: sofrimento, mágoa, desânimo, desalento, melancolia, autopiedade, solidão, desamparo, desespero e, quando patológica, severa depressão.

MEDO: ansiedade, apreensão, nervosismo, preocupação, consternação, cautela, escrúpulo, inquietação, pavor, susto, terror e, como psicopatologia, fobia e pânico.

PRAZER: felicidade, alegria, alívio, contentamento, deleite, diversão, orgulho, prazer sensual, emoção, arrebatamento, gratificação, satisfação, bom humor, euforia, êxtase e, no extremo, mania.

AMOR: aceitação, amizade, confiança, afinidade, dedicação, adoração, paixão, ágape (caridade).

E as virtudes e vícios que vão desde a fé, compaixão, esperança, coragem, altruísmo, perdão, equanimidade até dúvida, preguiça, tédio, etc. Há um debate científico sobre como classificar as emoções, já que podem ser igualmente um estado de espírito, temperamento ou se transformarem em distúrbios emocionais como depressão, angústia, ansiedade, fobias, etc.

Depreende-se, portanto, que em várias circunstâncias de nossa vida as emoções prevalecem e nos dominam. Quantas vezes nos surpreendemos diante de nossas alternâncias de estado de espírito, pois podemos ser muito racionais num momento e irracionais no seguinte quando o calor da emoção passa a comandar nossas atitudes.

É exatamente nos estados extremos das emoções que as pessoas cometem ações das quais se arrependem amargamente no minuto seguinte, quando a mente racional começa a reagir. É este o caminho dos crimes passionais, quando se diz que houve “privação dos sentidos”.

Portanto, emoções são sentimentos a se expressarem em impulsos e numa vasta gama de intensidade, gerando idéias, condutas, ações e reações. Quando burilados, equilibrados e bem conduzidos transformam-se em sentimentos elevados, sublimados, tomando-se, aí sim — virtudes.

O livro de Daniel Goleman traz-nos preciosas contribuições que devem ser analisadas à luz da Doutrina Espirita. Observemos, em princípio, o que consideramos a contribuição fundamental de sua obra: a distinção entre inteligência emocional e racional, em que “linguagem” a primeira se manifesta e todas as conseqüências que daí advêm. Mas, iremos analisar, especificamente, o discurso de Jesus, sob esta ótica.

Segundo o autor e conforme mencionamos linhas atrás, Jesus utilizou-se do “vernáculo do coração”, falava, portanto, a linguagem da emoção, e acrescentamos: do sentimento sublimado — por isto se diz que Ele trouxe a Lei de Amor.

Todavia, para a mentalidade racional que impera no Ocidente, nas elites intelectuais, sobretudo, essa mensagem passou a ser vista como sinônimo de psicose, infantilidade, poesia e utopia. Por outro lado, os principais fatores que geraram esse tipo de leitura foram as distorções, as interpolações e mutilações que o Evangelho sofreu e que o transformaram nesse cristianismo dos tempos atuais, muito distante da verdadeira Boa-Nova.

É exatamente no momento crucial em que a Europa, liderada pela França, entroniza a “deusa Razão”, zombando dos valores espirituais cultivados pela religião dominante, que a Terceira Revelação chega à Terra. O Espiritismo veio fazer uma leitura do Evangelho através da razão. Tendo em suas bases a moral cristã em sua pureza primitiva, interpretada, todavia, na linha do raciocínio a fim de que o seu aspecto emocional passe agora pela mente racional e possa ser aceita, assimilada pela mentalidade que prevalece em nossa época.

Cremos que a resistência na aceitação da Doutrina Espírita por parte dos países europeus (e mesmo norte-americanos), deve-se ao fato de não terem conseguido ainda assimilar essa nova mentalidade, pois destacam, de forma predominante, os valores intelectuais, a linha racional, não admitindo a prevalência da emoção ou a sua equiparação com a razão.

A Doutrina Espírita vem colocar o Evangelho do Cristo na linguagem da razão, com explicações racionais, filosóficas e científicas, mas, vejamos bem, sem abandonar, sem deixar de lado o aspecto emocional que é colocado na sua expressão mais alta, tal como o pretendeu Jesus, ou seja o sentimento sublimado, demonstrando assim que o SENTIMENTO E A RAZÃO podem e devem caminhar pela mesma via, pois constituem as duas asas de libertação definitiva do ser humano: O AMOR E A SABEDORIA.

A questão 627 de “O Livro dos Espíritos” traz-nos primorosa síntese das finalidades do Espiritismo e, a certa altura da resposta transmitida pelos Espíritos Superiores afirma: “O ensino dos Espíritos tem que ser claro e sem equívocos, para que ninguém possa pretextar ignorância e para que todos o possam julgar e apreciar com a razão. Estamos incumbidos de preparar o reino do bem que Jesus anunciou. Daí a necessidade de que a ninguém seja possível interpretar a lei de Deus ao sabor de suas paixões, nem falsear o sentido de uma lei toda de amor e de caridade.”

terça-feira, 25 de maio de 2010

Marco Prisco & Divaldo P. Franco - Insuperável Brandura


Quando você for defrontado por alguém violento, que o agrida verbalmente ou o ameace fisicamente, recorde-se de que ele é muito infeliz.

Todo aquele que não recebeu amor na infância ou foi vítima de insucessos emocionais, sempre perde o endereço de si mesmo e se torna inimigo dos outros.

Conceda-lhe a graciosa dádiva da bondade que não o torna mais desventurado. Não há quem resista a um indisfarçável gesto de benevolência.


Surpreendido pela astúcia dos perversos, sempre hábeis na arte de infligir sofrimentos aos outros, tenha em mente que eles são também impiedosos para consigo mesmos.

A sua desorientação provém de experiências amargas, nas quais sofreram crueldades e abandono.

Proporcione-lhes o ensejo de despertar, dando-lhes compreensão. Ninguém recusa amor, mesmo que, aparentemente reaja com aspereza, o que é falta de hábito em recebê-lo.


No pandemônio da revolta que grassa violenta em toda parte, anunciando desastres morais e conjunturas físicas dolorosas, reserve-se o direito de permanecer em paz.

O aturdimento que procede de alguns poucos, facilmente contamina o grupo social que se perturba. O agitador, é alguém que se sentiu desrespeitado nos seus direitos de criança e, na ocasião, não soube administrar a ira nem a frustração, agora tornadas bandeiras de comportamento doentio.

Seja amistoso para com ele, apresentando-lhe o outro lado da existência humana. O ser carente vive armado contra tudo e todos, até o momento em que se sente rociado pela presença da brandura.


No crepitar das labaredas das acusações e calúnias contra alguém, gerando situações asfixiantes e más, continue portador de generosidade para com a vítima.

Quem delinqüe, perde-se no labirinto de terríveis alucinações morais.

Não fustigue mais o desditoso, antes aplique temperança para com ele. O solo que arde, não pode receber mais calor, e sim, água refrescante que lhe diminua e aplaque a temperatura elevada.

Todos somos sensíveis à compreensão de alguém para conosco.

Perseguido pela inveja ou malsinado pela insensatez daquele que não gosta de você, resguarde-se na compaixão para com ele.

A insegurança que o leva a afligi-lo é resultado da família com a qual viveu e de quem somente recebeu lições de impiedade e malquerença.

Ele gostaria, por certo, de ser como você, e, na impossibilidade de que se dá conta, tenta amargurá-lo.

Ofereça-lhe o silêncio em resposta de brandura, que o alcançará inexoravelmente, alterando-lhe a atitude interior. Nada pode detê-la, e quem a recebe jamais prossegue como antes.


Na raiz de muitos males, que afligem e desconcertam a criatura, o desamor de que foi objeto, na atual ou em anterior reencarnação, é o responsável pelo seu transtorno.

Naturalmente, quem lhe experimenta o aguilhão impiedoso deseja libertar-se, defendendo-se e acusando, reagindo.

Não existe, porém, defesa real quando se agride nem se conquista harmonia quando se entra em debates de violência.

Nunca aceite as injunções do mal nem as arruaças dos desordeiros, simplesmente deixando de conceder-lhes consideração.

Você cresce na vertical do amor, tendo por dever levantar caídos e nunca torná-los mais vulneráveis ao mal que neles reside.

Viva com brandura e esparza-a, tornando o mundo melhor e as criaturas menos desesperadas.

Somente quem ama e se reveste de bondade pode resistir aos conflitos e desafios perturbadores da sociedade agressiva que prefere ignorar o Bem.


