segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O Poder da Amizade - Miramez

Miramez
Psicografia: João Nunes Maia
A amizade converge de pontos afins, onde os corações se unem em plena fraternidade. A afeição mútua é garantia para o amor e o desencanto dos sentimentos é falta de Cristo no coração.
A presença de Jesus altera todo ambiente em dissonância, mudando-o para a cordialidade e o afeto passa a ser a atmosfera comum entre as criaturas. Pressupõe o homem ignorante que aquilo ou aquele que o desagrada deve-se esquecer, senão desprezar, maltratar e perseguir.
Entrementes, a filosofia do Evangelho afirma o contrário: que devemos sempre nos unir e que o amor deve surgir em tudo e em todas as almas, pois para isto fomos criados. O poder da amizade nos leva a crer na felicidade e a esperança nos estimula para as grandes realizações. O agrado de uns para com os outros faz clarear a inteligência, sem subestimar os ideais dos sentimentos elevados.
Cada passo que dermos, no caminho do bem, para granjear amizades, é luz que acendemos em nossa subida para a libertação espiritual.
A atração entre as pessoas tem muito a ver com a presença do amor. Carinho é coisa muito séria. Logo que o recebemos ou doamos, reconhecemos a manifestação do amor que somente existe com abundância nos planos maiores da vida. Ele, na Terra, pode parecer, por vezes, envolvido em fortes interesses físicos, ou exigindo permutas inconfessáveis. No entanto, traz no seu coração, se assim podemos dizer, uma luz imortal, que no amanhã brilhará qual as estrelas, na harmonia divina. Nada se perde, tornamos a dizer. Tudo que plantamos nasce e torna a nascer por mil meios, na multiplicação da vida, em busca do esplendor de Deus.
Não pode existir vida sem convivência, sem aconchego na exuberância da fraternidade. Não pode existir saúde sem a força poderosa da amizade. Ela é que nos oferta o leito para recuperarmos nossas forças quando fracos; nos dá o alimento, quando temos fome; nos fornece agasalho, quando nus; nos oferece água, quando sedentos; nos traz o remédio, quando enfermos; nos manifesta a alegria, quando tristes; nos dispõe à companhia, quando solitários.
A amizade é que nos dá coragem para viver, diante de todos os problemas e infortúnios. Se é esta norma de vida a melhor, granjeemos amigos, nos adverte Pedro, o apóstolo, e, para tanto, é indispensável que surja no coração o amor e que a harmonia se estenda entre os homens.
Porém, toda intimidade requer vigilância, para que ela possa durar, afeiçoando-se com a eternidade. Toda inimizade desconhece o valor do bom comportamento e, se vivemos discutindo, separando-nos dos nossos semelhantes, dando asas à maledicência e fomentando a discórdia, nunca teremos saúde.
Saúde é harmonia em tudo o que pensamos e fazemos. Se estamos alimentando o ódio contra os nossos companheiros, dá-se uma disfunção em todos os nossos corpos, levando-nos à enfermidade, enquanto durar a nossa ignorância.
Jesus nos induz, a cada segundo, para a conjunção dos nossos ideais na amplitude de todos os nossos sentimentos, para a grandeza da amizade.
Sê amigo de tudo e de todas as criaturas, que a saúde surgirá em teus caminhos, como luz do sol a te alegrar.
Cada passo que dermos, no caminho do bem, para granjear amizades, é luz que acendemos em nossa subida para a libertação espiritual.

