quinta-feira, 29 de abril de 2010

Raul de Leoni & Chico Xavier - Soneto

Não te entregues na Terra à indiferença.
Cheio de amor e fé, trabalha e espera;
Nos domínios do mal, nada há que vença
A alma boa, a alma pura, a alma sincera.


No pensamento nobre persevera
De servir, sempre alheio à recompensa;
O desejo do Bem dilata a esfera
Das luzes sacratíssimas da Crença.


Vive nas rutilantes almenaras
Dos castelos do Amor de essências raras,
Aspirando os olores da Pureza!...


Terás na Terra, então, a vida calma...
E a morte não será, para a tua alma,
Jamais medonha e trágica surpresa.


(Do livro Parnaso de Além-Túmulo).

Emmanuel & Francisco C. Xavier - Culpa, Caridade e Livre Arbítrio


A culpa é descida, mas a caridade é soerguimento.

Pelo erro do mal, enreda-se o homem no labirinto da dor.

Pelo esforço do bem, liberta-se para a vitória a que se destina.

Enganando-se nas teias da ilusão em que transita na Terra, arroja-se a alma a fundos despenhadeiros de sombra; todavia, descerrando os próprios olhos à verdade e buscando-a pelo plantio do amor, acende nova luz em si mesma, estruturando novos caminhos.

Subsiste a expiação, enquanto perdura o prejuízo às leis que nos regem e abrem-se vastos horizontes de paz ao Espírito que luta em si mesmo, tão logo se consagre ao trabalho do próprio aperfeiçoamento.

Recordemo-nos de que no estágio evolutivo em que nos achamos ninguém existe sem débitos a resgatar.

Todos temos peregrinado na senda escura do remorso, após haver desencadeado sobre nós mesmos a longa série de causas aflitivas a que, imprevidentes, nos imantamos.

Não passamos, por agora, de almas em reajuste, na oficina das provas, após o desastre de nossas deliberações infelizes.

A culpa, por enquanto, é um fantasma interior que nos persegue em todos os ângulos do mundo, sob as mais variadas formas.

Da defecção diante do Cristo, todos partilhamos em nossas experiências, mas pela caridade bem vivida, que dá de si sem pensar em si, que se sacrifica e ampara, que tudo suporta, entende, auxilia e espera, poderemos levar o tecido sutil de nossa alma, recuperando-nos as forças para aprendermos a servir sempre.

Para isso, porém, é preciso saibamos usar a vontade.

Somos senhores na resolução e escravos nas consequências.

Compreendamo-nos, mutuamente, e amemo-nos, mobilizando o nosso livre arbítrio na criação do futuro melhor.

Todos trazemos na intimidade do próprio ser a nossa dor, a nossa aflição, a nossa prova ou o nosso problema...

E estendendo braços fraternos, uns aos outros, perceberemos que só o amor bem dividido pode multiplicar a felicidade.

Não nos detenhamos na culpa.

Usemos a caridade recíproca, e, com a liberdade relativa de que dispomos ser-nos-á então possível edificar, com Jesus, o nosso iluminado Amanhã.


(De "Nós")

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Fagundes Varela & Francisco C. Xavier - Imortalidade




Senhor! Senhor! que os verbos luminosos
Do amor, da perfeição, da liberdade,
Inflamem minhas vozes neste instante!
Que o meu grito bem alto se levante,
Conduzindo a mensagem benfazeja
Das esperanças para a Humanidade!
Senhor! Senhor! que paire sobre o mundo
A luz do teu poder igualável,
Que os lírios te saúdem perfumando
Os arrebóis, as noites, as auroras;


Hinos de amor, que os pássaros te elevem
Dos seus ninhos de plácida harmonia;
Que as fontes no seu doce murmúrio
Te bendigam com tema suavidade;
Que todo o ser no mundo se descubra
Perante a tua excelsa majestade,
Saturado do amor onipotente
Que promana abundante do teu seio!...


Senhor! que a minha voz altissonante
Se propague entre os homens; que a verdade
Resplandeça na terra da amargura!


Ó Pai! tu que removes o impossível,
Que transmudas em rosas os espinhos,
E que espancas a treva dos caminhos
Com a luz que afirma a tua onipotência,
Permite que minhalma seja ouvida
Na vastidão do mundo do desterro;
Que os meus irmãos da Terra me recebam
Como o ausente invisível, redivivo!...


Irmãos, eis-me de novo ao vosso lado!
Venho de esferas lúcidas, radiosas,
Atravessei estradas tenebrosas
E sendas deslumbrantes e estelíferas,
Empunhando o saltério da esperança.


Pude transpor abismos de ouro e rosas,
Sendas de sonho e báratros escuros,
Planetas como naus sem palinuros
Nos oceanos do éter infinito!
Contemplei Vias-Lácteas assombrosas,
Visões de sóis eternos, confundidas
Entre estrelas igniferas, distantes;
Vi astros portentosos, desferindo
Harmonias de amor e claridades,
E humanidades entre humanidades
Povoando o Universo esplendoroso...


Descansei sobre as ilhas de repouso,
Em lindos arquipélagos distantes,
Habitei os palácios encantados,
Em retiros de amor calmo e sereno,
Onde o solo é formado de ouro e neve,
Onde a treva e onde a noite são apenas
Recordações de mundos obscuros!
Onde as flores do afeto imperecível
Não se emurchecem como sobre a Terra...
Lá, nesses orbes lúcidos, divinos,
O amor, somente o amor, nutre e dá vida.


Somente o amor é a vibração de tudo!
Vi céus por sobre céus inumeráveis,
Mundos de dor e mundos de alegria,
Em luminosidades e harmonias
Aos beijos arcangélicos da luz,
Que é mensagem de Deus por toda a parte!
E apenas conheci um pormenor,
Um detalhe minúsculo, um fragmento
Da Criação infinita e resplendente!


Ah! Morte!... A Morte é o anjo luminoso
Da liberdade &anca, jubilosa,
Quando a esperamos tristes e abatidos;
Quando nos traz imácula e sublime
A chama da esperança dentro dalma,
Amando-se da vida os bens mais nobres,
Se o mundo abafa em nós toda a alegria,
Roubando-nos afetos e consolos,
Martirizando o coração dorido
Na cruz dos sofrimentos mais austeros.


A morte corrobora as nossas crenças,
As nossas esperanças mais profundas,
Rompendo o véu que encobre à nossa vista
O eterno panorama do Universo,
E aponta-nos o céu, a imensidade,
Onde as almas ditosas se engrandecem,
Choras almas guiando em labirintos
Para a luz, para a vida e para o amor!


Que representa a Terra, ante a grandeza
De tantos sóis e orbes luminosos?
É somente uma estância pequenina
Onde a dor e onde a lágrima divina
Modelam almas para a perfeição;


É apenas um degrau na imensidade,
Onde se regenera no tormento
Quem se afasta da luz e da verdade;
Ela é somente o exílio temporário,
Onde se sofre a angústia da distância
Dos que amamos com alma e com fervor.



Morte! que te abençoem sofredores,
Que te bendiga o espírito abatido,
Já que és a tema mão libertadora
Dos escravos da carne, dos escravos
Das aflições, das dores, da tortura!
Bendigo-te por tudo o que me deste:
Pela beleza da imortalidade,
Pela visão dos céus resplandecentes,
Pelos beijos dos seres bem-amados.



Senhor! Senhor! que a minha voz se estenda,
Como mm canto sublime de esperança,
Sobre a fronte de todos quantos sofrem,
Ansiando mais luz, mais liberdade
No orbe da expiação e da impiedade!

Gustavo Teixeira & Francisco C. Xavier


Sombras e desolação... Foge a promessa
Do último sonho, sob o céu nevoento...
Trazes agora a dor do pensamento,
Em que a noite das lágrimas começa.


O fel no peito é qual vulcão violento,
Cujo rugido lúgubre atravessa
A natureza que se processa
À custa de aflição, granizo e vento!...


Se a provocação te envolve em desventura,
Não te amedronte a imensa estrada escura,
Acende a fé no amor que te alumia...


E, embora a angústia da alma atormentada,
Espera, coração, que a madrugada
Fará nascer o sol do novo dia!...


(Espera Coração - Da Obra “Vereda De Luz” Cândido Xavier)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Magia no Tempo

Tempo de espera e de preocupação,
É o que a muitos hoje está a aturdir.
Horas de angústia e de decepção,
É o que espera quem não busca evoluir.


Aquele que não busca o crescimento,
Que não se ocupa em seu irmão servir,
Que é indiferente ao seu lamento,
A sua dor, nem lhe parece existir.


É bom então ter boas atitudes
E, bem saber cultivar as virtudes,
Que possam lhe tornar merecedor


De um viver calmo, feliz, quase sem dor,
Onde encontre enfim a alegria
De viver, na plenitude a magia.

(Júlio)

Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco - Perdoar


Sim, deves perdoar! Perdoar e esquecer a ofensa que te colheu de surpresa, quase dilacerando a tua paz. Afinal, o teu opositor não desejou ferir-te realmente, e, se o fez com essa intenção, perdoa ainda, perdoa-o com maior dose de compaixão e amor.

Ele deve estar enfermo, credor, portanto, da misericórdia do perdão.
Ante a tua aflição, talvez ele sorria. A insanidade se apresenta em face múltipla e uma delas é a impiedade, outra o sarcasmo, podendo revestir-se de aspectos muito diversos.

Se ele agiu, cruciado pela ira, assacando as armas da calúnia e da agressão, foi vitimado por cilada infeliz da qual poderá sair desequilibrado ou comprometido organicamente. Possivelmente, não irá perceber esse problema, senão mais tarde.