(De “Luzes do alvorecer")

Em Busca da Felicidade

No nosso coração existe dois sentimentos que determinam à execução de nossos atos e ações: humildade e o orgulho. A humildade é o sentimento quer leva o homem a praticar o bem pelo próprio bem, sem esperar outra recompensa senão a satisfação íntima do bem realizado.
O orgulho é o sentimento que leva o homem a praticar o bem por ostentação.
Ajamos sem alarde e sem propagandas, de tal maneira que, nem mesmo os mais íntimos, tomem conhecimento de nossas boas ações. Deixemos que a nossa luz brilhe, não para que possamos ser exaltados ou com objetivos de sermos vistos. Por isso Jesus disse: "Aqueles que fazem o bem com ostentação já receberam sua recompensa", pois, com efeito, aquele que procura sua glorificação na Terra pelo bem que fez já pagou a si mesmo. Deus não lhe deve mais nada, não lhe resta a receber senão a punição de seu orgulho. Faça o bem e terás paz, contudo, não procure chamar para si as atenções e louvores dos homens.

(Sergito S. Cavalcanti)

Sentinelas da Alma - Amparo Recíproco



Reforma íntima: duas palavras que enfeixam numerosos apelos à sublimação espiritual.

Não te enganes, pórem.
Em nos referindo a esse imperativo da vida, coloquemo-nos todos na órbita de semelhante necessidade.
Não te julges intangível.

Se ainda não sofreste o assédio dessa ou daquela tentação, é possível que o teu dia de luta, nesse sentido, aparecerá mais depressa do que pensas.

Esse amigo conquistou a honestidade, mas ainda não se livrou da sovinice.
Aquela irmã atingiu louvável equilíbrio sentimental, no entanto, ainda carrega consigo grande peso de orgulho.
Outro amigo é um modelo de generosidade, contudo, não perdoa a mínima ofensa.

Determinada companheira é um retrato da dedicação, em família, mas converte-se facilmente em franca representação do egoísmo, em se tratando do interesse dos outros.
Esse irmão alcançou alto grau de cultura, entretanto, não se contém perante certas tentações de caráter afetivo.

Encontramos outro que brilha na condição de autêntico herói do trabalho, no entanto, ainda não sabe afastar-se do propósito de empalmar os bens alheios, desde que encontre facilidade para isso.

Reportamo-nos ao assunto, a fim de anotar que, na Terra, somos todos necessitados da compaixão recíproca.

Analisemos os pontos frágeis da cidadela em que se nos oculta a personalidade e auxiliemo-nos uns aos outros.

Jesus nos dedicou um só mandamento:
- "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei."
E atrevemo-nos a crer que o Divino Mestre nos terá dito nas entrelinhas:
- "Perdoai-vos uns aos outros como eu vos perdoei."

Senhor!...
Concede-me forças para irradiar a paz e o amor que nos ensinaste.


(Meimei & Francisco Cândido Xavier)

domingo, 23 de maio de 2010

Afonso Celso de Assis Figueiredo Júnior - Esplendores

Além, a luz do espaço se esfacela
Em explosões de sons e cores raras,
Tecendo o amor e a glória nas searas
Da vida universal sublime, bela...


Brilham, depois do azul que o céu revela,
Astros em bando, iguais longas aparas
De altas constelações, em formas claras:
Sóis pendendo de vasta passarela...


O homem fita espantado as nebulosas
Bailando em formações maravilhosas,
E vê-se um verme à frente do Destino...


Ante o excelso esplendor finda-se o engano...
Como se faz pequeno o orgulho humano!
Como se torna imenso o Amor Divino!

Em Busca da Felicidade


A vida jamais coloca sobre nossos ombros uma carga que esteja acima de nossa capacidade de resistência. São nesses momentos difíceis que surgem grandes oportunidades de crescimento.
Entretanto, temos que ter a certeza de que tudo passa em nossas vidas. Tudo tem começo e fim. Se recordarmos, verificaremos que já passamos por inúmeras experiências muito difíceis e superamos todas.
O espírito Emmanuel nos ensina que: "Dificuldades e lutas assemelham-se a materiais didáticos na escola ou andaimes na construção; amealhada a cultura ou levantado o edifício, desaparecem uns e outros".
Assim também acontece com a alegria e o prazer. Cada emoção e humor que vivenciamos passaram fugazes por nossas vidas. Na vida tudo passa, tudo se dissolve.
Acolher esta verdade em nosso íntimo vai nos consolar e nos fazer muito bem. Aprendamos a conviver com esses estados d'alma e veremos que, após uma noite longa, surgirá um novo dia e o sol voltará a brilhar.

(Sergito S. Cavalcanti)

sábado, 22 de maio de 2010

Deus


Quem, senão Deus, criou obra tamanha,
O espaço e o tempo, as amplidões e as eras,
Onde se agitam turbilhões de esferas,
Que a luz, a excelsa luz, aquece e banha?


Quem, senão ELE fez a esfinge estranha
No segredo inviolável das morenas,
No coração dos homens e das feras,
No coração do mar e da montanha?


Deus!... somente o Eterno, o Impenetrável,
Poderia criar o imensurável
E o Universo infinito criaria!...


Suprema paz, intérmina piedade,
E que habita na eterna claridade
Das torrentes da Luz e da Harmonia!


(Do livro Parnaso de Além-Túmulo - Antero de Quental & Francisco Cândido Xavier).

Irmão X & Francisco C. Xavier - O Caçador Providencial


Conversávamos acerca do sofrimento, quando o orientador hindu que nos acompanhava contou com simplicidade infantil:
— O Anjo da Libertação desceu do Paraíso a este mundo, pousando num cômoro verdejante, a reduzida distância do mar.
Aproximaram-se dele um melro, um abutre, uma tartaruga e uma borboleta.
Reconhecendo que essa era a assembléia de que podia dispor para a revelação que trazia, o iluminado peregrino começou, ali mesmo, a exalçar as virtudes do Alto, convidando-os à Vida Superior.
Com frases convincentes, esclareceu que o melro, guindado aos cimos de luz, transformar-se-ia num pombo alvo, que o abutre seria metamorfoseado numa ave celestial, qual a tartaruga receberia nova forma, suave e leve, em que seria possível planar na imensidão azul e que a borboleta converter-se-ia em estrela luminescente...
Os ouvintes assinalaram as promessas com emoção; no entanto, assim que o silêncio voltou a reinar, o melro alegou:
— Anjo bom, escusai-me! Um ninho espera-me no arvoredo... Meus filhotes não me entenderiam a ausência... E afastou-se apressado.
O abutre confessou em tom enigmático:
— Comovente é a vossa descrição do Plano Divino, entretanto, possuo interesses valiosos no mundo. Preciso voar... E partiu, batendo as asas, a fim de arrojar-se sobre carniça próxima.
A tartaruga moveu-se lentamente e explicou:
— Quisera seguir-vos, abandonando o cárcere sob o qual me arrasto no solo, contudo, tenho meus ovos na praia... E regressou, pachorrenta, à habitação que lhe era própria.
A borboleta achegou-se ao pregador da bem-aventurança e disse, delicada:
— Santo, não posso viajar convosco. Moro num tronco florido e meus parentes não me desculpariam a fuga. E tornou à frescura do bosque.
O Anjo, que não podia violentá-los, marchou, sozinho, para diante...
A borboleta, porém, apenas avançara alguns metros, na volta à casa, viu-se defrontada por hábil caçador que lhe cobiçava as asas brilhantes.
Após longa resistência, tentou alcançar a árvore em que residia, mas, perseguida, presenciou a morte de alguns dos familiares que repousavam.
Chorosa, buscou refugiar-se em velha furna, sendo facilmente desalojada pelo implacável verdugo. Ensaiou, debalde, esconder-se entre velhos barcos esquecidos na areia... Tudo em vão, porque o homem tenaz era astucioso e sabia frustrar-lhe todas as tentativas de defesa, armando-lhe ciladas cada vez mais inquietantes.
Quando a pobre vítima se sentia fraquejar, lembrou-se do Anjo da Libertação e voou ao encontro dele.
O mensageiro divino recebeu-a, contente, e, oferecendo-lhe asilo nos próprios braços, garantiu-lhe a salvação.
O narrador fez pequena pausa e considerou:
— O sofrimento é assim como um caçador providencial em nossas experiências. Sem ele, a Humanidade não se elevaria à renovação e ao progresso. Quem se acomoda com os planos inferiores, dificilmente consegue descortinar a Vida Mais Alta, sem o concurso da dor. Saibamos, assim, tolerar a aflição e aproveitá-la.

Quando a criatura se vê na condição da borboleta aflita e desajustada, aprende a receber na Terra o socorro do Céu.
Calou-se o mentor sábio, e, porque ninguém comentasse o formoso apólogo, passamos todos a refletir.

(De “Contos e Apólogos”)

Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco - Pertubações

Apesar de tuas boas disposições, surgem momentos em que estranhos estados da alma assomam, perturbando- te a lucidez e o entusiasmo.
Esses constituem desafios graves, que podem levar a imprevisíveis resultados negativos.
Surgem como depressão ou desinteresse, que deflui de uma observação infeliz, ou de uma palavra azeda, ou de uma discussão desgastante. ..
Há ocasiões em que se manifestam como nuvem obnubiladora do discernimento, insistente, que termina por gerar indisposição íntima, quando não leva a distonias e agressividade mais contundente.
Além dos fatores normais sociopsicológicos do relacionamento ou da emoção, originam-se na interferência psíquica de desencarnados que se comprazem em inquietar, inspirando desespero e conduzindo a estágios afligentes.. .
Vivemos em quase permanente intercâmbio psíquico uns com os outros, no corpo físico e fora dele.
Mentes disparam dardos contra outras, atingindo o alvo com pontaria segura e estabelecendo telefone de comunicação perturbadora.