Olhos - Joanna de Ângelis

Joanna de Ângelis
Psicografia: Divaldo Pereira Franco

Nos apontamentos do evangelista Mateus, encontramos as seguintes palavras proferidas pelo Mestre de Nazaré:Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz.
A frase nos levou a meditar acerca desse patrimônio de todos, que são os olhos.
No mundo encontramos olhos muito diferentes, não somente em formatos e cores, mas em qualidades íntimas.
Encontramos os olhos que veem os quadros da vida pelo prisma da malícia, deturpando tudo que alcançam.
Existem os olhos de ciúme, que despejam chispas de ódio, ante a possibilidade mínima de perderem o que consideram objeto de sua posse.
Há os olhos que ferem, capazes de intimidar subalternos e criaturas de condição social inferior. Olhos de agressão que censuram sem palavras e agridem sem pestanejar.
Olhos de frieza que observam a dor, a desesperança, a miséria sem se comoverem. Despejam tal gelo que impedem o necessitado de estender a mão em súplica ou a expressar o próprio infortúnio em palavras.
Olhos que perturbam quando encaram a outrem e chegam a desencorajar os que estejam tentando realizar algo de bom, e se mostram ainda tímidos.
Olhos de desespero que olham o panorama que os circunda e somente conseguem enxergar aflição e abandono. Levantam o olhar no sentido do firmamento e não percebem as estrelas que iluminam a noite escura, com seus raios brilhantes.
Olhos capazes de registrar os males alheios, desconsiderando as virtudes que se ocultam em todo ser humano.
Olhos de irritação que expressam seu desagrado ante a balbúrdia infantil que extravasa sua alegria de viver, as vozes dos animais que dizem da sua vitalidade, o pequeno esbarrão involuntário na rua, no mercado, na condução urbana.
Olhos de crueldade que ferem a quem atingem, que fazem o animal se encolher a um canto, a criança calar em constrangimento e a própria natureza estabelecer uma pausa no seu concerto constante.
* * *
Como serão os nossos olhos?
Se desejamos enobrecer os recursos da visão que nos enriquecem a vida, amemos e ajudemos, aprendamos a perdoar sempre, cultivemos o bem em nós, pois a expressão do nosso olhar fala do que nos vai na intimidade e nos alimenta a alma.
* * *
Cada um vê a paisagem que observa conforme a cor das lentes que tem sobre os olhos. Isto equivale a dizer que os tristes veem panoramas desoladores, enquanto os otimistas descobrem cores vibrantes e alegria em toda parte.
Somos responsáveis pela forma como utilizamos os nossos olhos, desde que eles são um dos talentos que Deus nos concede para instrumento de progresso.

Redação do Momento Espírita com base no cap. 71 do livro Palavras de vida eterna, pelo Espírito Emmanuel, psicografia De Francisco Cândido Xavier, ed. Feb e no verbete Visão do livro Repositório de sabedoria, v. 2, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

Ante o Estudo - Joanna de Ângelis

Livro: Celeiro de Bênçãos
Divaldo Pereira Franco
Espírito Joanna de Angelis

Necessário em qualquer mister. Impostergável para o aprimoramento humano. Valioso para
maior integração do indivíduo nos objetivos a que se vincula. Indispensável para a
iluminação interior. Em todo ministério de enobrecimento, o estudo tem regime de urgência
como diretriz de segurança e veículo de libertação íntima.
Ninguém pode vincular-se em definitivo ao ministério redentor sem conhecer as razões
preponderantes da existência espiritual. Evidente que antes de qualquer realização,
programas e projetos devam constituir bases experimentais. O estudo, desse modo, fornece
as coordenadas para maior penetração na tarefa buscada: seja a de ajudar, seja a de ajudar-se.
No que diz respeito à Doutrina Espírita, cabe-nos a todos o dever de mergulhar o
pensamento nas fontes lustrais do conhecimento, a fim de melhor entendermos os quesitos
preciosos da existência, simultaneamente as leis preponderantes da Causalidade, de modo a
podermos dirimir equívocos e dúvidas, colocando balizas demarcatórias no campo das
conquistas pessoais, intransferíveis: um quarto de hora, diariamente, dedicado ao estudo;
pequena página para reflexão, diuturnamente; um conceito espírita como glossário para cada
dia; uma nótula retirada do contexto luminoso da Codificação para estruturar segurança em
cada 24 horas; uma noite por semana para o estudo espírita, no dia reservado ao Culto
Evangélico do Lar, como currículo educativo; uma pausa para a prece e singelo texto para
vigilância espiritual, sempre que possível...
Sim, todos podem realizar curso inadiável para promoção espiritual na escola terrestre. O
estudo do Espiritismo, portanto, hoje como sempre é de imensurável significação. Definiu-lhe
a validade o Espírito de Verdade, no lapidar conceito exarado em "O Evangelho Segundo o
Espiritismo": "Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo."
Estudar sempre e incessantemente a fim de amar com enobrecimento e liberdade.