Quando te ofendeu deliberadamente, conduzindo o teu nome e o teu caráter ao descrédito, em verdade se desacreditou ele mesmo.
Continuas o que és e não o que ele disse a teu respeito.

Conquanto justifique manter a animosidade contra tua pessoa, evitando a reaproximação, alimenta miasmas que lhe fazem mal e se abebera da alienação com indisfarçável presunção.

Perdoa, portanto, seja o que for e a quem for.
O perdão beneficia aquele que perdoa, por propiciar-lhe paz espiritual, equilíbrio emocional e lucidez mental.

Felizes são os que possuem a fortuna do perdão para a distender largamente, sem parcimônia.
O perdoado é alguém em débito; o que perdoou é espírito em lucro.

Se revidas o mal és igual ao ofensor; se perdoas, estás em melhor condição; mas se perdoas e amas aquele que te maltratou, avanças em marcha invejável pela rota do bem.

Todo agressor sofre em si mesmo. É um espírito envenenado, espargindo o tóxico que o vitima. Não desças a ele senão para o ajudar.

Há tanto tempo não experimentavas aflição ou problema - graças à fé clara e nobre que esflora em tua alma - que te desacostumaste ao convívio do sofrimento. Por isso, estás considerando em demasia o petardo com que te atingiram, valorizando a ferida que podes de imediato cicatrizar.

Pelo que se passa contigo, medita e compreenderás o que ocorre com ele, o teu ofensor.
O que te é Inusitado, nele é habitual.
Se não te permitires a ira ou a rebeldia - perdoarás!

A mão que, em afagando a tua, crava nela espinhos e urze que carrega, está ferida ou se ferirá simultaneamente. Não lhe retribuas a atitude, usando estiletes de violência para não aprofundares as lacerações.
O regato singelo, que tem o curso impedido por calhaus e os não pode afastar, contorna-os ou para, a fim de ultrapassá-los e seguir adiante.
A natureza violentada pela tormenta responde ao ultraje reverdescendo tudo e logo multiplicando flores e grãos.
E o pântano infeliz, na sua desolação, quando se adorna de luar, parece receber o perdão da paisagem e a benéfica esperança da oportunidade de ser drenado brevemente, transformando-se em jardim.

Que é o "Consolador", que hoje nos conforta e esclarece, conduzindo uma plêiade de Embaixadores dos Céus para a Terra, em missão de misericórdia e amor, senão o perdão de Deus aos nossos erros, por intercessão de Jesus?!

Perdoa, sim, e intercede ao Senhor por aquele que te ofende, olvidando todo o mal que ele supõe ter-te feito ou que supões que ele te fez, e, se o conseguires, ama-o, assim mesmo como ele é.

"Não vos digo que perdoeis até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes". Mateus: 18-22.
"A misericórdia é o complemento da brandura, porquanto aquele que não for misericordioso não poderá ser brando e pacifico. Ela consiste no esquecimento e no perdão das ofensas".
O Evangelho Segundo O Espiritismo, Cap. X - Item 4.


(Livro: Florações Evangélicas)

domingo, 25 de abril de 2010

Valérium & Francisco C. Xavier - Não Desdenhe Brilhar


Sim, era acusado de um crime e fora aprisionado pelos homens...
Tudo indicava que na máscara daquele rosto a beleza fugira.
Traços duros e irregulares.
Tez sem cor e sem viço.
Cabelos ralos e descuidados.
Testa vincada por rugas profundas.
Olhos embaciados por desesperos profundos.
Nariz adunco e disforme.
Boca rasgada de cantos contraídos.
Maxilares proeminentes.
Ar de tristeza e preocupação.
E caminha vacilante, tormento à vista...


Súbito, porém, o homem sorri e um sopro de simpatia vitaliza-lhe o semblante. Alteram-se-lhe todas as linhas para melhor qual se possante facho interior fosse aceso de inesperado.


Já não era o mesmo homem. Já não parecia um criminoso...


Amigo, você já observou o efeito renovador de um sorriso?
Sorriso é raio de luz da alma.
E a luz, ainda mesmo no abismo,
é sempre esplendor do alto vencendo as trevas.
Não negue a dádiva do sorriso seja a quem for.
Sorri na dificuldade.
Sorri na luta.
Sorri na dor.
Sua alma é sol divino.
Não desdenhe brilhar!

(Ideal Espírita)

Scheilla - Compreenda

A miséria nos faz compreender o valor moeda
justamente recebida em função do trabalho.

A dor física nos lembra quão valiosa é a saúde,
quantas vezes descuidada por nós mesmos.

O pranto sentido revela-nos o quanto deveríamos
valorizar os momentos alegres e descontraídos.

Assim também as trevas nos deveriam avisar o quão maravilhosa é a luz que, às vezes, deixamos de acender dentro de nós.

(Livro: "Oportunidades todo dia")

Albino Teixeira & Francisco C. Xavier - O Que Mais Sofremos

O que mais sofremos no mundo –

Não é a dificuldade. É o desânimo em superá-la.

Não é a provação. É o desespero diante do sofrimento.

Não é a doença. É o pavor de recebê-la.

Não é o parente infeliz. É a mágoa de tê-lo na equipe familiar.

Não é o fracasso. É a teimosia de não reconhecer os próprios erros.

Não é a ingratidão. É a incapacidade de amar sem egoísmo.

Não é a própria pequenez. É a revolta contra a superioridade dos outros.

Não é a injúria. É o orgulho ferido.

Não é a tentação. É a volúpia de experimentar-lhe os alvitres.

Não é a velhice do corpo. É a paixão pelas aparências.

Como é fácil de perceber, na solução de qualquer problema, o pior problema é a carga de aflições que criamos, desenvolvemos e sustentamos contra nós.

(Livro: "Passos da Vida") - Edição Ide


sábado, 24 de abril de 2010

Emmanuel & Francisco C. Xavier - Tesouros de Luz




Nem sempre disporás da finança precisa para solver problemas ou extinguir aflições. Ninguém está impedido, entretanto, de acumular o tesouro de luz da esperança no próprio coração. Ninguém que não possa engajar-se nessa empresa de investimentos divinos. Todos necessitamos de semelhante apoio para viver e todos nos achamos habilitados a ministrá-lo, a fim de que os outros vivam.

Julgamos freqüentemente que a esperança seria providência apenas em auxílio dos últimos na retaguarda humana. No entanto, não é assim. As vítimas de frustração, tristeza, desequilíbrio ou desalento estão em todos os lugares.

Arma-te de compreensão e bondade para esparzir esse recurso de refazimento e renovação. Para isso, comecemos por omitir pessimismo e perturbação em todas as manifestações que nos digam respeito.

Os necessitados dessa luminosa moeda, a expressar-se por bênção de energia, se te revelam em todos os lances da experiência comum.

Emergem dos vales de penúria, onde podes estendê-lo em forma de socorro assistencial; entretanto, surgem muito mais do próprio campo de ação em que transitas e das cúpulas da organização social em que vives.

Doarás a todos os aflitos que te procurem semelhante amparo, a fim de que a força de realizar e de construir não se lhes esmoreça na vida.

Falarás de coragem aos que se fixaram no medo de servir, de perdão aos que se imobilizaram no ressentimento, de confiança aos tristes, de perseverança aos fracos, de paz aos que tombaram na discórdia e de amor aos que se reconheceram atirados à solidão.

Nem sempre lograrás ajudar com possibilidades monetárias --- repitamos --- mas, raciocinando com a bênção da caridade, podes ainda hoje entrar nas funções de poderosa usina distribuidora de otimismo e de fé. Não percas o ensejo de investir felicidade com esse tesouro de luz e amor porquanto, em verdade, onde não mais exista esperança desaparece o endereço da paz.

(Livro: Encontro de Paz)

Alfredo Nora - Reecarnação


Reencarnação é façanha
Em que a vida se acabrunha.
A carne nos pega à unha,
Na treva em que se emaranha.

E surge esta coisa estranha:
Cada qual é testemunha
Do passado que se empenha
Do presente que se apanha.

Feliz de quem se componha
Na estrada clara e risonha
Do bem que a salvar se empenha.

Alma que ao corpo se aninha
Serve, segue e vai na linha
Ou recua e leva lenha.

(Chico Xavier - Livro: Poetas Redivivos - Diversos)

Joanna de Ângelis & Divalvo P. Franco - Teoria e Prática

O conhecimento liberta da ignorância. Todavia, somente a sua aplicação liberta do sofrimento.

há uma expressiva diferença entre a teoria e a prática, em todos os segmentos da humanidade.

A teoria ensina. Porém, a prática afere-lhe o valor.

Não basta saber. É imprescindível utilizar o que se conhece.

O conhecimento, em verdade, amplia os horizontes do entendimento. Não obstante, a sua aplicação alarga as paisagens da vida.

A mente conhecedora deve movimentar as mãos no uso desses valiosos recursos.

O conhecimento de importância é aquele que pode mover essas conquistas em favor do bem do seu possuidor, assim como do meio social onde este se encontra.

Nula é a informação que não produz bênçãos, nem multiplica as disposições da pessoa para a ação útil.


Conhecendo saberás que a tua renúncia auxilia a comunidade, sem que esperes a abnegação dos outros a teu benefício.

O conhecimento superior estimula à imediata atividade.

Acumular informações sem finalidade prática, transforma-se em erudição egoísta que trabalha em benefício da presunção.

Tens a obrigação de conhecer para viver. Simultaneamente, deves viver praticando os salutares esclarecimentos que armazenas, contribuindo para uma existência realizadora, humana e feliz.


Quando leias, exercita a praticidade do contributo cultural que assimilas.