Interrompe as telepatias deprimentes, sobrepondo a tua vontade e corrigindo a sintonia psíquica.
Sai um pouco e respira ar puro.
Recorda os planos ideais que acalentas.
Dialoga um pouco com alguém que te inspira simpatia.
Ora, por alguns instantes.
Estes expedientes expulsarão a onda de perturbação que te envolve, e tornarás ao estado de tranqüilidade.

(De “Episódios diários”)

Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco - Abençoar as Oportunidades


Abençoa com alegria cada oportunidade evolutiva.

A dor enfrentada com resignação diminui de intensidade, tanto quanto suportada em silêncio passa com mais rapidez.

Nunca te alcançam os sofrimentos que não mereças, assim como não passarás pela Terra, em regime de exceção, sem os enfrentares.

As leis de Deus são iguais para todos.

Substituindo o amor que escasseia, a dor é a mestra que impulsiona ao avanço.

(Livro: Vida Feliz)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Emmanuel & Chico Xavier - No Reino Interior



Não podemos esperar, por enquanto, que o Evangelho de Jesus obtenha vitória imediata no espírito dos povos. A influência dele é manifesta no mundo, em todas as coletividades; entretanto, em nos referindo às massas humanas, somos compelidos a verificar que toda transformação é vagarosa e difícil.

Não acontece o mesmo, porém, na esfera particular do discípulo. Cada espírito possui o seu reino de sentimentos e raciocínios, ações e reações, possibilidades e tendências, pensamentos e criações.

Nesse plano, o ensino evangélico pode exteriorizar- se em obras imediatas.

Bastará que o aprendiz se afeiçoe ao Mestre.

Enquanto o trabalhador espia questões do mundo externo, o serviço estará perturbado. De igual maneira, se o discípulo não atende às diretrizes que servem à paz edificante, no lugar onde permanece, e se não aproveita os recursos em mão para concretizar a verdadeira fraternidade, seu reino interno estará dividido e atormentado, sob a tormenta forte.

Não nos entreguemos, portanto, ao desequilíbrio de forças em homenagens ao mal, através de comentários alusivos à deficiência de muitos dos nossos irmãos, cujo barco ainda não aportou à praia do justo entendimento.

O caminho é infinito e o Pai vela por todos.

Auxiliemos e edifiquemos.

Se és discípulo do Senhor, aproveita a oportunidade na construção do bem.

Semeando paz, colherás harmonia; santificando as horas com o Cristo, jamais conhecerás o desamparo.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Emmanuel & Francisco C. Xavier - O Melhor Para Nós


Muito e sempre importante para nós o esquecimento de todos aqueles que assumam para conosco essa ou aquela atitude desagradável.

Ninguém possui medida bastante capaz, a fim de avaliar as dificuldades alheias.

Aquele que, a nosso ver, nos terá ferido, estaria varando esfogueado obstáculo quando nos deu a impressão disso. E, em superando semelhante empeço, haverá deixado cair sobre nós alguma ponta de seus próprios constrangimentos, transformando- se nos muito mais em credor de apoio que em devedor de atenção.

Em muitos episódios da vida, aqueles que nos prejudicam, ou nos magoam, freqüentemente se encontram de tal modo jungidos à tribulação que, no fundo, sofrem muito mais, pelo fato de nos criarem problemas, que nós mesmos, quando nos supomos vitimadas deles.

Quem saberia enumerar as ocasiões em que determinado companheiro terá sustado a própria queda, sob a força compulsiva da tentação, até que viesse a escorregar no caminho? Quem disporá de meios para reconhecer se o perseguidor está realmente lúcido ou conturbado, obsesso ou doente? Quem poderá desentranhar a verdade da mentira, nas crises de perturbação ou desordem? e quando a nuvem do crime se abate sobre a comunidade, que pessoa deterá tanta percuciência para conhecer o ponto exato em que se haverá originado o fio tenebroso da culpa?

A vista disso, compreendamos que o esquecimento dos males que nos assediam é defesa de nosso próprio equilíbrio, e que, nos dias em que a injúria nos bata em rosto, o perdão, muito mais que uma benção para os nossos supostos ofensores, é e será sempre o melhor para nós.


(Livro Ceifa de Luz)

Em Busca da Felicidade

Seja forte e corajoso. Não se deixe vencer pela dor, dificuldades, pela doença. Procure entender o significado dos seus sofrimentos. Nunca se esqueça que és filho de Deus e Ele não desampara nenhum de seus filhos.
Nossas dores, nossos tropeços, erros e problemas, no fundo, são os maiores agentes de nosso progresso. São testes que a Divina Providência coloca em nosso caminho para aquilatar nossa capacidade de paciência e resignação.
Bendiga suas dificuldades. Através delas, aprendemos, esclarecemos e aumentamos a nossa fé.
Ninguém progride sem luta, sem sofrimento, sem resignação.
O sofrimento é útil, bendito, um elemento absolutamente necessário para nossa evolução. Se não existisse a dor, nosso progresso seria infinitamente mais lento. Nossa dor faz parte do nosso processo de crescimento. Nossos erros, dificuldades, dores e provações não são eternas, mas passageiras. Eterna será, com certeza, a felicidade que nos aguarda.


(Sergito S. Cavalcanti)

Cruz e Souza & Francisco C. Xavier - Nossa Mensagem


Essa mensagem de esperança e vida
Que endereçamos da imortalidade,
É a lição luminosa da Verdade
Que a Humanidade espera comovida.


Guardai a voz da Terra Prometida,
Nos exílios do pranto e da saudade;
Conservai essa vaga claridade
Da luz da eternidade indefinida.


Todo o nosso trabalho objetiva
Dar-vos a fé, a crença persuasiva
Nos caminhos da prova dolorosa.


Sabei vencer entre as vicissitudes,
Como arautos de todas as virtudes,
Sobre as ressurreições da alma gloriosa.


(Parnaso de Além-Túmulo)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

André Luiz & Francisco C. Xavier - Gratidão e Esforço



Quando você estiver à beira da inconformação, conte as bênçãos que já terá recebido.

Jamais desconsidere o valor do trabalho.

O dono da mina de ouro, só por isso, não obterá sem esforço a ervilha que lhe enriquece o prato.

Riqueza, na essência, é o aproveitamento real das oportunidades que a vida nos oferece em nome do Senhor.

O homem afortunado pode ser o rico da benemerência.

O pobre pode ser o rico de esforço.

A pessoa robusta pode ser o rico de serviço.

O doente pode ser o rico de resignação.

O moço pode amealhar o tesouro da força bem dirigida.

Quem amadureceu na experiência pode organizar valioso patrimônio de ponderações edificantes.

A mulher pode torna-se um modelo de abnegação.

O homem pode converter-se numa coluna de heroísmo.

A criatura cercada de obstáculos pode enriquecer-se de virtudes excelsas.

Fortuna, de modo algum, será apenas metal ou papel amoedado. É, sobretudo, valor do espírito, bênção da alma, luz do coração.

Deus não criou a pobreza.

O homem, sim, quando perturba a marcha das leis divinas que governam a vida e abusa das graças que recebe, empobrece-se de oportunidades de progresso e gera para ele próprio a escassez, a dor, o remorso, a enfermidade e a expiação que o consomem, por largo tempo, sem destruí-lo, no purgatório necessário da regeneração.

Não esmoreça, ante os obstáculos do caminho de elevação.


(De "Endereços da Paz")

Antônio Nobre & Francisco C. Xavier - Do Além

Pudesse o nosso olhar, vagueando os ermos,
Ver através da própria soledade
A expressão luminosa da Verdade,
E da luz da Verdade não descrermos...


Preocupar-se ai, porém, quem há de
Com o problema de sermos ou não sermos,
Pois que o ardente desejo de o sabermos
É sempre o anelo falso da vaidade?


Peregrinos da dor, na dor andamos
Sem que a nossa miséria se desfaça
No escabroso caminho onde marchamos,


Seguindo a alma nos sonhos iludida,
Até que a dor unindo-se à desgraça
Descerre os véus que encobrem outra vida.