domingo, 22 de janeiro de 2017

Crise Sem Dor - Emmanuel, André Luiz


Emmanuel
Livro: “Estude e Viva’, 
De Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, 
Pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz


Fáceis de reconhecer as crises abertas.
Provação exteriorizada, dificuldade à vista.
Surgem comumente, na forma de moléstias, desencantos, acidentes ou suplícios do coração, atraindo o concurso espontâneo dos circunstantes a que se escoram as vítimas, vencendo, com serenidade e valor, tormentosos dias de angústias, como quem atravessa, sem maiores riscos, longos túneis de aflição.
Temos, porém, calamitosas crises sem dor, as que se escondem sob a segurança de superfície:
— quando nos acomodamos com a inércia, a pretexto de haver trabalhado em demasia...
— nas ocasiões em que exigimos se nos faça o próximo arrimo indébito no jogo da usura ou no ataque da ambição...
— qualquer que seja o tempo em que venhamos a admitir nossa pretensa superioridade sobre os demais...
— sempre que nos julguemos infalíveis, ainda mesmo em desfrutando as mais elevadas posições nas trilhas da Humanidade...
— toda vez que nos acreditemos tão supostamente sábios e virtuosos que não mais necessitemos de avisos e corrigendas, nos encargos que nos são próprios...
Sejam quais sejam os lances da existência em que nos furtemos deliberadamente aos imperativos de autoeducação ou de auxílio aos semelhantes, estamos em conjuntura perigosa da vida espiritual, com a obrigação de esforçar-nos, intensamente, para não cair em mais baixo nível de sentimento e conduta.
Libertemo-nos dos complexos de avareza e vaidade, intransigência e preguiça que nos acalentam a insensibilidade, a ponto de não registrarmos a menor manifestação de sofrimento, porquanto, de modo habitual, é através deles que se operam, em nós e em torno de nós, os piores desastres do espírito, seja pela fuga ao dever ou pela queda na obsessão.

Observa Hoje - Lancellin

Lancellin / João Nunes Maia

Não te preocupes muito com o ontem, nem tampouco com o amanhã.
O que passou nos serve, de vez em quando, para uma avaliação dos nossos deveres nos certames futuros, sem que a nossa visão ou a nossa sensibilidade se atrofie em falsas apreensões.
Trabalha no hoje, analisa a tua própria personalidade e vê o que nela tens a consertar, na seqüência que as leis da serenidade nos ensinam, para que não haja violência em qualquer sentido.
Hoje é o campo, não só de observação, mas de execução, de aprimoramento das nossas qualidades e o engenho deste trabalho se manifesta pela nossa vontade.
Já que aceitamos o progresso e a evolução de tudo o que nos cerca, por que permanecermos estacionados em regime de conservação em relação à nossa moral?
Será que a razão não participa do homem quando se trata de regras de religião, regras essas que obedecem ao tempo e ao próprio empuxo do mesmo progresso?
As leis são as mesmas em todas as dimensões da vida. Elas acompanham a escala de aperfeiçoamento com perfeita justiça.
A imparcialidade é, pois, o maior sintoma da perfeição.
Não queiras viver o hoje obedecendo as regras humanas do ontem e não intentes colocar em teus passos as conjecturas de conceitos de um futuro distante.
Muitos entram em desequilíbrio por quererem viver o presente sob a influência do passado ou então passar os dias de hoje viajando em carros invisíveis do futuro.
Certamente que somos influenciados pela conduta que tivemos. No entanto, o agora serve para limparmos estas mazelas, sem lhes darmos maior atenção.
Com a modificação dos nossos sentimentos, identificamos os tempos do terceiro milênio que se aproxima como a era da renovação das criaturas que anseiam pela felicidade.
Estamos trabalhando em uma época para acordar os que dormem, ajudando-os a pensar e a falar, a conhecer a verdade, para que essa verdade os torne livres das pesadas algemas da incompreensão.
Estamos entrando na época de luz, onde nunca mais se poderá esconder a Sabedoria. Ela se apresenta por si mesma, sob a égide do Grande Mestre da fraternidade cósmica, com a mensagem do Amor para todas as criaturas.
Concentra-te no que deves fazer agora e faze-o bem, primeiramente a ti mesmo, sem que o egoísmo invada o teu coração.
Investe, com todas as tuas forças, para a conquista dos bens imperecíveis que devem ser entregues aos sentimentos, sem que o orgulho interrompa os teus esforços.
Depois de preparado para o grande empenho de servir, faze-o sem constrangimento em todos os lados em que fores convocado para ajudar.
Nesta hora, alimenta o desprendimento e evoca as forças do Amor, para que o Perdão entre em evidência, fazendo a transformação devida: morre o homem velho e nasce o novo homem, forjado pelos cromossomos divinos para o futuro.
Assim, estarás em condições de ajudar, por amor e sem exigência,as futuras gerações.
Faze alguma coisa, hoje mesmo, por ti próprio, sem pensar no que vais receber amanhã. A natureza cuida disso e te entregará tudo o que for teu, pela lei da justiça palpitante em todo o Universo, regendo a integração do espaço cósmico.