O tempo urge, e as oportunidades de aplicação constituem tuas chances de progresso como de paz.

Conta-se que célebre monge budista, estudando algumas suras, descobriu que se não devia utilizar da pele de animais para conforto pessoal.

De imediato, levantou-se do catre e dali retirou o couro de um urso que lhe servia de apoio macio sobre as ripas da enxerga áspera.

Prosseguindo a leitura, porém, encontrou assinalado que, no entanto, se poderia usar a pele dos animais, quando se estivesse enfermo, esquálido ou envelhecido, a fim de ter diminuídas as penas e dores.

Ato contínuo, tomou da mesma com respeito, colocou-a no lugar de onde a retirara, sentou-se sobre ela e continuou a ler...

Conhecimento que não transforma em utilidade, pode ser qual "sepulcro caiado por fora", ocultando vérmina e morte por dentro, responsável pelo bafio do orgulho e da ostentação.

(Da obra: Momentos de Felicidade).

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Emmanuel & Francisco C. Xavier - Vencedores

Sejam quais forem as tribulações da vida em que te encontres...

Se tens a estrela da confiança sob as nuvens pesadas do sofrimento.. .

Diante de conflitos que te pareçam calamidades, arrasando-te a vida...

À frente de provas que mais se te figuram conspirações das trevas, aniquilando- te o ser...

Se incompreensões de criaturas queridas te colocaram em labirintos de pranto...

Quando te venha a idéia de eu todo te falta, ainda mesmo os recursos indispensáveis à própria subsistência. ..

Ante a presença da morte, ao subtrair-te a presença de pessoas queridas...

Nas enfermidades que te segreguem nos tratamentos difíceis e dolorosos...

No centro de problemas que se te revelem insolúveis...

Quando os seres amados se entreguem à descrença, ridicularizando- te a fé...

Ante as lutas da vida, quando o mundo te imponha ao espírito o gosto amargo da solidão e da derrota...

Ergue o pensamento a Deus e confia em Deus, porque Deus não te abandona e tomará tuas aflições e tuas lágrimas para alimentar com ela a luz da esperança, porque, quase sempre,é com a luz da esperança dos aparentemente vencidos que Deus ilumina o caminho dos vencedores que estão sempre agindo e servindo na construção do Mundo Melhor.


(Do livro: Momentos de Ouro).

Reflexão


Há certas almas
como as borboletas,
cuja fragilidade de asas
não resiste ao mais leve contato,
que deixam ficar pedaços
pelos dedos que as tocam.


Em seu vôo de ideal,
deslumbram olhos,
atraem as vistas:
perseguem-nas,
alcançam-nas,
detem-nas,
mas, quase sempre,
por saciedade
ou piedade,
libertam-nas outra vez.


Ela, porém, não voam como dantes,
ficam vazias de si mesmas,
cheias de desalento...


Almas e borboletas,
não fosse a tentação das cousas rasas;
- o amor de néctar,
- o néctar do amor,
e pairaríamos nos cimos
seduzindo do alto,
admirando de longe!...

(Gilka Machado)

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Félix Pacheco & Francisco C. Xavier - Além da Noite

Dos corações clamando agonia e desterro

Cal o orvalho do pranto em fel da desventura...

A saudade a chorar dita a rota do enterro,

Mas o túmulo em si é breve noite escura...


Espírito é sol no corpo, — escrínio perro,

Jóia viva a brilhar além da sepultura,

Luz ativa a esmorecer, sob a lama do erro,

Ou cresce a refulgir, se ascende bela e pura.


Onde vá, todo ser caminha lado a lado.

Da luz que exprime sempre o amor profundo e ardente

Ou da sombra que em tudo é tenebroso mito,


A deixar cada dia o crisol do passado,

Vai e vem a sofrer, no esmeril do presente,

Para estampar-se, enfim, nos troféus do Infinito!


(Do livro:Fonte de Luz)

A Morte Não Existe


Num mundo onde morre o fraco, morre o forte,
da mesma forma que o nobre - não busque no cemitério
a solução do mistério que envolve a própria morte...

Carcaça velha, encalhada, que se deixa abandonada
pois mais que se queira bem - não desvenda na verdade
da outra vida no além o esplendor da imensidade...

Relegado ao próprio pé, no sepulcro fica só
a inoperante matéria...
Que à sua pátria etérea
rompendo da morte o umbral...

Com este conhecimento ao trazer no sentimento
saudades de ausente amigo,levando velas, buquet,
não vive mais que você!...
(Escrito em 1972)

O Soneto da Esperança



Em meio ao burburinho tão intenso da Humanidade, às vezes bem aflita, rompendo o nevoeiro rude e imenso quanta gente, no mundo, não se agita!...

Ora estanca os seus passos, e medita acerca do viver, seu pranto denso;
ora, chorar, gargalhar na desdita, a vagar, tal perdera o próprio senso!...

Não seguimos, porém, na vida à sós...
Todos temos aqui, bem junto, a nós,
o sublime Evangelho de Jesus!...

É roteiro sagrado que nos leva
dos atalhos impostos pela treva
aos resplendores do país da luz!...

(Escrito em 1980)

terça-feira, 20 de abril de 2010

Reflexão - Aos Médiuns


Mediunidade é dom que o Pai querido ortorga às criaturas para o bem;
não será pois cobrado por ninguém que tenha as suas bênçãos distribuído!...

Mediunidade é Luz que a nós nos vem fortalecendo o Espírito sofrido, que sabe o que recebe lá de Além!...

Sem estudae Kardec, deles tantos olvidando os ensinos de Jesus presas se tornam das obsessões!...

Assim para evitar futuros prantos, no Estudo os médiuns têm a paz e a luz sem dar-se apenas a manifestações!
(Escrito em 1970)

J. Cruz e Souza - O Navio


Se te obstinas e continuas persistindo em má conduta, fora da norma sábia, a nave da tua vida irá sempre aos solavancos e fatalmente naufragará em violenta procela.

O marujo da gávea observa o mar, para que o arrecife não afunde o navio; e enquanto as ondas embalam a tripulação, ele está pronto a dar o grito de alarme.

Procede também tu como o gajeiro, para que a tua barca chegue a salvo ao porto; ouvidos surdos ao canto da sereia, faze todos os esforços contra seduções.

Olha a estrela que, dentre milhões de constelações, guia o barco; se o homem procurar, finalmente avistará o Único Verdadeiro entre os falsos deuses.

Oh! se a Humanidade quisesse seguir por esse caminho tranqüilo e seguro! Oh! que alegria para à alma pura, já livre do peso dos erros!

"Não é o mar, senão o vento, que afunda o navio", é o pecado do homem o que revolve o mar da vida; mas os destinos cederão à prudência e o navio entrará a barra com a proa coroada.


(Mediumo: Porto Carreiro Neto - Reformador – Março de 1964).

Bezerre de Menezes - Extinção do Mal

Na didática de Deus, o mal não é recebido com a ênfase que caracteriza muita gente na Terra, quando se propõe a combatê-lo.

Por isso, a condenação não entra em linha de conta nas manifestações da Misericórdia Divina.

Nada de anátemas, gritos, baldões ou pragas.

A Lei de Deus determina, em qualquer parte, seja o mal destruído não pela violência, mas pela força pacífica e edificante do bem.

A propósito, meditemos.

O Senhor corrige:

a ignorância: com a instrução;

o ódio: com o amor;

a necessidade: com o socorro;

o desequilíbrio: com o reajuste;

a ferida: com o bálsamo;

a dor: com o sedativo;

a doença: com o remédio;

a sombra: com a luz;

a fome: com o alimento;

o fogo: com a água;

a ofensa: com o perdão;

o desânimo: com a esperança;

a maldição: com a benção.

Somente nós, as criaturas humanas, por vezes, acreditamos que um golpe seja capaz de sanar outro golpe.

Simples ilusão.

O mal não suprime o mal.

Em razão disso, Jesus nos recomenda amar os inimigos e nos adverte de que a única energia suscetível de remover o mal e extingui-lo é e será sempre a força suprema do bem.

(Francisco C. Xavier, C. Baccelli, Da obra: Brilhe Vossa Luz.
4a edição. Araras, SP: IDE, 1996).

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Antero Costa Carvalho - Redenção




Acusado sem culpa ante a calúnia infrene,

Explico-me a chorar, no entanto é assim que eu morro...

"Deus! Ampare-me, ó Deus!” – exoro por socorro,

Sem que a força do Céu me responda ou me acene.


N’alma, remorso algum... Nada que me condene...

Nas raias da agonia, em pranto jorro a jorro,

A benção da oração é o teto a que recorro,

A render-me, sem mágoa, ao minuto solene.


Mas quando o corpo tomba examine, cansado,

Vejo-me, austero algoz, a rugir no passado,

Em vômitos de lama cólera assassina...


O lobo então que eu fora, o suplício desterra!

Glória à reencarnação! Glória às dores da Terra,

Em que se cumpre a Lei da Justiça Divina!...

(Livro: “Antologia dos Imortais” - Francisco C. Xavier e W. Vieira)

Emmanuel & Francisco C. Xavier - Na Seara de Luz


Não percas tempo no caminho da vida, porque o dia responderá pelos minutos.

Não te esqueças do poder do trabalho.

Não desistas de aprender, convencido de que nada se perde.

Não hostilizes criatura alguma, porque o ódio começa onde termina a simpatia.

Não fujas à escravidão do dever, para que a tua liberdade seja digna.

Não amasses o pão de tua alegria nas lágrimas dos semelhantes.

Não esperes pelo dia de amanhã, a fim de praticar o bem ou ensiná-lo.