(Do livro Parnaso de Além-Túmulo)

Em Busca da Felicidade

O que somos é o resultado do que pensamos.
Para nos sentir melhor temos que pensar melhor. A mente faz a bondade e a maldade, a tristeza e a alegria, a riqueza e a pobreza. O homem é o resultado do que pensa.
Se mudarmos nossos pensamentos, mudaremos a nós mesmos e o rumo de nossas vidas.
Às vezes, nos deprimimos porque estamos enviando sistematicamente pensamentos negativos para nós próprios.
Entretanto, podemos aumentar maravilhosamente nossa saúde e felicidade, controlando nossos pensamentos. Para pensar corretamente é habilidade que se adquire e desenvolve.
Mas não é fácil evitar pensamentos negativos. Apesar disto, podemos, com esforço, policiá-los e, até mesmo interrompe-los. Uma tática muito usada é boicotar as mensagens negativas caso elas surjam, utilizando o controle de uma só palavra: PARE!
Uma vez afastados os maus pensamentos, teremos logo que substituí-los por pensamentos positivos que nos tragam ALEGRIA e FELICIDADE.


(Sergito de Souza Cavalcanti)

terça-feira, 18 de maio de 2010

André Luiz & Francisco C. Xavier - Crítica


Se você está na hora de criticar alguém, pense um pouco, antes de iniciar.

Se o parente está em erro, lembre-se de que você vive junto dele para ajudar.

Se o irmão revela procedimento lamentável, recorde que há moléstias ocultas que podem atingir você mesmo.

Se um companheiro faliu, é chegado o momento de substituí-lo em trabalho, até que volte.

Se o amigo está desorientado, medite nas tramas da obsessão.

Se o homem da atividade pública parece fora do eixo, o desequilíbrio é problema dele.

Se há desastres morais nos vizinhos, isso é motivo para auxílio fraterno, porquanto esses mesmos desastres

provavelmente chegarão até nós.

Se o próximo caiu em falta, não é preciso que alguém lhe agrave as dores de consciência.

Se uma pessoa entrou em desespero, no colapso das próprias energias, o azedume não adianta.

Ainda que você esteja diante daqueles que se mostram plenamente mergulhados na loucura ou na delinqüência, fale no

bem e fuja da crítica destrutiva, porque a sua reprovação não fará o serviço dos médicos e dos juizes indicados para

socorre-los, e, mesmo que a sua opinião seja austera e condenatória, nisso ou naquilo, você não pode olvidar que a

opinião de Deus, Pai de nós todos, pode ser diferente.


(Livro: "Espírito da Verdade")

Em Busca da Felicidade

No lar, ao lado de pessoas queridas, encontramos também antigos desafetos que a sabedoria divina coloca ao nosso lado como oportunidade de reconciliação resgate.
Diante do parente mais difícil, faz-se necessário o exercício da compreensão, da paciência e do perdão. O espírito Emmanuel nos alerta que: "toda antipatia, aparentemente a mais justa, deve morrer para dar lugar à simpatia".
Perdoe sempre, pois presos à carne só enxergamos uma face da moeda de nossas existências. a outra face só nos será revelada quando estivermos no mundo espiritual.
Por isso, muitas vezes pensamos ser vítimas quando, na realidade, somos algozes. Nunca nos esqueçamos que não temos os parentes que sonhamos, e sim os que merecemos, Estamos situados na família certa, junto das pessoas mais adequadas à nossa evolução.Floresçamos, pois, onde estivermos plantados. Esforcemo-nos para amá-los, tendo para com eles os nobres sentimentos do perdão, da tolerância, da resignação e da paciência.

(Sergito de Souza Cavalcanti)

Alma e Corpo


Disse a Alma, chorando,, ao Corpo aflito:
- Por que me prendes, triste barro escuro,
Se busco o Espaço imenso, se procuro
O império resplendente do infinito?


Por que me deste a dor por sambenito
No caminho terrestre áspero e duro?
Por que me algemas a sinistro muro,
O coração cansado, ermo e proscrito?


Mas o Corpo exclamou: _ Cala-te e ama!
Eu sou, na Terra, a cruz de cinza e lama
Que te serve de ninho, templo e grade...


Mas dos meus braços partirás, um dia,
Para a glória celeste da alegria,
Nos castelos de luz da eternidade!...


(Livro Relicário de Luz - Antero de Quental & Francisco C. Xavier)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Allan Kardec - Conhecimento de Si mesmo

Questão 919 de O Livro dos Espíritos:

Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?

"Um sábio da antigüidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo."

a) - Conhecemos toda a sabedoria desta máxima, porém a dificuldade está precisamente em cada um conhecer-se a si mesmo. Qual o meio de consegui-lo?

"Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma. Aquele que, todas as noites, evocasse todas as ações que praticara durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que houvera feito, rogando a Deus e ao seu anjo de guarda que o esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o assistiria. Dirigi, pois, a vós mesmos perguntas, interrogai-vos sobre o que tendes feito e com que objetivo procedestes em tal ou tal circunstância, sobre se fizestes alguma coisa que, feita por outrem, censuraríeis, sobre se obrastes alguma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai ainda mais: "Se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, teria que temer o olhar de alguém, ao entrar de novo no mundo dos Espíritos, onde nada pode ser ocultado?"

"Examinai o que pudestes ter obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo e, finalmente, contra vós mesmos. As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado.

"O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual. Mas, direis, como há de alguém julgar-se a si mesmo? Não está aí a ilusão do amor-próprio para atenuar as faltas e torná-las desculpáveis? O avarento se considera apenas econômico e previdente; o orgulhosos julga que em si só há dignidade. Isto é muito real, mas tendes um meio de verificação que não pode iludir-vos. Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, inquiri como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa. Se a censurais noutrem, não na poderia ter por legítima quando fordes o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de Sua justiça. Procurai também saber o que dela pensam os vossos semelhantes e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos, porquanto esses nenhum interesse têm. em mascarar a verdade e Deus muitas vezes os coloca ao vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos com mais franqueza do que o faria um amigo. Perscrute, conseguintemente, a sua consciência aquele que se sinta possuído do desejo sério de melhorar-se, a fim de extirpar de si os maus pendores, como do seu jardim arranca as ervas daninhas; dê balanço no seu dia moral para, a exemplo do comerciante, avaliar suas perdas e seus lucros e eu vos asseguro que a conta destes será mais avultada que a daquelas. Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida.

"Formulai, pois, de vós para convosco, questões nítidas e precisas e não temais multiplicá-las. Justo é que se gastem alguns minutos para conquistar uma felicidade eterna. Não trabalhais todos os dias com o fito de juntar haveres que vos garantam repouso na velhice? Não constitui esse repouso o objeto de todos os vossos desejos, o fim que vos faz suportar fadigas e privações temporárias? Pois bem! Que é esse descanso de alguns dias, turbado sempre pelas enfermidades do corpo, em comparação com o que espera o homem de bem? Não valerá este outro a pena de alguns esforços? Sei haver muitos que dizem ser positivo o presente e incerto o futuro. Ora, esta exatamente a idéia que estamos encarregados de eliminar do vosso íntimo, visto desejarmos fazer que compreendais esse futuro, de modo a não restar nenhuma dúvida em vossa alma. Por isso foi que primeiro chamamos a vossa atenção por meio de fenômenos capazes de ferir-vos os sentidos e que agora vos damos instruções, que cada um de vós se acha encarregado de espalhar. Com este objetivo é que ditamos O Livro dos Espíritos." SANTO AGOSTINHO.

Muitas faltas que cometemos nos passam despercebidas. Se, efetivamente, seguindo o conselho de Santo Agostinho, interrogássemos mais amiúde a nossa consciência, veríamos quantas vezes falimos sem que o suspeitemos, unicamente por não perscrutarmos a natureza e o móvel dos nossos atos. A forma interrogativa tem alguma coisa de mais preciso do que qualquer máxima, que muitas vezes deixamos de aplicar a nós mesmos. Aquela exige respostas categóricas, por um sim ou não, que não abrem lugar para qualquer alternativa e que são outros tantos argumentos pessoais. E, pela soma que derem as respostas, poderemos computar a soma de bem ou de mal que existe em nós.

Em Busca da Felicidade


A morte é um fenômeno natural, de natureza biológica e que nunca atinge a essência do nosso ser, que é o espírito. Temos que nos familiarizar com ela, considerando-a com naturalidade, não a transformando em tragédia ou em espectáculo inútil de desespero.
É necessário que nos preparemos para ela, pois assim fazendo, estaremos nos preparando para a vida em nova e mais grandiosa dimensão.
Coube ao apóstolo Paulo explicar que temos corpo material e corpo espiritual e que este corpo, o espiritual, é o corpo da ressurreição. Há dois mil anos, Jesus ensinou ao mundo os princípios da educação para a morte e enriqueceu seus ensinos com exemplicação pessoal. Exemplicou a própria imortalidade, ressuscitando em se corpo espiritual.
Se tivermos sofrendo com a partida de um ente querido, eles também sofrem e se inquietam com nosso desespero. Tenhamos confiança e aceitemos a morte com paz e serenidade.
Tenhamos confiança que, num futuro mais próximo de que imaginamos, estaremos de novo junto a esses seres queridos, que na verdade, não morreram, e sim, partiram mais cedo do que nós.