Consciência e Conveniência - André Luiz

Do livro "Estude e Viva"
André Luiz
Francisco Cândido Xavier / Waldo Vieira


As boas soluções nem sempre são as mais fáceis e as manifestações corretas nem sempre as mais agradáveis...
A trilha do acerto exige muito mais as normas do esforço maior que as saídas circunstanciais ou os atalhos do oportunismo.
Nos mínimos atos, negócios, resoluções ou empreendimentos que você faça, busque primeiro a substância "post-mortem" de que se reveste, porquanto, sem ela, seu tentame será superficial e sem consequências produtivas para o seu espírito.
Hoje como ontem, a criatura supõe-se em caminho tedioso tão só quando lhe falta alimento espiritual aos hábitos.
Alegria que dependa das ocorrências do terra a terra não tem duração.
Alegria real dimana da intimidade do ser.
Não há espetáculo externo de floração sem base na seiva oculta.
Meditação elevada, culto à prece, leitura superior e conversação edificante constituem adubo precioso nas raízes da vida.
Ninguém respira sem os recursos da alma.
Todos carecemos de espiritualidade para transitar no cotidiano, ainda que a espiritualidade surja para muitos, sob outros nomes, nas ciências psicológicas de hoje que se colocam fora dos conceitos religiosos para a construção de edifícios morais.
À vista disso, criar costumes de melhoria interior significa segurança, equilíbrio, saúde e estabilidade à própria existência.
Debaixo de semelhante orientação, realmente não mais nos será possível manter ambiguidade nas atitudes.
Em cada ambiente, a cada hora, para cada um de nós, existe a conduta reta, a visão mais alta, o esforço mais expressivo, a porta mais adequada.
Atingido esse nível de entendimento, não mais é lícita para nós a menor iniciativa que imponha distinção indevida ou segregação lamentável, porque a noção de justiça nos regerá o comportamento, apontando-nos o dever para com todos na edificação da harmonia comum.
Estabelecidos por nós, em nós mesmos, os limites de consciência e conveniência, aprendemos que felicidade, para ser verdadeira, há de guardar essência eterna.
Constrangidos a encontrar a repercussão de nossas obras, além do plano físico, de que nos servirá qualquer euforia alicerçada na ilusão? De que nos vale o compromisso com as exterioridades humanas, quando essas exterioridades não se fundamentam em nossas obrigações para com o bem dos outros, se a desencarnação não poupa a ninguém? Cogitemos de felicidade, paz e vitória, mas escolhamos a estrada que nos conduza a elas sob a luz das realidades que norteiam a vida do Espírito, de vez que receberemos de retorno, na aduana da morte, todo o material que despachamos com destino aos outros, durante a jornada terrestre.
Não basta para nenhum de nós o contentamento de apenas hoje.
É preciso saber se estamos pensando, sentindo, falando e agindo para que o nosso regozijo de agora seja também regozijo depois.