Não gastes somente com tua vida o que poderia servir para sustentar dez outras.

Não reclames exclusivamente em teu favor, em caso algum.

Não uses a verdade apenas para exibir a tua superioridade ou pelo simples prazer de ferir.

Não imponhas restrições ao bem de todos, para que o bem possa contar realmente contigo.

Não elogies a ti mesmo.

Não clames contra a ausência dos outros, porque provavelmente os outros esperam por teu concurso.

Não abras a tua janela na direção do pântano.

Não duvides da vitória final do bem.


(Livro: "Cartas do Coração" - EDição Lake)

domingo, 18 de abril de 2010

Casimiro Cunha & Francisco C. Xavier - No Santuário Interior



Meu Senhor, Pai de Bondade,
De luz e de Amor sem fim,
Não me abandones à treva
Que trago dentro de mim.


Não me deixes repousar
No leito em flor da ilusão,
Da-me a bênção luminosa
De tua repreensão.


De espírito encarcerado
Nos débitos que inventei,
Tenho sede do equilíbrio
Que nasce de tua lei.


Controla-me a aspiração
De ganhar e possuir,
Sou teimoso e invigilante,
Ensina-me a discernir.


Entrecruzam-se, em meu peito,
Divergências, dissensões...
Não me relegues ao jugo
De minhas imperfeições.


A chaga alheia, Senhor,
Sei curar, lenir ou ver,
Mas sou tardo de visão
Na esfera de meu dever.


Sou ágil no bom conselho
Ao coração sofredor;
Todavia, surdo e cego,
Nas dias de minha dor.


Nas orações, quase sempre,
Sou cópia dos fariseus,
Sentindo-me, presunçoso,
Dileto entre os filhos teus.


Não escutes, Pai Bondoso,
Os rogos e brados mil
Da ignorância que eu trago,
Vaidosa, bulhenta, hostil...


Não satisfaças, no mundo,
O orgulho atrevido e vão
Que me faz triste e abatido
Nos tempos de provação.


Põe freios duros e fortes
Ao meu serviço verbal,
Muita boca leviana
Tem dado guarida ao mal.


Meus sentidos, enganados,
Perturbam-me, muita vez.
Às emoções desvairadas,
Por compaixão, não me dês!


Que a tua vontade, enfim,
Pronta a prever e prover,
Seja em tudo e em toda a vida
A minha razão de ser.


Meu Senhor, Pai de Bondade,
De Luz e de Amor sem fim,
Não me abandones à treva
Que trago dentro de mim.

(ivro “Gotas de Luz”)

Cyro Silva - Notas De Rumo

Ante os problemas alheios,
Não te dês a criticar,
No fundo de cada vida
Só Deus consegue enxergar.


Leio no Livro da Terra
Este conceito profundo:
Quem vive só para si
Não devia vir ao Mundo.


Para dar felicidade
Tão alta quanto perfeita,
"Fazer os outros felizes"
É sempre a melhor receita.


Não insistas em queixar,
O coração mais tranqüilo
Que fala só de pesar
Acaba por atraí-lo


Se a tua grande afeição
Já deu tudo quanto tem,
Não sofras... A provação
É para teu próprio bem.
Analisa a própria crença
Onde colocas a fé,
Segundo aquilo que pensa
Assim a pessoa é.

(De "Somente Amor", de Francisco Cândido Xavier - Maria Dolores e Meimei)

André Luiz & Francisco C. Xavier - A Alma Também


Casas de saúde espalham-se em todas as direções com o objetivo de sanar as moléstias do corpo e não faltam enfermos que lhes ocupem as dependências.
Entretanto, as doenças da alma, não menos complexas, escapam aos exames habituais de laboratório e, por isso, ficam em nós, requisitando a medicação, aplicável apenas por nós mesmos.

Estimamos a imunização na patologia do corpo.

Será ela menos importante nos achaques do espírito?

Surpreendemos determinada verruga e recorremos, de imediato, à cirurgia plástica, frustrando calamidades orgânicas de extensão imprevisível.

Reconhecendo uma tendência menos feliz em nós próprios é preciso ponderar igualmente que o capricho de hoje não extirpado será hábito vicioso amanhã e talvez criminalidade em futuro breve.

Esmeramo-nos por livrar-nos da neurastenia capaz de esgotar-nos as forças.

Tratemos também de nossa afeição temperamental para que a impulsividade não nos induza à ira fulminatória.

Tonificamos o coração, corrigindo a pressão arterial ou ampliando os recursos das coronárias a fim de melhorar o padrão de longevidade. Apuremos, de igual modo, o sentimento para que emoções desregradas não nos precipitem nos desvãos passionais em que se aniquilam tantas vidas preciosas.

Requintamo-nos, como é justo, em assistência dentária na proteção indispensável.

Empenhemo-nos de semelhante maneira, na triagem do verbo para que a nossa palavra não se faça azorrague de sombra.

Defendemos o aparelho ocular contra a catarata e o glaucoma. Purifiquemos igualmente o modo de ver. Preservamos o engenho auditivo contra a surdez.

No mesmo passo, eduquemos o ouvido para que aprendamos a escutar ajudando.

A Doutrina Espírita é instituto de redenção do ser para a vida triunfante. A morte não existe.

Somos criaturas eternas. Se o corpo, em verdade, não prescinde de remédio, a alma também.

Emmanuel & Francisco C. Xavier - Evangelho e Educação



Quando o mestre confiou ao mundo a divina mensagem da Boa Nova, a Terra, sem dúvida, não se achava desprovida de sólida cultura.

Na Grécia, as artes haviam atingido luminosa culminância e, em Roma, bibliotecas preciosas circulavam por toda parte, divulgando a política e a ciência, a filosofia e a religião.

Os escritores possuíam corpos de copistas especializados e professores eméritos conservavam tradições e ensinamentos, preservando o tesouro da inteligência.

Prosperava a instrução, em todos os lugares, mas a educação demorava-se em lamentável pobreza.

O cativeiro consagrado por lei era flagelo comum.

A mulher, aviltada em quase todas as regiões, recebia tratamento inferior ao que se dispensava aos cavalos.

Homens de consciência enobrecida, por infelicidade financeira ou por questiúnculas de raça, eram assinalados a ferro candente e submetidos à penosa servidão, anotados como animais.

Os pais podiam vender os filhos.

Era razoável cegar os vencidos e aproveitá-los em serviços domésticos.

As crianças fracas eram, quase sempre, punidas com a morte.

Enfermos eram sentenciados ao abandono.

As mulheres infelizes podiam ser apedrejadas com o beneplácito da justiça.

Os mutilados deviam perecer nos campos de luta, categorizados à conta de carne inútil.

Qualquer tirano desfrutava o direito de reduzir os governados à extrema penúria, sem ser incomodado por ninguém.

Feras devoravam homens vivos nos espetáculos e divertimentos públicos, com aplauso geral.

Rara a festividade do povo que transcorria sem vasta efusão de sangue humano, como impositivo natural dos costumes.

Com Jesus, entretanto, começa uma era nova para o sentimento.

Condenado ao supremo sacrifício, sem reclamar, e rogando perdão celeste para aqueles que o vergastavam e feriam, instila no ânimo dos seguidores novas disposições espirituais.

Iluminados pela Divina Influência, os discípulos do Mestre consagram-se ao serviço dos semelhantes.

Simão Pedro e os companheiros dedicam-se aos doentes e infortunados.

Instituem-se casas de socorro para os necessitados e escolas de evangelização para o espírito popular.

Pouco a pouco, altera-se a paisagem social, no curso dos séculos.

Dilacerados e atormentados, entregues ao supremo sacrifício nas demonstrações sanguinolentas dos tribunais e das praças públicas, ou trancafiados nas prisões, os aprendizes do Evangelho ensinam a compaixão e a solidariedade, a bondade e o amor, a fortaleza moral e a esperança.

Há grupos de servidores, que se devotam ao trabalho remunerado para a libertação de numerosos cativos.

Senhores da fortuna e da terra, tocados nas fibras mais íntimas, devolvem escravos ao mundo livre.


Doentes encontram remédio, mendigos acham teto, desesperados se reconfortam, órfãos são recebidos no lar.

Nova mentalidade surge na Terra.

O coração educado aparece, por abençoada luz, nas sombras da vida.

A gentileza e a afabilidade passam a reger o campo das boas maneiras e, sob a inspiração do Mestre Crucificado, homens de pátrias e raças diferentes aprenderam a encontrar-se com alegria, exclamando, felizes: — "meu irmão".

(De “Roteiro”)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Marco Prisco & Divaldo P. Franco - Desfaravelmente

"Não imiteis o homem que se apresenta como
modelo e trombeteia ele próprio suas
qualidades a todos os ouvidos complacentes."
(Alan Kardec - E.S.E. Cap. XVII -ltem 8).


Não julgue desfavoravelmente, mesmo que sua observação o ajude na conclusão precipitada.
Você não pode pretender ter examinado o assunto sob todos os ângulos. Muita coisa, que você vê, não é exatamente como você vê...


Não comente desfavoravelmente, mesmo que tenha sobejas razões para fazê-lo.

Você não sabe como se portaria, se estivesse na posição do antagonista. O que você sabe não se deu realmente como você sabe...


Não pense desfavoravelmente, mesmo que encontre apoio na atitude de todos.

Você não conhece o assunto com a consideração devida. O que você conhece não expressa a realidade como você pensa...

Não informe desfavoravelmente, mesmo que você esteja senhor do assunto.

Você não dispõe de possibilidades para prever as mudanças que se operam num minuto. O de que você está informado não é conhecimento bastante para que você informe como foi informado...