(Sergito de Souza Cavalcanti)

sábado, 15 de maio de 2010

Cruz e Souza & Francisco C. Xavier - Ouve-me


Ó vós que ides marchando, almas sedentas
De paz, de amor, de luz, sob as maiores
Desventuras do mundo, sob as dores
De misérias, batalhas e tormentas...


Também senti as emoções violentas
Que palpitam nos peitos sonhadores,
E sustentei, varado de amargores,
Surdas batalhas, rudes e incruentas.


Também vivi as lágrimas obscuras,
Iguais às vossas, míseras criaturas,
Que tombais nos caminhos sem dizê-las!


Exultai, que uma vida eterna e grande,
Além da morte, esplêndida se expande
No coração sublime das estrelas!...


(Do livro Parnaso de Além-Túmulo).

Francisco C. Xavier - Alcancemos a Luz



Em nossa condição de emparedados no vale sombrio das próprias dívidas, à frente da Lei, não nos detenhamos na feição exterior do ensinamento e, sim, apliquemos a beleza do símbolo, ao nosso próprio mundo interno.

Antigos prisioneiros do cárcere de reiteradas defecções espirituais, sentimo-nos cercados por pesadas colunas de treva a enceguecer-nos a visão.

Montanhas empedradas de revolta e indisciplina, inclinam-nos para os despenhadeiros do sofrimento.

Montanhas espinhosas de negligência e ociosidade, ameaçam-nos com os precipícios da negação e da dúvida.

Montanhas de leviandade e insensatez, induzem-nos a cair nos desvãos do tempo perdido.

Montanhas de débitos e aflições que formamos com os resíduos dos próprios erros, no curso dos milênios incessantes, desviam-nos o espírito para a inutilidade e para a morte.

Que a nossa fé seja hoje o instrumento de renovação dos nossos próprios caminhos.

Utilizando-a na obra paciente do amor, construiremos nova senda, a soerguer-nos para os cimos da vida.

Para conhecer com segurança é preciso discernir; para discernir é indispensável aprender; para aprender é necessário amar com todas as nossas forças.

Abençoadas revelações nos esperam nos montes do futuro, todavia, para alcançar o esplendor do porvir, é imprescindível desintegrar a neve da indiferença e diluir a sombra espessa da incompreensão que nos prendem à furna do egoísmo cristalizado.

Não basta nos demoremos em análises esterilizantes do escuro ambiente de purgação do pretérito em que nos encontramos, embora reconheçamos o diálogo construtivo por valioso ingrediente na edificação da verdade.

A hora que passa é preciosa demais para que lhe percamos a grandeza.

Saibamos abraçar a fé viva que o Cristo nos legou com a renunciação aos caprichos inferiores e, transformando- nos em sinceros trabalhadores, no aperfeiçoamento de nós mesmos pelo trabalho infatigável do bem, aniquilaremos as montanhas agressivas que nos separam do Mestre Divino e d"Ele receberemos o salário da luz com que assimilaremos os dons das mais altas revelações nos domínios da Vida.

(Do livro: Mais Perto)

Leôncio Correia - Saudade


Ante o brilho da vida renascente
Depois da névoa estranha, densa e fria,
Surgem constelações do Novo Dia
Muito longe da Terra descontente.


Mundos celestes, reinos de alegria
E impérios da beleza resplendente
Cantam no Espaço, jubilosamente,
Ao compasso do Amor e da Harmonia...


Mas, ai! pobre de mim!... Ante a grandeza
Da glória excelsa eternamente acesa
Volvo à sombra letal do abismo findo!


E, esmagado de angústia e de carinho,
Choro de amor, revendo o velho ninho
E as aves temas que deixei no mundo!...


(Do livro: Parnaso de Além-Túmulo)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Moysés Maia & Francisco C. Xavier - Fim do Corpo


Do leito fito, além, o renascer da Lua...
Agita-me o peito, ante o cansaço extremo...
Amplia-se o torpor... Anseio, choro, temo...
O frio me entorpece... A aflição continua...


Ouço, de longe em longe, os ruídos da rua...
Num mar de indagações, a mente é nau sem remo...
Recorro à prece e busco o Socorro Supremo...
Todo o corpo esmorece... A memória flutua...


Depois, é a escuridão, ante choque violento...
De súbito, um clarão me varre o pensamento...
Liberto, ergo-me, enfim... No quarto, a luz fulgia...


E, ao rever afeições que deixara na Morte,
Entro no Mais Além, sob doce transporte,
Voltando ao Grande Lar, em pranto de Alegria!...

(Livro – Estrelas no Chão)

Francisco C. Xavier - Talvez Hoje


Talvez hoje:

Surgirá quem procure ditar-lhe o que você precisa fazer, entretanto, embora agradecendo as elogiáveis intenções de quem lhe oferece pontos de vista, ouça, antes de tudo, a sua própria consciência quanto ao dever que lhe cabe;

é possível apareça algum coração amigo impondo-lhe quadros de pessimismo e perturbação, relativamente às dificuldades do mundo; compadecendo- se, porém, da criatura que se entrega ao derrotismo e ao desânimo, você observará a renovação para o bem que a Sabedoria Divina promove em toda parte;

é provável que essa ou aquela pessoa queira impor a você idéias de fadiga e doenças; mas conquanto a sua gratidão aos que lhe desejem bem-estar, você prosseguirá trabalhando e servindo ao alcance de suas forças;

possivelmente, notícias menos agradáveis venham a suscitar-lhe inquietações e traçar-lhe problemas; no entanto, você conservará a própria paz e não se desligará das suas orações e pensamentos de otimismo e esperança.

Talvez hoje tudo pareça contra você, mas você prosseguirá agindo, em apoio do bem, guardando a certeza de que Deus está conosco e de que amanhã será outro dia.


(Livro: Respostas da Vida)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Maria Dolores & Francisco C. Xavier - Ante o Próximo

... E quem é o meu próximo? - indaguei
Ao coração da vida
E o coração da vida obedecendo a Lei
Respondeu com voz clara e decidida:
Olha em redor de ti, onde o dever te leve
Do espaço livre e amplo à senda estreita e breve.
Fita em teu próprio lar:
É teu pai, tua mãe, teu irmão, teu parente,
E mais alguém do Grupo familiar,
É o vizinho piedoso e intransigente,
É o mendigo a esmolar que te visita a porta,
O amigo suscetível de amparar-te
É aquele que padece
Privação ou problema em qualquer parte.
É aquele que te esquece
E o outro que te humilha,
A esconder-se no ourto em que se alteia e brilha
Para depois cair quando se desilude.
É aquele que se faz bandeira da virtude,
E o outro que te apoia ou te faz concessões.
É aquele que te furta o lugar e o direito
Alimentando a sombra do despeito
Sem que te saiva ver as intenções.
É a mulher que te guia para o bem
E a outra que atravessa as áreas de ninguém
Avinagrando corações...
O próximo, afinal, seja onde for,
Será sempre a criatura
Que te busca onde estás
Procurando por ti o socorro da paz,
Rogando-te bondade, amparo e compreensão
Amizade e calor
Dando-te o nobre ensejo,
De seguir para a luz na presença do amor.
E posso sem o próximo viver? - perguntei comovida
E disse novamente o coração da vida:
Acende sem cessar a luz do Bem,
Trabalha, serve, crê, chora, sofre e auxilia...
Sem o próximo em tua companhia
Nunca será alguém.


(Estradas e Destinos)

Bezerra de Menezes & Antônio B. Filho - O Que Importa



Notas o desprezo.
O abandono te tortura.
Mas o que importa é tua fé.

Ouves a calúnia.
A falsidade te fere.
Mas o que importa é tua verdade.

Assistes à revolta.
A violência te atinge.
Mas o que importa é teu perdão.

Observas o orgulho.
A arrogância te machuca.
Mas o que importa é tua humildade.

Reparas a inveja.
O despeito te constrange.
Mas o importa é tua paz.

O importante não é o que os outros pensam, falam ou fazem contigo.
O que realmente importa é tua atitude.

O Amor de Deus


A natureza e a revelação dão testemunho de amor de Deus.
nosso Pai celestial é a fonte de vida, sabedoria e felicidade.
Olhe para as coisas maravilhosas e lindas que há na natureza.
Observe como, de forma surpreendente, elas se adaptam às necessidades das pessoas e de todos os seres criados. O brilho do sol e a chuva, que alegram e refrescado solo,
as colinas, os mares, as planícies, tudo isso fala-nos do amor do Criador.
É Deus quem supre as necessidades diárias de todas as Suas criaturas.
Nas bonitas palavras do Salmista:"Em Ti esperam os olhos de todos,, e Tu, a seu tempo, lhesdás a alimento. Abres a mão e satisfazes de benevolência a todo vivente"
(Salmo 145:15, 16).
Deus fez o homem perfeito, santo e feliz; a terra, ao sair da mão do criador, não mostrava qualquer sinal de degeneração, nem sombra da maldição.Foi a transgreção da lei de Deus- a lei do amor- que trouxe a dor e a morte. Entretanto, mesmo em meio aso sofrimento resultante do pecado, a amor de Deus é revelado. Está escrito que Deus amaldiçoou a Terra por causa do homem (Génesis 3;7). Os espinhos e as ervas daninhas - as dificuldades e provações que tornam a vida tão cansativa e cheia de preocupações - foram designados para o bem do ser humano, como parte do preparo
necessário no plano de Deus para erguê-lo da ruína e degradação causadas pelo pecado. O mundo,embora caído, não se resume a tristeza e miséria. Na própria natureza existem mensagens de esperança e conforto. Flores crescem no mato e espinhos
são coberto pelas rosas.