sábado, 21 de janeiro de 2017

Ponderação - Carlos

Do livro “Gotas de Ouro”,
De João Nunes Maia & Carlos


Pondera a vereda dos teus pés, e todos os teus caminhos sejam retos.
Pv. 4:26

Toda avaliação é útil desde que não atinja a censura em se referindo aos outros, mas a advertência conosco mesmo, deve ser enérgica e decidida. Se não tiveste forças para disciplinar os teus maus pendores, cuida urgentemente de não os anunciar, pois o verbo em desalinho castigar-te-á mais ainda.
**
Considera o que vais falar ao próximo: a tua palavra, desconhecendo a educação, pode feri-lo e, por vezes, ele não está preparado para o perdão. Quem não medita no que fala, pode ouvir o que não quer, ficando devendo, na escrita divina, o que fez.
***
Procura examinar as tuas idéias nas conversações com os teus companheiros e faze uma seleção como se estivesse preparando a tua comida. Se a tua palavra for agradável, otimista e educativa, deixará esperança nos corações que te ouvirem.
***
Quando lembrar do teu irmão, sozinho ou acompanhado, esquece suas fraquezas e comenta as virtudes que ele se esforça por conquistar. Se fores cego aos direitos dos outros, coloca-te no lugar dele.
***
Ponderação é acerto, é a procura do acertar e, nessa busca, Deus te ajuda pelas linhas do teu próprio esforço.
***
Mede o que tua boca se propõe a falar e corrige antes que o verbo seja ouvido, porque depois de anunciado somente existe um recurso muito raro entre as almas: o perdão.
***
Pensa bem na importância dos teus diálogos, pois eles mostrarão aos outros o que verdadeiramente és. Quem conhece a ciência da palavra, conhece a ciência de viver.
***
Se queres que os outros falem bem de ti, faze o mesmo com relação a eles.
***



Os Infortúnios Ocultos - Allan Kardec

Nas grandes calamidades, a caridade se emociona e observam-se impulsos generosos, no sentido de reparar os desastres. Mas, a par desses desastres gerais, há milhares de desastres particulares, que passam despercebidos: os dos que jazem sobre um grabato sem se queixarem. Esses infortúnios discretos e ocultos são os que a verdadeira generosidade sabe descobrir, sem esperar que peçam assistência.
Quem é esta mulher de ar distinto, de traje tão simples, embora bem cuidado, e que traz em sua companhia uma mocinha tão modestamente vestida? Entra numa casa de sórdida aparência, onde sem dúvida é conhecida, pois que à entrada a saúdam respeitosamente. Aonde vai ela? Sobe até a mansarda, onde jaz uma mãe de família cercada de crianças. À sua chegada, refulge a alegria naqueles rostos emagrecidos. E que ela vai acalmar ali todas as dores. Traz o de que necessitam, condimentado de meigas e consoladoras palavras, que fazem que os seus protegidos, que não são profissionais da mendicância, aceitem o benefício, sem corar. O pai está no hospital e, enquanto lá permanece, a mãe não consegue com o seu trabalho prover às necessidades da família. Graças à boa senhora, aquelas pobres crianças não mais sentirão frio, nem fome; irão à escola agasalhadas e, para as menorzinhas, o leite não secará no seio que as amamenta. Se entre elas alguma adoece, não lhe repugnarão a ela, à boa dama, os cuidados materiais de que essa necessite. Dali vai ao hospital levar ao pai algum reconforto e tranquiliza-lo sobre a sorte da família. No canto da rua, uma carruagem a espera, verdadeiro armazém de tudo o que destina aos seus protegidos, que todos lhe recebem sucessivamente a visita. Não lhes pergunta qual a crença que professam, nem quais suas opiniões, pois considera como seus irmãos e filhos de Deus todos os homens. Terminado o seu giro, diz de si para consigo: Comecei bem o meu dia. Qual o seu nome? Onde mora? Ninguém o sabe. Para os infelizes, é um nome que nada indica; mas é o anjo da consolação. A noite, um concerto de bençãos se eleva em seu favor ao Pai celestial: católicos, judeus, protestantes, todos a bendizem.
Por que tão singelo traje? Para não insultar a miséria com o seu luxo. Por que se faz acompanhar da filha? Para que aprenda como se deve praticar a beneficência. A mocinha também quer fazer a caridade. A mãe, porém, lhe diz: "Que podes dar, minha filha, quando nada tens de teu? Se eu te passar às mãos alguma coisa para que dês a outrem, qual será o teu mérito? Nesse caso, em realidade, serei eu quem faz a caridade; que merecimento terias nisso? Não é justo. Quando visitamos os doentes, tu me ajudas a tratá-los. Ora, dispensar cuidados é dar alguma coisa. Não te parece bastante isso? Nada mais simples. Aprende a fazer obras úteis e confeccionarás roupas para essas criancinhas. Desse modo, darás alguma coisa que vem de ti." É assim que aquela mãe verdadeiramente cristã prepara a filha para a prática das virtudes que o Cristo ensinou. E espírita ela? Que importa!
Em casa, é a mulher do mundo, porque a sua posição o exige. Ignoram, porém, o que faz, porque ela não deseja outra aprovação, além da de Deus e da sua consciência. Certo dia, no entanto, imprevista circunstância leva-lhe a casa uma de suas protegidas, que andava a vender trabalhos executados por suas mãos. Esta última, ao vê-la, reconheceu nela a sua benfeitora. "Silêncio! ordena-lhe a senhora. Não o digas a ninguém." Falava assim Jesus.