Não opine desfavoravelmente, quando você puder ajudar, só porque muitos são contra.

Você não pode discordar, somente para agradar a maioria. O de que você tem notícia não se passou como lhe disseram...


Ouça a opinião de duas pessoas de gostos musicais diferentes, saindo de um concerto de música clássica...

No dia do julgamento de Jesus-Cristo, a multidão julgava, comentava, pensava, informava e opinava desfavoravelmente a Ele...

Crucificado, deu ganho de causa aos assassinos e perseguidores.

No entanto, o material com que O julgaram e as testemunhas que O acusaram não representavam a verdade, porque, enquanto todos estavam ligados aos interesses inconfessáveis do mundo, desejavam alijá-lo da Terra.

Ele, que era o Senhor do mundo, ficou, porém, em silêncio, fiel ao Supremo Pai, porfiando até o fim.

(Glossário Espírita-Cristão).


Antoine Saint-Exupéry


"Não confundas o amor com o delírio da posse, que acarreta os piores sofrimentos. Porque, contrariamente à opinião comum, o amor não faz sofrer. O instinto de propriedade, que é o contrário do amor, esse é que faz sofrer. (...) Eu sei assim reconhecer aquele que ama verdadeiramente: é que ele não pode ser prejudicado. O amor verdadeiro começa lá onde não se espera mais nada em troca".

*

"Se tu vens às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz".

*

"Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos".

*

"O Homem distingui-se dos homens. Nada se diz de essencial acerca da catedral se apenas falarmos das pedras. Nada se diz de essencial a respeito do Homem se procurarmos defini-lo pelas qualidades humanas".

*

Aqueles que passam por nós não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.

*

"Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante".

*

"A terra ensina-nos mais acerca de nós próprios do que todos os livros. Porque ela nos resiste".

*

"Se a vida não tem preço, nós comportamo-nos sempre como se alguma coisa ultrapassasse, em valor, a vida humana... Mas o quê"?

*

"Os homens compram tudo pronto nas lojas... Mas como não há lojas de amigos, os homens não têm amigos".

*

"Não há uma fatalidade exterior. Mas existe uma fatalidade interior: há sempre um minuto em que nos descobrimos vulneráveis; então, os erros atraem-nos como uma vertigem".

*

"A grandeza da oração reside principalmente no fato de não ter resposta, do que resulta que essa troca não inclui qualquer espécie de comércio".

*

"Amem quem vos comanda. Mas sem lhes dizer".

*

"Ao reencontrar os amigos, todos nós já provamos o encanto das más lembranças".

*

"O que nos salva é dar um passo e outro ainda".

*

"Eu não preciso de ti.
Tu não precisas de mim.
Mas, se tu me cativares, e se eu te cativar...
ambos precisaremos, um do outro"

Augusto dos Anjos & Chico Xavier - Além




Não te engane o pavor do campo escuro,
-Gênios da morte entoando horrendas árias,
Urnas de pedra e lousas solitárias,
Cheias de vocação para o monturo...


Somente esbarras no sinistro muro,
Onde os corpos dos cresos e dos parias,
Em desagregações igualitárias,
Colhem transformações para o futuro.


Além do vaso informe e descomposto,
Em que toda vaidade paga imposto
Desfazendo-se, inerme, fibra a fibra.


Eis que a Eterna Verdade se descerra:
-A vida continua além da Terra,
O espírito liberto canta e vibra...


(Da Obra “Vereda De Luz”)

André Luiz & Francisco C. Xavier - Calma


Se você está no ponto de estourar mentalmente silencie alguns instantes para pensar.

Se o motivo é moléstia no próprio corpo, a intranqüilidade traz o pior.

Se a razão é enfermidade em pessoa querida, o seu desajuste é fator agravante.

Se você sofreu prejuízos materiais, a reclamação é uma bomba atrasada, lançando caso novo.

Se perdeu alguma afeição, a queixa tornará você uma pessoa menos simpática, junto de outros amigos.

Se deixou alguma oportunidade valiosa para trás, a inquietação é desperdício de tempo.

Se contrariedades aparecem, o ato de esbravejar afastará de você o concurso espontâneo.

Se você praticou um erro, o desespero é porta aberta a faltas maiores.

Se você não atingiu o que desejava, a impaciência fará mais larga distância entre você e o objetivo a alcançar.

Seja qual for a dificuldade, conserve a calma, trabalhando, porque, em todo problema, a serenidade é o teto da alma,

pedindo o serviço por solução.


(Livro: "O Espírito da Verdade" - Edição FEB)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Jesus Gonçalves - A DOR


Amiga inseparável dos meus dias,
Quanto sofri sob a pesada cruz
Que me vergava os pobres ombros nús,
Comprimindo-me o peito de agonias.


Bendita companheira de Jesus,
Precursora de eternas alegrias,
Por ti, chorando lágrimas sombrias,
Acendi em minh’alma nova luz.


Agradecendo o cálix de amargura
Que me destes no fel da desventura,
Afastei-me da trilha dos incréus....


Agora sei que sobre o mundo existes,
Ensinando em silêncio às almas tristes
A caminhar na direção dos Céus!


(Livro: Tênde bom ânimo - Francisco C. Xavier
Carlos A Baccelli)

Emmanuel & Francisco C. Xavier - Kardec e a Espiritualidade



Todas as missões dignificantes, conferidas pela Eterna Sabedoria, aos grandes vultos humanos, são tarefas do Espírito.

Precisamos compreender a santidade do esforço de um Edson, desenvolvendo as comodidades da civilização, o elevado alcance das experiências de um Marconi, estreitando os laços da fraternidade entre os povos; apreciando, porém, o labor da inteligência, somos obrigados a reconhecer que nem todas as organizações da Terra adquirem imediata repercussão no plano dos Espíritos.

Daí, a razão de examinarmos o traço essencial do trabalho confiado a Allan Kardec. Suas atividades requisitaram a atenção do Planeta e, simultaneamente, ecoaram nas esferas espirituais que lhe dizem respeito, onde se formaram legiões de colaboradores.

O ministério do Codificador revelava aos homens um mundo diferente.

A morte, o problema milenário das criaturas, perdeu a feição de esfinge. Outras vozes, por intermédio da obra dele, falaram da vida, além do sepulcro. Seu esforço, por isso, espalhou-se pelo orbe, constituindo a mais consoladora das filosofias e difundindo-se, naturalmente, nos círculos invisíveis ao homem comum por vasto movimento de interesses divinos.

Ninguém pode afirmar que Kardec fosse o autor do Espiritismo, porque este é de todos os tempos e situações da Humanidade. Entretanto, ele é o apóstolo da renovação cristã. Com este título, conquistado ao preço de profundos sacrifícios, cooperou com Jesus para que o mundo não desfalecesse desesperado. E, contribuindo com a valorosa coragem de que forneceu amplo testemunho, organizaram-se na espiritualidade os mais dilatados empreendimentos de colaboração e auxílio à sua iniciativa superior.

Legiões de amigos da verdade alistaram-se sob a sua bandeira, cooperando no êxito da causa sublime. Atrás de seus passos, movimentou-se um mundo mais elevado, abriram-se portas desconhecidas do olhar comum, a fim de que a fé e a ciência iniciassem a marcha de suprema coesão, em Cristo Jesus.

Não somente o orbe terrestre, em sua paisagem física, foi beneficiado.

Não apenas a inteligência encarnada amealhou esperanças.

O mundo invisível, mais intimamente ligado ao campo humano, alcançou igualmente consolo e compreensão.

Os vícios de educação religiosa haviam prejudicado as noções da criatura, relativamente ao problema da alma desencarnada.

As idéias de um céu injustificável e de um inferno terrível definiam o espírito exonerado da carne à conta de um exilado da Terra, onde amou, lutou e sofreu, criando profundas raízes sentimentais. Semelhante convicção contrariava o espírito de seqüência da Natureza. Quem atendeu às determinações da morte, naturalmente continua, além, as tarefas começadas no caminho evolutivo, infinito. Quem sonhou, esperou, combateu e torturou-se não foi a carne, reduzida à condição de vestidura, mas a alma, senhora da vida imortal.

Tais aberrações expressam, de algum modo, o alcance grandioso da missão de Allan Kardec, considerada nos vários círculos de aperfeiçoamento em que nos movimentamos.

É justo o reconhecimento dos homens e não menor o nosso agradecimento aos seus sacrifícios de missionário, ainda porque em seu ministério de revelação apreciamos a atividade do apóstolo sempre viva.

Que Deus o abençoe.

Afirma-nos o Evangelho que os anjos se regozijam nos céus quando se arrepende um pecador. E o serviço santificado de Allan Kardec tem consolado, modificado e convertido ao Senhor milhões de pecadores, neste mundo e no outro.


(Reformador (FEB) Outubro 1949)

Auta de Souza & Francisco C. Xavier - Ela Passa



Ela passa e o consolo se irradia

Qual a brisa de essência misteriosa,

A esperança aparece com a rosa

No espinheiro da sombra e da agonia...


Ela passa e um sussurro de alegria

Sobe em prece na noite tenebrosa,

Traz em torno sublime nebulosa,

Onde a vida celeste principia!


Ela passa e ninguém lhe sabe a crença,

É tão-só Caridade... Luz suspensa

Sobre as dores que a lágrima descerra!



Ei-la divina! E vê-la onde passa,

Sem distinção de credo, nome e raça,

A presença do Cristo sobre a Terra!...

(Extraído do livro Bênçãos de Amor. Autores Diversos)

Albino Teixeira & Francisco C. Xavier - O Que Mais Sofremos



O que mais sofremos no mundo –

Não é a dificuldade. É o desânimo em superá-la.