(Obra: Esperança para viver)

André Luiz & Francisco C. Xavier - Enquanto...

Busque agir para o bem, enquanto você dispõe de tempo. É perigoso guardar uma cabeça cheia de sonhos, com as mãos desocupadas.

Acenda sua lâmpada, enquanto há claridade em torno de seus passos. Viajor algum fugirá às surpresas da noite.

Ajude o próximo, enquanto as possibilidades permanecem de seu lado. Chegará o momento em que você não prescindirá do auxílio dele.

Utilize o corpo físico para recolher as bênçãos da vida Mais Alta, enquanto suas peças se ajustam harmoniosamente. O vaso que reteve essências sublimes ainda espalha perfume, depois de abandonado.

Dê suas lições sensatamente, na escola da vida, enquanto o livro das provas repousa em suas mãos. Aprender é uma bênção e há milhares de irmãos, não longe de você, aguardando uma bolsa de estudos na reencarnação.

Acerte suas contas com o vizinho, enquanto a hora é favorável. Amanhã, todos os quadros podem surgir transformados.

Ninguém deve ser o profeta da morte e nem imitar a coruja agourenta. Mas, enquanto você guardar oportunidade de amealhar recursos superiores para a vida espiritual, aumente os seus valores próprios e organize tesouros da alma, convicto de que sua viagem para outro gênero de existência é inevitável.


Da obra: Agenda Cristã.

Emmanuel & Francisco C. Xavier - Paciência e Vida

Tudo é obra de paciência, nos domínios da Natureza.

A água de que te serves atravessou numerosos obstáculos até que borbulhasse na fonte.

O fruto que saboreias é obra-prima da vida, associada à abnegação do pomicultor que lhe seguiu, dia-a-dia, o desenvolvimento e a maturação.

Quanto tempo haverá despendido a Criação na estrutura do solo em que se te situa a existência?

Quantos dias foram gastos pela natureza, a fim de que usufruas o corpo em que habitas?

Em toda parte, se analisas a vida que te cerca, através da luz que a meditação nos acende no íntimo, surpreenderás a paciência agindo e servindo.

Pensa nisso e usa a serenidade construtiva seja onde for.

Se dificuldades te visitam a estrada, procura superá-las sem precipitação.

Se provações te vergastam, continua nas tarefas que o mundo te confiou, lembrando-te de que a paciência age construindo sempre.

Quando as crises da jornada humana te surjam inevitáveis, não recorras à violência ou à rebeldia.

Acalma-te, trabalha e espera, recordando que a paciência no engrandecimento da vida é a força essencial no trabalho de Deus.


(De “Neste instante”)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Jesus Gonçalves & Francisco C. Xavier - Nossa Fé


Nossa fé rompe as trevas, vence as dores,
Renova aspirações desfalecidas,
E suprime as paixões envilecidas
Que multiplicam réus e sofredores.


É remédio balsâmico às feridas,
Reconforto celeste aos amargores,
É luz no espinheiral abrindo em flores
Nas chagas que trazemos de outras vidas.


Nossa crença é refúgio de esperança,
É bandeira de paz que brilha e avança
Em sublimado vôo jamais visto..


É mensagem que amor e vida encerra,
Reconduzindo o espírito da Terra
À verdade imortal de Jesus Cristo!

(Obra: Confia e Serve)

Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco - Pontos Vulneráveis


Nas tuas fraquezas estão os pontos vulneráveis, que deves revestir de forças.

Os pontos vulneráveis representam a resistência de toda maquinaria, a segurança de cada indivíduo.

Inevitavelmente, as tentações se te acercam, ferindo-te a vulnerabilidade no fulcro das tuas deficiências.

Se te agradam as sensações mais fortes, sempre as defrontarás, atraentes, envolvendo-te e atormentando- te.

Se te espicaçam o interesse, a ganância e a cobiça, respirarás no clima dos onzenários.

Se te interessam a maledicência e a impiedade, sempre descobrirás imperfeições e deslizes alheios que aos outros passam despercebidos.

Se preferes a ociosidade e o comodismo, encontrarás justificativas para a preguiça e o repouso exagerado.

Se te afeiçoas à enfermidade, anotarás distúrbios e deficiências orgânicas, onde os outros defrontam recursos para exercitar o equilíbrio e a disciplina.

Cada Espírito é colocado onde lhe cumpre progredir, vinculado aos recursos de que necessita para superar-se e reparar os compromissos infelizes do passado.

A reencarnação traz o aprendiz de volta à experiência malograda, a fim de que se lhe fixem os valores positivos que deve investir na mudança do quadro de provações que lhe dizem respeito.

Tendências e aptidões, boas ou más, ressumam do pretérito espiritual, a fim de serem aprimoradas, tornando-se valiosas conquistas que impulsionam ao progresso e à paz.


A tua segurança interior depende da tua inclinação e preferência, cabendo-te a tarefa de renovar as forças e vigiar as fraquezas que se transformam, com o tempo, em equilíbrio e vigor.

No que delinqüiste, trazes a “marca” íntima.

Conforme te comprometeste, renasces, com a “matriz” de registro.

De acordo com o erro, volves aos sítios familiares onde deves repará-lo.

Assim também ocorre em relação às ações enobrecidas. Elas te induzem ao crescimento espiritual com superação das próprias forças, na grande arrancada do espírito.


Não te permitas concessões desconcertantes, nem prazeres que anestesiam a razão e perturbam o sentimento.

Enfrenta as fraquezas; conscientiza- te dos teus pontos vulneráveis e constatarás quão fácil te será vencer as tentações e superar as más inclinações que te atormentam.

(De “Alerta”)

terça-feira, 11 de maio de 2010

O Santo de Assis


No suave mistério dos espaços,
“Santa Maria dos Anjos” ainda existe,
com a mesma luz divina dos seus traços,
glorificando as dores da alma triste,
repartindo a virtude, a graça e os dons
que a palavra divina do cordeiro
prometeu aos pacíficos e aos bons do mundo inteiro...


Uma nova Porciúncula, dourada
Pelos astros de mística alvorada,
Ai se rejubila,
Sob a paz de Jesus, terna e tranqüila,
Derramando no além ignorado
Os sonhos da virtude e perfeição
Daquela mesma umbria do passado
Cheia de encantamento e de oração.


A luz dos sóis da etérea natureza,
Numa doce e ideal eucaristia,
No seu manto de amor e de alegrias,
Inda abre os braços para os pecadores...
O esposo da pobreza.


“Irmão sol, irmãos anjos, irmãs flores,
Não nos cansemos de glorificar
A caridade imensa do Senhor,
Sua sabedoria e seu amor,
Procurando salvar
Os nossos irmãos homens, mergulhados
Entre as noites sombrias dos pecados!...”


E à voz suave e dúlcida do santo,
A Terra escura e triste se povoa
De anjos de amor que enxugam todo o pranto
E que levam consigo
Todo o consolo amigo
Da esperança no céu, singela e boa...
Das paragens etéreas,
Da sua ideal igreja,
São Francisco de Assis abraça e beija
O homem que sofre todas as misérias,
Amparando-lhe a alma combalida
Nos desertos de lágrimas da vida
E o conduz
Ao regaço divino de Jesus!


Santo de Assis, divino poverello,
Nas amarguras do meu pesadelo
De vaidade do mundo que devasta
Todo o bem, vi tua luz singela e casta
Beijando as minhas lepras asquerosas...
Uma chuva de lírios e de rosas
Lavou-me o coração de pecador
E guardei para sempre, o teu amor.
Santo de Assis, irmão da caridade,
Que me curaste as lepras e a cegueira,
Depois da morte, à luz da imensidade,
Quero ainda abençoar-te a vida inteira...


(Lira Imortal - Augusto de Lima & Francisco Cândido Xavier)

Augusto dos Anjos & Francisco C. Xavier - Vida e Morte


A morte é como um fato resultante
Das ações de um fenômeno vulgar,
Desorganização molecular,
Fim das forças do plasma agonizante.


Mas a vida a si mesma se garante
Na sua eternidade singular,
E em sua transcendência vai buscar
A luz do espaço, fúlgida e distante!


Vida e Morte – fenômenos divinos,
Na ascendência de todos os destinos,
Do portentoso amor de Deus oriundos...