Considerando a Reencarnação - Joanna de Ângelis

Psicografado por Divaldo Pereira Franco
Espírito: Joanna de Ângelis


A reencarnação é Lei da Vida.
Impositivo estabelecido, irrefragavelmente, constitui processo de evolução, sem o qual a felicidade seria impossível.
Programada pelo Criador, faculta os mecanismos naturais de desenvolvimento dos valores que jazem latentes, no ser espiritual, que assim frui, em igualdade de condições, dos direitos que a todos são concedidos.
A reencarnação favorece com dignidade os códigos da Justiça Divina, demonstrando as suas qualidades de elevação e de amor.
Sem a reencarnação – que proporciona a liberdade de opção, com as consequências decorrentes da escolha – a vida não teria sentido para os párias sociais, os homens primitivos, os limitados mentais, os amargurados e infelizes...
Sem a reencarnação, o ódio inato e o amor espontâneo constituiriam aberração perturbadora em a natureza humana.
Da mesma forma, as tendências e propensões que comandam a maioria dos destinos, seriam fenômenos cruéis de um determinismo absurdo, violentador das consciências e dos sentimentos.
Sem a reencarnação, permaneceriam como incógnitas geradoras de revolta, as razões dos infortúnios morais, das enfermidades de alto porte, mutiladoras e degradantes, da miséria social e econômica que vergastam expressivas massas e grupos da sociedade terrestre.
Sem a reencarnação, os laços de família se diluiriam aos primeiros impactos defluentes dos acontecimentos danosos...
A reencarnação enseja reequilíbrio, resgate, reparação.
Faculta o prosseguimento das atividades que a morte pareceria interromper.
Proporciona restabelecimento da esperança, entrelaçando as existências corporais que funcionam como classes para o aprendizado evolutivo no formoso Educandário da vida terrestre.
Oferece bênçãos, liberando de qualquer fatalidade má, que candidataria o Espírito a um estado permanente de desgraça.
A reencarnação enobrece o calceta, santifica o vilão, eleva o caído, altera a paisagem moral do revoltado, dulcificando-o ao largo do tempo, sem pressa, nem violência.
A reencarnação é convite ao aproveitamento da oportunidade e do tempo, que sempre devem ser colocados a serviço do progresso espiritual e da perfeição, etapa final da contínua busca do ser.

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