Não é a provação. É o desespero diante do sofrimento.

Não é a doença. É o pavor de recebê-la.

Não é o parente infeliz. É a mágoa de tê-lo na equipe familiar.

Não é o fracasso. É a teimosia de não reconhecer os próprios erros.

Não é a ingratidão. É a incapacidade de amar sem egoísmo.

Não é a própria pequenez. É a revolta contra a superioridade dos outros.

Não é a injúria. É o orgulho ferido.

Não é a tentação. É a volúpia de experimentar-lhe os alvitres.

Não é a velhice do corpo. É a paixão pelas aparências.

Como é fácil de perceber, na solução de qualquer problema, o pior problema é a carga de aflições que criamos, desenvolvemos e sustentamos contra nós.


(Livro: "Passos da Vida" - EDIÇÃO IDE)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco - Lamentações


Aglutinam-se na massa humana as pessoas desesperadas.
Uma vaga de aflição paira ameaçadora no mundo, carregando os inquietos que perderam a direção de si mesmos, vitimados pelas circunstâncias dolorosas do momento.

A insânia conduz expressivo número de criaturas que estertoram ao sabor do sofrimento, buscando fugir da realidade dos problemas, com a aparência voluptuosa de triunfadores nos patamares dos prazeres alucinantes.

A desordem campeia, e ameaças desumanas transformam-se em torpe conduta nos países do mundo, destroçados por guerras impiedosas em nome de religiões fanatizadoras, de raças asselvajadas, de interesses mesquinhos...

Os governantes da Terra perdem as rédeas da administração e negociam com organizações criminosas, estabelecendo colegiados políticos abomináveis.

A corrupção adquire cidadania, e a imoralidade desfruta de status, perturbando os valores éticos e morais.

Nuvens borrascosas avolumam-se nos céus já escurecidos da humanidade. Tudo anuncia a chegada dos dias apocalípticos, convocando à razão, à renovação dos códigos, à interiorização espiritual.

Como conseqüência do período grave de transição, surgem o pessimismo, a desconfiança, as lamentações. De tal forma se vão arraigando no organismo individual e social, que os temas de conversação perdem os conteúdos ou se apresentam desconcertantes, caracterizados pelas sombras do desconforto, da mágoa, dos irrefreáveis desejos de vingança.

A lamentação grassa e perturba as mentes, impedindo a ação corretora do bem, como se não adiantasse produzir com elevação, laborar com honradez.

Lamentar não é atitude saudável. Pelo contrário, produz deterioração dos conteúdos bons que ainda remanescem em muitas vidas e movimentam-nas, sustentando os ideais de engrandecimento humano.

A lamentação, qual ocorre com a queixa sistemática, é morbo portador de destruição, de desalento e morte.

Antídoto aos males que infestam os dias atuais é ainda o amor, força única portadora de recursos salvadores.

Este é um ciclo que se encerra, dando início a outro, que se irradiará plentificador.

Os períodos de renovação fazem-se preceder por inumeráveis acontecimentos devastadores, nos mais diversos aspectos da natureza. O mesmo ocorre na área moral da humanidade.

Assim, não te desalentes, nem duvides do triunfo do bem. Não fiques, porém, inativo, aguardando que forças atavias operem miraculosamente sem a tua contribuição.

És importante no contato atual face ao que pense e como ajas.

Produze, portanto, com esforço bem direcionado, oferecendo o teu contributo valioso, por menos expressivo te pareça.

Não cedas o passo aos aventureiros da desordem.

Permanece no teu lugar realizando o que podes, deves e te cabe fazer.


Multa falta fazem Jesus e Sua doutrina no mundo.

Fala-se sobre Ele, discute-se-Lhe a mensagem, mas não se vive o ensinamento que dela deflui.

Sê tu quem confia e faz o melhor.

Se cada cristão decidido resolvesse por viver Jesus, a paisagem atual se modificaria, e refloresceria a primavera no planeta em convulsão.

Assim sendo, ama e contribui em favor do progresso, sem lamentação de qualquer natureza, em paz e confiança.


(Da obra: Momentos Enriquecedores).

terça-feira, 13 de abril de 2010

Olavo Bilac - Soneto


Por tanto tempo andei faminto e errante,

Que os prazeres da vida converti-os

Em poemas das formas, em sombrios


Pesadelos da carne palpitante.

No derradeiro sono, instante a instante,

Vi fanarem-se anseios como fios

De ilusão transformada em sopros frios,

Sobre o meu peito em febre, vacilante.


Morte, no teu portal a alma tateia,

Espia, inquire, sonda e chora, cheia

De incerteza na esfinge que tu plasmas!...


Impassível, descerras aos aflitos

Uma visão de mundos infinitos

E uma ronda infinita de fantasmas.


(Do livro Parnaso de Além-Túmulo. Francisco Cândido Xavier).

Rubens C. Romanelli - Quando...


Filho meu !

QUANDO, nas horas de íntimo desgosto, o desalento te invadir a alma e as lágrimas te aflorarem aos olhos, busca-me: eu sou aquele que sabe sufocar-te o pranto e estancar-te as lágrimas;

QUANDO te julgares incompreendido dos que te circundam e vires que, em torno, a indiferença recrudesce, acerca-te de mim: eu sou a LUZ, sob cujos raios se aclaram a pureza de tuas intenções e a nobreza de teus sentimentos;

QUANDO se te extinguir o ânimo para arrostares as vicissitudes da vida e te achares na iminência de desfalecer, chama-me: eu sou a FORÇA capaz de remover-te as pedras dos caminhos e sobrepor-te às adversidades do mundo;

QUANDO, inclementes, te açoitarem os vendavais da sorte e já não souberes onde reclinar a cabeça, corre para junto de mim: eu sou o REFÚGIO, em cujo seio encontrarás guarida para o teu corpo e tranqüilidade para o teu espírito;

QUANDO te faltar a calma, nos momentos de maior aflição, e te considerares incapaz de conservar a serenidade de espírito, invoca-me: eu sou a PACIÊNCIA, que te faz vencer os transes mais dolorosos e triunfar das situações mais difíceis;

QUANDO te debateres nos paroxismos da dor e tiveres a alma ulcerada pelos abrolhos dos caminhos, grita por mim: eu sou o BÁLSAMO que te cicatriza as chagas e te minoram os padecimentos;

QUANDO o mundo te iludir com suas promessas falazes e perceberes que já ninguém pode inspirar-te confiança, vem a mim: eu sou a SINCERIDADE, que sabe corresponder à franqueza de tuas atitudes e à nobreza de teus ideais;

QUANDO a tristeza e a melancolia te povoarem o coração e tudo te causar aborrecimento, clama por mim: eu sou a ALEGRIA, que te insufla um alento novo e te faz conhecer os encantos de teu mundo interior;

QUANDO, um a um, te fenecerem os ideais mais belos e te sentires no auge do desespero, apela para mim: eu sou a ESPERANÇA, que te robustece a fé e te acalenta os sonhos;

QUANDO a impiedade recusar-se a relevar-te as faltas e experimentares a dureza do coração humano, procura-me: eu sou o PERDÃO, que te levanta o ânimo e promove a reabilitação de teu espírito;

QUANDO duvidares de tudo, até de tuas próprias convicções, e o cepticismo te avassalar a alma, recorre a mim: eu sou a CRENÇA, que te inunda de luz o entendimento e te habilita para a conquista da Felicidade;

QUANDO já não provares a sublimidade de uma afeição terna e sincera e te desiludires do sentimento de teu semelhante, aproxima-te de mim: eu sou a RENÚNCIA, que te ensina a olvidar a ingratidão dos homens e a esquecer a incompreensão do mundo;

E QUANDO, enfim, quiseres saber quem sou, pergunta ao riacho que murmura e ao pássaro que canta, à flor que desabrocha e à estrela que cintila, ao moço que espera e ao velho que recorda. Eu sou a dinâmica da vida, e a harmonia da Natureza: chamo-me AMOR, o remédio para todos os males que te atormentam o espírito.

Estende-me, pois, a tua mão, ó alma filha de minhalma, que eu te conduzirei, numa seqüência de êxtases e deslumbramentos, às serenas mansões do Infinito, sob a luz brilhante da Eternidade.


("O Primado do Espírito" capítulo 2,capítulo 2, páginas 16-18, 3a. edição ampliada 1965, Editora Síntese Ltda.)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

João de Deus & Francisco C. Xavier - Saudade




Ante o brilho da vida renascente

Depois da névoa estranha, densa e fria,

Surgem constelações do Novo Dia

Muito longe da Terra descontente.


Mundos celestes, reinos de alegria

E impérios da beleza resplendente

Cantam no Espaço, jubilosamente,

Ao compasso do Amor e da Harmonia...


Mas, ai! pobre de mim!... Ante a grandeza

Da glória excelsa eternamente acesa

Volvo à sombra letal do abismo findo!


E, esmagado de angústia e de carinho,

Choro de amor, revendo o velho ninho

E as aves temas que deixei no mundo!...



(Livro:Relicário de Luz)

domingo, 11 de abril de 2010

André Luiz & Francisco C. Xavier - Pode Acreditar



Falará você na bondade a todo instante, mas, se não for bom, isso será inútil para a sua felicidade.


Sua mão escreverá belas páginas, atendendo a inspiração superior; no entanto, se você não estampar a beleza delas em seu espírito, não passará de estafeta sem inteligência.


Lerá maravilhosos livros, com emoção e lágrimas; todavia, se não aplicar o que você leu, será tão-somente um péssimo registrador.