Vida e Morte – Presente eterno da Ânsia,
Ou condição diversa da substância,
Que manifesta o espírito nos mundos.


(Do livro Parnaso de Além-Túmulo)

Joanna de Ângelis - Problema de Consciênçia



Enquanto estás no caminho dos homens, desdobra as tuas possibilidades de ação beneficente.

Não postergues a edificação do bem onde te encontres, sob pretexto algum...

A vida são as oportunidades de que cada um dispõe para o crescimento próprio.

A raiz, frágil e persistente, penetra a frincha da pedra e fende a rocha, adquirindo segurança para o vegetal.

A semente arrebenta-se e libera a planta sob a pressão da terra que a encarcera.

A gota d’água atravessa em largo prazo a pequenina brecha da represa e derruba a construção colossal.

A ação resulta da perseverança no tentame do que se deseja.


Há quem programe realizações relevantes por largos anos, enquanto a dor ceifa as vidas que aguardam no deperecimento e na miséria.

Inumeráveis pessoas acalentam propósitos superiores e anelam por dedicar-se a eles, enquanto a ampulheta do tempo deixa que passem os dias, sem os transformar em realidade.

Cristãos bem intencionados se disputam a caridade verbal, elaborando programas expressivos sob condições de alto nível enquanto a oportunidade passa e a dor faz-se mordoma cruel...

Une a ação aos teus projetos do bem, sem adiar a realização da obra de solidariedade humana.


Espíritos que foram bem intencionados na Terra; personalidades que se fizeram famosas pelo verbo ou agentes da reformulação social ricos de teorias; religiosos sensíveis que planejaram obras monumentais, diariamente retornam à Pátria Espiritual com a mente repleta de projetos formidandos e as mãos vazias de ação, tombando em remorsos cruéis, que os vergastam, em razão do tempo perdido que não souberam utilizar na realização do compromisso superior da Vida.

Problema de consciência, pessoal e intransferível, de cada um, programar o bem, discuti-lo e concretizá-lo ou não durante o processo da reencarnação.


(De “Alerta”)

domingo, 9 de maio de 2010

Allan Kardec - A Parentela Corporal e a Parentela Espiritual


Os laços do sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porquanto o Espírito já existia antes da formação do corpo. Não é o pai quem cria o Espírito de seu filho; ele mais não faz do que lhe fornecer o invólucro corpóreo, cumprindo-lhe, no entanto, auxiliar o desenvolvimento intelectual e moral do filho, para fazê-lo progredir.

Os que encarnam numa família, sobretudo como parentes próximos, são, as mais das vezes, Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações, que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena. Mas, também pode acontecer sejam completamente estranhos uns aos outros esses Espíritos, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por um mútuo antagonismo, que aí lhes serve de provação. Não são os da consangüinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de idéias, os quais prendem os Espíritos antes, durante e depois de suas encarnações. Segue-se que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito, do que se o fossem pelo sangue. Podem então atrair-se, buscar-se, sentir prazer quando juntos, ao passo que dois irmãos consangüíneos podem repelir-se, conforme se observa todos os dias: problema moral que só o Espiritismo podia resolver pela pluralidade das existências (Capitulo IV, no.13).

Há, pois, duas espécies de famílias: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. Duráveis, as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos, através das várias migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e muitas vezes se dissolvem moralmente, já na existência atual. Foi o que Jesus quis tornar compreensível, dizendo de seus discípulos: Aqui estão minha mãe e meus irmãos, isto é, minha família pelos laços do Espírito, pois todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

A hostilidade que lhe moviam seus irmãos se acha claramente expressa em a narração de São Marcos, que diz terem eles o propósito de se apoderarem do Mestre, sob o pretexto de que este perdera o espírito. Informado da chegada deles, conhecendo os sentimentos que nutriam a seu respeito, era natural que Jesus dissesse, referindo-se a seus discípulos, do ponto de vista espiritual: "Eis aqui meus verdadeiros irmãos." Embora na companhia daqueles estivesse sua mãe, ele generaliza o ensino que de maneira alguma implica haja pretendido declarar que sua mãe segundo o corpo nada lhe era como Espírito, que só indiferença lhe merecia. Provou suficientemente o contrário em várias outras circunstâncias.



(Da obra: O Evangelho Segundo o Espiritismo.
112a edição. Capitulo XIV)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

André Luiz & Francisco C. Xavier - É Razoável Pensar Nisto

A paciência não é um vitral gracioso para as suas horas de lazer. É amparo destinado aos obstáculos.

A serenidade não é jardim para os seus dias dourados. É suprimento de paz para as decepções de seu caminho.

A calma não é harmonioso violino para as suas conversações agradáveis. É valor substancial para os seus entendimentos difíceis.

A tolerância não é saboroso vinho para os seus minutos de camaradagem. É porta valiosa para que você demonstre boa-vontade, ante os companheiros menos evolvidos.

A boa cooperação não é processo fácil de receber concurso alheio. É o meio de você ajudar ao companheiro que necessita.

A confiança não é um néctar para as suas noites de prata. É refugio certo para as ocasiões de tormenta.

O otimismo não constitui poltrona preguiçosa para os seus crepúsculos de anil. É manancial de forças para os seus dias de luta.

A resistência não é adorno verbalista. É sustento de sua fé.

A esperança não é genuflexório de simples contemplação. É energia para as realizações elevadas que competem ao seu espírito.

Virtude não é flor ornamental. É fruto abençoado do esforço próprio que você deve usar e engrandecer no momento oportuno.


(“Agenda Cristã”)

A Sublime Sentença


Ao pé de templo enorme, a praça tumultua.
Ansiosa expectação na calçada poeirenta...
A massa encontra o Cristo e, trágica, apresenta
Consternada mulher a chorar seminua...


- “Adúltera, Senhor!” – velho escriba insinua.

- “Que dizes, Mestre?” – insiste a multidão violenta

- Somos o tribunal que a tradição sustenta,

- A lei é apedrejar nos libelos da rua!”


– Fita o Mestre a infeliz que à miséria alanceia;
Inclina-se, em seguida, e escreve sobre a areia,
Como quem grava o sonho onde a vida não medra.


Depois, contempla em torno a malícia, o veneno,
E exclama para a turba, entre nobre e sereno:

– “Quem for puro entre vós, lance a primeira pedra!”


(Francisco Antônio de carvalho Júnior)

Marco Prisco & Divaldo - Decálogo da Vontade



Poupe-me à tentação, antes que me fortaleça, e eu o salvarei dos vícios futuros. Ainda sou muito jovem no equilíbrio.

Conduza-me ao dever e eu o ajudarei no caminho evolutivo. Necessito de um serviço nobre para manter-me.

Inspire-me a caridade e eu enflorescerei as avenidas de sua alma. Tenho sede de crescimento.

Impila-me ao trabalho e eu expulsarei de seu lar interior a preguiça destruidora. É imprescindível que ocupe minhas horas.

Ajude-me na resistência, oferecendo-me a oração, e eu deixarei asseada sua casa mental. Requeiro imediato auxílio para não desfalecer.

Exercite-me na inspiração do bem e eu o coroarei de luz. Tenho sido servidora da indolência e preciso de renovação.

Procure conhecer-me com mais atenção e o farei feliz. Sou velha amiga que a indiferença venceu.

Conceda-me nova oportunidade, quando eu tombar, e lhe darei força desconhecida. Lembre-se de que sou vulnerável à reincidência.

Evite-me os embates muito rudes, no momento, e vencerei para a sua paz todas as forças negativas que trabalham contra você. Necessito de tempo para fortalecer-me.

Tenha paciência comigo e, juntos, chegaremos à felicidade plena. Nasci com você e nunca nos separaremos. Ajude-me e o farei livre.


(Da obra: Glossário Espírita-Cristão).

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Lira do Além



Lira que tanges para as grandes dores
Da humanidade que se desespera,
Espalha pelo mundo a primavera
Da esperança nos peitos sofredores.


As tuas melodias interiores
Descem das claridades de outra esfera,
Onde a alegria pura, alta e sincera,
Canta os hinos de eternos esplendores...


Viajor da terra: aguça os teus ouvidos,
Descansa sobre a estrada os pés feridos
E ouve os acentos ternos e profundos


Dessa lira do além que tange aos ventos
Da eternidade de deslumbramentos,
Nos acordes de paz dos outros mundos!


Livro: Lira Imortal - Francisco Octaviano & Francisco Cândido Xavier)

Marco Prisco & Divaldo P. Franco - Gentilezas Salvadoras




Quando você afasta do piso uma casca de fruta deixada pela negligência de alguém, não pratica apenas um ato de gentileza. Evita que algum desavisado escorregue, sofrendo tombo violento.

Ao ceder o lugar no transporte coletivo a um ancião, você não realiza um gesto de cortesia somente. Atende a um corpo cansado, poupando as energias de quem poderia ser seu genitor.

Se você oferece braço moço à condução de um volume, poupando aquele que o carrega, não pratica unicamente uma delicadeza. Contribui fraternalmente para o júbilo de alguém que, raras vezes, encontra ajuda.

Portando a boa palavra em qualquer situação, você não atende exclusivamente à finura do trato. Realiza entre os ouvintes o culto do verbo são, donde fluem proveitosos e salutares ensinamentos.

Silenciando uma afronta em público, você não atesta apenas o refinamento social. Poupa-se à dialogação violenta, que dá margem a ódios irremediáveis.

Se você oferece agasalho a algum desnudo, não só atende à delicadeza humana, por filantropia. Amplia a cultura da caridade pura e simples.

Ao sorrir, discretamente, dando ensejo a um desafeto de refazer a amizade, você não age tão-somente em tributo à educação. Apaga mágoas e ressentimentos, enquanto "está no caminho com ele".

Procurando ajudar um enfermo cansado a galgar e vencer dificuldades, você não procede imbuído apenas de gentileza. Coopera para que a vida se dilate no debilitado, propiciando-lhe ensejos evolutivos.

Atendendo impertinente criança que o molesta, num grupo de amigos, você não se situa só na formosura da conduta externa. Liberta um homem futuro de uma decepção presente.

No exercício da gentileza, a alma dilata recursos evangélicos e vive o precioso ensino do Mestre ao enfático doutor da lei, com afabilidade e doçura, quando Ele afirmou: "Vai e faze o mesmo!".



(Da obra: Glossário Espírita-Cristão).

terça-feira, 4 de maio de 2010

Paciência e Construção

“A caridade é paciente...” – Paulo. (I Coríntios, 13:4).


Indiscutivelmente não consegues corrigir, como talvez desejes, os desacertos da Humanidade, mas é possível ajustar o próprio coração à lei do amor a fim de que a redenção do mundo encontre em ti mesmo o ponto necessário de expansão.

Não julgues, porém, que pressa ou violência sejam climas adequados de ação para a vitória do bem.

Amarás e servirás; entretanto, não só isso: ampararás também.

Compreensão pede amadurecimento de raciocínio nos refolhos da alma. Que dizer do lavrador que propiciasse leito e adubo à semente, sob a condição de ser correspondido com o fruto em apenas algumas horas? Do professor que instituísse o apoio da escola exigindo, por isso, que o aluno efetue a conquista de todos os louros culturais numa semana?

Auxilia a quem amas; no entanto, não lhes solicites espetáculos de entendimento e gratidão que não sejam capazes de oferecer. Que seria de nós se fôssemos constrangidos a pagar de improviso as contas do amor que temos recebido e com que temos sido sustentados na longa fieira de nossas reencarnações, através dos séculos? Pensa nisso e semeia o bem quanto possas, porque a caridade é paciente e na caridade infatigável se edifica, em favor de nós todos, a paciência de Deus.



(De “Bênção de Paz”,de Francisco Cândido Xavier, por Emmanuel)

Verdadeira Beleza


Belos são os olhos que reluzem de alegria
Quando repousam sobre alheia fartura,
Que se enchem de lágrimas, exprimem agonia,
Quando chora em dor, a próxima criatura.

Bela é a boca, que não procura vingar
Por palavras amargas, discórdias semeando,
Nunca despido de amor, fraquezas alheias comentar,
Que, ao deboche inimigo, está abençoado.

Belas são as mãos, que rejubilam em dar,
Na prática do bem, se exercitam com denodo,
Que amparam a outrem, o fardo ajudam carregar,
Nas obras de amor se entregam de todo.

Qual jovem coração, em silêncio não a deseja,
O belo-e procede ele assim muito certo,
Todos nós estamos predestinados à beleza
E para todos nós estamos predestinados à beleza
E para todos nós este caminho está aberto.

Esta é a beleza que nunca envelhece,
Que a tormenta da vida não desfaz em sua rudeza.
E lá no Alto, então, totalmente floresce,
Alcançando, um dia, soberana perfeição e pureza.

Bela é a voz que não é egoísta
Não é irada, tampouco se impacienta,
Que do próximo, a dor apaga, altruísta,
Falando de Jesus, Mestre, que tudo acalenta.

Belo é o rosto, que apesar da luta e dor,
Não se desfigurou, dos vícios nada traduz,
Traz a feliz expressão de íntima paz, irradia amor,
Donde o amor, dádiva celestial, radiante reluz .

Belos são os pés, que correm para auxiliar,
Lá onde é de valia, amparar os caídos,
Acolá ao temeroso, boa nova comunicar
E cheio de amor, vão ao encalço dos perdidos.

Procuras, oh jovem coração, a alguém agradar,
Então seja a Jesus, o Mestre somente,
Então virás, a ele, o belo sem par,
Ao menos distante, em beleza ser parecer.


(Ernesto)

domingo, 2 de maio de 2010

Integração


Neste mundo interno que é todo meu,
onde vibram os sentimentos os pensamentos meus;

Neste Universo consciente que percebe e recebe
a Consciência do Universo Teu;

Neste infinito de sensações
onde palpitam o instinto, a fé
e mais ainda, crescendo sempre as paixões;

Neste mundo interno que é todo meu,
Arena de lutas de vitórias e decepções;

Vasto Coliseu que abarca o ingente esforço
de um lúcido conhecimento;

Neste Universo onde o sorriso se mescla à lágrima
e espreita, no âmago, a indiferença;

Neste tudo que sou e que não sei nada.

Neste sentir de existência sem desistência de nada ser;

Neste contínuo movimento de queda e ascensão;

Nesta vontade de querer ser.
De ser e não saber o que se quer.

Nesta confusa manifestação de vidas material-mental que se confundem e infundem receios, esperanças, belezas e terrores;

Neste abismo de múltiplas vivências onde germinam e se afogam ideais;

Onde se apaga a chama da verdade, nasce o tédio e dá-se a queda e ressurge a inquietação;

Neste mundo interno que é todo meu, que procura a integração com o mundo que não é seu;

Oh! meu Deus!
O mundo interno que é todo meu, não quero mais.

Quero apenas, do Seu grande amor a integração no infinito
Universo Teu! (*)

(Adolpho Ferreira de Araújo)

Proteção Espiritual

Kardec tem esta consoladora mensagem no Evangelho Segundo o Espiritismo (cap. 28 - 11): Além do anjo guardião, que é sempre um Espírito superior, temos Espíritos protetores que, embora menos elevados, não são menos bons e magnânimos. Contamo-los entre amigos ou parentes, ou, até, entre pessoas que não conhecemos na existência atual. Eles nos assistem com seus conselhos e, não raro, intervindo nos atos da nossa vida...

Muita gente, que se vê atormentada sem saber como resolver seus problemas pessoais, acredita-se, até, esquecida por Deus. Estaria como que entregue ao seu próprio destino sem ter para quem apelar.

Nada, porém, mais falso. Ninguém está abandonado por Deus. A criatura pode esquecer-se do Pai mas o Criador nunca se esquece do filho. Tudo faz o Senhor para que todos os seus filhos sejam felizes. Naturalmente não queremos dizer com isto que não vamos sofrer as conseqüências desastrosas dos nossos pensamentos menos dignos, das nossas palavras levianas ou ferinas, das nossas ações menos cristãs.

O Pai é Bom, mas por ser Bom não deixa de ser Justo! Suas leis não dão sempre de acordo com as nossas obras!

Todavia, tendo Deus em vista o progresso de todos os Espíritos, sempre permite se aproximem de cada um de nós os amigos espirituais dando-nos renovadas forças para enfrentarmos as dificuldades da vida terrena. São espíritos benevolentes que já passaram em suas pretéritas encarnações pelas mesmas experiências que atualmente estão em nossos caminhos. Por isto, eles compreendem as nossas situações, relevam nossas fraquezas, entendem nossos anseios, colaboram na medida do possível para a nossa redenção.

Verdades tão simples e tão consoladoras como estas, trazidas a todos pela Doutrina Espírita, com alegria nós a difundimos aos quatro ventos no firme propósito de socorrer as criaturas aflitas.
Quantos irmãozinhos nossos, assoberbados de dificuldades financeiras, angustiados por problemas domésticos, possuidores de moléstias dolorosas - não apelam para o suicídio? Como se a morte provocada do corpo pudesse resolver os seus problemas angustiantes...

A nossa única segurança em um mundo tão inseguro - é aquela que nos vem do Alto!... é a proteção que nos dispensa os amigos do plano invisível. Ao invés do desespero que nada soluciona, agravando terrivelmente os nossos estados espirituais - recorramos a este auxílio de Deus!... através de uma prece brotada do fundo do coração sincero, ponhamo-nos em contato com os companheiros do Além!... Eles nos dão luz para nossas mentes... Trarão paz para os nossos corações!... E haveremos de ter forças, bastantes para lutar com Jesus e para Jesus na grandiosa obra pacífica, mas dinâmica, amorosa, mas urgente de construção de um mundo melhor!

(Celso Martins)
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