Cultivará convicções sinceras, em matéria de fé; entretanto, se essas convicções não servirem à sua renovação para o bem, sua mente estará resumida a um cabide de máximas religiosas.


Sua capacidade de orientar disciplinará muita gente, melhorando personalidades; contudo, se você não se disciplinar, a lei o defrontará com o mesmo rigor com que ela se utiliza de você para aprimorar os outros.


Você conhecerá perfeitamente as lições para o caminho e passará, ante os olhos mortais do mundo, à galeria dos heróis e dos santos; mas, se não praticar os bons ensinamentos que conhece, perante as leis Divinas recomeçará sempre o seu trabalho e cada vez mais dificilmente.


Você chamará a Jesus; Mestre e Senhor...; se não quiser, porém, aprender a servir com ele, suas palavras soarão sem qualquer sentido.


(De: “Agenda Cristã”)

sábado, 10 de abril de 2010

Maria Dolores & Francisco C. Xavier - Deus te Vê


Deus te vê, alma querida,

Quando te pões na trilha escura,

Para ajudar aos filhos da amargura

Que tanta vez se vão

Como sombras errantes no caminho

— Chagas pensantes ao relento —,

Entre as nuvens do Pó e as pancadas do Vento,

Com saudades do Pão...


Deus te vê a mensagem de bondade

Com que suprimes ou reduzes

As provações, as lágrimas e as cruzes

Dos que vagam na rua sem ninguém,

E te agradece as posses que desprendes,

No auxílio ao companheiro em desamparo,

Seja um tesouro inesperado e raro,

Seja um simples vintém!...


Deus te vê quando estendes braço amigo

Aos que carregam lenhos de tristeza,

Doando-lhes o afeto, o abrigo, a mesa,

O remédio, a camisa, o cobertor...

E, por altos recursos sem que o saibas,

Manda que a Lei te aumente os dons divinos,

Em mais belos destinos,

Para a glória do amor.


Deus te vê na palavra com que ensinas

A senda clara e boa

Da verdade que alenta e que abençoa

Sem perturbar e sem ferir...

E determina aos homens que teu verbo

Seja apoiado, aceito

E ouvido com respeito,

Na construção excelsa do porvir.


Deus te vê quando acolhes sem revide

O golpe da pedrada que te insulta,

O braseiro da ofensa, a dor oculta

Em ferida mortal...

E te louva o perdão espontâneo e sincero

Com que ajudas o Céu no trabalho fecundo

De extinguir sem alarde, entre as sombras do mundo,

A presença do mal!...


Deus te vê, através da caridade!...

Mas não só isso... Em paz calada e santa,

Pede alguém que te siga e te garanta

Na jornada de luz!...

E, por isso, onde estás, rujam trevas em torno,

Sofras humilhação, injúria, cativeiro,

Tens contigo um sublime companheiro:

— Nosso Amado Jesus!...


(Livro: Poetas Redivivos)

Allan Kardec


"Por ocasião da morte, tudo, a princípio, é confuso.
De algum tempo precisa a alma para entrar no conhecimento de si mesma.
Ela se acha como que aturdida, no estado de uma pessoa que despertou de profundo sono e procura orientar-se sobre sua situação. A lucidez das ideias e a memória do passado lhe voltam, à medida que se apaga a influência da matéria que ela acaba de abandonar, e à medida que se dissipa a espécie de névoa que lhe obscurece os pensamentos.
Muito variável é o tempo que dura a perturbação que se segue à morte. Pode ser de algumas horas, como também de muitos meses e até de muitos anos. Aqueles que, desde quando ainda viviam na terra, se identificaram como estado futuro que aguardava, são os em quem menos longa ele é, porque esses compreendem imediatamente a posição em que se encontram."

(Comentários à questão nº165 de O Livro dos Espíritos, 29ª FEB)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Tobias Barreto & Francisco C. Xavier - Resposta



Céus, quem vos desdobrou no tempo sem memória?

Flâmeas constelações, quem vos lança e aglutina?

Astros, quem vos dirige a excelsa disciplina?

Luzes, quem vos acende a beleza incorpórea?


Terra, quem vos gerou? Mares, quem vos domina?

Flores, quem vos estende a gentileza e a glória?

Aves, quem vos inspira a marcha migratória?

Fontes, quem vos impele a cantar em surdina?


Desertos, quem vos fez na imensidão de areia?

Vales, quem vos mantém'? Rochas, quem vos alteia?

Vermes, quem vos criou no abismo estranho e mudo?!...


De esfera a esfera, ser a ser e vida em vida,

Surge por toda a parte a resposta incontida:

- "Deus! ... Tudo vem de Deus na grandeza de tudo! ..."


(Fonte: Do Livro “Seguindo Juntos”)

Cruz e Souza & Francisco C. Xavier - Caridade




Caridade é a mão terna e compassiva

Que ampara os bons e aos maus ama e perdoa,

Misericórdia, a qual para ser boa,

De bens paradisíacos se priva.


Mão radiosa, que traz a verde oliva

Da paz, que acaricia e que abençoa,

Voz da eterna verdade que ressoa

Por toda a parte, promissora e ativa.


A caridade é o símbolo da chave

Que abre as portas do céu claro e suave,

Das consciências libertas da impureza;


É a vibração do espírito divino,

Em seu labor fecundo e peregrino,

Manifestando as glórias da Beleza!...


(Do livro Parnaso de Além-Túmulo)

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Jesus Gonçalves & Francisco C. Xavier - Oração Diante da Cruz



Contemplando-Te, ó Mestre, içado às dores,

Em teu trono de angústia, sangue e chagas,

Sinto em mim a grandeza com que esmagas

O ódio e a maldade dos perseguidores...


Ladeado por rudes malfeitores,

Ao vozerio de baldões e pragas,

Guardas no olhar a benção com que afagas

O coração dos pobres sofredores.


“Perdoai-lhes, meu Pai!...” _ disseste em pranto

No imenso amor, iluminado e santo,

Que a tua cruz de lágrimas encerra...


E vejo, enfim, que sem teus dons divinos

Não passamos de escuros peregrinos,

Infortunados lázaros da Terra!


(Livro: “Cartas do Coração”)

Emmanuel & Francisco C. Xavier - Mais Amor


Ama sempre para que possas compreender sempre mais.
Muitas vezes, no mundo, ensandecemos o cérebro e envenenamos o coração, indagando sem proveito quanto aos problemas que afligem os grandes e os pequenos, os felizes e os infelizes.
Entretanto, bastaria um raio de amor no imo d'alma para entendermos a profunda união em que nos imanizamos uns aos outros.
Ajuda antes de qualquer indagação.
Não peças diretrizes à Vida Superior, antes de haver praticado a fraternidade no círculo de criaturas em que te encontras.
A Terra é a nossa escola multimilenária, onde o amor é o Sol para as mínimas lições.
Descerra o espírito à claridade dessa luz e perceberás a dor que, muitas vezes, se agita sob vestes douradas e observarás o brilho da vida que, em muitas ocasiões, se destaca sob andrajos e sombras.

Oferece-lhe a mente e aprenderás que alegria e sofrimento, escassez e abastança, segurança e instabilidade na Terra não passam de oportunidades preciosas para a nossa elevação espiritual.

Não te esqueças de que somente aquele que se faz irmão do próximo pode soerguê-lo a mais altos destinos.


O nosso verbo pronunciará eloqüentes discursos.
A nossa pena escreverá páginas comovedoras.
A nossa influência social assegurar-nos-á subido destaque na vida pública.
As nossas facilidades econômicas garantir-nos-ão transitório respeito entre as criaturas.



Todavia, que será de nós sem o tesouro da compreensão que apenas o amor nos pode conferir?
Mais amor em nossas atividades de cada dia é solução gradativa a todos os enigmas que nos cercam.
Só a luz é capaz de extinguir a sombra.
Só a sabedoria aniquila a ignorância.
Só o amor redime, vitoriosamente, a miséria.
Não nos abeiremos da revelação, simplesmente indagando, pedindo, reclamando.
Aprendemos a trabalhar e servir.
Amemo-nos uns aos outros e uma luz nova brotará no terreno vivo de nossa alma, constrangendo-nos a sentir que só o trabalho no serviço ao próximo é capaz de conduzir-nos à comunhão com a verdadeira felicidade, que decorre de nosso ajustamento às Leis Celestiais.


(Livro "Assim Vencerás")

Emmanuel & Francisco C. Xavier - Diante da lei



O espírito consciente, criado através dos milênios, nos domínios inferiores da natureza, chega à condição de

humanidade, depois de haver pago os tributos que a evolução lhe reclama.

À vista disso, é natural compreendas que o livre arbítrio estabelece determinada posição para cada alma, porquanto cada

pessoa deve a si mesma a situação em que se coloca.

Possuis o que deste.

Granjearás o que vens dando.

Conheces o que aprendeste.

Saberás o que estudas.

Encontraste o que buscavas.

Acharás o que procuras.

Obtiveste o que pediste.

Alcançarás o que aspiras.

És hoje o que fizeste contigo ontem.

Serás amanhã o que fazes contigo hoje.

Chegamos no dia claro da razão, simples e ignorantes, diante do aprimoramento e do progresso, mas com liberdade

interior de escolher o próprio caminho.

Todos temos, assim, na vontade a alavanca da vida, com infinitas possibilidades de mentalizar e realizar.

O governo do Universo é a justiça que define, em toda parte, a responsabilidade de cada um.

A glória do Universo é a sabedoria, expressando luz nas consciências.

O sustento do Universo é o trabalho que situa cada inteligência no lugar que lhe compete

A felicidade do Universo é o amor na forma do bem de todos.

O Criador concede às criaturas, no espaço e no tempo, as experiências que desejem, para que se ajustem, por fim, às

leis de bondade e equilíbrio que O manifestam. Eis por que permanecer na sombra ou na luz, na dor ou na alegria, no

mal ou no bem, é ação espiritual que depende de nós.


(Livro: Justiça Divina)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco - Em Relação a Ti



Após a emoção do encontro com a Doutrina Espírita, agora, quando os deveres constituem norma de comportamento diário, na tua vida, observas, algo desencantado, a necessidade da contínua renovação de forças, a fim de não desfaleceres.

Supunhas, inicialmente, que logo seriam resolvidos todos os problemas.

Todavia, ei-los que retornam afligentes, complexos.

Dispões, porém, de recursos valiosos que não podes desconsiderar e graças aos quais não desfalecerás.

Reflete:

Quem tem fé, não se abate ante noite escura.

Quem confia, não se desespera na convulsão.

Quem ama, não se debate na desconfiança.

Quem crê, não se tortura na incerteza.

Quem espera, não se atira nos braços da aflição.

Quem serve, não se agasta com a ingratidão.

Quem é gentil, não aguarda entendimento.

Quem é puro, não se revolta com as calúnias.

Quem perdoa, não pára na caminhada a fim de recolher escusas.

Quem se renova no Cristo, não retorna à prisão do erro.
Se tens fé, persevera.

Haja o que houver, prossegue impertérrito, mente dirigida ao Senhor e mãos no trabalho edificante.

Não olhes para trás, nem te confies à depressão.

Este é o teu momento divino de avançar. Não o malbarates inutilmente.

A claridade da Crença que ora te aponta seguro roteiro, far-se-á tua lâmpada de alegria onde estejas, com quem te encontres, como te sintas.

E quando a noite do túmulo se abater sobre o teu corpo cansado, ela será o Sol nascente do Dia Novo que deves, desde agora, aguardar com júbilo e por cuja razão deves insistir e perseverar.

(Livro: Celeiro de Bençãos)

Augusto dos Anjos & Francisco C. Xavier - Na Imensidade



Alma humana, alma humana, tu que dormes

Entre os grandes colossos desconformes

Da carne, essa voraz liberticida,

Desse teu escafandro de albuminas,

Em tua mesquinhez não imaginas

A intensidade esplêndida da Vida!


Inda não vês e eu vejo panoramas

De luz em gigantescos amalgamas

De sóis, nas regiões imensuráveis,

Auscultando os espaços mais profundos

Na sinfonia harmônica dos mundos,

Singrando a luz de céus incomparáveis.


Do teu laboratório de arterites,

De gangliomas, úlceras, nevrites

Ao lado de humaníssimas vaidades,

Não podes perceber as ressonâncias,

Quinta-essências de todas as substâncias

Na fuidez das eletricidades.


Aqui não há vertigens de nevróticos,

Nem bisonhos aspectos de cloróticos

Nas estradas de eternos otimismos!

A vida imensa é coro de grandezas,

Submersão nas fluídicas belezas,

Envergando os etéreos organismos.


Ante a minhalma fulgem ideogramas,

Pensamentos radiosos como chamas,

Combinações no Mundo das Imagens;

São vibrações das almas evolvidas

E que, concretizadas e reunidas,

Formam luminosíssimas paisagens...


Em pleno espaço – Imensidade de ânsias,

Sem aritmologias das distâncias,

Sem limites, sem número, sem fim.

Deus e Pai, ó Artista Inimitável,

Deixai meu ser esdrúxulo, execrável,

No prolongado e edênico festim!

(Do livro Parnaso de Além-Túmulo)

domingo, 4 de abril de 2010

Casimiro Cunha & Francisco C. Xavier - Outra Vez




Desculpaste, edificando,

Mas, se atreva e a insensatez

Voltam de novo a ferir-te,

Perdoa e ajuda outra vez.


Ouviste em prece os agravos

À doutrina em que mais crês;

No entanto, se há mais ofensa,

Perdoa e ajuda outra vez.


Esqueceste duros golpes

Da injúria e da rispidez...

Todavia, se ressurgem,

Perdoa e ajuda outra vez.


Viste mãos das mais queridas,

No sonho que se desfez;

Contudo, segue adiante...

Perdoa e ajuda outra vez.


Ao lamaçal da calúnia

Em dia algum não te dês.

Bendizendo os detratores,

Perdoa e ajuda outra vez.


Se teus pedidos mais justos

Somente encontram surdez,

Esperando sem revolta,

Perdoa e ajuda outra vez.


Recolhes por teu sorriso

Gesto rude e descortês?

O tempo tudo transforma;

Perdoa e ajuda outra vez.


Se queres guardar contigo

A bênção da intrepidez,

À frente de todo mal,

Perdoa e ajuda outra vez.


Injustiçado, não guardes

Nem mágoas e nem porquês;

Trabalhando alegremente,

Perdoa e ajuda outra vez.


Se almejas fazer migalha

Do muito que o Mestre fez,

Mesmo entregue à cruz da morte

Perdoa e ajuda outra vez.


(Do livro Correio Fraterno)

sábado, 3 de abril de 2010

Emmanuel & Francisco C. Xavier - Aguardemos



Em qualquer circunstância,espera com paciência.
Se alguém te ofendeu,espera.
Não tomes desfôrço a quem já carrega a infelicidade
em si mesmo.
Se alguém te prejudicou,espera.
Não precisas vingar-te de quem já se encontra assinalado
pela justiça.
Se sofres, espera.
A dor é sempre aviso santificante.
Se o obstáculo te visita, espera.
O embaraço de hoje,muita vez,é benefício amanhã.
A fonte,ajudando onde passa,espera pelo rio e atinge o oceano vasto.
A árvore,prestando incessante auxílio,espera pela flor e ganha a benção do fruto.
Todavia,a enxada que espera,imóvel,adquire a ferrugem que a desgasta.
O poço que espera,guardando águas paradas,converte a si próprio em vaso de
podridão.
Sejam,pois, quais forem as tuas dificuldades,espera,fazendo em favor dos outros
o melhor que puderes,a fim de que a tua esperança se erga sublime,em luminosa realização.

(Palavras de Vida Eterna)

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco - Agastamento



Inquietas-te ante as perturbações que se generalizam.

Irritas-te diante de pessoas impertinentes ou acontecimentos desgastantes.

Afliges-te, considerando problemas que te chegam, solicitando serenidade.

Perturbas-te, quando não aceitam as tuas propostas, embora trabalhadas com boa intenção.

Desequilibras-te, quando os fatos não sucedem de acordo com os teus critérios.

Experimentas mal-estar, enfrentando situações imprevisíveis, desagradáveis.

Outras manifestações de distonia emocional se expressam amiúde, na tua luta cotidiana, ferindo-te os sentimentos e fazendo-te agasalhar desnecessários agastamentos.

O agastamento é um estado doentio que conduz à cólera, terminando por engendrar patologias de ódio, que produzem enfermidades de alto porte com perspectivas de difícil recuperação.
Cuida-te em preservar a tua paz íntima.

Não te deixes intoxicar pelos vapores mórbidos do melindre, que é o iniciador dos estados de perturbação.


Se te não sentes compreendido, mesmo que estejas com a razão, aproveita para ensinar, pelo exemplo, a tolerância e a fraternidade.

Se defrontas óbices e abismos morais ou físicos no teu pelejar, na busca do progresso, medita e valoriza a oportunidade, aceitando o desafio mediante cujo esforço adquirirás experiência e sabedoria para futuros cometimentos libertadores.

Se reina a má vontade em volta dos teus passos, seja este o teu momento de doar simpatia e estabelecer linhas de bondade.

Se ocorrem insucessos nos teus tentames de realização, não te arrebentes sob a virose da cólera; antes repete o expediente aprimorado pela lição que não pôde resultar positiva.

Sempre poderá resguardar-te do agastamento, que ceifa ideais, desarmoniza corações e mentes que abraçam os nobres serviços da humanidade.


Agasta-se o homem na família, por motivos nenhuns; no trabalho, vitimado pela insatisfação; na rua, em face da perturbação geral; no momento do recreio, que não logra fruir até a exaustão, e, lentamente, faz-se pessimista, irritadiço, aprimorando uma óptica negativa, mediante a qual tudo vê sob as torpes angulações do próprio desequilíbrio.

Podes superar essas injunções propiciadoras do agastamento.

Exercita-te na bondade e cultiva a esperança no convívio fraternal, dando mais do que recebendo.

Com essa atitude positiva ante a vida, estarás realizando uma contínua psicoterapia preventiva que te imunizará contra muitos males de ordem íntima, geradores de tormentos e enfermidades ainda não diagnosticadas.

Jesus, que nunca se agastava, até hoje nos espera paciente e confiante, propiciando-nos as experiências da luta, mediante as quais nos identificaremos com Ele em clima de amor para com todas as criaturas e de paz para com nós mesmos.


(Da obra “Otimismo”)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Auta de Souza & francisco C. Xavier - Mãos


Harpas de amor tangendo de mansinho

A música do bem ditosa e bela,

As mãos guardam a luz que te revela

A mensagem de paz e de carinho.


Não te digas inútil ou sozinho...

Na existência mais triste ou mais singela,

Nas mãos todo um tesouro se encastela,

Derramando-se em bênçãos no caminho.


Ara, semeia, tece, afaga e ajuda...

Mãos no trabalho são a prece muda

De nosso coração, vencendo espaços...


E, aprendendo com Cristo, ante o futuro,

Tuas mãos, como servas do amor puro,

São estrelas fulgindo nos teus braços.
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